segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Por trás da vida de um presidente deposto

Apogeu e declínio da trajetória política de Fernando Collor de Mello são minuciosamente narrados pelo jornalista Mário Sérgio Conti em Notícias do Planalto, sob a ótica da imprensa

O fenômeno do jornalismo investigativo no Brasil, incomodado pela censura e pela repressão durante as duas décadas em que os militares conduziram os rumos políticos da nação, consolidou-se a partir da redemocratização, em 1985. Graças à expansão dessa atividade no país, muitos jornalistas puderam vasculhar e examinar informações e fontes, em grande parte confidenciais, escapando do noticiário oficial e cultivando as melhores notícias.

Métodos e estratégias de investigação passaram a ser amplamente disseminados nas redações dos mais importantes órgãos de comunicação durante os breves dois anos do governo do então presidente Fernando Collor de Mello (1990-1992), bombardeados por denúncias de corrupção envolvendo ele, alguns de seus ministros, a então primeira-dama Rosane Malta Collor e ex-integrantes da campanha que o elegeu em 1989, como o tesoureiro Paulo César Farias (1945-1996), o PC. Responsáveis por forçar a renúncia de Collor ao Palácio do Planalto, os casos foram investigados e veiculados pela imprensa, que contribuiu maciçamente para destituí-lo do poder.

Segundo o jornalista e professor Leandro Fortes (2005), na introdução de seu livro Jornalismo investigativo, o impeachment de um jovem político de trajetória meteórica, herdeiro de uma tradicional oligarquia proveniente do estado de Alagoas, os Mello, que ascendeu à Presidência, “é o marco zero do jornalismo investigativo no Brasil”. A partir desse período, ainda nos dizeres de Fortes, jornalistas e empresários do ramo de comunicação adaptaram-se a uma nova e poderosa circunstância.

Uma geração de jornalistas, majoritariamente com menos de 30 anos de idade e pouco tempo de profissão, adquiriu consistência definitiva ao conceito do jornalismo investigativo brasileiro na chamada Era Collor, sem classificá-lo como um tipo de especialização na esfera profissional. O período em questão, conforme Fortes, reproduziu no jornalismo nacional fenômeno idêntico ao escândalo Watergate, ocorrido em Washington, que levou Richard Nixon a deixar a presidência dos Estados Unidos, em 1974.

Com 719 páginas, fruto de intensa pesquisa, o livro Notícias do Planalto: a imprensa e Fernando Collor, do jornalista Mário Sérgio Conti, lançado em 1999, é uma volumosa obra que investiga minuciosamente a ascensão e a decadência da carreira política do ex-presidente da República, hoje senador pelo PTB alagoano, sob o panorama midiático, além de esclarecer as vinculações de Collor com repórteres, editores, diretores de redação, fotógrafos e magnatas dos principais órgãos de comunicação do Brasil, atuantes com base no eixo Rio de Janeiro–São Paulo.

Para escrever a obra e materializá-la, Conti, ex-diretor de redação da revista Veja, da Editora Abril, entre 1991 e 1997, consultou dezenas de livros, inumeráveis edições de jornais e revistas da época e realizou, tanto presencialmente quanto por telefone, 141 entrevistas exaustivas. Todas elas foram anotadas e, em seguida, transcritas pelo próprio autor em seu computador. O autor ainda utilizou, com o objetivo de complementar sua investigação jornalística, blocos de anotações, rascunhos de reportagens, recortes de jornais e revistas, livros, diários, cartas e fitas de áudio e vídeo, materiais cedidos pelos entrevistados.

Grande parcela dos diálogos foi feita no período compreendido entre maio de 1998 e setembro de 1999. Antes de entrevistar a maioria das fontes de Notícias do Planalto, o jornalista entrevistara Pedro Collor (1952-1994), irmão mais novo do ex-presidente, e Paulo César Farias, a fim de obter as primeiras informações que seriam agregadas ao livro. Na acepção de Conti, ele os entrevistou “quando este livro era uma vaga ideia”, ou seja, a obra ainda estava em gestação.

O papel do jornalista em Notícias do Planalto é analisar e pesquisar volumosas informações concernentes à história dos órgãos midiáticos nela envolvidos – os jornais Gazeta de Alagoas, Jornal do Brasil, O Globo, Folha de S. Paulo, Tribuna de Alagoas, O Estado de S. Paulo, as revistas Veja e Playboy, e as redes de televisão Globo, Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) e Bandeirantes –, além de examinar profundamente os bastidores da cobertura jornalística da carreira político-administrativa de Collor pelos veículos mencionados, da sua eleição como governador de Alagoas, em novembro de 1986, até o seu afastamento definitivo da Presidência, em dezembro de 1992.

Conti, logo após assumir a direção de redação de Veja, em 1991, testemunhou a cobertura, pela publicação, dos fatos decisivos para a destituição de Collor do Palácio do Planalto. Dentre eles merecem ênfase a situação financeira do empresário e ex-financiador de sua campanha presidencial, Paulo César Farias, e a entrevista exclusiva de Pedro Collor, confessando ao semanário que PC era “testa-de-ferro de Fernando”, ambas veiculadas em maio de 1992. O então diretor de Veja, autor da obra analisada, acompanhou, na redação, o fechamento de ambas as matérias.

Em seu epílogo, o livro cita alguns episódios subsequentes ao impeachment de Fernando Collor, com destaque para a prisão de PC Farias, entre 1993 e 1995; a morte de Pedro Collor, em 1994, vítima de câncer; e os últimos dias da vida do ex-tesoureiro, até atingir o ápice: o seu brutal assassinato junto a sua namorada, Suzana Marcolino, numa trágica véspera de São João de 1996. Mário Sérgio Conti escreveu, no livro, que a investigação da morte de PC, ao ser noticiada pela imprensa, era considerada “um circo”, em virtude de possuir caráter sensacionalista.

Referências

CONTI, Mário Sérgio. Notícias do Planalto: a imprensa e Fernando Collor. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

FORTES, Leandro. Jornalismo investigativo. São Paulo: Contexto, 2005.

sábado, 29 de outubro de 2011

Lula é hospitalizado com câncer na laringe

Médicos diagnosticaram hoje tumor em ex-presidente, que passará por tratamentos na próxima semana

Com informações dos portais UOL e O Globo.com

Para tratar um câncer na laringe, diagnosticado neste sábado (29) no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), iniciará, nos próximos dias, sessões de quimioterapia e radioterapia, de acordo com o boletim médico divulgado pelo hospital, às 11 h, horário de Brasília.

O tumor maligno foi detectado após Lula ser submetido a exames ontem e hoje. Segundo o boletim, ele “encontra-se bem e deverá realizar o tratamento em caráter ambulatorial”. A equipe médica que o acompanha deu preferência à quimioterapia para a manutenção das funções da laringe.

Um dos membros da equipe, o oncologista Artur Katz, declarou que as condições de saúde do ex-presidente são perfeitas, e que o tumor se desenvolveu em tamanho “não muito grande”. "Deseja-se que ele possa levar uma vida normal em quantidade e qualidade, após o tratamento", explicou o médico ao portal UOL.

Tumor está associado ao fumo

Nas palavras de Katz, o tabagismo é um dos principais fatores do desenvolvimento do câncer na laringe. Entretanto, o surgimento do tumor de Lula, ex-fumante, descoberto na porção superior das cordas vocais após dois diagnósticos no Sírio-Libanês, até agora não foi elucidado pelos médicos.

A doença, que está em sua fase inicial, tem maiores chances de atingir a cura, conforme explica o oncologista. O ex-presidente deixou o hospital por cerca das 20 h, e retornou para São Bernardo do Campo, no ABC paulista, cidade onde ele reside.

Tempos de felicidade

Durante os meus áureos primórdios, eu era, além de ser um filho feliz, uma criança ao mesmo tempo inocente e traquina. Em quase todas as circunstâncias em que estava presente, meus pais me consolavam, executando uma série de tarefas vitais para o meu sustento doméstico e extradoméstico. Trocavam fraldas, me davam banho, de preferência numa pequena banheira ao lado do berço, me carregavam no colo, e, enquanto isso, fiquei chorando continuamente, escorrendo lágrimas até cessar.

