quarta-feira, 30 de junho de 2010

Vida sem vagas

Grande parte da população baiana, subserviente ao Sistema Único de Saúde (Sus) para atendimentos de urgência e de emergência, reivindica uma vaga nas unidades de saúde pública. É uma magna legião de remediados: nosso povo reclama e batalha ardorosamente para equacionar o dilema da ausência de vagas nos hospitais, nos ambulatórios e nos postos. Como podemos observar diariamente, a carência de atendimento e/ou a sua má qualidade não passam de uma excrescência.

Percebemos concisamente que o nosso sistema sanitário oficial está imerso num caos, até porque há poucos recintos vacantes para que os pacientes se alojem a fim de compensar os diversos e infinitos males por eles sofridos. A deficiência e a indisponibilidade de vagas em leitos provocam uma tremenda confusão nos enfileiramentos de espera. Justifica, ainda, uma imensa e quilométrica cruzada para conseguir expectativas prolongadas de vitalidade e de saúde.

Implorando por melhor qualidade de vida e por bem-estar, pessoas adoentadas permanecem intactas, estáticas, por duas horas ou mais, atingindo o inesperado prolongamento por mais dias, numa inércia que de fato é dramática. Cenas como esta, em hipótese alguma, não acontecem em obras fictícias. São integralmente verídicas, cujos protagonistas – os pacientes –, às vezes, estão aguardando o momento oportuno do óbito espontâneo e fulminante em plena fila de um lotado hospital.

A saúde gratuita na Bahia não deve ser tratada como mercadoria de câmbio para finalidades meramente especulativas. Direito efetivo e prioritário do povo, a medicina, ou arte de curar e de salvar, é um fator de suma importância para assegurar a conservação, a manutenção e o equilíbrio da nossa vida. Não há conjecturas para se compreender porque os hospitais públicos baianos e as ambulâncias que se locomovem de um hospital para outro estão repletos de pessoas adoentadas. Fácil de entender, é?

Vítimas de acidentes e de enfermidades naturais, enquanto enfrentam as morosidades nos atendimentos, fazem da consolação cristã um subterfúgio benigno para curar as suas dores, os seus cânceres, as suas úlceras e as suas debilidades. O guardião da nossa saúde não é apenas um segundo ser humano, como o médico. Só Jesus, através de seus conselhos e de suas mãos milagrosas, nos dá consolo, auxílio fraterno e gratidão para aliviar as doenças que fazem assolar o nosso dia a dia.

Procurar uma vaga em hospitais e reservá-las é um trabalho seriamente complexo e complicado, uma tarefa dificílima. Um problema similar ao das filas astronômicas da Previdência Social. As filas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), assim como aquelas do Sus, embora inconvenientes para muitos, são necessárias à espera de benefícios inimagináveis. Nossas condições de saúde da maioria dos pacientes que dependem do Sus para atender e internar são, a cada dia, muito sofríveis.

Acumular pensares

Que prazer extremo é degustar um frigidíssimo vento invadindo o meu corpo! Uma maravilha de tempo instável, porém propício a centenas de miríades de pensamentos e de sentimentos, de razões e de emoções, de impressões explícitas e implícitas. Sensações aprazíveis, agradáveis, prazerosas e deliciosas, são essas por quais eu tenho desejo profundo. Enquanto instabilidades vindas do Oceano Atlântico produzem um tempo ruim, revestindo de névoa a paisagem urbana, eu me sinto felicíssimo aqui dentro do meu habitáculo, exercitando as minhas necessidades e as minhas vontades.

Já que as chuvas hibernais simbolizam, com convicção, a frequente ausência de pessoas no campo e na cidade ou, exemplificando, a amarga falta de um episódio festivo que atrai multidões, como uma procissão, o vento produzido por elas favorece minha refrigeração mental. Também me ambiciona navegar pelo rio das minhas memórias e de ampliar meus interesses e minha sapiência, já armazenados no cérebro. Sempre exalto, enalteço e evoco os meus prazeres, desmembro-os em fragmentos multiplicadores e transbordo-os ao som de ritmos quentes, dando alívio e uma perspectiva estival aos dias de inverno.

Imagine uma comunidade desértica e semi-inóspita, sem nenhum elemento característico dos lugares civilizados. Só terra semiárida, acompanhada de vegetação típica e de parcas pessoas que a habitam, sob a sua subserviência. Apenas a chuva trará benefícios e hospitalidade à população, transformando-se, um dia, num miraculoso oásis úmido e florescido. O progresso e a difusão do conhecimento humano numa determinada sociedade é como se fosse a chegada da umidade em um lugar desértico e seco. Assim como as chuvas intensas, a sapiência é perpétua, constante e vindoura.

Apesar de ser considerado mau tempo, não há nada de triste, nada de melancólico, nada de sôfrego e nada de lamentoso no meu mundo contemporâneo. Meu revigoramento físico e psicológico está, de acordo com meus prognósticos da saúde corporal, com aproximadamente 100% de aproveitamento. Utilizo, explícita e misteriosamente, minha permanente autoestima, minha veemente liberdade e meu ego para acumular e explorar os meus pensares particulares cotidianos. Faço do meu sensível e maravilhoso modus vivendi um deslumbrante laboratório – ou uma oficina – de experiências racionais e emocionais.

Laboratório onde vivencio uma incrível capacidade de demonstrar, com lucidez e concisão, minha criatividade real e imaginária concebida desde o meu nascimento, há quase vinte e dois anos. Com essa idade, continuarei sendo perspicaz, onisciente e ubíquo nos meus círculos familiares e no meu recinto acadêmico, onde progrido-me nas teorias e nas práticas aplicadas criteriosamente no fantástico e profícuo curso que, por motivos óbvios, é o curso de Jornalismo. Objetivo: comunicar-me com indivíduos, códigos, signos e símbolos e adquirir volume necessário de conhecimento e de sabedoria.

E o melhor: no meu futuro ofício não haverá subterfúgios que escapem as minhas ideias, o meu aprendizado e o meu estímulo à formulação de tipologias textuais diferenciadas. Subterfúgios são negligências enterradoras de promessas e de oportunidades para universitários que defendem cordialmente um futuro próspero por meio de suas experiências profissionais. Meu propósito soberano, durante a elaboração de materiais a serem transportados para organismos de imprensa, é focalizar-me num definido tema para, em seguida, materializá-lo.

Minha extraordinária racionalidade não boicota o meu livre arbítrio; força-o, cada vez mais, com esplendor, com audácia e com coragem, pelo sentido das leis. Em se tratando de leis, não exercerei qualquer ofício jurídico, pois a área do Direito apresenta um vocabulário específico e incompreensível. Leis são materiais que regem, ordenam, hierarquizam e qualificam a nossa sociedade em diversos aspectos. Sob os preciosos auspícios das mesmas ordenações, essencialmente a bênção de Deus, já estou caminhando, sem cerimônia, para ser um profissional respeitado do jornalismo.

Sou eu mesmo que desvendo os sintomas de um determinado problema para realizar o seu diagnóstico; sou eu mesmo que fico repleto de entusiasmo, quando observo pessoalmente ou em meios de comunicação algum ente querido, alguma personalidade favorita no campo artístico ou quando louvo a Deus. Meu raciocínio, assim como o nosso, não deve ser utilizado com parcimônia, portanto deve ser elucidado livremente, produzindo toneladas de manifestos textuais e contextuais através do fomento à palavra. Tenho apetite pela escrita e pela leitura a fim de aperfeiçoar-me no exercício jornalístico.

Pelo fato de vivermos numa sociedade democrática, somos capazes de construir e de desenvolver as nossas habilidades e aptidões intelectuais, cognitivas e sentimentais e de aprimorá-las com produtividade e prosperidade. O conhecimento é o fundamento soberano do nosso modo de viver e de aprender, e sem ele há profundas restrições ao magnífico universo do saber. Dentro da minha capacidade de ânimo, da minha plenitude, existe a livre manifestação do pensamento, que é a raiz de todo o conhecimento. Manifesto minhas ideias com plenitude, conciliando experiência com juventude.

