terça-feira, 29 de novembro de 2011

Luan Santana e Paula Fernandes são confirmados para 2012

Revelações da música sertaneja tocarão no palco principal do próximo Festival de Verão, em fins de janeiro

Com informações dos portais Correio* 24 Horas e G1

Apresentações dos dois astros sertanejos do momento foram definidas hoje pela organização do festival
(Fotos: Divulgação)

Depois das cantoras Ivete Sangalo e Vanessa da Mata e dos grupos Aviões do Forró, Sorriso Maroto, Eva, Capital Inicial, Chiclete com Banana e Harmonia do Samba, mais duas atrações foram confirmadas nesta terça-feira (29) para o Festival de Verão 2012. Os cantores Luan Santana e Paula Fernandes, dois dos mais prestigiados expoentes da música sertaneja brasileira na atualidade, subirão ao palco principal do evento, que será realizado entre os dias 25 e 28 de janeiro, no Parque de Exposições.

Luan Santana aportará ao festival pela segunda vez com toda a adrenalina suficiente para organizar o espetáculo que seus fãs tanto esperam, após ele passar mal na última edição, em fevereiro deste ano, não chegando a concluir sua apresentação. Naquela oportunidade, já tendo recebido alta, ele prometeu que voltaria ao palco, fazendo um novo show.

Considerado o artista mais popular de 2010, com mais de 400 mil cópias vendidas do CD e DVD Luan Santana ao vivo (2009), o sul-mato-grossense de 20 anos lançou, no início deste ano, seu segundo álbum, Luan Santana ao vivo no Rio, cujo repertório inclui releituras dos sucessos Meteoro, Sinais e Você não sabe o que é o amor e números inéditos, como Amar não é pecado, As lembranças vão na mala e Química do amor, com participação especial de Ivete.

Estreia

Prosseguindo a turnê de divulgação do seu mais recente álbum Paula Fernandes ao vivo, a mineira Paula Fernandes estreará no palco principal do Festival de Verão. Em sua primeira apresentação no festival, ela tocou na Concha Acústica Faculdade Maurício de Nassau. No maior palco do evento, Paula cantará os sucessos Pássaro de fogo, Meu eu em você, Jeito de mato, Pra você, Tocando em frente, Não precisa, dentre outros.

A jovem cantora, compositora e violonista superou 1 milhão de cópias do CD e do DVD em seis meses, assumindo a liderança de vendas e estando à frente de outros artistas, como Ivete Sangalo e Luan Santana. Ganhou vários prêmios, como o Multishow de Música Brasileira, na categoria Melhor Cantora, e foi indicada neste ano ao Grammy Latino por Melhor Álbum de Música Sertaneja e Melhor Artista Revelação, porém não faturou a estatueta.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Auxílio paterno

Para meu pai Celino

Protetor da nossa família
Sem o senhor não há orgulho
Guardião do nosso doce lar
Sem o senhor não há abrigo

Defensor das nossas virtudes
Sem o senhor não há concórdia
Querido pai, fiel, leal e honesto
Mantenedor de lutas e glórias

Vencedor, soberano e misericordioso
Cuidando dos seus filhos eternamente
Pai, parabéns por seu dia especialíssimo!

Mesa debate direito público à comunicação

Iniciativa do evento gratuito, que acontecerá nesta quinta-feira, na Facom/Ufba, é de um grupo de estudos

Com informações de A Tarde Online


O auditório da Faculdade de Comunicação (Facom) da Universidade Federal da Bahia (Ufba), no Campus de Ondina, se transformará, nesta quinta-feira (24), às 16:30, em centro das discussões participativas sobre o direito dos cidadãos à comunicação em geral, através de uma mesa intitulada “Radiodifusão Comunitária, Sistema Público de Radiodifusão e Direito à Comunicação”.

Promovido pelo Grupo de Estudos de Comunicação, Política e Redes Digitais (CP-redes), da Facom, com o apoio do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporânea (Poscom) da Ufba e da Editora da Universidade Federal da Bahia (Edufba), o evento é aberto a estudantes de graduação e de pós-graduação, docentes, pesquisadores das áreas de Comunicação e Ciência Política e outros interessados, como jornalistas, educadores, sociólogos, militantes e ativistas.

Integrarão a mesa de debate o coordenador-geral de Radiodifusão Comunitária do Ministério das Comunicações, Octávio Penna Pieranti; o presidente da Associação das Rádios Públicas do Brasil (Arpub) e coordenador da Rádio Educadora FM, Mário Sartorello; o presidente da Associação de Rádios Alternativas e Comunitárias da Bahia (Arcoba), Manoel Ávila; e o associado do Coletivo Brasil de Comunicação Social (Intervozes) e jornalista do Observatório do Direito à Comunicação, Pedro Caribé.

A mesa “Radiodifusão Comunitária, Sistema Público de Radiodifusão e Direito à Comunicação” é gratuita, servindo de atividade prévia e complementar ao seminário Democracia Digital e Políticas de Comunicação, que será realizado pelo CP-redes nos dias 1º e 2 de dezembro, também no auditório da Facom.

Serviço

Evento: Mesa de debate "Radiodifusão Comunitária, Sistema Público de Radiodifusão e Direito à Comunicação"

Debatedores: Octávio Penna Pieranti, Mário Sartorello, Manoel Ávila e Pedro Caribé

Data e horário: 24/11 (quinta-feira), às 16:30

Local: Auditório da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/Ufba) - Rua Barão de Geremoabo, s/n, Ondina

Entrada: Gratuita

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O jornalismo literário explorado por Caco Barcellos em "Rota 66"

Danilo Oliveira, Hugo Gonçalves, Sara Cohim, Suiá Silva, Thais Gouveia e Vinícius Gorender
Estudantes de Jornalismo do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge)

Artigo acadêmico orientado pela professora Nadja Vladi, docente da disciplina Jornalismo, Literatura e Gêneros Opinativos

Capa da edição da obra, quando do seu relançamento, em 2003 (à esquerda) e seu autor, Caco Barcellos (à direita)
(Fotos: Divulgação)


Resumo

Complemento escrito do seminário apresentado por nossa equipe durante o 6º Semestre de Jornalismo do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), este artigo tem como propósitos fundamentais analisar o livro Rota 66, de autoria de Caco Barcellos, referência brasileira em jornalismo investigativo, e dissecá-lo em suas três partes constituintes, bem como relacioná-lo aos princípios do jornalismo literário.

