domingo, 31 de outubro de 2010

Ver celebridades me dará vontade

Do mundo virtual para o mundo real. É com esse desejado ideário que eu, em momentos posteriores, verei, cumprimentarei e conversarei com gente cujo estrelato está sendo suplantado pela supremacia midiática. Meu planejamento e minha previdência quanto ao conhecimento dessa estirpe fluirá devagar, de modo paulatino, culminando nas intensivas e férteis pesquisas de campo para manufaturar matérias imprimíveis e comercializáveis. A fim de ingressar no seleto clube das entusiásticas personalidades, cogito, sonho e me devaneio de euforia.

Quero ir de encontro ao bom comportamento, à elegância e ao altruísmo humanitário quando ver proximamente estrelas políticas e artísticas. Ao comungar com pessoas pertinentes a essas ramificações, desafiarei, sem covardia e sem ociosidade, uma das velhas passagens alinhavadas ao senso comum, na qual todas as celebridades são inibidas de dialogar com cidadãos comuns; seus apreciadores estão enquadrados no círculo anônimo. Não deixarei indícios agressivos, então farei um pacto com membros sociáveis que me rodeiam. Comportarei com fineza, mas jamais me sentirei um covarde diante de um pandemônio do estrelismo.

Mantendo a ostensiva patrulha alojada no meu íntimo sistema sensorial, com imaginabilidade de magna significância, controlarei o corpo são em sintonia com a mente sã. Em hipótese alguma nunca irei negligenciar o apoteótico depósito de incontáveis e impreteríveis vivências reais e virtuais, concretas e abstratas, formais e informais. O célebre cérebro, localizado no encéfalo, conduz as funções do nosso organismo racional. Sua abrangência diuturna faz e fará de mim um ser bem-dotado, infiltrado nas preferências e percepções individuais que melhor adequam perfeitamente no meu perfil.

O formidável e eufórico entusiasmo em apreciar, aprazer e consumir a biografia, a trajetória e o desempenho ocupacionais de políticos, cantores, apresentadores e repórteres me afeta, persuadindo-me na fixação de suas vozes, vocações, invocações e evocações nos meus neurônios. Daqui em diante, essa excitante sensatez, observatório dos meus ânimos, soará mais alto, retumbantemente, como um agudo e veemente grito. Celebridades, famosidades, personalidades, sinônimos empregados para uma casta rentável, ora milionária, ora bilionária, ora exitosa, ora perdulária, assim como os cidadãos comuns. No ocaso do anonimato, elas optaram pelo proselitismo, ou pela conversão, à fama.

Solidarizar-se. Tarefa delineadora dos tortuosos caminhos, destinos, rumos e passagens de qualquer pessoa, simplória ou extravagante, sem se disfarçar, se intimidar e se preocupar com o retrógrado. Como um homem, masculino, educado e compreensivo, solidarizo-me através de pactos intrínsecos e extrínsecos, subentendidos e explícitos, com indivíduos confiáveis, desprezando meu personalismo. Famosidades, inclusive. Valerei-me dos meus indefectíveis atributos e preceitos, visando ensejar o meu recíproco, mútuo, intuitivo e hábil entendimento junto àqueles que estarão me circundando em certos locais.

Embora conhecerei concretamente algumas estrelas, favoritas ou não, estou convincente de que não irei me arriscar no notívago colunismo social à Ibrahim Sued, Amaury Jr. ou Caras. Revistas espionadoras da vida alheia não me interessam tampouco estão articuladas com o meu dom, talento e capacidade inesgotáveis. A minha vontade de domar o confinamento virtual já está explanada no bom humor e na irreverência. Uma frutífera utopia só será satisfatória por intermediação de uma adequada planificação espaço-temporal, caso de uma provável concórdia com um ilustre.

Resultado final da enquete do 2º turno

Encerradas as votações efetuadas na enquete relativa ao segundo turno das eleições presidenciais de 2010, foi divulgado o seu resultado final. Confira:

Em quem você irá votar para presidente no segundo turno?

Dilma Rousseff (PT): 16 votos (61%)
José Serra (PSDB): 9 votos (34%)
Brancos/nulos: 1 voto (3%)
Indecisos: 0 voto (0%)
Total: 26 votos (100%)

A enquete foi respondida por 26 visitantes no período de 8 a 31 de outubro de 2010.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O fotojornalista Evandro Teixeira

Camila Barreto, Camila Salles, Hugo Gonçalves, Taísa Conrado e Thyara Araújo
Estudantes de Jornalismo do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge)

Artigo acadêmico elaborado em maio de 2010, durante o 3º Semestre de Jornalismo, sob a orientação do professor Cláudio Colavolpe, docente da disciplina Ateliê de Fotojornalismo, e revisado e ampliado por Hugo Gonçalves em 29 de outubro do mesmo ano

Com 52 anos de profissão, Evandro Teixeira é um dos mais antigos fotojornalistas em atividade no Brasil
(Foto: Divulgação)

1. Do nascimento ao início da carreira

Com uma vida comum como quase todos os meninos de sua idade, Evandro Teixeira brincava bastante e levava uma vida tranquila. Conviveu praticamente toda a sua infância na companhia de outros garotos em Irajuba, no interior da Bahia, onde nasceu em 1945. Enquanto pequeno, estudou em colégio religioso e veio para a cidade de Salvador cursar o segundo grau.

Filho de Seu Waldomiro Teixeira e de Dona Almerinda Teixeira Almeida, Evandro Teixeira pensava até em ser aviador militar, sendo inspirado em um primo que havia sido convocado para a Segunda Guerra Mundial.

Durante os tempos de colégio, Evandro começou a ter contato com a fotografia, fazendo jornais internos e jornais que circulavam nas cidades de Jequié e Ipiaú. Já demonstrava certo encantamento pelo meio artístico e, ainda criança, criava caixas cinematográficas com lâmpadas para brincar de produtor de cinema.

Como é comum na fase infantil, ele tinha o desejo de seguir várias profissões, como aviador, escultor, produtor de vídeos, além de ser fotógrafo. Com influências marcantes, como a de José Medeiros (1921-1990), piauiense radicado no Rio de Janeiro, na sua descoberta profissional pelo fotojornalismo, passou a visitar ateliês de fotografia a fim de se aprofundar mais no assunto.

Em sua adolescência, ao ver uma série de fotografias em uma edição da revista O Cruzeiro, Evandro descobriu o que queria realmente ser: fotógrafo. Assim, aos 23 anos de idade, em 1958, se formou no Rio de Janeiro, na Escola de Belas Artes.

Na cidade de Salvador, Evandro conseguiu o seu primeiro estágio no Diário de Notícias, no ano de 1958. O primeiro trabalho que recebeu foi fotografar casamentos e por isso, era até “comediado”, sendo chamado de santo casamenteiro.

Em seu primeiro trabalho já enfrentou dificuldades, pois seu chefe de redação não aceitava fotografias de negros e, ao chegar em um casamento, se deparou com um casal formado por uma mulher loira e um homem negro. Como solução para o problema, contou com a ajuda de um laboratorista, que teve a ideia de deixar o noivo na cor branca.

Ao voltar para o local de trabalho, sua falseta foi descoberta pelo chefe, que mandou demiti-lo imediatamente. Porém, para sorte de Evandro, o editor de fotografia Ângelo Regato, que apostava muito no seu talento como fotógrafo, conseguiu acalmar o chefe – e, pouco tempo depois, Evandro pôde voltar a ocupar o cargo novamente.

Após certo tempo trabalhando no Diário de Notícias, Evandro voltou para o Rio de Janeiro e iniciou seu trabalho no Diário da Noite, jornal pertencente aos Diários Associados, mesmo grupo do Diário de Notícias. Já no ano de 1963, passou a trabalhar no Jornal do Brasil, encantando muitas pessoas através de suas belas fotografias. A edição impressa do JB circulou em 31 de agosto de 2010.

Os segredos da sua profissão foram aprendidos com o tio do cineasta Gláuber Rocha (1939-1981), o fotógrafo Nestor Rocha, fazendo fotos as quais chamava de “acadêmicas”. Autor de fotos incríveis, Evandro foi merecedor de muitos prêmios, publicações de livros, além de ser citado em documentários.

