quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Socialistas baianos oficializam apoio a Rui

Em solenidade na Governadoria, PSB estadual sacramentou o ingresso na base do governador após ter declarado apoio à reeleição da presidente Dilma no segundo turno


Segundo Lídice, projeto liderado pelo governador tem identidade com programa socialista
(Foto: Hugo Gonçalves)



Na presença de deputados, vereadores, prefeitos, secretários, militantes, sindicalistas e populares, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) oficializou seu ingresso na base aliada do governador Rui Costa, do Partido dos Trabalhadores (PT). A solenidade que marcou a entrada da legenda foi realizada na manhã desta segunda-feira (26), no Salão de Atos da Governadoria, no Centro Administrativo da Bahia (Cab), em Salvador.



A reconciliação dos socialistas com a gestão estadual teve início após o partido ter declarado apoio na campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), no segundo turno em outubro passado. “Nos reencontramos num projeto político que o governador lidera na Bahia, e que tem muita identidade com o programa político que nós defendemos na campanha”, justificou a presidente do PSB baiano, senadora Lídice da Mata.



Em discurso, Lídice lembrou que Rui, graças ao itinerário como competente sindicalista do Polo Petroquímico de Camaçari, se transformou em vereador da capital. A partir daí, ela pôde testemunhar a brilhante trajetória do petista na Câmara Municipal, onde atuou corajosamente na Comissão de Orçamento e Fiscalização, fato que o capacitou a se tornar politicamente reconhecido no estado, sendo, mais tarde, eleito chefe do Executivo em primeiro turno.

Quero saudá-lo, parabenizando-o por essa grande vitória política de continuidade de um projeto político que ele integrou desde o início, mas também uma vitória pessoal do seu crescimento político e na campanha, da sua competência como candidato, da sua desenvoltura na defesa dos interesses da Bahia e do governo e, finalmente, da sua extraordinária vitória como governador. E desejar a Rui que essa vitória permaneça nesses próximos anos de governo, vencendo a cada dia um novo desafio”, agradeceu.

Lídice reiterou, na cerimônia de adesão, o argumento do secretário de Relações Institucionais, Josias Gomes, que o reencontro entre socialistas e petistas não se trata da incorporação do PSB à gestão de Rui Costa, uma vez que o partido preserva uma convivência de longa data com o PT e as demais legendas da base do governo.

A nossa história, especialmente com o PT, é uma história que vem da nossa luta contra a ditadura militar, pela democratização da sociedade brasileira, para eleger numa eleição, também à época difícil e surpreendente, de Jaques Wagner (em 2006), onde o PSB, desde o início, incorporou”, recordou a senadora, citando que, antes de o PT sacramentar em sua convenção o nome de Wagner, na época um candidato possível ao Palácio de Ondina, o PSB já tinha decidido apoiá-lo.

Nova política de estado

Durante o segundo mandato de Jaques Wagner, atualmente ministro da Defesa, a participação do PSB, de acordo com Lídice, consistiu no esforço de pensar e contribuir para a elaboração de uma nova política de estado vocacionada para o turismo. Tal política resultou na estratégia que o ex-secretário da área, Domingos Leonelli, hoje membro da Executiva Estadual do partido, designou de “terceiro salto do turismo”.

Nessa perspectiva, produtos inéditos como a etapa baiana da competição automobilística Stock Car Brasil e o São João da Bahia foram lançados, além de projetos do quilate do Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur), visando à requalificação turística de todo o estado, inclusive da região da Baía de Todos-os-Santos.

Os resultados significativos na educação, saúde e segurança, já iniciados no governo Wagner, ainda foram mencionados pela presidente estadual do PSB. “O desafio para o país inteiro, mas em especial para nós, de termos uma política de segurança cidadã, expressa no (programa) Pacto pela Vida, iniciado no governo de Eduardo Campos (1965-2014) em Pernambuco, mas aqui também desenvolvido, que possa significar uma nova experiência de uma nova política de segurança para o estado da Bahia, incorporando a ideia de segurança à cidadania”, pontuou Lídice.

Que pense o desenvolvimento da Bahia, fazendo com que todas as suas regiões se integrem a um desenvolvimento econômico e social, especialmente voltando as nossas ações para o desenvolvimento e as novas tecnologias de desenvolvimento do semiárido, que significa praticamente 70% do nosso território, garantindo abastecimento humano para a produção e inclusão social”, salientou.

Nós tivemos toda essa trajetória juntos, muitas vezes com discordância e posições políticas diferentes”, afirmou Rui Costa (à esquerda)
(Foto: Hugo Gonçalves)

Cumprimentos

Ao dar início a seu pronunciamento na solenidade, o governador Rui Costa fez questão de cumprimentar o vice João Leão (PP), o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo (PDT), cuja reeleição para o quinto mandato consecutivo conta com o apoio do PSB, a senadora Lídice e os demais membros da Executiva Estadual do partido, além de Bebeto Galvão, único deputado federal socialista eleito pela Bahia para a próxima legislatura, a ser inaugurada neste domingo, 1º de fevereiro.

