sábado, 31 de agosto de 2013

Médicos estrangeiros participam de encontro com autoridades baianas

Antes de trabalhar em unidades básicas de 22 municípios em situação de pobreza no estado, profissionais terão aulas de português e noções sobre o sistema de saúde pública do Brasil

Com informações da TV Bahia e do portal G1 Bahia

Inseridos no programa Mais Médicos, do Governo Federal, os médicos estrangeiros, recém-chegados à Bahia, se encontraram na manhã desta sexta-feira (30) com autoridades sanitárias oficiais e gestores dos municípios do interior do estado onde irão recebê-los, na Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (UnaSus), na Federação. Esses municípios, apontados como mais carentes, terão mais de 60 profissionais de nacionalidades distintas, que serão submetidos a treinamento prévio por duas semanas.

A cerimônia, além de congregar prefeitos, secretários municipais e médicos estrangeiros, contou ainda com as presenças de representantes do Governo Federal, da Prefeitura de Salvador e do secretário estadual da Saúde, Jorge Solla. Na primeira etapa do projeto, 64 médicos de países como Argentina, Cuba, Espanha, Portugal e Estados Unidos atuarão em unidades de atenção básica de 22 municípios, que estão entre os mais pobres do estado, onde deve recepcionar o maior quantitativo de profissionais oriundos do exterior.

Durante o encontro, eles receberam kits para estudo e, na próxima segunda-feira, 2 de setembro, começarão a assistir a cursos de aperfeiçoamento oferecidos no Instituto Anísio Teixeira (IAT), na Avenida Paralela, com aulas de português e noções de saúde pública no Brasil. A partir do dia 16, se acomodarão em municípios interioranos. De acordo com a Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab), todos os médicos que aportaram no estado já falam português, alguns com fluência mínima, mas a previsão é que, com o tempo, eles se familiarizem com o idioma.

“Esses médicos vão trabalhar em postos de saúde que existem, que estão equipados, que têm enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes comunitários, então a maioria absoluta tem dentistas. Então não são para postos de saúde que ainda vão ser construídos”, afirmou Solla à reportagem da TV Bahia.

Um desafio distante

Entre os 400 médicos cubanos que desembarcaram em solo brasileiro está Emilio Vidal, que vai atender em Cocos, município do oeste baiano, na divisa entre Minas Gerais e Goiás. Emilio jamais conheceu a cidade, situada a mais de mil quilômetros de Salvador, porém já sabe o desafio que brevemente ele presenciará. “Fica muito longe da capital da Bahia, que tem problemas de saúde. Nós vamos trabalhar onde seja necessário. A tarefa é grande, mas não é difícil”, declarou.

Presente à cerimônia, o prefeito de Cocos, Alexnaldo Correia Moreira (PP), o Dr. Alex, em depoimento à TV Bahia, lamentou a ausência de médicos naquela cidade. “Nós não temos encontrado médicos que queiram ir para o nosso município. Com a vinda desses profissionais, nós cadastramos quatro e estamos dando-lhes treinamentos que vão ajudar muito na cobertura da população da nossa cidade”, disse.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Definição, atributos e metodologias de um perfil jornalístico

Hugo Gonçalves e Lorenlai Caribé

Não podemos dar início a este artigo sem explicar o conceito de jornalismo literário, gênero em que o perfil se enquadra. O jornalismo literário é a face romântica do jornalismo em geral, pois nele o jornalista pode criar seu texto de uma maneira mais profunda e detalhada. Esta característica foge do jornalismo de noticiário, aquele que é mais visto e mais superficial também, em que a objetividade é prioridade na hora da notícia. Segundo Felipe Pena (2006), o jornalismo literário tem sete características, a famosa estrela de sete pontas, na qual ele descreve os caminhos para um jornalista fazer um bom texto literário.


Não se trata apenas de fugir das amarras da redação ou de exercitar a veia literária em um livro-reportagem. O conceito é muito mais amplo. Significa potencializar os recursos do Jornalismo, ultrapassar os limites dos acontecimentos cotidianos, proporcionar visões amplas da realidade, exercer plenamente a cidadania, romper as correntes burocráticas do lead, evitar os definidores primários e, principalmente, garantir perenidade e profundidade aos relatos. No dia seguinte, o texto deve servir para algo mais do que simplesmente embrulhar o peixe na feira. (PENA, 2006, p. 13)

O perfil jornalístico é uma análise e uma exposição das opiniões de um determinado entrevistado. Pode ser confundido com uma biografia, mas existem algumas diferenças. Mesmo sendo formatos jornalísticos visivelmente similares, ambos de caráter descritivo, perfil e biografia não devem ser confundidos. Sergio Vilas Boas (2003) justifica essa distinção quanto às suas dimensões textuais, salientando que o primeiro formato focaliza exclusivamente episódios selecionados da vida de uma pessoa, ao passo que nas biografias, em geral publicadas em livros, os autores pormenorizam a história de uma personagem. Logo, os perfis, de natureza autoral, são breves narrativas tanto na extensão quanto no prazo de validade de algumas de suas informações e interpretações do repórter.

