terça-feira, 29 de maio de 2012

Unijorge adia evento de comunicação e tecnologia

Previsto para amanhã, o Ciber.Comunica 7.0 foi prorrogado devido aos ajustes no calendário da instituição após greve

A coordenação dos cursos de Comunicação Social do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge) adiou o Ciber.Comunica 7.0, que aconteceria nesta quarta-feira (30). O encontro anual, cujo tema é "Arte na cidade: comunicação, tecnologia e intervenções urbanas", teria como convidados a artista, pesquisadora da arte eletrônica e professora da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Karla Brunet, e o artista plástico, artista multimídia, DJ, VJ e videomaker Gabiru.

A assessoria de imprensa da Unijorge notifica que o adiamento da sétima edição do Ciber.Comunica foi ocasionado em virtude da reestruturação do calendário acadêmico da instituição de ensino superior após a greve dos rodoviários na Bahia, que durou unicamente três dias na semana passada. Em breve, a coordenação dos cursos de Comunicação, que promove o evento, divulgará uma nova data.

Interconexões: panorama histórico-evolutivo da internet e seus mecanismos de funcionamento

Maior sistema de comunicação desenvolvido pela humanidade, a internet, conforme artigo de Kellen Cristina Bogo (2005), “é um conjunto de redes de computadores interligadas que tem em comum um conjunto de protocolos e serviços, de uma forma que os usuários conectados possam usufruir de serviços de informação e comunicação de alcance mundial”. Em um trabalho acadêmico acerca da história da internet, o graduando Wesley Henrique Pereira Mendes (2010) afirma que não há nenhum gerenciamento centralizado para ela. Trata-se de um conjunto de milhares de redes e organizações subordinadas; cada uma delas é administrada e sustentada por seu próprio usuário.

Cada rede individual contribui, em sinergia com outras redes e organizações, para gerenciar o tráfego da internet, de modo que as informações possam transitar livremente, integrando o mundo conectado da internet. No entanto, para efetuar essa cooperação, é necessário um consenso geral sobre procedimentos e padrões para protocolos, dentre outros itens, encontrados em Requests for Comment (RFC), ou solicitações para comentários, sobre os quais os usuários e organizações estão de acordo (MENDES, 2010).

O embrião do que atualmente é a rede internacional de computadores foi gestado em 1969, em plena Guerra Fria, pela empresa estadunidense Advanced Research and Projects Agency (ARPA). Batizada com a denominação ARPANET, a estratégia conjunta de quatro instituições de ensino superior dos Estados Unidos – Universidade da Califórnia em Los Angeles, Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, Instituto de Pesquisa de Stanford e Universidade de Utah (MENDES, 2010) – objetivava conectar os departamentos de pesquisa e proteger a comunicação das bases militares dos Estados Unidos, extremamente vulnerável a ataques nucleares da extinta União Soviética (BOGO, 2005).

Toda a comunicação da ARPANET passava por um computador central que se encontrava no Pentágono, a sede do Departamento de Defesa americano, na cidade de Washington, capital dos EUA. De acordo com a autora, os cientistas das universidades e de outras instituições que desenvolviam trabalhos inerentes à defesa, na década de 1970, tiveram autorização para se conectar à ARPANET. Para se ter uma ideia do crescimento da rede, em 1975, existiram aproximadamente 100 sites. A ARPANET obteve uma dimensão extraordinária no final dos anos 1970, ocasionando a inadequação do seu protocolo de comutação de pacotes original, o Network Control Protocol (NCP) (Idem, 2005).




Os pesquisadores que mantinham a ARPANET estudaram como o crescimento alterou o modo de como as pessoas usavam a rede. Anteriormente, os pesquisadores haviam presumido que manter a velocidade da ARPANET alta o suficiente seria o maior problema, mas na realidade a maior dificuldade se tornou a manutenção da comunicação entre os computadores (ou interoperação). (Idem, 2005)

Após algumas pesquisas, a ARPANET decidiu substituir o já obsoleto NCP por um novo protocolo, designado Transmission Control Protocol/Internet Protocol (TCP/IP), sistema de protocolos considerado o alicerce da atual Internet. Implementado pela Universidade da Califórnia em Berkeley, através do sistema operacional Unix, o TCP/IP, em seu estágio primitivo, impulsionou a convergência de vários centros de ensino superior à ARPANET (MENDES, 2010). Mais tarde, as universidades dos EUA transferiram-na para as universidades e os centros de pesquisas de outros países, possibilitando o seu acesso em âmbito doméstico (BOGO, 2005).