Não sou especialista numa determinada área, pois não tenho um contínuo aprofundamento especializado. Tenho interesse em todas as esferas cognitivas, e é no bojo delas que se expressa a minha liberdade. Sou, por conseguinte, um indivíduo multicognitivo, multicultural, multiartístico e multimídia. Por enquanto, exercito e cultivo meus pensamentos, minhas leituras e minhas simpatias em vários setores do conhecimento humano, como se fosse uma enciclopédia. O nosso cérebro é como se fosse um objeto eletrônico, a exemplo do computador: as nossas reminiscências são irrestritas e ilimitadas.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

PT oficializa Wagner para reeleição

Governador é homologado candidato para mais quatro anos de mandato em convenção estadual do partido, contando com a participação de Dilma Rousseff

Militantes do PT e de partidos aliados ocuparam, na manhã de ontem, o Salão Oxalá II do Centro de Convenções da Bahia, para prestigiar a homologação da candidatura à reeleição do atual governador Jaques Wagner. Numa plateia formada por cerca de 4 mil pessoas, os convencionais também oficializaram os nomes dos deputados federais Walter Pinheiro (PT) e Lídice da Mata (PSB) – candidatos derrotados, respectivamente, a prefeito e vice-prefeito de Salvador em 2008 – ao Senado na chapa. O vice de Wagner é o ex-governador e ex-conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), Otto Alencar (PP).

Foi lançado ainda o jingle de campanha, explicitando as relações entre Wagner e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com direito a uma voz sua, que tem como objetivo persuadir o povo baiano a eleger o governador para mais quatro anos de mandato. Após a cantora cantar "Até Lula já deu o recado: desse galego (apelido que o presidente utiliza, com carinho, para se referir a Wagner) eu não abro mão", entra em cena a voz de Lula: "Esse é companheiro, é irmão de fé. E o povo da Bahia vai votar no Jaques Wagner para governador."

A presença da candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT), foi o ápice da convenção baiana. Wagner lembrou que, na última pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), a ex-ministra ultrapassou pela primeira vez seu maior adversário, José Serra (PSDB), com 40% contra 35% do tucano. Dilma retornou a Salvador após ela comparecer à convenção que lançou oficialmente o deputado federal e ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) como postulante do partido ao governo do estado, na segunda-feira passada.

Mulher "guerreira"

Wagner, em discurso, declarou que a presidenciável petista possui qualidades semelhantes às de duas importantes personagens históricas da Bahia – Irmã Dulce, por prestar serviços de assistência social aos mais necessitados, e a heroína Maria Quitéria, por ser uma mulher "guerreira", lutando pelo processo de independência da Bahia contra as tropas portuguesas, em 1823. "Você largou o bem bom da Universidade para ir às ruas contra a ditadura. Preferiu sair de sua excelência para lutar pelo retorno da democracia de nosso país. Esse é o pedaço de Maria Quitéria que está em você", disse o governador.

Os grandes projetos e obras no setor de infraestrutura – transportes, energia, habitação e saneamento básico – são prioridades fundamentais de Dilma na Bahia, pois o estado deverá promover um desenvolvimento econômico maior ainda, em relação a outros do Nordeste. Segundo ela, o maior crescimento baiano é atribuído ao fato de o estado "ser o mais populoso" da região. O Nordeste, juntamente com o Norte, é a região onde Dilma Rousseff segue na dianteira de Serra, justificando a forte e massiva influência do presidente Lula no seu eleitorado.

"Eu me comprometo que a gente conclua uma obra tão importante para a Bahia, que é a Ferrovia Oeste-Leste (que conectará os municípios de Figueirópolis, no Tocantins, a Ilhéus). Me comprometo que nós vamos de fato ter estaleiros baianos. A Bahia é o Estado do Nordeste mais populoso. É certo que tenha um desenvolvimento maior", salientou Dilma, mencionando algumas obras a serem implantadas e concluídas na sua administração, cruciais para o progresso da Bahia. A Ferrovia Oeste-Leste, com 1,4 mil quilômetros, será, de acordo com Wagner, uma alternativa para o escoamento da produção.

Votos para Dilma

Com relação à presença de Dilma nas convenções que homologaram Wagner e Geddel como concorrentes ao governo, o atual governador admitiu que ela não pedirá votos para eles. "São dois que estarão pedindo votos para ela. Ela não veio aqui para pedir voto para candidato a governador. Ela veio aqui para participar da convenção. E PT e PMDB pedirão votos para ela. Não veio pedir voto nem para mim e nem para outro candidato". Os presidentes nacional e estadual do PT, José Eduardo Dutra e Jonas Paulo, respectivamente, também estavam presentes no encontro.

Seis partidos, além do Partido dos Trabalhadores, integram a aliança, confirmada durante a convenção. O PP, o PDT, o PSB, o PC do B, o PRB e o PSL já hipotecaram seu apoio a Wagner. Paralelamente ao evento petista, a convenção estadual do Partido Comunista do Brasil divulgou, também no Centro de Convenções, a lista com os nomes dos 42 postulantes às vagas na Assembleia Legislativa e dos 3 às vagas na Câmara dos Deputados – os deputados federais Alice Portugal e Daniel Almeida, que disputam a reeleição, e o estadual Edson Pimenta.

domingo, 27 de junho de 2010

Resgatando um sofrido povo

Dedico convictamente este extenso, maravilhoso
E informativo poema, elaborado por um nordestino,
Aos milhares de sobreviventes e às dezenas de mortos,
Vítimas do maior apocalipse acontecido na região.
Expresso, aqui e agora, minha liberdade de opinião.

Estamos vulneráveis a sucessivos holocaustos
Que fazem sacrificar a vida nos nossos rincões.
Pessoas dramática e espontaneamente desabrigadas,
Lamentavelmente desaparecidas pela ação aquática,
Dezenas de entes queridos explicitamente falecidos.

Contribuímos deliberadamente para a reconstrução
Das reminiscências e das exuberantes paisagens,
Zonas rústicas e urbanas litorâneas e interioranas
Das maravilhas alagoanas e pernambucanas,
Restaurando paulatinamente a vida humana.

Foi por intermédio e submissão do tempo ruim
Que gerou um problema para nossa humanidade.
Residências corroídas, memórias esquecidas,
Comércio interrompido e logradouros alagados.
Um dilema de dimensão seriamente prejudicial.

Nosso Nordeste é um Norte nobre e notável,
Refúgio da mais valiosa cultura brasileira,
Onde germinam milhões de produções literárias,
Onde inventam milhões de músicas populares,
Onde desenvolvem mais artes e intelectualidades.

Lutamos por um novo e reluzente horizonte,
Por uma nova aurora nordestina luminescente,
De uma civilização progressivamente lúcida,
De uma sociedade florescentemente nítida,
De uma população autonomamente híbrida.

Estamos felicíssimos por sermos orgulhosos
Em virtude de sermos conterrâneos nordestinos
Antônios, Clementes, Paulos, Marias,
Joões, Joanas, Pedros, Prudentes, Cristinas,
Romeus, Julietas, Sebastianas e Severinos.

Incentivamos o constante resgate de multidões,
O socorro urgentemente necessário para defendê-las,
Contrárias ao nascimento de pérfidas calamidades,
Contrárias à geração de lacrimosas enfermidades,
A favor de boas obras, de milagres e de felicidades.

Toda a população brasileira colabora, com mérito,
Em benefício de uma das regiões mais carentes,
Providenciando gêneros de primeira necessidade,
Batalhando como um cuidadoso exército de salvação,
Favorecendo a cooperativa harmonia popular.

A partir do consentimento e dos auspícios do povo
Do Nordeste tropical, solidariamente combinado
Com o Norte, o Centro-Oeste, o Sudeste e o Sul,
Uma oportunidade de fundamental importância
Garantirá a longevidade da nossa sobrevivência.

Indubitavelmente, a força, o amor e os prodígios
De Deus são capazes de superar as catástrofes
Provocadas pelas últimas enchentes hibernais
Que, por sua vez, são astronômicas tempestades
Maiores do que vulcões combustíveis subterrâneos.

O que queremos neste abençoado território
Não é trabalhar em privilégio de uma minoria.
Vamos organizar mutuamente procissões, desfiles,
Caravanas, passeatas, cortejos e manifestações,
Objetivando unificar a nossa grandiosa maioria.

Sob nossa responsabilidade e tutela de Deus,
Precisamos adquirir, multiplicar e compartilhar
Alimentos e medicamentos a fim de se concretizar
Desejos, sonhos, quimeras e projetos perdidos
E, por conseguinte, conquistar possíveis amizades.