Minha memorável infância tem, obviamente, sabores de candura, delicadeza e brandura. Porém, primeiro em um apartamento de aluguel em que eu e meus pais residimos temporariamente e em seguida já aqui na nossa residência própria, aprontava traquinagens e travessuras impossíveis, das quais eu tinha mania mesmo. Como um menino travesso, observava a estante, cheia de objetos, como livros velhos, discos de vinil, televisor, aparelhos de som (o CD e o DVD ainda eram sonhos de consumo), subia na mobília da sala de estar, manuseava brinquedos e fazia de eletrodomésticos pouco usuais, como a enceradeira posicionada no canto da sala, um mero objeto de divertimento.

Gostava também de exprimir, dentro e fora de casa, meus gestos de alegria logo nos meus anos iniciais. Ao ver minha contente, afetuosa e protetora mãe deitada sobre uma linda rede colorida quadriculada, instalada na varanda, só para exemplificar meu lado jocoso, eu, então com três aninhos, tinha vontade de rir enquanto meu pai, com dotes de fotógrafo, acionava sua velha câmera analógica Olympus. Já que naquela época não possuía o hábito de me vestir direito, ficava seminu, trajado de um modesto short verde.

Num único momento, estudando em uma escola de educação infantil, me fantasiei de cowboy, com direito a um imponente chapéu branco, arrematado em sua parte inferior por uma listra horizontal verde escura, para eu sair numa fotografia gigante de uma revista fictícia. Tinha cinco anos e um fotógrafo foi à escola, onde na oportunidade cursava a segunda fase do jardim de infância – o Jardim II – apenas para me clicar sob um fundo azul anil, fixado na biblioteca. Dias depois – imagine – eu aparecendo como modelo na capa da ilusória publicação, direcionada para as crianças.

Até a minha adolescência, apreciava (e continuo apreciando) muitas festinhas comemorativas do meu aniversário e também do meu irmão, que é dois anos mais novo que eu. Foram episódios inesquecíveis e, sobretudo, clássicos, regados a tortas, doces, salgados, refrigerantes e o retumbante prefixo sonoro Parabéns a você. As pessoas que compareceram a essas ocasiões festivas, em alguns períodos, não se resumiam a mim, a meus pais e a meu irmão. Quaisquer parentes estiveram presentes, tanto que certa vez me levaram ao apartamento de uma tia minha para festejar meu natalício de seis anos com direito a uma comemoração formidável.

Eu, meu irmão e meus pais tínhamos corajoso espírito lúdico em potencializarmos nossas diversões externas ao âmbito domiciliar. Sentados na imensa relva à beira-mar de uma praia da orla atlântica, desfrutávamos das duas bolas, uma maior, colorida; e outra menor, de futebol, branca com apliques pretos, e contemplávamos a explícita formosura da paisagem, com predominância dos coqueiros robustos e frutíferos. Pouco tempo se passou e minha família percorreu exóticos pontos turísticos do centro histórico da nossa urbe, e por conseguinte fiquei deslumbrado por ter observado os atrativos pela primeira vez, experiência que uma década mais tarde passei a vivenciar sozinho, por conta própria, sem o consentimento paterno.

Cheguei até a penetrar nas aventuras motociclísticas, só que amadoras, pilotando uma motocicleta multicolorida no parque de diversões de um famoso festival de música nordestina, realizado no interior de um outro parque, o de exposições agropecuárias daqui da capital. Como tinha sete anos, sendo que dois meses depois completei oito, e não sentia receio enquanto pilotava aquela pérola da velocidade, reproduzida para tornar-se um singelo brinquedo móvel eletroeletrônico, não tinha – e nunca tive – habilitação para manobrar um meio de transporte simultaneamente tão veloz e tão perigoso.

Tanto meus momentos de criança quanto de adolescente me induziram a passear por clubes sociais, inclusive o maravilhoso Jockey Club, no litoral norte, do qual éramos sócios – suponho que ele, um extraordinário misto de hipódromo e parque aquático, foi extinto misteriosamente, e que sua sede foi demolida, disso não tenho exata certeza. Admirei, na mesma faixa etária, praias que, na minha opinião, são impressionantes, como São Tomé de Paripe, no subúrbio, e na paradisíaca Arembepe, outrora reduto dos hippies na nossa costa.

Por sempre acreditarmos na doutrina cristã e a seguirmo-la com firme convicção, eu e meu irmão, ainda pequenos, fomos batizados na paróquia daqui da nossa comunidade, em missa solene que contava com dezenas de familiares, que vieram especialmente para prestigiar nosso batismo. Foi, portanto, um episódio marcante em nossa vida, reafirmando as nossas virtudes espirituais. Ao passo que, no momento da celebração religiosa, tinha oito anos, meu irmão estava com seis, e passávamos a ser batizados, junto a nossos pais, da mesma forma como Jesus foi batizado, com água benta e purificada.

Ao vasculhar minhas reminiscências em álbuns fotográficos, redescobri alguns registros de um dos melhores passeios que já tinha feito até agora, quando era adolescente, aos dezesseis anos. Na companhia eterna de meu pai, eletricitário, visitava, num só final de semana, a convite da empresa onde ele trabalha, algumas usinas hidrelétricas no Rio São Francisco: o complexo de Paulo Afonso, no sertão baiano, e Xingó, na divisa de Alagoas com Sergipe. E, como cortesia, excursionávamos pela cidade de Paulo Afonso e em municípios sertanejos alagoanos e sergipanos – essa foi a primeira e única vez que saíamos do nosso estado de origem.

Excursão essa em que, apesar de percorrer lugares mais remotos e alheios a regiões civilizadas, explorávamos, em superfície e profundidade, aos aprazíveis segredos dos grotões sanfranciscanos – estratégia forjada por iniciativa da corporação hidrelétrica. As usinas hidrelétricas, quando as observávamos naqueles três dias de viagem, são de fato colossais, de dimensões radicais, um outro ambiente, um outro campo de trabalho. Seus interiores, onde se encontram as casas de máquinas, assemelham-se a cavernas pré-históricas.

Não importa quando e onde eu e meus parentes estávamos ao sentirmos orgulhosos pelas nossas passagens, tampouco a minha idade, mesmo sendo criança, adolescente ou adulto. O importante, para nós, é admirar, nutrir e perpetuar a grandeza dos nossos encontros, independentemente de tempo e de espaço, e compartilhar a fidelidade, a concórdia, a harmonia e a coesão nos diversificados ciclos interpessoais. Apesar da transitoriedade das vivências, os registros, ao serem revelados, permanecem não apenas na minha, mas também nas nossas memórias, em ação ininterrupta.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Deborah Secco posa para Vip

Ensaio fotográfico da atriz, eleita a mulher mais sexy do mundo pelos leitores da revista, é publicado na edição de novembro da publicação masculina

Com informações dos portais O Globo.com e R7

Passado o sucesso em Insensato coração, Deborah viverá uma escritora e jornalista em nova minissérie global
(Foto: Bob Wolfenson)

A atriz Deborah Secco, 31 anos, eleita pelos leitores da revista Vip, da Editora Abril, a mulher mais sexy do mundo, posou para um ensaio fotográfico da publicação masculina com cabelos curtos e escuros. Deborah, capa da edição de novembro, foi clicada pelo fotógrafo Bob Wolfenson numa fazenda em Bragança Paulista, interior de São Paulo.

O último papel da atriz na televisão foi o da modelo e alpinista social Natalie Lamour, na novela Insensato coração, exibida pela Rede Globo entre janeiro e agosto deste ano, às 21 h. Após sua personagem garantir êxito, ela se prepara para estrelar a minissérie Louco por elas, de João Falcão, na qual interpretará uma escritora e jornalista. Protagonizada pelo ator Eduardo Moscovis, a atração estreará em 2012.

