terça-feira, 29 de julho de 2014

Grêmio anuncia Felipão como novo técnico

Após fracasso da seleção brasileira na Copa deste ano, treinador retorna ao clube do seu coração, onde liderou uma série de conquistas na década de 1990
 
Com informações do iG Esporte e do portal Terra
 
Esta é a terceira vez que o gaúcho de Passo Fundo (à esquerda, ao lado de Fábio Koff durante reunião hoje em São Paulo) assume o comando do tricolor. Reestreia será contra o Vitória, neste sábado, no Barradão
(Foto: Lucas Uebel/Divulgação/Grêmio)
 
O técnico Luiz Felipe Scolari, que deixou o comando da seleção brasileira de futebol após a frustrada campanha na última Copa do Mundo, foi anunciado, nesta terça-feira (29), como o novo treinador do Grêmio. O retorno de Felipão ao tricolor gaúcho após 18 anos foi acertado em reunião com o presidente Fábio Koff em São Paulo.
 
Ele substitui Enderson Moreira, demitido em consequência da derrota por 3 a 2 para o Coritiba, no último domingo (27), na Arena, em Porto Alegre. Atualmente, o time ocupa a décima posição na tabela de classificação da Série A do Campeonato Brasileiro, com 19 pontos em 12 rodadas completadas até agora.
 
Aos 65 anos, o gaúcho de Passo Fundo já havia estado à frente do Grêmio por duas oportunidades espetaculares. Após ajudar o Imortal na conquista do campeonato estadual de 1987, ele regressou ao seu clube do coração em 1993, dando o pontapé para um período que seria um dos mais vitoriosos da história da equipe.
 
Assim veio uma sequência espetacular de resultados em forma de títulos – a Copa do Brasil de 1994, a Taça Libertadores da América e o Gauchão de 1995, a Recopa Sul-Americana, o Gauchão e o Brasileiro de 1996. Porém, Scolari amargou a perda do Mundial de Clubes de 1995, disputado no Japão, diante do Ajax, da Holanda, após o jogo terminar empatado em 0 a 0 no tempo regulamentar.
 
Felipão coroará sua terceira passagem pelo Grêmio nesta quarta-feira (30), quando ele chegará a Porto Alegre para ser apresentado, iniciando o trabalho para o prosseguimento do Brasileirão. A reestreia do técnico no tricolor vai acontecer neste sábado, 2 de agosto, contra o Vitória, no estádio do Barradão, em Salvador.

domingo, 27 de julho de 2014

Comerciante e operário surdos apoiam Professor Milton

Vendedor de frango assado e produtos de mercearia e operador de linha de montagem automotiva acreditam nas propostas concretas do candidato socialista a deputado federal, com ênfase para a educação e o esporte para os deficientes auditivos
 
Milton, Josué Figueira e Joás Menezes (da esquerda para a direita) fazem o gesto do “L”, alusão à candidata do PSB ao governo baiano, senadora Lídice da Mata
(Foto: Hugo Gonçalves)
 
Josué Figueira de Andrade trabalha num pequeno estabelecimento no bairro da Boca do Rio, onde atua no comércio de frango assado e produtos de mercearia, como gêneros alimentícios e bebidas. Quando Josué iniciou sua atividade profissional, foi uma etapa difícil em sua vida, porque o mundo ouvinte não dá trabalho para os surdos.
 
Foi aí que o único surdo e o mais velho entre os cinco filhos tentou ser admitido numa empresa, mas encontrou muitas barreiras para poder obter sua carteira de trabalho. Depois que Josué começou a vender frango assado, há cinco anos, ele percebeu que é possível desenvolver essa tarefa. Hoje, o comerciante continua tendo orgulho de sua profissão.
 
Como surdo cidadão e consciente, Josué apoia a candidatura do Professor Milton Bezerra Filho (PSB) para deputado federal porque acredita que ele vai defender a educação, além de ajudar as pessoas surdas com um projeto de lei para a educação, o esporte e o lazer. “Eu apoio (o Professor Milton) porque é importante a educação, porque ele luta para que o surdo tenha a carteira do Detran (de motorista)”, afirma.
 