Nossos tetos não podem ser maculados, nem mutilados,
E tampouco desastrados pelos efeitos temporais.
Logo depois desse deplorável descalabro regional,
Nosso esplêndido povo nordestino clama lucidamente
Ao Senhor por miríades de consolos e de suprimentos.

sábado, 26 de junho de 2010

Apocalipse nordestino

Nesta semana em que se inicia o inverno, uma nova calamidade natural transbordou subitamente o litoral e o interior de dois importantes estados do Nordeste. A seca, portanto, não é a única e absoluta tragédia que deixa milhares de nordestinos desabrigados e desprovidos de inumeráveis meios de subsistência. Pessoas comuns, todos cidadãos brasileiros e nordestinos, estão vivendo em condições extremamente precárias, de improviso, espalhadas, reciprocamente, em 95 municípios – quase 100 – do Agreste e da Zona da Mata (litoral) de Alagoas e de Pernambuco, pela força das enchentes que ocorreram nessas duas unidades federadas da região.

O povo nordestino, apesar de ser um povo extremamente sofrido pelas secas e, agora, pelas enchentes, vive em perfeita e ilimitada consonância com os aspectos naturais e culturais, caracterizados pela magnífica coexistência de diversidades. Seu fabuloso mosaico climatobotânico – integrando os climas e suas respectivas vegetações –, sua perpétua rede hidrográfica, tendo como carro-chefe o Rio São Francisco, o rio da integração nacional, e sua criativa manifestação artística – patrimônio histórico, folclore, carnaval, música, literatura, culinária e outros elementos multiculturais – fazem do Nordeste uma das belas e ricas regiões do Brasil.

É muito deprimente ver a outra face da nossa simultaneamente rica e pobre região, assolada por uma fortíssima tempestade tropical provocada por chuvas que não param de cair; é muito deplorável observar um amontoado de construções destruídas pelas enchentes em zonas urbanas de municípios. Veja o desastroso saldo divulgado parcialmente pelas Defesas Civis dos estados atingidos: 52 mortes – compartilhadas entre Alagoas (35 mortos contabilizados) e Pernambuco (17 mortos) –, 157,5 mil desabrigados e dezenas de indivíduos desaparecidos. Uma realidade que se aproxima dos sinais dos tempos. Um novo apocalipse, por sinal, já está aí, criando uma quantidade incomensurável de vítimas.

Pessoas que coabitam com a pobreza extrema nos lugares afetados pelas chuvas também convivem com as incômodas transformações causadas pelo temporal neste início de inverno. Além de possibilitar a perda contínua e progressiva de moradias populares, na maioria pobres, e modificar a aparência das paisagens urbanas e rurais dos municípios, as últimas catástrofes estimularam a crescente proliferação de doenças infectocontagiosas, como a leptospirose – causada pela urina de ratos – e a cólera. Qual foi a resposta para o surgimento de epidemias nesses locais? Vômitos e diarreias, já que as enchentes propiciam a expansão de enfermidades diretamente vinculadas ao clima tropical.

Sob a nova avalanche de temporais que acabaram de penetrar em dezenas de cidades, milhares de moradores lamentam ininterruptamente ao verem suas residências total ou parcialmente destruídas, seus móveis rompidos, seus eletrodomésticos quebrados, seus alimentos e seus vestuários em falta, seus estabelecimentos comerciais destruídos, e suas pequenas e médias cidades ilhadas. Essa hodierna tragédia criada pelo mau tempo é, obviamente, uma das circunstâncias integrantes do avassalador apocalipse brasileiro. Consequentemente, eles mesmos, nordestinos valentes, suplicam a Deus por socorro e por novas vidas, cada vez melhores.

Queremos ver, nos próximos anos, as cidades alagoanas e pernambucanas com sua perspectiva modernizada, com sua vida normal restabelecida e com seu pleno vigor restaurado, após esse trágico acontecimento que entrou não somente para a história do Nordeste, mas também para a história da natureza e da humanidade brasileira. Esperamos que parcelas vindouras que integram a corajosa e batalhadora população nordestina não sejam invadidas pelas enchentes, propícias nas sub-regiões do Agreste e da Zona da Mata, onde o clima é mais úmido que no Sertão. Porém, no Agreste, as chuvas ocorrem com frequência intermediária por ser uma área de transição entre o Sertão semiárido e a Zona da Mata.

Território de gente socioeconomicamente desigual, contudo alegre, vencedora e capaz de conseguir, com liberdade, otimismo e veemência, oportunidades para superar os problemas diuturnos, a região nordestina valoriza suas essências e suas raízes. Seu povo, neste momento, encontra-se unido em todos os nove estados e fielmente consciente, com o objetivo de reerguer suas perdas materiais e melhorar suas condições higiênico-sanitárias, colaborando para seu aprimoramento vital. Nosso povo, um dos mais orgulhosos do país, não é culpado, nem inocente e nem escravo de um determinado proprietário. É apenas servo de um só Senhor, o Criador.

O Governo Federal, representado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva – um pernambucano ilustre e preocupado com o povo mais humilde –, o Corpo de Bombeiros e várias organizações de todos os cantos do Brasil e até da Venezuela estão se mobilizando deliberada e voluntariamente para socorrer as vítimas das enchentes que devastaram dezenas de municípios do Nordeste, todos localizados em Alagoas – estado onde a situação é gravíssima – e em Pernambuco. Destruição monumental que acumulou prejuízos para a população local, fazendo com que sua sobrevivência dificulte ainda mais. Temos convicção de que esse problema é apenas temporário, e que a vida dos mais necessitados irá retornar gradativamente.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Diversidades marcam a Boca do Rio

Situado perto da orla de Salvador, o bairro cresceu graças às migrações de ex-moradores do “Bico de Ferro” e de Ondina. Seu desenvolvimento, porém, é desordenado. Hoje, o comércio é a sua tônica, atendendo às exigências da população

O grande crescimento urbano da Boca do Rio é atribuído à doação de terrenos para construção de residências destinadas aos moradores de invasões
(Foto: Hugo Gonçalves)

Um dos bairros mais populosos de Salvador, a Boca do Rio, localizada entre a orla marítima e a Avenida Paralela, teve suas origens num vilarejo de pescadores. A comunidade passou a se desenvolver logo após a Prefeitura doar terrenos para a construção de casas para os moradores vindos de outros locais, transformando-se num importante centro residencial, comercial, de serviços e de lazer. Mesmo com esse crescimento repentino, ele não foi acompanhado por um eficiente planejamento urbano. Um grande problema foi gerado, em especial em alguns logradouros: a violência, que até agora não foi resolvida.

As terras onde atualmente são a Boca do Rio estão situadas nas imediações da foz – ou desembocadura – do Rio das Pedras, que deságua no Oceano Atlântico, daí o nome. Elas pertenciam, segundo o jornal Correio da Bahia, de 3 de agosto de 1999, à Freguesia de Nossa Senhora de Brotas, que se estendia do Engenho da Bolandeira até a fronteira da Freguesia de Itapuã. De acordo com o historiador Cid Teixeira, em entrevista ao extinto jornal Bahia Hoje, de 21 de abril de 1994, a área foi ocupada, primeiramente, no século XVI, depois da fundação de Salvador, sendo dividida em três sesmarias concedidas pelo governador-geral Tomé de Souza. A primeira foi entregue a seu primo D. Antônio de Ataíde, conde de Castanheira e homem mais próximo do rei de Portugal, D. João III; a segunda, aos monges beneditinos; e a terceira, a Garcia d'Ávila, senhor da Casa da Torre, que foi o maior latifúndio das Américas.

Garcia d'Ávila era filho do fundador da primeira capital do Brasil, e detinha o controle das terras que se estendiam de Itapuã até o Rio Real e Tatuapara, onde ergueu a Casa da Torre, após vencer as tribos indígenas então existentes no litoral norte da Bahia. Logo depois, conforme Teixeira em Bahia Hoje, ele e os monges beneditinos decidiram trocar suas respectivas áreas, mas as terras do conde de Castanheira continuaram no mesmo local, sempre estando nas mãos dos seus descendentes.

Ainda segundo as informações do historiador publicadas em Bahia Hoje, na primeira metade do século XIX, a propriedade dos terrenos foi entregue, através de um acordo, a Manuel Inácio da Cunha e Menezes, militar, comerciante e político, que depois se tornou o Conde do Rio Vermelho. Era filho do governador Manuel da Cunha e Menezes, enviado por Portugal que, segundo Teixeira em Bahia Hoje, quando solteiro, ao voltar para esse país casou-se com a condessa de Lumiares, à época herdeira do patrimônio do conde de Castanheira. Quando a paternidade de Manuel Inácio foi reconhecida, as terras nas quais hoje é a orla, incluindo o atual bairro, passaram nas mãos dele.

