sábado, 30 de agosto de 2014

Justiça determina contratação emergencial de intérprete de Libras para escola em Alagoas

Liminar foi concedida ao atender ação de defensora explicando que a falta de intérpretes da língua de sinais dificulta aprendizagem de uma deficiente auditiva em unidade pública de ensino de União dos Palmares, interior do estado
 
Com informações das assessorias de comunicação do Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas e da Defensoria Pública do Estado de Alagoas
 
Surda, Luciana Leite da Silva estuda na Escola Estadual Rocha Cavalcanti (acima)
(Foto: Divulgação)
 
O Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas (TJ-AL), através da Vara da Comarca de União dos Palmares, determinou que o Poder Público contrate, em caráter emergencial, um intérprete de língua brasileira de sinais (Libras) para ministrar aulas para uma aluna surda na Escola Estadual Rocha Cavalcanti, situada na cidade da Zona da Mata alagoana, distante 83 quilômetros de Maceió. A escola é a única instituição da região que oferece cursos profissionalizantes.
 
A liminar, assinada pelo juiz de direito Yulli Roter Maia, foi concedida ao atender à ação ordinária ajuizada pela defensora pública Andresa Wanderley. De acordo com a decisão, a estudante do ensino médio da Escola Rocha Cavalcanti, Luciana Leite da Silva, portadora de deficiência auditiva, ingressou com o pedido da defensora elucidando que a ausência de intérpretes de Libras em sala de aula estava impossibilitando seu rendimento escolar.
 
Quando da análise do caso, Maia concedeu liminar em benefício de Luciana. “A ausência de profissional intérprete de Libras trará à autora extrema dificuldade no sistema de aprendizagem, implicando a não prestação do serviço de educação a contento, consequentemente violando o direito fundamental à educação garantido constitucionalmente”, salientou o magistrado. Se houver descumprimento na decisão, será aplicada uma multa diária de R$ 1 mil.
 
Juiz Yulli Roter Maia foi o responsável pela decisão, que beneficiou aluna ao analisar caso
(Foto: Divulgação)
 
Contratar professores é obrigação
 
Conforme a decisão judicial, a contratação de professores é tarefa obrigatória do Estado, com o intuito de prestar serviço educacional adequado e de qualidade, em observância aos princípios da Constituição Federal de 1988 e às leis infraconstitucionais incumbidas na regulamentação desse serviço público essencial à sociedade. O juiz argumentou ainda que a Justiça, a priori, não exerce ingerência sobre o serviço educacional.
 
“Todavia, a partir do momento em que o serviço educacional não é prestado ou é prestado de forma deficitária, em descompasso com as normas constitucionais, aliás, de forma a violar direito fundamental estabelecido no texto constitucional, cabe, sim, ao Poder Judiciário a missão de interferir na seara da administração pública, não havendo que se falar em mácula ao princípio da separação de poderes”, diagnosticou Yulli Roter Maia.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Milton conduz reunião com intérpretes de Libras sobre plano de carreira

Encontro acontecerá na Aceb, onde o candidato a deputado federal ministra aulas para cursos de pós-graduação
(Imagem: Reprodução/Facebook)
 
Concorrendo a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), o professor Milton Bezerra Filho, uma das referências na luta pelos direitos da comunidade surda no estado da Bahia, conduzirá, neste sábado (30), às 10 h, na Associação Classista de Educação da Bahia (Aceb), na Rua Carlos Gomes, no Centro de Salvador, uma reunião acerca do plano de carreira do intérprete da língua brasileira de sinais (Libras). Na ocasião, Milton, que é docente dos cursos de pós-graduação na Aceb, receberá os intérpretes de Libras para discutir questões relacionadas a essa categoria profissional, como a realização de concursos públicos e o piso salarial.

domingo, 24 de agosto de 2014

Rui defende implantação da Universidade da Chapada em comícios

Petista, que concorre ao governo estadual, realizou dois atos públicos, em Itaberaba e Rui Barbosa, terra natal do postulante ao Senado, Otto Alencar

Com informações da Tribuna da Bahia Online

Governo segue trabalhando para proporcionar oportunidades aos jovens que pretendem fazer cursos técnicos, afirmou Rui Costa (no centro, entre Leão e Otto) em Itaberaba
(Foto: Divulgação)
 
O candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) ao governo da Bahia, deputado federal Rui Costa, garantiu, em discursos proferidos em comícios nas cidades de Rui Barbosa e Itaberaba, na Chapada Diamantina, que, se eleito, irá lutar para que o governo federal implante uma universidade na região.
 
Em ambos os atos públicos, que ocorreram na noite deste sábado (23), o petista estava acompanhado de seus companheiros de chapa majoritária, o também deputado federal João Leão (PP), postulante a vice, e o atual vice-governador Otto Alencar (PSD), que concorre ao Senado.
 
Além de defender a instalação da Universidade Federal da Chapada Diamantina, Rui disse, em Itaberaba, que a atual gestão segue trabalhando bastante para proporcionar oportunidades aos jovens que pretendem estudar em cursos profissionalizantes da área técnica.
 
