segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Caracterização fisiográfica do município de Camaçari

Artigo escrito originalmente em novembro de 2015, e inédito neste blog


Vista aérea parcial da zona urbana de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador
(Foto: Arquivo – 10/08/2005)


1. Relevo

O relevo de Camaçari, situado entre as latitudes 12º 27’ 05” e 12º 52’ 30” e as longitudes 38º 28’ 52”, possuindo altitude de 50 m acima do nível do mar, se constitui por planícies marinhas e fluvio-marinhas, aliadas aos tabuleiros pré-litorâneos e do Recôncavo (CAMAÇARI, 2011).

Entretanto, de acordo com Pedro Pereira Fonseca (2004), sob um aspecto geomorfológico, o município apresenta representantes de paisagens físicas, organizados nas três espécies de modelados de relevo ali existentes.

O modelado de aplainamento, também conhecido como Pediplanos, é o mais abrangente, estendendo-se por grande parte da área central, além de uma porção da área onde a empresa de proteção ambiental Cetrel está localizada (FONSECA, 2004, p. 17).

Já o segundo modelado, o de acumulação, na avaliação do pesquisador, se caracteriza pelas Áreas Úmidas dos vales fluviais, abertos e de fundo chato, ramificando-se por quase toda a área. Por fim, o modelado de dissecação, equivalente ao Relevo Ondulado, apresenta-se com formas variadas (Idem, p. 17).

Os exemplares dos modelados mais elevados encontram-se na porção norte, situada a leste e a oeste do vizinho município de Dias d’Ávila, “sob a forma de morrotes isolados com topos e vertentes convexas, morrotes com topos aguçados e também alguns aproximadamente tabulares” (Idem, p. 17).

Contudo, de acordo com o próprio pesquisador, os mais suaves consistem em morrotes de topo abaulado, que incluem vertentes convexadas, encontrados principalmente na zona que faz a ligação entre a Cetrel e o Polo Petroquímico de Camaçari, bem como em parte da área de entorno da referida empresa (Idem, p. 17).

2. Solo

Dados coletados em 1994 pelo Governo do Estado da Bahia, e incluídos por Souza (2006) em sua dissertação de mestrado, informam que Camaçari apresenta três tipos de solo, a saber: podzol hidromórfico, podzólico vermelho-amarelo álico, areias quartzosas marinhas e glei pouco húmico distrófico.

No município, as elevações e áreas onduladas mais elevadas se constituem por solos residuais de siltes arenosos e argilosos, intercalados, de coloração rosada e branca e capacidade variada. Através do transporte desses solos por águas pluviais, foram desenvolvidos depósitos superficiais de solos transportados, a exemplo da areia fina, pouco compacta, branca ou cinza, na parte inferior dos morros, e dos depósitos de argila siltosa, mole e turfosa, ao longo dos riachos (SOUZA, 2006, p. 69).

Além disso, na faixa litorânea camaçariense, encontram-se solos sílico-argilosos ácidos. Caracterizados por baixa fertilidade natural e excessiva porosidade e permeabilidade, são bem drenados e susceptíveis à erosão. Também ao longo do litoral, há os solos salinos costeiros, que se manifestam em extensas faixas inundadas periodicamente pela água do mar, apresentando coloração acinzentada, textura siltosa e fertilidade natural extremamente baixa, não podendo ser aplicada para utilização na agricultura (Idem, p. 69).

As zonas alagadas do interior e do litoral de Camaçari, conforme Souza (2006, p. 69), são marcadas pela presença de solos de diversos tipos: hidromorfos – formados por meio da acumulação de materiais transportados consolidados, originários de detritos, e granulometria heterogênea –, argilosos, argilo-arenosos e arenoargilosos, possuindo fertilidade variável.

No médio e baixo cursos do Rio Jacuípe e na área compreendida entre o distrito de Vila de Abrantes, no litoral, e o povoado de Parafuso, bem como no baixo curso do Rio Joanes, em sua margem esquerda, são encontrados solos podzólicos de tonalidade vermelho-amarela variável e latossolos amarelos, rasos, ácidos, bem drenados e de fertilidade média, sendo apropriadas para uso agropecuário (Idem, p. 69).

Por último, na zona de tabuleiro, considerada pelo pesquisador “a mais extensa e representativa do município” (2006, p. 69), os solos ali presentes se originaram, sobretudo, das Formações Marizal, São Sebastião e Barreiras. De caráter profundo, ácido e geralmente bem drenado, com argilas de atividade baixa, esses tipos de solos manifestam-se na área mais plana e não são utilizáveis para a agricultura em decorrência da baixa fertilidade natural (Idem, p. 69).