De acordo com o comerciante, muitos surdos que vivem no interior não têm noções de língua brasileira de sinais (Libras) nem acesso à educação. Ele ainda ressaltou que a maioria dos deficientes auditivos não sabe escrever palavras em língua portuguesa, inclusive seus próprios nomes. Então, Josué confia no Professor Milton e pensa que o candidato, se for eleito, vai elaborar projetos para auxiliar na difusão da Libras.
 
Para Josué (expondo o panfleto do candidato a deputado estadual pelo PSB, Rodrigo Hita), a maioria dos surdos do interior não sabe se comunicar em Libras nem tem acesso à educação
(Foto: Hugo Gonçalves)
 
Surdos precisam ser qualificados
 
Outro membro da comunidade surda também já declarou apoio às propostas de Milton. Joás Pinheiro Menezes atua há seis anos como operador de linha de montagem da fábrica de automóveis Ford, em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, e tem absoluta convicção de que o socialista vai dar suporte aos projetos dos surdos, como a luta pela educação.
 
Ele disse que, com o respaldo do Professor Milton, que é um exemplo de luta, a categoria precisa ser qualificada. “Precisamos de uma execução da educação de qualidade. Falta implantar muitas escolas bilíngues no estado da Bahia. Ele vai ajudar nisso”, frisa.
 
A comunidade surda ainda carece de prática esportiva e, segundo Joás, o esporte é um aspecto de fundamental importância e deve ser iniciado no ensino primário, contribuindo para que o surdo se desenvolva não apenas na educação, mas no seu desenvolvimento de modo geral.
 
Joás explica que o esporte ajuda a tirar os surdos da invisibilidade e a se socializar, o que implica a sua educação. “Nós, surdos, não temos direito de participar das Paraolimpíadas, porque o surdo não pode competir com o cego nem com o cadeirante. O surdo precisa fortalecer suas associações esportivas, e o Professor Milton vai ajudar a fortalecer o esporte para surdos.”
 
Proposta ousada e inovadora de Milton como candidato, o passe livre único, também defendido pelo operador de linha de montagem, consiste na unificação dos passes em âmbitos municipal, estadual e federal no transporte coletivo.
 
“Eu concordo e apoio essa proposta do passe livre unificado que vale no Brasil todo, porque (atualmente) a pessoa tem todo um trabalho de ir, tira passe livre municipal, tem que emitir laudo e parecer médico, passe livre intermunicipal, aí depois o federal manda para Brasília”, pondera Joás.
 
O passe livre único, na opinião dele, é uma proposta muito inteligente do Professor Milton, que irá ajudar as pessoas com deficiência (surdos, cegos e cadeirantes). “Se tiver um passe livre com validade para todas as instâncias, é um grande ganho para o segmento da pessoa com deficiência. (Isso) É muito melhor”, conclui.

sábado, 26 de julho de 2014

Lauro de Freitas ganha sua primeira associação de surdos, a ASLF

Reunião marcou o lançamento da instituição, que irá promover e potencializar o movimento da comunidade surda laurofreitense

Da esquerda para a direita: Milton Bezerra Filho, Nathalie Conceição, José Tadeu, Vidalgo Guido e Marcelo Silveira
Quando conseguiu organizar os surdos para criar a ASLF, Nathalie lutou pelos surdos e por seus direitos, como a Libras, o esporte, a saúde e a educação
(Foto: Hugo Gonçalves)
 
Tendo o objetivo de fortalecer a comunidade, a identidade e a cultura surdas, sob a alegação de que os surdos, por serem invisíveis, mantém um modelo de vida excludente da sociedade, foi lançada, em reunião na manhã deste sábado (26), a Associação dos Surdos de Lauro de Freitas (ASLF).
 
A entidade pioneira na promoção e potencialização do movimento da comunidade surda na cidade da Região Metropolitana de Salvador irá atuar nos segmentos de cultura, educação, língua brasileira de sinais (Libras) e esportes, além de estimular a promoção da saúde dos pacientes que integram essa minoria linguística.
 
Por ser uma organização sem fins lucrativos, a ASLF possui caráter filantrópico, mas ela ainda não pode firmar convênios com instituições vinculadas às administrações municipal e estadual por não estar enquadrada como uma instituição de utilidade pública municipal.
 
Então, a entidade, por também não ter verba para a aquisição de sua sede própria, vai trabalhar em parceria com outras associações representativas, como o Centro de Estudos Culturais Linguísticos Surdos (Ceclis) e o Centro de Surdos da Bahia (Cesba), promovendo reuniões em diferentes locais.
 