Vilas Boas (2003) mencionou dois exemplos emblemáticos de perfis publicados em revistas no exterior e no Brasil, em geral calcados no New Journalism estadunidense da década de 1960, um híbrido de jornalismo e literatura de ficção. Ao analisar o perfil de Frank Sinatra (1914-1998), assinado por Gay Talese, um dos mais representativos jornalistas dos Estados Unidos, para a revista Esquire de abril de 1966, Vilas Boas (2003) o julgou como “exemplar”. Intitulado “Frank Sinatra has a cold” (Frank Sinatra está resfriado), o texto mostra como o cantor e as pessoas que o acompanhavam interagiam entre si e com os outros, aponta os impactos e as coincidências entre as celebridades e os “mortais”, relembra e interpreta os principais momentos de sua infância em Hoboken, Nova Jersey, sua cidade natal (VILAS BOAS, 2003).

Gay Talese elaborou o perfil de Sinatra durante suas andanças em estúdios, programas televisivos, cassinos, lutas de boxe e bares. A fim de redigi-lo, Talese se valeu de ações, diálogos, descrições evocativas, elementos irônicos e humorísticos e um grau de intimidade, possível apenas através de conversas realizadas com amigos, familiares e até desafetos do cantor, além de fartas sessões de pesquisas e leituras. Atrelado à tendência do New Journalism, o perfil é, por conseguinte, típico de uma época em que recursos originários da literatura ficcional revolucionaram o jornalismo (VILAS BOAS, 2003).

Os perfis mais marcantes no Brasil foram publicados na extinta revista mensal Realidade, da Editora Abril, que circulou entre 1966 e 1976. Neles, os repórteres foram incentivados a conduzir diálogos interativos com o propósito de humanizá-los ao máximo. Nessa perspectiva, eles puderam articular informações inerentes ao entrevistado, como o seu cotidiano, seus projetos e suas obras, e argumentos opinativos deste sobre temas ligados a vários âmbitos da contemporaneidade. Entre os perfis publicados em Realidade, Vilas Boas (2003) menciona uma reportagem da edição de novembro de 1968, explorando a vida íntima do cantor e compositor Roberto Carlos. Bem diferente dos perfis jornalísticos feitos no passado, que valorizavam os aspectos humanistas, os textos caracterizados como perfis na atual imprensa brasileira quase ignoram esse paradigma, vigente há mais de quarenta anos (VILAS BOAS, 2003).

Há controvérsias, por parte de alguns autores, com relação a uma exata e definida classificação dos perfis jornalísticos. Para Muniz Sodré e Maria Helena Ferrari (1986), existem três tipos desse gênero textual: o perfil clássico propriamente dito, que visa enfocar o protagonista de uma história; o miniperfil, que consiste num breve enfoque sobre personagens secundárias; e o multiperfil, quando autores diversos escrevem textos referentes a um só objeto da narração. A redação do multiperfil geralmente ocorre por ocasião da morte do perfilado.

Entretanto, Amanda Silva e Wellington Pereira (2010) discordam da classificação proposta por Sodré e Ferrari:
 

Primeiro porque, caso assim fosse, o chamado miniperfil estaria mais próximo ao trecho de uma reportagem ou a abertura de uma entrevista, e segundo, o chamado multiperfil, mais voltado à opinião de vários indivíduos sobre a mesma pessoa, como no caso do enfoque dado à opinião dos especialistas ao longo de uma reportagem. (SILVA; PEREIRA, 2010, p. 3)

Do ponto de vista da metodologia, os pesquisadores classificam o perfil jornalístico conforme três atributos principais: pauta caprichada, entrevista e amparo do perfil no indivíduo que se transformará na personagem. A primeira característica, que consiste numa pauta bem acabada, resulta de uma longa pesquisa efetuada antes, durante e depois, a fim de tornar a conversa inicial um diálogo envolvente. Para os autores, a entrevista, seja presencial ou não, deve ser aberta, com a consolidação de um esquema baseado no processo autor-perfilado-autor-perfil-leitor. Nesse ponto, há a possibilidade de o entrevistador explorar os momentos de uma vertente jornalística que prima pela vida e por quem efetivamente participa dela (SILVA; PEREIRA, 2010).

A terceira e última característica do perfil, de acordo com critérios metodológicos, trata-se da necessidade de ampará-lo no indivíduo, para ser transformado, no texto, em personagem. Silva e Pereira (2010) ponderam que, nesse ponto, a atuação da personagem ao longo do encontro estimula o autor do perfil a observá-la de um determinado modo, que mais tarde permanecerá, dizendo respeito exclusivamente àquele momento. Logo, a construção da persona no perfil poderá variar conforme o limiar de quem ela é, de quem gostaria de ser e do que a sociedade aprova ou não dela.

Referências

PENA, Felipe. Jornalismo literário. São Paulo: Contexto, 2006.