"Se o governador Jaques Wagner elevou a quantidade de vagas no ensino profissional de quatro mil para 70 mil, eu farei este número chegar a 150 mil ao final dos quatro anos do meu governo", prometeu o candidato do PT ao Executivo estadual.

Êxito para vencer desafios
 
Wagner, que estava presente no comício, enfatizou a importância de Rui Costa para que seu governo pudesse obter êxito no enfrentamento dos grandes desafios que ele encontrou. "Esse jovem me ajudou desde o início, e mostrou sua força de realização em muitas oportunidades. Por tudo isto é que tenho certeza de que ele vai ser um grande governador", finalizou.
 
Já em Rui Barbosa, Otto Alencar, que é natural dessa cidade, foi recepcionado no palanque com festa por cerca de quatro mil pessoas. Conforme o candidato a senador pela chapa liderada por Rui, "a palavra encanta, mas é o trabalho realizado que consolida um projeto político".

sábado, 23 de agosto de 2014

Pessoas com deficiência se reúnem com Fabíola e Milton para discutir a saúde

Candidatos a deputado pelo PSB, vereadora e professor surdo comandaram roda de diálogos com representantes da causa dos portadores de necessidades especiais, onde debateram, além do atendimento sanitário, temas transversais concernentes a seus direitos
 
Da esquerda para a direita: Juvêncio Ruy (suplente de Eliana Calmon), conselheira Isadora Maia, Fabíola Mansur e Professor Milton
Na acepção de Fabíola, os candidatos que ela apoia são "ferramentas de projetos" benéficos aos direitos humanos e à cidadania plena
(Foto: Hugo Gonçalves)
 
Em parceria com o candidato a deputado federal pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), Professor Milton Bezerra Filho, a pleiteante a uma cadeira na Assembleia Legislativa pelo partido, Fabíola Mansur, organizou a segunda roda de diálogos, que debateu os direitos das pessoas com deficiência, privilegiando a situação atual do atendimento à saúde. A conversação, promovida nesta terça-feira (19), no comitê de campanha da vereadora, no Rio Vermelho, foi apreciada por mais de setenta espectadores, sintonizados com a causa desse segmento minoritário.
 
Compuseram a mesa da reunião participativa, além dos anfitriões, o auditor fiscal Juvêncio Ruy, que teve a honra de representar na oportunidade a candidata do PSB ao Senado, Eliana Calmon, de quem é primeiro suplente, e a membro-titular do Conselho Estadual de Saúde, doutora Isadora Maia, também procuradora jurídica da Associação Baiana para Cultura e Inclusão (Abaci) e da Federação das Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) da Bahia.
 
Para Fabíola, assim como ela e Milton, a futura governadora Lídice da Mata, Eliana e a nova presidenciável socialista, Marina Silva, não apenas ambicionam cargos políticos, mas também estabelecem pactos com os deficientes. "Nós somos ferramentas de projetos das pessoas com deficiência, projetos que defendam direitos humanos, mas sobretudo que sejam e ensejem cidadania plena, que é garantida na Constituição. Quando nós, aqui, nos colocamos, é muito mais para ouvir todas as pessoas", afirmou.
 
Durante seu discurso, a futura deputada estadual salientou que Lídice está comprometida com a causa dos portadores de necessidades especiais e Eliana, na condição de juíza, sabe a quantidade de leis existentes no Brasil, que deveriam se sensibilizar efetivamente para diminuir as barreiras para esse segmento, garantindo sua cidadania plena. Entretanto, conforme Fabíola, essas leis não são cumpridas para fazer valer os seus direitos como cidadãos.
 
"Se temos dificuldades aqui na capital, imagine o que é no interior: é nada, um deserto, zero de direitos. A Constituição, para pessoas com deficiência, não parece ter chegado ao interior do estado. E aí, a importância de a gente ter a consciência que é preciso eleger representantes que sejam comprometidos em ouvir e poder falar sobre essas demandas. E é para isso que a gente está aqui", frisou.
 
Quando introduziu seu discurso, Isadora Maia declarou que, além de ser portadora de deficiência visual – foi diagnosticada com baixa visão –, é uma pessoa que sempre luta pelos interesses públicos. "A gente entende que política pública não é nada muito fácil, vindo principalmente do Judiciário, e que a gente luta transversalizando pelo Judiciário para conseguir efetivar políticas que não são implementadas", disse.
 
Verba insuficiente
 
Embora esteja disponível, o orçamento na área sanitária, na opinião de Isadora, é insuficiente. Logo, falta realmente disseminar, nas Diretorias Regionais de Saúde (Dires) da Bahia, a rede de reabilitação dos pacientes com deficiência física em todas as dimensões, como visual, auditiva, física e intelectual. A afirmação da conselheira foi compartilhada pela coordenadora da Abaci, Cristina Gonçalves, presente na roda de diálogos.
 
"A gente sabe que o dinheiro para a saúde da pessoa com deficiência existe, mas, infelizmente, tanto o Conselho (Estadual de Saúde) quanto a Secretaria da Saúde (do estado) e a Secretaria Municipal da Saúde não contemplam ainda a saúde da pessoa com deficiência, porque, como sempre, não absorve as especificidades de cada deficiência. A especificidade da pessoa com deficiência visual não é a especificidade da auditiva, muito menos da intelectual e muito menos da física", salientou.
 