A presidente da ASLF, Nathalie Conceição, é a primeira mulher fundadora de uma entidade específica da comunidade surda em Lauro de Freitas. Guerreira e vitoriosa, Nathalie já sofreu todos os preconceitos impostos pela sociedade e conseguiu organizar os deficientes auditivos laurofreitenses para criar a associação.
 
Quando obteve essa audaciosa proeza, a dirigente teve como propósito, junto à mais nova associação das pessoas com deficiência na Bahia, lutar não somente pelo povo e pela comunidade surda, mas também por seus direitos, como a língua de sinais, o esporte, a saúde e a educação.
 
O lançamento da ASLF, mais uma entidade direcionada para essa minoria linguística surgida no estado, teve o respaldo de toda a comunidade surda de diferentes municípios. Por isso, a associação de Lauro de Freitas recebeu o apoio das equivalentes de Vitória da Conquista, no sudoeste, e de Teixeira de Freitas, no extremo sul.

Participaram do evento, além de Nathalie e de representantes surdos de todo o estado, o professor de Libras Milton Bezerra Filho, candidato a deputado federal pelo PSB, o presidente da Confederação Brasileira de Desportos de Surdos (CBDS), Marcelo Silveira, o presidente do Cesba, Vidalgo Guido, e o fundador e ex-presidente da instituição, José Tadeu Raynal Rocha Filho.
 
As propostas do Professor Milton (no centro, entre Nathalie e Marcelo) têm o apoio de várias associações de surdos da Bahia, inclusive a de Lauro de Freitas
(Foto: Hugo Gonçalves)
 
Entidade está com o Professor Milton
 
Na contemporaneidade, existem muitos surdos envolvidos também com o mundo ouvinte em razão de sua vulnerabilidade com o uso de drogas e da ausência de programas de proteção social. Essa minoria se manteve, por anos, “colonizada” pela comunidade ouvinte, que não respeita a língua de sinais.
 
Por outro lado, os partícipes da comunidade surda, que vêm conquistando progressivamente o direito de serem cidadãos autônomos, ambicionam que eles sejam respeitados na sociedade, organizando-se em associações para minimizar a prática de atos inerentes ao preconceito e à discriminação.
 
É com base nessa premissa que a ASLF apoia a eleição do Professor Milton Bezerra Filho para a Câmara dos Deputados porque ele acumula uma longa história de luta no bojo da comunidade surda. Por ter uma identidade característica dessa parcela minoritária da sociedade, ele foi um dos fundadores do primeiro centro baiano de surdos, o Cesba, em 1979, e o primeiro pedagogo surdo do estado.
 
O Professor Milton é um autêntico líder dos surdos por representar os interesses da pessoa com deficiência. Para justificar essa afirmação, ele já se pronunciou várias vezes: “Eu sou uma pessoa com deficiência”, “Eu represento o segmento da pessoa com deficiência”. Esse é o posicionamento do socialista, cujas propostas são apoiadas pela comunidade surda.
 
Caso seja eleito deputado federal, o Professor Milton vai contribuir na eliminação dos surdos da condição de invisibilidade
(Foto: Hugo Gonçalves)
 
Seu conteúdo programático abrange ideias consideradas sólidas. Entre os pontos fundamentais estão otimizar as condições culturais e oportunizar as melhorias na cultura das pessoas com surdez e com outras deficiências. Portanto, elas acreditam que, caso seja eleito, Milton vai contribuir para eliminar os surdos da condição de invisibilidade.
 
O docente ainda propõe que todas as associações de pessoas com deficiência, inclusive a recém-fundada Associação dos Surdos de Lauro de Freitas, tenham sua sede própria. Outra proposta essencial dele é incentivar a promoção de esportes para os surdos através da elaboração de leis específicas, já que o envolvimento dessa comunidade com o esporte implica uma melhor qualidade de vida.
 
Além disso, Milton também almeja colaborar na implementação do ensino de Libras nas universidades em todos os municípios. A lei federal exige a inclusão dessa disciplina nos cursos de Pedagogia, mas Milton reivindica que, em todas as instituições federais de ensino superior da Bahia, sejam implantados cursos de Pedagogia voltados para a formação bilíngue do aluno.
 