SILVA, Amanda Tenório Pontes da; PEREIRA, Wellington José de Oliveira. A possível relação entre o perfil jornalístico e o perfil nas mídias digitais. In: Revista Eletrônica Temática, João Pessoa, ano VI, n. 11, nov. 2010. Disponível em: http://www.insite.pro.br/2010/Novembro/perfil_jornalistico_pereira.pdf. Acesso em: 8 set. 2012.

SODRÉ, Muniz; FERRARI, Maria Helena. Técnica de reportagem: notas sobre a narrativa jornalística. 5. ed. São Paulo: Summus, 1986.

VILAS BOAS, Sergio. Perfis e como escrevê-los. São Paulo: Summus, 2003.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Clube dos Médicos da Bahia reajusta mensalidades da natação

Vista geral do parque aquático do clube, onde as aulas de natação são ministradas
(Foto: Divulgação/CMB)
 
O Clube dos Médicos da Bahia (CMB), através da sua secretaria de esportes, anunciou um pequeno reajuste nas mensalidades das aulas de natação ministradas em sua sede social, localizada na Boca do Rio. Conforme notificado nesta semana pela secretaria, os valores das atividades sofrerão acréscimos de R$ 5, para sócios adimplentes do clube, e de R$ 10, para não sócios, a partir do dia 1º de setembro.
 
Nova tabela de preços das aulas de natação
 
Sócios adimplentes - acréscimo de R$ 5 nas atuais mensalidades
 
2 vezes por semana - R$ 40
3 vezes por semana - R$ 45
4 vezes por semana - R$ 50
5 vezes por semana - R$ 55

Não sócios - acréscimo de R$ 10 nas atuais mensalidades

2 vezes por semana - R$ 80
3 vezes por semana - R$ 90
4 vezes por semana - R$ 100
5 vezes por semana - R$ 110

As aulas de natação no CMB, conduzidas por profissionais qualificados, acontecem no parque aquático do clube, em dias e horários flexíveis, às segundas-feiras, das 18 às 21 h (noturno); e das terças às sextas-feiras, das 6 às 11 h (matutino), das 14 às 18 h (vespertino) e das 18 às 21 h (noturno). São reservados, para crianças, horários das terças às sextas-feiras, de 8 às 11 h (vespertino) e 14 às 17 h (noturno).

Serviço

Atividade: Aulas de natação

Local: Parque aquático do Clube dos Médicos da Bahia (CMB)

Endereço: Avenida Dom Eugênio Sales, s/nº, Boca do Rio, ao lado da Cantina Montanari

Telefones: (71) 3014-5765 / (71) 3230-1407 (secretaria de esportes)

Site: http://clubedosmedicos.abmnet.org.br

Les Misérables é eleito melhor musical por internautas

Adaptação do clássico de Victor Hugo encabeçou uma lista de cem espetáculos organizada em site britânico
 
Com informações da Agência Estado, do site Adoro Cinema e da Wikipédia
 
Filme faturou 18 prêmios, incluindo três Oscars e três Globos de Ouro
(Imagem: Reprodução)
 
Dirigido pelo cineasta britânico Tom Hooper, o filme Les Misérables (em português, Os miseráveis), de 2012, adaptação do legendário musical que foi encenado em Londres e na Broadway, foi eleita a melhor produção do gênero, a partir de uma lista composta por cem espetáculos. A apuração foi realizada pelo site Jemm Three, do Reino Unido, especializado em musicais, através de votações de internautas.
 
Levando em consideração apenas os oito primeiros colocados, a lista encabeçada pelo espetáculo, que por sua vez foi inspirado em um dos clássicos da literatura mundial, escrito pelo francês Victor Hugo (1802-1885) em 1862, é seguida de Wicked, uma paródia de O mágico de Oz, em segundo lugar, e O fantasma da ópera, o mais bem-sucedido da história da categoria, em terceiro.
 
Aparecem, na quarta posição, Sweeney Todd; na quinta, Rent; e na sexta, A Chorus Line. As adaptações cinematográficas de musicais da Broadway subsequentes do ranking são Into the Woods, na sétima colocação, e West Side Story, na oitava.
 
Personagem principal de Les Misérables, Jean Valjean é preso, mas posteriormente é libertado e tenta recomeçar sua vida
(Foto: Divulgação)
 
Les Misérables faturou 18 prêmios, incluindo três Oscars por melhor atriz coadjuvante (Anne Hathaway), melhor mixagem de som e melhor maquiagem, e três Globos de Ouro por melhor filme, melhor ator (Hugh Jackman) e melhor atriz coadjuvante (Anne Hathaway). Protagonizado por Hugh Jackman, que interpretou Jean Valjean, o enredo da película se passa na França do século XIX, entre a Batalha de Waterloo, em 1815, e as rebeliões de junho de 1832.
 
Na história, Jean, que cumpriu pena por 19 anos nas galés por inúmeras tentativas de fuga e roubar um pão para nutrir sua irmã mais nova e seus sete sobrinhos que passaram fome, acaba sendo posto em liberdade condicional com a obrigatoriedade de se apresentar regularmente. Após a sua soltura, Jean se sente discriminado por todos, mas tenta recomeçar sua vida e se redimir do passado de ex-presidiário, ao mesmo tempo que rompe com a condicional, resultando na fuga da perseguição do inspetor Javert (Russell Crowe).