2. Premiações

Os ilustres trabalhos do fotógrafo Evandro Teixeira já lhe renderam muitos prêmios nacionais e internacionais. O trabalho dele, que conta com um estilo muito específico de retratar o factual, fez escola dentro do fotojornalismo e inspirou uma série de outros repórteres fotográficos. Confira alguns de seus principais prêmios:

1969 – Prêmio Sociedade Interamericana de Imprensa, Miami (Estados Unidos);

1969 – 1º lugar no Prêmio Fotóptica, com a fotografia Queda do Motociclista da Força Aérea Brasileira (FAB);

A Queda do Motociclista da FAB, tirada no período da ditadura militar, além de lhe resultar em um prêmio, ficou registrada pelo fotógrafo em outro momento contado pelo mesmo, em entrevista cedida ao site br.foto.com, em 2004.
"Costa e Silva, da queda da moto. Eu ia representar o Brasil na bienal de Paris e ela foi censurada. Como eu, eram 6 representantes na bienal jovem de Paris. O pintor chegou a ser preso, Antônio Manuel, que retratava a violência nas ruas através das páginas do jornal FLAM. Era feito com chumbo, papelão, ele pintava aquilo de vermelho, que representava sangue. Quando a gente abriu uma amostra no Museu de Arte Moderna para imprensa, no dia seguinte iria para Paris, os militares chegaram lá desmontando a amostra. Chamaram o diretor, dizendo: “Olha aqui embaixo, essa amostra tem que ser desmontada, a gente está com os meninos para ajudar”, os meninos eram os soldados. Então eu tive que ficar uma semana desaparecido. Manuel chegou a ser preso." (TEIXEIRA apud SENA, 2006)
1975 – Prêmio do Concurso Internacional da Nikon, Japão;

1986 – 1° Prêmio da Federação Carioca de Futebol, com a fotografia, A Queda do Juiz;

1991 – Prêmio do Concurso Internacional da Nikon, Japão, pela segunda vez;

1993 – Prêmio Especial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), World Photo Contest;

1993 – Prêmio Especial da Unesco no Concurso Internacional “A Família” em Tóquio;

2009 – 5º Prêmio Comunique-se, na categoria Repórter de Imagem;

Em entrevista ao Jornal do Brasil, ao receber este prêmio em 2009, Evandro Teixeira falou sobre suas fotos, que ao longo dos anos seguiu a linha da subjetividade, “dê ao leitor a sensação de estar presente no momento dos acontecimentos. A maior importância desse prêmio é que fui escolhido pelos meus próprios companheiros de profissão” (Idem apud JB ONLINE.)

2010 – Prêmio de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, na categoria Registro;

A conquista deste último prêmio se deve ao seu livro, 1968 destinos – Passeata dos Cem Mil, que retrata o célebre protesto contra a ditadura militar no Brasil, ocorrida em 26 de junho de 1968. “Esse resultado é muito importante para a fotografia brasileira, principalmente para o fotojornalismo. Dedico esse prêmio aos protagonistas desse movimento, que aos milhares foram às ruas exigir liberdade para o Brasil, e aos que morreram nessa luta.” (Idem apud RABELO)

3. 10 fotografias famosas de Evandro Teixeira

Emblemática fotografia Passeata dos 100 Mil (1968), capturada por Evandro com um olhar de gênio
(Foto: Evandro Teixeira)

3.1: Passeata dos 100 Mil

Com um olhar de gênio, Evandro conseguiu tirar a histórica fotografia da Passeata dos 100 Mil no Rio de Janeiro, em 26 de junho de 1968. A multidão uniforme e vertical foi retratada com tanta riqueza de detalhes que pode-se observar cada rosto como se fossem retratos individuais. A frase “Abaixo a ditadura, povo no poder” colocada em uma faixa no meio da multidão garantiu grande significância para a compreensão da cena.

3.2: Rainha sentando-se

Evandro conseguiu captar uma cena peculiar em 1968. Foi a primeira vez que a rainha da Inglaterra, Elizabeth II, foi fotografada sentando-se em seu carro, durante visita ao Brasil. Quem vê a foto observa um tom de normalidade cotidiana na posição em que a rainha se encontrava. Porém, isto rendeu um “chega pra lá” do segurança e uma fratura no cotovelo do fotógrafo ousado por colocar o braço dentro do carro da majestade.

2.3: Chico Buarque, Tom Jobim e Vinícius de Moraes

Na ocasião do aniversário de Vinícius de Moraes (1913-1980) em uma churrascaria, em 19 de outubro de 1979, Evandro já havia tirado várias fotos dos artistas e demais convidados, mas como a matéria precisava de uma boa foto, Evandro tomou a ousadia de pedir a Vinícius que fizesse uma pose diferente para a página gráfica do Caderno B. Em um rompante, Vinícius chama Tom e Chico e deitam-se os três em uma mesa da churrascaria para fazer a tal “foto diferente” do Evandro. Com o olhar que só ele tem, subiu em um banco e clicou os três deitados de cima para baixo. A empolgação foi tanta que caiu do banquinho e acabou quebrando a máquina que ficou com apenas uma foto diferente. Estava pronta a capa do jornal.

3.4: O Papa e a mão de “Deus”

Na primeira visita do Papa João Paulo II ao Brasil, em julho de 1980, lá estava o Evandro fotografando. Enquanto muitos preocupavam-se em capturar as imagens do Papa dando a benção aos fiéis, Evandro capturou o exato momento em que uma mão surge sobrevoando acima do Papa em um fundo negro, apontando com o dedo indicador e gerando uma expressão de susto no rosto do Papa. Nada mais era do que a mão de um cardeal vestido de preto, à frente de um fundo também preto, que dava a sensação de ser uma mão solta. Em frações de segundos, Evandro capturou a imagem do dia que “Deus” veio trazer um “recado” para João Paulo.

3.5: Libélulas nas baionetas na Guerra do Paraguai

Em uma sessão de fotos com o então presidente Arthur da Costa e Silva (1902-1969), em 1967, Evandro capta a cena de duas libélulas displicentes sobre duas baionetas, que eram armas dos oficiais. O ditador se irritou, pois a foto que parou na capa do jornal não foi a dele e sim dos insetos alheios a toda confusão política.

3.6: Guerra dos tóxicos

Captada na Favela Vila do João, no Rio de Janeiro, em 1988, mostra o corpo estirado no chão. Na cena, a multidão observa, a polícia reprime e o menino apenas sorri.

3.7: Estudante de Medicina que foi assassinado, segundo Evandro

Queda do estudante de Medicina na Cinelândia, durante o movimento estudantil do Rio de Janeiro em 1968. Há controvérsias sobre a morte do estudante. Evandro relata que o estudante foi assassinado pelos policiais, mas na verdade ele caiu e bateu no meio-fio.

3.8: João de Régis, morador de Canudos

Com sua simplicidade sertaneja, João de Régis talvez nunca tivesse imaginado que seria capa do livro Canudos 100 anos (1997) de Evandro Teixeira.

3.9: Queda do oficial da FAB

A foto do oficial que caiu da motocicleta enquanto acompanhava o cortejo da rainha inglesa lhe rendeu o Prêmio Fotóptica de 1969. A foto foi para a primeira página do Jornal do Brasil e deixou descontente o governo militar da época.

3.10: Ayrton Senna

Foto tirada no Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, em 1989, no Autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. A piscada de olhos para o chefe da equipe McLaren, Ron Dennis, indicava que estava tudo “ok” e ficou gravada no coração dos brasileiros.

4. Documentários

Evandro Teixeira: Instantâneos da Realidade (2003)

Dirigido por Paulo Fontenelle, mostra a trajetória de Evandro Teixeira, das suas origens, no sertão da Bahia, até a sua vida profissional no Rio de Janeiro, sendo uma das mais importantes figuras do fotojornalismo brasileiro. As imagens, em sua maioria tiradas em preto e branco, marcaram os principais fatos do Brasil e do mundo desde a década de 60.

A ideia deste documentário é apresentar e demonstrar a importância que ele trouxe para a história do fotojornalismo. Dentre os momentos históricos que o fotógrafo registrou estão os golpes militares no Brasil (1964) e no Chile (1973), o movimento estudantil de 1968, os desfiles de moda em Paris, as Copas do Mundo e os Jogos Olímpicos.

Sobreviventes – Os filhos da Guerra de Canudos (2004)

Também dirigido por Paulo Fontenelle. O documentário conta a história da Guerra de Canudos na visão dos filhos de conselheiristas – amigos do líder Antônio Conselheiro, com direito a participação do único homem vivo que o conheceu pessoalmente. Além disso, retrata o modo de vida na região, habitada, em grande parte, por pessoas idosas.

Para rodar a obra, que foi integralmente filmada em municípios da região de Canudos, Fontenelle se aprofundou no assunto quando ele dirigiu Evandro Teixeira: Instantâneos da Realidade (2003), no qual ele usou fotografias de Evandro Teixeira, extraídas do livro Canudos 100 anos (1997). O diretor também incluiu as fotos de Flávio de Barros, contratado pelo Exército para cobrir o conflito, além de documentos de época.