Mudança de aparência

Deborah Secco declarou, em entrevista à Vip, que gosta de modificar sua aparência para encarnar seus papéis na televisão e no cinema. Com 24 anos de carreira, ela interpretou várias mulheres sexies. Segundo o portal O Globo.com, do jornal carioca O Globo, Deborah afirma estar acostumada com a fama de símbolo sexual.

"Não fiz só isso, mas elas marcaram. Esse tipo é popular. E eu não tenho problema nenhum com isso. Essa imagem que as pessoas têm não é da Deborah, é da Natalie. Minha vida é desinteressante. Não tenho vontade nunca de estar mais produzida. No fundo, não existem mulheres perfeitas. Todas sofrem dos mesmos problemas: celulite, estrias, flacidez, idade", conta à revista masculina.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Propeg lança livro sobre novas mídias digitais

Intitulada Publicidade digital, obra reúne artigos e ensaios de pesquisadores de observatório especializado da Ufba; evento de lançamento será hoje, na Livraria Cultura

Com informações da assessoria de comunicação da Propeg

Contemplada nacional e internacionalmente com dezenas de prêmios graças ao talento dos seus profissionais e clientes, a agência de publicidade Propeg está lançando o livro Publicidade digital: formatos e tendências da nova fronteira publicitária. A publicação, coletânea de pesquisas em setores de novas mídias digitais aplicadas à web, será lançada nesta quarta-feira (26), às 19 h, na Livraria Cultura, no 2º piso do Salvador Shopping.

Além do lançamento propriamente dito, acontecerá ainda uma sessão de autógrafos com as presenças do presidente da agência, Fernando Barros, e dos organizadores da obra, o professor titular da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/Ufba), Wilson Gomes, e o mestrando em Marketing Político Online pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Ufba (Poscom), Lucas Reis, mais representantes de veículos, clientes e fornecedores.

O livro reúne artigos e ensaios de bolsistas de graduação e pós-graduação do Observatório de Publicidade em Tecnologias Digitais da universidade. Instituído por um inédito convênio entre a Propeg e a Ufba, junto ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), à Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (Capes) e à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), o observatório viabiliza aos discentes da Facom uma bolsa para investigar estratégias midiáticas inovadoras para a internet.

Segmentos midiáticos

De acordo com a assessoria da Propeg, Publicidade digital “traz pesquisas em segmentos como marketing de buscas, mobile, mídia online, redes sociais, crises de imagem na web, marketing viral, mobile marketing e política online”. A obra a ser lançada foi idealizada pelo sócio e vice-presidente da Propeg, Alexandre Augusto, que resolveu investir em pesquisas acadêmicas para fortalecer as abordagens criativas das novas mídias digitais e distinguir a agência publicitária no mercado.

O executivo pondera que o convênio entre agência e universidade é aplicado com substantiva frequência nos Estados Unidos e na Europa, enquanto no Brasil ele costuma ser raro, inclusive na área de comunicação.“Tudo o que é pesquisado a gente traz para a agência; os bolsistas fazem seminários para os nossos profissionais. E, depois, nós vamos passando esse conhecimento para os nossos clientes e aplicando no dia a dia”, certifica Alexandre.

Serviço

Evento: Lançamento do livro Publicidade digital: formatos e tendências da nova fronteira publicitária

Data e horário: 26/10 (quarta-feira), às 19 h

Local: Livraria Cultura – Salvador Shopping, 2º piso

Futuros fotógrafos retratam a Boa Morte com suas lentes

Aspectos antropológicos da célebre festa popular de Cachoeira foram expostos em imagens captadas por estudantes do CST de Fotografia

Hugo Gonçalves - Estudante do 6º Semestre de Jornalismo da Unijorge

Matéria publicada na terceira página do jornal Casulo, publicação interna do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), nº 67, outubro de 2011

Secular manifestação religiosa do Recôncavo, a festa da Boa Morte é celebrada entre 13 e 17 de agosto de cada ano
(Foto: Reprodução)

Alunos do 2º Semestre do Curso Superior de Tecnologia (CST) de Fotografia da UNIJORGE expuseram, em 23 de setembro, no píer do Campus Paralela da instituição, imagens captadas na Festa da Boa Morte, na histórica cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, sob uma perspectiva etnográfica. Na exposição, foram apresentados elementos culturais de matriz africana e a convivência entre crenças distintas.

Durante um dos mais célebres e tradicionais festejos populares da Bahia, celebrado anualmente entre os dias 13 e 17 de agosto, os estudantes Amanda Oliveira, Graça Guimarães, Jonilson Farias, Malena Souza, Mário Sérgio, Mônica Barbosa e Rita Freire resgataram fragmentos antropológicos da ancestralidade através de suas lentes. A organização da mostra coube a uma comissão, composta por Graça, Mário e Rita.

Graça Guimarães anunciou a exposição da Festa da Boa Morte como a primeira organizada pelo recém-instalado curso de Fotografia. “Nós estamos buscando registros de algumas manifestações de rua, manifestações populares para manter na história. A gente já fez algumas festas, que a gente também vai estar expondo, como Maragogipe, o 2 de Julho e o 7 de Setembro”, explica a estudante. Conforme ela, a manifestação é “uma festa que fala muito da cultura do povo da Bahia”.

Mário Sérgio examina o contexto histórico-antropológico da manifestação, comemorada desde 1820, ao ser relacionado com a Irmandade da Boa Morte, confraria afro-católica constituída exclusivamente por mulheres negras no seio de uma sociedade patriarcal. “A Irmandade comprava a carta de alforria dos escravos”, diz Mário Sérgio. Além da libertação dos escravos, membros da confraria cachoeirana colaboraram com outras obrigações, a maioria de cunho religioso.

Para a coordenadora do CST de Fotografia da UNIJORGE, Suzana de Almeida, parte dos registros que compuseram a mostra integra o Projeto de Iniciação Científica, desenvolvido pelos alunos da instituição. “É importante a gente falar que a parte mais interessante e positiva desta exposição é que foi uma ação promovida e concebida pelos próprios alunos”, destaca Suzana.

P.S.: Quando esta matéria foi publicada no Casulo, o olho (frase que aparece logo abaixo do título) foi suprimido.

Confira algumas fotografias captadas na Festa da Boa Morte, em Cachoeira, por alunos do CST de Fotografia, e apresentadas na exposição, em 23 de setembro






sábado, 22 de outubro de 2011

Fontes tipográficas exclusivas na imprensa

Exemplo de texto composto na fonte Times New Roman, criada em 1932 pelo tipógrafo britânico Stanley Morrison apenas para o The Times. Logo após sua introdução no célebre jornal londrino, ela passou a ser bastante popularizada internacionalmente, sendo empregada na maioria dos periódicos

Algumas variações de versões e pesos da família Taz, elaborada entre 1996 e 2005 pelo tipógrafo holandês naturalizado alemão Lucas de Groot, especialmente para o jornal Die Tageszeitung, de Berlim, e usada em outros jornais ao redor do mundo, como os brasileiros Estado de Minas (Belo Horizonte) e A Tarde (Salvador)

Desde 2008, a Taz é usada em A Tarde graças a comercialização mundial dessa ultramoderna família sem serifa, a começar pela revista Muito, encartada aos domingos no jornal baiano. Acima, fragmento de página de uma edição da publicação, datada de 7 de fevereiro de 2010

Outra fonte assinada por Lucas de Groot especificamente para a imprensa, a Folha Serif, encomendada pela Folha de S. Paulo em 1996, pode ser observada nos exemplos acima: as três primeiras letras do nosso alfabeto, maiúsculas e minúsculas; e dois títulos extraídos de primeiras páginas do maior jornal do Brasil

A serifada Estado Headline (aplicada no primeiro título) e a sem serifa Flama (aplicada no segundo título), executadas pelo tipógrafo português Mário Feliciano para o novo projeto gráfico do Estadão, lançado em março de 2010, despertam a atenção do leitor pela agilidade na leitura dos textos

Poucos periódicos ao redor do mundo, na contemporaneidade, se utilizam de uma plenitude de fontes tipográficas formuladas exclusivamente para essa espécie de veículos por profissionais experientes. Nesta conjuntura, torna-se conveniente e necessário enfatizar algumas delas, com o propósito de compreender a relevância e a prevalência da sofisticada tipografia na diagramação de jornais e de revistas.