Revelada descoberta de uma nova estrela gêmea do Sol

Liderada por astrônomos brasileiros, equipe de cientistas anunciou ontem a presença do astro no sistema solar, 8,2 bilhões de anos mais velho que o Sol e com suas mesmas características

Com informações do Jornal Hoje (TV Globo), do portal G1 e da Agência Estado
 
Estrela, batizada de HIP 102152, encontra-se situada na constelação de Capricórnio, a 250 anos-luz de distância do nosso planeta
(Foto: Divulgação)
 
Astrônomos de seis países, liderados por brasileiros, anunciaram a descoberta de uma estrela gêmea do Sol, que é 8,2 bilhões de anos mais velha que o astro-rei. Situada na constelação austral de Capricórnio, distante 250 anos-luz da Terra, a estrela, denominada Hipparcos 102152, ou HIP 102152, é considerada gêmea por possuírem massa e composição química similares às do Sol.
 
O trabalho, publicado em artigo da revista especializada The Astrophysical Journal Letters, foi coordenado pelos pesquisadores TalaWanda Monroe, estadunidense, e Jorge Meléndez, peruano, ambos do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG/USP), e anunciado nesta quarta-feira (28) em coletiva de imprensa. A descoberta foi detectada a partir de observações no Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile, durante 40 noites desde 2011.
 
De acordo com os cientistas responsáveis pelo estudo, verifica-se a possibilidade de visualizar como a nova estrela gêmea solar vai evoluir, e também como será o futuro do Sol e do sistema solar. "O que define a evolução de uma estrela é sua massa e sua composição química. A observação dessa estrela vai nos trazer pistas de como será o futuro da nossa, de como o Sol vai envelhecer", elucidou Meléndez à Agência Estado.
 
Na acepção do astrônomo, o Sol, que tem cerca de 4,6 bilhões de anos – portanto mais novo que a estrela – atualmente está na metade da sua vida. "Mas infelizmente nós, astrônomos, só o temos observado com telescópio há 400 anos (referindo-se às primeiras observações realizadas pelo astrônomo italiano Galileu Galilei, 1564-1642), o que torna impossível estudá-lo só com base nelas”, disse.
 
Pesquisa foi coordenada por Jorge Meléndez e TalaWanda Monroe (foto), da USP
(Foto: Luna d'Alama/G1)
 
Mistério nas estrelas
 
Há, pelo menos, um mistério que a estrela recém-descoberta está ajudando a revelar: o mistério do lítio, elemento químico formado durante a gênese do universo e que está presente em baterias. Jorge Meléndez deduziu que a idade e o nível do lítio são inversamente proporcionais. Para o pesquisador, em entrevista à reportagem do Jornal Hoje, da TV Globo, enquanto as estrelas envelhecem, a presença do elemento diminui.
 
Um dos integrantes do trabalho, o brasileiro Cláudio Melo, diretor científico do ESO, diagnosticou a probabilidade de enxergar a HIP 102152 utilizando um telescópio amador e outros equipamentos observadores. Segundo ele, ao redor do astro recém-anunciado, porém, ainda existe a tendência de encontrar corpos celestes semelhantes à Terra com vida.
 
"A gente busca, quase como uma questão filosófica, um planeta semelhante à gente, onde a gente espera que tenham se desenvolvido de uma maneira semelhante. Mas, do tamanho do ponto de vista científico, saber se há ou não planetas de outros tipos de formação também é importante para entender de maneira global a formação planetária", afirmou Melo ao Jornal Hoje.
 
Meléndez, do IAG/USP, assegurou a importância de encontrar no universo estrelas gêmeas, e destacou que haviam sido descobertas outras do gênero – a mais velha, com 8,2 bilhões de anos, foi a primeira a ser encontrada, em 1997. Na mesma pesquisa revelada ontem, astrônomos também identificaram uma gêmea mais recente, batizada de 18 Scorpii, que deve ter 2,9 bilhões de anos.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Natação, um exercício salutar

Modalidades esportivas aquáticas, a exemplo da natação e da hidroginástica, são vantajosas para a conservação do nosso bem-estar, tanto corporal quanto mental e espiritual. Como praticante da natação, observo que ela traz uma série de reflexos positivos não somente aos atletas profissionais, mas também aos aprendizes e àqueles que fazem do esporte uma singela devoção.
 
Penetrar na água fresca e cristalina de qualquer piscina, seja olímpica ou semiolímpica, induz as pessoas a perceber uma simultaneamente aprazível e salutar sensação de equilíbrio e vitalidade. Tanta gente sente medo da piscina devido a gélida característica térmica de sua água. No entanto, é essencial domar o pessimismo aparente e admitir a coragem no momento de nadar ou de mergulhar.
 
A cada esforço que fazemos com nossos membros superiores – braços e mãos – e inferiores – pernas e pés –, muitas vezes esses órgãos aparentam estar exaustos. Os nadadores, portanto, são obrigados a enfrentar os cansaços físicos frequentes, principalmente quando eles exercitam determinadas partes do seu corpo com velocidade contínua.
 