Em 1985, a entidade científica americana National Science Foundation (NSF) conectou os supercomputadores do seu centro de pesquisa, a NSFNET, que no ano subsequente foi incorporada à ARPANET. Com essa integração, a ARPANET e a NSFNET passariam a ser as duas espinhas dorsais (backbones) de uma nova rede global, a qual anos mais tarde se chamaria Internet, constituída junto com os demais computadores ligados a elas (MENDES, 2010). Kellen Bogo (2005) explana que, também na segunda metade dos anos 1980, grandes companhias americanas do ramo de telecomunicações começaram a se interessar pela fabricação e comercialização de equipamentos específicos, como roteadores.

O formato visual da rede como observamos hoje foi proposto no final da mesma década, mais especificamente em 1989, pelo cientista inglês Tim Berners-Lee, membro do Conselho Europeu de Pesquisa Nuclear, com a invenção da World Wide Web (WWW). “Este sistema nasceu para ligar as universidades entre si para que os trabalhos e pesquisas acadêmicos fossem utilizados mutuamente em um ambiente de contribuição dos lados envolvidos” (BARWINSKI, 2009). Berners-Lee também foi o responsável pela concepção de duas ferramentas indispensáveis para o funcionamento da internet, o protocolo Hypertext Transfer Protocol (HTTP) e o código Hypertext Markup Language (HTML) (Idem, 2009).




(...) Com o surgimento da World Wide Web, esse meio foi enriquecido. O conteúdo da rede ficou mais atraente com a possibilidade de incorporar imagens e sons. Um novo sistema de localização de arquivos criou um ambiente em que cada informação tem um endereço único e pode ser encontrada por qualquer usuário da rede. (BOGO, 2005)

A ARPANET, fase embrionária da internet, foi desativada somente em 1990, sendo substituída por um novo backbone, o Defense Research Internet (DRI). Entre os anos de 1991 e 1992, enquanto pesquisadores da entidade Advanced Network and Services (ANS), dos EUA, conceberam o backbone principal da internet, o ANSNET, os europeus iniciaram o desenvolvimento de outro backbone, o Ebone, interligando alguns países da Europa à internet (MENDES, 2010). Conforme o autor, “a partir de 1993 a Internet deixou de ser uma instituição de natureza apenas acadêmica e passou a ser explorada comercialmente (...), abertura esta em nível mundial” (Idem, 2010).

Por trás da recente expansão da internet, está a disponibilidade de serviços de diretório, indexação e pesquisa, por meio de páginas denominadas buscadores ou mecanismos de busca, que auxiliam os usuários da rede, os chamados internautas, a descobrir conteúdos e informações necessárias (BOGO, 2005). A maioria desses serviços de armazenamento, que rapidamente evoluiu para serviços comerciais, germinou em função de pesquisas efetuadas em universidades dos EUA (Idem, 2005), como o Yahoo!, fundado em fevereiro de 1994 por David Filo e Jerry Yang, estudantes de Ph.D. em Engenharia Elétrica na Universidade de Stanford, na Califórnia (THE HISTORY..., 2005), e o maior deles, o Google, estabelecido em 1998 por Larry Page e Sergey Brin, também estudantes de Stanford (GOOGLE, s/d).

No Brasil, o sistema de redes de computadores teve sua experiência precursora no final de 1988, quando duas instituições de educação superior do país se conectaram às universidades estadunidenses. Enquanto o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), no Rio de Janeiro, assegurou, em setembro do mesmo ano, acesso à Bitnet através de uma conexão de 9.600 bits por segundo efetuada com a Universidade de Maryland, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), dois meses depois, também se ligou à Bitnet por meio de uma conexão estabelecida com o Fermi National Accelerator Laboratory (Fermilab), de Chicago (MÜLLER, 2008). Sincronicamente, o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) lançou o Alternex, “o primeiro serviço de acesso à internet no Brasil não governamental e não acadêmico” (LOPES, 2012). A princípio, o Alternex era reservado aos afiliados do Ibase e membros, sendo liberada ao público em 1992.