5. Exposições importantes

Dono de um currículo que ultrapassa 50 anos de trabalho – capturando flagrantes, registrando histórias de diferentes lugares do mundo e transformando cenas comuns do cotidiano em algo realmente belo –, o fotojornalista Evandro Teixeira tem muito a mostrar. Por conta disso, ele já realizou exposições nas principais capitais do mundo e em diversas cidades brasileiras. Entre as exposições do fotojornalista, podemos destacar Instantâneos da Realidade (2004), Imagens da Alegria – A Alma do Carioca e Canudos 100 Anos.

Os 45 anos de sua carreira (completados no ano de 2004) foram comemorados com a exposição Instantâneos da Realidade. A mostra traz fotos que marcaram a carreira de Evandro. "A queda da motocicleta, as libélulas nas baionetas, a Passeata dos 100 Mil, esporte, moda, personalidades da história recente. Reunimos imagens célebres da carreira do Evandro na retrospectiva que leva o mesmo nome do documentário (Instantâneos da Realidade) para se inserir nesse calendário de comemoração de sua carreira", afirma o curador João Coelho (EVANDRO..., 2010).
"A nossa função do ponto jornalístico é mostrar a realidade, o cotidiano no país. Eu acho que nesta minha exposição tem um pouco de tudo. Tem guerra, tem golpes militares. Tem no Chile, tem no Brasil. Tem Olimpíadas. Eu vivo mostrando a realidade do país, a realidade daquilo que a gente vive no mundo. A fotografia tem a função de denunciar. Então eu acho que trabalho aí tem. Você que vai fazer a leitura daquilo que você está enxergando, daquilo que você está vendo." (TEIXEIRA apud SENA, 2006)

A mostra fotográfica Imagens da Alegria – A Alma do Carioca reuniu cerca de 70 fotografias de Evandro e de alguns colegas do Jornal do Brasil registradas no Carnaval da Sapucaí, em 2007. As imagens foram capturadas por Evandro em um momento de descontração: na passarela do samba, desfilando para a Escola Unidos da Tijuca, em cima de um carro alegórico. “Estou muito orgulhoso. Fui homenageado pela Unidos da Tijuca, desfilei num carro alegórico e pude tirar fotos de um ângulo inédito. Foi o momento mais emocionante da minha vida e olha que hesitei em aceitar o convite da escola.” (Idem apud GUIMARÃES, 2007)

A história de Canudos foi retratada através da exposição Canudos 100 Anos. A mostra reuniu 43 imagens em preto e branco do sertão nordestino, com registros da população e do cotidiano da cidade, cenário da Guerra de Canudos. O fotojornalista se inspirou no clássico Os Sertões, de Euclides da Cunha. As fotografias exibidas na exposição foram fruto de um trabalho desenvolvido durante a década de 90, do livro Canudos 100 anos.
"Eu fiquei lá quatro anos para fazer um livro e eu convivi com aquela gente vivendo da guerra e aquilo me emocionou muito, até hoje. Fiquei na década de 90, lancei o livro em 97. Mas eu acho que aquela história de Canudos, aquele povo me deixou realmente sensibilizado. Todo ano eu volto lá. Eu não deixo de voltar em toda festividade que é em outubro. Agora mesmo em outubro, eu volto lá novamente, se Deus quiser." (Idem apud SENA, 2006)
Em 2008, Evandro Teixeira participou de uma amostra realizada na Galeria Leica, em Nova York, ao lado de grandes nomes da fotografia internacional, como Cartier-Bresson (1908-2004), Robert Capa (1913-1954) e Marc Riboud (1923-). Segundo a organização do evento, a amostra visou reunir os 40 maiores fotógrafos do mundo. Os únicos do Brasil que foram convidados para fazer parte do evento foram Evandro Teixeira e Sebastião Salgado.

As fotos de Evandro Teixeira podem ser encontradas no Museu de Belas Artes (Zurique, Suíça), no Museu de Arte Moderna La Tertulia (Cali, Colômbia), no Masp (São Paulo), no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e Museu de Arte Contemporânea de São Paulo. Além das inúmeras cidades brasileiras, ele já expôs em Paris, Frankfurt (Alemanha), Madri, Veneza (Itália), Zurique e Basel (Suíça), Nova Iorque, Cuba, México, Buenos Aires e Bogotá.

6. Livros

1968 destinos: Passeata dos 100 Mil (2008)

Evandro Teixeira sempre foi um fotógrafo eclético, cobrindo eventos como o golpe militar de 1964 até a posse do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conquistas nos esportes e acompanhando a história de Canudos no pós-guerra. Uma de suas fotografias mais famosas o inspirou a criar o livro 1968 destinos: Passeata dos 100 Mil. Nele, Evandro conta 100 histórias de personagens que estavam presentes na Cinelândia, no Rio, em 26 de junho de 1968 e que fazem parte da fotografia onde os manifestantes aparecem juntos. Ao contar a história destas pessoas selecionadas, o autor nos conta a História do Brasil nas últimas quatro décadas.

Lançado em 2008, o livro também possui textos de Vladimir Palmeira, Fernando Gabeira, Marcos Sá Corrêa, Augusto Nunes e Fritz Utzeri, mas mantém o olhar principal de Evandro Teixeira.

Fotojornalismo (1983)

O livro Fotojornalismo, editado em 1983, registrou acontecimentos marcantes da década de 60 e sua segunda edição ampliada foi lançada em 1988, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Basel, na Suíça. Foi incluído no acervo da Biblioteca do Centro de Artes Georges Pompidou, em Paris, na França. O prefácio e o texto são de Carlos Drummond de Andrade, Antônio Callado e Otto Lara Resende.

Canudos 100 anos (1997)

Em 1997, Evandro concretizou o tão sonhado livro Canudos 100 anos. Conta histórias de moradores da região com mais de 100 anos, herdeiros da comunidade de Antônio Conselheiro, que comandou a Guerra de Canudos. O projeto desenvolveu-se durante quatro anos e rendeu um belíssimo trabalho.

O livro das águas (2002)

Em 2002, lançou O livro das águas, registrando o impacto do programa de irrigação na vida dos sertanejos do Rio Grande do Norte.

Vou viver (2005)

Evandro foi o único repórter que recebeu a permissão de fotografar o poeta Pablo Neruda morto. Em 2005 editou o livro Vou viver, baseado neste fato, que ocorreu durante o golpe militar no Chile, em 1973.

7. O que faz atualmente

Evandro Teixeira até hoje trabalha no Jornal do Brasil – completando, no ano de 2010, 47 anos no veículo. Ele concilia o dia a dia da redação com suas exposições e publicações de documentários e livros. “Evandro construiu uma das mais sólidas e importantes carreiras do fotojornalismo brasileiro.” (SANTOS, 2007) Seu currículo está incluído na Enciclopédia Suíça de Fotografia e na Enciclopédia Internacional de Fotógrafos (ambas possuem nos seus registros somente os maiores nomes da fotografia).

Em entrevista ao site Friweb Estácio Notícias (2007), Evandro afirma que utiliza, em 90% das vezes, a câmera digital Canon, mas continua usando a analógica principalmente para fotos em preto e branco. “Pessoalmente continuo usando a minha Leica”. Nos seus mais de 50 anos no mercado, presenciou as transformações da fotografia, principalmente no quesito que diz respeito à tecnologia.
"[a tecnologia] Livrou-nos de uma série de coisas. Era como carregar um jumento. Tinha que ir para banheiro de hotel para revelar filme e ampliar. Hoje você transmite uma foto agora na Grécia, por exemplo. No meio do mar, uma coisa que eu levava 8 horas para transmitir uma foto, ir, vir, elaborar. Hoje, no meio do mar, 5 minutos depois já estou mandando uma foto. A qualidade é excepcional. Claro que eu continuo com minha velha analógica, minha Leica, com meus filmes preto e branco. Dependendo do projeto, ou do trabalho que eu venha fazer. No jornalismo moderno, acho que a tecnologia deve ser respeitada. Ela veio pra ficar e nos ajudar." (TEIXEIRA apud SENA, 2006)
Segundo a Relação Anual de Informação Social (RAIS), do Ministério do Trabalho e Emprego, de 2007, 2.509 fotógrafos atuam no mercado do Brasil. O salário médio é de R$ 1.210,95. A alta concorrência e o baixo salário desmotivam os futuros fotojornalistas. Mas Evandro Teixeira incentiva: “Insista, não desista nunca, acredite em você. Principalmente a nossa [profissão] que [...] o mercado [está] cada vez mais escasso. [...] Nunca tive uma cobertura no mundo, qualquer parte do mundo que eu disse que: não vai dar. Pra mim sempre tinha que dar, sempre dava e sempre deu.” (Idem apud ibidem, 2006)

8. Referências

BASTOS, Cecílio; COSTA, Silvana. Fotojornalista Evandro Teixeira apresenta a exposição Canudos 100 Anos no Centro de Cultura João Gilberto. MultiCiência, mai. 2009. Disponível em: http://multicienciaonline.blogspot.com/2009/05/fotojornalista-evandro-teixeira.html. Acesso em: 12 mai. 2010.