Segundo Cristina, os recursos têm que ser encaminhados pelas organizações não governamentais (ONGs) de controle social, objetivando sensibilizar o Poder Público. Ela disse ainda que, ao destinar essa verba para outras minorias sociais, como lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transgêneros (LGBTs), negros e mulheres, e mesmo sem especificá-la para deficientes, observando suas especificidades, a saúde continuará sendo deficitária, "que precisa de penduricalhos para atender a pessoa com deficiência".
 
Na condição de militante da causa dos portadores de necessidades especiais, a coordenadora da Abaci concluiu seu comentário, convencendo aos espectadores que é preciso simplesmente cumprir as leis hoje vigentes. "Cumprir leis nada mais do que isso. E para isso, eu acredito que é necessário que o Conselho Estadual de Saúde seja mais eficaz no comprometimento com a causa do segmento, para que isso seja implementado dentro do Conselho e observado em suas especificidades", prometeu Cristina Gonçalves.
 
A conselheira Isadora Maia reconheceu que as Apaes baianas atendem deficientes de qualquer natureza, com predominância nos municípios interioranos. "A Apae aqui em Salvador até dá mais atenção à deficiência intelectual. No interior, não, (pois) atende todas as deficiências, porque é a necessidade dos municípios. E mais do que isso, a necessidade nossa de estar falando na mesma palavra, nada sobre nós sem nós", explicou, ressaltando o esforço mútuo de Fabíola, do Professor Milton e de Eliana com a saúde, em termos de partido.
 
Como vereadora, Fabíola preside comissão da pessoa com deficiência, na qual Milton figura entre os conselheiros
(Foto: Hugo Gonçalves)
 
"Queremos cidadania"
 
Em sua fala, Fabíola elogiou Milton como "um quadro político espetacular" e um defensor não exclusivamente da causa das pessoas com deficiência, mas sobretudo da cidadania. "(Milton) Defende o que é certo, porque nós queremos é cidadania, porque tem algumas especificidades da pessoa com deficiência, mas o que a gente quer é gente séria no poder. Gente que seja uma ponte entre pessoas e as leis, pessoas no poder para fazer o bem", enfatizou.
 
Como vereadora de Salvador, a socialista se posicionou à disposição dessa causa. Ela lembrou que, em função de ser neta de um cego por glaucoma, doença cujo principal sintoma é a cegueira, cursou Medicina com especialização em Oftalmologia. "Meu avô é um artista plástico, pintor de casarios – nossa família é de Santo Antônio, no Pelourinho –, pintor cego num momento onde não havia acesso algum à rede de assistência à saúde, não havia sequer informação sobre algumas doenças naquela época. Conheci o que é a inacessibilidade à saúde".
 
A capital baiana, na avaliação da candidata a deputada estadual pelo PSB, está entre as cidades inacessíveis do país por haver limitações gigantescas a espaços que deveriam possibilitar a acessibilidade de direitos, principalmente para deficientes físicos. Na Comissão Especial de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Câmara Municipal, da qual Fabíola é presidente, a edil já propôs alguns projetos com a assessoria de conselheiros, entre eles o Professor Milton.
 
No âmbito da saúde, o colegiado apresentou cinco projetos de autoria de Fabíola, dois dos quais já são leis no município. A primeira, de número 8.624/2014, também conhecida como Fila Zero, oportuniza o agendamento telefônico prioritário de consultas e exames para portadores de necessidades especiais cadastrados em suas unidades de saúde. "Mas ela vale também para idosos, crianças, mulheres gestantes e pessoas com câncer. Essa lei já está em vigor há duas semanas, (mas) nós precisamos divulgar essa lei", notificou.
 
Já a segunda lei, a de número 8.625/2014, diz que os 25% da marcação de todas as consultas e exames devem priorizar a pessoa com deficiência, como forma de diminuir a vulnerabilidade. Conforme a postulante à Assembleia, é preciso "brigar para a saúde para todos", permitindo acesso, financiamento, remuneração digna para os profissionais, infraestrutura adequada e acessibilização de espaços, com um "olhar diferenciado" para pessoas com todas as modalidades de deficiências, válido não apenas para a saúde.
 
Ao visitarem espaços públicos de Salvador, a exemplo da Estação de Transbordo da Lapa, maior terminal de transporte coletivo da cidade, os membros da comissão, com Fabíola Mansur à frente, observaram que não há nenhum intérprete de língua brasileira de sinais (Libras) nem sinalização adequada, inclusive para os portadores de deficiência física.
 
"O direito de ir e vir não está assegurado para as pessoas com deficiência, e é preciso identificar pessoas que tenham essa causa como causa prioritária. E assim, é que eu defendo o voto para deputado federal no Professor Milton, que, além de ser uma pessoa séria, que representa todas as pessoas, não só a pessoa com deficiência, tem certeza que estará lá, defendendo em Brasília toda essa questão de ampliação da rede, financiamento da rede por nós", persuadiu a vereadora.
 