Palavras-chave: Rota 66, Caco Barcellos, jornalismo literário, jornalismo investigativo.

1. Introdução

O livro-reportagem Rota 66 - A história da polícia que mata, do jornalista gaúcho Caco Barcellos, publicado em 1992 e republicado em 2003, relata não somente a morte de um grupo de jovens de classe média alta por policiais militares na cidade de São Paulo, mas também alguns casos emblemáticos que aconteceram antes e após esse caso.

Atrelado a ele, o jornalista faz uma investigação e revela as ações de violência da polícia que mata para depois perguntar. Isso é visível nos números apresentados por ele, principalmente em casos que envolvem jovens inocentes, geralmente pobres, de etnia negra e parda, e sem envolvimento com o crime.

No livro de 352 páginas, resultado de sete anos de rigorosa pesquisa investigativa, o autor tenta mostrar sempre o lado da vítima, mas com o foco nas ações dos policiais. Através de cada caso, ele mostra como é feita a atividade do jornalismo investigativo, desde o planejamento para obter as informações, os cuidados com a fonte, a necessidade de se montar uma equipe de confiança, aos obstáculos encontrados, por exemplo, o perigo de morte.

E, na sua estrutura, a obra, contemplada com o Prêmio Jabuti de 1993 na categoria Reportagem, fragmenta-se em três partes distintas, a saber: Rota 66, Os matadores e Os inocentes.

2. Resumo da obra

2.1. Primeira parte – Rota 66

Dividida em nove capítulos, narra o célebre episódio que batizou o livro analisado neste artigo. Trata-se do assassinato de três jovens pelos policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), unidade de elite da Polícia Militar de São Paulo, ocorrido na madrugada do dia 23 de abril de 1975, no Jardim América, bairro com predominância da classe alta.

Ocorrida na esquina da Rua Argentina com a Rua Alasca, a tragédia tinha como vítimas Francisco Noronha, de 17 anos; Augusto Junqueira, de 19; e o espanhol Carlos Ignacio Rodríguez de Medeiros, o Pancho, de 21. A equipe da Rota, que estava a bordo da viatura, uma Veraneio cinza, de número 66 – daí o nome do caso, Rota 66 –, os matou pela simples suspeita de terem roubado um Fusca azul, conduzido por Noronha, no qual os rapazes estavam.

Uma frase que revela a ação indevida dos policiais, pronunciada pelo delegado do bairro do Jardim América, é “Grasnavam como patos, voavam como patos. Fomos ver, eram perus” (Idem, p. 78).

Devido ao fato de estarem mortos pela Rota, os jovens acabaram sendo imobilizados, a exemplo de Pancho. Barcellos (2010) descreveu, com precisão de detalhes, as circunstâncias de sua morte:

“Um tiro atravessa o braço direito erguido para proteção do rosto. Outro tiro fratura a perna esquerda. (...) Um tiro penetra na sola do pé. O corpo ainda se mexe. Pontaria na nuca, em seguida mais um disparo fatal. Pancho, o forte, não se movimenta mais”. (pp. 63 e 64.)
 
Nesta parte ele mostra que os policiais foram ao tribunal, mas julgados inocentes. É perceptível como não apenas os militares envolvidos eram atraídos pela tal prática, como são apoiados pelos superiores. Diante dessas atitudes de crueldade o autor relaciona vários outros casos de morte com os mesmos policiais.

2.2. Segunda parte – Os matadores

É dividida em sete capítulos, onde o autor apresenta vários casos de morte de inocentes – cidadãos comuns que nunca praticaram nenhum crime – em que a polícia, primeiro, mata para depois averiguar os supostos criminosos. Uma das práticas para os militares saírem ilesos é após o falso confronto com os bandidos levarem as vítimas ao hospital. Mas as vítimas não tinham direito a defesa, eram pegos e sujeitados às ações de crueldade.

Dentre os casos compilados por Caco Barcellos nesta parte estava o de José Mendes de Oliveira, que adotou o nome artístico Roberto Mendes por imitar o cantor e compositor Roberto Carlos na época da Jovem Guarda. Ele era o maior fã do Rei na comunidade da Vila dos Remédios, em Osasco, na Grande São Paulo.

José Mendes foi assassinado pelo soldado Rony Jorge da Silveira Paulo, motorista da Rota 17, após iniciar a perseguição a um carro roubado, ocupado por três homens, meses antes do caso Rota 66.

“(...) Mendes foi correndo pela escuridão da ruazinha de chão batido e de repente foi iluminado pelos faróis da Veraneio cinza, que veio de uma transversal e surgiu em alta velocidade à sua frente. A fuga de Mendes acabou ali com uma rajada de metralhadora.” (Idem, 2010, p. 175.)
 
2.3. Terceira parte – Os inocentes

Também dividida em sete capítulos, mais casos de assassinatos são expostos, dentre eles o do Pixote, que foi morto sem nenhum tipo de defesa debaixo da cama e encolhido. Nesta parte, o autor mostra como os PMs fazem para incriminar os falsos bandidos. Apresentam provas inexistentes, como colocar drogas e armas no local do crime.

O autor também relata como consegue coletar os dados, pois ele mesmo criou um banco de dados e fez visitas periódicas ao necrotério estudando documentos e confrontando as explicações dos policiais e o próprio laudo médico.

Menino pobre, filho de migrantes paranaenses, Fernando Ramos da Silva, o Pixote, conforme descreveu Barcellos (2010, p. 289) quanto à sua fisionomia e aparência, era “um jovem branco, magro, (com) cabelos crespos, bigode e barba rala.” Foi assassinado seis meses após o linchamento de um de seus irmãos, Paulo, no dia 25 de agosto de 1987, aos 19 anos, em “uma rua de chão batido, esburacada, mal iluminada, quase deserta”. (Idem, 2010, p. 297.)

Caco testemunhou esse episódio quando ele o cobriu para o Jornal Nacional, noticiário noturno da TV Globo, no mesmo dia do ocorrido. Na reportagem, foram filmadas imagens dos ferimentos no peito da vítima, fundamentais para lançar hipóteses sobre a versão oficial do seu tiroteio.

Por fim, o jornalista consegue, juntamente com os companheiros de equipe, em novembro de 1986, filmar, para o JN, ações de policiais em requintes de crueldade com pessoas sem nenhuma prova possível de crime. Diante disso, ele denuncia a ação dos policiais que logo são afastados do serviço, dessa forma sem a possibilidade de matar mais um.
“Logo depois da entrevista percebemos que os dois rapazes continuavam sendo agredidos por um grupo de PMs, junto à entrada da carceragem da delegacia. Discretamente, Renato Rodrigues coloca a câmera embaixo de seu braço esquerdo. (...) Vinte e quatro horas depois da denúncia, por ordem do comandante-geral da Polícia Militar, três dos PMs acusados foram expulsos da corporação. (...)” (Idem, pp. 349-350.)

3. Relação da obra com o jornalismo literário

Felipe Pena (s/d) observa o jornalismo literário como uma “estrela de sete pontas”. Para escrever Rota 66, Caco Barcellos se valeu das sete características, que anos mais tarde seriam descritas e enumeradas por Pena:
“(...) potencializar os recursos do jornalismo, ultrapassar os limites dos acontecimentos cotidianos, proporcionar visões amplas da realidade, exercer plenamente a cidadania, romper com as correntes burocráticas do lide, evitar os definidores primários e, principalmente, garantir perenidade e profundidade aos relatos.” (pp. 6-7.)

Primeira “ponta” da “estrela”, potencializar os recursos do jornalismo significa que o autor aplicou as técnicas do jornalismo diário ao literário. Ao ultrapassar os limites dos fatos cotidianos, segunda característica, ele rompeu com a periodicidade e a atualidade, duas características básicas do jornalismo contemporâneo.

Caco ainda proporcionou visões amplas da realidade, contextualizando a informação da forma mais abrangente possível. Em Rota 66, ele detalhou as informações, relacionou-as com outros fatos, comparou-as com diferentes abordagens e localizou-as em um espaço temporal de longa duração. O autor também exercitou a cidadania, ao pensar como o enfoque do tema pode contribuir para a formação do cidadão. Segundo Pena (p. 8), romper com as correntes do lide, estratégia que confere objetividade à imprensa, adquire-lhe subjetividade, aplicando técnicas literárias de construção narrativa.

Um exemplo de subjetividade na obra encontra-se no capítulo 2, Doutor Barriga, onde Barcellos é sujeito e, por isso, conta um episódio de sua infância que envolve a polícia. Ainda menino, no bairro pobre onde morava na periferia de Porto Alegre, onde nasceu, testemunhou a "prisão" e o "espancamento" de muitos amigos e vizinhos, "injustiças da polícia que se repetiriam muitas vezes" (Idem, p. 31). "Injustiças" que a partir de 1970 deixaram de ser praticadas pelos policiais civis e passaram a ser cometidas pelos militares. Mas nessa época, "depois de 73, eu já não sofria como antes. Tornei-me testemunha dos sofrimentos dos outros. Já era repórter" (Idem, p. 31).

Sexta peculiaridade do jornalismo literário, o autor evitou os definidores primários, que são as fontes oficiais (autoridades), portanto entrevistou as fontes anônimas: os cidadãos comuns, como as famílias dos jovens mortos pela polícia. Em relação à sétima e última “ponta”, a perenidade e a profundidade dos relatos, assim como todas as obras embasadas nos preceitos do jornalismo literário, Rota 66 apresenta fatos que não são superficiais nem efêmeros, ou seja, permanecem por gerações, embora eles acontecessem em contextos históricos díspares.

4. Considerações finais

Observamos que, no livro Rota 66, foram compilados vários casos de assassinatos de indivíduos tanto de classe média alta quanto pobres inocentes, ao serem confundidos com criminosos, praticados pela polícia, em especial a Rota.

Quando Caco Barcellos elaborou a obra, ele resolveu, como suporte, criar um Banco de Dados Não Oficiais acerca dos indivíduos mortos durante o patrulhamento da cidade. Ele se valeu de fontes diversas, como observações e entrevistas feitas no pátio do Instituto Médico Legal (IML) e o arquivo do extinto jornal Notícias Populares, cujo conteúdo publicava grande quantidade de fatos policiais.

Em cada episódio, o livro retrata como é realizada a atividade do jornalismo investigativo, e o autor conseguiu identificar 4.200 assassinatos, contabilizados no Banco de Dados.

Referências

BARCELLOS, Caco. Rota 66: a história da polícia que mata, 11ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2010.

PENA, Felipe. O jornalismo literário como gênero e conceito. Niterói (RJ): Universidade Federal Fluminense (UFF), s/d.

Copa de investimentos

Vinda do Mundial de 2014 à Bahia contribuirá para o desenvolvimento econômico de Salvador e de municípios localizados no seu entorno

Construção da Arena Fonte Nova trará impactos na economia, em particular na geração de emprego e renda e na integração urbana
(Fotomontagem: Divulgação)

Não somente de futebol, considerado uma das paixões nacionais, viverá a próxima Copa do Mundo, a ser disputada no Brasil em 2014, após 64 anos sem o país receber nenhum evento esportivo internacional dessa magnitude. Além disso, a competição refletirá de maneira substantiva no potencial da economia, do turismo e da infraestrutura das suas doze cidades-sede, incluindo Salvador, que a acolherá pela primeira vez.

Incumbida da coordenação dos planos para a realização do Mundial na Bahia, a Secretaria Estadual para Assuntos da Copa do Mundo da Fifa Brasil 2014 (Secopa) também está supervisionando os negócios e os investimentos locais que irão resultar da inédita vinda do torneio ao estado, aliados à arrecadação tributária e ao progresso econômico. O titular da Secopa, Ney Campello, analisa os valores que serão gastos em Salvador com vistas à Copa.

“Para preparar a Copa, você precisa preparar a infraestrutura da cidade. Ela existirá investimentos em mobilidade urbana, hoje previstos na ordem de R$ 2,1 bilhões; no Aeroporto (Internacional Deputado Luís Eduardo Magalhães), hoje com previsão de mais de R$ 100 milhões; no Porto de Salvador são mais de R$ 36 milhões; e a própria Arena (Fonte Nova), que representa um investimento da ordem de R$ 597,1 milhões”, explica Campello.

Ney Campello, da Secopa, declara que os projetos prioritários vão ajudar a dinamizar o crescimento do estado
(Foto: Divulgação)

Conforme observa o secretário, o comitê gestor, organismo responsável por subsidiar e implantar ações e projetos na instância estadual e cooperar na articulação entre os agentes públicos e privados na organização do campeonato, aprovou recentemente os projetos prioritários, que custarão o montante de R$ 4 bilhões, somados com investimentos em obras. “É uma injeção de recursos que vai ajudar a dinamizar a economia baiana e da capital do ponto de vista da geração de trabalho, emprego e renda, do fortalecimento da cadeia produtiva e dos negócios da Copa”, pondera.

Diversas organizações fornecedoras de produtos e/ou de serviços poderão ser desenvolvidas e implementadas por empreendedores, inclusive individuais, durante o Mundial de 2014. Ney Campello menciona, dentro desse agrupamento, os vendedores ambulantes e os pequenos empresários, como exemplos de ações lucrativas vinculadas diretamente com a circunstância do evento.

Mais impactos

O secretário da Secopa afirma que a construção da Arena Fonte Nova, com conclusão prevista para dezembro de 2012, trará impactos positivos à economia de Salvador, principalmente na geração de emprego, trabalho e renda e na integração do Centro Antigo, sobretudo do Dique do Tororó, com o Centro Histórico e com o porto.

“No entorno do equipamento, devem surgir empreendimentos comerciais, de serviços, educacionais, shopping centers, casas de shows, instituições de ensino”, declara. Por ser um equipamento multiuso, a arena abrigará, após os 6 jogos da Copa na cidade, partidas dos Campeonatos Brasileiro e Baiano, da Copa do Brasil, além de atividades múltiplas que abrangerão espetáculos artísticos, encontros religiosos e reuniões corporativas.

Dentre os legados benéficos que o maior campeonato de futebol do planeta proporcionará na cidade, de acordo com Campello, está a sua valorização e requalificação imobiliária resultante de novos empreendimentos, em especial nas imediações da futura Arena Fonte Nova, como o Dique e o Engenho Velho de Brotas. “Por exemplo, no entorno da Fonte Nova, já hoje as casas valem o dobro do que valiam antes do anúncio desse projeto (implantação da Arena)”, pontua.

No porto, serão reformados apenas os armazéns 1, que será transformado em espaço de entretenimento, e 2, visando atrair milhares de turistas durante a Copa
(Ilustração: Divulgação/Codeba)

Porto será revitalizado

Uma das tarefas essenciais na preparação da competição em solo baiano, o novo Porto de Salvador será inaugurado em 13 de maio de 2013. Foi o que propôs o presidente da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), José Muniz Rebouças, ao assinar, em janeiro, o Protocolo de Intenções junto à Secopa e à Secretaria Municipal do Desenvolvimento Urbano, Habitação e Meio Ambiente (Sedham). O documento, segundo o jornal Tribuna da Bahia, objetiva a cooperação técnico-científica entre o governo da Bahia e a Codeba, propiciando a concretização dos preparativos da Copa.

Segundo o presidente da autarquia, em entrevista à Tribuna no momento da assinatura do Protocolo de Intenções, serão reformados e modernizados apenas os armazéns 1 e 2. O primeiro armazém, que permitirá a integração do porto com a paisagem urbana, será transformado em um centro turístico, de lazer e entretenimento, enquanto o segundo, futuro terminal de passageiros, terá finalidade absolutamente receptiva: atrair um contingente estimado em milhares de turistas brasileiros e estrangeiros no período em que será disputada a competição.

Os trabalhos de revitalização do porto, a cargo do Governo Federal, através da Secretaria Nacional de Portos, custam em torno de R$ 30 milhões – montante destinado à reforma do armazém 1 – e R$ 36 milhões – quantia referente ao armazém 2. “Já temos consultas de grupos ligados à administração de shoppings que querem conhecer o projeto do armazém 1. Quanto ao terminal de passageiros, para se ter uma ideia, nós operamos hoje com uma área de 300 metros quadrados que vai passar para um terminal de 5 mil metros quadrados”, esclarece Rebouças.

O secretário da Secopa, Ney Campello, em depoimento à Tribuna da Bahia em janeiro, enxergou a relevância estratégica do espaço, servindo como um “reforço à capacidade de hospedagem que a cidade precisa ter para receber a Copa de 2014”. Segundo Campello, a reforma dos dois armazéns do Porto de Salvador, passada mais de uma década, é alvo de projetos que nunca foram realizados na capital baiana, assim como a revitalização do bairro do Comércio.

Ele ainda conta que a revitalização da zona portuária e o embarque e desembarque de transatlânticos de cruzeiros marítimos também estimulam o impacto no crescimento econômico soteropolitano. “Nós somos a única das 12 cidades-sede cujo porto fica distante da arena apenas 1 quilômetro em linha reta”, diz Campello.

Qualificação turística

A Secretaria do Turismo da Bahia (Setur), por intermédio de sua assessoria de imprensa, prevê a capacitação da mão de obra no turismo na Região Metropolitana de Salvador (RMS) durante a Copa. Para alcançá-la, a secretaria está desenvolvendo iniciativas de qualificação de 20 mil profissionais nas áreas de hotelaria, bares, restaurantes, comércio, recepção e motoristas de táxi. Ainda de acordo com o órgão, o torneio “vai ser responsável pela atração de cerca de 700 mil pessoas para Salvador durante os meses de junho e julho de 2014, 300 mil a mais que o volume de turistas que chegam à Bahia neste período atualmente”.

Por causa da presença ostensiva de hotéis e resorts na capital e em municípios adjacentes, em particular os do Litoral Norte (Lauro de Freitas, Camaçari e Mata de São João), o Mundial, na acepção da assessoria da Setur, é visto como uma “janela de oportunidades” para a RMS, sendo uma chance que visa otimizar o setor terciário da economia – os serviços – e qualificar a mão de obra local.

No período da Copa de 2014, além das 6 partidas na futura Arena Fonte Nova, haverá uma intensa programação cultural na cidade, na qual terá shows e eventos ligados ao próprio futebol no dia dos jogos. Já que o calendário da Copa inclui o dia de São João, 24 de junho, turistas de várias partes do mundo, ao desembarcarem em Salvador, terão o importante privilégio de comparecer aos festejos no Pelourinho, que vêm sendo organizados pelo governo do estado, através da Setur, em 2008.

Melhoria da rede hoteleira da capital e região gerará cerca de 19 mil empregos diretos
(Foto: Divulgação)

Quanto à hotelaria, serão investidos US$ 3,7 bilhões na ampliação e modernização de alguns hotéis já existentes em Salvador e no Litoral Norte até o torneio, bem como a construção de novos, de modo que os projetos tragam aproximadamente 19 mil empregos diretos à população. Recepcionistas, mensageiros, camareiras e funcionários da área de alimentação (cozinha e restaurante) representam cerca de 60% a 80% da mão de obra de um hotel, conforme pesquisa elaborada pelo Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Salvador e Litoral Norte (SHRBS).

“Mas devemos estar atentos e formar profissionais em todas as áreas da hotelaria e turismo”, enfatizou, em janeiro, o presidente do sindicato, Silvio Pessoa, à reportagem do jornal A Tarde. O gerente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih), seção Bahia, Luiz Blank, em entrevista ao periódico, vê a profissionalização dos serviços e o domínio de idiomas estrangeiros como os desafios primordiais do setor hoteleiro ao final da Copa de 2014.

Setor em expansão acelerada

Estudos recentes revelam que a construção civil, além de acompanhar o crescimento do país, é responsável pela geração de mais de 6.656 postos de trabalho em Salvador e Região Metropolitana

Carole Lago, David Mendes, Helton Carlos, Hugo Gonçalves, Laís Amorim, Lorenlai Caribé e Luiz Oliveira
Estudantes de Jornalismo do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge)

Grande reportagem elaborada coletivamente e orientada pelo professor Luiz Teles, docente da disciplina Práticas Avançadas de Reportagem

O segmento da construção civil na Bahia, sobretudo em Salvador e na Região Metropolitana, acompanha a sua dinâmica em todo o território brasileiro. Em 2010, o Produto Interno Bruto (PIB) do setor no estado cresceu 14,6%, de acordo com o Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia (Sinduscon-BA). No segundo trimestre de 2011 – somando-se os percentuais obtidos em abril, maio e junho –, esse aumento, também conforme o sindicato, chegou ao patamar dos 4,8%.

De acordo com dados do Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a Bahia, em 2010, impulsionou a geração de 123.947 vagas formais de trabalho, considerando as declarações entregues fora do prazo. A construção civil equivaleu a 22,8% destas vagas. No período compreendido entre janeiro e setembro de 2011, o número de vagas formais de trabalho foi igual a 80.036, sendo a participação da construção civil de 12,4%.

Ainda segundo estimativas do Caged, foram acumuladas 28.255 vagas formais da construção civil na Bahia em 2010, também levando em conta as declarações entregues fora do prazo. O setor, no estado, correspondeu a 8,5% do número de vagas de trabalho da construção civil do Brasil com carteira assinada, em 2010. No período de janeiro a setembro de 2011, o número de vagas formais do setor da construção civil na Bahia equivaleu a 9.914.

O município de Salvador foi responsável pela geração de 8.876 vagas formais de trabalho do setor da construção civil em 2010. No período de janeiro a setembro de 2011, esse número foi igual a 4.035 vagas formais. Na Região Metropolitana, em 2010, foram criadas 21.556 vagas formais de trabalho no setor. Já no período de janeiro a setembro de 2011 o número de vagas formais foi de 6.656.

Em Camaçari, um dos 13 municípios integrantes da Região Metropolitana de Salvador, a Construção Civil foi o segmento da economia que mais gerou postos de trabalho, contabilizando 340 vagas em setembro, de acordo com o Boletim Mensal do Caged, divulgado pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (Sei).

Saldo positivo

Segundo dados divulgados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o mercado de trabalho formal da Bahia, no mês de junho de 2011, teve seu segundo melhor saldo em 10 anos. Esse saldo do estado é o maior do Nordeste, representando 29,4% do total dos postos de trabalho e colocando a Bahia na liderança de geração de empregos da região.

O setor que mais criou empregos no estado, para o Dieese, foi a Agropecuária, responsável por 41,5% do total de vagas naquele período. Do saldo positivo de 11.767 empregos no estado, os 4.890 postos de trabalho gerados pela Agropecuária são seguidos pelo setor de Serviços, composto por 2.571 vagas, e pela Indústria, com 2.004.

Entretanto, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), onde foram gerados 28% do total de vagas no estado da Bahia, correspondentes a 3.294 postos de trabalho, melhor número do mês no período de 10 anos, houve saldo negativo na Agropecuária, com a redução de 29 postos de trabalho.

O levantamento do Dieese revelou ainda que o setor de Serviços foi o que teve o melhor saldo de vagas empregatícias na RMS em junho, seguido da Construção Civil. Esse último segmento apresentou 712 novos postos de trabalho no mês, equivalente a 21,6%.

A Sei realizou a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) referente a setembro de 2011, que consiste na compilação de dados mais atuais ainda do que os divulgados em junho pelo Dieese. De acordo com a PED, o nível de ocupação na Região Metropolitana de Salvador subiu 0,9%. A geração de 182 mil ocupações superou o número de pessoas que ingressou no mercado de trabalho – 130 mil –, resultando na redução do contingente de desempregados em 52 mil pessoas.

Quanto à taxa de desemprego total da RMS, informações recentes captadas pelo levantamento, realizado pela Sei em parceria com o Dieese, a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), órgão do governo de São Paulo, e a Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia (Setre), mostraram que, em agosto, ela foi de 15,6% da População Economicamente Ativa (PEA), percentual idêntico ao do mês anterior.

Essa foi a menor taxa de desemprego total registrada para o mês de agosto ao longo da série da PED referente à Grande Salvador, iniciada em dezembro de 1996. Segundo suas componentes, houve aumento na taxa de desemprego aberto (pessoas que procuraram trabalho efetivo nos 30 dias anteriores ao da entrevista e não exerceram nenhuma ocupação na última semana), que passou de 10,6% para 11,0%, e redução na de desemprego oculto (precário e por desalento) de 5,0% para 4,6%

Também em agosto, a taxa de participação – indicador que estabelece a proporção de pessoas com idade igual ou superior a 10 anos presentes no mercado de trabalho como ocupadas ou desempregadas – oscilou de 56,3% para 56,9%. O contingente ocupacional, naquele mês, foi calculado em 1.594 mil pessoas, 20 mil a mais do que em julho.

Segundo os principais setores de atividade econômica analisados na PED, o nível ocupacional elevou-se nos seguintes setores: Serviços, com 19 mil empregados, correspondendo a 2,1%, Construção Civil (5 mil ou 4,1%), Comércio (2 mil ou 0,8%), além do quesito Outros Setores, que inclui serviços domésticos e outras atividades (1 mil ou 0,7%); e decresceu na Indústria (7 mil ou 4,9%). A Construção Civil, na mesma pesquisa, aparece em segundo lugar.

Insuficiência de mão de obra

Salvador vive hoje um dilema paradoxal. Enquanto a capital baiana disputa com o Recife, em Pernambuco, o posto de líder nacional do desemprego, segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em janeiro de 2011, a cidade acumula diversos empreendimentos imobiliários atrasados em consequência da pouca mão de obra especializada. Existe aproximadamente um déficit de 5 a 10 mil trabalhadores qualificados no mercado soteropolitano. A RMS apresentou a maior taxa de desemprego em janeiro, estimada em 10,7%. No restante do país a taxa ficou em 6,1%, segundo dados do instituto.

Prevendo o futuro prejuízo, as construtoras iniciaram operações de emergência com a intenção de preencher o vazio das obras. Ao contratar operários com faixa etária superior a 35 anos e profissionais com baixo nível de escolaridade, as construtoras estão se abdicando de uma qualidade aprimorada no serviço.

O mestre de obras Edenílson Neves dos Santos, 43 anos, é um claro exemplo dessa situação. Ele classifica a atual conjuntura do setor imobiliário de Salvador como ótima por oferecer várias oportunidades de emprego na construção civil. Com um filho adolescente de 18 anos, ingressando na profissão como pedreiro, ele ganha mensalmente o salário para lhe sustentar, assim como sua família, que por muito tempo passou necessidades.

Antigamente, as construtoras contrataram apenas profissionais capacitados na área. Porém, cada vez mais pessoas inexperientes estão trabalhando devido à carência de mão de obra qualificada. “Minha família passou necessidade por muito tempo e hoje consigo me manter com o dinheirinho que ganho aqui. Agora que meu filho de 18 anos também está trabalhando, ficou ainda melhor. Mas tem o lado ruim nisso tudo também. Muita gente chega aqui sem experiência alguma, fazendo o trabalho dos outros mais cansativo e demorado”, justifica Edenílson.

No setor de construção, devem ser efetuadas melhorias necessárias, em especial a segurança, de acordo com o mestre de obras. “Já tive colegas que se machucaram feio trabalhando e é algo que não desejo a ninguém. Algumas construtoras não passam uma sensação de segurança para os operários. Acho que um aumento no salário seria bem vindo, já que arriscamos nossas vidas”, explica.

Em virtude da falta de capacitação dos operários da construção civil, são oferecidos cursos pelos quais pretendem aperfeiçoar a mão de obra e aumentar as chances de ingressar no mercado de trabalho. Para os cursos de pedreiro, pintor de obras e carpinteiro de fôrmas de concreto armado, ofertados pela unidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) no bairro de Dendezeiros, Cidade Baixa, os candidatos precisam estar desempregados, ser de baixa renda, ter idade superior a 18 anos e Ensino Fundamental incompleto.

Já o Home Center Ferreira Costa, localizado na Avenida Paralela, promove, por meio do Clube do Profissional, cursos, palestras e oficinas de alvenaria, ambientação, decoração, elétrica, hidráulica, impermeabilização, marcenaria e pintura. “O objetivo da iniciativa é promover atualização com relação a técnicas e produtos, oferecendo aos seus clientes um portfólio de produtos e serviços mais amplo”, explica o responsável pelo Setor de Relacionamento da empresa, Carlos Daniel.

O mercado imobiliário evolui

De acordo com pesquisa realizada pela Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-BA), só em Salvador foram lançadas 14.619 novas unidades habitacionais em 2010. As vendas de imóveis novos em 2010 totalizaram 12.879 unidades. Até julho de 2011, o número de lançamentos foi de 5.152 novas unidades habitacionais, sendo comercializadas 5.225 unidades.

No ano de 2009, a Prefeitura de Salvador, através da Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município (Sucom), autorizou 565 alvarás para novas construções. Já em 2010, foram liberados 627 alvarás, ou seja, o crescimento foi de 11% em relação ao ano anterior. No período de janeiro a agosto de 2011, esse número foi igual a 483 alvarás.

A Bahia foi o estado que teve maior participação (39,8%) do total de financiamentos imobiliários – construção e aquisição – com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo na Região Nordeste em 2009. Em relação ao Brasil, sua participação foi de 4,1%. Em 2010, a participação foi de 34,1% em relação ao Nordeste e 4,1% em relação ao Brasil. Entre os meses de janeiro e maio deste ano, sua participação do estado em relação ao Nordeste foi de 39,8% e 5,2%, em comparação com o total nacional.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Japonesa Kirin adquire Schincariol

Grupo asiático anunciou a compra dos 50% das ações da empresa brasileira de bebidas por R$ 3,95 bilhões

Junções de grandes empresas, bem como mudanças de proprietários, ocorrem constantemente na esfera corporativa. Lembrando alguns casos recentes de combinações empresariais ou joint-ventures, como Sadia-Perdigão e Itaú-Unibanco, o grupo industrial japonês Kirin Holdings Company anunciou a aquisição do controle acionário da companhia brasileira de bebidas Schincariol no valor de R$ 3,95 bilhões.

A Kirin comprou os 50,45% das ações da Schincariol, que pertenciam à holding Aleadri-Schinni Participações e Representações, dos irmãos Alexandre e Adriano Schincariol. “A compra dá à Kirin uma sólida base no mercado brasileiro, que cresce rapidamente, e se soma à base que a companhia já detém na Ásia e na Oceania", afirma o comunicado oficial do conglomerado japonês em agosto, quando a quantia foi paga.

Segundo o comunicado, a aquisição da Schincariol integra a estratégia de expansão territorial da Kirin, intencionando conquistar novos mercados consumidores. No caso do Brasil, ainda em conformidade com o documento, o segmento de bebidas deverá manter o ritmo de crescimento estável em razão da incrementação econômica do país e do contínuo crescimento da renda pessoal da população.

Vice-líder em cerveja

Conhecida pelas marcas Nova Schin, Devassa, Glacial, Nobel, Primus, Cintra, Baden Baden e Eisenbahn, a Schincariol é a segunda maior cervejaria do Brasil, e perde apenas para a invencível Companhia de Bebidas das Américas (Ambev), fusão Brahma-Antarctica. Além das cervejas, o grupo, com 13 unidades fabris, 11 centros de distribuição próprios e aproximadamente 200 revendas concentrados em todas as cinco regiões brasileiras, produz refrigerantes, sucos e águas minerais.

A Schincariol foi fundada em 1939 na cidade de Itu, no interior de São Paulo, por um ambicioso empreendedor, o filho de imigrantes italianos Primo Schincariol, como uma pequena indústria de tubaína, groselha, licor de cacau, conhaque, anisete (bebida fermentada à base de anis) e vinho quinado. Somente cinquenta anos depois, em 1989, a empresa passou a fabricar e a comercializar seu carro-chefe, a cerveja pilsen Schincariol.

Nova proprietária da empresa que emprega cerca de 10 mil colaboradores diretos e 65 mil indiretos em todo o território nacional, a Kirin, com sede em Tóquio, capital do Japão, estabeleceu-se em 1907 e hoje tem cerca de 32 mil empregados. O grupo, celebrizado pela sua cerveja, possui em seu catálogo vários tipos de bebidas alcoólocas - cervejas, vinhos e uísques - e sem álcool - sucos, águas minerais, chás e laticínios. Segundo o site oficial da Kirin, a empresa arrecadou mais de R$ 40 bilhões em 2010.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Orlando Silva pretende concorrer em 2012

Filiado ao PC do B, ex-ministro do Esporte estuda, se tudo der certo, sua candidatura nas eleições municipais do próximo ano em São Paulo

Com informações dos portais iG e Tribuna da Bahia Online

Ideia de Orlando Silva se candidatar no pleito de 2012 apareceu quando ele telefonou para Lula no dia do aniversário do ex-presidente
(Foto: Agência Estado)

O ex-ministro do Esporte, Orlando Silva, admitiu nesta segunda-feira (31) a cogitação de que, "se tudo der certo", será candidato do Partido Comunista do Brasil (PC do B) nas eleições municipais de 2012 em São Paulo, seu domicílio eleitoral. A possibilidade foi divulgada após a cerimônia de posse do sucessor de Orlando no ministério, o correligionário e deputado federal licenciado Aldo Rebelo (SP), no Palácio do Planalto.