Sim, velocidade resultante dos movimentos, incumbidos de consumir energia pela queima total das calorias. Nas piscinas, onde os exercícios priorizam tolerância, paciência e controle ao transitarem nas águas frias (e no entanto aquecidas graças à permanência do indivíduo no tanque revestido de azulejos), os atletas tranquilizam suas tensões que os deixam eufóricos e inquietos.
 
Embora demonstrasse quaisquer dificuldades prováveis, a estratégia de nadar e de mergulhar converte a supermáquina humana num organismo saudável e com os músculos tonificados pela própria ação do líquido precioso. Sabemos, obviamente, que os esportes aquáticos nos auxiliam a adquirir hábitos de vida decentes, somados e multiplicados a outros dispositivos coniventes com o bem-estar coletivo e individual.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Grupo de trabalho focaliza relações de gênero

Por meio de debates e outras ações, colegiado argumenta e questiona aspectos relacionados à temática no âmbito psicológico, sob uma abordagem feminista

Com a proposta de promover argumentos e desenvolver atividades que questionam os aspectos interligados à categoria gênero, de compreender como a Psicologia vem contribuindo para essencializar diferenças entre homens e mulheres e reforçar estigmas como o sexismo e de favorecer e dar visibilidade a iniciativas que buscam reverter esse quadro opressor, a partir de um ângulo feminista, o Conselho Regional de Psicologia da 3ª Região (CRP-03) mantém o Grupo de Trabalho de Relações de Gênero e Psicologia (GTRGP).

Instituído em março de 2008, o GTRGP integra a Comissão de Direitos Humanos do conselho. Atuando de forma interdisciplinar, o colegiado se articula permanentemente com os demais grupos de trabalho e comissões do CRP-03, propiciando a construção de uma atmosfera na qual seus membros discutem temáticas transversais e desenvolvem ações conjuntas.

Estão na pauta de debates do grupo assuntos como as estruturas sociais e práticas pessoais e profissionais que perpetuam o sexismo e funcionam como instrumentos de controle social; a violência de gênero, que tem produzido danos psíquicos e repercutido negativamente na saúde física e mental de muitas mulheres; os discursos alternativos que questionem a ordem dominante, machista e opressiva às mulheres, entre outros temas preponderantes de interesse dos psicólogos e estudantes de Psicologia.

Segundo os membros do GT, a comunidade psicológica precisa estar próxima das discussões de gênero com o intuito de promover esses discursos, identificando e desconstruindo fatores perpetuadores da discriminação sexual, além de preservar a equidade entre os gêneros masculino e feminino. “Que vivemos em uma sociedade ainda desigual, sabemos. Mas que essa desigualdade se manifesta em variadas formas sutis e repercute em uma violência cotidiana e silenciosa”, refletem.

Atividades desenvolvidas pelo grupo

O GTRGP, além de discutir temáticas com psicólogos e estudantes da área, potencializa diálogos em confluência com outros GTs e comissões pertinentes ao CRP-03, para transversalizar a discussão da categoria gênero como análise de natureza política e social; mantém contatos e articulações com instâncias governamentais e não governamentais específicas e participa de eventos sobre gênero e psicologia, visando à sensibilização com a temática, o estímulo de discussões que integrem essas duas áreas e a divulgação das ações do colegiado.

Além disso, o grupo de trabalho elabora materiais de comunicação impressos e virtuais (blog, Twitter e Facebook) e os atualiza, com produções acadêmicas inerentes a gênero e suas transversalidades – gênero e comunicação, gênero e violência, gênero e saúde mental, gênero e sexualidades, gênero e raça, etc. –, com enfoque na necessidade de trazer esse assunto de utilidade pública para o âmbito das práticas e dos discursos da Psicologia.

Mais informações sobre o GTRGP podem ser obtidas pelo endereço eletrônico www.crp03.org.br/site/ComissaoDHumanos_GTRGP.aspx, pelo blog http://observatorio03mulheres.wordpress.com ou pelo e-mail gtrgp@crp03.org.br. Nas redes sociais, o colegiado mantém seus canais do Twitter (http://twitter.com/gtrgp) e do Facebook (www.facebook.com/gt.genero). Os interessados também podem se dirigir pessoalmente à sede do CRP-03, na Rua Professor Aristides Novis, 27, na Federação, ou entrar em contato pelo telefone (71) 3247-6716.

Mousse de maracujá

Sobremesa deliciosa e prática é elaborada à base da própria fruta, enriquecida em nutrientes, como vitaminas e sais minerais, e que possui propriedades tranquilizantes

Com informações da TV Bahia
 
Receita simples fica pronta em uma hora no congelador e pode ser preparada com outras frutas
(Foto: Divulgação)
 
Ingredientes
  • 1 lata de leite condensado
  • 1 lata de creme de leite
  • 1 lata de suco de maracujá

Modo de preparo Passo a passo

Bata todos os ingredientes no liquidificador.

Despeje a mistura numa fôrma ou numa tigela.

Leve a mistura no congelador por uma hora para adquirir consistência.