No início, viviam pescadores

Na região ocupada pelo bairro da Boca do Rio, Manuel Inácio residiu, de acordo com Cid Teixeira, citado em Bahia Hoje, numa casa de dois pavimentos, que mais tarde seria o Aeroclube da Bahia, hoje demolida. Ele explorava a pesca de baleia para a extração e a industrialização do óleo. O processamento do produto era realizado, segundo Teixeira em Bahia Hoje, na sua oficina de trabalho, que funcionava na “casa de pedra”, em frente à Praia de Armação. Em seguida, a Companhia do Queimado, que era responsável pelo abastecimento de água de Salvador, comprou os terrenos pertencentes a Manuel Inácio. A aquisição da área era necessária para a instalação, pela própria empresa, da Estação da Bolandeira, ainda em funcionamento. Em 30 de setembro de 1905, o município adquiriu todas as terras da Companhia do Queimado, tornando-as de uso público.

O nome Boca do Rio se originou, conforme o jornal A Tarde de 12 de maio de 2007, devido à sua proximidade com a foz do Rio das Pedras, hoje poluído, perto da sede de praia do Esporte Clube Bahia. Lá, segundo o site Salvador Cultura Todo Dia, existia, entre as décadas de 40 e 60 do século passado, uma pequena colônia de pescadores, que constituíam a maioria dos seus habitantes, cujas casas eram de taipa, construídas em madeira e chão batido, e cobertas de palha. As mulheres dos pescadores fabricavam vassouras para ajudar no seu sustento. Além da região onde hoje se localiza a sede do Bahia, segundo registros históricos citados em A Tarde, de 14 de setembro de 2002, as primeiras casas também foram erguidas onde são os atuais Alto do São Francisco e Rua do Caxundé.

Durante muito tempo, o Aeroclube da Bahia, que de acordo com A Tarde era uma escola de pilotagem com pista de decolagem e pouso para pequenos aviões, marcou presença. Com a expansão habitacional do local, o terreno onde era o Aeroclube, ainda segundo informações do jornal, foi desocupado, ficando sem uso, e sua sede foi transferida para a Ilha de Itaparica. Parte das origens do bairro é mantida, com destaque para a pesca, importante forma de sobrevivência para vários moradores. A Boca do Rio possui uma filial da Colônia de Pesca Z-1, com sede no Rio Vermelho, conforme citado em A Tarde.

Fim de linha na Rua Hélio Machado, a principal e mais movimentada, por onde passam os ônibus cujas linhas vão até a Estação da Lapa, a Joanes e Lobato e à Ribeira
(Foto: Hugo Gonçalves)

Migrações motivaram sua expansão

A grande mudança na fisionomia do bairro ocorreu no final dos anos 60, quando ainda era, segundo o jornal Bahia Hoje, um areal cercado de mato, com os rios das Pedras e Pituaçu, ainda não poluídos. O Brasil vivia a ditadura militar, e o prefeito de Salvador era Antônio Carlos Magalhães, político biônico (nomeado pelo regime). Por iniciativa dele e com a ajuda da polícia, foi realizada, de acordo com A Tarde, a transferência de centenas de famílias, muitas delas de pescadores, que ocupavam o “Bico de Ferro” – uma invasão à beira-mar na Pituba, que havia sido demolida para dar espaço ao Jardim dos Namorados – para um terreno público próximo à foz do Rio das Pedras. Logo depois, em 1969, os antigos moradores de outra invasão, o Alto de Ondina, ainda segundo o jornal, também se migraram para a Boca do Rio com o forte esquema policial, por intermédio da doação de terrenos para a construção de residências destinadas a eles, também na gestão municipal de ACM.

Segundo a agente administrativa do Colégio Estadual Pedro Calmon, em Armação, nas adjacências da Boca do Rio, Maria Estelita de Oliveira Rocha, 65 anos, a mudança dos moradores daquele local, incluindo ela, se iniciou quando foram convidados a sair de lá para que a orla fosse urbanizada. ACM, então, lhes ofereceu dois lugares para que escolhessem. Tratavam-se da Engomadeira e da ainda desconhecida Boca do Rio. A Prefeitura colocou à disposição dos moradores dois ônibus para que eles fossem visitar esses lugares. Muitas pessoas, na opinião de Estelita, escolheram a Engomadeira “por ser um lugar mais habitado, já com infraestrutura e muito mais”, mas a maioria delas decidiu morar na Boca do Rio devido à sua localização privilegiada, mesmo não possuindo infraestrutura suficiente.

O terreno onde as casas foram erguidas pertencia, de acordo com Estelita, a uma viúva que estava endividada com a Prefeitura, que então o adquiriu e o loteou para os próprios moradores. Ela conta que todo o terreno foi marcado e distribuído para que eles escolhessem seus respectivos lotes. Após a escolha destes, seus novos ocupantes se dirigiram à sede da antiga Superintendência de Urbanização da Capital (Surcap), no Aquidabã, para receber um memorando referente à construção das residências. A seguir, a Prefeitura deu todos os tipos de materiais para começar a erguê-las, como blocos, telhas, tábuas e cimento, contratou os operários e enviou o transporte para levar os materiais até o local das obras.

Quando as pessoas vindas do “Bico de Ferro” e do Alto de Ondina passaram a morar na Boca do Rio, o bairro ainda não possuía pavimentação e calçamento das ruas, saneamento básico, energia elétrica e telefones. O funcionário público aposentado Anatório da Rocha, 71 anos, que mora junto com Estelita, sua ex-mulher, conta como foi o progresso comercial da comunidade. “Começou com barracas de verduras, depois vieram depósitos de materiais de construção, açougues, padarias, armarinhos, quitandas. Mais tarde, surgiu o primeiro supermercado, o Paes Mendonça (hoje Bompreço) e, em seguida, a Cesta do Povo.” Hoje, o comércio é a atividade predominante no bairro, sendo, ao lado da ocupação residencial, responsável pelo seu dinamismo.

Anatório foi, sem dúvida, uma das testemunhas da transformação da paisagem comunitária. Naquele distante 1969, quando passou a morar na Boca do Rio, ao lado de Estelita e de seus cinco filhos – Reginaldo, Ricardo, Helenice, Edson e Anatório Filho –, ele trabalhava como garçom do Palácio de Ondina, residência do governador do Estado, servindo ao gestor da época, Luiz Viana Filho (1967-1971). Por outro lado, Estelita era apenas uma jovem dona de casa, e, passados 41 anos, é agente administrativa do Colégio Estadual Pedro Calmon desde a sua inauguração, em 1976.

A Escola Municipal Agnelo de Brito foi inaugurada em 1969 pelo então prefeito ACM para as crianças vindas de Ondina estudarem
(Foto: Hugo Gonçalves)

Enfrentando obstáculos

Os moradores, por sua vez, encontravam uma dificuldade, que foi a falta de uma escola para seus filhos estudarem, pois estes, quando moravam em Ondina, estudavam no Colégio Estadual Evaristo da Veiga. Com a mudança para a Boca do Rio, a ida à escola ficou muito difícil, pois, segundo Estelita, “tinham que andar até a orla marítima para pegar um ônibus e chegar até o colégio.” Por essa razão, os recém-chegados à Boca do Rio solicitaram a ACM a imediata construção e instalação de uma escola destinada a seus filhos. A Escola Municipal Agnelo de Brito foi inaugurada, coincidentemente, no dia do aniversário do prefeito, em 04 de setembro de 1969.

Quando a aposentada Marinalva Silva de Oliveira, 60 anos, chegou à Boca do Rio, em 1969, vinda de Ondina, ela, assim como outras pessoas que se fixaram no bairro, enfrentou muitos obstáculos. Segundo Marinalva, “para fazer feira, tinha que ir a São Joaquim. Não tinha água, pois (os moradores) pegavam lá na Embasa da Bolandeira ou nas caixas. O caminhão do gás só passava na orla, pois aqui (na Boca do Rio) não entrava.” Hoje, os tempos são outros, e, com isso, as condições de vida da aposentada melhoraram muito.