Nos dias de hoje, o professor que leciona para surdos não é bilíngue por não se submeter a uma formação adequada, e quem sofre com isso é o próprio surdo. Logo, Milton defende a melhoria da educação, solicitando que nas universidades federais seja inserida, no curso de Pedagogia, uma formação bilíngue para alunos ouvintes.
 
As propostas de Milton receberam, além da ASLF, as adesões de várias outras associações de surdos do interior baiano, como de Feira de Santana, de Vitória da Conquista, do Vale do Jiquiriçá e de Teixeira de Freitas. Graças a essas articulações, a comunidade surda do estado da Bahia está apoiando, absolutamente, a candidatura do docente a uma vaga na Câmara dos Deputados.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Câmara de Conquista abre concurso para todos os níveis

Interessados poderão se inscrever para seleção pública entre 28 de julho e 15 de agosto, pela internet
 
Salários variam entre R$ 796,40 e R$ 2.027, e jornada de trabalho corresponde a 40 horas, com exceção de advogado e jornalista
(Foto: Arquivo)
 
A Câmara Municipal de Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, abriu concurso público para cargos de níveis fundamental incompleto ao superior. As remunerações variam entre R$ 796,40 e R$ 2.027, e a jornada de trabalho é de 40 horas semanais para todos os cargos, exceto advogado e jornalista, que cobram 30 horas.
 
Quanto às inscrições, os concursandos poderão acessar o site do Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam), organizador do certame, no período compreendido entre os dias 28 de julho a 15 de agosto. As taxas são de R$ 35 para cargos de nível fundamental, R$ 55 para nível médio e R$ 75 para nível superior.
 
Já para os candidatos que não dispõem de acesso à internet, por qualquer motivo, será disponibilizado microcomputador para viabilizar a efetivação da inscrição, encontrado no Posto de Atendimento, localizado na Rua Coronel Gugé, 191, térreo, no Centro de Vitória da Conquista, de segunda a sexta-feira, das 9 às 17 h.
 
Sobre cargos e provas
 
Os cargos do concurso estão distribuídos da seguinte forma: para nível fundamental incompleto, estão disponíveis 7 vagas para agente de serviços auxiliares; e para nível fundamental completo, há 5 vagas para guarda patrimonial e 3 para motorista.
 
Candidatos com nível médio/técnico completo podem concorrer a 13 vagas para agente legislativo, 2 para técnico em informática e 1 para operador de audiovisual. Já os cargos de nível superior são para administrador, advogado e contador, com 1 vaga cada um, e jornalista, com 2 vagas.
 
De caráter eliminatório, as provas objetivas estão previstas para 21 de setembro, às 13 h, e serão constituídas de questões de múltipla escolha. Elas serão aplicadas em Conquista e, caso necessário, em municípios vizinhos, nos locais especificados pelo Ibam. O concurso terá validade de dois anos, prorrogável uma vez por igual período.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Exposição em Salvador reúne os mestres da gravura

Seleção de 170 obras que representam a história da arte plástica na Europa, realizadas entre os séculos XV e XVIII e pertencentes à Biblioteca Nacional, segue em cartaz até agosto no Museu de Arte da Bahia

Adão e Eva, de Albrecht Dürer, datada de 1504, está entre as imagens disponíveis na mostra
(Imagem: Divulgação)
 
Em cartaz no Museu de Arte da Bahia (Mab), no Corredor da Vitória, desde o último dia 9, a exposição Mestres da gravura apresenta 170 obras representativas da história da gravura europeia em quatro séculos, com o testemunho de gênios dessa arte visual. Todas elas pertencem ao acervo da Fundação Biblioteca Nacional.
 
Pela primeira vez em Salvador, onde segue até 31 de agosto, Mestres da gravura já havia passado anteriormente por Belo Horizonte, entre abril e junho. Quando a mostra estava em temporada na capital mineira, as gravuras foram expostas no Palácio das Artes, mantido pela Fundação Clóvis Salgado.
 
A coleção reúne imagens produzidas em diferentes técnicas de gravação em metal e madeira, realizadas entre os séculos XV e XVIII por 79 artistas. Entre eles estão o alemão Albrecht Dürer (1471-1528), os holandeses Lucas van Leyden (1494-1533) e Rembrandt (1606-1669), o francês Jacques Callot (1592-1635), o italiano Giovanni Battista Piranesi (1720-1778), o espanhol Francisco Goya (1746-1828) e o inglês William Hogarth (1697-1764).
 
Com curadoria da historiadora de arte e mestra em Museologia e Patrimônio na Divisão de Iconografia da Biblioteca Nacional, Fernanda Terra, o conjunto de gravuras remonta à Real Biblioteca de Portugal, cujo acervo foi transferido daquele país para o Brasil em 1808, originando a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, atualmente uma das dez maiores do mundo e a maior da América Latina.
 
Serviço
 
Exposição: Mestres da gravura
 
Período: Até 31 de agosto (domingo)
 
Horários: Terça a sexta-feira, das 13 às 19 h, e sábados, domingos e feriados, das 14 às 19 h
 
Local: Museu de Arte da Bahia (Mab)
 
Endereço: Avenida Sete de Setembro, 2.340, Corredor da Vitória
 
Entrada franca

Milton, um militante das minorias

Nobre defensor das causas da pessoa com deficiência, especialmente da comunidade surda, o professor Milton Bezerra Filho detém um itinerário de vida marcado por sua perseverança contínua diante dos problemas que superou
 
Surdez foi descoberta pelos pais antes mesmo de ele completar um ano: “Meus pais sofreram muito”
(Foto: Márcia Araújo)
 
Reconhecido na área educacional, sobretudo na instrução de deficientes auditivos, e engajado nas causas da comunidade surda há quarenta anos, o professor Milton Guimarães Bezerra Filho faz da superação sua característica marcante da sua trajetória de vida. Sempre venceu os obstáculos e, diante deles, percorreu um caminho de lutas, conquistas e vitórias.
 
Primogênito de uma família de cinco filhos, Professor Milton, como é chamado, nasceu em Salvador no dia 20 de novembro de 1956. Antes mesmo de completar um ano de idade, foi detectada sua surdez, porém ele nunca desistiu de superá-la. “Quando meus pais descobriram a minha surdez, sofreram muito. Minha mãe não esperava e meu pai não aceitava”, lembrou.
 
Iniciou seus estudos em 1964, na Escola Wilson Lins, especializada na educação de pessoas com deficiência auditiva, onde fez seus primeiros contatos com a comunidade surda. De acordo com ele, a educação é um processo social, podendo ser introduzida através do estímulo na família. “Meu pai lia muito jornal e revista, e me incentivou a gostar de ler”, disse.
 
Em julho de 1968, Milton e sua família se transferiram para o Rio de Janeiro a fim de oferecer-lhe melhores condições de ensino. Na Cidade Maravilhosa, estudou na Escola Santa Cecília, vocacionada para alunos surdos.
 
Ao retornar a Salvador, em 1975, foi matriculado na Associação de Foniatria da Bahia. Transferiu-se, posteriormente, para uma escola de ouvintes. Entretanto, a instituição não incluía em sua metodologia de ensino a língua brasileira de sinais (Libras). Em meio às dificuldades de comunicação para frequentar as aulas, conseguiu a façanha de completar o Ensino Médio.
 
“Quando os ouvintes se dispuserem a ouvir o que os surdos têm a lhes dizer, principalmente sobre sua comunicação e cultura, nós, surdos, nos tornaremos mais plenos e eficazes, possibilitando as mesmas oportunidades que os ouvintes”, declarou o professor, que é pós-graduado em Psicopedagogia.

No período em que exerceu a presidência do Cesba, do qual fora um dos criadores, o Professor Milton implantou o projeto Surdo e Sociedade
(Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)

Em defesa de sua comunidade

Seus familiares lhe proporcionaram condições de estudo diferenciado e, graças a esse feito, passou a defender os direitos da comunidade surda, já que a realidade dessas pessoas continua sendo discriminatória. Nessa perspectiva, Milton Bezerra Filho participou, em 2 de julho de 1979, da fundação do Centro de Surdos da Bahia (Cesba), do qual foi presidente, eleito por unanimidade para o quadriênio 1992-1995.
 
Nesse período, o Professor Milton implantou no Cesba o projeto Surdo e Sociedade, além de apoiar o projeto Surdos no Mercado de Trabalho, entre outros programas de valorização e incentivo às pessoas portadoras de deficiência auditiva.
 
“Apesar dos avanços legais e tecnológicos, a sensação que temos quando encontramos uma pessoa com deficiência são sentimentos e posturas de pesar, e o agente transformador dessa realidade será uma verdadeira mudança na educação. Novas concepções e algumas práticas estão emergindo no fazer de gestores e professores, mas ainda não se constituem como um todo homogêneo e sim multifacetado e em construção”, enfatizou.
 
Estimulou sua categoria social na prática de esportes, sendo um dos fundadores da Confederação Brasileira de Desportos de Surdos (CBDS), em 1984 – quando exerceu o cargo de membro do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) –, da Confederação Sul-Americana Desportiva dos Surdos (Consudes), em 1985, e da Liga Nordestina Desportiva de Surdos (Lindes), entre outras realizações significativas.
 
Primeiro pedagogo surdo na Bahia, Milton também é um dos incentivadores do projeto Surdo É Cidadão, idealizado por sua esposa, a psicóloga Márcia Araújo. Contemplada no ano passado com o 5º Prêmio Servidor Cidadão, do governo do estado, no qual faturou o quarto lugar, a iniciativa promove a cidadania para as pessoas surdas e valoriza os aspectos culturais e identitários dessa minoria social.
 
Ao cursar Pedagogia em Educação Especial, o docente retornou um grande desejo de sua vida, a fim de trabalhar com a comunidade surda
(Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)
 
Um profissional dedicado
 
O itinerário profissional de Milton Bezerra Filho, um homem exemplar, corajoso e batalhador, se iniciou em 1981, quando foi admitido na Companhia de Processamento de Dados do Estado da Bahia (Prodeb). Pelo fato de militar continuamente na luta pelos direitos dos surdos, ele sempre busca, junto à comunidade e à sociedade, o aprimoramento na implementação das políticas públicas direcionadas à sua área.
 
Em 1989, Milton recebeu da Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos (Feneis), no Rio de Janeiro, a primeira autorização para lecionar Libras. No ano 2000, realizou o sonho de ingressar no ensino superior, a princípio no curso de Ciências Contábeis das Faculdades Integradas Ipitanga (Unibahia), em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, onde adquiriu novos horizontes.
 
No entanto, em 2001, ele ultrapassou mais um obstáculo. Teve a oportunidade de se mudar para outro curso, Pedagogia em Educação Especial – concluído em 2006 –, por ser compatível com sua maior bandeira de luta. “Retornei um grande sonho da minha vida: cursar o ensino superior para trabalhar com a comunidade surda, buscando desmistificar mitos e quebrar preconceitos”, salientou.
 
Mais duas relevantes vitórias foram alcançadas pelo professor naquele mesmo ano. A Feneis o indicou para participar do curso de instrutor de Libras, oferecido pelo Ministério da Educação (MEC), responsável por implementar políticas públicas nessa área. O MEC também o certificou como instrutor de Libras do estado da Bahia.
 
Acadêmico
 
Após terminar a graduação, Milton se tornou docente de Libras em diversas instituições de ensino superior, como a Faculdade Evangélica de Salvador (Facesa), na qual foi o primeiro professor surdo, e o Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), onde leciona atualmente em alguns cursos de graduação. Além da Unijorge, ele dá aulas nos cursos de pós-graduação da Associação Classista de Educação do Estado da Bahia (Aceb).
 
Professor Milton (o segundo, da esquerda para a direita) tem contribuído na conquista do passe livre no transporte coletivo intermunicipal
(Foto: Márcia Araújo – 15/12/2011)
 
Milton, também presidente do Centro de Estudos Culturais Linguísticos Surdos (Ceclis), é convidado para ministrar cursos de Libras e palestras inerentes à acessibilidade das pessoas surdas, além de participar de discussões que visam à implementação das leis pertinentes às questões que envolvem a educação dos surdos. “É com educação de qualidade, com profissionais treinados, que vamos tirar a pessoa com deficiência da obscuridade educacional”, destacou.
 
Por ter acumulado homenagens ao longo de sua trajetória, principalmente pela sua colaboração determinante junto à comunidade surda no que diz respeito à melhoria da qualidade de vida e da educação, o professor é um militante determinado no intuito de fortalecer os direitos de sua categoria através de políticas públicas. Isso fará com que os direitos adquiridos sejam cumpridos, somados à redução do preconceito e da invisibilidade dentro da sociedade.
 
Conforme Milton Bezerra Filho, o maior desafio do surdo, indivíduo classificado como diferente e que enfrenta traumas e dificuldades peculiares, é combater o preconceito social. “A linguística do surdo é minoria. A maioria das pessoas em nossa sociedade não tem interesse em aprender uma linguagem complementar para uma melhor comunicação entre as partes”, afirmou.
 
Milton (à direita, ao lado da vereadora e candidata a deputada estadual Fabíola Mansur) se filiou ao PSB pelo fato de a legenda possuir projetos condizentes com seus ideais
(Foto: Reprodução/Facebook)
 
Engajando-se na política
 
Na qualidade de militante político, o Professor Milton herdou do pai, o falecido jornalista e advogado Milton Guimarães Bezerra, ex-diretor-geral do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), um dos fundadores do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e presidente do partido durante o golpe militar de 1964, duas de suas virtudes: a perseverança e a determinação para a construção de um futuro melhor.
 
Homem de ideias convincentes, filiou-se ao PSB por entender que a legenda possui princípios e compromissos condizentes com seus ideais. “Tenho vocação política e milito pela causa dos surdos desde 1974. Além disso, desenvolvo ações de formação política para surdos com o ideário socialista dentro do PSB”, justificou o docente, que concorre a uma vaga na Câmara dos Deputados nestas eleições.
 
A candidatura do Professor Milton, por representar o movimento das pessoas com deficiência, tem como propostas a luta pela criação da lei que assegura a presença de um intérprete de Libras em todas as etapas do processo de aquisição da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do surdo e da Comissão Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, entre outros projetos que lhes trarão benefícios.
 
“Chega de estar fazendo parte das construções. É necessário inserir uma representação no Poder Legislativo, assim como outros grupos já os têm. Eu tenho competência para representar as pessoas com deficiência nacionalmente e agora temos a real possibilidade de colocar um representante no poder”, esclareceu, acrescentando que é preciso se unir em prol da conquista dos direitos dessa minoria, considerada um objetivo supremo.

O ideal do candidato está centrado num compromisso forte e numa luta interminável. Por intermédio desses atributos, muitas pessoas defensoras da igualdade social se agregaram a Milton, a exemplo da senadora Lídice da Mata (PSB), candidata a governadora da Bahia, que o conhece desde os tempos em que atuaram nas mobilizações pelas ruas. Para ele, o fato de Lídice estar à frente do PSB baiano pesou na sua decisão partidária.
 
Várias pessoas se agregaram ao Professor Milton, como a senadora Lídice da Mata (à direita), que o conhece desde os movimentos de rua
(Foto: Márcia Araújo – 02/07/2014)
 
Contatos com o Professor Milton:
 
 
Facebook: Milton Bezerra Filho

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Melhores momentos do desfile do 2 de Julho em Salvador

Data magna do estado da Bahia, na qual nosso território celebra a consolidação da independência do Brasil, o 2 de Julho se traduz em heroísmo, conquista, coragem e liberdade para todos os patrícios. Enfim, como diz a letra do hino dedicado a essa ocasião suprema da nossa terra, "Nunca mais, nunca mais o despotismo (...) Com tiranos não combinam / Brasileiros, brasileiros corações".

Confira, a seguir, uma galeria fotográfica com os melhores momentos do desfile do 2 de Julho, uma multiplicidade de angulações entusiásticas, heroicas e inesquecíveis. As fotografias abaixo foram registradas por este jornalista em cortejos cívicos e populares nos bairros da Lapinha, de Santo Antônio Além do Carmo e do Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador, além de mobilizações de entidades da sociedade civil.

Parte 1 - Desfile cívico na Lapinha




 
 
Parte 2 - Desfile de bandas de fanfarra e tambores na Lapinha, em frente ao Colégio Soledade
 





 
 
Parte 3 - Presença de populares no desfile da Lapinha

 









 
Parte 4 - Protestos de movimentos sociais e feministas na Lapinha
 








 
Parte 5 - Desfile de populares no Barbalho e em Santo Antônio Além do Carmo
 
 




 
 
Parte 6 - Desfile de populares no Pelourinho