Sirva em seguida.

Sugestão

Se preferir, use qualquer outra fruta fresca, como manga, laranja, tangerina ou cajá.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

César Borges esclarece impasses em obras viárias

Ministro dos Transportes explicou, entre outros problemas na execução dos serviços estruturantes, o atraso na Ferrovia Oeste-Leste

Com informações de Aline Barnabé, da CBN Salvador
 
Borges concedeu entrevista a uma rádio local nesta segunda-feira
(Foto: Rafael Machado/CBN)
 
O ministro dos Transportes, César Borges, foi entrevistado na manhã desta segunda-feira (26), no programa CBN Salvador 1ª Edição, apresentado por Emmerson José e Alex Ferraz. Na entrevista, Borges expôs os impasses na execução de obras na área de transporte no Brasil, como o caráter rígido da legislação, a fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU) e a necessidade de licenças ambientais, além das metas para as eleições de 2014.
 
De acordo com o ministro, filiado ao Partido da República (PR), as obras da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), que se estenderá de Barreiras a Ilhéus, iniciadas em 2011, encontram-se atrasadas. O cronograma dos serviços está sendo adiado em virtude da carência de projetos executivos e de estudos de sondagem e desapropriação, sendo necessária sua reformulação.
 
“Em abril deste ano, o faturamento estava em torno de R$ 10 milhões por mês. Hoje atingimos R$ 100 milhões por mês e 7 mil operários nas quatro frentes. Está andando bem, o trecho de Ilhéus-Caetité deve ficar pronto até o final do ano, e em 2014, o trecho Caetité-Barreiras. Falta liberação do TCU, pois já temos condições de retomar a obra. Será obra estruturante e importante para a Bahia, e a obra não vai parar”, disse o republicano, que é engenheiro civil.
 
Duplicação das BRs
 
Sobre as rodovias federais que cortam a Bahia, cujas obras de duplicação estão em processo licitatório, como a BR-324, a BR-116 e a BR-101, Borges foi pragmático. “Hoje corremos atrás do prejuízo. Vamos duplicar as vias da BR-116, de Feira de Santana até Serrinha. Para o Sul a responsabilidade (da duplicação) é da Via Bahia, até o (Rio) Paraguaçu, prevista para fevereiro de 2014, e já está atrasada. E a BR-101, queremos licitar a duplicação até a BR-324 e também até a divisa do Espírito Santo”, explicou.
 
César Borges criticou com veemência a operacionalidade da Via Bahia por não haver nenhuma solução de engenharia para a cratera na BR-324, aberta há 90 dias. O ministro dos Transportes exigiu celeridade nas obras e afirmou que já abriu um processo administrativo contra a concessionária, responsável pela gestão e manutenção da BR-324, trecho Salvador-Feira de Santana, e BR-116, de Feira de Santana a Minas Gerais.
 
Ele ainda examinou possíveis soluções, necessárias para reduzir o congestionamento da região compreendida entre a rodovia mais importante da Bahia e o Acesso Norte. “O Governo do Estado levará o metrô até Águas Claras. A prefeitura deve resolver os gargalos de Brasilgás, Pirajá e Valéria (bairros por onde passa a rodovia)”, disse, em depoimento concedido à rádio CBN Salvador FM 91,3, da Rede Bahia.
 
Pendências para 2014
 
Borges não se mostrou muito disposto ao declarar a respeito das eleições de 2014, fazendo com que as discussões sejam fomentadas a partir do mês de junho, quando a campanha dará início. “Tem questões pendentes e não dá para fazer política agora. Vamos deixar lá para meados do ano que vem para tomar as devidas posições. Sou político, sou técnico, e coloco meu nome à disposição porque estou na política. Não sou candidato, nem deixo de ser. Quem é do mar não enjoa. Quero o melhor para a Bahia”, prognosticou.
 
Ao levantar hipóteses de o PR integrar a chapa majoritária (para candidatos a presidente, governador e senador), como ambicionam dois outros partidos da base aliada, o PP e o PDT, o ministro ressaltou que a legenda não firmou esse compromisso. “O PT é majoritário e tem todas as condições de lançar candidato. Mas não temos essa posição, estamos em aberto. Temos hoje uma aliança e não temos dificuldade de ficar entre uma posição e outra”, afirmou Borges, que já foi deputado, vice-governador, governador e senador.

Pesquisadores mexicanos criam água em pó para aliviar os efeitos da seca

O produto, também conhecido como “chuva sólida”, tem o potencial de absorver quantidades enormes de água, usando o líquido para umedecer lavouras em épocas de estiagem
 
Com informações dos portais A Tarde Online e iG

Apenas dez gramas de “chuva sólida” podem absorver um litro de água durante o plantio
(Foto: Divulgação/Solid Rain Corporation)
 
Para que proporcionasse maior rendimento no uso da água durante o plantio, um grupo de pesquisadores do México se entusiasmou com um produto que afirma ter potencial para solucionar o obstáculo de se cultivar em regiões áridas do globo. O invento, batizado de “chuva sólida”, é um pó capaz de absorver quantidades volumosas de água e liberá-la paulatinamente, utilizando-a para umedecer as plantações em períodos de extensa estiagem.
 