Segundo Rui, seu primeiro encontro com a militância do PSB veio por intermédio de sua mãe, hoje falecida, e de um amigo seu, ambos vinculados aos movimentos comunitários que tinham por objetivo reivindicar condições de vida dignas nos bairros populares de Salvador.

Naquele momento inicial, eu tinha acabado de entrar no Polo, nos primeiros contatos que tive com a militância do PSB. Portanto, tem desde essa origem uma identidade muito grande. O PSB e todos os militantes do PT e de outros partidos, ao longo dos anos, tinham um compromisso com a população mais sofrida da capital deste estado, e que nós tivemos toda essa trajetória juntos, muitas vezes com discordância e posições políticas diferentes, mas com a mesma crença”, sublinhou.

Desafios para superar

A missão de dar continuidade ao progresso social da Bahia com educação e saúde de qualidade, somadas ao acesso à cultura e aos direitos da criança e do adolescente, entre outros itens substanciais, que são bandeiras defendidas pelos socialistas, é considerada por Rui como “uma tarefa histórica”. “Nós temos que, com ideias novas, com nova organização e com dedicação pessoal, superar os desafios que estão colocados”.

Entre os desafios de sua gestão está a educação, tida como prioridade absoluta. O governador explicou que, em pouco mais de vinte dias de governo, já visitou nove escolas estaduais e duas municipais, em Salvador e no interior.

Percebi a paixão, o amor e o brilho nos olhos das duas diretoras que conduziram o Colégio Estadual (Central). Isso para mim faz uma diferença grande, como você estar à frente de uma escola, de uma secretaria, de um órgão, alguém que faz aquilo por paixão, por amor, quer ver o resultado acontecer. Eu só acredito nas coisas bem feitas assim”, entusiasmou-se.

De acordo com o chefe do Executivo baiano, tanto o governo quanto o PSB lidam com pessoas que se apaixonam pelo que fazem e vão se dedicar. Ele disse também que tem convicção da importância de transformar a educação através da cooperação de todos e, apesar de o Poder Público estadual ter feito o necessário por esse segmento ao longo desses oito anos, a atual situação educacional ainda está muito longe do esperado.

Eu entendo que nós precisamos fazer uma verdadeira cruzada, uma verdadeira jornada de mobilização que estou chamando de Pacto pela Educação. Vou chamar, logo após o Carnaval, um evento com todas as prefeitas e prefeitos, para que nós possamos assinar um termo de adesão ao Pacto pela Educação. Eu quero fazer uma grande mobilização para apaixonar diretores de escolas”, anunciou Rui Costa.

O governador reconheceu que, no tocante à cultura, o PSB mantém uma identidade plena, e sabe nitidamente da afinidade da senadora Lídice da Mata com essa esfera. Quando da definição do seu secretariado, Rui estava dialogando com a parlamentar sobre os prováveis nomes para a titularidade da Secretaria da Cultura.

Porém, na ocasião, ele chegou a adiantar que um dos nomes mais cogitados era o do poeta e professor Jorge Portugal, escolhido para comandar a pasta. “Tenho certeza que, na área cultural, também nós teremos uma participação decisiva do PSB. Ou seja, a identidade política, de conteúdo, de programa, é muito grande”, ressaltou.

Para Rui, é preciso reaprender a fazer mais pelo estado em meio a enormes dificuldades
(Foto: Hugo Gonçalves)

Adesão facilitada

Rui lembrou que, enquanto a adesão do PSB ao governo da Bahia foi agora facilitada, a campanha que fez o ex-chefe da Casa Civil ascender ao Palácio de Ondina, em 2014, dificultou a reaproximação com os socialistas, devido às semelhanças evidentes entre as propostas do petista e as da então candidata Lídice da Mata, terceira colocada naquele pleito.

Quero contar com a colaboração de vocês em todas as áreas onde vocês têm militância, para que possamos construir a Bahia que a gente quer, a Bahia dos nossos sonhos, e resgatar o direito do nosso povo de ser feliz”, declarou.

Já que o primeiro ano de sua gestão está sendo iniciado com uma série de problemas pelos quais o Brasil atravessa, como restrições no orçamento, o governador reiterou a capacidade de “aperfeiçoar e reaprender” a fazer mais pelo estado, mesmo dispondo de poucos recursos financeiros.

Nós temos que nos reinventar e continuar acelerando os compromissos com o povo da Bahia, repensando tudo que nós possamos, diminuindo a parte da burocracia, que é grande, consome recursos e consome tempo, e nós temos que repensar isso para fazer um governo mais ágil e rápido”, disse.

Apesar de ser o quarto estado mais populoso, o quarto maior colégio eleitoral e um dos estados de maior dimensão territorial do país, a Bahia ocupa o 23º lugar entre as 27 unidades da Federação em se tratando de renda per capita. Rui Costa observou que Sergipe, por ser pequeno, tem o dobro da receita per capita baiana, que por sua vez corresponde à metade da renda do estado vizinho.

Para levar água, estrada, segurança e um conjunto de serviços, é evidente que o custo por atendimento feito é muito maior. É por isso que somos enfáticos junto ao governo federal que é preciso devolver à Bahia o que ela precisa e merece, com certeza. Nós contaremos com as duas representações federais. Estamos juntos, mais uma vez, na caminhada”, concluiu o governador.