A dona de casa Eulina Silva Cerqueira, 75 anos, era casada durante muitos anos com Arízio Pires Moreira, um senhor de cabeleira grisalha, falecido em 2000, aos 68 anos. Arízio era considerado uma “enciclopédia” por presenciar a transformação do local, tanto que ele trabalhava como motorista particular de diversos prefeitos, incluindo ACM. Ex-inquilina no bairro do Uruguai, Eulina mora tranquilamente no número 36 da Rua Professor João Carlos do Sacramento, desde 1970, levando uma vida simples e feliz. Na ocasião em que a dona de casa se mudou para o atual endereço, ela recebia um salário pequeno, difícil demais para sustentar seus oito filhos. O terreno onde sua própria moradia foi construída foi doado por ACM para que ela não pagasse aluguel.

Em relação à sua chegada à Boca do Rio, Eulina relembra que “não havia banco, médico, luz – era muito fraquinha, pois a Prefeitura a instalou, e não eram todas as pessoas que conseguiram obter energia elétrica. Depois, a Coelba colocou postes, fiação, e ligou a luz, que foi uma 'festa'.” Em seguida, dando continuidade à ampliação dos serviços públicos, ACM mandou erguer o primeiro centro de saúde do bairro, o Dr. César de Araújo. Já como governador, ele inaugurou, em 29 de março de 1973, a 9ª Delegacia de Polícia. A unidade foi construída na Rua da Tranquilidade, recém-asfaltada à época, com o objetivo de ajudar a reduzir os índices de violência na região.

Os avanços se sucederam

Diversos artistas, jornalistas e jovens intelectuais passaram a morar no bairro nos anos 70, conforme A Tarde. A Praia dos Artistas, ao lado da sede do Bahia, cujas águas estão poluídas devido ao encontro com a foz do Rio das Pedras, era, junto com a Praia de Arembepe, reduto da juventude rebelde, especialmente tropicalistas e hippies. Dentre os famosos que frequentavam a praia, segundo informações dos jornais A Tarde de 14 de setembro de 2002 e 12 de maio de 2007, e Tribuna da Bahia de 16 de maio de 1988, estavam os cantores Caetano Veloso, Gilberto Gil, Luiz Melodia e Zizi Possi e o grupo Novos Baianos (principalmente Baby Consuelo); o artista plástico Mário Cravo e a atriz Renata Sorrah. Eles foram atraídos pela presença da Barraca do Aloísio, de propriedade de Aloísio Almeida, que, de acordo com a Tribuna, era a única barraca existente na praia. Segundo ele, citado em A Tarde, muitos projetos culturais que marcaram a cidade naquele período nasceram na Praia dos Artistas, que ainda cultua seu passado glorioso.

Construções de condomínios na área, como o Conjunto Guilherme Marback e unidades habitacionais no Imbuí, contribuíram para a sua verticalização
(Foto: Hugo Gonçalves)

Conforme A Tarde, a verticalização começou a tomar conta da paisagem da Boca do Rio, com a construção do Parque Residencial Guilherme Marback, numa área compreendida entre ela e o futuro bairro do Imbuí. O conjunto, conforme registrado em sua placa de inauguração, foi inaugurado em 30 de junho de 1978 pelo então governador Roberto Santos, com a presença do então presidente da República, general Ernesto Geisel. O Marback, como é popularmente conhecido, atualmente é ocupado, de acordo com A Tarde, por mais de 5 mil moradores.

A localização privilegiada da Boca do Rio, segundo o Correio da Bahia, foi um dos fatores que viabilizaram a implantação do Centro de Convenções da Bahia, um edifício de estilo contemporâneo, erguido em concreto armado e estruturas metálicas e composto por quatro pavimentos. Inaugurado em março de 1979, o Centro de Convenções, de acordo com o Correio, é administrado pela Empresa de Turismo da Bahia S.A. (Bahiatursa) e é um dos maiores do país, sendo destinado à realização de grandes conferências, congressos e exposições. Conforme seu site, ele está localizado próximo à Avenida Tancredo Neves – eixo empresarial de Salvador – e com acesso fácil e rápido aos pontos estratégicos da cidade.

O setor terciário do bairro se desenvolveu intensamente, segundo o Correio, com o grande projeto de urbanização da orla, executado no início dos anos 80. Do ponto de vista de Estelita, várias ruas foram pavimentadas, ganhando redes de esgoto, nas gestões dos ex-prefeitos Mário Kertész (1986-1988) – já rompido com ACM – e Fernando José (1989-1992) – um ex-radialista populista que foi eleito com o apoio de Kertész. A maioria das obras foi executada, segundo Eulina, com o apoio de outros políticos, como o ex-vereador José Raimundo, falecido em 2008, e Marcelo Guimarães, ex-deputado estadual e ex-presidente do Esporte Clube Bahia.

Apesar de não conhecer profundamente a Boca do Rio e o Imbuí, o arquiteto César Henriques Matos e Silva, professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), explica que os dois bairros têm características bem destacadas e diferenciadas entre si. “A Boca do Rio é mais antiga e surge como uma região, a princípio, mais precária, a partir de invasões, loteamentos e conjuntos habitacionais, mas que se consolida ao longo do tempo. O Imbuí já é uma região mais recente e é marcada por diversos condomínios de classe média, onde o mercado imobiliário tem um grande poder. A estrutura urbana é muito fragmentada, com muros altos dos condomínios e pouca vida social nas ruas. Por causa disso, a Boca do Rio tem uma vida de bairro mais interessante.”

César Matos também justifica a maciça especulação imobiliária no Imbuí em relação ao bairro popular vizinho pela presença de residências de grande porte. “Por aparentar ter uma vida de bairro menos desenvolvida, em função dos grandes condomínios e de seus muros altos, o Imbuí é uma área sem muita identidade, um bairro pouco interessante. Talvez o Imbuí seja um bom exemplo de como o mercado imobiliário produz áreas urbanas sem qualidade de vida social, com a conivência do poder público”, conclui o arquiteto. Ainda segundo ele, as duas localidades são integradas de alguma forma, apesar das aparentes diferenças entre elas.

Um “labirinto” de serviços

Hoje, a Boca do Rio possui uma área de cerca de 14.400 m² entre Armação, Pituaçu e Imbuí e é ocupada por mais de 90 mil habitantes, segundo dados coletados por A Tarde. Esse surto de desenvolvimento aconteceu devido a vários fatores socioeconômicos, além da própria urbanização de Salvador ocorrida nas últimas quatro décadas. Como consequência do seu espontâneo crescimento, o bairro possui residências de diferentes estilos e um “labirinto” de estabelecimentos comerciais e de serviços, que funcionam diariamente para atender às exigências dos moradores. Nele estão presentes, entre outros, supermercados, mercadinhos, padarias, lojas de móveis e de materiais de construção, bares, restaurantes, lanchonetes, açougues, abatedouros, farmácias, óticas, armarinhos, barracas, bancas de revistas e os shopping centers Multishop e Aeroclube Plaza Show.

O comércio é a atividade econômica predominante na Boca do Rio, com dezenas de estabelecimentos presentes. No alto, à esquerda, o Armarinho Linha de Ouro, o primeiro do bairro; no alto, à direita, uma assistência técnica, uma loja de modas e um restaurante; acima, outra loja de modas, a Pastelaria Paulista e a Pizzaria Encontros
(Fotos: Hugo Gonçalves)

“O bairro melhorou muito. Tem tudo. Se a gente não quiser ir à cidade, não tem necessidade, porque tem bancos, mercados, lojas de móveis, armarinhos, mercadinhos, e outros. Temos ônibus, que antigamente não tinha, e que a gente pegava ou na orla ou na Bolandeira. Hoje em dia, tem dois postos de saúde, sendo que um possui emergência, e tem laboratórios pagos pelo Sus. Quanto às negativas, só a violência cresceu um pouco, mas, com tudo isso, é um bairro muito bom”, diz Marinalva, referindo-se aos melhoramentos realizados no local nos últimos anos.

Um posto do Serviço Municipal de Intermediação de Mão de Obra (Simm) foi inaugurado, de acordo com seu site, em abril do ano passado, com o objetivo de oferecer novas oportunidades de emprego à comunidade e suas adjacências. Um dos mais importantes centros comerciais da região, o Multishop possui, segundo o jornal A Tarde, um posto do Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC), para que os serviços públicos sejam acessíveis a seus moradores. Além disso, ainda segundo A Tarde, estão instalados, no shopping, lojas de diversos ramos, um tabelionato do Tribunal de Justiça e duas agências bancárias.