Em 1989, o governo federal instituiu a Rede Nacional de Pesquisa (RNP), uma operação acadêmica subordinada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, que até os dias atuais é o backbone principal, envolvendo instituições, centros de pesquisa, universidades, laboratórios, dentre outros entes participantes. A Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel) lançou, em 20 de dezembro de 1994, o serviço experimental intencionando conhecer melhor a internet. Por deliberação dos Ministérios das Comunicações e da Ciência e Tecnologia, em 1995, a rede mundial foi aberta ao setor privado para exploração comercial da população brasileira (BOGO, 2005).

Os provedores comerciais de internet passaram a lucrar substancialmente em 1997; como reflexo desse fenômeno, o número de usuários começou a incrementar bastante. Porém, os primeiros usuários da rede, em âmbito doméstico, eram indivíduos que já tinham contato significativo com o computador pessoal e dispunham de recursos financeiros para pagar um provedor acrescentado à fatura telefônica. Somente anos depois, a internet se disseminou com a diminuição dos custos e a introdução da conexão em alta velocidade, mais conhecida como banda larga (Idem, 2005). Estima-se que 44% da população do Brasil possui acesso à internet e 97% das empresas estão conectadas à rede (BARWINSKI, 2009).

Referências

BARWINSKI, Luísa. A World Wide Web completa 20 anos, conheça como ela surgiu. In: Tecmundo. Curitiba: No Zebra Network (NZN), 20 mar. 2009. Disponível em: http://www.tecmundo.com.br/historia/1778-a-world-wide-web-completa-20-anos-conheca-como-ela-surgiu.htm. Acesso em: 14 mai. 2012.

BOGO, Kellen Cristina. História da internet. In: Viaki. São Bernardo do Campo (SP), 2005. Disponível em: http://www.viaki.com/home/internet/historia.php. Acesso em: 11 mai. 2012.

GOOGLE. Empresa. Disponível em: http://www.google.com.br/intl/pt-BR/about/corporate/company. Acesso em: 14 mai. 2012.

LOPES, Diego. História do acesso à internet no Brasil. In: Investir Dinheiro. Viçosa (MG), 2012. Disponível em: http://investirdinheiro.org/historia-acesso-a-internet-no-brasil. Acesso em: 14 mai. 2012.

MENDES, Wesley Henrique Pereira. A história da internet. Goiânia: Faculdade Estácio de Sá, fev. 2010. Disponível em: http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAzqgAH/historia-internet. Acesso em: 14 mai. 2012.

THE HISTORY of Yahoo! – How It All Started... Sunnyvale (EUA): Yahoo! Inc., 2005. Disponível em: http://docs.yahoo.com/info/misc/history.html. Acesso em: 14 mai. 2012.

domingo, 27 de maio de 2012

Pelegrino quer incentivar ambulantes

Valendo-se de um acelerado percurso pelas ruas de Salvador, prefeiturável pretende implantar ações efetivas de valorização da categoria

Com informações da Tribuna da Bahia Online

O pré-candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) à prefeitura, deputado federal Nelson Pelegrino, pretende dar maior atenção aos vendedores ambulantes de Salvador. Considerado o postulante mais ativo, com intenso ritmo de trabalho pelas ruas e avenidas da cidade, Pelegrino evidenciou aos seus adversários que não tem tempo a perder durante a corrida sucessória.

Em entrevista à reportagem do jornal Tribuna da Bahia, o parlamentar enfatizou que falta, em âmbito soteropolitano, estratégias sólidas e efetivas de valorização dos ambulantes. Dentre as ações de solidariedade à categoria profissional informal, destacam-se as linhas de créditos especiais para viabilizar o microempreendedorismo e programas específicos de qualificação.

No caso dos comerciantes de gêneros alimentícios, eles poderão ser contemplados com cursos de extensão nas universidades. Pelegrino, cujo nome foi sacramentado por seus correligionários, ambiciona que o currículo desses cursos inclua noções de higiene, conservação e armazenamento de alimentos, cursos de idiomas e de informática.

O primeiro passo, conforme o pré-candidato petista, é efetuar o cadastramento desses trabalhadores, principalmente nas regiões do Iguatemi e do centro. "Além das feiras livres nos bairros, nos quais serão implantados centros de qualificação e unidades de inclusão social, neste caso em parceria com o governo estadual”, promete.

Melhorias

Ele ainda acrescenta outros aspectos que viabilizem e estimulem a otimização das condições de trabalho para os ambulantes de Salvador, merecendo ênfase para a padronização e a formalização das suas atividades, junto à iniciativa privada.

Segundo Pelegrino, “é preciso uma atenção especial para alguns grupos sociais”. O prefeiturável também pondera que a incorporação da economia solidária à agenda política local implica “abrir a possibilidade de geração de trabalho e renda em empreendimentos coletivos, sob a forma de cooperativas ou associações de reciclagens, confecções, artesanato e outras, nos bairros populares da cidade”.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Ciber.Comunica 7.0 articula arte urbana e comunicação

Sétima edição do encontro, a ser realizado no campus Paralela da Unijorge, discutirá o tema por meio de palestras e oficinas

Neste século corrente, as artes urbanas e a comunicação encontram-se fortemente indissociáveis. É com essa proposta que o Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), através da coordenação dos cursos de Comunicação Social, organiza o Ciber.Comunica 7.0, em um único dia, na próxima quarta-feira (30), em seu campus central, na Avenida Paralela.

A programação do encontro, embasado no espírito do tema “Arte na cidade: comunicação, tecnologia e intervenções urbanas”, será um momento oportuno para levantar discussões inerentes ao assunto sob o viés comunicacional, consistindo de palestras pela manhã e pela noite, proferidas por especialistas, e oficinas de videojóquei (VJ) à tarde.

Caberá à artista e pesquisadora de arte eletrônica Karla Brunet, professora do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Milton Santos (IHAC) e do Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade, ambos na Universidade Federal da Bahia (Ufba), conduzir a palestra de abertura do Ciber.Comunica 7.0, “Arte, mídia locativa e (re)significação do urbano”, a partir das 9 h, no auditório do Nível 3 do Prédio I.

O artista plástico, artista multimídia, DJ, VJ e videomaker Davi Cavalcanti, o VJ Gabiru, terá a incumbência de ministrar a oficina “VJ: sobre o vjing, técnicas e softwares utilizados e sua relação com o mundo das imagens”, às 14 h, no Laboratório de Comunicação da Unijorge (Labcom); e a palestra “VJ e video mapping: vídeo, intervenções urbanas e cultura contemporânea”, às 19:30, no Auditório do Nível 3 do Prédio I. Além disso, o VJ Gabiru também irá palestrar sobre mashups, montagens musicais veiculadas na internet.

Responsável pela realização do evento, a coordenadora dos cursos de Comunicação Social da Unijorge, professora Patrícia Barros Moraes, considera a importância de o aluno refletir sobre a sua temática, indo além do que é abordado nas salas de aula. “Acreditamos na formação de um sujeito completo, capaz de pensar de forma multidisciplinar, articulando diversos saberes e experiências”, argumenta.

Para garantir presença no Ciber.Comunica, tanto alunos e docentes da própria instituição quanto o público externo podem se inscrever pelo seu hotsite. As taxas de inscrição são de R$ 10 (somente palestras) e R$ 15 (oficinas e palestras).

Programação

Palestra "Arte, mídia locativa e (re) significação do urbano"

Palestrante: Karla Brunet

Horário: 9 h

Local: Auditório do Nível 3 do Prédio I – Campus Paralela da Unijorge

Oficina: “VJ: sobre o vjing, técnicas e softwares utilizados e sua relação com o mundo das imagens”

Palestrante: VJ Gabiru

Horário: 14 às 16 h

Quantidade de vagas: 20

Local: Laboratório de Comunicação (Labcom) – Campus Paralela da Unijorge

Palestra: VJ e video mapping: vídeo, intervenções urbanas e cultura contemporânea

Palestrante: VJ Gabiru

Horário: 19h30

Local: Auditório do Nível 3 do Prédio I – Campus Paralela da Unijorge

terça-feira, 22 de maio de 2012

Retrospectiva: Gaby Amarantos apresentou o tecnomelody para o Vídeo show em 2010

Já famosa como a “Beyoncé do Pará”, cantora, cuja música toca na abertura da novela das sete, explicou em detalhes o gênero e seus elementos que fazem dele a identidade regional amazônica

Um dos elementos indispensáveis do som que Gaby e outros artistas executam é a típica aparelhagem de Belém
(Foto: Divulgação)

Com seu álbum de estreia, Treme, literalmente vazando no mercado, a onipresente Gaby Amarantos empresta seu lindo dom da voz ao tema de abertura da novela das 19 h, Cheias de charme, da TV Globo. O folhetim, que narra o cotidiano das empregadas domésticas Penha (Taís Araújo), Cida (Isabelle Drummond) e Rosário (Leandra Leal), serviçais da cantora de eletroforró Chayene (Cláudia Abreu), abre com a interpretação da paraense para Ex mai love, cuja ritmicidade adquire influências da conterrânea banda Calypso.

Dois anos antes de a musa do tecnomelody, tendência musical nascida em seu estado, ganhar uma canção em uma produção teledramatúrgica, ela figurou como repórter por um dia exclusivamente para o programa vespertino global Vídeo show. Na edição datada de 20 de setembro de 2010, Gaby, direto de Belém do Pará, explicou os elementos substanciais do gênero genuinamente amazônico, merecendo destaque para as aparelhagens.

Ela iniciou a matéria dizendo que o movimento, que além de febre na Amazônia já ultrapassou as fronteiras, tocando até no exterior, tornou-se conhecido no Brasil inteiro através do DVD Tecnomelody Brasil, lançado pela gravadora Som Livre, braço fonográfico das Organizações Globo. Seu repertório, segundo a cantora, incluía números de “uma série de artistas incríveis”, como a banda Tecno Show, que ela comandava, e uma constelação de nomes secundários, coadjuvantes, pouco consagrados nacionalmente: Quero Mais, Fruto Sensual, Xeiro Verde, Bruno e Trio e o cantor Jurandir.

Entenda o que é uma aparelhagem

“Essa música maravilhosa não seria nada se não fossem elas: as poderosas, as tecnológicas aparelhagens”, enfatizou Gaby Amarantos, que àquela altura já fazia jus à sua alcunha “Beyoncé do Pará” pelo seu criativo talento, que vislumbra nitidamente o equivalente ao da popstar americana. Alguém tem ciência do que são as aparelhagens, cujo som que emana delas leva o povo ao delírio?

Fala, Gaby: “Uma aparelhagem é um grande sound system, uma grande equipe de som. São caixas monumentais, onde a gente tem uma cabine que tem um dos DJs que comandam a festa. São aquelas aparelhagens de Belém com todos os efeitos, eles soltam fogos, têm telões de LED (do inglês light emitting diode, diodo emissor de luz, um método que irradia a luz em locais e instrumentos onde não há lâmpada)”.

Sobre o tecnomelody, ela o observou como a primeira música eletrônica de identidade da Amazônia, misturando batidas eletrônicas com atributos regionais, a exemplo do folclore local caracterizado pelo carimbó. “Ele é cheio de sintetizadores, de samplers, de efeitos, de vinhetas; é uma música muito eletrizante”, apontou. “Hoje em dia, na Europa, se fala muito em tecnomelody. No Brasil, as pessoas estão começando a conhecer e a sentir essa vibração dessa música nova, que é produzida em Belém do Pará, aonde não se imaginava que fosse se encontrar tanta tecnologia”, descreveu acerca da penetração do ritmo.

O inventivo gênero, sensação nacional dos últimos tempos, conta com as criatividades atribuídas aos produtores, aos DJs e aos próprios cantores, além de despertar a curiosidade de quem curte as canções inovadoras. Uma informação adicional: ex-coreógrafa, Gaby sugere distintas formas de dançá-las. “E você pode dançar junto, você pode dançar solto, separado, você dança com coreografia”. Ela encerrou a matéria dedicando-a a André Marques, um dos apresentadores do Vídeo show, e entoando um trechinho da música que a consagrou nacionalmente: Hoje eu tô solteira, versão em português para Single ladies, de Beyoncé, com direito aquela célebre coreografia.

Assista à matéria no vídeo abaixo:


Humanos interagem com máquinas para deletar lixo da Terra

Animação futurista 3D WALL.E usa como cenário um planeta poluído por resíduos, onde seus habitantes cooperam na sua preservação com o auxílio de computadores e robôs

A história, protagonizada pelo robô WALL.E (cartaz acima), teve como cenário uma cidade inóspita, onde os homens de repente tomaram conta
(Imagem: Divulgação/Pixar Animation Studios)

Totalmente produzido com recursos de animação tridimensional, o filme WALL.E (2008), dirigido pelo cineasta estadunidense Andrew Stanton, nos transporta a uma fantástica viagem imaginária a um futuro muito distante num planeta Terra contaminado por resíduos urbanos. É, realmente, um divertido passeio por um mundo repleto de artefatos concebidos com tecnologias avançadas, no qual robôs, computadores e seres humanos coexistem, ajudando nas ações pela preservação ambiental.

Uma cidade virtual inóspita, onde de repente os homens foram invadidos, serviu de cenário para essa maravilhosa obra-prima futurística. Mais tarde, eles interagem com toda a parafernália cibernética, inclusive o robô que nomeia a saga, iniciando o choque entre culturas díspares, já que esses últimos são dotados de inteligência artificial. Não é só seu próprio planeta, a Terra, que as pessoas querem dominar: eles ainda conquistam a Lua para então disputar o espaço extraterrestre.

Com a finalidade de se deslocar da Terra para outro planeta em decorrência da poluição e da escassez de água, os humanos que aparecem no filme, já obesos, passaram a usar cadeiras com acionamento automático, especiais para a sua sobrevivência alternativa ao ecossistema onde habitamos.

Também se encantaram pelo intenso trabalho manual controlado eletronicamente, substituindo a mão de obra clássica pela automática. Em seguida, os terráqueos voltaram a viver no seu planeta de origem, mas sua vida permanece vigiada pelo constante uso de dispositivos futuristas.

As cenas decisivas de WALL.E são fantasticamente interessantes e concomitantemente lúdicas. No interior de uma moderníssima astronave, os pilotos que a guiam assistem, via computador, a uma videoconferência instrutiva, com uma única missão: especializá-los. Como a Terra estava saturada de lixo, o robô detectou a presença de um contaminador, que é o próprio resíduo, possibilitando a ativação inteligente do ejetor, o que tornou admissível o completo extermínio dos agentes poluidores do nosso ecossistema.

De súbito, robôs perigosos adentraram o ambiente já higienizado, fazendo enlouquecer o comportamento das máquinas. Um modus vivendi ecologicamente sustentável, finalmente, floresceu no globo terrestre graças à utilização frequente dos instrumentos tecnológicos de ponta, forjados por arquitetos e engenheiros obstinados por um novo ciclo. Ao assistir à animação, percebe-se que ela transforma meros espectadores em aficionados pelas engenhocas digitais, crias da modernidade.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

A questão da fome no contexto global: conceituação geral, fatores e efeitos

Um gigantesco dilema incomoda diariamente a humanidade, em escala mundial, relacionado à carência de suprimentos necessários para alimentá-la, provocada por diversos fatores. Embora a fome se refira à sensação fisiológica pela qual nosso organismo percebe que precisa de alimentos para a manutenção e a perpetuação das atividades essenciais à saúde, o termo é utilizado, numa metodologia mais abrangente, para mencionar os casos de má nutrição ou restrição de alimentos entre as populações do globo.

Tal privação acontece com a difusão planetária da miséria ou pobreza, dos problemas de ordem política, como conflitos e instabilidades governamentais, ou das condições naturais adversas à agricultura. De acordo com o Índice Global da Fome de 2010, aproximadamente 1 bilhão de indivíduos são vítimas da falta de determinados elementos específicos, denominados nutrientes – carboidratos ou açúcares, lipídios ou gorduras, proteínas, vitaminas e sais minerais –, substâncias  imprescindíveis ao bom funcionamento corpóreo e à própria vida.

Seja manifestada por fatores advindos da própria natureza, seja por questões socioeconômicas e históricas, a fome pode estar suscetível a um dramático quadro crônico de inanição generalizada, induzindo pessoas nessa situação a um péssimo desenvolvimento do organismo e à gradativa redução das suas funções. Persistindo nesse estado crítico, os óbitos se multiplicam entre as vítimas.

As fomes que vivenciamos mundialmente são ocasionadas por uma multiplicidade de atributos. Entre eles, podemos levar em consideração as secas, a concentração da renda, a mínima produtividade na agricultura de subsistência, a injusta estrutura fundiária, caracterizada pela concentração da terra nas mãos de poucos proprietários, as invasões de propriedades rurais, a destruição das colheitas, a existência de uma planificação agrícola deficitária, a instabilidade política, marcada por péssimos governos, e a sobrecarga de certas áreas gerada pela explosão populacional.

Outras causas também inviabilizam ou restringem a alimentação de milhares de pessoas, citando o difícil acesso aos meios produtivos, em particular pelos trabalhadores rurais, a administração deficiente e ineficaz dos recursos naturais, a logística inadequada para o escoamento da produção alimentícia e a influência das grandes corporações multinacionais, sediadas em países centrais, nos hábitos alimentares de nações do Terceiro Mundo. Essas empresas, por sinal, impõem os preços de seus produtos.

Paralelo a isso, em compensação, acarretam catástrofes ecológicas ou realizadas pela interferência do ser humano e ainda conflitos civis, merecendo ênfase para as guerras. Os conflitos se proliferam especificamente em regiões onde as batalhas são realizadas na superfície terrestre, com o intuito de devastar áreas produtivas por intermédio das queimadas ou de contaminá-las, como na África, continente que detém as maiores taxas de nutrição incipiente do planeta.

Não somente a progressiva retração da massa corporal dos indivíduos, levando-os eventualmente às mortes, é o sintoma preponderante da fome. Há uma série de consequências complementares, decorrentes da falta de uma alimentação adequada, dentre as quais exemplificamos a seguir: distúrbios na capacidade cognitiva e intelectual das crianças, acréscimo na taxa de mortalidade em virtude da insuficiência de alimentos energéticos e proteicos, aumento descontrolado da natalidade e baixa taxa de fertilidade.

Apesar da adoção de parâmetros tecnológicos e voluntários a fim de minimizar o perseverante problema nutricional, tais como melhoramentos na infraestrutura sanitária, imunizações e distribuição de alimentos por agências humanitárias internacionais, o que fez diminuir substancialmente o contingente global de desnutridos e subnutridos, as causas e os sintomas criados pela fome, um dos insistentes males do homem, continuam intactos.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Em defesa das cidades e de seus cidadãos

O vereador, além de dialogar com a população e elaborar as leis vitais para o município, fiscaliza as finanças da prefeitura

Porta-vozes da população de uma cidade, bem como de suas respectivas comunidades, os vereadores exercem as funções legislativa e fiscalizadora. Cabem a eles, interlocutores entre os habitantes e o prefeito, atender aos anseios populares, elaborando projetos de lei que estimulem o desenvolvimento social e urbano, e verificar as contas da prefeitura, dentre outras atribuições relevantes para o bem geral dos cidadãos.

No Brasil, as câmaras municipais, onde se agregam os vereadores, sediam o Legislativo nos municípios. “Elas são a mais antiga e permanente instituição política brasileira. Logo, os vereadores constituem a fonte primeira de representação política no país”, esclarece o professor de História da Universidade de Brasília (UnB) e consultor legislativo do Senado Federal, Antônio Barbosa, em artigo publicado na edição 2009 do Guia do Vereador.

O historiador reitera que, durante o período colonial, quando surgiram as primeiras casas – a de Salvador foi a pioneira dentre elas, fundada em 1549 –, seus membros eram designados “homens bons”, pessoas de posse e de prestígio, que deliberavam e agiam sobre múltiplos assuntos locais. A eles foram incorporados, mais tarde, os “homens novos”, geralmente enriquecidos pelo potencial econômico, sobretudo pelo comércio.

Possuindo estrutura e privilégios similares aos manifestados nas principais câmaras portuguesas, as Casas de Vereação ou Conselhos de Vereança, como elas eram denominadas à época, não exerciam qualquer atribuição legislativa, pois “tratavam de matérias relativas a finanças e administração”, conforme pontuou a historiadora Consuelo Novais Sampaio, em sessão solene no plenário da Câmara Municipal de Salvador, em 3 de maio de 1994.

As câmaras, tanto no Brasil Colônia quanto no Império, eram o único poder vigente em âmbito municipal, sendo a instância primordial no cotidiano dos cidadãos. “Como não existia o Poder Executivo Municipal como conhecemos na atualidade, cabia ao vereador uma série de atribuições e responsabilidades, quase todas vinculadas à administração local”, afirma Antônio Barbosa.

República garantiu autonomia de poder

Com a instauração do regime republicano, o horizonte político-administrativo municipal se fragmentou em duas esferas autônomas e distintas: o Poder Executivo, ocupado pelo prefeito e por sua equipe, e o Poder Legislativo, composto pelos vereadores. Por conseguinte, eles passaram a desempenhar papéis essenciais para o dia a dia das cidades: legislativa, a fim de cooperar na ordenação e no aprimoramento da vida de seus habitantes; e fiscalizadora, visando à verificação das finanças e do orçamento do Executivo.

De acordo com Barbosa, a moderna organização do Estado brasileiro, seguindo a tendência do mundo contemporâneo, confere às câmaras o tradicional papel parlamentar e democrático dos centros urbanos. “Não cabe mais ao vereador administrar a comunidade, tal como fez durante séculos”, explica. Ele também destaca que, além de cumprirem suas funções, os vereadores se utilizam da palavra, toda vez que houver necessidade, como é de praxe nos plenários.

Nas configurações das Câmaras Municipais, observa-se a emergência de personalidades de gêneros, etnias e camadas sociais diversas, como negros, mulheres, homossexuais, bissexuais, travestis, transgêneros, sindicalistas e lideranças comunitárias. Em Salvador, na atual legislatura, notórios parlamentares, a exemplo de Laudelino Lau (PP), Marta Rodrigues (PT), Olívia Santana (PC do B), Andréa Mendonça (PV) e Léo Kret (PR), ilustram com nitidez o dinamismo dessa presença na Casa.

O Poder Legislativo soteropolitano hoje consta de 41 vereadores eleitos por voto direto, com mandato fixado em quatro anos, sendo possível sua renovação ilimitada. A quantidade de legisladores por município é estipulada tendo como alicerce o seu contingente populacional. Conforme os dados do Censo 2010, coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a capital baiana possui 2.675.656 habitantes.

Leis resultam de propostas de vereadores

Todo vereador tem a tarefa de redigir projetos de lei, que, logo após serem aprovados em sessões plenárias, se transformam em leis a serem aplicadas nas cidades. “Como os vereadores são responsáveis por elaborar leis, sua influência no cotidiano das cidades é total. Desde a qualidade e o preço do transporte público até a ocupação do solo, ou seja, o que e como será construído”, observa o sociólogo e professor adjunto da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), Sílvio Benevides.

Entretanto, de acordo com Sílvio, o povo brasileiro, inclusive o soteropolitano, não cumpre as legislações por uma questão cultural. “Aqui no Brasil e em Salvador, em particular, há uma tendência a não cumprir regras. O Estado, geralmente, não fiscaliza, para fazer cumprir as leis, e a população não as segue, pois, no geral, acha que as leis são para os outros e não para si mesmo”, afirma o docente. Na opinião dele, em consequência, o Poder Legislativo da Cidade da Bahia encontra-se totalmente omisso.

O encarregado de obras José Carlos dos Santos, 40 anos, percebe a dimensão da falta de preservação e cuidado na capital baiana por causa da irresponsabilidade de parte dos vereadores. “A cidade está acabada, mas não só o Pelourinho. Acho que nossos vereadores deveriam prestar atenção”, assegura. José Carlos conclui ainda que eles precisam “brigar” por Salvador e pelos direitos dos seus cidadãos, e que necessitam ter pleno interesse pela cidade, contribuindo para a sua conservação.

Pelo fato de o vereador ser considerado o detentor de mandato parlamentar mais próximo da comunidade onde vive, representa e atua, cabe a ele ouvir e enviar as exigências da população e sugerir providências para os problemas que a afligem.

Amiga de políticos influentes no bairro onde reside, a Boca do Rio, a aposentada Maria Estelita Rocha, 67 anos, enfatiza o propósito do legislador municipal perante o povo. “Ele se elege por meio da população do seu bairro e trabalha em prol da comunidade”, salienta Estelita, que já assessorou, na década de 1980, o ex-vereador Agenor Oliveira, hoje falecido.