“Nós temos obrigação de colocar Milton lá (na Câmara dos Deputados). Não é possível que a Bahia não tenha em Brasília um representante da causa da pessoa com deficiência à altura e com a qualificação política de Milton.”
Fabíola Mansur

Causa motiva debates
 
Os interesses que Milton defende servem de motivação para as reuniões de diálogos como a da última terça-feira, na qual compareceram, conforme estimativas de Fabíola, pouco mais de setenta pessoas, "que têm famílias, que têm possibilidade de pedir esse voto", e sobretudo acreditam na chance de colocá-lo na Câmara dos Deputados. A edil crê que a eleição, para a Casa, do único candidato representante das pessoas com deficiência é possível através da coligação proporcional encabeçada pelo PSB, na qual ele tem que ser, pelo menos, o segundo ou o terceiro colocado.
 
Fabíola acrescentou que, se 750 mil pessoas na Bahia possuem algum tipo de deficiência, é necessário divulgar, em vários espaços por todo o estado, e também nos e-mails e nas redes sociais, o número do Professor Milton, 4026. "Toda essa emoção que vocês têm, de anos de obstáculos gigantescos de exercício de cidadania plena, trabalho digno e saúde de qualidade, tem que se transformar em energia de voto na urna. É possível, vocês poderão, nós teremos uma grande surpresa", entusiasmou-se.
 
Em conjunto com a vereadora, de quem é amigo há tempos, o Professor Milton mantém compromissos firmados com os deficientes, inclusive os surdos. Segundo o futuro deputado federal, Fabíola Mansur conseguiu, rapidamente, implementar alguns projetos que favoreçam essa minoria. Paralelamente aos avanços conquistados, avalia o docente, "muitos surdos falam de problemas de saúde, de habilitação, da falta de intérprete, e os médicos não conseguem conversar com os surdos, alguns conseguem, vão no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e não recebem benefícios".
 
Como a questão da saúde implica um problema grave e que exige atenção, os baianos reivindicam mudanças estruturais na Secretaria da Saúde. "(A pasta) Tem verbas que precisam ser destinadas ao interior, aos municípios, porque não têm acessibilidade", explicou o militante surdo, esclarecendo a falta de atendimento para pessoas com deficiência fora da capital. "Hospitais, como o Hospital do Subúrbio, às vezes ficam lotados de pessoas do interior. É complicado o pessoal vir do interior, longe daqui, para Salvador", disse.
 
As propostas de Fabíola, conjugadas com as de Milton, são vocacionadas à "união em rede" de todos os deficientes, proporcionando acesso a informação, educação, saúde, emprego e renda decentes, com a difícil missão de acessibilizar o Brasil e a Bahia. "Essas causas não estão no centro do orçamento, porque não têm quantitativo de representantes à altura. Mas nós podemos ser poucos defendendo isso. Nós somos firmes e batalhadores, com a ajuda de vocês, que são muitos", conclamou.
 
"Os surdos precisam de um representante político na Câmara", afirmou José Tadeu (à esquerda, ao lado de Milton e Fabíola), amigo do postulante a deputado federal desde a infância
(Foto: Hugo Gonçalves)
 
Tadeu e Milton: uma amizade duradoura
 
Licenciado em Letras com habilitação em Libras pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o professor e servidor público da Secretaria da Fazenda da Bahia (Sefaz), José Tadeu Raynal Rocha Filho, mantém uma cumplicidade duradoura e recíproca com o Professor Milton. Como lideranças da comunidade surda no estado, os dois contribuíram na fundação do Centro de Surdos da Bahia (Cesba), há 35 anos, e de outras associações representativas.
 
Em depoimento exclusivo, concedido logo após a roda de diálogos, o docente manifestou apoio à candidatura de seu colega de profissão, filiado ao PSB. "Desde menino que a gente tem contato, trabalhamos juntos, viajamos por vários lugares do Brasil, estimulando os surdos em associações, e somos professores. Aí, os surdos precisam de um representante político, no nosso caso, na Câmara dos Deputados", avaliou Tadeu, que leciona em diversas instituições de ensino superior.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Governo inaugura Viaduto Eduardo Campos

Visando facilitar ligação entre o Imbuí e a Avenida Paralela, equipamento foi entregue pelo governador Jaques Wagner cinco dias após morte do homenageado
 
Com informações da Agência Estado e da assessoria de comunicação da Conder
 
Novo viaduto, devidamente sinalizado, possui 380 metros de extensão e duas faixas no mesmo sentido
(Foto: Divulgação/Conder)
 
Com a pretensão de melhorar o trânsito na Avenida Luiz Viana Filho, a Paralela, mais uma obra foi inaugurada pelo governo do estado na região. Trata-se do Viaduto Governador Eduardo Campos, aberto ao tráfego na manhã desta segunda-feira (18), transcorridos cinco dias da morte do ex-governador de Pernambuco e ex-presidenciável do PSB num acidente aéreo em Santos, no litoral paulista, que também vitimou seis dos membros de sua equipe de campanha que estavam a bordo.
 