Vale ressaltar que, preliminarmente, magnificentes órgãos de imprensa encomendam a concepção e a feitura de famílias tipográficas em pesos e tamanhos diferentes, incumbência esta atribuída aos renomados tipógrafos, em geral provenientes de países da Europa - particularmente a Alemanha, berço da imprensa ocidental - e dos Estados Unidos da América.

Hoje uma das fontes mais populares em computadores e na imprensa internacional, a serifada Times New Roman, foi criada em 1932 pelo tipógrafo britânico Stanley Morrison (1889-1967), por encomenda do The Times, de Londres, um prestigiadíssimos jornais do planeta, em substituição à antiquada Times Old Face, então em uso. O The Times passou a utilizar a nova fonte em sua edição de 3 de outubro de 1932.

Morrison teve a honra e a glória de ter inventado a Times New Roman na empresa Monotype Corporation, também na capital da Inglaterra, recebendo a designação Monotype Times New Roman. A utilização dessa versão, durante um ano, ficou restrita ao notável jornal londrino; momentaneamente, ela se multiplicou, sendo empregada em uma infinidade satisfatória de periódicos em todos os cinco continentes e em processadores de texto.

O tipógrafo Lucas de Groot, holandês radicado na Alemanha, produziu uma série de fontes exclusivas para jornais, caracterizadas por sua leveza formal, sua versatilidade e sua legibilidade, como a família sem serifa Taz, elaboradas em 1996 para o berlinense Die Tageszeitung, de viés progressista, e, por curiosidade, até a Folha Serif, em parceria com o alemão Erik Spiekerman, desenhada a pedido do brasileiro Folha de S. Paulo, no mesmo ano, quando da sua reformulação gráfica.

Com quinze pesos diferentes para serem mercantilizados em âmbito planetário, a família Taz já usufrui de três gerações - a terceira e última é usada no Die Tageszeitung desde 2005. Pelo menos dois diários, no Brasil, utilizam agressivamente esta fonte, a despeito da parcimônia na sua difusão global, a saber: o Estado de Minas, desde 2004, e A Tarde, aqui na Bahia, desde 2009. Entretanto, um ano antes, ela já havia sido introduzida na revista dominical Muito, encartada nesse jornal.

Ao modificar a feição gráfico-editorial do Estado de S. Paulo, em princípios de 2010, outro tipógrafo europeu, o português Mário Feliciano, desenhou três fabulosas tipologias, todas de uso exclusivo do periódico - as serifadas Estado Headline e Estado Fine, e a sem serifa Flama, empregadas em manchetes e títulos de matérias. O estilo contemporâneo, flexível e legível de seus caracteres faz com que o leitor do Estadão proporcione velocidade na leitura dos textos.

Grande parte das fontes produzidas especificamente para periódicos, conforme observamos antes, ainda não se popularizou, exceção atribuída à famigerada Times New Roman. Contudo, outras famílias tipográficas, como a supracitada Taz, obra-prima talhada por Lucas de Groot, foram incorporadas aos projetos gráficos jornalísticos devido a sua comercialização mundial, dando um impulso tanto na própria imprensa quanto no design tipográfico.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A civilização negra em cena

Peça Histórias de Mãe África, estrelada pela global Priscila Camargo, trará as belezas, as lendas e os mitos do vasto continente para o público soteropolitano

Com informações da Tribuna da Bahia Online e da assessoria de comunicação da atriz Priscila Camargo

Segundo a atriz, montagem também vislumbra memórias de gerações anteriores
(Foto: André Pinnola/Divulgação)

Concebido para satisfazer a magia do público, essencialmente infanto-juvenil, que será atraído pelas lendas, pelas histórias e pelos mitos afro-brasileiros quase desconhecidos dele, o espetáculo Histórias de Mãe África aportará em território baiano nesta sexta-feira (21), às 16 h. Protagonizada e adaptada pela atriz paulistana Priscila Camargo, a peça permanecerá em cartaz em curta temporada, sempre no mesmo horário, até domingo (23), na Caixa Cultural Salvador, na Rua Carlos Gomes, no Centro.

A premiada montagem teatral, dirigida por Cacá Mourthé e já encenada Brasil afora desde 2004, vale-se da ludicidade, com o objetivo de convencer a plateia para revelar uma visão bem diferenciada do continente africano, apresentando 9 histórias de suas diferentes regiões, distanciando-se do imaginário habitual. Partindo desse pressuposto, as pessoas compreendem profundamente os elementos mágicos dessa imensa civilização, considerada o berço da humanidade, com a participação de bonecos, fantoches, marionetes e músicos.

Em depoimento à reportagem do jornal Tribuna da Bahia, Priscila, 53 anos, conta que Histórias de Mãe África também vislumbra memórias herdadas por sucessivas gerações e propicia o surgimento de novas plateias. “Cheio de ritmos e canções especialmente compostas, o espetáculo convida à participação de crianças e adultos, que podem cantar e dançar”, observa a atriz da TV Globo, que também lecionou, na tarde desta quinta-feira (20), a oficina “Aprendendo a Contar Histórias”, no mesmo local onde a peça será encenada.

O boneco Griot (à direita, ao lado de Priscila), típico contador de histórias da África, incentiva o espírito criativo da plateia
(Foto: Divulgação)

Imaginação

Segundo Priscila Camargo, a peça é introduzida pelo conto da orixá Euá, guardiã dos artistas e senhora das dissimulações e de todas as artes, também denominada “Deusa das Transformações” pelo povo iorubá por trazer a imaginação e a beleza de se contar histórias. Na apresentação, a protagonista conta com a colaboração útil de Griot, tradicional contador de histórias africano, interpretado por um boneco. Griot comparece ao palco o tempo todo falando sobre ecologia e incentivando o espírito inventivo e imaginativo do público.

Uma vistosa árvore, que simboliza a vida, encontra-se no centro do palco. “É Irôco, uma árvore sagrada que, como tantas culturas, abriga seres divinos. Nas nossas histórias, as árvores caminham e falam, tendo sempre as profundas raízes na terra Aiê, e os altos galhos tocando o céu, Orum, na língua africana ioruba”, diz o release do espetáculo.

Os ritmos africanos são acompanhados por canções melodiosas, executadas ao vivo pelos músicos Marcelo Daguerre (violão e voz) e Anderson Vilmar (percussão e voz), que incitam crianças, adolescentes e adultos a entrarem no mundo lúdico, mágico e misterioso das histórias apresentadas na montagem. Sua parte técnica cabe ao cenógrafo e figurinista Chico Espinosa, ao sensível iluminador Aurélio de Simoni e à diretora musical e coreógrafa Via Negromonte.

Familiarizando a plateia com a extraordinária diversidade cultural dos povos africanos e resgatando a ancestralidade brasileira por um panorama complexo, Histórias de Mãe África propõe o descobrimento de belezas, mistérios e sabedorias antigas em perfeita consonância com a modernidade. O ingresso para a apresentação é gratuito, podendo ser trocado por 1 kg de alimento não-perecível no próprio local.

Serviço

Espetáculo: Histórias de Mãe África

Elenco: Priscila Camargo (atriz), Marcelo Daguerre (violão e voz), Anderson Vilmar (percussão e voz), bonecos, fantoches e marionetes

Direção: Cacá Mourthé

Período e horário: 21/10 (sexta-feira) a 23/10 (domingo), às 16 h

Local: Caixa Cultural - Rua Carlos Gomes, 57, Centro

Ingresso: 1 kg de alimento não-perecível

Nadja Vladi explica os horizontes do jornalismo cultural

Em meio a uma plateia de poucos alunos, jornalista e professora, que coordena uma publicação de cultura e variedades, ministrou anteontem, na Unijorge, palestra sobre o assunto, na estreia do 6º Interculte

Jornalismo cultural, sua importância, sua atual situação e seus desafios. Enfocando essa temática que abrange segmentações artísticas distintas, a jornalista e professora Nadja Vladi ministrou uma palestra nesta terça-feira (18), no Campus Paralela do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), durante o início do 6º Encontro Interdisciplinar de Cultura, Tecnologias e Educação (Interculte), organizado pela referida instituição de ensino superior.

