quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Comunicado de afastamento por 3 dias

Prezados leitores,

Neste singelo comunicado, estou notificando que a atualização desta página estará temporariamente suspensa por três dias devido a motivos pessoais. A partir do próximo sábado, 1º de outubro, véspera de aniversário de 2 anos deste blog, ele voltará a ser atualizado, com ostensivo volume de publicações - esta é a minha previsão.

Retornarei, após um curto e merecido descanso, à publicação de inéditos textos do Armazém Jornalístico Interdisciplinar Eletrônico, como o blog também é conhecido. Convém ressaltar que esta é a última postagem do mês de setembro.

Cordialmente,

Hugo Gonçalves

Salvador, 28 de setembro de 2011.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Trabalhos midiáticos exploram e denunciam a homofobia

Conjunto de discriminações contra a população homossexual é o tema do projeto interdisciplinar realizado pelos cursos de Comunicação Social para este período

Hugo Gonçalves – Estudante do 6º Semestre de Jornalismo da Unijorge

Matéria publicada na terceira página do jornal Casulo, publicação interna do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), nº 66, setembro de 2011

A humanidade contemporânea está ameaçada, dentre outras injúrias, por um complexo de gestos e sentimentos covardes manifestados contra a população formada por gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros (LGBTTs). São homofóbicos esses atos discriminatórios que prejudicam gravemente os direitos dos indivíduos homossexuais, resultando, por muitas vezes, em homicídios. Tais atitudes homofóbicas referem-se, além do preconceito, à aversão, à antipatia, ao desprezo e ao medo irracional.

Propondo o esclarecimento e a desmistificação da discriminação homofóbica para a comunidade acadêmica, os cursos de Comunicação Social da UNIJORGE, que englobam Publicidade e Propaganda, Jornalismo e Produção Audiovisual, estão desenvolvendo, no período corrente, um projeto interdisciplinar, simplesmente intitulado “Homofobia”. Nele, os alunos do 1º ao 6º Semestre estão executando produtos midiáticos diversos – reportagens, vídeos, áudios e peças publicitárias – inerentes ao assunto.

O projeto, idealizado pela coordenadora dos cursos de Comunicação Social da instituição, Patrícia Barros Moraes, e pelo professor Max Bittencourt, foi esboçado a partir do acompanhamento das notícias de ocorrências hostis a homossexuais e do fato de que a Bahia é o estado campeão absoluto nesses crimes no Brasil. “A gente percebe um preconceito tão sério contra gays, a ponto de ser traduzido em violência física e assassinatos”, pondera Patrícia.

A coordenadora acredita que “o papel das instituições de ensino é provocar discussões e reflexões que possam gerar atitudes mais conscientes e mais responsáveis”. Conforme o professor Alberto Oliveira, o aluno vislumbra um panorama diferenciado sobre a homofobia por meio dos argumentos feitos em sala, dos trabalhos de pesquisa indicados e orientados pelos docentes e, no caso dos estudantes de Jornalismo, das reportagens que eles elaboram.

Palestra abriu projeto

Ex-membro do corpo docente da UNIJORGE, o jornalista, escritor e professor baiano Jean Wyllys, deputado federal pelo PSOL-RJ, realizou a palestra “A política brasileira e o movimento LGBTT”, no evento inaugural do projeto interdisciplinar. Jean explicou as ações que vem realizando no Congresso Nacional para, entre outras medidas, aprovar o Projeto de Lei Complementar 112 de 2006 (PLC 112/2006), que visa criminalizar a homofobia. Entretanto, a proposta permanece em tramitação no Senado.

De acordo com Patrícia Barros Moraes, Jean Wyllys, que adquiriu reputação nacional ao vencer a quinta edição do reality show Big Brother Brasil, da TV Globo, em 2005, foi designado para proferir a palestra por conta da visibilidade que ele deu à temática. “Hoje, ele é um grande expoente do assunto na política do país, na medida em que reivindica a regulamentação da união homoafetiva, e porque foi professor do curso de Jornalismo daqui”, ressalta a coordenadora dos cursos de Comunicação Social.

Os estudantes de Publicidade e Propaganda, Jornalismo e Produção Audiovisual, no decorrer do projeto “Homofobia”, estão desenvolvendo trabalhos para estimular a denúncia e a necessidade de contestar as práticas homofóbicas. “A homofobia é um tema muito amplo, em que, no nosso caso, nós vamos discutir como a sociedade e a família se colocam diante do tema ao longo da história, e quais são as implicações sociológicas e antropológicas”, pontua o professor Alberto.

Perpetuar a ideia de respeito e de igualdade entre as pessoas é o que pensa a estudante do 4º Semestre de Publicidade e Propaganda, Moara Brandão, ao observar a dimensão na importância do conhecimento acerca do objeto de estudo. “Falando de uma forma mais sutil e direta sobre o assunto, sempre pomos em pauta a questão do respeito acima de tudo”, assinala Moara.

Onde domina a paciência

Me sinto bastante alegre quando eu, meu irmão e meus pais passamos momentos inacreditáveis na casa da ilha, cuja fachada é tingida de um radiante amarelo escuro, tom que combina com a alta estação. Situado numa rua tranquila sem pavimentação, ao ser comparado com lugares civilizados, o nosso aprazível recanto de repouso, lazer e diversão me enche completamente de coisas benéficas, como encontros particulares em família, churrascos, confraternizações e passeios pela região, inclusive a praia de água e areia límpidas.

Enquanto estou veraneando por lá, uso raramente o computador, o papel e a caneta, ou, ocasionalmente, abdico-me dessas ferramentas imprescindíveis para solidificar uma razão desejada, pois o forte do nosso lar insular é sobretudo a interação lúdica, ou seja, fugir da clássica rotina dominada em grande parte por compromissos. A jovial e arejada casa, cujo teto é completamente revestido de telha cerâmica como resistência às chuvas e às intempéries, exceto os sanitários das suítes, me faz respirar agradáveis sensações de conforto e bem-estar.

Jamais reproduzo meu estilo de vida típico da nossa residência fixa, aqui na metrópole, no nosso retiro particular da ilha – as maneiras de viver adaptadas aos dois locais não são reciprocamente idênticas. Aqui na minha verdadeira casa imperam os estudos, o trabalho, os negócios e as obrigações que fazem da minha alma e do meu espírito uma genuína usina de sobrecargas. Na direção contrária, transformamos a casa amarela, rodeada de capim com aroma rural, em belo cenário de pura e espontânea diversão.

Quase todas as vezes que nos deslocamos da península para a casa da ilha, principalmente nas noites de sexta-feira quando há feriadões, temos momentos gastronômicos chiquérrimos. Em um deles, saboreamos uma deliciosa torta de frango em formato retangular, cuja massa substanciosa é pincelada com gema de ovo, acompanhada de feijão, arroz (este cereal eu não tenho coragem de comer) e macarrão que trazemos daqui da residência, somados a uma leve salada de alface, tomate e cebola, preparada na hora. Como bebida para encerrar a requintada refeição e dar-lhe um contorno refrescante, um exuberante suco de uva concentrado.

Do lado exterior ao meu habitáculo de lazer, o verde do capim autenticamente rústico invade o terreno, da varanda, na frente, até o quintal, onde são criadas aves, muitas delas úteis para o consumo imediato. Galinhas, patos, pintos e marrecos, uma exótica coletânea ornitológica complementando a vida humana na zona semirrural. Lá na vivenda não há nenhum cachorro como animal de estimação, assim como foi na minha época de criança, ou um mero vigia, mecanismo controlado por motociclistas noturnos na rua onde se situa a casa. Só aves, ora dóceis, ora rebeldes ou briguentas.

