Verdes estão em crise na Bahia

Partido Verde perde vários membros históricos no estado um ano após crescimentos na candidatura de Marina Silva à Presidência

Com informações da Tribuna da Bahia Online e do Terra

Marcelo Cerqueira, hoje filiado ao PT, desligou-se do PV no ano passado, mas sua saída foi publicizada nesta semana pela executiva estadual do partido
(Foto: Divulgação/GGB)


Após a derrota do então fenômeno Marina Silva nas eleições presidenciais do ano passado, o Partido Verde (PV), cujo incremento no número de adesões era justificado pela ascensão da candidatura da ex-senadora, agora está na contramão, perdendo gradativamente seus militantes em solo baiano. O refluxo na legenda em nível estadual está sendo suplantado, entre outros aspectos, pela discordância de alguns ex-filiados em relação à orientação do diretório estadual.

Pelo menos três nomes expressivos abandonaram os quadros verdes em agosto – o ex-presidente estadual do partido, Jair Gomes; o ambientalista e ex-secretário do Meio Ambiente, Juliano Matos; e Ary da Mata, irmão da senadora Lídice da Mata (PSB). Um dos fundadores do PV na Bahia, Ary deixou o partido em razão de inúmeras divergências ideológicas. “Também não concordei com a forma burocrática e autoritária com que o partido vem sendo conduzido. O sonho do Partido Verde acabou”, decepcionou-se o militante à reportagem do jornal Tribuna da Bahia.

De acordo com Ary da Mata, outros membros devem estar anunciando a saída deles do partido por não estarem em conformidade com a direção regional, “como se fosse propriedade deles e não um bem coletivo em que prevalece a democracia”. Ao questionar-se sobre a sua perspectiva partidária, o ex-militante verde cogita sua migração para o PSB, presidido no estado por sua irmã, conforme circula nos bastidores da política.

Líder gay deixou sigla

No rastro da despedida de seus ex-correligionários, o presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), o historiador e ativista Marcelo Cerqueira, também se desfiliou do PV, no qual ele militava por dez anos. Hoje, ele é filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), onde iniciou sua militância política, e especula que poderá pleitear a uma vaga na Câmara Municipal de Salvador em 2012. Cerqueira havia se candidatado a vereador em 2000, 2004 e 2008, no entanto não obteve êxito naquelas ocasiões.

O dirigente do GGB, em entrevista ao repórter Davi Lemos, da sucursal de Salvador do portal Terra, em maio de 2010, confessou que a sua saída da agremiação verde foi provocada pela suposta “dissimulação” da então candidata Marina Silva e que o partido estaria dando uma guinada à direita “reacionária”. Além disso, o fato de Marina ser contrária, por exemplo, ao aborto e à causa homossexual, favoreceu a debandada do líder do movimento gay no estado.

“Acho que o PV ficou meio perdido. Eu entendi a candidatura de Marina como uma plantada para fazer contraponto e balancear a candidatura de Dilma (Rousseff, atual presidente da República pelo PT). Nadou, nadou e morreu na praia. Mas a decisão foi sábia porque de algum modo conseguiu lutar contra a ditadura de pena”, avaliou Marcelo Cerqueira ao portal Bahia Notícias, do jornalista Samuel Celestino. Ele ainda descarta a pretensão de concorrer a uma cadeira na Câmara: “Já faço trabalho de vereador que é de assistência social às pessoas”.

Embora o desligamento de Cerqueira da sigla ocorresse há um ano, o acontecimento foi anunciado nesta semana pelo presidente estadual do PV, Ivanilson Gomes. “Ele está apenas publicizando a sua saída, mas já havia saído”, corroborou o dirigente à Tribuna da Bahia.

Perdas e adesões

O Partido Verde baiano também havia perdido, no ano passado, o cantor e compositor Gilberto Gil e o sociólogo Juca Ferreira, ex-ministros da Cultura do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o ex-vereador e ex-deputado Luiz Bassuma, que bandeou-se para o PMDB. Nas últimas eleições, Bassuma foi postulante ao governo da Bahia pelo PV, e deixou a legenda por ter declarado, no segundo turno, seu apoio ao então candidato a presidente José Serra (PSDB), derrotado pela petista Dilma Rousseff.

Segundo Ivanilson, alguns nomes, como a vereadora de Salvador, Andréa Mendonça (ex-DEM), o ex-vereador Virgílio Pacheco (ex-PPS) e prefeitos e vereadores de municípios do interior do estado ingressaram no PV, minimizando o racha no partido. “Pelo contrário, estamos tendo um movimento de entrada”, certificou, em entrevista à Tribuna. O presidente estadual dos verdes admitiu que há naturalidade no troca-troca partidário em todas as siglas, em geral no ano anterior ao período eletivo.

O deputado estadual Eures Ribeiro, único representante verde na Assembleia Legislativa e pré-candidato à prefeitura de Bom Jesus da Lapa, na região oeste, observou a fragilidade na sigla como “fruto de muita especulação”, e que a agremiação lançará, como havia deliberado na reunião da executiva estadual, uma lista com os nomes dos novos filiados.

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