domingo, 23 de outubro de 2016

A importância da sátira na sociedade

Vista por muitos como uma forma ácida e radical de expressar as fraquezas, equívocos e imperfeições de um certo indivíduo, sociedade, organização ou governo através do uso de ironia, sarcasmo, graça, caricatura, depreciação e muitas vezes do humor, a sátira é um estilo literário cujo principal objetivo é fazer uma crítica social chamando atenção às falhas humanas do dia a dia.


Embora a sátira possa às vezes ser confundida com humor, existem algumas diferenças óbvias entre eles. Uma dessas diferenças explica que, basicamente, o humor faz as pessoas rirem, porém não está inserido como um elemento essencial da sátira. Há vários tipos de obras satíricas que não são consideradas engraçadas, isto é, consistem em retratos não-humorísticos e sarcásticos do comportamento de uma sociedade.


Além disso, vários importantes assuntos, que são frequentes na nossa vida cotidiana – inclusive nos meios de comunicação de massa –, como economia, política, religião, artes e celebridades, bem como seus respectivos personagens, são geralmente alvos de satiristas, que focam nos seus aspectos negativos ou estranhos, mas sem perder o senso de humor. Então, desde a Antiguidade, a sátira atraiu as necessidades populares, de modo a ridicularizar grandes figuras em vários setores da sociedade, como políticos, artistas, entre outros, tornando-se uma maneira de desafiá-los.


Um exemplo relevante de sátira aplicada à literatura é As Aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain (1835-1910), publicado originalmente em 1884. Considerado por muitos como o primeiro grande romance estadunidense, o livro é narrado em primeira pessoa por Huckleberry “Huck” Finn, um menino que foi criado por seu pai e se tornou amigo de um escravo chamado Jim. Nessa obra clássica, porém controversa, Twain se valeu de ironia e sarcasmo excessivos para enfatizar as consequências da escravidão nos Estados Unidos, no período anterior à Guerra Civil Americana.


Além de ser classificado como gênero literário, a sátira pode aparecer frequentemente em múltiplas expressões artísticas. Para ilustrar essa incrível diversidade, podemos ainda encontrar referências ou elementos satíricos na música, nas artes cênicas (dança, teatro, etc.), nas artes gráficas, nos desenhos animados, nas histórias em quadrinhos, nas caricaturas, nas esculturas, na televisão e no rádio.


Podemos dizer que o ato sistemático de satirizar alguém ou algo significa expor as falhas e fragilidades de uma pessoa, grupo de pessoas, ou coisa em uma forma ridícula, irônica ou mesmo bem-humorada. Assim, quando alguém satiriza esses elementos, isso implica dar uma atenção especial a certos personagens ou assuntos do cotidiano que possuem ideias controversas.


P. S.: Este artigo é uma tradução feita por este jornalista do original em inglês, The importance of satire in society, também redigido por este jornalista.


The importance of satire in society

Seen by many people as an acid and radical manner of expressing the weaknesses, mistakes and imperfections of a certain individual, society, organization, or government through the use of irony, sarcasm, wit, caricature, self-deprecation, and often humor, satire is a style of literature whose main objective is making a social critic by drawing attention to human’s everyday flaws.

Although satire can sometimes be confused with humor, there are some evident differences between them. One of these differences explains humor basically makes people laughter, but it isn’t an essential element of satire. There are various types of satirical works that are not considered funny, that is, they consist of non-humorous and sarcastic portraits of a society’s behavior.

In addition, several important issues that are common in our everyday life – including mass media – such as economy, politics, religion, art, and celebrities, as well as their respective characters, are generally targets of satirists, who focus on their negative or strange aspects, but without losing the sense of humor. Therefore, since the antiquity, satire has attracted the popular needs to ridicule the major figures in many social fields, like politicians, artists, etc., and it has become a way of challenging them.

A most relevant example of satire in literature is Mark Twain’s Adventures of Huckleberry Finn, that was originally published in 1884. Considered by many the first great American novel, this book is narrated in first person by Huckleberry “Huck” Finn, a boy who has been brought up by his father, and has become friend of a slave named Jim. In this classic but controversial work, Twain (1835-1910) used a lot of irony and sarcasm to emphasize the consequences of slavery in the United States before the American Civil War.

Besides being classified as a literary genre, satire may often appear in multiple artistic expressions. To illustrate this amazing diversity, we can still find satirical references and/or elements in music, performing arts (dance, theater, etc.), graphic arts, cartoons, comics, charges, sculptures, TV, and radio.

We can say that the systematic act of satirizing someone or something means showing the flaws and weaknesses of a person, group of people, or thing in a ridiculous, ironic, or even humorous way. Thus, when someone satirizes one of these elements, this implies putting a spotlight on certain everyday characters or subjects that have controversial ideas.