O Aeroclube Plaza Show, conforme descrito em A Tarde, foi inaugurado em outubro de 1999, trazendo para Salvador um conceito inédito de entretenimento que, integrado às compras, impulsionou o comércio e o turismo. Mais tarde, o perigo e a insegurança dominaram o cotidiano no shopping. A maioria das suas lojas foi fechada ao longo dos anos, principalmente em razão da falta de segurança. Apesar disso, reúne, segundo o jornal, cerca de 130 estabelecimentos, entre restaurantes, lanchonetes, dez salas de cinema, serviços, bancos e farmácias. Em 2007, com a ideia de transformá-lo em shopping tradicional, foi instalada uma filial das Lojas Americanas.

Ao lado do Aeroclube, há o Parque Atlântico, projeto iniciado na década de 90 pela então prefeita Lídice da Mata, hoje deputada federal (PSB), no antigo Aeroclube da Bahia. Os primeiros passos para sua implantação, de acordo com A Tarde, foram a decisão da Prefeitura para que o terreno seja reutilizado como área de lazer, e as reuniões de moradores em associações comunitárias. Entretanto, conforme o jornal, o parque encontra-se abandonado. O espaço é administrado por uma parceria entre a Prefeitura de Salvador e o Consórcio Parques Urbanos.

As pessoas se sentem muito felizes, satisfeitas e orgulhosas em viver na Boca do Rio, ajudando a construir sua história e a enriquecê-la. Apesar de existirem muitos problemas, como a violência, o desemprego e as faltas de saneamento e de pavimentação em alguns logradouros, o local apresenta uma significativa tranquilidade, um comércio bom e diversificado, várias opções de diversão e ótimos serviços oferecidos. “É um bairro bom, onde tem tudo. Mesmo com toda violência, é um bairro onde a gente vive bem”, orgulha-se Marinalva.

terça-feira, 22 de junho de 2010

"Manifesto redondo" em duas versões

Durante o ano de 2005, a Companhia de Bebidas das Américas (Ambev) pôs no ar dois comerciais diferentes de um dos mais conhecidos produtos do seu portifólio, a Cerveja Skol. Todos os filmes têm como trilha sonora a alegre e consciente canção Manifesto redondo, magistralmente composta pelo músico baiano Carlinhos Brown exclusivamente para a campanha. Os vídeos são um primor de animação!

A versão interpretada por Brown no primeiro vídeo, com duração de 1 minuto, cuja letra é um manifesto propriamente dito, dá à juventude contemporânea a ideia da busca por um mundo livre e democrático, sem nenhuma discriminação, incentivando o respeito às diversidades culturais. Uma bela obra poética com a assinatura do mestre Brown. Curti demais esse comercial para valer.

Meu manifesto é minha lata na boca

Respeito à diferença
Hábito cultural
Mundo divertido
Gente natural

Nenhum ser humano
É um ilegal
Que legal, que legal, que legal, que legal, que legal

Redondo é o sol
Redondo é o prazer
Que nem uma Skol
Redondo é ser você

Todo mundo amando o mundo muda o mundo
Yeah, yeah
Problema com ninguém
Na democracia
Ser redondo é ser do bem
Tudo bem, tudo bem, tudo bem, tudo bem, tudo bem, tudo bem, tudo bem, tudo bem, tudo bem

Bata na lata, na lata, na lata, na lata, na lata, na lata
O preconceito se incomoda e se acaba
Bata na lata, na lata, na lata, na lata, na lata, na lata
O preconceito se incomoda e se acaba
Bata na lata, na lata, na lata
Meu manifesto é minha lata na boca

Aprecie com moderação.


O segundo filme publicitário da Skol traz um outro ícone da música negra brasileira, o cantor Falcão, líder do grupo carioca de rock O Rappa. A versão que ele canta nesse comercial de 31 segundos é praticamente o mesmo manifesto do seu amigo Carlinhos Brown, só que com alguns cortes e modificações e em ritmo de um reggae-ska supermaravilhoso...

Redondo é o sol
Redondo é o prazer
Redondo é uma Skol
Redondo é ser você

Todo mundo amando o mundo muda o mundo
Problema com ninguém
Na democracia
Ser redondo é ser do bem

Bata na lata
O preconceito se incomoda e se acaba na lata
O preconceito se incomoda e se acaba na lata
Meu manifesto é minha lata na boca

Se beber, não dirija.

Sac Móvel atenderá o Recôncavo

Versão sobre rodas do Serviço de Atendimento ao Cidadão chegará a sete cidades da região entre 25 deste mês e 10 de julho

Sete cidades do Recôncavo Baiano terão, entre os dias 25, próxima sexta-feira, e 10 de julho, atendimento gratuito à população através do Sac Móvel, posto sobre rodas do Serviço de Atendimento ao Cidadão (Sac), do governo do estado. Instalado em caminhões modernos e equipados, o Sac Móvel leva serviços públicos essenciais a vários municípios do interior, como carteiras de identidade.

As cidades contempladas por onde a carreta do Sac Móvel passará são Cachoeira (entre os dias 25 a 28 de junho), Muritiba (29 e 30 de junho), Governador Mangabeira (1º e 2 de julho), Maragogipe (3 e 4 de julho), São Francisco do Conde (5 e 6 de julho), Santo Amaro (7 e 8 de julho) e São Gonçalo dos Campos (9 e 10 de julho). No entanto, os locais onde o veículo irá parar ainda não estão definidos.

O serviço vai emitir, além da carteira de identidade, as primeiras vias do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) e da certidão de nascimento, o certificado de antecedentes criminais e realizar o recadastramento de pensionistas estaduais. Espera-se que mais de 4 mil documentos serão emitidos nos sete municípios do Recôncavo. Cerca de 250 documentos serão emitidos diariamente pelo Sac Móvel em cada município.

Outras informações sobre o Sac Móvel, como o roteiro percorrido e os serviços prestados, estão acessíveis por meio do telefone 0800 071 5353 (ligação gratuita).

Geddel confirma sua força

Candidatura do ex-ministro ao governo da Bahia é oficializada em convenção estadual do PMDB em meio a uma plateia de 5 mil participantes. Dilma Rousseff foi uma das autoridades presentes no evento

O PMDB homologou, na manhã de ontem, a candidatura do deputado federal Geddel Vieira Lima, ex-ministro da Integração Nacional, ao governo da Bahia, em convenção estadual realizada na área externa do parque aquático Wet'n Wild, na Avenida Paralela. Geddel agora é apoiado por uma ampla coligação, composta por doze agremiações partidárias – PMDB, PTB, PR, PSC, PPS, PRP, PRTB, PTC, PTN, PT do B, PSDC e PMN –, também oficializada no evento.

Também foram confirmadas as candidaturas do atual vice-governador Edmundo Pereira (PMDB) à reeleição, mas como vice de Geddel, e do vice-prefeito de Salvador, Edvaldo Brito (PTB), e do senador César Borges (PR) ao Senado, sendo que este último tentará a reeleição. Embora pertença ao PTB, que compõe em nível nacional a aliança encabeçada por José Serra (PSDB) ao Planalto, Edvaldo, assim como outros membros do partido na Bahia, declarou apoio à candidata do PT, Dilma Rousseff.

Quanto às eleições proporcionais, os convencionais dos doze partidos integrantes da aliança capitaneada pelo PMDB ratificaram os nomes dos 120 postulantes às cadeiras na Câmara dos Deputados e dos 280 às cadeiras na Assembleia Legislativa estadual. O prazo para os partidos registrarem as candidaturas majoritárias e proporcionais é até o dia 5 de julho.

Dividido o palanque baiano

Com mais de 5 mil pessoas presentes na plateia, o evento peemedebista teve a esperada participação de Dilma, que recentemente chegou de viagem à Europa. O palanque da ex-ministra-chefe da Casa Civil na Bahia está explicitamente dividido entre Geddel e o governador Jaques Wagner, seu companheiro de partido e ex-colega de ministério. Referindo-se ao fortalecimento do apoio a Dilma, Geddel afirmou que ela tem "vocação para a vida pública".

Ainda foram apresentadas as peças publicitárias da campanha do ex-ministro ao governo do estado: o slogan da campanha, "Para chegar e resolver", e o jingle, que foi várias vezes executado na convenção peemedebista, cuja letra demonstra que Geddel "tem sangue baiano". Na Avenida Paralela, cartazes, placas, faixas e balões foram colocados com o objetivo de divulgar os candidatos da coligação liderada pelo PMDB. Dentre as peças, há um cartaz com as fotos de Dilma, de Geddel e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva juntos.

Força do interior

Caravanas de militantes do PMDB e de partidos aliados, vindos do interior, também lotaram a plateia do Wet'n Wild, demonstrando sua força na candidatura de Geddel. Prefeitos de 170 municípios de todas as regiões baianas, filiados a partidos coligados, foram recebidos na convenção para prestar solidariedade a Dilma Rousseff, a Geddel e aos candidatos a senadores e a deputados. Do PMDB, vieram 116 prefeitos que compareceram ao encontro, inclusive o de Salvador, João Henrique.

Dilma veio brevemente a Salvador para aliviar as tensões na aliança nacional entre o PT e o PMDB no estado, além de prestigiar a candidatura de Geddel. Além de Dilma, marcaram presença na convenção baiana os deputados federais Michel Temer (PMDB-SP), presidente do partido e da Câmara e candidato a vice-presidente na chapa da petista, e Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), líder do partido na Câmara; o ministro da Integração Nacional, João Santana; e o ex-governador do Rio de Janeiro, Moreira Franco.

domingo, 20 de junho de 2010

Somos contra a evasão escolar

A ausência de um programa eficaz de educação pública e a falta de qualificação e valorização do corpo docente fazem da Bahia o estado campeão absoluto em evasão escolar do Brasil. Priorizar a educação, portanto, não é o objetivo atual dos nossos governantes. Todos nós, em virtude do anacrônico crescimento desse problema de ordem social, considerado um impasse para o progresso, estamos insatisfeitos em observar cotidianamente uma enorme multidão de aprendizes privados de um profundo e perene conhecimento social.

O estado da Bahia, que trouxe para o mundo um brilhante e glorioso pedagogo brasileiro, Anísio Teixeira, criador da Escola Parque na ocasião em que era secretário da Educação no governo Otávio Mangabeira (1947-1951), atualmente está com um horrível sistema educacional público em decorrência do abandono por sucessivos governos. Anísio era um socialista, preocupado com as nossas causas e com os nossos problemas sociais. Consequência da infinita avalanche da violência, a falência da educação é uma vergonha para o nosso povo.

Para nós, a extinção do sistema pedagógico concebido pelo grande gênio Anísio Teixeira, cujo legado permanece vivo na memória, na rede pública, é uma vergonhosa mácula para a população carente, que se utiliza da miséria para a sua sobrevivência. Outro importantíssimo educador, o antropólogo Darcy Ribeiro, adaptou as ideias e doutrinas do mestre Anísio para concretizar os famosos Centros Integrados de Educação Pública (Cieps) do Rio de Janeiro, nos governos de Leonel Brizola naquele estado. Receita de sucesso que colaborou na redução da criminalidade e da evasão. Porém, a maioria dos Cieps encontra-se, infelizmente, abandonada pelas autoridades que hoje estão no poder.

Toda escola, todo colégio e toda universidade sempre são polos emissores e irradiadores de conhecimentos que adquirimos através das preciosas letras. Letras que encontramos no dia a dia em livros, em periódicos e em todo e qualquer material impresso ou que produz comunicação e expressão, como é o caso da fala, um dos instrumentos primazes para a nossa sabedoria. Estudantes que sofrem com a evasão ameaçam o universo mágico das letras e das palavras, rompendo com a progressiva convivência com os signos e símbolos linguísticos. O único signo desses organismos incultos é a desigualdade socioeconômica.

Não queremos ver nossas crianças e nossos adolescentes nessa situação predatória que vemos atualmente. Juventude ferozmente explorada pelos governantes e reprimida pela própria evasão escolar. Abandono que leva ao trabalho precoce, por muitas vezes infantil e desumano.

O que nós queremos é mais educação, mais ensino, mais instrução, mais aprendizagem, mais cultura, mais leitura, mais conhecimento e mais ciência para todos os populares. Salve o fascinante cultivo das letras na Bahia, da capital aos mais longínquos sertões! Vamos humanizar nossa boa terra por meio da capacitação frequente dos profissionais de ensino.

Educação é a palavra-chave e a senha que viabiliza nosso progresso e nosso desenvolvimento social. Queremos que a nossa Bahia, um exuberante paraíso-patrimônio com uma incrível e incomensurável produção artística, seja mais culta e mais livre através do constante resgate da educação, benefício primordial para os indivíduos mais necessitados. A educação garante ao indivíduo perspectivas para uma nova vida. Se o estado mais desenvolvido economicamente do Nordeste continuar sendo campeão em abandono escolar, o índice de trabalho infantil e de violência aumentaria de modo gigantesco.

Imbuí ganha nova opção de lazer

Construída na área antes ocupada pelo poluído canal que corta o bairro, praça é inaugurada para proporcionar-lhe mais diversão e qualidade de vida

Acesso gratuito à internet pelo sistema wireless é uma das inovações da praça
(Foto: Divulgação)

Um novo e moderno espaço de lazer e de entretenimento foi entregue à comunidade do Imbuí e de suas adjacências, como a Boca do Rio. O prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro (PMDB), inaugurou, na noite de ontem, a praça construída sobre o Canal do Imbuí, cujas águas, hoje cobertas, causavam prejuízos à saúde dos moradores, com a proliferação de micro-organismos, e ao meio ambiente. Com o revestimento do canal pela nova praça, aboliu-se o mau cheiro que incomodava as pessoas.

Executadas pela construtora OAS, as obras, iniciadas em meados do ano passado com recursos do Governo Federal, através do Ministério da Integração Nacional, também contribuíram para o combate aos alagamentos, um problema rotineiro nas vias do bairro. Intervenções urbanas e ambientais deste tipo haviam sido introduzidas e realizadas em 2008, na Avenida Centenário, cobrindo o canal do Rio dos Seixos.

Ótima opção para as crianças, o parque infantil apresenta equipamentos modernos
(Foto: Divulgação)

Diversas opções já estão, a partir de agora, disponíveis à toda a população local. A praça, constituída de dois canteiros centrais que anteriormente eram ocupados pelo poluído canal do Rio Cascão, possui parques infantis, quiosques com bares e restaurantes, quadras poliesportivas, pista de cooper e pista de skate. Rampas de acessibilidade foram instaladas para os deficientes físicos, enquanto os deficientes visuais utilizarão as pistas táteis.

Mais tecnologia e segurança

Além disso, foi introduzido o acesso gratuito à internet banda larga através do sistema wireless (sem fio), serviço administrado pela Companhia de Governança Eletrônica de Salvador (Cogel). Também foi instalado um novo sistema de iluminação pública, constituído de postes azuis em aço galvanizado, material que proporciona mais segurança. O sistema viário do entorno do canal foi melhorado e ampliado, com a implantação da nova pista de acesso à Avenida Jorge Amado, uma das vias de acesso à orla.

Com a construção da pista alternativa, situada na Rua das Araras, o trânsito na região melhorou, evitando os congestionamentos frequentes, como os ocorridos durante as obras de macrodrenagem do canal para a implantação da nova praça.

Segunda praça do bairro do Imbuí, a área do canal é maior, correspondendo a aproximadamente 3 quilômetros, e trará grandes benefícios à comunidade, principalmente na sua qualidade de vida. “O Imbuí cresceu enormemente, tanto sob ponto de vista residencial, quanto comercial, e só contava até aqui com a estrutura mínima, certamente adequada para mais de 30 anos atrás”, afirma o secretário municipal de Transportes e Infraestrutura, Euvaldo Jorge, aos jornalistas da Prefeitura.

sábado, 19 de junho de 2010

Totens dão informações ao povo de Salvador

Equipamentos verticais com serviços de utilidade pública estão sendo instalados por empresa contratada pela Prefeitura em ruas e avenidas

A instalação dos totens representa a modernização da cidade
(Foto: Iracema Chequer/Agência A Tarde)

Serão instalados, até o fim deste ano, cerca de 100 totens informativos e publicitários pela Prefeitura de Salvador. Até agora, apenas sete equipamentos já estão instalados, sendo cinco na orla marítima, entre as praias de Armação e do Jardim de Alah, um na Avenida Anita Garibaldi, e mais um na Avenida Antônio Carlos Magalhães. A Central de Mídia Salvador, empresa vencedora da licitação, foi a única participante do processo, e explorará o espaço reservado para a publicidade por dez anos.