Todo esse prodigioso horizonte que consta nas nossas estadias à ilha se converterá num soberano atalho de acesso à minha decente perspectiva. Assim como os outros bens patrimoniais, o terreno onde se encontra o lar de veraneio teve sua materialização alcançada por um fértil, fecundo e frutificante desejo de nos sobreviver, delimitado por horizontes norteadores de episódios que gerem felicidade e boa sorte. Sempre somos mensageiros do formoso fascínio contemplado pela sabedoria divina.

Palestra de deputado federal discute situação LGBT no Brasil

Reportagem coletiva, elaborada por Camila Barreto, Érica Torres, Helton Carlos, Hugo Gonçalves, Jessica Sandes e Laila Cristina, estudantes do 6º Semestre de Jornalismo da Unijorge

Edição: Danilo Oliveira

Orientação: Alberto Oliveira, professor da disciplina Jornalismo Online e Produção de Novos Conteúdos

A política brasileira, a realidade sociopolítica da comunidade das lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT) e as liberdades civis em uma sociedade marcada pela homofobia.

Esses foram alguns temas discutidos durante a palestra “A política brasileira e o movimento LGBTT”, ministrada pelo deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), no dia 5 deste mês, no Auditório Zélia Gattai, no Campus Paralela do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), em Salvador.

A atividade foi declarada aberta por seus idealizadores, a coordenadora dos cursos de Comunicação Social da Unijorge, Patrícia Barros Moraes, e os professores da instituição Sílvio Benevides e Max Bittencourt.

Antes de passar o microfone para o palestrante, Max Bittencourt, docente da instituição, recordou o assassinato do estudante de Psicologia do centro universitário, Isaac Souza Matos, ocorrido em 11 de julho, no bairro do Corsário, na orla marítima de Salvador.

Foi pensando nesse homicídio que, de acordo com Max, definiu-se o assunto para desenvolver o projeto interdisciplinar, já que os requintes de crueldade indicam se tratar de um crime homofóbico.

O parlamentar iniciou sua apresentação fazendo um resgate histórico da homossexualidade. A exposição contou com relatos da antiguidade oriental e alcançou a atualidade ocidental, período em que a aversão à homoafetividade encontra-se consolidada.

Diante de um público jovem, Wyllys aproveitou para destacar a importância da desconstrução do senso comum por meio da educação, dentro das instituições de ensino: “As universidades devem desconstruir o senso comum, pois representam lugares de discernimento em nossa sociedade”, disse.

O deputado pontuou ainda que a língua inscreve-se profundamente no ser humano e reproduz os valores e preconceitos enraizados.

Defensor de uma mentalidade consciente e igualitária no tratamento aos homossexuais, Jean Wyllys apontou ainda o fundamentalismo religioso como fator negativo na construção de conceitos.

Kit anti-homofóbico

No momento em que foi questionado sobre o polêmico Kit Anti-Homofobia do Ministério da Educação (MEC), Jean foi direto: “Os deputados conservadores pegaram o material de outro projeto voltado para homossexuais e apresentaram como se fosse o verdadeiro ‘Escola sem homofobia’”.

De acordo com o parlamentar, o kit, cuja adoção foi vetada em maio pela presidente Dilma Rousseff, seria implantado em escolas que o solicitassem e consiste em vídeos curtos, boletins informativos e cartilhas educativas.

O orgulho gay parte, na acepção dele, do princípio da equidade. “Um grupo que historicamente tem privilégios não evoca o princípio da igualdade formal”, elucida Wyllys.

O deputado Jean Wyllys coordena a Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT, e integra as comissões temáticas de Direitos Humanos e de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, no Distrito Federal.

O evento inaugurou ainda a série de trabalhos que será desenvolvida por discentes dos cursos de Comunicação Social da instituição, para o Projeto Interdisciplinar “Homofobia”.

Durante estadia na capital baiana, o parlamentar participou de eventos em diversas instituições de ensino superior e prestigiou também a 10ª Parada Gay da Bahia.

domingo, 25 de setembro de 2011

Divulgada a programação do VI Interculte para Comunicação

Encontros incluídos na grade referente aos cursos da área na quinta edição de ciclo da Unijorge, a ser realizado em outubro, totalizam o dobro da edição anterior

O Encontro Interdisciplinar de Cultura, Tecnologias e Educação (Interculte), que neste ano estará em sua sexta edição, terá como tema “Agenda Brasileira: Questões Contemporâneas”. Promovido pelo Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), o evento é prioritariamente direcionado à participação dos corpos discente e docente, além de pesquisadores procedentes de diversas instituições e áreas do conhecimento.

Entre os dias 18 e 20 de outubro, o Campus Paralela da Unijorge será o epicentro da multidisciplinaridade na extensa produção cognitiva e científica, irradiando uma atmosfera de convergência, conciliação, discussão e abordagem de problemas inerentes às várias modalidades do saber.

No VI Interculte, os cursos de Comunicação Social, que incluem Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Produção Audiovisual, organizarão 6 palestras, 5 mesas-redondas e 12 minicursos (as oficinas agora estão inseridas nesta última categoria). A grade específica totaliza 33 reuniões, o dobro em relação à edição anterior, de 2010, na qual foram estimados 16 encontros.

Confira a grade de programação do VI Interculte destinada aos cursos de Comunicação Social

Mesas-redondas

1) “Planejamento de Mídia”

Facilitadora: Andréa Campodônico
Data e horário: 18/10 (terça-feira), das 8 às 12 h

2) “Jovens publicitários: desafios do mercado publicitário na Bahia”

Facilitadores: Bruno Melo, Emeline Oliveira, Larissa Bittencourt e Liliane
Data e horário: 19/10 (quarta-feira), às 9 h

3) “Produção cinematográfica na Bahia: o desafio de gerir a verba”

Facilitadores: Lênin Franco, Márcio Cavalcanti e Sheila Gomes
Data e horário: 19/10 (quarta-feira), às 19 h

4) “Cinema e Audiovisual na Bahia”

Facilitadora: Ceci Alves
Data e horário: 19/10 (quarta-feira), às 19 h

5) “Jovens jornalistas discutem a Agenda Bahia 2011”

Facilitadores: Diego Salviano, Erick Issa, Gabriela Braga e Renan Pinheiro
Data e horário: 20/10 (quinta-feira), às 9 h

Palestras

1) “Jornalismo Cultural”

Facilitadora: Nadja Vladi
Data e horário: 18/10 (terça-feira), às 9 h

2) “O corpo comunica. E o que comunica o corpo?”

Facilitadores: Carmen Makiguza e Irah Montenegro
Data e horário: 18/10 (terça-feira), das 14 às 16 h

3) “Tendências contemporâneas da música eletrônica: do DJ ao VJ”

Facilitadores: Danilo Medrado e Victor Lima
Data e horário: 19/10 (quarta-feira), das 14 às 18 h

4) “Marketing Digital no Esporte”

Facilitadores: Emeline Oliveira e Maria Alessandra Calheira
Data e horário: 20/10 (quinta-feira), às 9 h

5) “As histórias de um repórter de TV: produção de matérias e apresentação de telejornais”

Facilitador: Ricardo Ishmael
Data e horário: 20/10 (quinta-feira), das 14 às 16 h

6) “Os desafios do texto publicitário”

Facilitador: Matheus Tapioca
Data e horário: 20/10 (quinta-feira), das 16 às 18 h

Minicursos

1) “Jornalismo Econômico”

Facilitador: Alberto Oliveira
Data e horário: 18/10 (terça-feira), das 8 às 11 h

2) “Elaboração de Trabalhos Acadêmicos”

Facilitadora: Chialini Barros
Data e horário: 18/10 (terça-feira), das 8 às 12 h

3) “Assessoria de Comunicação Integrada”

Facilitador: José Carlos Peixoto
Data e horário: 18/10 (terça-feira), das 9 às 12 h

4) “Gestão de Projetos Culturais”

Facilitadoras: Fernanda Bezerra e Renata Hasselmann
Data e horário: 18/10 (terça-feira), das 14 às 18 h

5) “Oficina de Roteiro”

Facilitadora: Ana Paula Guedes
Data e horário: 19/10 (quarta-feira), das 8 às 12 h

6) “Gestão de Mídias Sociais”

Facilitadora: Fernanda Carrera
Data e horário: 19/10 (quarta-feira), das 8 às 12 h

7) “Jornalismo Esportivo”

Facilitador: Luiz Teles
Data e horário: 19/10 (quarta-feira), das 8 às 12 h

8) “Oficina de Trilha Sonora”

Facilitador: Reinaldo Maia
Data e horário: 19/10 (quarta-feira), às 19 h

9) “Crítica Cinematográfica”

Facilitador: André França
Data e horário: 19/10 (quarta-feira), das 19 às 22 h

10) “Yoga para o cotidiano”

Facilitadora: Natacha Canesso
Data e horário: 19/10 (quarta-feira), das 19 às 22 h

11) “Performances e postura em televídeo – Análise do desempenho em entrevistas e crônicas televisivas”

Facilitadores: Lindiwe Aguiar e Mauro Luciano de Araújo
Data e horário: 19/10 (quarta-feira) e 20/10 (quinta-feira), das 19 às 22 h

12) “Jornalismo Científico”

Facilitador: Antônio Brotas
Data e horário: 20/10 (quinta-feira), das 14 às 18 h

Mário Kertész filia-se ao PMDB

Radialista e ex-prefeito soteropolitano é um dos prováveis aspirantes à disputa municipal do ano que vem

Com informações da Tribuna da Bahia Online

PMDB havia abrigado o hoje comunicador na segunda metade da década de 1980, quando retornou à prefeitura por via direta
(Foto: Divulgação)

Uma das prováveis potencialidades de oposição à sucessão municipal de outubro de 2012, o radialista e empresário Mário Kertész, 67 anos, aceitou o convite de filiação ao PMDB, fato que se concretizará na próxima segunda-feira (26). Lideranças de partidos oposicionistas, como DEM e PSDB, admitem a hipótese de que Kertész seja tido como um nome forte no bloco, porém eles ainda não chegaram a um consenso.

Aliados e adversários do virtual aspirante peemedebista ao Palácio Thomé de Souza – ex-prefeito de Salvador por duas vezes (1979-1981 e 1986-1988) e dono da Rádio Metrópole –, tratam a adesão dele à legenda capitaneada na Bahia pelos irmãos Geddel e Lúcio Vieira Lima como possibilidade concreta de candidatura.

“É uma etapa vencida. Agora, vamos continuar as conversas com os partidos de oposição ao PT na Bahia para costurar a candidatura unificada”, frisa o deputado federal Lúcio Vieira Lima, presidente estadual do PMDB, em entrevista ao portal Bocão News. Lúcio ainda considera o ato de filiação de Mário Kertész ao partido como “um passo”, mas não fará com que ele encabece a chapa oposicionista.

Partido o acolhera nos anos 80

Foi exatamente no PMDB que Kertész, após ocupar a prefeitura por via indireta durante a ditadura militar, sendo indicado por Antônio Carlos Magalhães em seu segundo governo estadual, retornou ao posto máximo da administração da capital baiana em 1985, através de eleições livres. Àquela altura, ele já havia hostilizado com o carlismo, contando com uma superaliança que incluía forças de esquerda, como o PC do B e o antigo PCB (atual PPS).

Kertész diagnostica as pretensões de se tornar ou não candidato a prefeito por causa do seu ingresso nos quadros do partido dos Vieira Lima. “Eu não preciso, não estou a fim, estou feliz aqui na rádio (Metrópole), tem 17 anos que estou aqui, adoro o que faço, estou bem, tranquilo, feliz da vida. Já passei por muitos momentos difíceis e bons, não tenho do que me queixar, e nem tenho por que sair procurando feito doido”, satisfaz o radialista ao jornal Tribuna da Bahia.

No campo adverso à base governista liderada pelo PT, além do ex-prefeito, os deputados federais ACM Neto, líder do DEM na Câmara, e Antônio Imbassahy, vice-líder do PSDB, também estão na corrida sucessória do ano que vem. Tanto o democrata quanto o tucano, ex-concorrentes no pleito de 2008, são enfáticos nas suas ambições em disputar a cadeira de chefe do Poder Executivo municipal.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

"God bless": última semana

Exposição do paulista Nelson Leirner em Salvador segue em cartaz até sábado

Esta é a última semana de os apaixonados em arte pós-moderna conferirem a exposição God bless, do artista visual paulistano Nelson Leirner, um dos mais requisitados do cenário nacional e internacional. A mostra, que foi aberta no dia 18 de agosto, se encerrará neste sábado (24), na Paulo Darzé Galeria de Arte, situada no Corredor da Vitória, um dos endereços de elevado padrão em Salvador.

Faltam apenas três dias para que o público tenha a excelente oportunidade de observar de perto as exóticas concepções abstratas de Leirner feitas nos últimos dez anos, como as réplicas de embarcações, caminhões e outros objetos, reconstituições de pinturas e fotografias, adaptações cômicas de mapas e outras expressões executadas por força do livre arbítrio do artista.

Veja, abaixo, uma seleção de algumas obras integrantes da exposição God bless, de Nelson Leirner (Fotos: Hugo Gonçalves)

Miniaturas

Série Caminhão (2011) - Uma emocionante sequência de três caminhões-tanques americanos

Noé (2006) - Reprodução da célebre Arca de Noé da Bíblia, repleta de animais quadrúpedes

Skate pequeno (2011) - Aglomerados de pessoas e animais seguem em procissão católica em cima de uma prancha de skate em miniatura

God bless America (2006) - O Super-Homem é o herói absoluto do imperialismo estadunidense

Quadros

Duchamp bike II (à esquerda) e Duchamp rack (à direita), ambas de 2011, executadas sobre quadros originais do famoso pintor francês Marcel Duchamp (1887-1968) - Fotografia

Titanic (à esquerda), Apertem os cintos (ao centro) e Olé (á direita) (todas de 2010) - Fotografia

Série Assim é... se lhe parece...


Adaptação de Leirner (2003/2011) para A New Map of the World, originalmente elaborado em 1721 pelo cartógrafo inglês John Senex

Mapas bem-humorados das Américas, executados entre 2003 e 2011: o primeiro encontra-se coberto de esqueletos humanos, e o segundo, de desenhos de Mickey

Série Eu e os outros


Bolinhas multicoloridas tomam a dianteira nesta série psicodélica, concebida em 2011

Serviço

Exposição: God bless, de Nelson Leirner (Última semana)

Horários: Quarta-feira (21), quinta-feira (22) e sexta-feira (23), das 9 às 19 h; sábado (24), das 9 às 13 h

Local: Paulo Darzé Galeria de Arte – Rua Dr. Chrysippo de Aguiar, 8, Corredor da Vitória

Entrada franca ao público em geral

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Resenhas começam a ser publicadas em blogs

Começaram a ser postadas, nesta terça-feira (20), as resenhas relativas a três objetos culturais, produzidas pelos próprios estudantes do 6º Semestre de Jornalismo do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), nos blogs Cena Aberta, da turma A, e Limonada, da turma B.

Sugeridos pela orientadora da atividade, a jornalista e professora da disciplina Jornalismo, Literatura e Gêneros Opinativos, Nadja Vladi, os produtos que servem de foco às resenhas são o filme dinamarquês Melancolia e as exposições Arqueologia do cotidiano: objetos de uso, da artista baiana Letícia Parente (1930-1991), e God bless, do artista paulista Nelson Leirner.

No blog Cena Aberta, foram disponibilizadas, até este momento, 11 resenhas - 5 referentes à exposição videográfica de Letícia Parente, 5 sobre Melancolia e apenas 1 explorando a mostra de Nelson Leirner (Deus, abençoe a abstração), que é de minha autoria, já publicada aqui neste armazém jornalístico interdisciplinar eletrônico, no dia 7.

Apenas um aluno da turma B possui um texto publicado no Cena Aberta: Ramon Benevides, autor de Arte corpo, corpo arte, na qual interpreta a sistematização das obras de Letícia no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), encerrada no dia 4, de forma sucinta. Entretanto, no Limonada, somente 3 resenhas foram postadas até agora, todas abordando Melancolia em ângulos intersubjetivos.

A conclusão das postagens de resenhas nos blogs de ambas as turmas do 6º Semestre de Jornalismo está prevista para as próximas segunda-feira (26), no caso da turma B, e terça-feira (27), para a turma A. Será no laboratório 10, localizado no nível 2,5 do Prédio 1 do Campus Paralela da Unijorge, sob a orientação de Nadja Vladi, também editora-coordenadora do suplemento infantil A Tardinha e da revista dominical de variedades Muito, ambos encartados no jornal A Tarde.

domingo, 18 de setembro de 2011

Verdes estão em crise na Bahia

Partido Verde perde vários membros históricos no estado um ano após crescimentos na candidatura de Marina Silva à Presidência

Com informações da Tribuna da Bahia Online e do Terra

Marcelo Cerqueira, hoje filiado ao PT, desligou-se do PV no ano passado, mas sua saída foi publicizada nesta semana pela executiva estadual do partido
(Foto: Divulgação/GGB)


Após a derrota do então fenômeno Marina Silva nas eleições presidenciais do ano passado, o Partido Verde (PV), cujo incremento no número de adesões era justificado pela ascensão da candidatura da ex-senadora, agora está na contramão, perdendo gradativamente seus militantes em solo baiano. O refluxo na legenda em nível estadual está sendo suplantado, entre outros aspectos, pela discordância de alguns ex-filiados em relação à orientação do diretório estadual.

Pelo menos três nomes expressivos abandonaram os quadros verdes em agosto – o ex-presidente estadual do partido, Jair Gomes; o ambientalista e ex-secretário do Meio Ambiente, Juliano Matos; e Ary da Mata, irmão da senadora Lídice da Mata (PSB). Um dos fundadores do PV na Bahia, Ary deixou o partido em razão de inúmeras divergências ideológicas. “Também não concordei com a forma burocrática e autoritária com que o partido vem sendo conduzido. O sonho do Partido Verde acabou”, decepcionou-se o militante à reportagem do jornal Tribuna da Bahia.

De acordo com Ary da Mata, outros membros devem estar anunciando a saída deles do partido por não estarem em conformidade com a direção regional, “como se fosse propriedade deles e não um bem coletivo em que prevalece a democracia”. Ao questionar-se sobre a sua perspectiva partidária, o ex-militante verde cogita sua migração para o PSB, presidido no estado por sua irmã, conforme circula nos bastidores da política.

Líder gay deixou sigla

No rastro da despedida de seus ex-correligionários, o presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), o historiador e ativista Marcelo Cerqueira, também se desfiliou do PV, no qual ele militava por dez anos. Hoje, ele é filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), onde iniciou sua militância política, e especula que poderá pleitear a uma vaga na Câmara Municipal de Salvador em 2012. Cerqueira havia se candidatado a vereador em 2000, 2004 e 2008, no entanto não obteve êxito naquelas ocasiões.

O dirigente do GGB, em entrevista ao repórter Davi Lemos, da sucursal de Salvador do portal Terra, em maio de 2010, confessou que a sua saída da agremiação verde foi provocada pela suposta “dissimulação” da então candidata Marina Silva e que o partido estaria dando uma guinada à direita “reacionária”. Além disso, o fato de Marina ser contrária, por exemplo, ao aborto e à causa homossexual, favoreceu a debandada do líder do movimento gay no estado.

“Acho que o PV ficou meio perdido. Eu entendi a candidatura de Marina como uma plantada para fazer contraponto e balancear a candidatura de Dilma (Rousseff, atual presidente da República pelo PT). Nadou, nadou e morreu na praia. Mas a decisão foi sábia porque de algum modo conseguiu lutar contra a ditadura de pena”, avaliou Marcelo Cerqueira ao portal Bahia Notícias, do jornalista Samuel Celestino. Ele ainda descarta a pretensão de concorrer a uma cadeira na Câmara: “Já faço trabalho de vereador que é de assistência social às pessoas”.

Embora o desligamento de Cerqueira da sigla ocorresse há um ano, o acontecimento foi anunciado nesta semana pelo presidente estadual do PV, Ivanilson Gomes. “Ele está apenas publicizando a sua saída, mas já havia saído”, corroborou o dirigente à Tribuna da Bahia.

Perdas e adesões

O Partido Verde baiano também havia perdido, no ano passado, o cantor e compositor Gilberto Gil e o sociólogo Juca Ferreira, ex-ministros da Cultura do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o ex-vereador e ex-deputado Luiz Bassuma, que bandeou-se para o PMDB. Nas últimas eleições, Bassuma foi postulante ao governo da Bahia pelo PV, e deixou a legenda por ter declarado, no segundo turno, seu apoio ao então candidato a presidente José Serra (PSDB), derrotado pela petista Dilma Rousseff.

Segundo Ivanilson, alguns nomes, como a vereadora de Salvador, Andréa Mendonça (ex-DEM), o ex-vereador Virgílio Pacheco (ex-PPS) e prefeitos e vereadores de municípios do interior do estado ingressaram no PV, minimizando o racha no partido. “Pelo contrário, estamos tendo um movimento de entrada”, certificou, em entrevista à Tribuna. O presidente estadual dos verdes admitiu que há naturalidade no troca-troca partidário em todas as siglas, em geral no ano anterior ao período eletivo.

O deputado estadual Eures Ribeiro, único representante verde na Assembleia Legislativa e pré-candidato à prefeitura de Bom Jesus da Lapa, na região oeste, observou a fragilidade na sigla como “fruto de muita especulação”, e que a agremiação lançará, como havia deliberado na reunião da executiva estadual, uma lista com os nomes dos novos filiados.

Bahia dá adeus ao "Diabo Loiro"

O ex-ponta-direita Marito, ídolo do tricolor na conquista da Taça Brasil de 1959, morreu aos 79 anos. Corpo foi enterrado no Jardim da Saudade

Com informações do iBahia

Marito ficou famoso por sua fantástica capacidade nos dribles
(Foto: Hailton Andrade/iBahia)

Herói do triunfo da Taça Brasil de 1959 contra o Santos de Pelé, o ex-ponta-direita do Esporte Clube Bahia, Marito, faleceu na madrugada deste domingo (18), aos 79 anos, de causa não revelada, em sua casa, em Salvador. Conhecido também por seu cognome “Diabo Loiro”, ele foi o segundo integrante da equipe vencedora do pioneiro título brasileiro a partir em 2011, depois do seu capitão, o ex-lateral-direito Leone, morto há três meses.

Em nota, o presidente do Bahia, Marcelo Guimarães Filho, e a diretoria do clube lamentaram “o passamento deste herói tricolor” e prestaram “os mais sinceros votos de solidariedade aos amigos e familiares".

Habilíssimo

Mário da Nova Bahia, criado no bairro da Ribeira, se consagrou por sua fantástica habilidade em driblar os adversários, sendo considerado o maior jogador em sua posição de toda a história do tricolor. A paixão de Marito pela bola surgiu graças ao inestimável suporte do seu irmão mais velho, José, um “doido por futebol”, nas palavras dele, em matéria veiculada no jornal Correio*, em 3 de fevereiro deste ano sobre a sua vida.

Antes de migrar para o Bahia, clube que defendeu entre 1953 e 1962, Marito peregrinou em outros times soteropolitanos hoje decadentes: o São Cristóvão e o Ypiranga. Contudo, em testemunho publicado na mesma matéria, ele quase foi transferido para o Vasco no início dos anos 1950, a convite do técnico Flávio Costa (1906-1999), para treinar no Expresso da Vitória, célebre equipe que marcou época no alvinegro carioca entre 1942 e 1952. A ideia de o “Diabo Loiro” atuar no Rio de Janeiro, porém, não vingou.

Durante os anos em que vestiu o uniforme do Esquadrão de Aço, o “Diabo Loiro”, além de faturar a Taça Brasil, conquistou sete vezes o Campeonato Baiano (1954, 1956, e o pentacampeonato - 1958, 1959, 1960, 1961 e 1962). Encerrou sua carreira após o penta de 1962, aos 29 anos, “cansado das viagens”, como disse a matéria do Correio*, assinada pelo repórter Marcelo Sant'Anna. “O patrimônio do Bahia é a torcida. Eu tenho minha saudade”, alegrou-se Marito ao jornalista, no ocaso de sua vida física.

Presente em filme

Marito foi escolhido um dos melhores jogadores da história do Bahia pelo Correio*, no ano passado. O corpo do ex-jogador, que participou das gravações do filme Bahêa minha vida, prestes a estrear no dia 30, nos shoppings Iguatemi e Paralela, foi sepultado às 15:30, no Cemitério Jardim da Saudade, em Brotas.

sábado, 17 de setembro de 2011

Coletânea sobre Godard é exposta no Lançamento Coletivo Edufba

Um bloco de 15 livros inéditos será exposto no chamado Lançamento Coletivo, o terceiro deste ano, promovido pela Editora da Universidade Federal da Bahia (Edufba), na próxima terça-feira (20), na Antessala do Reitor, na Reitoria da Ufba, no Canela. A iniciativa proporciona um intercâmbio de experimentações que ultrapassam as fronteiras da academia, congregando vertentes diferenciadas do conhecimento e oferecendo um ambiente propício para novas parcerias.

No bojo desse repertório de publicações a ser comercializado, encontra-se Godard, imagens e memórias: reflexões sobre História(s) do cinema, organizado pelo professor adjunto e pesquisador da Faculdade de Comunicação da Ufba (Facom) José Francisco Serafim. O livro é uma antologia de análises individuais de pesquisadores e estudiosos acerca do filme História(s) do cinema (1988), do notável francês Jean-Luc Godard, considerado um divisor de águas na sua trajetória filmográfica.

Ao ler e examinar os textos compilados na obra, os leitores e apreciadores da sétima arte permitem aprofundar e entender nitidamente os elementos presentes no objeto de estudo. Contribuíram na elaboração dos escritos da coletânea o crítico de cinema francês e professor da Universidade de Versailles, na França, Antoine de Baecque; e o professor adjunto da Ufba e doutor em Cinema, Estética do Audiovisual e Ciência da Comunicação, Mahomed Bamba, além do organizador.

Doutor em Cinema Documentário e Etnográfico pela Universidade de Paris X - Nanterre, Serafim afirma que História(s) do cinema, com duração de aproximadamente 270 minutos, explicita um panorama cinematográfico peculiar, em especial ficcional, hibridizando gêneros, formatos, suportes e uma trilha sonora que mistura diversos sons extraídos de outros filmes, músicas, ruídos e as mais complexas tonalidades vocais, a começar pela do próprio cineasta.

Godard, imagens e memórias: reflexões sobre História(s) do cinema, volume com 226 páginas, será lançado no mercado no valor especial de R$ 25.

A realização de lançamentos coletivos pela Edufba é um fator de suma relevância, pois, conforme a diretoria da editora, alcança repercussão e visibilidade significativas, a ponto de exibir conteúdos diversificados aos interessados.

Com mais de 50 anos no mercado editorial, a Edufba, ciente do seu papel de entidade difusora do conhecimento científico e cultural produzido pelos pesquisadores, sobretudo da própria Ufba, já dispõe mais de 700 publicações acumuladas em seu portifólio.

Serviço

Evento: Lançamento Coletivo Edufba

Data e horário: 20/09 (terça-feira), às 17:30

Local: Antessala do Reitor, Palácio da Reitoria da Ufba - Rua Dr. Augusto Viana, s/n, Canela

Entrada gratuita

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Doce gelado no palito

Conheça a história do picolé, doçura inventada por acidente, por um menino americano de 11 anos, e que mais tarde conquistou o paladar mundial

Na manhã seguinte a uma noite gélida em São Francisco, em 1905, Frank Epperson descobriu que o suco preso a uma colher havia sido congelado
(Foto: Rogério Voltan)

Todos os anos, acompanhado do sorvete, o picolé é uma das delícias prediletas entre as pessoas, em particular na alta estação. Você sabia que esse preparado líquido à base de sucos de frutas ou de leite, aromatizado, colorido, congelado e espetado no palito, adorado ao redor do planeta e facilmente encontrado em sorveterias, supermercados, mercadinhos, bares, restaurantes, lanchonetes, vendedores ambulantes, residências e um amplo leque de lugares que você pode imaginar, foi formulado por uma criança? Parece incrível, mas é óbvio.

A saga da maravilha que avassaladoramente seduziu o mundo teve sua gênese no inverno de 1905, quando, numa noite muito gélida na cidade de São Francisco, no estado americano da Califórnia, um menino de apenas 11 anos, chamado Frank Epperson (1894-1983), deixou por acidente, no quintal de sua casa, um copo contendo suco em pó diluído em água, preso a uma colher. Na manhã seguinte, Epperson percebeu que a mistura havia sido congelada. Essa fórmula criada acidentalmente foi batizada de “eppsicle”, aglutinação do sobrenome do seu inventor com a palavra icicle (pingente de gelo, em inglês).

Receita que, embora agradasse ao paladar dos amigos de infância de Epperson, foi guardada em sigilo por ele por 18 anos seguidos. Nesse intervalo duradouro, o outrora obstinado ingressou no setor imobiliário. Em 1923, Frank Epperson desvendou o mistério, apresentando-o publicamente numa festa. Como o “eppsicle”, o embrião do picolé, foi um crescente e instantâneo sucesso naquela ocasião, Epperson resolveu confeccioná-lo em larga escala e comercializá-lo em sua pequena barraca.


A guloseima passou a ser comercializada graças a seu instantâneo sucesso em festa
(Foto: Divulgação)

Já que os filhos do inventor da doçura congelada chamaram-na de “pop’s sicle”, que significa, numa tradução livre, gelinho do papai, ele decidiu alterar o nome do produto, em 1924, rebatizando-o de “popsicle” ou ice lollipop (pirulito congelado). Surgiu, assim, o picolé, como a criatura de Epperson é conhecida por aqui. O “popsicle” logo foi patenteado e transformou-se em marca comercial, com a fundação, pelo próprio criador, da Popsicle Corporation. Um ano depois, em meio a dificuldades financeiras, os direitos do nome Popsicle foram vendidos à empresa Joe Lowe Company, de Nova York. Todavia, em 1928, Epperson recebeu uma quantia superior a US$ 60 milhões em royalties referente ao comércio de picolés.

A próspera marca Popsicle, durante seus 85 anos, mudou de dono sucessivas vezes, porém continua sendo, na atualidade, uma das mais populares do segmento de picolés nos Estados Unidos e no Canadá, hoje pertinente ao conglomerado multinacional holandês Unilever. Seu catálogo inclui mais de 30 variantes do tradicional produto, com sabores de frutas sortidas e de chocolate. As formas do picolé Popsicle vão desde as mais sóbrias às esquisitíssimas, inspiradas em naves espaciais, desenhos animados e até ser humano estilizado.

O picolé pioneiro do Brasil foi o Chicabon, lançado em 1942, cuja fabricação persiste até os dias atuais
(Foto: Divulgação)

Ancoragem

O picolé aportou no mercado brasileiro após a introdução da primeira indústria de sorvetes no país, a filial da companhia americana U. S. Harkson (hoje Kibon), no Rio de Janeiro, em 1941. De início, ela funcionava num galpão alugado aos pés do Morro da Mangueira, onde foi instalada a extinta fábrica de sorvetes Gato Preto. Foi a Harkson que lançou, em 1942, o primeiro picolé do Brasil, o lendário e genuíno Chicabon – então chamado Chica-bon (com hífen mesmo) –, cuja produção e comercialização perduram até hoje. A despeito de ser o pioneiro, sua fórmula prossegue inalterada, à base de leite, chocolate e malte.

De etimologia controversa, o nome Chicabon, uma das mais aclamadas marcas de picolé em território nacional, é também uma das famosíssimas do portfólio da Kibon. Há duas hipóteses sobre sua origem. Conforme notícia publicada no portal Folha Online, em dezembro de 2007, “a versão oficial diz que Chicabon é uma homenagem carinhosa às tantas mulatas cariocas chamadas Francisca (ou Chica), nome comum na época”. Outra versão, de cunho romântico, foi uma homenagem do fundador da Harkson brasileira, o estadunidense John Lutey, entusiasmado pela beleza de uma mulata chamada Francisca.

O irresistível invento acidental de Frank Epperson, transcorridos 106 anos, continua conquistando a preferência, a simpatia e a aprovação da coletividade mundial em estilos, gostos, nomenclaturas e tons sortidos. Por conseguinte, não é impossível procurá-lo em inúmeros pontos de venda, não importando que estes sejam modestos ou colossais. Ao degustar um picolé, mesmo possuindo uma infinidade de variações, o fundamental sempre é a percepção do seu delicioso sabor.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Seis equipamentos serão privatizados

Prefeitura anunciou nesta quarta-feira o prazo de transferência para a iniciativa privada do Elevador Lacerda, dos planos inclinados e das estações da Lapa e de Pirajá

Com informações da Tribuna da Bahia Online

Já tem prazo definido a concessão dos quatro ascensores e de dois terminais de transportes de passageiros para a iniciativa privada. Em até 60 dias, no mês de novembro, deverá sair o edital do processo, anunciou nesta quarta-feira (14) o titular da Secretaria Municipal dos Transportes Urbanos e Infraestrutura de Salvador (Setin), José Matos.

O pacote inclui a exploração, através de concorrência pública, do Elevador Lacerda, dos planos inclinados Gonçalves, do Pilar e Liberdade-Calçada, e das estações de transbordo da Lapa e de Pirajá. De acordo com informações da prefeitura, caberá às futuras empresas concessionárias a administrar os espaços reservados à publicidade e ao comércio nos equipamentos.

A privatização dos ascensores e das estações terá, para José Matos, o objetivo de procurar garantir a condição e a manutenção dos serviços prestados à população. "Ao mesmo tempo em que precisamos melhorar a qualidade de atendimento – que possa cobrir os custos operacionais para que tenhamos um equipamento adequado –, temos que fazer um preço justo para que a população tenha condições de pagar", afirmou o secretário.

Melhoria

Nas palavras de Matos, a transferência da gestão dos equipamentos para a iniciativa privada é imprescindível para otimizar a qualidade do atendimento. Ao passo que cerca de 460 mil pedestres utilizam diariamente a estação da Lapa, 30 mil usam o Elevador Lacerda e 10 mil usuários são transportados pelos três planos inclinados para se deslocarem da Cidade Alta para a Cidade Baixa e vice-versa.

Os serviços de manutenção do Elevador Lacerda e dos planos inclinados custam R$ 250 mil, conforme fontes ligadas à Setin. Com o acréscimo do valor da passagem, que atualmente corresponde a R$ 0,15, origina-se um montante de R$ 148 mil. Esse valor gera um déficit mensal superior a R$ 102 mil, com o transporte em média de 988 mil passageiros por mês. Na manutenção, é gerado anualmente R$ 1 milhão em déficit.

Também baseando-se em informações oficiais, a projeção ao privatizar os ascensores é de que haverá um reajuste em sua tarifa, dos atuais R$ 0,15 para R$ 0,50, o triplo do preço pago atualmente. Somente após estudo é que o novo valor será determinado.

Parada Gay mescla consciência e alegria nas ruas do Centro

Multidão estimada em 800 mil pessoas tomou conta da festa no último domingo, informa a polícia, porém o GGB contabilizou o número de participantes em 1 milhão

Com informações de A Tarde Online, do Correio* 24 Horas e da Tribuna da Bahia Online

Cerca de 800 mil pessoas compareceram, no último domingo (11), à décima edição da Parada Gay da Bahia, segundo estimativas da Polícia Militar. A manifestação, que aconteceu no Campo Grande, no centro de Salvador, teve como mote “Ser gay não é estranho. Estranha é a homofobia”, despertando a sensação de conscientização do público, em especial dos militantes do movimento de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT), devido às constantes ocorrências criminais praticadas em detrimento dos homossexuais.

De acordo com o antropólogo e fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB), Luiz Mott, um dos participantes da festa, a homofobia implicaria na presença de simpatizantes em eventos do segmento porque a maioria dos homossexuais ainda não conseguiu sair do armário. “Por isso, a presença dos heterossexuais e simpatizantes é um fator importantíssimo para quebrar o preconceito e para demonstrar solidariedade e respeito às minorias sexuais”, justifica. Mott assinalou que a parada equivale a apenas um dia anual, no qual a juventude homossexual pode caminhar de mãos dadas e se beijar publicamente, enquanto no restante do ano prevalece a aversão, a intolerância e o ódio.

O presidente do GGB, Marcelo Cerqueira, em divergência aos números contabilizados pela polícia, acreditou que aproximadamente 1 milhão de pessoas – expectativa calculada pelo órgão – esteve presente na parada, cifra superior em relação ao ano passado. Para o dirigente, o feriado da Independência do Brasil, ocorrido no dia 7 de setembro, possibilitou o aumento do número dos participantes. “Um montão de gente veio para o feriado e acabou ficando para o evento”, declarou Cerqueira à reportagem do jornal Tribuna da Bahia.

A Parada Gay foi precedida por uma concentração no Campo Grande, às 11 h, mas ela se iniciou de fato às 15 h, com discurso de Luiz Mott. Na oportunidade, ele advertiu a respeito dos altos índices de crimes de homofobia computados no estado. “Só neste ano, quinze homossexuais foram assassinados. Bahia não rima com homofobia, rima com alegria”, encorajou-se. Em seguida, houve a coroação da madrinha do evento, a delegada Patrícia Nuno, como rainha. “Quando recebi o convite para ser a madrinha desta festa, me senti honrada e no mesmo instante me pus a serviço da causa de lutar contra o que não é mais possível aceitar”, elogiou Patrícia.

O poder convidado

Dentre os políticos que prestigiaram a manifestação para celebrar as conquistas do movimento LGBT e exigir plenos direitos para os homossexuais, estavam o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), as vereadoras Aladilce Souza e Olívia Santana, ambas do PC do B, Léo Kret (PR) e Vânia Galvão (PT), e a senadora Lídice da Mata (PSB). As ausências do governador Jaques Wagner (PT) e do prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro (PP), foram questionadas por Luiz Mott, ao serem comparadas com mobilizações do gênero realizadas em outros estados, onde as principais autoridades marcam notórias presenças.

Baiano, eleito pelo estado do Rio de Janeiro, Jean Wyllys, ao discursar no alto do trio elétrico oficial da 10ª Parada Gay, classificou a festa como positiva, porém ele estava inconformado com a falta de politização intensa entre os participantes da última edição. “A presença de músicas de pagode com letras machistas e sexistas contraria a causa do movimento gay”, ponderou, aludindo às canções de duplo sentido prejudiciais à homossexualidade, interpretadas por grupos de pagode locais. Conforme Jean, a capital baiana promove uma das maiores paradas gays do Brasil.

Após pronunciamentos na cerimônia de abertura, a cantora Juliana Ribeiro entoou, num emocionante episódio cívico, intermediário entre a indignação e a alegria, o Hino Nacional. O sentimento de animação, vibração e entusiasmo da multidão se intensificou a partir do desfile dos nove trios elétricos no circuito semelhante ao do Carnaval, entre a Avenida Sete de Setembro e a Praça Castro Alves, dominados pela música eletrônica.

Homens musculosos, travestis e lésbicas dançaram sem parar ao som que emanou das aparelhagens eletrônicas executadas por disc-jóqueis (DJs) durante todo o percurso. Em apenas um dos trios, uma banda de pagode, a Nossa Juventude, se apresentou. As corporações policiais reforçaram o policiamento da 10ª Parada Gay da Bahia, com mais de mil soldados da Polícia Militar de prontidão no Campo Grande, na Avenida Sete, em São Bento e na Rua Carlos Gomes, e estruturas montadas pela Polícia Civil no Campo Grande e nas praças da Piedade e Castro Alves.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Biblioteca oferece rico acervo jornalístico

Sala de leitura em homenagem ao célebre jornalista baiano Jorge Calmon funciona no edifício-sede da ABI, na Praça da Sé

Disponível ao público para consulta a um rico acervo, a Biblioteca de Comunicação Jorge Calmon, instalada no segundo andar do Edifício Ranulfo Oliveira, sede da Associação Baiana de Imprensa (ABI), na Praça da Sé, foi reaberta após reforma em 13 de junho, simultaneamente à solenidade de posse do atual presidente da entidade, o diretor-presidente do jornal Tribuna da Bahia, Antônio Walter Pinheiro.

O nome do departamento é um justo tributo ao insigne e legendário advogado e jornalista Jorge Calmon Moniz de Bittencourt (1915-2006), ex-repórter, ex-redator, ex-secretário de redação, ex-redator-chefe e ex-diretor-redator-chefe de A Tarde, jornal em que atuou por 61 anos, de 1935 a 1996, além de deputado estadual constituinte (1947-1951) e um dos responsáveis por implantar o curso de Jornalismo da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Composto por publicações técnicas e periódicos (jornais e revistas), o acervo da biblioteca funciona de segunda a quinta-feira, em duas faixas de horário: das 9 às 12 h e das 14 às 17 h; e às sextas-feiras, das 9 às 12.

Biblioteca de Comunicação Jorge Calmon

Rua Guedes de Brito, 1, Edifício Ranulfo Oliveira, 2º andar, Praça da Sé - Salvador - BA

Telefone: (71) 3322-6903

Que venha a ponte

Concepção artística da ponte Salvador-Itaparica
(Ilustração: Divulgação)

Nós, que dependemos bastante de duas categorias de sistemas de transporte aquaviário marítimo para adentrar a ilha de Itaparica - as embarcações constituintes do famigerado sistema ferry-boat e as tradicionais lanchas confeccionadas em madeira resistente -, nos habituamos com a crescente preocupação de a tão comentada ponte se transformar em realidade. Mesmo sem essa obra de magnitude absoluta, a ilha, fracionada em dois municípios, continua à alegre disposição dos veranistas.

A bilionária obra rodoviária, que efetuará a conexão entre a península soteropolitana e um dos exuberantes tesouros da Baía de Todos-os-Santos, partirá da futura via expressa batizada com o nome da maior porção de mar aberto brasileira, e proporcionará, talvez, avanço significativo nas localidades da ilha, eterno santuário ecológico, e em suas adjacências no continente, correspondentes à zona metropolitana de Salvador e ao Recôncavo. Uma ambição, afinal de contas, viável ou impossível de ser materializada?

Enquanto os defensores da ponte Salvador-Itaparica creem na sua imediata construção, aqueles que estão inconformados a consideram um desperdício desnecessário. Independentemente desse choque ideológico envolvendo a obra, além da burocracia em sua execução, sou fielmente favorável à realização de uma obra utilíssima para o contínuo incremento econômico e socioambiental de um dos formosos e incríveis paraísos naturais da Bahia, formado pelos municípios de Itaparica e de Vera Cruz, este ocupando seu quinhão majoritário.

Gigantescos impactos benéficos trazidos pelo monumento viário serão irradiados não apenas sobre Itaparica e Vera Cruz, mas também na Grande Salvador, em toda a sua extensão territorial. Dentre os reflexos positivos, incluídos no futuro Plano Diretor da ilha, podemos mencionar a absorção da demanda habitacional da região através da implantação de núcleos urbanos planificados e conectados diretamente ao meio ambiente, alavancando e alicerçando a satisfatoriamente a expansão turística da ilha.

A pretexto de o ferry-boat, agrupamento de navegação mais usual, encontramos poucas embarcações em circulação pelo fato de algumas estarem inoperantes devido a reformas modernizadoras e/ou panes nos motores. Como usuário do antes eficaz sistema, hoje frequentemente problemático e transtornado, lido - e sei lidar - com o prolongamento das filas e das horas ao aguardar o navio ancorar no terminal de São Joaquim para prosseguir viagem até a ilha de Itaparica. Esperamos que esse caos se reverta quando a ponte chegar.

Comparando com as velhas e rotineiras travessias marítimas, o acesso ao paradisíaco recinto pelo colosso de aço e concreto armado em fase de esboço, creio, poderá ser extremamente plausível quanto à sua eficiência, com enfática atenção para o curto tempo de ida e volta. As persistentes aglomerações de passageiros nos terminais, procedentes, em grande parte, de Salvador, com isso, poderão acabar em escala gradual. Os transtornos recorrentes durante a travessia, portanto, nem são transitórios, e transitória é a velocidade no embarque e no desembarque.

O que nos importa, por enquanto, não é somente a chegada, apesar de imprevisível, da ponte Salvador-Itaparica, a ser erigida a longo prazo, e dos parâmetros inovadores para implementar um inédito modelo urbanístico na ilha. Temos, como de praxe, que nos contentar e tirar proveito das fantásticas paisagens biológicas integrantes do refúgio, estreitamente vizinho à nossa metrópole, complementadas por centros históricos, balneários, condomínios, praças e um versátil e otimizado comércio de conveniência.

sábado, 10 de setembro de 2011

Campus da Unijorge é inaugurado no Subúrbio

Unidade da instituição de ensino superior em Plataforma, que começará a funcionar na próxima terça-feira, oferece cursos tecnológicos e licenciaturas

Com dois campi, Paralela e Comércio, em funcionamento, o Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), referência em excelência e qualidade de ensino superior, inaugurará na próxima terça-feira (13) seu terceiro campus, no bairro de Plataforma, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. Acumulando 18 opções de cursos superiores de tecnologia (CST) e 6 licenciaturas, é a primeira unidade acadêmica de graduação presencial instalada em uma das zonas mais populosas da cidade, que engloba o Subúrbio e a Península de Itapagipe.