Derivada de um polímero absorvente, desenvolvido originalmente na década de 1970 pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) para a confecção de fraldas descartáveis, a água em pó, como o material também é conhecido, pode absorver um litro de água por apenas 10 gramas, segundo informações da BBC.
 
O engenheiro químico mexicano Sergio Jesús Rico Velasco, porém, ao se utilizar da substância, concebeu e patenteou uma versão diferente da fórmula, observando nela um potencial que ia muito além de deixar o corpo dos bebês seco. No cultivo de plantações, a “chuva sólida” pode ser misturada com o solo para armazenar a água por até 10 anos, a depender da qualidade do líquido retido no polímero.
 
Sob a chancela do próprio Velasco, a “chuva sólida” vem sendo comercializada no México há cerca de 10 anos. Durante o teste do produto, o governo daquele país constatou, por meio de uma pesquisa, que a utilização do produto, ao ser aplicado ao solo, tem chances de até 300% no incremento da produtividade de lavouras em épocas de seca prolongada.
 
O vice-presidente da empresa Chuva Sólida, Edwin González, afirmou que a água em pó agora vem atraindo um interesse enorme, em decorrência dos temores por insuficiência de água. “Ele funciona encapsulando água e pode durar 8 a 10 anos no solo, dependendo da qualidade da água. Se você usar água pura, ele dura mais”, esclareceu, em entrevista à BBC.
 
De acordo com a empresa, usar cerca de 50 quilos do produto por hectare (10 mil metros quadrados) é o recomendável; entretanto, essa quantidade custa o montante aproximado de US$ 1.500, equivalente a R$ 3.500. A “chuva sólida”, segundo González, mesmo após utilizada por muito tempo, é natural, não tóxica e não causa nenhum prejuízo ao solo. O executivo também disse que o pó, ao se desintegrar, passa a fazer parte das plantas, que sobrevivem à aridez do solo com a aplicação do produto.
 
Invenção não é unanimidade
 
Mas nem todos, inclusive a comunidade científica internacional, estão unânimes de que a invenção mexicana equacionasse de imediato o crônico colapso da falta de água. A professora Linda Chalker-Scott, da Universidade de Washington, nos EUA, afirmou que materiais como esse foram desenvolvidos em épocas anteriores e sem evidências científicas que sugerissem que eles promovam o depósito de água por um ano.
 
Em entrevista à BBC, Linda argumentou que o polímero, substância da qual a “chuva sólida” é extraída, pode também provocar danos à agricultura. “Isso porque à medida que eles secam, ele vai sugando a água ao redor dele mais vigorosamente. E assim ele desvia a água que iria para a raiz das plantas”, disse. A professora ainda recorda que usar fertilizantes obtidos a partir de lascas de madeira surte um efeito idêntico ao da “chuva sólida”, implicando uma alternativa econômica.
 
Referindo-se a outros produtos existentes no mercado, Edwin González discorda dos benefícios trazidos por eles. “Os outros concorrentes não duram três ou quatro anos. Os únicos que duram tanto são os que usam sódio em suas fórmulas, mas eles não absorvem tanto”, certificou o empresário mexicano. Ele explicou que sua companhia recebeu milhares de pedidos vindos de locais áridos, incluindo Índia e Austrália, além do Reino Unido, onde as secas não são constantes.

Banco Central oferece 500 vagas para concurso

Com cargos de analista e técnico, certame terá inscrições encerradas em 9 de setembro. Provas serão aplicadas em dez capitais, incluindo Salvador

Estão abertas, até o dia 9 de setembro, as inscrições para o concurso público destinado ao provimento de vagas nos cargos de analista e de técnico do Banco Central do Brasil. O certame, organizado pelo Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/UnB), oferece 500 vagas, e as remunerações oscilam entre R$ 13.595,85, para analistas, e R$ 5.158,23, para técnicos.

A partir de 1º de janeiro de 2014, os salários serão reajustados para R$ 14.289,24 e R$ 5.421,30, para os respectivos cargos, ambos com jornada de trabalho de 40 horas semanais. As inscrições estão sendo efetuadas pela internet, através do site do Cespe. Para confirmá-las, o candidato deve pagar uma taxa de participação de R$ 120 (analista) e R$ 70 (técnico) através da Guia de Recolhimento da União (GRU Cobrança).

Quanto às provas, para ambos os cargos e de caráter eliminatório e classificatório, elas serão aplicadas no dia 20 de outubro nas cidades de Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Serão aplicadas provas objetivas e discursivas, além da avaliação de títulos – somente para o cargo de analista –, da entrega da documentação relativa à vida pregressa e da perícia médica dos candidatos que se declararem com deficiência.

O concurso do Banco Central ainda será complementado por uma segunda etapa, que consiste no Programa de Capacitação, também de caráter eliminatório e classificatório. Prestes a ser realizado em Brasília, o Programa de Capacitação, regido pelas normas inerentes à categoria funcional, será aplicado em data a ser definida em breve, por meio de edital.