DIA Mundial da Fotografia. Friweb Estácio Notícias, ago. 2007. Disponível em: http://www.friweb.com.br/noticias/noticia642-dia+mundial+da+fotografia.html. Acesso em: 12 mai. 2010.

EVANDRO Teixeira: Instantâneos da Realidade. Webcine. Disponível em: http://www.webcine.com.br/filmessi/evanteix.htm. Acesso em: 11 mai. 2010.

“EVANDRO Teixeira: Instantâneos da Realidade", documentário e exposição marcam os seus 45 anos de fotojornalismo. Textual Serviços de Comunicação, ago. 2004. Disponível em: www.textual.com.br/saladeimprensa/release.asp?ID=1502. Acesso em: 12 mai. 2010.

GUIMARÃES, Anna Luiza. Casa Brasil inaugura mostra sobre o carnaval. JB Online, jul. 2007. Disponível em: http://jbonline.terra.com.br/editorias/rio/papel/2007/07/03/rio20070703009.html. Acesso em: 12 mai. 2010.

MARQUES, José Reinaldo. O documentarista da imprensa brasileira. Associação Brasileira de Imprensa, set. 2005. Disponível em: www.abi.org.br/paginaindividual.asp?id=615. Acesso em: 12 mai. 2010.

MOSTRA fotográfica retrata a população e o cotidiano de Canudos. Jornal da Mídia, mai. 2009. Disponível em: http://www.jornaldamidia.com.br/noticias/2009/05/20/Bahia/Mostra_fotografica_retrata_a_popu.shtml. Acesso em: 12 mai. 2010.

NECO, Eduardo. Evandro Teixeira, fotógrafo há 50 anos, fala sobre seu novo livro e as curiosidades de sua carreira. Portal Imprensa, jan. 2008. Disponível em: http://portalimprensa.uol.com.br/portal/ponto_de_vista/2008/01/30/imprensa16856.shtml. Acesso em: 12 mai. 2010.

OLHAR congelado – hoje é o Dia do Fotógrafo. JusBrasil, jan. 2009. Disponível em: http://www.jusbrasil.com.br/noticias/558418/olhar-congelado-hoje-e-o-dia-do-fotografo. Acesso em: 12 mai. 2010.

SANTOS, Andreia. Evandro Teixeira: Grande Fotojornalista Brasileiro. Overmundo, jun. 2007. Disponível em: www.overmundo.com.br/overblog/evandro-teixeira-grande-fotojornalista-brasileiro. Acesso em: 12 mai. 2010.

SENA, Lízia. O fotógrafo tem que ter este olhar especial. Overmundo, out. 2006. Disponível em: http://www.overmundo.com.br/overblog/o-fotografo-tem-que-ter-este-olhar-especial. Acesso em: 12 mai. 2010.

SOBREVIVENTES: os filhos da Guerra de Canudos. Adoro Cinema Brasileiro. Disponível em: http://www.adorocinemabrasileiro.com.br/filmes/sobreviventes/sobreviventes.asp. Acesso em: 11 mai. 2010.

ÚLTIMA semana da exposição de Evandro Teixeira na Casa Brasil. JB Online, jul. 2007. Disponível em: http://jbonline.terra.com.br/extra/2007/07/23/e230711405.html. Acesso em: 12 mai. 2010.

VIANA, Alberto Melo. Apresentação: entrevista com o fotojornalista Evandro Teixeira. Revista INTERIN. Disponível em: http://www.utp.br/interin/EdicoesAnteriores/04/revista_interin.htm. Acesso em: 12 mai. 2010.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Produtor e noticiador do hoje

Fichamento do livro A fabricação do presente, de Carlos Eduardo Franciscato, elaborado em setembro de 2009, durante o 2º Semestre de Jornalismo do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), sob a orientação da professora Márcia Guena, docente da disciplina Prática de Reportagem

O título deste artigo foi acrescentado simultaneamente com a sua transcrição para este blog

Prefácio

O prefácio do livro A fabricação do presente foi escrito pelo professor Antônio Albino Canelas Rubim, diretor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, no qual ele elogia o autor da obra, Carlos Eduardo Franciscato, que foi seu orientando no mestrado e no doutorado sobre Comunicação e Cultura Contemporâneas na faculdade. Rubim também descreve, resumidamente, o conteúdo do livro escrito por seu discípulo, que é uma obra essencial para os estudos de teoria do jornalismo. Nesse livro, "o diálogo jornalismo-sociedade aparece de modo expressivo, através do acionamento de estudos das mais diversas áreas disciplinares". (RUBIM. In: FRANCISCATO, 2005, p. 12.)

Introdução

O autor descreve, em linhas gerais, a importância da atividade jornalística nas sociedades modernas e contemporâneas, demonstrando, principalmente, como o jornalismo e o tempo presente se inter-relacionam, sendo que este último fator é importante para a elaboração dos acontecimentos do cotidiano a serem publicados. O jornalismo, portanto, é a arte de trabalhar com os fatos ocorridos no tempo presente. Ele surgiu e se consolidou em um ambiente em que fatores tecnológicos e econômicos estiveram aliados a aspectos sociais e culturais. Os dois primeiros fatores criaram bases para que a produção incipiente alcance regularidade, enquanto os últimos foram responsáveis pela difusão social de uma série de componentes simbólicos, práticas, interações e hábitos.
"Esta temporalidade do presente que orientou as formas de institucionalização do jornalismo emergia de uma cultura do tempo presente que tinha, nas determinações estruturais da sociedade, fatores relevantes para sua constituição. Exemplo destas determinações são as sucessivas inovações tecnológicas no transporte e na transmissão de informações, que reduziram gradativamente o intervalo de tempo gasto nos deslocamentos e, ao mesmo tempo, introduziram novos modos de formatação do conteúdo adequados aos respectivos suportes de transmissão, sendo a digitalização e a comunicação por rede manifestações deste processo na transição para o século XXI." (FRANCISCATO, 2005, p. 19)
A urbanização, a formação de uma sociedade de mercado e a institucionalização de hábitos de leitura foram os principais fatores responsáveis pela formação de um modelo de jornalismo voltado ao mercado na Europa e na América do Norte no século XIX.

As relações entre jornalismo e sociedade fazem com que ele participe do processo de construção da experiência social do presente, contribuindo para a sua vivência social deste momento. O presente, então, é o tempo de referência para a realização de uma determinada ação humana.

A introdução é encerrada com uma breve síntese das quatro partes do livro, explicando o conteúdo de cada uma.

Parte I: Primórdios do jornalismo nas sociedades ocidentais

1.1: Publicações híbridas e aperiódicas marcam a aurora do jornalismo

Segundo Franciscato (2005, p. 26), a história do jornalismo começa entre os séculos XVII e XIX, períodos nos quais ele coexiste com outras produções culturais. Diferentes estudos apontaram que as primeiras publicações aperiódicas, nas quais apresentaram relatos de eventos (notícias rudimentares) surgiram na Europa entre os séculos XVI e XVII.

Foi na Inglaterra e nos Estados Unidos onde o jornalismo avançou de maneira significativa, tornando-se um importante meio de comunicação social. As primeiras publicações que circularam na Inglaterra do séculos XVII (corantos e pamphlets) traziam relatos de acontecimentos e periodicidades irregulares. A partir da metade do século XVII, surgiram novas publicações, os newsbooks, "produtos mais acabados e definidos editorialmente, com tamanho e periodicidade mais exata" (Idem, 2005, p. 27). Os newsbooks eram porta-vozes do Parlamento britânico e também atuavam como instrumentos agressivos de disputa política e literária. O jornalismo inglês se iniciou de fato na década de 1690, com o crescimento elevado no número de publicações em Londres.