Presente à cerimônia de inauguração, o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), teve a incumbência de batizar o segundo viaduto que integra o Complexo Viário Imbuí-Narandiba, que faz o trajeto entre as avenidas Jorge Amado e Paralela, no sentido Aeroporto-Centro, após obter a aprovação dos familiares de Campos. O primeiro viaduto do complexo foi inaugurado em junho e conecta a via mais movimentada de Salvador com a Avenida Edgard Santos, em Narandiba.
 
Wagner e o socialista recém-falecido foram colegas de ministério no primeiro governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em seguida, venceram as eleições para o Poder Executivo em seus respectivos estados em 2006, sendo reeleitos em 2010. De acordo com a Agência Estado, eles eram interlocutores frequentes até o rompimento de Campos e do PSB com a base aliada da presidente Dilma Rousseff (PT) ser consumado, no final do ano passado, para lançar sua candidatura à Presidência da República.
 
Medindo 380 metros de extensão, o Viaduto Governador Eduardo Campos possui duas faixas no mesmo sentido e já está devidamente sinalizado e iluminado. O equipamento, conforme a assessoria de comunicação da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), responsável por sua execução, pode ser utilizado como alternativa para os motoristas que precisavam retornar próximo ao hipermercado Extra, antes de seguir pela Paralela em direção à Estação Rodoviária.
 
Além do viaduto, também foi inaugurada via marginal conectando a Luís Eduardo ao Extra
(Foto: Divulgação/Conder)
 
Nova via marginal

Também foi entregue a via marginal que liga a Avenida Luís Eduardo Magalhães ao Imbuí, que segue até o Extra, com três vias e sinalização adequada. Para Wagner, as intervenções devem aprimorar significativamente a qualidade de vida de quem trafega no local diariamente. "Essas obras fazem parte do plano do governo para a mobilidade na cidade, uma necessidade do cidadão baiano, que trafega todos os dias por uma avenida de grande importância, como é a Paralela", declarou.
 
Participaram da inauguração dos novos equipamentos viários, além do governador, o secretário do Desenvolvimento Urbano, engenheiro Manuel Ribeiro Filho, o presidente da Conder, Ubiratan Cardoso, técnicos da Diretoria de Obras Estruturantes e Mobilidade Urbana da companhia e operários que desde 2013 colaboraram na execução dos serviços.
 
O Complexo Viário Imbuí-Narandiba está sendo executado sob responsabilidade da Conder e já recebeu R$ 95 milhões em investimentos dos governos estadual e federal. A ação, que objetiva facilitar a mobilidade urbana na região, inclui a construção de três viadutos, sendo dois no Imbuí e um em Narandiba, além das vias marginais que realizam a conexão entre o Centro Administrativo da Bahia (Cab), a Avenida Luís Eduardo Magalhães e o Imbuí, ambas abertas ao trânsito de veículos.
 
Além disso, estão inseridos no complexo viário, cujas obras se encontram em estágio de conclusão, a pista que dará acesso ao bairro do Stiep, nas imediações do Centro de Convenções da Bahia, e um terceiro viaduto, que efetuará a ligação no sentido contrário, para os condutores que saem da Paralela em direção ao Imbuí. De acordo com a assessoria de imprensa da Conder, a entrega da etapa final dos serviços está prevista para o mês de setembro.

domingo, 17 de agosto de 2014

Leonel Mattos revisita trajetória em mostra

Artista plástico baiano expõe seus trabalhos mais importantes de seus 43 anos de profissão no hall de A Tarde, até o início de outubro
 
Com informações do jornal A Tarde
 
Para Leonel, faltam espaços adequados para abrigar exposições em Salvador
(Foto: Mila Cordeiro/Agência A Tarde)
 
Tendo como característica o viés provocador e questionador da arte contemporânea, o artista plástico baiano Leonel Mattos expõe seus trabalhos mais relevantes em seus 43 anos de carreira. A mostra, intitulada Revisitando Leonel Mattos, pode ser conferida até o dia 4 de outubro, no hall do edifício-sede do jornal A Tarde, no bairro do Caminho das Árvores.

Entre as obras encontradas na exposição, que integra o projeto Arte por Toda a Parte, está Metamorfose, um garrafão de vidro de 40 anos cheio de milho e pipoca, que reflete a passagem do tempo e a transformação, porém mantendo o mesmo formato do garrafão. Outros quadros induzem o visitante a acompanhar a trajetória de Leonel, como pinturas minimalistas e em preto e branco, além de autorretratos.
 
Originária de uma intervenção concebida pelo artista, Piscinão da Bienal, um de seus trabalhos mais recentes, representa uma crítica à Bienal da Bahia, que retornou ao calendário brasileiro das artes plásticas após um longo jejum de 46 anos (o evento está em sua terceira edição, a ser terminada em 7 de setembro) e às miscelâneas de obras e artistas em espaços inadequados.
 
De acordo com Leonel Mattos, Salvador carece de espaços adequados para instalar exposições de arte contemporânea. “Os museus que nós temos aqui são casarões antigos, que suportam até a arte moderna somente”, ressaltou, em entrevista ao A Tarde, ao questionar o papel das artes plásticas, bem como o de seus ambientes e suportes.
 