Diante de uma plateia composta por um irrisório percentual de alunos, ela esclareceu que dentro do jornalismo cultural há uma pluralidade de vertentes, tendências e expressões atreladas à arte. Trata-se de um vasto repertório, no qual se englobam a música, a literatura, o teatro, as artes visuais ou plásticas, o cinema, a dança e até a moda, a gastronomia e a cultura digital.

Conforme Nadja, as múltiplas especificidades da imprensa cultural induzem os leitores a obter e esclarecer informações a respeito do universo artístico, refletir acerca dos movimentos culturais, interpretar a cultura de uma época e desenvolver a produção artística, além de impulsionar a ampliação do próprio público.

Especialização é necessária

A palestrante, professora do curso de Jornalismo da Unijorge e editora-coordenadora da revista semanal de variedades Muito, publicada no jornal A Tarde, disse que, para quem está interessado a fazer um trabalho robusto vocacionado para a cultura, é imprescindível que ele se especialize numa vertente. “Além do jornalismo, você deve ouvir música, ler livros, assistir a filmes, entender moda, para que você tenha acesso a esse repertório”.

Esse procedimento, de acordo com Nadja Vladi, acontece de modo indiferente em outras categorias. Por exemplo, jornalistas especializados em artes visuais devem entender aspectos de história da arte e estética, bases para se adquirir um processo artístico; e àqueles interessados em dança têm que conhecer detalhadamente os movimentos clássicos.

Os periódicos da Bahia, em se tratando de cultura, dão mais ênfase para a música, o teatro e o cinema, na contramão de outros estados, a exemplo de São Paulo, onde jornais também valorizam demais segmentos, como a gastronomia.

No que tange os movimentos artísticos de uma época, Nadja mencionou dois deles, ambos ligados à música brasileira – o tropicalismo (ou tropicália) e o mangue beat. O primeiro, datado dos anos 1960 e que incluía músicos do calibre de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé e Mutantes, absorveu elementos nativos, influenciados pela Semana de Arte Moderna de 1922, e estrangeiros, com predominância no rock.

Todavia, o mangue beat, germinado e frutificado em Pernambuco na década de 1990 e tendo o cantor e compositor Chico Science (1967-1997) como um de seus expoentes e propagadores, é uma releitura do movimento tropicalista. “Tudo que vai escrever sobre música, você vai entender sua história, sua contextualização”, afirma a jornalista e professora.

O curioso, para Nadja, é que a cobertura do pagode está excluída dos cadernos específicos, apesar de ele ser um dos gêneros musicais mais ouvidos no estado. “A Bahia é um estado que ouve pagode, axé music e pouco rock”, ressalta.

Questões e desafios do setor

Em relação ao público, o jornalismo cultural, além de difundir a cultura e torná-la acessível para as audiências, estabelece argumentos fomentadores do cenário artístico. Dentre suas questões mais relevantes estão a sintonia com a agenda das indústrias culturais, reportagens com alto teor informativo, menos visibilidade para a crítica e amplo espaço para roteiros de espetáculos.

Na palestra ainda foram explanados os desafios dessa vertente jornalística. Ao mesmo tempo em que o jornalismo cultural abre espaço para a valorização identitária, a cultura popular, o debate de ideias e a contraposição a tendências, ele enseja o aprofundamento e as reflexões concernentes às manifestações culturais, amplia e irradia sua cobertura e torna-se mais provocador e mais crítico, refletindo sobre a cidade.

Focalizada na identidade baiana, utilizando a cidade de Salvador como referência importante, a revista Muito, que circula aos domingos, “não trabalha com o agendamento, ao contrário do Caderno 2 (caderno cultural de A Tarde)”, na acepção de Nadja. Para ela, editora-coordenadora da Muito, a publicação semanal, “segunda mais lida da Bahia”, ficando atrás somente da gigante Veja, procura ter vocação cosmopolita.

domingo, 16 de outubro de 2011

Unijorge debate desafios do cinema em workshop

Participarão do evento, a ser realizado na próxima quinta-feira, membros da equipe técnica de dois documentários que estão em cartaz

O Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), visando debater as dificuldades e os obstáculos por que passam as produções da sétima arte na contemporaneidade, promoverá o workshop "O desafio de uma produção cinematográfica", na próxima quinta-feira (20), às 14 h, no estúdio de TV, situado no subsolo do prédio 2 dos Laboratórios de Comunicação (Labcom) da universidade particular, no Campus Paralela.

A fim de conduzir o evento, foram escalados os diretores Márcio Cavalcante e Henrique Dantas, dos documentários Bahêa minha vida e Filhos de João - Admirável mundo novo baiano, respectivamente; e mais dois integrantes da equipe técnica do primeiro filme mencionado: a produtora Sheila Gomes e o montador Denis Ferreira.

Enquanto Bahêa minha vida explora a história do Esporte Clube Bahia sob a ótica dos torcedores, Filhos de João narra a trajetória dos Novos Baianos, grupo que revolucionou a Música Popular Brasileira (MPB) na década de 1970. Ambas as películas continuam em cartaz nas salas de projeção.

Foi estipulado um limite, de no máximo de 40 inscrições, para que os inscritos compareçam ao workshop. A lista para inscrições já está disponível na central técnica do complexo Labcom da Unijorge.

Atriz famosa declarou apoio a Collor

Cláudia Raia, já conhecida do grande público, manifestou seu voto a então presidenciável no pleito de 1989, ao lado de outros pouquíssimos artistas que lhe deram suporte

A atriz Cláudia Raia, uma das mais consagradas da criativa teledramaturgia brasileira, esteve entre as ínfimas figuras do ramo artístico a declarar com veemência seu apoio à candidatura de Fernando Collor de Mello (PRN) à Presidência da República em fins de 1989, após um intervalo de 29 anos sem eleger o mandatário supremo da nação. Então com 22 anos de idade, Cláudia já era experiente, possuindo em seu currículo quatro peças teatrais, quatro telenovelas da Rede Globo (claro), dois filmes e dois programas humorísticos globais.

Outros astros que manifestaram solidariedade a Collor, além de Cláudia, foram, conforme Conti (1999, p. 228), as atrizes Marília Pêra, Ísis de Oliveira – irmã da ex-modelo e também atriz Luma de Oliveira –, Pepita Rodrigues – viúva do saudoso ator Carlos Eduardo Dolabella (1937-2003) – e Tereza Rachel, todas globais, a cantora Simone e o cineasta Ipojuca Pontes, marido de Tereza, que em 1990 seria nomeado por Collor para exercer a titularidade da Secretaria de Cultura, pasta estabelecida pelo novo governo em substituição ao ministério. E, obviamente, o ostensivo amparo das Organizações Globo.

Durante sua passagem como governador de Alagoas, entre março de 1987 e maio de 1989, Fernando Collor se autointitulou “caçador de marajás”, pois prometia exterminar as prerrogativas da parcela mais enriquecida do funcionalismo público daquele estado do Nordeste, as populares mordomias. Collor transplantou esse receituário em âmbito nacional na campanha que o ascendeu ao Planalto no segundo turno das eleições, disputado acirradamente em 17 de dezembro de 1989, corpo a corpo, com o então deputado federal Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Profissão: "repórter" collorida

Segue, abaixo, um fragmento extraído do horário eleitoral gratuito de televisão do então candidato Collor. O material publicitário audiovisual anexado nesta matéria refere-se a uma entrevista, concedida à “repórter” Cláudia Raia, com o carpinteiro Dermeval Gomes da Silva, proveniente de uma localidade periférica nordestina.

Na entrevista, Dermeval confessou à atriz que o ex-governador alagoano – hoje senador pelo PTB e vice-presidente da legenda – seria o presidenciável ideal para retomar as rédeas do Brasil, estagnadas desde a crise produzida pelas tentativas sucessivas e malsucedidas de controle inflacionário estabelecidas pelo então presidente José Sarney, a saber: o Plano Cruzado (1986), o Plano Cruzado II (1986), o Plano Bresser (1987) e o Plano Verão (1989).

O entrevistado, com seu carregado sotaque nordestino, também alfinetou Lula e seu partido, dizendo que eles só vivem das greves operárias organizadas pelos sindicatos, encabeçados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), braço sindical do PT. Reparem, no trecho a seguir, com 2 minutos e 20 segundos de duração, Cláudia Raia reproduzindo a retórica collorida, traduzida na expressão “minha gente”, pronunciada duas vezes pela atriz global e também dançarina.



Transcrição da entrevista

Cena 1 – Quintal da casa de Dermeval

Cláudia Raia – Olá, bom dia?

Dermeval Gomes da Silva – Bom dia.

C. R. – Tudo bem?

D. G. S. – Tudo bem.

C. R. – Eu queria fazer uma pergunta para o senhor. O senhor votou em quem no primeiro turno?

D. G. S. – (Em) Fernando Collor de Mello.

C. R. – E agora, no segundo turno, no dia 17 de dezembro, o senhor vai votar...

D. G. S. – No Fernando Collor de Mello.

C. R. – Muito bem. É isso aí, minha gente. É assim que ele fala, não é? Bom, eu acho que vocês já me conhecem. Eu sou a Cláudia Raia, e também votei no Fernando Collor de Mello.

Cena 2 – Cozinha da casa de Dermeval

C. R. – Certamente, vocês não conhecem o senhor Dermeval Gomes da Silva. Ele é carpinteiro, é casado, tem quatro filhos. “Seu” Dermeval, por que que o senhor votou no Fernando Collor de Mello?

D. G. S. – Eu votei no Fernando Collor de Mello porque eu acho que ele é o único ideal para ser o presidente da República.

C. R. – E por que que o senhor acha isso?

D. G. S. – Bom, ele é um homem que fala a verdade, não é um homem que fica mentindo, certo? Falando dos outros e depois do outro está pegando a mão do outro, igual ao que (Leonel) Brizola (1922-2004, candidato do PDT que, derrotado no primeiro turno em 1989, apoiou Lula no segundo) está fazendo isto, certo? Então eu acho que ele não é o ideal de ser o presidente da República.

C. R. – E o senhor acha que ele vai ser um bom presidente para as pessoas que têm os mesmos problemas que o senhor?

D. G. S. – Eu acho. Eu acho que todos nós estamos esperando isso. Eu acho que ele vai resolver esse problema da dificuldade que está existindo no Brasil.

C. R. – Existe um candidato do PT (Lula) que se diz o candidato dos pobres. O que o senhor acha disso?

D. G. S. – Bom, eu não acho que esse candidato do PT seja o candidato dos pobres, porque o Partido do Trabalhador (sic), certo, ele só é casado de greve. E greve não traz barriga cheia para ninguém.

Cena 3 – Cláudia junto a populares anônimos

C. R. – Minha gente, essas pessoas que estão aqui, esse senhor que nós acabamos de conversar, não são empresários ricos não. São pessoas do povo, gente que passa muita necessidade, e que vão votar em Fernando Collor de Mello. O povo não é bobo, não.

P. S.: O vídeo apresentado nesta matéria foi postado originalmente pelo jornalista Ricardo Noblat, do jornal carioca O Globo, em seu canal no Youtube.

Referências

CONTI, Mário Sérgio. Notícias do Planalto: a imprensa e Fernando Collor. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

HORÁRIO Eleitoral Gratuito de Televisão. Dez. 1989. In: CLÁUDIA Raia, a repórter de Collor. Vídeo postado por Ricardo Noblat no Youtube em 26 out. 2010. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=hscP0Otqh4o&feature=player_embedded. Acesso em: 16 out. 2011.

sábado, 15 de outubro de 2011

Obrigação de ensinar por um amanhã mais feliz

Com a imponente e laboriosa tarefa de transmitir conhecimentos e valores ético-morais aos seus aprendizes, os professores agem como elementos-chave do nosso itinerário pedagógico, carregado de persistência e orgulho. É essa a intenção precípua, primaz e absoluta desses dignificados profissionais, que hoje comemoram seu dia.

Mestres da consciência, da disciplina, do raciocínio e da humildade, eles acumulam amplitudes perpétuas de sabedoria, anteriormente à sua chegada nas salas de aula das escolas em todos os níveis educacionais. Quando o professor dá início a cada aula, ele passa a ser cumprimentado fielmente por seus fiéis discípulos, que ambicionam um futuro esperançoso.

A rotina professoral, a despeito da sua sistemática complexidade, traz benefícios substanciais para o crescimento cognitivo e moral dos alunos, oportunizando-lhes a formação de conduta. Tais proveitos são atribuídos, primeiramente, pela qualificação, pela valorização e pelo aprimoramento profundos dos educadores, exímios guardiães da caridade perante seus educandos.

O currículo de um excelente professor inspira-se nas concepções íntegras e indeléveis de aperfeiçoamento do magistério, colocando em prática instrumentos que viabilizem a dinâmica instrutiva. Se não houvesse a privilegiada participação de um mestre lecionando nas salas, múltiplas sequelas continuariam proliferando e acentuando nas nossas estruturas societárias, como a própria incipiência nas condições de ensino.

Presentes em todas as temporalidades e espacialidades, os educadores ajudam a alavancar a real difusão dos princípios que norteiam um labirinto de possibilidades, sem desviá-lo para o passado. Logo, a tolerância e o comprometimento do corpo docente, obrigatoriamente, têm que ser vocacionados em direção ao bem-estar comunitário pacífico e conciliador.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Conceitos de Jornalismo Multimídia

Artigo elaborado sob a orientação do professor Alberto Oliveira, docente da disciplina Jornalismo Online e Produção de Novos Conteúdos do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge)

Para trabalhar em uma história verídica, alicerçada nos acontecimentos, o jornalista multimídia se utiliza da versatilidade, dispondo de quatro recursos multimidiáticos: o texto, o vídeo, a fotografia – ou foto, em sua forma abreviada – e o áudio. Além disso, ele necessita definir uma das categorias mencionadas a fim de narrar uma história. Tanto vantagens quanto desvantagens são apresentadas em cada recurso.

O texto permite o aprofundamento apurado e consistente de um certo fato, sendo uma ferramenta crucial para estabelecer links (ligações) com outras histórias semelhantes ou com materiais armazenados. A natureza participativa e interativa do texto, em nível digital, faz com que ele se articule com mecanismos de participação do usuário, tais como a enquete, o fórum e o comentário.

Por ser um meio versátil, compreensível e de elaboração fácil e rápida, o texto ajuda a contextualizar, analisar, testemunhar, relatar e entender os acontecimentos. Entretanto, há no texto um paradoxo evidente: ele nem sempre é perfeito para que o leitor seja o personagem da narrativa.

Diferentemente do texto, o vídeo instiga o público pela percepção sincrônica da visão e da audição dos fatos, pondo os espectadores diretamente na cena. Como exemplos dessa distinção entre os dois recursos multimidiáticos, podem ser citados um sofrimento, relatado através do texto, e a dor, mostrada no vídeo, daí a marcante sensação de drama no recurso audiovisual. O vídeo ainda exige automaticamente a presença do observador no local do ocorrido.

As fotografias, outro mecanismo empregado em larga escala no jornalismo multimídia, reproduzem circunstâncias diversas do cotidiano em formato de imagens estáticas (sem movimento), capturadas pelas câmeras, e são excelentes para eternizá-las. Em coberturas de competições esportivas, as fotos possuem uma capacidade de retratar uma ação (exemplo: atletas praticando exercícios físicos), em comparação com o vídeo, que não consegue capturá-la perfeitamente.

Nem todas as fotos são dramáticas, pois também revelam os atributos constituintes da aparência física de um indivíduo, como sua fisionomia, sua estatura corpórea, seu vestuário, dentre outros.

Quanto ao áudio, quarto e último recurso multimidiático, seu imediatismo e sua instantaneidade equiparam-se às mesmas qualidades contidas no vídeo; no entanto ele não obriga o público a prestar-lhe total atenção. Outro benefício proporcionado pelo áudio é a sua contínua portabilidade. Por conseguinte, essa categoria pode ser reproduzida em equipamentos eletrônicos, como computadores, notebooks, telefones celulares, smartphones, iPads, iPods, etc.

Um conceito primordial dentro da fotografia é a regra dos três terços, que consiste na divisão da imagem em nove quadrados obtidos por duas linhas horizontais e duas linhas verticais, formando uma grade, idêntica à de um tabuleiro de xadrez. O elemento principal da foto deve ser inserido em um dos quatro cruzamentos.

De acordo com a regra, para que o editor tenha opções, recomenda-se sempre fotografar as cenas horizontal e verticalmente. Ao capturar uma pessoa, é preciso evitar as poses, ou seja, efetuar a operação quando ela estiver em movimento. É obrigatório que a resolução das imagens seja reduzida para 72 dpi (pontos por polegada) e que sempre trabalhe unicamente sobre uma cópia da foto.

Ao agregar as imagens referentes a um mesmo tema, podem-se criar galerias de fotos convencionais ou slideshows, galerias com a passagem automática das imagens. No momento da captura do horizonte, a fotografia deve ser mantida por inteiro (não deve ser cortada ao meio). Além disso, é aconselhável eliminar os elementos não condizentes com a cena fotografada, a exemplo da sombra.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Dia das Crianças: comercial ou familiar?

O dia 12 de outubro foi escolhido para celebrar os menores no Brasil nos anos 1920, por meio de proposta de um deputado; décadas depois, graças a uma bem-sucedida campanha, a data está associada às vendas de brinquedos

A efeméride dedicada aos menores varia com as tradições e os hábitos de uma nação
(Foto: Divulgação)

Meninos e meninas de todo o mundo têm um dia especial dedicado a eles, variável de acordo com as tradições e os costumes de uma determinada nação. No calendário comemorativo do Brasil, o Dia das Crianças passou a ser celebrado em 12 de outubro em razão de uma estratégia de marketing promovida por uma famosa fábrica de brinquedos. A celebração da data no país, para alguns, simboliza a mercantilização de objetos infantis.

Tudo começou em 1923, quando a cidade do Rio de Janeiro, então capital federal, recepcionou o 3º Congresso Sul-Americano da Criança, conforme lembra o historiador goiano Rainer Sousa, em artigo no portal Brasil Escola. Aproveitando aquela oportunidade, no ano seguinte, um deputado federal da época, o fluminense Galdino do Valle Filho (1879-1961), obteve a genial ideia de conceber um dia em homenagem às crianças através de um projeto de lei de sua autoria.

O projeto de Galdino foi aprovado pelos deputados e, por fim, sancionado em 5 de novembro de 1924 pelo então presidente da República, Arthur Bernardes (1875-1955), que o converteu em Decreto nº 4.867, no qual o dia 12 de outubro, originalmente o Dia de Nossa Senhora Aparecida, foi oficializado como o Dia das Crianças. Entretanto, “a data não se tornou uma unanimidade imediata”, segundo Rainer.

Companhias de brinquedos passaram a festejar o 12 de outubro graças ao incremento de suas vendas
(Foto: Divulgação)

Marketing certeiro

Somente trinta e seis anos após a fixação da efeméride no calendário festivo brasileiro, em 1960, a Fábrica de Brinquedos Estrela, por meio do seu diretor comercial, Eber Alfred Goldberg, em conjunto com a multinacional estadunidense Johnson & Johnson, resolveu organizar a Semana do Bebê Robusto. O intuito da promoção simultânea das duas companhias era, exclusivamente, impulsionar as vendas dos seus produtos.

“Os bons resultados fizeram com que esse mesmo grupo de empresários revitalizassem a comemoração do 12 de Outubro criado pelo deputado Galdino. Dessa forma, o Dia das Crianças passou a incorporar o calendário de datas comemorativas do país”, frisa o historiador. Com o crescente sucesso da estratégia, outros empresários criaram a Semana da Criança, com similar objetivo: incrementar o comércio de brinquedos. Foi a partir daí que o dia 12 de outubro passou a ser festejado em profusão pelo segmento.

Dia universal

A iniciativa de homenagear as crianças em âmbito internacional partiu do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU), que convencionou o dia 20 de novembro como o Dia Universal da Criança em homenagem à data da promulgação da Declaração Universal dos Direitos da Criança, em 1959. “Nesse documento, se estabeleceu uma série de direitos válidos a todas as crianças do mundo, como alimentação, amor e educação”, afirma Ranier Sousa.

O Dia das Crianças não é apenas uma efeméride de caráter mercantil por alavancar o comércio e o consumo de brinquedos. Sobretudo, trata-se de uma eterna ocasião de natureza familiar, na qual os baixinhos recebem presentes dos seus familiares, como pais, tios e avós, além de ser usada para confraternizar, compartilhar e refletir sobre o seu sentido autêntico.

sábado, 8 de outubro de 2011

Bahia de todos os ritmos

Caracterizado pela extraordinária abundância de sons, o axé definiu sua forma e seu conteúdo com a ascensão nacional de um jovem multi-instrumentista

3 de outubro de 2011

Um majestoso mercado que dinamiza a ritmicidade surgida na Bahia. Além de atrair multidões, ele engrandece os negócios no setor de entretenimento em todas as instâncias. Quebrou paradigmas e percorreu fronteiras, indo mais longe do seu legítimo berço e reduto. Dos estúdios, onde músicos e produtores inventam, ensaiam e registram timbres, acordes, melodias e harmonias em canções a serem lançadas nos prelúdios de cada verão, até os circuitos do escaldante Carnaval de Salvador, emana uma imensa convergência de gêneros inserida no panorama da Música Popular Brasileira.

Resultado da aparente incorporação e absorção de outras modalidades preexistentes – samba, frevo, maracatu, reggae, rock, pop e até música clássica –, aliados aos batuques primitivos dos instrumentos africanos de percussão e das tendências provenientes do Caribe, com ênfase na salsa e no merengue, o caldeirão sonoro ao qual se denomina axé music, mais conhecido simplesmente por axé, passou a adquirir estética e conteúdo definidos em meados da década de 1980, mais precisamente em 1985.

O período balizou a consagração de um cantor, compositor e multi-instrumentista de talento precoce: Luiz Caldas, então com 22 anos de idade. Seu grande êxito pioneiro: a antológica Fricote (Nega do cabelo duro), dele e de Paulinho Camafeu. Apesar de a letra ser ambígua, abordando o estereótipo de uma negra que não gosta de pentear seu cabelo, a canção contribuiu maciçamente para agilizar a penetração da nova sonoridade baiana em todo o Brasil, em especial no eixo Rio-São Paulo. Portanto, o sucesso imediato de Fricote obrigou o prodígio Luiz a participar assiduamente de programas de auditório como o Cassino do Chacrinha, da Rede Globo, comandado por Abelardo Barbosa (1917-1988), o Velho Guerreiro.

Controvérsia

É controvertida a origem do termo axé music. Segundo o roqueiro e jornalista Hélio Rocha, em depoimento à Tribuna da Bahia, em fevereiro de 2010, a expressão foi citada pela primeira vez em uma matéria acerca do show de estreia do grupo de rock Camisa de Vênus, liderado pelo locutor e músico Marcelo Nova, em Salvador, publicada no periódico em 1982. “Marcelo Nova foi quem criou a expressão axé music, em seu programa de rádio Rock Special (transmitido pela extinta Aratu FM), como forma de gozar com a galera que estava fora do movimento do rock. O termo só foi popularizado na segunda metade da década, mas o crédito pertence a Marcelo”, diz Rocha.