3. Clima

De acordo com a classificação proposta pelo climatologista russo Wladimir Köppen (1846-1940), o clima de Camaçari é tropical quente e úmido, apresentando temperatura média de 25,4 ºC e chuvas mais concentradas entre os meses de abril e junho (FONSECA, 2004, p. 17).

Quanto aos índices pluviométricos, obtidos por Fonseca (2004, p. 17) na Estação Climatológica da Superintendência de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Sudic), foram apresentadas médias mensais de 250 mm e valores acumulados de 1.823 mm/ano. Segundo essas informações, o pesquisador concluiu que o ano de 1999 foi o mais chuvoso na região, alcançando elevados 2.464 mm (Idem, p. 17).


Principal rio do município, o Rio Pojuca corresponde ao seu limite norte
(Foto: Edvaldo Borges – 17/02/2011)

4. Recursos hídricos

Souza (2006) explica que o município de Camaçari, por estar inserido nas bacias hidrográficas da Região Metropolitana de Salvador (RMS), demonstra um expressivo potencial de águas superficiais, representado pelas bacias dos rios Joanes, Jacuípe e Pojuca.

Limite sul do território camaçariense, o Rio Joanes possui 60 km de extensão, e sua bacia abrange uma área equivalente a 594 km2, da qual cerca de 80% é coberta por arenitos oriundos da Formação São Sebastião. Sobre o seu leito se encontram duas barragens, a Joanes I, construída em 1967, e a Joanes II, em 1971. A vazão média do rio corresponde a 11 m3/s e a vazão regularizada, a 6 m3/s. (SOUZA, 2006, p. 72).

Entre os afluentes da margem esquerda da bacia do Rio Joanes está o Rio Camaçari. Com 12 km de extensão, sendo que mais de sua metade percorre a malha urbana da sede municipal, o Rio Camaçari nasce no anel florestal do Polo Petroquímico e deságua no Rio Joanes (CAMAÇARI, 2011).

Tendo sua nascente localizada no município de Conceição do Jacuípe, o Rio Jacuípe deságua no Oceano Atlântico. Sua bacia de drenagem possui uma extensão estimada em 85 km e sua bacia, 784 km2, com vazão média de 15 m3/s e vazão regularizada de 4,6 m3/s.

Dentro do território de Camaçari, o rio é represado para captação de água na barragem de Santa Helena. Integram essa bacia os rios Capivara Grande e Capivara Pequena. Cerca de 90% da área da bacia do Rio Jacuípe é coberta por arenitos da Formação São Sebastião. (SOUZA, 2006, p. 72)

O rio Capivara Grande, um dos afluentes da Bacia do Jacuípe, com 43 km de extensão, nasce nas intermediações da Estrada da Biribeira, no limite do complexo petroquímico, tendo sua foz no Rio Jacuípe. “Ele percorre a zona rural próxima à Sede e parte do distrito de Abrantes, seguindo paralelo ao cordão de dunas entre Arembepe e Barra de Jacuípe” (CAMAÇARI, 2011).

O Rio Pojuca, principal rio de Camaçari, corresponde ao limite norte do município. Sua bacia abrange uma área de 5.000 km2, dos quais 60% encontram-se na área do Recôncavo. A sua vazão foi calculada em 30 m3/s e a vazão regularizada, em 19,7 m3/s. As vazões totais dos rios Joanes, Jacuípe e Pojuca, respectivamente consideradas iguais a 6 m3/s, 4,6 m3/s e 19,7 m3/s, equivalem a 30,3 m3/s, valor representativo da disponibilidade hídrica da superfície, de interesse direto à caracterização física do município de Camaçari (SOUZA, 2006, p. 72).

Conforme estudos e pesquisas realizados pela Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras), mencionados por Souza (2006), existem, no município, aquíferos com água doce até a base do membro superior da Formação São Sebastião, representando uma espessura variável entre 800 e 1.500 metros.

Referências

CAMAÇARI. Secretaria Municipal de Desenvolvimento de Turismo. Geografia. Disponível em: http://turismo.camacari.ba.gov.br/2011/geografia.php. Acesso em: 10 nov. 2015.

FONSECA, Pedro Pereira. Mapeamento geológico e zoneamento geoambiental da região do Polo Industrial de Camaçari, através do uso de ortofotos digitais. 2004. Monografia (Graduação em Geologia) – Instituto de Geociências, Universidade Federal da Bahia, Salvador, mai. 2004.

SOUZA, José Gileá de. Camaçari, as duas faces da moeda: crescimento econômico x desenvolvimento social. 2006. Dissertação (Mestrado em Análise Regional) – Departamento de Ciências Sociais Aplicadas, Universidade Salvador, Salvador, jun. 2006.

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