“Precisamos na Bahia de mais espaços que abriguem a arte contemporânea. Espaços que respeitem as particularidades de cada trabalho, de cada artista”, recomendou.
 
Expansão para outros espaços
 
As obras de Leonel ultrapassam as fronteiras das galerias, que, segundo ele, não estão abertas a todos, costumando ser algo mercadológicas. Portanto, o baiano de Coaraci, na região sul, busca expandir as possibilidades de apreciação artística em outros espaços, como o hall de A Tarde. “A pessoa vem trabalhar, passa pelo local e se depara com uma obra de arte e aquilo a provoca e a faz refletir”, argumentou.
 
Além de uma galeria, que funciona atualmente no 2º piso do Salvador Shopping, no Caminho das Árvores, Leonel mantém seu ateliê em Santo Antônio Além do Carmo, no Centro Histórico da capital, onde foi criado o Circuito Cultural do Carmo e Santo Antônio, com artistas locais cujos espaços estão abertos ao público. No ateliê, são oferecidas oficinas gratuitas de pintura todos os sábados e domingos.
 
O artista plástico ainda comentou o propósito da diversidade de público que prestigia o seu trabalho. “Nós, no Brasil, não temos um histórico de formação para apreciação de obra de arte e, através de intervenções, de abrir ateliê ou mesmo um espaço dentro de um shopping, minha intenção é formar público, ampliar possibilidades e deixar a arte onde o povo está”, disse.
 
Serviço
 
Exposição: Revisitando Leonel Mattos
 
Período: Até 4 de outubro (sábado)
 
Horários: Segunda a sexta-feira, das 9 às 12 h e das 14 às 18 h
 
Local: Hall do edifício-sede do jornal A Tarde
 
Endereço: Rua Professor Milton Cayres de Brito, 204, Caminho das Árvores
 
Entrada franca

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Morte de Eduardo Campos repercute na Bahia

Presidenciável do PSB morreu nesta quarta-feira num acidente aéreo em Santos, litoral paulista, que também matou parte de sua equipe de campanha. Candidata do partido ao governo baiano, Lídice se sensibilizou com tragédia em coletiva
 
Campos (segurando o celular, em caminhada em Salvador na semana passada) faleceu prematuramente aos 49 anos, completados no último domingo, Dia dos Pais
(Foto: Henrique Mendes/G1 Bahia – 07/08/2014)

O Brasil ficou chocado com o desastre aéreo inesperado que vitimou o candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, juntamente com seis dos integrantes de sua equipe que estavam a bordo com ele, na manhã desta quarta-feira (13) em Santos, no litoral de São Paulo. A repercussão da tragédia também chegou à Bahia, onde a postulante do partido ao governo estadual, senadora Lídice da Mata, prestou condolências pelo falecimento prematuro do amigo e correligionário.
 
Durante a queda da aeronave particular em que Campos seguiria viagem com destino ao Guarujá, cidade vizinha a Santos, também vieram a óbito os fotógrafos Alexandre Severo e Silva, 36 anos, e Marcelo de Oliveira Lyra, 37, o assessor de imprensa Carlos Augusto Leal Filho, 36, o Percol, os pilotos Geraldo Magela Barbosa da Cunha, 45, e Marcos Martins, 42, e o advogado e ex-deputado federal Pedro Valadares Neto, 48, o Pedrinho Valadares, filiado ao Partido Verde (PV) de Sergipe.

Em coletiva concedida no seu comitê de campanha na Pituba, em Salvador, Lídice, sensibilizada, iniciou seu curto depoimento manifestando solidariedade à família do presidenciável, incluindo sua mãe, a ministra do Tribunal de Contas da União (TCU), Ana Arraes, sua esposa Renata e seus cinco filhos. “Nós todos estamos bastante emocionados, Eduardo esteve conosco (no Pelourinho) há seis dias (no último dia 7), animado com a campanha, e mostrando, portanto, alegria em seu convívio”, recordou.

A candidata afirmou ainda que o ex-governador de Pernambuco, que além de jovem – completou 49 anos no domingo passado (10), Dia dos Pais – era uma pessoa muito alegre, simpática, com pleno vigor e disposição. Portanto, para ela, Campos gostava de fazer piadas e brincar com o jeito nordestino que o caracterizava. Além disso, era muito simples e direto nas suas relações familiar e política e preocupado com as questões centrais da agenda do país.

Luto e consternação

Na nota oficial assinada pela comissão executiva estadual do PSB, a legenda, por declarar-se absolutamente perplexa e consternada com a morte do seu presidente nacional, está de luto, cancelando toda e qualquer atividade política. Segundo o comunicado, os socialistas baianos viam em Campos “não só um líder de grande sabedoria, apesar de sua juventude, mas um amigo querido que somente nos últimos meses esteve seis vezes em nosso estado”.

Com a perda trágica do “nosso líder, nosso presidente”, conforme definiu a nota do partido, ele deixou para a posteridade “um legado de coragem, lucidez e competência” para cada um de seus correligionários e também para todo o povo brasileiro. “Sua mensagem de esperança e fé no Brasil será a chama que iluminará para sempre os nossos passos”, completou o documento, lido por Lídice.
 