De acordo com o ex-ministro, a ideia de ele concorrer ao pleito do ano que vem surgiu durante um telefonema com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no aniversário dele, na última quinta-feira (27). "Deixa o presidente enfrentar esse desafio que ele está enfrentando agora e logo em seguida vou poder sentar e conversar", disse, em alusão ao tratamento contra um câncer na laringe pelo qual Lula está sendo submetido desde ontem.

"Ele é um conselheiro. Vamos sentar e conversar com ele. Lula tem muita experiência política e ele próprio acha que eu vou ajudar", afirmou o comunista baiano radicado em São Paulo, confiante na recuperação do ex-presidente.

Sete pontas literárias

Fruto da confluência entre dois elementos aparentemente distintos - o jornalismo e a literatura -, o jornalismo literário teve como aspecto introdutório a veiculação de gêneros literários na imprensa, entre o final do século XVIII e o início do século seguinte, considerada a época das luzes, do Iluminismo, do liberalismo, das turbulentas revoluções que moldaram o mundo. Essa mutante contextualização propiciou que escritores de elevado mérito tomassem a dianteira dos jornais e das revistas e determinassem sua linguagem, seu conteúdo e seus parâmetros informativos, em um cenário de deficiência econômica.

Após àquele período embrionário, cujos estigmas primitivos foram os folhetins e suplementos de literatura, a integração da práxis jornalística com os preceitos literários ganhou impulso no decorrer do século passado. O professor Felipe Pena, da Universidade Federal Fluminense (UFF), também doutor em Literatura, num artigo elucidativo acerca da conceituação do jornalismo literário, delineia sete peculiaridades básicas que lhe permitem uma larga e precisa compreensão. Como esclarece o docente, o referido universo é rotulado como uma "estrela de sete pontas", num sentido figurativo.

"Estrela de sete pontas" refere-se exatamente ao conjunto de sete elementos imprescindíveis para singularizar uma modalidade tão heterogênea, que não se restringe só às redações ou à influência narrativa de um livro-reportagem. Em concomitância com essa premissa, Pena enumerou sete características, que reproduzo neste artigo: potencializar os recursos do jornalismo, ultrapassar os limites dos acontecimentos cotidianos, proporcionar visões amplas da realidade, exercitar plenamente a cidadania, romper com as correntes do lide, evitar os definidores primários e garantir perenidade e profundidade aos relatos.

Potencializar, impulsionar e dinamizar os recursos do jornalismo, a "ponta" pioneira, significa, para os jornalistas literários, não ignorar o que eles já aprenderam no jornalismo diário. Representa, portanto, o desenvolvimento contínuo de técnicas e artifícios narrativos, formulando novas estratégias profissionais, sintonizadas com as primorosas e antigas qualidades redacionais, podendo ser mencionadas, por exemplo, o rigor na apuração dos textos, a observação atenta, a abordagem ética e a capacidade de se expressar com absoluta clareza.

A segunda "ponta" ou peculiaridade secundária consiste em ultrapassar as barreiras dos acontecimentos cotidianos. Quer dizer que o jornalista rompe definitivamente com a periodicidade e a atualidade, duas marcas clássicas do jornalismo contemporâneo; o profissional não está mais restrito ao pomposo deadline, o prazo de entrega das reportagens às redações, ou à vontade do leitor em compreender os fatos que aconteceram num arbitrário espaço temporal.

Nos dirigimos, então, à terceira característica do jornalismo literário: proporcionar uma visão ampla da realidade, contextualizando a informação da forma mais abrangente possível. Para alcançar tal visão, é preciso dissecar as informações, relacioná-las com outros fatos e outras perspectivas e situá-las num certo período. O pleno exercício da cidadania, quarta "ponta" da "estrela", é um aspecto indelével para o jornalista, visando, de acordo com Felipe Pena, conferir-lhe o seu autêntico, soberano e majestoso compromisso com a sociedade e, em consequência, contribuir para a formação do cidadão.

Em quinto lugar, recomenda-se quebrar as correntes burocráticas do lide (do inglês lead), fórmula narrativa idealizada por jornalistas estadunidenses no início do século XX, a fim de tornar a imprensa objetiva, equivalente às respostas, incluídas no primeiro parágrafo de uma matéria, e embasadas nas seis interrogações básicas, a saber: "O quê?" (corresponde ao fato), "Quando?" (tempo), "Onde?" (espaço), "Quem?" (personagem envolvido), "Como?" (modo) e "Por quê?" (causa). A despeito de a subjetividade não ter diminuído, o lide tornou o jornalismo mais ágil, mais objetivo e menos prolixo. Fugir do lide, logo, se traduz em aplicar estratégias literárias de construção narrativa, com criatividade, estilo e elegância.

Sexta "ponta" de uma "estrela" complexa autoproclamada jornalismo literário, evitar os definidores primários, ou fontes oficiais, corresponde, como escreveu Pena, em ouvir necessariamente o cidadão comum, a fonte anônima e os diversos pontos de vista que nunca foram abordados. Conceitua-se definidores primários como aqueles indivíduos que ocupam algum cargo público (governadores, prefeitos, ministros, deputados, etc.), ou alguma função específica (médicos, advogados, músicos, etc.), por conseguinte aparecem na imprensa com assiduidade.

Termina-se o conjunto das sete características essenciais com a perenidade e a profundidade das obras alicerçadas nos princípios da articulação do jornalismo com a literatura. Ao contrário das matérias que demonstram e espelham o cotidiano, a maioria efêmeras, relegadas ao esquecimento no dia seguinte e superficiais, o jornalismo literário tem como um dos propósitos cruciais a busca pela durabilidade, exemplificada pelo simples fato de um bom livro permanecer por gerações, influindo nos imaginários da individualidade e da coletividade em contextos históricos claramente díspares.

Referência

PENA, Felipe. O jornalismo literário como gênero e conceito. Niterói (RJ): Universidade Federal Fluminense (UFF), s/d.