Notícia, jornal e jornalismo

Este tópico ajuda-nos a diferenciar claramente os três termos: notícia, jornal e jornalismo.
"(...) o ato de comunicar os eventos mais recentes para membros de uma comunidade tem suas origens em tempos longínquos na história humana, com base em motivos e predisposições sociais para a interação, defesa, integração ou instinto para saber a respeito de coisas ou fatos novos" (Idem, 2005, p. 30)
As notícias, primeiramente, referem-se a esses conteúdos novos que circulavam pelas comunidades, por diversos meios. Eram divididas, historicamente, em orais, manuscritas e impressas. O jornal, por sua vez, surgiu como o principal suporte para a divulgação das notícias, e foi popularizado através de uma tecnologia criada no século XV: o sistema mecânico de impressão. Antes disso, por exemplo, as notícias eram mescladas com sermões dominicais nas Igrejas.

O surgimento dos jornais foi o grande responsável pela interação entre o jornalismo e a sociedade, pois a difusão da imprensa periódica mudou radicalmente o ambiente social. A partir daí, o jornalismo passou a desempenhar um papel social específico, institucionalizando novos hábitos, diferentes daqueles desempenhados por livros e folhetins. Para Franciscato (2005, p. 32), "o jornal se institucionaliza na sociedade para produzir um relato regular de eventos não vivenciados. Por outro lado, esta regularidade na produção e circulação de relatos cria um padrão de periodicidade."

1.2: O jornalismo se torna uma instituição social

O jornalismo passou a entrar em contato com a sociedade graças a uma série de transformações tecnológicas, como a invenção do sistema de impressão, e de aspectos sociais e econômicos, como a produção e circulação de jornais e a uma maior importância e influência que seus conteúdos trouxeram à vida política. Segundo a tese do economista inglês Jean Chalaby, defendida em 1996 com base no determinismo tecnológico que criou as condições para a impressão de jornais, "o jornalismo não é somente uma descoberta do século XIX, mas é também uma invenção inglesa e norte-americana". Portanto, os jornais da Inglaterra e dos Estados Unidos desenvolveram métodos que aperfeiçoaram o jornalismo naquele século, como a entrevista.

Chalaby também estabeleceu comparações entre as imprensas inglesa, estadunidense e francesa em relação às informações e outros fatores. De acordo com a tese, os jornais ingleses e estadunidenses tinham informações mais abundantes, recentes, frequentes e exatas; mais credibilidade e maior estrutura de cobertura jornalística internacional. Além disso, o jornalismo praticado na Inglaterra e nos Estados Unidos assume independência do campo literário, ao contrário da imprensa francesa.

No século XVIII, os jornais passaram a circular em diversas cidades europeias que não tinham universidades e editoras de livros e em países com elevados índices de analfabetismo. O jornalismo europeu, portanto, passou a desempenhar um importante papel na disseminação de informações sobre a vida cotidiana e no incentivo à leitura de publicações impressas.

Referências bibliográficas

FRANCISCATO, Carlos Eduardo. Introdução e Parte I: Primórdios do jornalismo nas sociedades ocidentais. In: Idem. A fabricação do presente: como o jornalismo reformulou a experiência do tempo nas sociedades ocidentais. São Cristóvão (SE): Editora UFS; Aracaju: Fundação Oviêdo Teixeira, 2005, pp. 15-36.

RUBIM, Antônio Albino Canelas. Prefácio. In: FRANCISCATO, Carlos Eduardo. Op. cit. São Cristóvão (SE): Editora UFS; Aracaju: Fundação Oviêdo Teixeira, 2005, pp. 11-13.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Vox Populi divulga nova pesquisa

De acordo com sondagem revelada hoje, Dilma está com 11 pontos de vantagem sobre Serra

Pesquisa elaborada pelo Instituto Vox Populi e divulgada hoje pelo portal iG mostra Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência, em primeiro lugar, com 49% das intenções de voto, seguido de José Serra (PSDB), com 38%. A ex-ministra está com 11 pontos de vantagem em relação ao tucano. Brancos e nulos contabilizam 6%, e o percentual de eleitores indecisos chega a 7%

O levantamento afirma que, se levar em consideração os votos válidos, Dilma detém os 57%, abrindo 14 pontos de vantagem sobre Serra, que aparece com 43%. Segundo o Vox Populi, 88% do eleitorado já declarou em quem irá votar.

A sondagem estatística foi coletada pelo Vox Populi com base nas entrevistas feitas pelo instituto, com 3.000 eleitores em 214 municípios brasileiros, entre os dias 23 e 24 de outubro. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 37.059/2010.

Um ícone pós-moderno

Dentre as inúmeras construções arquitetadas por Diógenes Rebouças, está o Edifício Comendador Urpia, na Graça, inaugurado em 1957
(Foto: Hugo Gonçalves)

Significativa parcela das edificações erguidas na terceira maior cidade brasileira entre as décadas de 1940 e 1960 coube aos esboços formatados e saídos das pranchetas de um dos cativantes cérebros da arquitetura pós-moderna baiana: Diógenes de Almeida Rebouças (1914-1994). O seu legado persevera, sobretudo, na genialidade, na sutileza e na simplicidade construtivas. Entretanto, a maioria do nosso povo penetrado em um território de dimensão artística incrivelmente formosa e charmosa não sabe quem foi Diógenes Rebouças, quais as suas contribuições para a modernização da feitura arquitetônica e urbanística, quais os edifícios – existem dezenas – que ele idealizou e/ou recuperou, em essencial em bairros do centro da capital.

Filho de cacauicultores do sul do estado, o jovem Rebouças exerceu sua proveitosa e apaixonante vocação após ser diplomado engenheiro agrônomo pela Escola Agrícola da Bahia, em 1933, onde mergulhou profundamente nas noções de topografia. A despeito de ser modernista, não estudou no Rio de Janeiro, como fez a maioria dos seus colegas de profissão. Seu primeiro projeto como arquiteto, na época atividade ainda não reconhecida na comunidade acadêmica, foi a Catedral de Itabuna, o que despertou a atenção do engenheiro sanitarista Mário Leal Ferreira, credenciando Rebouças a elaborar, sob a sua supervisão, os jardins do entorno do que seria o estádio da Fonte Nova, uma das suas retumbantes concepções.

Pelo estreito elo com Ferreira, assumiu, a convite do engenheiro que empresta nome a uma das mais importantes avenidas soteropolitanas, o setor paisagístico e de planejamento físico do Escritório do Plano Urbanístico da Cidade do Salvador (Epucs), em 1943. Rebouças colaborou, a partir daquele ano, no radical aprimoramento da paisagem urbana através da sua detalhada exploração, transformando-o no mais prestigiado profissional de sua área na Bahia. Apenas em 1947, quando Mário Leal Ferreira morreu, seu discípulo, na época com 33 anos, herdou o cargo em que seu ex-patrão exercia, o de coordenador do Epucs. Foi nessa fase em que ele começou a projetar edifícios de funcionalismo sofisticado, símbolos de uma urbe de feição colonial em sintonia com o hodierno.

Constantemente influenciado pelas Escolas Carioca, cujos expoentes-mores são Lúcio Costa e o centenário Oscar Niemeyer, e Paulista, insinuou aqui a sofisticada geometria concebida e contextualizada por seu contemporâneo, mestre gerador de constelações de concreções difundidas nacional e internacionalmente. As consonantes retas e curvas sinuosas niemeyerianas marcam acentuada presença nas engenhosas solidificações à base de ferro, concreto e tijolo dos esboços imprimidos por Rebouças, condizentes com o relevo acidentado de Salvador. Nas construções idealizadas por ele, como o Hotel da Bahia, no Campo Grande, a Escola Parque, na Caixa d'Água, e a Escola Politécnica, na Federação, é possível elucidar seus traços de vanguarda.

Diógenes Rebouças formou-se em Arquitetura pela Escola de Belas-Artes da Universidade Federal da Bahia (Ufba), em 1952. A despeito da federalização do curso, obtida naquele ano, ainda não havia no estado uma faculdade autônoma específica, o que só se deu de fato em 1959. Logo depois de receber o diploma de curso superior em Arquitetura, tornou-se docente, ainda na mesma escola em que se graduou, transferindo-se para a Faculdade de Arquitetura propriamente dita quando ela foi fundada pelo professor Edgard Santos, primeiro reitor da Ufba, em 1959. Durante 32 anos, até 1984, ele lecionou infatigavelmente, auxiliando na formação de novas safras de desenhistas da construção civil. Também instituiu a seção baiana do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), em 1954, do qual foi o pioneiríssimo presidente.