Eliana Calmon e Lídice (a segunda e a terceira, respectivamente, da esquerda para a direita) prestaram solidariedade aos familiares do candidato morto
(Foto: Márcia Araújo)
 
Campos articulou entrada de Eliana

Também presente à coletiva, a candidata do PSB ao Senado, Eliana Calmon, considerou Eduardo Campos um grande articulador do ingresso da ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na política partidária, ao lado de Marina Silva, companheira da chapa encabeçada pelo pernambucano, falecido obviamente no mesmo dia em que a morte do seu avô, o também socialista e ex-governador Miguel Arraes (1916-2005), completou nove anos. Arraes era vítima de infecção generalizada.
 
“A minha exigência (foi) que eles (Campos e Marina) chegariam para a Bahia – eu queria ir para a Bahia, e não sairia para outro estado ou para o Distrito Federal –, e eles me disseram que estariam de portas abertas na Bahia, quando a minha companheira, a senadora Lídice da Mata, me ligou, dizendo que a Bahia estaria de portas abertas para me receber para qualquer um dos cargos que eu pudesse me candidatar. Dessa forma, foi que eu cheguei à Bahia pelas mãos de Eduardo, que foi meu incentivador”, disse.
 
Graças ao presidenciável socialista, agora falecido, Eliana aprendeu, entre os meses da pré-campanha e, agora, da campanha eleitoral, a ensinar e a mostrar uma nova política no país, idealizada e já praticada por Marina Silva, e que Campos deu continuidade. “Dessa maneira, eu acho que o Brasil perde um grande estadista, perde um grande homem e, sobretudo, a oportunidade de ter um jovem unido, alegre e inteligente, sendo um dirigente maior do Brasil”, sintetizou a futura senadora.

domingo, 10 de agosto de 2014

Surdos dialogam com o Professor Milton em Feira

Candidato socialista a deputado federal discutiu seus projetos em roda de conversas com representantes da comunidade surda local
 
Segundo Milton (à direita), o surdo pode se empoderar da sua identidade e ser representado em cargos públicos
(Foto: Hugo Gonçalves)

Mais de cinquenta surdos de Feira de Santana compareceram a uma roda de conversas com o professor universitário e candidato a deputado federal pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), Milton Bezerra Filho, um dos expoentes do segmento da pessoa com deficiência na Bahia, nesta sexta-feira (8), na Associação de Surdos da cidade.
 
Durante o encontro, considerado satisfatório e proveitoso, o Professor Milton apresentou para os membros da associação seus projetos de campanha e um rápido percurso biográfico do docente, compreendido desde o nascimento até sua vida atual, reiterando que o surdo pode ter o empoderamento da sua identidade e também ser representado nos cargos públicos.
 
A reunião de diálogos com a comunidade surda de Feira propiciou um ambiente colaborativo, onde seus membros puderam debater o futuro, manifestando suas necessidades, seus ideais e suas pretensões, como a possibilidade de estudar e trabalhar. Se for eleito, Milton poderá contribuir com projetos e leis que ajudem os surdos a melhorar a qualidade da educação, assegurar oportunidades de trabalho e tornar a cultura acessível.
 
Graças à discussão desses aspectos, inclusive dos problemas que as pessoas com deficiência enfrentam na sociedade contemporânea, os surdos feirenses declararam adesão total às proposições do socialista, concedendo depoimentos e compartilhando mensagens de apoio ao candidato no Facebook.
 
Quanto às propostas abordadas, ele mencionou a implantação do passe livre único no transporte coletivo, da escola e da creche bilíngues, da central de intérpretes de língua brasileira de sinais (Libras) em todas as cidades do país e de políticas de acessibilidade em espaços culturais, além da criação da Comissão Nacional de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
 
Milton ainda acrescentou que foi um dos fundadores do Centro de Surdos da Bahia (Cesba) – do qual foi presidente, eleito por unanimidade para o quadriênio 1992-1995 –, e também do Centro de Estudos Culturais Linguísticos Surdos (Ceclis). Segundo o candidato, o Ceclis, presidido por ele, objetiva fomentar a cultura e a arte para a comunidade surda.
 
Ele explicou por que escolheu o número 4026 para se candidatar a deputado federal – não obteve êxito nas eleições para vereador em Salvador, em 2008 e 2012. “O meu número é 40, porque é o 40 da legenda do PSB. E 26 é porque o Dia Nacional do Surdo (comemorado em 26 de setembro)”, disse, enfatizando que “nós somos surdos, então nosso número tem que ser 26”.

O professor Marcílio (à esquerda, ao lado de Carlos Alberto) disse que a comunidade surda é capaz de se promover na sociedade
(Foto: Hugo Gonçalves)
 
Representatividade
 
O professor Marcílio de Carvalho Vasconcelos está temporariamente afastado da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), onde ministra a disciplina de Libras no currículo de diversos cursos, incluindo todas as licenciaturas, entre as quais Matemática, História, Geografia, Letras, Pedagogia e Biologia.
 
Cursando mestrado na Universidade Federal da Bahia (Ufba), Marcílio disse que a sua participação nos diálogos com Milton traduz a importância de persuadir a comunidade surda que existe um representante. “Nós, surdos, podemos avançar, promover o surdo na sociedade. Para isso, precisa de uma grande divulgação para que o surdo vote no Professor Milton”, sugeriu.
 
De acordo com o docente, ele declarou seu apoio ao socialista justificando que sempre há uma dominação do mundo ouvinte sobre o indivíduo surdo. Como consequência dessa subordinação evidente, faltam representantes desse segmento para defendê-lo nos espaços de poder, com destaque para as casas legislativas.
 
“Então, o que muitas pessoas pensam que o surdo não é capaz, mas que a nossa comunicação é impedida porque muitas pessoas não sabem Libras, e que Milton, como um representante e um líder, mostra isso para a sociedade. Ele mostra que o surdo é capaz de estar em cargos também na política”, finalizou Marcílio.
 
Surdo bilíngue, comunicando-se simultaneamente por meio da Libras e da oralização, Carlos Alberto de Oliveira trabalhou por doze anos na Empresa Baiana de Águas e Saneamento S. A. (Embasa), onde era técnico administrativo. Atualmente está à procura de um novo emprego. A princípio, a surdez de Carlos era unilateral, mas ele acabou perdendo integralmente sua audição.
 
O funcionário público afastado contou que o presidente da Associação de Surdos de Feira de Santana convocou seus membros para apoiar o Professor Milton a fim de tirá-los da invisibilidade, explicando que há candidatos surdos e representatividade política.
 
Portanto, valendo-se dessa afirmação, Carlos está muito feliz em saber que existe uma pessoa com deficiência auditiva representando seu segmento na esfera política. “Até hoje, não há surdos na Bahia que representam os surdos dentro dos poderes políticos, de decisão, de locais com poder decisório, que precisa”, notificou.

Comunidade surda feirense aderiu totalmente às propostas do Professor Milton, um dos expoentes da pessoa com deficiência no estado
(Foto: Hugo Gonçalves)

sábado, 9 de agosto de 2014

Olívia Santana recebe Medalha Zumbi dos Palmares

Em cerimônia na Câmara Municipal de Salvador, ex-vereadora será condecorada com a honraria que ela mesma idealizou pelo reconhecimento ao seu trabalho prestado à sociedade

Olívia é autora da resolução que criou medalha, concedida a personalidades reconhecidas no combate ao racismo, à discriminação e à intolerância
(Foto: Divulgação)

A ex-vereadora Olívia Santana, do Partido Comunista do Brasil (PC do B), será agraciada pela Câmara Municipal de Salvador com a Medalha Zumbi dos Palmares pelo mérito aos serviços prestados à sociedade soteropolitana durante os seus mandatos parlamentares. A cerimônia de entrega da condecoração acontece na próxima quarta-feira (13), às 19 h, no Plenário Cosme de Farias da Câmara, na Praça Thomé de Souza.

Por iniciativa do vereador Moisés Rocha (PT), Olívia receberá a medalha pelo reconhecimento ao seu trabalho político no combate ao racismo, na promoção da igualdade racial e na batalha para proporcionar aos negros, aos índios, às mulheres, aos homossexuais e a outras minorias sociais o exercício e o usufruto de direitos fundamentais, em condições igualitárias.

Criada pela Resolução nº 1.557/2005, de autoria da própria ex-vereadora, a Medalha Zumbi dos Palmares é concedida a personalidades notórias pela luta contra os problemas que os afrodescendentes e as demais minorias enfrentam – o racismo, a discriminação e a intolerância racial e religiosa. Entre os já contemplados com a honraria estão a educadora Ana Célia Silva, o cantor e compositor Gilberto Gil e o ator e diretor Lázaro Ramos.

Integrante do movimento negro é prestigiada por sua ousadia em favor da liberdade e da igualdade
(Foto: Roberto Viana/Bocão News – 31/01/2013)

Modelo de bravura

Olívia Santana, uma das mais prestigiadas figuras do movimento negro na Bahia no Brasil por sua bravura e ousadia em favor da liberdade e da igualdade, nasceu em Salvador há 47 anos. Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), onde militou no movimento estudantil, Olívia é membro-fundadora da União dos Negros pela Igualdade (Unegro), entidade da qual foi presidente.

Na Câmara Municipal, onde foi vereadora por três legislaturas, entre 2003 e 2012, a comunista propôs o projeto convertido na Lei Municipal nº 6.464/2004, que instituiu o Dia Municipal de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 21 de janeiro. Ainda na Casa, além de idealizadora da medalha que ela mesma irá receber, presidiu a Comissão de Educação, Cultura, Esporte e Lazer e foi ouvidora-geral, no biênio 2011-2012.

Também foi secretária municipal de Educação e Cultura na primeira administração do ex-prefeito João Henrique, entre 2005 e 2006, e chefe de gabinete da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) do governo da Bahia, entre 2013 e o início deste ano. Atualmente, Olívia é presidente do diretório soteropolitano do PC do B e concorre, pela legenda, a uma vaga na Assembleia Legislativa estadual.