No entanto, em 1987, o jornalista Hagamenon Brito, também de postura roqueira e à época crítico musical do jornal A Tarde (hoje trabalha no rival Correio*) usou a designação axé music com o objetivo de se referir pejorativamente à pretensão dos artistas locais a adquirirem prestígio no exterior, daí a associação do vocábulo inglês music (música) ao termo africano axé, que significa força. “Na verdade, o termo axé music foi criado originalmente para designar uma cena musical e não um gênero”, elucida Hagamenon em entrevista ao jornal Tribuna do Norte, de Natal, em janeiro de 2010. “Inicialmente rejeitado em Salvador pelos artistas da cena, o termo passou a ser usado também pela mídia do Rio e de São Paulo e aí pegou geral”, pontua o crítico.

A abundante musicalidade delineada por Luiz Caldas no LP Magia, datado do final de 1985, disco do qual Fricote era o carro-chefe, fora esquematizada cinco anos antes. “Foi Fricote que abriu as portas, para o Brasil, deste tipo de música híbrida que eu já fazia no trio elétrico Tapajós, desde 1979. Basta olhar os créditos do LP Ave Caetano, lançado em 1980, que as pessoas vão encontrar duas canções de minha autoria: Oxumalá e Tapafrevo. E é Oxumalá a primeira canção que apresento a axé music para os baianos e para o mundo”, conta Luiz em artigo publicado em A Tarde, em 18 de novembro de 2009, reafirmando o título de genitor da sonoridade.

Foi ainda no legendário Tapajós que o “pai” do axé fundou e capitaneou a banda Acordes Verdes. Junto ao Tapajós, Luiz Caldas registrou ainda mais dois álbuns, Jubileu de prata (1981) e Cristal liso (1982). “Quando decidi seguir a carreira-solo, já estava atuando na gravadora WR e tinha deixado o Tapajós. Gravei o primeiro disco individual em 1983 e, em seguida, concebi o disco Magia, que vendeu mais de 380 mil cópias”, recorda. Quando Luiz (guitarra e voz) gravou aquele álbum, ele estava acompanhado da célebre formação do Acordes Verdes, a saber: Carlinhos Marques (baixo e vocal), Alfredo Moura (teclados), Cesinha (bateria), Carlinhos Brown e Tony Mola (percussão), Paulinho Caldas e Silvinha Torres (backing vocal).

Mercado promissor

Em virtude do visível reconhecimento do então fenômeno Luiz Caldas e de sua mistura tropical de estilos, uma nova safra de cantores e intérpretes se prosperou mercadologicamente nos anos subsequentes, alcançando projeção em escala nacional. “Vendo que a música que eu fazia gerava muita grana, as gravadoras passaram a investir em novos artistas baianos. Todas queriam algo parecido. A estratégia deu certo. Os que vieram seguindo os meus passos não são criadores, são seguidores. Está datado. É fato. É história”, certifica Luiz em A Tarde.

Logo uma constelação amplificada de astros baianos ascendeu e pontificou no mercado fonográfico brasileiro. Projetaram no cenário nacional e internacional Chiclete com Banana, Sarajane, Gerônimo, Cid Guerreiro, Cheiro de Amor, Banda Reflexu’s, Ricardo Chaves, Margareth Menezes, Eva, Banda Mel, Asa de Águia, Banda Beijo, Daniela Mercury, Carlinhos Brown, Ivete Sangalo, Timbalada, Jammil e Uma Noites, Alexandre Peixe, Babado Novo, Cláudia Leitte, A Zorra, Negra Cor, Tomate, dentre outros, sendo que alguns deles não estão conseguindo repetir igual sucesso como foi antigamente devido, entre outros fatores, ao anonimato e à ausência de carisma.

De norte a sul, de leste a oeste, em todos os quatro cantos do país e do planeta se ouve simultaneamente a genuína ritmicidade gestada na sedutora Salvador, cidade notabilizada culturalmente também em razão do seu fantástico sincretismo religioso. Por ser rotulada como celeiro musical, a Bahia exporta sua ginga para outros estados brasileiros e para diversos países em todos os cinco continentes por meio da realização de dezenas de espetáculos de dimensão inegavelmente magnífica. O axé, por conseguinte, já se transformou em irresistível gênero rítmico dirigido à universalidade.

“A Bahia é um dos maiores celeiros musicais do mundo. Nós somos o ‘farol’ do mundo das artes, somos o maior liquidificador rítmico do planeta Terra, além de estarmos estratégica e geograficamente situados no ‘coração do Brasil’”, alegra-se o empresário e produtor Wesley Rangel, dono do estúdio WR, um dos mais importantes do Norte/Nordeste e laboratório de miscelâneas rítmicas que originaram o axé, ao portal Salvador com H em fevereiro deste ano. “A miscigenação de nosso povo, as influências multinacionais que formam nosso amálgama cultural e a força nativa de nossa cultura indígena nos tornam os promotores da cultura do terceiro milênio”, completa Rangel.

“Axé in Rio”

O axé garantiu lugar cativo no Palco Mundo do Rock in Rio, em apresentações adaptadas para uma possível plateia roqueira. A loira Cláudia Leitte inaugurou a primeira noite do festival, em 23 de setembro, fazendo seu show “ultraproduzido”, conforme analisou o enviado especial Marcus Preto, da Folha de S. Paulo. Claudia realizou um espetáculo “ultraproduzido”, porque ele se valeu de caprichosos efeitos especiais, pirotecnia e coreografias performáticas. Ela fez, realmente, uma excelente apresentação.

Na semana seguinte, na noite da última sexta-feira, 30 de setembro, foi a vez de Ivete Sangalo tocar na Cidade do Rock. Quando a rainha absoluta do axé se apresentou, ela incluiu em seu repertório duas baladas em inglês, a fim de adequá-lo ao público presente no Rock in Rio, majoritariamente roqueiro. Ivete ainda se aventurou em tocar piano e violão. “Pop é pop, rock é rock, axé é axé. A gente se mistura inconscientemente. Mas, se um festival impuser ao público um único segmento, nunca vai conseguir fazer 300 dias de festa, todos cheios de gente", afirma Ivete à Folha uma semana antes de a morena se apresentar no evento.

Hoje retornei a atualização

Prezados leitores internautas,

Resolvi hoje retornar com plena energia, velocidade e agilidade a atualização deste Armazém Jornalístico Interdisciplinar Eletrônico, que no último dia 2 completou 2 anos de sucesso. Desde 2 de outubro de 2009, publico nesta formidável página conteúdos que realmente têm afinidade usual com o cotidiano de uma sociedade em constante evolução. Uma gente cuja necessidade primordial é a busca e o cultivo perenes pela informação e pela leitura.

Já estão disponíveis aqui centenas de matérias, categorizadas por reportagens, notícias, notas, artigos, resenhas, análises e releases. E ainda, raramente, entrevistas, crônicas, poemas, vídeos e contos fictícios. Além disso, os textos também são classificados por assuntos de múltiplo interesse.

Ao contrário do meu prognóstico dado em comunicado do dia 28 de setembro, prometi abandonar temporariamente a publicação de matérias inéditas nesta página por 3 dias e voltar a atualizá-lo no primeiro dia do corrente mês. Porém, minha promessa não vingou por eu estar completamente atarefado, envolvendo-me nas atividades avaliativas acadêmicas.

Quero, neste instante imediato, adicionar novas razões úteis, novíssimos raciocínios, para que a minha habilidade comunicativa, informativa e jornalística seja consistentemente ágil, progressiva, contínua, turbinada e objetiva. Sabemos profundamente a relevância do jornalismo, peça-chave deste blog, na atualidade, bem como seus desafios, suas perspectivas e sua prática exercitada por nós, autênticos operários da informação.