Uma de suas obras imponentes, o Estádio Octávio Mangabeira, inesquecível ferradura de concreto intimamente apelidada Fonte Nova, foi implodida em 29 de agosto deste ano, objetivando cimentar uma novíssima arena com vistas à Copa de 2014, conforme padrões de Primeiro Mundo. Inaugurada em janeiro de 1951 e reaberta após remodelação e execução do anel superior, em março de 1971, intervenção atribuída a Rebouças com colaboração de seu ex-aluno Heliodório Sampaio, a Fonte Nova era palco de rivalidades marcadas por centenas de emoções e comoções. A antiga arena foi sucumbida após tragédia que deixou 7 torcedores mortos durante o jogo Bahia x Vila Nova (Goiás), em 25 de novembro de 2007, pela Série C do Campeonato Brasileiro de futebol, passaporte para o retorno à segunda divisão.

A filosofia de um emblemático e visionário educador, Anísio Teixeira, tem como síntese o Centro Educacional Carneiro Ribeiro, ou Escola Parque, projetada por Rebouças e pelo paulista Hélio Duarte e implantada em uma das localidades mais populosas de Salvador, a Caixa d'Água. Com uma ambiciosa metodologia instrutiva preconizada por Anísio, em consonância com os traços poligonais refinados do arquiteto, a Escola Parque, entregue ao povo baiano em 1950, serviu como modelo, três décadas mais tarde, para os Centros Integrados de Educação Pública (Cieps) do Rio de Janeiro. Na fachada, pinturas de Mário Cravo Júnior, Carybé e Jenner Augusto, entre outros artistas plásticos, embelezam, com capricho e precisão, o edifício geometricamente multiforme.

Linhas retas e linhas curvas se entrecruzam no suntuoso Hotel da Bahia, mais uma concretude genial mentalizada em 1947 por Rebouças em comunhão com Paulo Antunes Ribeiro, e solidificada em 1952. Parte do seu feitio original foi modificada na reforma e ampliação da hospedaria, entre 1981 e 1984, supervisionadas pelo próprio arquiteto idealizador. Outras espantosas obras creditadas a Rebouças também são eternizadas para a posteridade. Edifícios residenciais, como o Comendador Urpia, na Graça, entregue em 1957, com seus múltiplos pilares de sustentação em V inspirados em Niemeyer e alternância de balcões de apartamentos e gradis na sua fachada, e corporativos, com ênfase para a antiga sede do Banco do Estado da Bahia, erguida no Comércio, importante polo empresarial da época.

Além disso, Diógenes Rebouças encomendou à Ufba os prédios da Escola Politécnica e da Faculdade de Arquitetura, ambos na Federação, e projetou, em parceria com o colega Assis Reis, a Estação Marítima Visconde de Cairu, inusitada edificação em concreto armado anexa ao porto de Salvador e inaugurada em 1963, e o antigo Terminal Rodoviário, nas Sete Portas, concluído no mesmo ano. O longo e venerável currículo de Rebouças não se confina à arquitetura, ao urbanismo e ao modernismo. Era um multiartista dedicado e adorado, ultrapassando as barreiras do sólido retratado nas suas construções comerciais, culturais e habitacionais. Reproduziu, munido de tela, pincel e tintas pigmentadas, as paisagens soteropolitanas do século XIX nos quadros.

Com exceção do legendário estádio da Fonte Nova, as obras do maior expoente da arquitetura contemporânea baiana em meados do século XX continuam praticamente intactas em sua plenitude em Salvador e, raramente, em outros municípios do estado. Devemos reverenciar a valiosa memória de Rebouças, bem como o aperfeiçoamento topográfico e paisagístico da cidade que ele ajudou a implantar e as convergências e os arranjos embutidos em seus edifícios pós-modernos, numa terra exuberante onde a pluralidade artística permeia bravamente. O responsável pela vinda da filosofia e da morfologia niemeyerianas na Bahia, através dos seus gestos, projetos, excentricidades e sensibilidades contextuais, soa contemporâneo até hoje.

Jornalismo popular inaugura ciclo

Jornalistas, professores e estudantes debaterão, na Faculdade de Comunicação da Ufba, o desenvolvimento do gênero na imprensa baiana

Modalidade de publicações redigidas em linguagem sucinta e coloquial, objetivando magnetizar as camadas mais baixas, o jornalismo popular está ganhando cada vez mais espaço e fôlego na imprensa da Bahia. Uma clara amostra dessa radicalização é o tabloide Massa!, do Grupo A Tarde, lançado na semana passada, além da conversão do formato do Correio* (ex-Correio da Bahia), de standard para berliner.

A primeira edição do Ciclos de Jornalismo, atividade de extensão permanente no curso de Jornalismo da Faculdade de Comunicação (Facom) da Universidade Federal da Bahia (Ufba) estreará com o debate Jornal popular: por que cresce na Bahia?, no auditório da faculdade, em Ondina, nesta quinta-feira, dia 28. Estendendo-se das 9 às 12 horas, o evento, esclarecendo o desenvolvimento vertiginoso da imprensa popular no estado, contará com as presenças de conceituados jornalistas e professores e estudantes da área.

Jornalistas conceituados, o fotógrafo do Jornal da Metrópole, periódico distribuído gratuitamente, Geraldo Melo, o editor de esportes do Correio*, Paulo Leandro, e o secretário de redação de A Tarde e coordenador do recém-lançado Massa!, Paulo Oliveira, responderão às perguntas formuladas por eles próprios, pelos estudantes e pelos professores da Facom Edson Dalmonte, Malu Fontes e Suzana Barbosa.

O debate Jornal popular: por que cresce na Bahia?, assim como os eventos seguintes do I Ciclos de Jornalismo, é coordenado pela professora adjunta da Facom, Lia Seixas, e pela jornalista Iloma Sales, editora-coordenadora do site móvel Mobi A Tarde. Em breve, deverá entrar no ar o blog sobre o evento.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Reunião na Unijorge relembra a ditadura

Sociólogo, jornalista e historiador discutiram hoje em mesa-redonda as consequências e os reflexos do regime militar brasileiro e as lutas populares em defesa da liberdade

Da esquerda para a direita, Sílvio Benevides, Márcia Guena e Grimaldo Zachariadhes, participantes da mesa-redonda "A Ditadura Militar Brasileira e os Movimentos de Resistência no Contexto Global e Local"
(Foto: Hugo Gonçalves)

A Bahia é um dos estados brasileiros onde há poucas pesquisas a respeito de um período de obscurantismo e repressão, a ditadura militar, perseverante por 20 anos ininterruptos, com generais-presidentes revezando-se no poder, suas brutais consequências e seus reflexos na cultura e na sociedade. Para explaná-las de maneira concisa, foi ministrada, na manhã de hoje, uma mesa-redonda sobre o tema, no Campus Paralela do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge). O evento esclarecedor era parte integrante do V Encontro Interdisciplinar de Cultura, Tecnologias e Educação (Interculte), ciclo de eventos realizado pela instituição de ensino superior.

Batizada "A Ditadura Militar Brasileira e os Movimentos de Resistência no Contexto Global e Local", a mesa-redonda foi proferida pelo sociólogo e professor da Unijorge Sílvio Benevides, pela jornalista e professora da Unijorge e da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Márcia Guena, e pelo historiador, especialista em Educação pela Uneb e coordenador do Núcleo de Estudos sobre o Regime Militar (Nerm), Grimaldo Zachariadhes. Uma das razões justificadoras da criação do Nerm, cujo propósito é incentivar os estudos sobre o regime na Bahia, é que, no Nordeste, o estado está anos-luz atrás de Pernambuco nas pesquisas.

O encontro foi fragmentado em três partes, cada uma explicada individualmente por um participante. Grimaldo, também mestre em História Social pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e professor de História da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro, foi o primeiro a pronunciar, em meio a uma plateia constituída por 11 espectadores, sendo 9 estudantes, acompanhados dos dois organizadores. Quando iniciou-se o evento, Grimaldo agradeceu especialmente a Sílvio e a Márcia pelo honroso convite. Apesar de a ditadura cessar em 1985, seus métodos escusos, a exemplo do lendário Serviço Nacional de Informações (SNI), foram extintos tempos depois.

Grimaldo Zachariadhes apresentou, em datashow, reprodução digitalizada de uma nota publicada no extinto Jornal da Bahia, de 7 de abril de 1987, noticiando o recebimento do título de Cidadão de Salvador ao ex-abade beneditino Dom Timóteo Amoroso Anastácio (1910-1994). A cerimônia foi realizada no plenário da Câmara Municipal, com a ilustre presença da então deputada federal constituinte Lídice da Mata, autora da proposta quando exercia mandato de vereadora. Propaganda forjada no primeiro ano da ditadura militar não pôde faltar espaço na mesa-redonda: o historiador exibiu um anúncio da Ultragaz, com o título Chama da paz e da esperança, contendo mensagem inspirada em discurso favorável ao regime recém-instaurado.

Brega era vinculado à ditadura

Na esfera cultural, em particular na música, o gênero popularesco, rotulado vulgar e pejorativamente de brega ou cafona, encontrava-se atrelado ao regime ditatorial, disseminando artistas como Waldick Soriano, Reginaldo Rossi, Odair José, Dom e Ravel e Luiz Ayrão. Este último compôs, em 1977, o samba Treze anos, cujo título foi intencionalmente trocado para O divórcio, uma manobra para driblar a censura imposta. Coincidentemente, a canção fez sucesso no mesmo ano em que a lei do divórcio foi aprovada no Congresso Nacional.

Como contraponto à política oficial de planejamento familiar, Odair José criou e interpretou Uma vida só (Pare de tomar a pílula), lançada em 1973 e que, apesar de ser proibida, tornou-se num dos seus estrondosos sucessos de sua carreira. Pare de tomar a pílula, como a música ficou consagrada pelo refrão, foi interditada em toda a América Latina por pressão do laboratório alemão Bayer, principal fabricante da pílula anticoncepcional. O medicamento revolucionou a emancipação feminina, sendo considerada, na opinião de Márcia Guena, um "elemento de libertação". No auge do "milagre econômico", Jorge Ben Jor, na época somente Jorge Ben, assinou a ufanista Brasil, eu fico, interpretada pelo saudoso Wilson Simonal.

Os membros do Tropicalismo, ou Tropicália, eram, segundo Sílvio Benevides, a "turma do desbunde", pois era um movimento que impactava a efervescência artística do final dos anos 60, cuja práxis era uma manifestação cultural de protesto à ordem vigente naquele período no Brasil. O uso da guitarra elétrica, ainda conforme o sociólogo, era abominável para as esquerdas por ser um instrumento argolado ao imperialismo dos Estados Unidos e às suas influências na nossa produção musical. A historiografia da Música Popular Brasileira está entrando no século XXI, enterrando o "cheiro de naftalina", conforme os dizeres de Grimaldo.

Investigando os horrores

Márcia Guena, jornalista e pesquisadora das ditaduras militares latino-americanas, foi a segunda oradora da mesa-redonda. Autora do livro-reportagem Arquivo do horror: documentos secretos da ditadura do Paraguai (1960-1980) (1996), que focaliza o processo de abertura dos arquivos da ditadura do general Alfredo Stroessner, ela devota os estudos sobre o equivalente brasileiro ao ver, entre outras obras, o dossiê Brasil: nunca mais (1985), organizado pela Arquidiocese de São Paulo, com prefácio de Dom Paulo Evaristo Arns, e o filme Zuzu Angel (2006). Hoje, Márcia, além de ensinar na Unijorge, cursa doutorado em História da América na Universidade Complutense de Madri, na Espanha, desde 2006, e, há um mês, leciona para turmas do curso de Jornalismo no campus de Juazeiro da Uneb.

Ela, como sectária das causas sociais, ainda enfatizou o combate e a denúncia às práticas discriminatórias contra a população negra, citando o papel do Movimento Negro Unificado (MNU). Fundado em 1978, o MNU tem como objetivos denunciar o preconceito racial e melhorar as condições vitais dos negros. O crescimento gradativo da entidade foi alcançado com o auxílio, entre outras, do Partido dos Trabalhadores (PT). De acordo com Sílvio, organizador da mesa-redonda ao lado de Márcia Guena, a abolição da escravatura foi uma benevolência da elite branca, congratulando os senhores de escravos.

Devido a problemas de indisponibilidade em documentações na Bahia, Márcia dirigiu-se ao antigo Departamento de Ordem Política e Social (Dops), órgão encarregado da repressão a subversivos, sediado em São Paulo, para levantar documentos referentes à participação de militantes negros na esquerda organizada. A partir de 1973, grupos guerrilheiros foram dizimados pelo recrudescimento do draconiano aparato repressivo do Exército e de centros de informações das Forças Armadas – Exército (Ciex), Marinha (Cenimar) e Aeronáutica (Cisa). "O que estava posto na década de 70 foram grupos de esquerda e de direita", discursa Márcia, que também é autora da dissertação de mestrado em Integração da América pela Universidade de São Paulo (USP), tendo como enfoque a Operação Condor, conexão clandestina entre as polícias políticas do Cone Sul.

Civil-militar

Recapitulando, o golpe de 1964 era fruto de um conchavo entre membros civis e militares, portanto não era estritamente articulado pelas Forças Armadas, era civil-militar. Mestre em Ciências Sociais pela Ufba, cuja dissertação germinou o livro Na contramão do poder: juventude e movimento estudantil (2006), Sílvio Benevides encerrou o ciclo discursivo na mesa-redonda acerca da ditadura. Sílvio salientou que países latino-americanos têm predileção por regimes de exceção, caso recente do Equador. A partir de 1964, a tortura passou a ser democrática no Brasil, atingindo até as elites. Em analogia às demais nações da América Latina, como a Argentina, o Chile e o Paraguai, o regime ditatorial brasileiro não era tão terrível quanto naqueles países.

Debates terminaram a mesa-redonda entre os três participantes, abrindo uma discussão concernente e intrínseca ao tema, com intervenções dos estudantes. Num dos debates, Grimaldo Zachariadhes afirmou que, na região Centro-Sul, os estereótipos ecoam sobre os imigrantes nordestinos – "paraíbas" no Rio de Janeiro e "baianos" em São Paulo. O historiador e coordenador do Nerm frisa a sua expansão: "O núcleo está se ampliando, e agora está fazendo parte do Projeto Memórias Reveladas, de abertura dos arquivos do regime militar, do Arquivo Nacional no Rio de Janeiro".

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Interculte transfere data de mesa-redonda

Evento abordando a ditadura militar e as lutas pela redemocratização brasileira foi remarcado para amanhã

Conforme anunciado pelo sociólogo e professor Sílvio Benevides, um dos participantes, a mesa-redonda "A Ditadura Militar Brasileira e os Movimentos de Resistência no Contexto Global e Local", que seria proferida hoje, segundo dia do V Encontro Interdisciplinar de Cultura, Tecnologias e Educação (Interculte) da Unijorge, foi transferida para amanhã, dia 21, das 9 às 12 horas, na sala 3021, situada no nível 3 do prédio 2 do Campus Paralela do centro universitário.

A mesa-redonda, com a proposta de recordar a fase mais tormentosa da nossa História e as mobilizações pela redemocratização do Brasil em âmbitos nacional e estadual, terá como mediadores os professores Sílvio Benevides e Márcia Guena, também jornalista e cidadã preocupada com as reivindicações sociais, tendo o combate ao racismo como uma de suas bandeiras de luta, e o historiador Grimaldo Zachariadhes, coordenador do Núcleo de Estudos sobre o Regime Militar (Nerm).

Serviço

Evento: Mesa-redonda "A Ditadura Militar e os Movimentos de Resistência no Contexto Global e Local", do V Interculte

Participantes: Sílvio Benevides, Márcia Guena e Grimaldo Zachariadhes

Organizadores: Sílvio Benevides e Márcia Guena

Data e horário: 21/10 (quinta-feira), das 9 às 12 h

Local: Campus Paralela do Centro Universitário Jorge Amado - Avenida Luiz Viana Filho, 6775, prédio 2, nível 3, sala 3021

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Diário de um homem incansável

Final de um sono consolador.
Primeira higiene bucal.
Primeiro banho perfumado.
Primeira refeição diária, reforçada.
Segunda higiene bucal.
Primeira aromatização corporal.

Primeira aventura ambulante.
Primeiro coletivo.
Primeira ida à passarela da universidade.
Primeira ida à universidade.
Segundo coletivo.

Segunda aventura ambulante.
Primeira volta para minha residência.
Segundo banho perfumado.
Segunda refeição diária.
Terceira higiene bucal.
Segunda aromatização corporal.
Carona no automóvel do meu pai.

Terceira aventura ambulante.
Ida ao terminal rodoviário.
Primeira ida à passarela e à estação de transbordo.
Primeira ida ao posto de recarga do cartão de meia passagem.
Primeira volta para a passarela e a estação de transbordo.
Terceiro coletivo.
Segunda ida à universidade.
Quarto coletivo.
Segunda ida à passarela e à estação de transbordo.
Segunda ida ao posto de recarga do cartão de meia passagem.
Ida a um movimentado e confuso shopping center.
Segunda volta para a passarela e a estação de transbordo.
Quinto coletivo.