O primeiro totem, instalado na Avenida Garibaldi, já está funcionando perfeitamente. Para a Prefeitura, a implantação dos novos equipamentos urbanos em Salvador faz parte do programa de modernização da cidade, visando seu potencial econômico e turístico e trazendo-lhe grandes benefícios.

Os novos equipamentos medem 3,6 metros e são estruturas verticais, fabricadas em aço, que fornecem à população informações, dadas digitalmente em números, sobre o fator de proteção solar (FPS) recomendado para cada espécie de pele, medido através da radiação solar ultravioleta, a balneabilidade da praia, o horário e a temperatura registrada na cidade. Também possuem câmeras de segurança e acesso livre à internet em um raio de 300 metros. Várias pessoas não conhecem bem os totens por serem mobiliários urbanos inovadores.

300 totens até 2014

De acordo com o superintendente da Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município (Sucom), Cláudio Silva, os totens são centrais de serviços de utilidade pública, pois oferecem diversas informações importantes aos cidadãos. A Sucom é o órgão da Prefeitura responsável pela autorização dos anúncios publicitários a serem veiculados nos equipamentos. Silva garantiu que todos os 300 totens – quantidade determinada pela licitação – estarão presentes em toda a cidade até a Copa de 2014, sediada no Brasil.

As primeiras cidades brasileiras a implantar mobiliários semelhantes foram Florianópolis, capital de Santa Catarina, e o Rio de Janeiro. No final de julho, quando o número de totens chegará a 50, a Prefeitura deverá lançar uma campanha publicitária a respeito dos equipamentos e da sua importância para a população.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Na Mata do São João

Forró da Mata, que acontece neste domingo, marca a abertura oficial do São João baiano

Quatro dias antes do São João, uma cidade baiana localizada a 60 quilômetros de Salvador, cujo nome leva o nome do santo que homenageia a data da mais importante festa junina, já estará literalmente comemorando seu próprio espetáculo. Em um parque rural de Mata de São João, o palco já está armado para receber quatro grupos autenticamente regionais de prestígio nacional. O Forró da Mata abrirá oficialmente o São João da Bahia no próximo domingo, dia 20, no Parque Villa da Mata.

Realizado por um consórcio trilateral entre a TV Bahia, a Icontent – empresa de entretenimento da Rede Bahia, responsável pela organização do Festival de Verão Salvador, entre outros eventos de sucesso – e a produtora Villa Produções, o festival, que existe desde o ano passado, conta com quatro grandes atrações para a plateia se animar e se divertir. Subirão, no palco, uma renomada banda de axé e três bandas de forró, representando a conciliação, a sinergia e a concórdia entre os dois maiores e importantes gêneros musicais nordestinos.

A conciliação entre o axé e o forró é um aspecto de fundamental importância para impulsionar a indústria do entretenimento não só na Bahia, mas também em outros estados do Nordeste, indo até o Centro-Sul, notadamente o eixo Rio-São Paulo, onde se concentra os mais destacados produtores musicais, as grandes gravadoras e os estúdios fonográficos. Isso gerou de modo fulminante um ambiente favorável ao aparecimento de diversos eventos do ramo, como no caso do Forró da Mata.

O axé sempre tem espaço garantido no evento, pois esta edição conta com a presença da banda Timbalada, liderada pelo carismático cantor Denny. Em seguida, o ritmo que domina o espetáculo é o heterogêneo forró, no qual cada atração apresentará à plateia seus estilos característicos. Xandy Avião e Solange Almeida pilotam os Aviões do Forró, grupo concebido por empresários de Fortaleza com o propósito de revolucionar o gênero-chefe do São João através da sua carnavalização.

Pela primeira vez no Forró da Mata, a banda Seu Maxixe, revelação sertaneja baiana presente neste Carnaval, que tem como vocalista o potiguar Berguinho, encantará o público com seu revolucionário sertanejo pop. Outro filão originário do Ceará e que vem conquistando os palcos nordestinos é o Forró do Muído. Seus vocalistas Simone, Simária e Binha Cardoso, acompanhados por músicos que dão sonoridade e ritmo às canções, tocarão vários sucessos lançados ao longo de três anos de carreira artística. Um caldeirão artístico que resulta num grande negócio.

Forró da Mata simboliza, além do casamento perfeito entre o forró e o axé, ou seja, a carnavalização das festas juninas, a concretização da indústria de entretenimento em pleno ambiente rural, afastada dos grandes centros urbanos como Salvador. Neste domingo, o Parque Villa da Mata será invadido por pessoas de segmentos sociais diferenciados, provenientes de todos os lugares, com um único e absoluto objetivo: desfrutar das maravilhas oferecidas pelo festival que inaugurará este São João na boa terra, incluindo suas atrações.

Bem-sucedida estratégia contra a pólio

Para alertar os bebês e as crianças em relação à sua saúde, o Governo do Estado da Bahia, então comandado por Antônio Carlos Magalhães (1927-2007), através da Secretaria da Saúde, lançou, em 1982, uma campanha publicitária estrelada pelo ator Raul Cortez. O filme abaixo, criado por Duda Mendonça, se intitula Cadeira de rodas, e é um falso comercial referente ao "lançamento" de uma linha fictícia de cadeiras de rodas, denominada Relax 82.

Duda Mendonça utilizou as cadeiras de rodas como uma espécie de sinal de advertência, para que toda a população baiana esteja conscientizada em vacinar todas as crianças contra a poliomielite, doença que provoca a paralisia infantil. Foi uma campanha divulgada numa época em que as campanhas de imunização contra a poliomielite foram introduzidas no Brasil, por iniciativa do então ministro da Saúde, Waldyr Arcoverde. Além disso, o vídeo, mesmo sendo engraçado, foi uma estratégia de propaganda que deu certo.

No filme, com duração de 1 minuto e 17 segundos, Raul Cortez apresentou a fictícia linha Relax 82, criada exclusivamente para a divertida peça publicitária:

"Atenção, mamãe; atenção, papai. Vocês vão conhecer agora a nova linha Relax. A mais sofisticada e a mais maravilhosa cadeira de rodas já produzida no Brasil. A nova linha Relax 82 é mais leve, mais macia e muito mais veloz do que qualquer outra. E você pode optar pela requintada linha luxo ou pela descontraída linha esportiva. A nova linha é inteiramente financiada em 6 pagamentos sem acréscimo ou então em até..."

Repentinamente, o locutor interrompeu o discurso do ator para comentar a importância da vacinação contra a paralisia infantil para a população baiana:

"A Secretaria da Saúde da Bahia garante a você que nunca comerciais como este existirão na nossa televisão, se toda a população entender que é preciso, que é necessário, que é fundamental vacinar durante 5 anos seguidos todas as nossas crianças contra a paralisia infantil. São apenas duas gotas, sem dor, sem contraindicação. No país do futebol, é triste ser doente das pernas. Dia 12 de junho, vacine seu filho. Campanha Nacional Antipólio Ano 3. Secretaria da Saúde. Governo Antônio Carlos Magalhães."

Conclusão: se todas as crianças não forem imunizadas contra a pólio no Brasil, que é o país do futebol, elas usariam cadeiras de rodas para se locomover. Seria um prejuízo extremo para os nossos menores. Vacinar anualmente contra a paralisia é uma prática fundamental para a manutenção da saúde infantil.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Delicioso sonho hibernal

A noite começou bem mais cedo
Por isso, fiquei muito impressionado
Ninguém na cidade enfrentou o medo
Mas eu reparei esse fato engraçado

Que fenômeno fez o anoitecer ser precoce?
Uma insólita frente fria, com fortes ventos e nenhuma chuva
Em meio a tantos resfriados, gripes e tosses
Levantei-me da minha cama quente após horas de sono

Semanas de aconchegos e de acolhimentos
Fazem do meu sono um objeto de felicidade
Dormir, deitar e sonhar durante alguns momentos
Incentivam-me a inaugurar um bom e novo dia

O frio do vento que me transborda é uma delícia
Trazendo de volta a gostosa alegria da frescura
Só que ela é passageira, desaparecendo velozmente
Meu sonho hibernal não se passa de uma aventura