Para o cargo de analista, que exige diploma de conclusão de ensino superior em qualquer área, devidamente registrado e emitido por instituição autorizada ou credenciada pelo Ministério da Educação, são oferecidas 400 vagas, distribuídas em seis áreas temáticas: Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Suporte à Infraestrutura de Tecnologia da Informação, Política Econômica e Monetária, Contabilidade e Finanças, Infraestrutura e Logística e Gestão e Análise Processual.

Dividida em apenas duas áreas de conhecimento – Suporte Técnico-Administrativo e Segurança Institucional –, a função de técnico, que preencherá 100 vagas, tem como requisito o certificado de conclusão de nível médio completo, devidamente registrado e fornecido por instituição de ensino reconhecida oficialmente por órgãos competentes.

sábado, 17 de agosto de 2013

Em novela, Tony Ramos encarnou surdo-mudo

Ator fez história em Sol de verão como o sensível e inteligente Abel, que havia perdido a audição em decorrência de meningite

Com informações do Almanaque da TV Globo e do portal Memória Globo

Mesmo convivendo com a surdez, Abel se valeu de todos os meios para se comunicar e aproveitou sua vida ao máximo
(Foto: Divulgação/TV Globo)

Jovem, inteligente, habilidoso, sensível e divertido. Esses foram os atributos que delineavam perfeitamente o surdo-mudo Abel Spina, vivido com maestria por Tony Ramos em Sol de verão, de Manoel Carlos. Na trama, dirigida por Roberto Talma, Jorge Fernando e Guel Arraes e transmitida pela TV Globo em seu horário nobre entre 1982 e 1983, o ator, que coleciona trabalhos heroicos em seu imenso currículo, encarnava um personagem que, durante a infância, havia perdido a audição.
 
O convívio perpétuo de Abel com a surdez surgiu quando ele tinha oito anos, em decorrência de uma meningite. Contudo, o rapaz, que escondeu suas lástimas com uma felicidade aparente, se valeu de todos os recursos prováveis para se comunicar e prosseguiu aproveitando ao máximo sua vida. Seu pai, que havia sido acusado de crime de curandeirismo e se refugiou para não ser preso, o abandonou aos 18 anos, tornando-o um indivíduo mais recluso.
 
Logo Abel, obstinado, passou a se alojar num sobrado e se arriscar como empregado na oficina do mecânico Heitor Kock, vivido pelo saudoso Jardel Filho, amicíssimo de Maneco. O veterano ator, que interpretava um dos protagonistas de Sol de verão, faleceu em 19 de fevereiro de 1983, vítima de um ataque cardíaco fulminante, enquanto a novela, ambientada na zona sul do Rio de Janeiro, ainda estava no ar. Na oficina, ao consertar coisas, Abel pôs em evidência sua habilidade.
 
Também tinha fascínio pela botânica por cultivar sua paixão por plantas. Aficionado por futebol e paqueras e apreciador de chope, o surdo-mudo teve a identidade da sua mãe totalmente ignorada, que seria desvendada no último capítulo: era Sofia (Yara Amaral). Por ser aluno de uma escola especializada na educação de deficientes auditivos, ele se tornou amigo de Rachel Porto Machado, personagem de Irene Ravache, que conseguiu um emprego de professora, ministrando aulas para uma turma de surdos.
 
Visitas a instituto
 
Para que Tony Ramos interpretasse Abel, o ator fez laboratório com visitas frequentes ao Instituto Nacional de Educação dos Surdos, situado no bairro das Laranjeiras, zona sul carioca. Foi naquele local onde ele, com sua filmadora portátil, registrou algumas imagens de um casal de deficientes auditivos que tinha um filho nascido sem problemas de audição. As gravações lhe permitiram que ele pudesse observar os sinais, os gestos e as expressões. Tony contou que presenciou até a vibração do piso provocada pela música.
 
Além de familiarizar-se com a linguagem dos sinais, ele aprendeu a não piscar em circunstâncias incômodas, como as marteladas e o barulho dos motores de automóveis, situações rotineiras na oficina onde seu personagem trabalhava. Seu enorme êxito em Sol de verão gerou repercussão entre o público em todo o país, com predomínio entre as crianças, que souberam imitar a linguagem dos surdos-mudos nas escolas.
 
O jornal O Globo, aproveitando-se desse impacto, chegou a publicar o alfabeto manual dos sinais, que também foi comercializado nas ruas das grandes cidades brasileiras por vendedores ambulantes em forma de panfletos. Neles constavam desenhos das mãos humanas reproduzindo cada letra e cada algarismo, popularizando os gestos que Abel exercitava na ficção. Tão verossímeis quanto o enredo da novela das oito, contemplado por romances, mistérios, reviravoltas e uma sensibilidade inigualável.
 
Confira, no vídeo abaixo, alguns momentos de Tony Ramos como Abel em Sol de verão. Note que as primeiras cenas são sonorizadas com uma versão instrumental da música Tempos modernos, megassucesso de Lulu Santos lançado em 1982, incluída na trilha sonora nacional da novela: