quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Mulheres ainda são minoria no Legislativo municipal

Embora elas equivalessem a mais da metade da população brasileira, 5,7% das candidatas garantiram vaga, número insuficiente em meio a uma estrutura machista. Em Salvador, houve diminuição da bancada feminina, com 5 vereadoras

Além de fiscalizar os atos do Poder Executivo municipal, chefiado pelo prefeito, bem como auxiliá-lo, os vereadores e as vereadoras têm como incumbência primordial elaborar projetos que visam o bem-estar da população de uma cidade. Essas propostas, ao serem submetidas à apreciação da prefeitura, são transformadas em leis, que nem sempre são cumpridas.

Nas câmaras, sedes do Poder Legislativo no âmbito do município, onde os vereadores se reúnem todos os dias a fim de debater os rumos da pólis – “cidade” em grego, de onde se deriva o termo “política” – observa-se atualmente a participação de membros de diferentes segmentos da sociedade, inclusive as mulheres.

Entretanto, a inserção feminina na política partidária brasileira ainda é tímida, pois o que existe no Brasil é uma falta de espaço para elas. É o que diz a cientista política paulista Graziela Guiotti Testa, em entrevista a um telejornal de veiculação nacional, em setembro de 2010.

“Se deve a estruturas preconceituosas. Estruturas sexistas, que vêm sendo perpetuadas, e que, quanto maior o estado e mais estabelecidos os partidos, mais forte é. Os grandes colégios eleitorais são onde existe menor participação das mulheres. Estados menos populosos têm tido uma participação efetiva das mulheres em candidaturas proporcionais”, explica a especialista.

Para se ter uma ideia, a quantidade de vereadoras eleitas declinou de 8,9%, em 2008, para 5,7%, em 2012. Foram eleitas, neste ano, 7.647 vereadoras no país. Enquanto isso, os homens mantêm a maioria e ocuparão, portanto, 49.697 cadeiras, o equivalente a cerca de 17,4% daqueles que concorreram no pleito de 7 de outubro.

Para conquistar o poder

Reeleita com 5.007 votos, a vereadora Aladilce Souza, do PC do B de Salvador, acredita que a presença das mulheres nos espaços de poder é uma conquista da democracia. “As mulheres são mais de 50% da população e elas não podem ficar fora desse espaço, que é decisivo da nossa sociedade. No entanto, nós não chegamos nem a 12% a representação nas câmaras, nas assembleias legislativas”, salienta, em depoimento a um portal de notícias.

Aladilce, que é enfermeira de formação, observa que as mulheres necessitam avançar politicamente. Segundo a parlamentar, são imprescindíveis, na elaboração das políticas públicas, o olhar e a participação, de forma equilibrada, dos homens e das mulheres. Ela ainda explica que a presença feminina nas câmaras, fenômeno que também ocorre na capital baiana, busca superar as dificuldades com muito sacrifício.

“Nós temos que convocar e conclamar as mulheres a participarem mais da vida política, buscarem e ocuparem mais espaços; nós temos condição. Eu tenho clareza, hoje, que as mulheres têm a mesma capacidade e a mesma condição que os homens de atuar em todas as esferas profissionais e também em todas as áreas do poder político da nossa sociedade”, examina.

Pela minirreforma eleitoral (Lei 12.034/2009), os partidos e as coligações são obrigados a preencher um mínimo de 30% e um máximo de 70% das vagas nas chapas proporcionais, com candidatos dos sexos masculino e feminino. A Câmara Municipal de Salvador teve, nas últimas eleições, sua composição renovada em 56%. Dos 43 vereadores eleitos para a próxima legislatura, apenas 5 são mulheres.

Estreantes na Casa

Somadas a Aladilce e a Eronildes Vasconcelos, a Tia Eron (PRB), que foram reeleitas, outras três mulheres farão sua estreia no plenário em 1º de janeiro do ano que vem. Tratam-se da evangélica Cátia Rodrigues (PMN), esposa do vereador e correligionário Pastor Luciano – que não se candidatou nem se reelegeu –, da advogada Ana Rita Tavares, do Partido Verde (PV), notória pela defesa dos animais, e da doutora Fabíola Mansur (PSB).

Detentora de 6.524 votos, Fabíola lamenta que, ao ser definida a nova Câmara, a bancada feminina diminuiu de 6 para 5 representantes. “Infelizmente, tivemos perdas, como as vereadoras Marta Rodrigues e Vânia Galvão (ambas do PT, que não renovaram seus mandatos). Eu acho que não é bom, porque obviamente precisamos de políticas públicas para mulheres”, alerta a socialista, em entrevista a uma emissora de rádio.

A futura vereadora, médica oftalmologista renomada, ressalta que os soteropolitanos precisam estar mais atentos à qualificação da mulher. Merecem destaque, nesse aspecto, o resgate do programa Cidade Mãe, implantado por sua colega de partido, a senadora Lídice da Mata, no período em que foi prefeita (1993-1996), e do Centro de Referência Loreta Valadares, especializado no atendimento de mulheres em situação de violência e situado no bairro da Federação.

De acordo com Fabíola Mansur, a campanha que lhe assegurou uma cadeira de vereadora foi centrada em quatro eixos temáticos: saúde, direitos humanos, mulheres e defesa da cidade. “A gente está muito feliz e com muita disposição para trabalhar, porque já começamos, a partir de hoje, a pensar em um projeto e todas as ideias que a gente quer para esse novo olhar para Salvador, que está tão degradada, precisando de seriedade e gente que tenha vocação. A gente tem muito a contribuir para a cidade”, diz.

Combate à violência feminina

Para Aladilce Souza, manifesta-se na sociedade atual uma “verdadeira epidemia” de violência contra a mulher. A vereadora comunista, mobilizada no combate a essas perversidades, lembra que, a cada 15 segundos, uma mulher é agredida. “Afinal de contas, nós não podemos compactuar com isso. Elas têm que ser respeitadas, têm o mesmo direito, o mesmo papel e a mesma importância que os homens na nossa sociedade”, afirma.

Tanto mulheres quanto homens, segundo a parlamentar, têm que estabelecer uma relação solidária e harmônica, a fim de construir uma sociedade preocupada com a valorização do ser humano. “Eu tenho procurado, nós temos procurado, honrar essa condição de mulher, lutar em defesa buscando promover as mulheres, combater todo tipo de discriminação que nós ainda temos”, discorre.

Presidente da Comissão dos Direitos do Cidadão da Câmara, Aladilce pondera que pessoas de ambos os sexos estão rompendo continuamente com os obstáculos internos e engajando-se na luta pela igualdade de gênero, para que o público feminino ocupe, de maneira efetiva, seus lugares na vida cotidiana.

Fabíola ainda diz que as expectativas de a população de Salvador ter uma vereadora coerente, a exemplo dela, são as melhores possíveis. “Sou uma novata, tenho muito que aprender, tenho uma experiência de cidadã. Vou aprender e certamente o soteropolitano pode esperar uma vereadora sincera, transparente, que vai estar explicando seu voto, trazer os boletins semanais e que vai ter um voto isento”, afirma.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Um compositor de destinos

Dono de uma memorável obra-prima musical e literária, Caetano Veloso fez neste ano 70 anos de uma longeva jornada dedicada à vida e à arte

Suas quatro décadas de carreira fizeram de Caetano (à esquerda da cantora Maria Gadú) um ícone reverenciado no mundo
(Foto: Divulgação)

Cantor, compositor, arranjador, produtor, escritor e poeta. Estes são – e continuam sendo – as artes e os ofícios de um dos nomes mais prestigiados da música popular brasileira. Aos 70 anos, completados na terça-feira passada, 7, que no calendário católico é conhecido como o dia de São Caetano (daí o nome do artista), Caetano Veloso carrega na bagagem uma obra-prima inestimável e duradoura, que se renova a cada geração, fruto de um talento experienciado e acumulado durante quatro décadas.
Quinto dos oito filhos de Claudionor Viana Teles Veloso, a Dona Canô, e José Teles Veloso, o Seu Zeca, funcionário dos Correios falecido em dezembro de 1983, Caetano Emanuel Viana Teles Veloso nasceu na pacata Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano. Sua vocação artística se iniciou desde criança, quando despertou interesse pelas artes plásticas. No entanto, sua maior paixão foi a música. Influenciado por seu conterrâneo baiano João Gilberto, de quem mais tarde se tornaria amigo, Caetano ingressou na carreira musical interpretando canções de Bossa Nova.
No começo dos anos 1960, o jovem Caetano, já fixando residência em Salvador, assinou críticas de cinema para o extinto jornal Diário de Notícias, dos Diários Associados. Em 1963, enquanto cursava a Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), conheceu Gilberto Gil, Gal Costa e Tom Zé. Dois anos depois, veio, pela gravadora RCA (hoje Sony Music), seu primeiro registro fonográfico, um compacto simples contendo as faixas Cavaleiro e Samba em paz. Paralelamente, ele acompanhava Maria Bethânia, sua irmã mais nova, no show Opinião, realizado no Rio de Janeiro.
“Sem lenço, sem documento”
O ano de 1967 foi decisivo para a consagração nacional de Caetano Veloso. Pouco depois de gravar, com Gal Costa, seu primeiro LP, Domingo, já pela Philips (hoje Universal Music), inspirado em elementos bossa-novistas, ele participou do III Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record, em São Paulo, apresentando Alegria, alegria. A canção, que faturou o quarto lugar, transformou-se, junto com Domingo no parque, de Gilberto Gil, segunda colocada naquele festival, num emblema de uma tendência artística que se tornaria conhecido como Tropicalismo. Meses depois saiu, de fato, sua estreia individual em LP, com as pérolas Tropicália – um dos hinos do movimento –, Superbacana e Soy loco por ti, América, além de Alegria, alegria.
Idealizado e liderado, dentre outros, por Caetano, Gil, Tom Zé, Gal, pelo conjunto Os Mutantes e pelo poeta baiano José Carlos Capinan, o Tropicalismo revolucionou o cenário cultural brasileiro a partir de 1968, com o lançamento do álbum coletivo Tropicália ou Panis et circensis. Também no mesmo ano, desafiando a ditadura militar, compôs o veemente hino É proibido proibir, que acabou sendo desclassificado da etapa brasileira do III Festival Internacional da Canção, da TV Globo, pelo fato de o cantor ser vaiado pela plateia no Teatro da Universidade Católica (Tuca), em São Paulo, onde ele se apresentava.
Na ocasião, ele bradou o inesquecível discurso ácido: “Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder? Vocês têm coragem de aplaudir, este ano, uma música, um tipo de música que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano passado! São a mesma juventude que vão sempre, sempre, matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem! Vocês não estão entendendo nada, nada, nada, absolutamente nada”. E prosseguiu: “Eu hoje vim dizer aqui, que quem teve coragem de assumir a estrutura de festival, não com o medo que o senhor Chico de Assis pediu, mas com a coragem, quem teve essa coragem de assumir essa estrutura e fazê la explodir foi Gilberto Gil e fui eu. Não foi ninguém, foi Gilberto Gil e fui eu!”. “Vocês estão por fora! Vocês não dão pra entender. Mas que juventude é essa? Que juventude é essa?”, interrogou.
Em dezembro daquele ano, sob o pretexto antipatriótico, por violarem a bandeira e o hino do Brasil, Caetano e Gil foram presos, sendo logo soltos em fevereiro de 1969, sob o regime de confinamento. Ambos partiram para o exílio em Londres, acompanhados de suas esposas, as irmãs Dedé e Sandra Gadelha, respectivamente. Na capital britânica, Caetano lançou, em 1971, o LP Caetano Veloso, cujo repertório é integrado, em sua maioria, por músicas em inglês, como London, London, regravada pelo grupo de rock RPM no disco Rádio pirata ao vivo, de 1986, estourando-a nas paradas do Brasil.
“Terra, terra...”
Tanto Caetano Veloso quanto Gilberto Gil regressaram à sua pátria no início de 1972. Marcando sua volta, Caetano absorveu as tendências do reggae no álbum Transa, gravado em Londres em meados do anterior. No final daquele ano, nasceu seu primeiro filho, o músico Moreno Veloso; obteve, com Chico Buarque, um registro memorável no Teatro Castro Alves, que daria origem a um disco, intitulado Caetano e Chico juntos e ao vivo; e lançou Araçá azul, considerado menos comercial na trajetória do cantor e compositor. Foi um período fértil. Junto com Gil e Gal Costa, em 1974, gravou, ao vivo, o LP Temporada de verão.
O ano de 1975 balizou o lançamento simultâneo dos álbuns Joia e Qualquer coisa. Enquanto a capa do primeiro foi censurada, por trazer uma ilustração de Caetano, sua então esposa Dedé e seu filho Moreno – então com dois anos –, feita pelo próprio artista, a de Qualquer coisa era uma releitura do último trabalho dos Beatles, Let it be (1970). Tendo como embrião o espetáculo Nós, por exemplo, que marcou a inauguração do Teatro Vila Velha, em Salvador, em 1964, Caetano, ao lado de Gil, Bethânia e Gal, se reuniram, em 1976, para formar o grupo Doces Bárbaros, de matiz hippie, que originou um LP homônimo e percorreu o Brasil em turnê. Por sugestão de Bethânia e Gal, o vinil, duplo, saiu com a íntegra do espetáculo ao vivo.
Em seguida vieram os álbuns Bicho, de 1977, com os sucessos Odara, Gente, Tigresa e O leãozinho, e Muito, de 1978, tendo como destaques Sampa, uma homenagem à cidade de São Paulo, e Terra. A produtiva década de 1970 encerrou com o antológico Cinema transcendental, de 1979, impulsionado pelas canções Lua de São Jorge, Beleza pura (que se tornou famosa na interpretação do conjunto A Cor do Som), Menino do Rio (também interpretada por Baby do Brasil, então Baby Consuelo), Oração ao tempo, Trilhos Urbanos, que retrata as reminiscências de Santo Amaro, e Cajuína, homenagem póstuma ao poeta Torquato Neto, seu colega de Tropicália, que havia se suicidado em 1972.
“Outras (e novas) palavras”
A década de 1980 foi iniciada com o lançamento de Outras palavras, em março de 1981. Esse álbum, produzido pelo próprio Caetano, lhe credenciou seu primeiro disco de ouro, vendendo 100 mil cópias. Tal êxito comercial foi alavancado pelos sucessos Lua e estrela, composta por seu então baterista Vinícius Cantuária, e Rapte-me, camaleoa, uma homenagem à atriz Regina Casé, além da faixa-título, tributo à língua portuguesa numa incursão poética de vanguarda. Nesse disco, Caetano também reverenciou a também atriz Vera Zimmermann (Vera gata), o quarteto humorístico Os Trapalhões (Jeito de corpo) e o estado de São Paulo (Nu com a minha música).
Cores, nomes, de 1982, trazia Queixa, Trem das cores, Sina (de Djavan, com direito a participação dele), Meu bem, meu mal (sucesso na voz de Gal) e Um canto de afoxé para o bloco do Ilê, composta em parceria com Moreno, na época com nove anos. Nos anos seguintes, sua popularidade cresceu no exterior, em particular em Portugal, na França, em Israel e nos países africanos. Caracterizado pela influência do então emergente rock nacional, Caetano lançou os discos Uns, de 1983, incluindo os hits Eclipse oculto e Você é linda, e Velô, do ano seguinte, destacando-se Podres poderes, O quereres, a romântica balada Shy moon (com participação do inglês naturalizado brasileiro Ritchie) e Língua, rap cantado em dueto com Elza Soares.
Em outubro de 1985, o músico realizou um show acústico no hotel Copacabana Palace, no Rio, que originaria, um ano depois, o álbum Totalmente demais, que vendeu cerca de 250 mil cópias. O repertório desse LP mesclava composições próprias, algumas das quais anteriormente interpretadas por outros artistas (como Vaca profana e Dom de iludir, eternizadas por Gal, e Nosso estranho amor, que Marina Lima dividia os vocais com Caetano), e sucessos de autores diversos. Comandou, em parceria com Chico Buarque, o programa de auditório mensal Chico e Caetano, na Rede Globo, também em 1986, com a presença de convidados especiais.
O fim da década foi marcado pelo flerte de Caetano Veloso com o então nascente axé music, perceptível nos LPs Caetano, de 1987, e Estrangeiro, de 1989, trazendo o hit Meia-lua inteira, composto pelo então novato Carlinhos Brown, percussionista de sua banda, e incluído na trilha sonora da novela Tieta, da Rede Globo. Este último, produzido por Arto Lindsay em Nova York, foi bem aclamado pela crítica especializada estrangeira, assim como Circuladô, de 1991, Livro, de 1997, e Noites do Norte, de 2000.
Caetano se multiplica
Fruto do casamento do artista com a atriz e empresária carioca Paula Lavigne – de quem se separou em 2004 – seu segundo filho, Zeca, veio ao mundo em 1992. Para celebrar os 25 anos do Tropicalismo, em 1993, Caetano e Gil retomaram a parceria com Tropicália 2. O grande êxito do disco foi o rap Haiti, uma crítica à situação sociopolítica do país, além de tributos ao Cinema Novo, ao Carnaval baiano, ao ex-titã Arnaldo Antunes, a Jimi Hendrix e ao sambista baiano Riachão. O repertório de Fina estampa, CD lançado no ano seguinte, é composto exclusivamente de músicas em espanhol compostas por grandes nomes da música latino-americana.
Em 1997, nasceu seu terceiro filho, Tom, o segundo com Paula Lavigne, e escreveu o livro Verdade tropical, um profundo testemunho pessoal acerca dos aspectos e acontecimentos vinculados ao movimento tropicalista, que completou 30 anos. A execução nas rádios da regravação de Sozinho, do cantor e compositor Peninha, fez com que o álbum ao vivo Prenda minha, de 1998, alcançasse a marca de um milhão de cópias vendidas na carreira de Caetano.
Juntamente com seu amigo de longa data, o “maldito” Jorge Mautner, Caetano Veloso lançou, em 2002, o CD Eu não peço desculpa. Dois anos depois, no disco A foreign sound – "um som estrangeiro", em português – o cantor interpretou clássicos da música estadunidense e inglesa. Seus trabalhos mais recentes são , de 2006, no qual ele retorna à essência roqueira, Zii e Zie, lançado em 2009, cuja sonoridade resulta do cruzamento do rock com o samba, e Caetano Veloso e Maria Gadú – Multishow ao vivo (2011)
Um gênio da nossa cultura, seja inventivo, romântico ou contestador, comparado internacionalmente a astros do calibre de John Lennon, Paul McCartney, Bob Dylan, dentre outros. Agora, aos 70 anos, o onipresente Caetano, um ícone vivo reverenciado universalmente, prossegue cantando para todas as multidões inúmeras canções que fizeram história e permanecem no imaginário coletivo das pessoas, ajudando a exportar a MPB para os quatro cantos do planeta. Ave Caetano!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Análise da editoria de Infografia e Arte dos jornais "A Tarde" e "Folha de S. Paulo"

O jornal A Tarde, impresso em formato standard, encontra-se dividido em quatro cadernos diários – o primeiro ou principal, subdividido em duas partes, o 2+ (cultura e artes), o A Tarde Esporte Clube e o Populares (classificados) – e quatro cadernos semanais – Imobiliário e Empregos, Concursos e Negócios, todos impressos em formato standard; Classiautos Motos & Náutica (automóveis, motos e embarcações) e A Tardinha (infanto-juvenil), ambos tabloides. Além dos cadernos mencionados, a edição dominical de A Tarde é suplementada pela revista Muito, de cultura e variedades, e no último sábado de cada mês circula o caderno standard Municípios.

O primeiro caderno do diário baiano contempla, em cada editoria clássica, um panorama generalizado dos acontecimentos do dia, sendo, portanto, factual. Ele abrange a primeira página, uma síntese dos fatos mais relevantes a serem abordados nas páginas subsequentes do periódico, seguida das editorias de Opinião, Salvador e Região Metropolitana, Serviço e Bahia, na primeira parte; e, na segunda parte, Política, Economia, Agronegócios (publicada às segundas-feiras), Brasil, Mundo, Ciência & Vida (publicada aos domingos) e Últimas, editoria dedicada às últimas notícias, publicadas poucos minutos antes do fechamento da edição.

Também impresso em formato standard, a Folha de S. Paulo, maior jornal do Brasil, apresenta atualmente seis cadernos diários – o primeiro ou principal, mais conhecido como caderno A, que abrange a primeira página e as editorias Opinião, Poder e Mundo; o caderno B, ou Mercado, o C, que inclui as editorias Cotidiano, Saúde, Ciência e Folha Corrida; o D, ou Esporte; o E, ou Ilustrada/Acontece (cultura e artes); e o Classificados, com matérias e anúncios de empregos, negócios, imóveis e veículos, que circula somente em São Paulo. Além dos cadernos diários clássicos, a Folha edita seus seis cadernos semanais especializados – Tec (tecnologia digital), Equilíbrio, Comida, Turismo, Folhinha (infantil) e Ilustríssima (caderno literário) – e três revistas de periodicidade semanal: o Guia da Folha, publicada às sextas-feiras, exclusivamente em São Paulo, a sãopaulo (sic), também publicada somente no estado, e a Serafina, essas duas últimas encartadas nas edições de domingo.

Além de uma impecável diagramação, elemento que é considerado a tônica de um projeto gráfico nos veículos impressos, a concepção gráfica das páginas de A Tarde se constitui de outros recursos visuais – infográficos, ilustrações e charges – direta ou indiretamente articulados aos textos das matérias. Os infográficos são utilizados exclusivamente nas matérias das editorias mais factuais, concentradas no primeiro caderno, e também nas matérias dos cadernos A Tarde Esporte Clube e Empregos, Concursos e Negócios. Por outro lado, a Folha usa uma diagramação primorosa em todas as suas páginas, uma volumosa quantidade de infográficos e ilustrações na quase totalidade de suas editorias.

As ilustrações, em A Tarde, são aplicadas com assiduidade na editoria de Opinião, para combiná-las com pelo menos um artigo redigido por colaboradores do jornal, pertinentes a segmentos heterogêneos da sociedade, e no caderno infantil A Tardinha, que circula aos sábados em formato tabloide, além da revista dominical Muito, com o intuito de aprimorar esteticamente suas páginas, como em algumas reportagens, na coluna Trilhas, assinada pela renomada dramaturga baiana Aninha Franco, e na seção de cartuns, situada na última página, na qual os desenhistas Cau Gomez, Gentil e Simanca se revezam. Às vezes, as ilustrações, tanto em A Tarde quanto na Folha, são utilizadas em substituição às fotografias, pois o ilustrador se vale da liberdade e da criatividade em interpretar os conteúdos expressos nas matérias textuais, como é o caso dos artigos e das matérias publicadas nos cadernos infanto-juvenis.

As charges publicadas no jornal de Salvador, também elaboradas por Cau, Gentil e Simanca em esquema de revezamento, são publicadas em dimensões maiores, na editoria de Opinião, à esquerda dos editoriais, ocupando quase a metade da página 3, a fim de reproduzir, de forma cômica, os fatos que estão em evidência jornalisticamente, em particular o cenário político. Há também, no caderno 2+, uma seção de histórias em quadrinhos, criadas por cartunistas renomados do Brasil e do exterior. Na Folha de S. Paulo, as charges, também publicadas nas páginas opinativas, são desenhadas, também em revezamento, pelos cartunistas Angeli, Benet, Jean Galvão e João Montanaro e satirizam os temas da presente conjuntura político-econômica nacional e internacional.

Quanto à concepção tipográfica de A Tarde, a editoria de arte do jornal utiliza basicamente duas famílias de fontes distintas, a The Antiqua, serifada, unicamente no primeiro caderno; e a Taz 2, dita sem serifa, nos títulos das manchetes de A Tarde Esporte Clube situadas na primeira página do primeiro caderno, nos infográficos, nos cadernos específicos e na revista Muito. Ambas as fontes foram confeccionadas pelo designer holandês naturalizado alemão Lucas de Groot. Elaborada por De Groot em 1996, especialmente para a reformulação gráfica do periódico alemão Die Tageszeitung, ocorrida naquele ano, a tipografia Taz 2, no projeto gráfico de A Tarde, passou a ser introduzida na revista Muito, a partir do lançamento do suplemento, em abril de 2008.

O conjunto tipográfico da Folha possui quatro famílias – uma serifada, para títulos de manchetes e matérias, denominada Folha Serif, elaborada pelo próprio De Groot em parceria com o designer alemão Eric Spiekermann exclusivamente para o diário paulistano; e mais três fontes criadas por Spiekermann junto com o tipógrafo estadunidense Christian Schwartz: uma serifada, empregada nos nomes das editorias e nos olhos e textos das matérias, outra serifada, usada nos nomes de editorias (somente na primeira página), nomes de articulistas e de colunistas, e uma sem serifa, para as datas da edição do jornal, os infográficos e os títulos das matérias veiculadas em cadernos específicos.

Para cada editoria ou caderno específico, em ambos os periódicos, usa-se uma tonalidade predominante para diferenciá-los. No primeiro caderno de A Tarde, as editorias de Opinião e Serviço são identificadas pela cor preta; Salvador e Região Metropolitana, pela cor azul-anil; de Bahia, pela cor azul-celeste; de Política, pela cor azul-esverdeada; de Economia, pela cor verde-escura; de Agronegócios, pela cor verde-clara; de Brasil, pela cor laranja; de Mundo, pela cor vermelha; de Ciência & Vida e de Últimas, pela cor rosa. O caderno 2+ tem como cor principal o vermelho; A Tarde Esporte Clube, o verde-escuro; Populares e Classiautos Motos & Náutica, o azul-anil; Imobiliário, o verde-claro; e Empregos, Concursos e Negócios, o laranja. Entretanto, as diagramações de A Tardinha e da Muito utilizam cores sortidas em todas as suas páginas.

No caso da Folha, a editoria de Opinião é identificada pela cor roxa; as editorias de Poder e Mundo são identificadas pela cor azul-anil; de Mercado, pela cor verde-escura; de Cotidiano, pela cor marrom-escura; de Esporte, pela cor laranja; de Ciência e Saúde, pela cor vermelho-escura; e Folha Corrida, pela cor azul-celeste. Ainda no maior diário brasileiro, a diagramação do caderno Ilustrada tem como cor predominante o vermelho-escuro; dos cadernos Tec, Equilíbrio e Turismo, o azul-celeste; do caderno Comida, o roxo; da Folhinha, o azul-anil; e da Ilustríssima, o preto. Os projetos gráficos das revistas Guia da Folha, sãopaulo e Serafina, contudo, no que tange à paleta de cores, são passíveis de alteração.

Os títulos da manchete principal de primeira página e das matérias das páginas seguintes do primeiro caderno de A Tarde, bem como dos seus cadernos específicos, possuem letras maiores, que objetivam atrair a atenção do leitor. No entanto, nos títulos das manchetes secundárias de primeira página, das matérias de curta dimensão (matérias complementares, notícias e notas) e dos infográficos, as letras são menores. As manchetes do caderno A Tarde Esporte Clube localizadas na primeira página do primeiro caderno aparecem sobrepostas num retângulo amarelo, cuja posição, horizontal ou vertical, oscila conforme o exemplar do dia. A revista Muito, por sua vez, vale-se de títulos maiores e atrativos, despertando a atenção do leitor.

Nos cadernos da Folha de S. Paulo, os títulos da manchete que predomina a primeira página e das matérias de todos os cadernos do jornal são formatados em letras grandes, enquanto nas manchetes secundárias de primeira página e nas matérias curtas diminuem-se o tamanho dos títulos. Tanto A Tarde quanto a Folha têm suas respectivas editorias de infografia e de arte constituídas por profissionais graduados em instituições de ensino superior, sendo que alguns deles se especializaram na área de jornais.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

É ela quem verifica cada caderno e cada página

Entrevista: Ludmila Cunha

Todos os trabalhos de diagramação do jornal A Tarde passam pelo crivo dessa profissional de alma corajosa, que supervisiona as páginas antes de imprimi-las

“Nosso projeto gráfico prioriza a facilidade na leitura, para que o leitor possa se sentir atraído por aquela informação e passe a ler.”
(Foto: Hugo Gonçalves)

Se não houvesse diagramação num jornal impresso, por exemplo, não lhe geraria uma boa estética, já que ela é o aspecto decisivo na distribuição, no ordenamento e na otimização dos elementos gráficos constituintes de cada página. Um dos exercícios potenciais do design gráfico, a diagramação, independentemente de veículo, tem como diretriz fundamental o famoso projeto gráfico, obedecendo a ele.
 
A fim de elucidar sobre o assunto aplicado à imprensa, inclusive a jornada dos diagramadores nas redações, a supervisora de diagramação do jornal A Tarde, Ludmila Cunha, formada em Design Gráfico pela Universidade Salvador (Unifacs), me concedeu esta entrevista exclusiva na própria redação do periódico. Contendo em seu currículo qualificações básicas de especialização em jornais, Ludmila é incumbida de supervisionar uma equipe de diagramadores para verificar as páginas antes de enviá-las à gráfica, onde são impressas nas rotativas.

Qual é a sua rotina como supervisora de diagramação?

Ludmila Cunha – Bom. Na minha rotina, eu chego ao jornal de manhã, participo de uma reunião de pauta, onde eu colho informações tanto sobre o que vai acontecer durante o dia no jornal, o que tem de demanda para infografia. E aí, durante o dia, eu vou colhendo esse material e vou fazendo algumas páginas do jornal, como o caderno A Tardinha, como capas (das edições) de domingo, projetos mais especiais, como o aniversário da cidade de Salvador, o caderno de Irmã Dulce. As coisas vão acontecendo durante o ano, e durante o dia eu supervisiono outras páginas de alguns cadernos que são da nossa rotina, como o Caderno 2. Os diagramadores desenham todo o caderno, e eu faço a supervisão para ver se está tudo dentro do nosso projeto gráfico, se precisa melhorar alguma coisa. Senão, tudo passa corretamente. Fora isso, envio as páginas para impressão. E que é basicamente isso, que é a minha rotina.

Dentro da sua editoria, existem algumas peculiaridades na forma de redigir as matérias?

L. C. – Como eu trabalho no caderno A Tardinha, voltado para o público jovem e infantil, essas matérias de A Tardinha são redigidas pensando que uma criança vai ler. Então, a linguagem é bastante diferente, não só na escrita como também na própria diagramação. A gente usa fontes pouco maiores, com espaçamento um pouco maior, para que as crianças tenham facilidade na leitura.

Você só trabalha para A Tardinha?

L. C. – Não. Trabalho para o Caderno 2, para A Tardinha, para (o caderno) Turismo, faço a capa de domingo. É isso mesmo, a gente está fazendo a capa do próprio jornal, a prima de todos os dias.

Aspecto geral da redação de A Tarde, no bairro do Caminho das Árvores, em Salvador
(Foto: Hugo Gonçalves)

Existem particularidades, também no âmbito de sua editoria, no modo de abordar fontes e de construir uma agenda?

L. C. – Na verdade, a minha editoria já pega praticamente pronto. O que vem de material fotográfico e o que vem de material dos textos já chegam pronto, e a gente só faz organizá-los. Então, a gente não tem esse contato direto com essa organização.

Quais são os desafios que você pode enfrentar em seu dia a dia no exercício de sua profissão?

L. C. – São desde aquela foto que está sem definição para sair na matéria. Então aquele conceito que não está bem formado, ou até o próprio lidar com o dia a dia, com as pessoas que vêm para desenhar as páginas. A gente passa por diversos contratempos.

De que modo sua editoria utiliza recursos como infográficos, diagramação e fotografias?

L. C. – A minha editoria é de diagramação, e então a gente está sempre contando com o apoio da (editoria de) infografia para complementar algumas informações das matérias. Às vezes, quando o próprio editor da editoria para qual a gente está trabalhando, ele não consegue enxergar que ali precisa de uma infografia, e a gente corre atrás para que isso aconteça, para facilitar mais a leitura. Em relação à fotografia, ela é uma parceira ideal para os textos, então a gente está sempre procurando trabalhar a maioria dos textos na diagramação junto com a fotografia.

Quais são os parâmetros e metodologias empregados na diagramação de um jornal?

L. C. – A diagramação do jornal A Tarde segue um projeto gráfico. Nosso projeto gráfico prioriza a facilidade na leitura, para que o leitor possa se sentir atraído por aquela informação e passe a ler. Então a gente se utiliza de entradas, que destaquem trechos da matéria, para que isso facilite com que o leitor sinta interesse por ler e complemente a informação lendo a matéria por completo. A parceria do texto com a foto é também outro recurso que a gente utiliza muito, ele chama mais atenção para a matéria. Então a gente procura estar integrando uma linguagem visual maior, para que a matéria cumpra essa função de ser lida.

Como está a atual situação do mercado de trabalho no ramo da diagramação, dentro da imprensa?

L. C. – Eu acho que hoje em dia poucas pessoas fazem Design Gráfico pensando em ser diagramadores. Então acredito que muitas pessoas não têm essa especialização ainda, mas a gente vai se formando, com o passar do tempo, aqui dentro no próprio jornal.

Imagem + palavras = probabilidades de informações

Entrevista: Gil Maciel

Editor de infografia de A Tarde explica os atributos do recurso visual quando aplicado ao jornalismo

“Toda infografia é uma imagem que está dentro do contexto de uma página. Às vezes aquela informação tem muita força.”
(Foto: Hugo Gonçalves)
Produto da indefectível combinação do texto com as figuras, sejam fotografias ou desenhos abstratos ou verossímeis – que intencionam aproximam o mais possível da realidade –, a infografia traduz a estratégia de explicar e proporcionar, por um viés didático e interativo, qualquer conteúdo informativo de forma mais dinâmica e precisa. Esse recurso visual multimídia se disseminou rapidamente em todo o globo, com o constante esforço e suporte dos profissionais especializados, os designers e editores de arte, tendo migrado para os veículos impressos – revistas e jornais –, a televisão e a web.
No que tange à temática mencionada, convidei o editor de infografia de A Tarde, Gil Maciel, para conceder uma entrevista exclusiva na redação do jornal, no Caminho das Árvores. Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) em 1991, Maciel, natural de Areia Branca, no interior do Rio Grande do Norte, descreve o longo e trabalhoso processo para conceber um infográfico, seus critérios, características e peculiaridades, os obstáculos enfrentados pelos infografistas, a articulação da infografia com o texto das matérias jornalísticas e outros elementos visuais e a corrente situação do ramo, que apesar de ser um mercado relativamente novo está se expandindo nas redações.
Qual é a sua rotina como editor de infografia de um veículo impresso?
Gil Maciel – Para explicar minha rotina como editor, precisa explicar o que é que eu faço. A infografia é uma forma que é considerada um gênero jornalístico, ou seja, é uma maneira de narrar um fato. O que é que a gente faz? A gente narra esses fatos jornalísticos, os acontecimentos, com imagem, seja, a variação na taxa do dólar, que eu estou narrando com um gráfico ascendente ou descendente. Toda essa variação do dólar – aquele sobe e desce diariamente ou mensalmente – até como é que aconteceu com a queda de um avião. Eu vou desenhar um avião, decolando no momento em que a pane aconteceu, digamos, num motor, e que o outro motor quebrou, como ele caiu e como foi a queda, quantas pessoas sobreviveram. Você conta as coisas usando imagem e texto; só imagem não vai resolver. Se eu fizer esse avião subindo, acontecendo uma explosão, e ele caindo, eu não vou descrever totalmente o que aconteceu. Então, a gente usa infografia em alguns momentos do jornal para elencar alguma variação de números, ou fazer uma comparação entre números, situações. Ou eu não tenho a imagem daquilo; por algum motivo eu não consegui a imagem dessa queda do avião, por exemplo. Se eu tivesse entre a infografia e a imagem da queda do avião, a imagem da queda do avião é mais fácil porque ela é real. Está ali. Eu não estou reconstruindo nada. Eu flagrei um momento.
Então, geralmente, o que é que eu faço, voltando à sua pergunta? Eu chego depois de Lorena e de Mauro, tem mais uma pessoa que vai chegar, que é Túlio, também infografista, os três são designers; eles trabalham desenhando informação. Aí, a gente vê o que é tem, qual é a pauta do dia, o que é que tem para a gente fazer. Ah, tem um pedido de Economia sobre a variação no preço do cacau nos últimos três anos, ou nos últimos quatro meses, ou a safra recorde do cacau. Eu vou lá falar com o editor de Economia, saber quem é o repórter, perguntar a ele informações sobre, ver que números ele tem, e aí eu vou desenhar esse número. Eu vou desenhar essa informação, vou ver como é que a gente vai fazer isso. Semana passada, tinha alguns 7 ou 10 bairros, eu não lembro mais agora com certeza, onde havia uma maior infestação de ratos. A infestação chegava a 25%, é um valor que eles estipulam aí, e o maior número de leptospirose, casos de leptospirose, em Salvador. Aí, o que a gente fez? A gente pegou o mapa de Salvador, pontuou esses bairros onde é que eles estavam para mostrar aonde se concentra. Então a gente teve uma ideia, apesar de a infografia ser fraca, que só tinha isso de informação, mas você conseguiu ver que a concentração de casos estava no centro do mapa de Salvador. Era no centro de Salvador. No meio da cidade era onde havia essa maior concentração. A própria imagem já diz algo sobre o assunto.
Aí eu vou lá, eu apuro com o repórter. Se eu tiver alguma coisa para pedir, ou achar que talvez essa informação precise ter mais força, estar mais consolidada, estar mais bem amarrada, aí eu converso com o repórter, a gente negocia e vê o que é que ele pode apurar ainda. Feito isso, eu chego com o repórter ou na hora que estou conversando com ele ou depois. Eu sento com um infografista e a gente planeja de que forma a gente vai dar essa narrativa, de que maneira eu vou organizar essas informações, se vai ser um gráfico, se vai ser um desenho, se vai ser um gráfico de área, se vai ser um gráfico de barra, se vai ser um gráfico de linha. Feito isso, eles precisam de uma medida porque toda infografia é uma imagem que está dentro do contexto de uma página. Às vezes aquela informação tem muita força, então ela é uma coisa importante, ela pode ser a imagem principal da página, que tem muita coisa nela. Se ela for entendida, ela vai ter que ser maior. Ou às vezes ela é uma coisa menorzinha, que pode ser resolvida ali; ela complementa alguma coisa. Definido isso, também, junto com o editor, ou com o repórter, e com o infografista, ele começa a executar o trabalho, o material fica pronto, eu dou uma revisão, faço uma revisão nele, reviso mais uma vez para ver se está tudo OK, entrego ao repórter ou ao editor, ou aos dois, para eles avaliarem as informações, trazerem-nas, e a gente salva-as na página. Esse é meu dia a dia.
Dentro da sua editoria, existem algumas peculiaridades na forma de redigir as matérias?
G. M. – É isso. Como a gente trabalha com desenho, imagem, então a primeira coisa que a gente fala é assim: o texto do infográfico, antes, a gente chamava dizer que era um texto telegráfico, de telegrama. Hoje em dia, como tem o Twitter, é uma tuitada, é curto. Todas essas informações são muito curtas, muito precisas, sem nenhuma elaboração de estilo, é seco, duro, sem, obviamente, respeitando as coisas, nenhum adjetivo, a informação absolutamente precisa. Por exemplo: a distância entre as casas era cerca de 3 metros. Eu não posso desenhar cerca de 3 metros. Ou eu desenho 3 metros e digo: “Oh, essa distância aqui equivale a 3 metros, ou 3 metros e 10, ou 3 metros e 15”. Mas não é nunca “cerca”, as medidas, as distâncias, às vezes, são muito exatas. Elas têm que ser exatas para funcionarem. Também não posso dizer: “Ah, o preço varia de tanto para tanto”; eu posso até fazer essa variação de máximo e de mínimo, mas “cerca de” nunca funciona. Eu tenho que ter um número, no máximo, uma variação de uma coisa para outra. Se não, eu não consigo desenhar, porque eu gero forma a partir de números, a partir de informações. Como eu gero forma e imagem a partir de uma informação, eu preciso que essa informação seja exata, para que a forma tenha um tamanho exato dela. As peculiaridades de narrativa, escrita, seriam essas. É sucinto, objetivo, bastante objetivo, e dados exatos e precisos.
Existem particularidades, também no âmbito de sua editoria, no modo de abordar fontes e de construir uma agenda (pauta)?
G. M. – Sim. Primeiro: eu posso infografar tudo, certo? Obviamente, eu vou infografar aquilo que é melhor dito em imagem. É... Qual a melhor maneira para se descrever um trio elétrico? Eu já fiz infografia que era desmontando um trio elétrico, que era como é um trio elétrico: o tamanho do caminhão, o que é que tem dentro. Por quê? Uma coisa de descrever um trio elétrico.  É um caminhão tal, que tem tanto de altura, tanto de largura, o motor é esse, é assim. Tem uma coisa na traseira dele, que é um gerador de energia; esse gerador espalha energia por dentro, no camarim, no banheiro, para acender a luz; lá em cima no palco, eu posso descrever isso. Mais isso fica melhor, mais visível, se eu desenhar. Fui construindo-o, aí o que é que a gente fez? Eu queria mostrar como era o trio elétrico. É o que a gente chama de imagem expandida. Você pega o objeto, e vai quebrando-o, soltando e tirando as partes para poder mostrá-lo todo por dentro. Aí, a minha apuração para isso é muito mais exata. Eu não tenho que perguntar só o que é que tem. É melhor eu ir lá o que eu fiz. E quando vou entrevistar uma pessoa, aí eu faço perguntas que o jornalista de texto não faria, que são: “Qual a dimensão exata disso aqui?”, “Qual é altura?”, “Qual a largura?”, “Como é que funciona o chassi”, “Como é que está por dentro isso aqui?”. Eu faço fotos, para poder reproduzir, aí mostra o gerador de energia. Aí eu pergunto: “Tem uma tubulação que leva esses fios que saem daqui, que vai lá para o palco, como é que funciona isso?”, “No palco, como é que se distribui?” Fotografa para ver o desenho, e ver onde se encaixam as luzes, o sistema todo de luz, onde é que ficam os instrumentos, que instrumentos são esses? Quantos instrumentos são? Quantas pessoas cabem aqui dentro? Como é que é a circulação, desce por onde, sobe por onde? Eu vou mapeando tudo isso com imagem, inclusive, porque eu vou usar isso para desenhar. Então as minhas perguntas são muito mais técnicas, é uma descrição técnica de um caminhão, que é um trio elétrico.
Quais são os desafios que o senhor pode enfrentar em seu dia a dia no exercício de sua profissão?
G. M. – Complicado isso, hein? Uma estrutura para trabalhar, o desafio de ter uma coisa que é muito comum. A tradição da infografia quase inexiste, então as pessoas estão muito acostumadas ao texto. O jornalista ainda escreve o texto, o texto que é forte, a força do texto, o poder que o texto tem de criar imagens mentais. Enquanto você for trabalhar com infografia, o seu texto, como já lhe disse, é um texto seco, ele é duro, ele não tem canto, porque ele vai funcionar depois quando aquilo tudo ficar lindo. Mas o texto, que é esse instrumento sagrado, sacrossanto, do jornalismo, a frase, depois é outra frase, depois é outra frase, ele pega esse poder em um continuum. O texto não está a serviço de construção de uma imagem, que é mental, no leitor. Ele está a serviço de uma construção de imagem que é real, e ele vai estar articulado com outros elementos. Então, isso é difícil fazer isso para o jornalista, porque ele acha que vai poder descrever tudo, e que aquilo que você faz era menor, que aquilo diz menos, que não é tanto, que é um apoio. Uma das dificuldades seria essa, o entendimento, pelos coleguinhas jornalistas, de que tem uma narrativa jornalística ali, que é uma investigação. E tem uma apuração necessária e específica, e que não é menor, nem maior, mas que complementa as coisas.
De que modo sua editoria utiliza recursos como infográficos, diagramação e fotografias?
G. M. – Eu trabalho na editoria de Infografia, então eu uso a infografia, eu já uso esse recurso, eu o produzo. No caso da minha editoria, é uma editoria que produz esse recurso que você está me perguntando. Agora eu posso lhe dizer que, no que diz respeito à diagramação da página, se a gente entendê-la como um conjunto de discursos que produz um novo discurso único a partir desses pequenos outros discursos que são a manchete, a fotografia, a legenda da fotografia, o infográfico, o tipo de texto. Você tem um principal, você tem uma coordenada, a organização dessas informações. Uma página e uma matéria, como uma reportagem, é um somatório de várias outras pequenas coisas, como narrativas; são várias pequenas narrativas que convergem para uma narrativa maior, que é a reportagem. No meu caso, é aquilo que já toquei um pouco mais antes sobre isso. Às vezes o infográfico tem muita força, porque os dados são a base da reportagem, ou eu estou fazendo um apanhado de uma história, eu estou fazendo um resgate histórico de algo. Então, o que eu tenho que fazer é muito, e para isso eu preciso de espaço para que não fique aninhado, para que funcione, para que fique agradável de ler, que fique confortável e interessante.
Para fazer isso, eu tenho que conversar com o diagramador, com o editor, e dizer: “Olha, eu preciso de tal espaço aqui. Ah, mas eu tenho essa foto aqui também”. Aí, penso assim: “Mas essa foto é importante, será que ela pode ficar maior, será que ela pode ficar menor, será que ela pode entrar no meu infográfico?”, como uma imagem a mais que vai acrescentar, enfim, vai agregar mais valor a meu material, isso é uma coisa. A foto, a mesma coisa. Em alguns infográficos, alguns dos trabalhos que a gente faz, quando é de Esporte, por exemplo, a gente usa muita imagem. Um jogador, um embate de jogadores, uma comparação entre dois artilheiros de times diferentes, então você sempre articula esses outros discursos.
Diversos recursos artísticos, inclusive os infográficos, têm migrado para a mídia eletrônica com a popularização da internet. Qual a importância da infografia na web?
G. M. – A web, mais do que a web, o tablet, mesmo o smartphone, mais do que num jornal ou numa revista, primeiro, você tem essa coisa fugaz da internet. Você clica num link e vai para um outro lugar. Como é que você aprende a alguém, do começo ao fim, uma narrativa que você está construindo e que quer apresentar? Sendo o mais sucinto possível, e articulando isso, fazendo com que esses textos curtos, essas explicações, esse continuum de imagem e texto, vai fluindo, sendo confortável para a pessoa. Na internet, nos tablets ou nos smartphones, essa interação, essa coisa mais sucinta, mais condensada, e articulada de imagens e textos, funciona ainda melhor, porque você consome rápido aquela informação; ela é entendida rapidamente, e ela vai num continuum. Então, é uma nova leitura, é uma maneira nova de você ler as coisas. Funciona por conta disso, porque é curto e é preciso, no limite possível dessa exatidão.
Como anda o mercado de trabalho no ramo das artes e da infografia na imprensa?
G. M. – Esse é um mercado novo, é uma coisa que vem sendo construída. O infográfico é uma coisa muito mais rápida de ler e de entender. O jornal vive de rapidez, os veículos como um todo. Como é um jornal diário, quanto mais sucinto, mais vendido; se for narrado o fato, essa informação, mais atraente e mais rápido as coisas acontecem para o leitor. A área de infográfico tem crescido bastante, você tem muitos infografistas em muitos jornais, pequenos e grandes, apostando nisso, nesse tipo de narrativa. Eu não tenho dados para lhe dar, mas eu sei que cresce, cada vez que usa mais. Usa-se muita coisa também na internet, que é um ambiente superpropício para isso, você tem muitos infográficos, muitas coletâneas de informações desenhadas, que você pode ler, subindo a tela, é um continuum, sempre. Assim, é uma área em expansão, uma coisa que cresce muito. Revistas, que a depender do enfoque usam muito, as revistas de cunho científico, como a Superinteressante, usam bastante, a Galileu também usa muito. Então assim, é um mercado que cresce, que se expande, e tem essa sintaxe toda, da qual eu falei para você, que é muito particular, peculiar.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Novo grupo renova cenário do samba

Jardim Baiano pretende modernizar e revitalizar o verdadeiro ritmo popular brasileiro, nascido na Bahia

Com uma proposta ímpar – uma coisa simples, sincera e descontraída –, um grupo de samba formado recentemente chega aos palcos para modernizar o panorama musical da Bahia, berço do gênero. Eis o Jardim Baiano, cujo repertório contempla releituras de antigos sambas baianos e cariocas, além de canções inéditas, tanto autorais quanto de compositores da cena contemporânea local, consagrados e novatos.

Na linha de frente do Jardim Baiano está a vocalista Dinha Dórea, que, acompanhada dos talentosos músicos Dadi Andrade (percuteria), Fidel Tavares e Igor Vasconcelos (violão) e Zé Livera (baixo e cavaquinho), almeja explorar arranjos inovadores, adquirindo uma nova estética ao cancioneiro popular da música brasileira. O grupo, na percepção de seus integrantes, executa uma sonoridade “sem rótulos”, transparecendo no prazer de tocar e fazer as pessoas curtirem um samba de qualidade.

Além do autêntico samba, cristalizado nas composições de Riachão, Roberto Mendes, Nelson Rufino, Martinho da Vila, dos saudosos Cartola, Batatinha e Noel Rosa, dentre outros, o múltiplo repertório do quinteto incorpora a bossa nova e os elementos afro-baianos, com destaque para o ijexá, simbolizados nas músicas de Carlinhos Brown e Gilberto Gil. Pelos arranjos assinados e tocados pelo novo conjunto, tem-se uma evidente noção de que o bom samba nunca deverá morrer.

Pequena amostra em vídeo

Segue, abaixo, uma singela amostra do trabalho do Jardim Baiano, extraída de uma apresentação feita no dia 2 de junho, no bar Beco da Rosália, nos Barris. O vídeo traz o grupo interpretando Eu não sambo sem você, de autoria do violonista Davi Correia. Vale a pena conferi-lo ouvindo esse lindo número, influenciado por Dorival Caymmi.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

ACM Neto oficializa candidatura

Nome do líder do DEM na Câmara foi selado em convenção conjunta entre democratas e tucanos para concorrer à Prefeitura de Salvador, ocorrida hoje

Com informações do G1 Bahia

Militante do movimento negro, Célia Sacramento (à direita), do PV, concorre a vice na chapa de ACM Neto
(Foto: Reprodução/TV Bahia)

Durante a convenção simultânea entre o Democratas (DEM) e o PSDB, que aconteceu entre a tarde e a noite desta segunda-feira (18), no espaço Unique Eventos, na avenida Tancredo Neves, o deputado federal Antônio Carlos Magalhães Neto, líder de sua agremiação na Câmara, foi formalizado como candidato da aliança na disputa sucessória pela Prefeitura de Salvador.

Composta, até o momento, por quatro partidos – DEM, PSDB, PPS e Partido Verde (PV), que indicou a professora e militante do movimento negro Célia Sacramento como companheira de chapa de ACM Neto –, a coligação poderá receber o apoio do PTN, presidido na Bahia pelo deputado estadual licenciado e secretário municipal da Educação, Cultura, Esporte e Lazer, João Carlos Bacelar, amigo do agora candidato.

O nome da verde Célia Sacramento para a vice, conforme pontuou o postulante democrata na última quinta-feira (14), data da escolha, fora definido por um consenso entre as quatro legendas constituintes da aliança, sistematizando "todas as condições para ser uma grande vice-prefeita para Salvador".

Além dos candidatos a prefeito e a vice-prefeita, compareceram à convenção os presidentes estaduais do DEM e do PV, José Carlos Aleluia e Ivanilson Gomes, respectivamente; o presidente de honra do DEM, ex-governador Paulo Souto; o deputado federal Jutahy Magalhães Júnior (PSDB); e o presidente municipal do PPS, vereador Joceval Rodrigues, dentre outros políticos coligados.

“Nós queremos transformar o modelo de gestão pública da cidade, fazendo de Salvador uma cidade que ande com as próprias pernas, que seja independente do ponto de vista econômico e financeiro, que melhore a qualidade dos serviços públicos essenciais de educação, de saúde, de segurança pública”, discursou ACM Neto.

Comunistas confirmam nome de Alice Portugal

Em convenção no domingo, deputada é homologada candidata do PC do B ao Executivo de Salvador; porém, gera incertezas quanto à coligação

Com informações da Tribuna da Bahia

Da esquerda para a direita: Álvaro Gomes, Olívia Santana, Alice Portugal, Aladilce Souza, Renato Rabelo e Daniel Almeida
Alice teve sua candidatura sacramentada por decisão do diretório nacional de sua legenda
(Foto: Mila Cordeiro/Agência A Tarde)

O Partido Comunista do Brasil (PC do B) homologou, em sua convenção municipal realizada no último domingo (17), no Centro de Convenções, o nome da deputada federal Alice Portugal como postulante da legenda à prefeitura de Salvador, como havia planejado há um ano. No entanto, a candidatura a vice em sua chapa não foi confirmada até agora, já que sua coligação ainda não foi decidida.

Para Alice, única representante feminina da bancada baiana na Câmara dos Deputados e primeiro nome da safra de candidatos ao Executivo soteropolitano a ser sacramentado para o pleito de outubro, sua candidatura foi credenciada por recomendação do diretório nacional do PC do B. A pretexto disso, o presidente da sigla, Renato Rabelo, marcou presença no encontro.

A parlamentar, que havia disputado uma eleição para prefeito, em 1996, como vice do petista Nelson Pelegrino, garantiu que pretende consolidar a campanha dos comunistas como alternativa para enfrentar a tradicional dicotomia petistas versus democratas. Pré-candidato do PT ao palácio Thomé de Souza, o deputado federal não compareceu ao evento, mas ele ligou para a candidata do PC do B, sua companheira de plenário, gentilmente, desejando-lhe muita sorte.

“Ele (Pelegrino) sabe do nosso interesse em lançar candidatura própria no primeiro turno, mas disse que estaríamos juntos no 2º turno de qualquer forma”, declarou Alice à reportagem do jornal Tribuna da Bahia, a fim de minimizar o distanciamento, ocorrido com o lançamento de sua postulação, das divergências entre os dois partidos, sustentáculos dos governos federal e estadual.

Prestigiaram a convenção eminentes comunistas baianos, como o seu presidente estadual, deputado federal Daniel Almeida, o deputado estadual Álvaro Gomes, as vereadoras Aladilce Souza e Olívia Santana, bem como membros de outras siglas, como Maurício Trindade, pré-candidato do PR ao palácio Thomé de Souza, Deraldo Damasceno (PSL) e Antônio Brito (PTB), que estava discreto durante a cerimônia.

Eventuais aliados

Embora a candidatura de Alice Portugal esteja homologada, os diálogos com o PDT, PTB e PSL, que, juntamente com o PC do B constituem o chamado “blocão”, ainda prosseguem até o dia 30 de junho, prazo fixado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a realização das convenções partidárias. “Não estão em discussão questões ideológicas, mas as conversas estão acontecendo e a nossa expectativa é liderar a coligação”, argumentou a comunista.

A probabilidade de entendimentos com outras legendas, que entretanto poderá não resultar definitivamente em uma coligação, também é salientada por Daniel Almeida. “Nossa expectativa é buscarmos aliados para o projeto e alguns deles estiveram presentes (PR e PSL)”, acredita Almeida à reportagem da Tribuna, confiante.

Considerado o mais inclinado para compor a aliança, o PSL apresentou o delegado e deputado estadual Deraldo Damasceno como eventual concorrente do partido a vice-prefeito na chapa capitaneada por Alice Portugal. O presidente do PC do B na Bahia frisou que, por ser o membro da Assembleia Legislativa mais votado em Salvador, Damasceno tem perfeita sintonia e interlocução com a população do Subúrbio.

A hipótese de uma adesão do Partido da República (PR) à candidatura de Alice, no entanto, deve ser observada com cautela por Almeida. “Apesar de não representar o partido, a presença do deputado Maurício Trindade foi importante para o PCdoB”, antecipou Daniel Almeida.

Na contramão, o PDT traça duas estratégias com o propósito de obter seu esperado suporte à campanha comunista. Enquanto os parlamentares do PC do B participarão, na próxima quinta-feira (21), de um encontro com o presidente nacional pedetista, Carlos Lupi, procurando ratificar a aliança, demais membros comunistas, tendo o ministro do Trabalho, Brizola Neto, como mediador, tentarão contato com o PDT baiano.

“O PDT da Bahia é muito ligado ao ministro e eu estive com ele (Brizola Neto) na quinta-feira (14) para falar sobre Salvador”, assegura Almeida. Quanto ao apoio do PTB do deputado federal Antônio Brito, filho e correligionário do atual vice-prefeito Edvaldo Brito, Almeida declarou à Tribuna que as conversas com o partido estão sendo mantidas e que os comunistas estão tentando convencê-las, mas o PTB também está dialogando com o PT. A senadora Lídice da Mata (PSB) ainda não se posicionou, mas tem interesse em integrar a unidade encabeçada por Alice.