Quarta aventura ambulante.
Segunda volta para minha residência.
Terceiro banho perfumado.
Terceira refeição diária.
Quarta higiene bucal.
Terceira aromatização corporal.

Quinta aventura ambulante.
Sexto coletivo.
Segunda ida à passarela da universidade.
Terceira ida à universidade.
Sétimo coletivo.

Sexta aventura ambulante.
Terceira volta para minha residência.
Quarto banho perfumado.
Quinta higiene bucal.
Introdução e desenvolvimento de um sono consolador.

FGV encerra hoje inscrições para concurso da Codeba

Processo seletivo oferece 30 vagas de emprego em 8 cargos nos portos de Salvador, Ilhéus e Aratu, geridos pela autarquia

Nesta terça-feira, às 23:59, as inscrições para o concurso público da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), que tiveram início em 29 de setembro, serão encerradas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), organizadora do processo seletivo. O prazo de encerramento das inscrições, efetuadas apenas no site da FGV, é improrrogável. A autarquia federal, vinculada à Secretaria Especial de Portos, selecionará 30 vagas, destinadas às três unidades portuárias baianas – Salvador, Ilhéus e Aratu, no município de Candeias, na Região Metropolitana.

Com remunerações oscilando entre R$ 953,72 e R$ 1.573,72, acrescidas de benefícios extras, o concurso oferece ao candidato 30 oportunidades de emprego em 8 cargos. Distribuídos em cada quantidade de vagas segundo critérios, os cargos são os seguintes: assistente técnico administrativo (18 vagas), guarda portuário (8 vagas), administrador (3 vagas), advogado (1 vaga), assistente técnico operacional, técnico de segurança no trabalho, contador e economista (cadastro de reserva).

Os aspirantes a assistente técnico administrativo, assistente técnico operacional e guarda portuário, quanto ao nível de escolaridade, devem ter o ensino médio completo, comprovado mediante certificado de conclusão. Candidatos a técnico de segurança do trabalho, obrigatoriamente, têm como requisitos o diploma ou certificado de habilitação de técnico em nível médio nessa área, ou diploma de curso de Supervisor de Segurança do Trabalho. Para aqueles que almejam ser administrador, advogado, contador e economista, é necessário apresentar diploma ou certificado de conclusão ou diploma de nível superior.

Jornada de 40 horas

A jornada de trabalho é de 40 horas semanais para todos os cargos, exceto guarda portuário, cuja jornada laboral é de 36 horas semanais em regime de rodízio. Dependendo do cargo no qual o futuro empregado está competindo, os benefícios são variáveis. O empregador lhe assegurará vale-refeição ou auxílio-alimentação no valor de R$ 664,50, com parcela de contribuição do empregado correspondente a 1% do salário-base, assistência médica e odontológica, com participação do empregado, e adicional de risco no valor de R$ 381,49 (exclusivamente para técnico de segurança no trabalho e contador).

Para os níveis médio e médio técnico, o valor da taxa de inscrição é de R$ 40, e para o nível superior, o concorrente paga R$ 60. O pagamento será efetuado até esta quarta-feira, dia 20. Em 11 de novembro, serão emitidos, via internet, o comprovante de inscrição e o cartão de identificação, no qual o candidato encontrará seu local de realização da prova do concurso público da Codeba.

Classificatórias

As provas, de caráter eliminatório e classificatório, serão aplicadas em Salvador, em 21 de novembro, domingo, com duração de quatro horas, e em horários diferentes: das 8 às 12 h (cargos de níveis médio e médio técnico) e das 14 às 18 h (cargos de nível superior). Todas as questões contidas na avaliação são objetivas de múltipla escolha, cujo conteúdo programático é compatível com a graduação do aspirante. O não comparecimento do aspirante ao local de prova implicará na sua eliminação automática.

Quem já completou o ensino médio deve responder às questões das disciplinas Língua Portuguesa, Matemática e Noções de Informática, mas para quem irá disputar vaga para guarda portuário, é essencial estudar Língua Portuguesa, Raciocínio Lógico, Noções de Informática e Conhecimentos Específicos. Provas exclusivas para técnico de segurança do trabalho, único cargo de nível médio técnico, e para nível superior, abrange noções de Língua Portuguesa, Raciocínio Lógico e Conhecimentos Específicos.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A Concha abre para Maga

Show de lançamento do novo disco de Margareth Menezes, no domingo, receberá convidados especiais, exprimindo seu ecletismo

Cantora e compositora estreará turnê Naturalmente acústico na Concha Acústica do TCA
(Foto: Divulgação)

Enaltecendo seu carisma, seu compasso e sua ternura, a cantora e compositora Margareth Menezes, de 48 anos (completados no último dia 13), fará o show de lançamento do seu novo CD, DVD e Blu-ray, Naturalmente acústico, no próximo domingo, 24, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves (TCA), às 18:30. Coproduzido pelo Canal Brasil em convênio com a gravadora MZA Music, do produtor Marco Mazzola e a Estrela do Mar, selo da própria artista, Naturalmente acústico harmoniza o intimista com o afropop brasileiro. Maga, como a artista é conhecida, apresentará o repertório do álbum, lançado em agosto, para uma arquibancada repleta de fãs e admiradores.

Margareth convidará, na Concha, artistas dos mais variados matizes. O extenso rol de ciceroneados inclui seu companheiro de longa data Carlinhos Brown, o vocalista da banda Eva, Saulo Fernandes, o guitarrista do grupo de rock Sepultura, Andreas Kisser, o cantor e compositor santo-amarense Roberto Mendes, o cantor, compositor e instrumentista Mateus Aleluia, a banda percussiva feminina Didá, idealizada pelo saudoso Neguinho do Samba, e o grupo de afoxé Muzenza. Brown assumiu, com Margareth, a coautoria e o dueto em uma das faixas do novo trabalho, Amor ainda, e ela havia aceitado o convite de Saulo, em 2009, na música Sinais, faixa do mais recente biscoito fino do Eva, Lugar da alegria.

Pulso e energia

O repertório do show de estreia da sua nova turnê, que a cantora entoará pulsante e energicamente no palco, será, fundamentalmente, o mesmo disponibilizado no CD, no DVD e no Blu-ray. Gravado em três locações – estúdio Ilha dos Sapos, de Brown, no Candeal; Ribeira, onde ela nasceu e cresceu; e Feira de São Joaquim –, o DVD traz videoclipes, bastidores, comentários, depoimentos e testemunhos.

Além disso, o disco é recheado de participações especiais ecléticas, indo do supracitado Brown em Amor ainda, até o português Luís Represas em Um caso a mais, de autoria dele, registrada no antecessor Naturalmente, de 2008.

Mais três músicos exímios e talentosos, baianos em sua totalidade, complementam o naipe de convidados de Margareth no registro. Roberto Mendes dividiu os vocais com ela em A beira e o mar, parceria com seu conterrâneo Jorge Portugal e gravada por Maria Bethânia no disco homônimo, de 1984. Falecido em 15 de setembro, um mês após o álbum chegar às lojas, o compositor Saul Barbosa, com quem Margareth excursionou pelo mundo, acompanhou-a na releitura de Gracias a la vida (Violeta Parra), lançada pela argentina Mercedes Sosa. O ritmista Marivaldo Stomp ressoou sua percussão em Coco do M (Zé do Brejo e Jacinto Silva).

Fábrica Cultural

Fundada em 2004 pela diva do afropop brasileiro, a Fábrica Cultural, da qual ela é presidente, é um projeto filantrópico situado desde 2008 na Ribeira, uma das comunidades mais carentes de Salvador apesar de possuir uma das paisagens mais deslumbrantes da Península de Itapagipe, com vista para a Baía de Todos-os-Santos. O objetivo primaz da Ong mantida por Margareth é potencializar o desenvolvimento dos cursos profissionalizantes para os jovens e das oficinas de arte-educação para as crianças.

O espetáculo de lançamento da turnê Naturalmente acústico é realizado pela Tag Cultura & Entretenimento e pela Estrela do Mar, empresa que, além de atuar como selo fonográfico, gerencia a carreira artística de Margareth Menezes. Disponíveis desde o dia em que Margareth fez aniversário, os ingressos para o show estão sendo comercializados nas bilheterias do TCA e nos postos do Serviço de Atendimento ao Cidadão (Sac) dos shoppings Iguatemi, Barra e Salvador. Seus preços oscilam entre R$ 15 (meia) e R$ 30 (inteira).