A cerimônia de inauguração do novo empreendimento acontecerá ainda no dia 13, a partir das 19 h, no Centro Cultural de Plataforma. Na ocasião, haverá a palestra "Educação e inclusão social", conduzida pela professora Marize Carvalho.

Situada na Avenida Afrânio Peixoto, popularmente conhecida como Suburbana, a unidade oferece a seus alunos os CST de Comércio Exterior, Eventos, Gestão Ambiental, Gestão da Qualidade, Gestão de Recursos Humanos, Gestão de Varejo, Gestão Desportiva e do Lazer, Gestão Financeira, Gestão Hospitalar, Gestão Pública, Gestão da Segurança Privada, Hotelaria, Logística, Marketing, Negócios Imobiliários, Processos Gerenciais, Segurança no Trabalho e Secretariado; e licenciaturas de História, Letras - com habilitação em Língua Portuguesa, Língua Espanhola e Língua Inglesa -, Matemática e Pedagogia.

Enquanto os cursos tecnológicos elevam a exigência de mão de obra técnica, aproveitando o progresso da capital baiana e acompanhando as expectativas de desenvolvimento vocacionadas para o Nordeste, as licenciaturas ajudam na formação de docentes e de produtores de conhecimentos acadêmicos. O campus Plataforma da Unijorge oferece aos seus alunos e professores uma estrutura privilegiada, com dois pavimentos, estacionamento privativo, salas de aula, bibliotecas e laboratórios de informática equipados e climatizados.

A possibilidade de implantação de um campus universitário na comunidade suburbana, integrada à Península de Itapagipe, é mais um passo substancial da Unijorge para que a prática do conhecimento seja acessível para todos, de acordo com a reitora da instituição, Paloma Modesto.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Jean Wyllys explica a atual situação homossexual no Brasil

Deputado federal eleito pelo Rio de Janeiro, jornalista, escritor e professor baiano realizou na Unijorge palestra inaugural do projeto interdisciplinar “Homofobia”, que já está sendo executado por estudantes de Comunicação do centro universitário

Discutir a homossexualidade e a questão da homofobia na esfera sociopolítica brasileira atual. Esse foi o tema da palestra “A política brasileira e o movimento LGBTT”, ministrada pelo jornalista e professor baiano Jean Wyllys, deputado federal (PSOL-RJ), na última segunda-feira (5), no Auditório Zélia Gattai, no Campus Paralela do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge). A atividade inaugurou oficialmente os trabalhos do projeto interdisciplinar “Homofobia”, organizado pelos cursos de Comunicação Social – Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Produção Audiovisual – da instituição de ensino superior.

Na iniciativa conjunta, que consiste numa abordagem multidisciplinar problematizadora, inerente ao objeto de estudo, os estudantes dos cursos participantes estão elaborando produtos midiáticos que objetivam a denúncia e o combate aos gestos homofóbicos. A palestra inaugural foi declarada aberta por seus idealizadores, a coordenadora dos cursos de Comunicação Social da Unijorge, Patrícia Barros Moraes, e os professores Sílvio Benevides e Max Bittencourt.

Em meio a uma plateia heterogênea, composta por discentes e docentes de Comunicação, Psicologia e Direito da Unijorge e de outras instituições acadêmicas, Patrícia pontuou a representatividade de uma pessoa tão exemplar como Jean Wyllys, que também é escritor, com três livros publicados, em seu viés ativista na luta contra a intolerância sexual.

“A formação de um bom professor vai além de um aparato técnico-científico que a gente tem em sala de aula”, explicou a coordenadora, considerada a “mola propulsora” na concepção do esquema, nos dizeres de Sílvio. Além de ser um tema que está em evidência na contemporaneidade, com a intenção de espelhar sobre o papel de um espaço mais justo, a homofobia é um problema de direitos humanos devido ao desrespeito a eles.

Conforme Sílvio, sociólogo graduado pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), a discriminação obscena em detrimento das lésbicas, dos gays, dos bissexuais, dos travestis e dos transgêneros (LGBTTs) é uma questão da própria humanidade. Antes de passar o microfone para Jean, Max Bittencourt recordou o assassinato do estudante de Psicologia da Unijorge, Isaac Souza Matos, ocorrido em 11 de julho, no bairro do Corsário, na orla marítima de Salvador, em função da homofobia. Foi pensando nesse cruel homicídio que, de acordo com Max, definiu-se o assunto para desenvolver o projeto interdisciplinar.

Retorno à casa

Quando Jean Wyllys começou a palestrar, ele parabenizou os idealizadores pela gratificante oportunidade de retorno à instituição, onde foi professor do curso de Jornalismo antes de se consagrar nacionalmente por sua vitória na quinta edição do reality show Big Brother Brasil, da TV Globo, em 2005. No centro universitário – na época batizado de Faculdades Jorge Amado – onde o evento foi realizado, o hoje parlamentar, homossexual assumido, auxiliou na elaboração de ações midiáticas comunitárias, como o projeto Arte e Cidadania.

As universidades e as faculdades, na visão do palestrante, enfrentam o mercantilismo e admitem a produção e a reprodução do conhecimento, embora desconstruíssem e não reafirmassem o senso comum. “A política e a universidade são espaços de discernimento, e não de preconceito”, ponderou. Para ele, a ausência de conhecimento prolifera estereótipos no ambiente acadêmico, sendo que a homofobia é um deles.

Partindo do pressuposto de que os atos discriminatórios perversos contra indivíduos homossexuais e congêneres surgiram no âmbito cultural, o deputado recuou na história da humanidade, ao discorrer a construção da mentalidade no Ocidente. Sociedades antigas, como a judaica e a egípcia, viviam sob o jugo do machismo, enaltecendo a virilidade masculina. Séculos após o Império Romano e seu consequente esfacelamento em razão das invasões bárbaras medievais, o primeiro governador-geral do Brasil, Thomé de Souza, empilhou cadáveres indígenas. “Essa mentalidade, esse tabu, essa repressão sexual chega até nós, nesses 500 anos de Brasil”, afirmou Jean.

Um dos fatores modificadores da constituição da cultura brasileira, para ele, é o idioma português. “Quando a língua chega profundamente em nós, ela traz os valores e a mentalidade que estão sendo materializados”, explicou. Jean Wyllys ainda distinguiu natureza e cultura, exemplificando o caso clássico, nos seres humanos, da irregularidade dentária. Enquanto os dentes já nascem tortos, a cultura recorre a um artifício produzido pelo homem que os corrige, o aparelho ortodôntico. De modo idêntico, as sexualidades estão atravessadas de cultura.

Questionamentos

No momento posterior ao término da palestra, a coordenadora Patrícia Barros Moraes deliberou que o público fizesse suas intervenções, questionando a Jean acerca de subtemas interligados ao assunto focalizado. Dentre os subtemas explicitados de grande importância naquela fase estava a educação política, sugerido pela estudante do 6º Semestre de Jornalismo da Unijorge, Suiá Silva, natural de Alagoinhas e conterrânea do palestrante.

Jean Wyllys apontou que, na humanidade contemporânea, há uma convivência equivocada de contradições inimagináveis e inadmissíveis, como o fato de as pessoas coabitarem com o obscurantismo e a desinformação, no caso dos políticos. “Muita gente critica, por exemplo, a eleição do deputado Tiririca, por causa do senso comum. Você sabe o que faz um deputado? Não sei”, afirmou, parafraseando seu colega de plenário Tiririca (PR-SP), o deputado federal mais votado do país no pleito de 2010. Outro equívoco justificador da falta de educação política é a confusão do papel do prefeito, chefe do Poder Executivo municipal, com o do deputado estadual.

Por ser conhecida como Constituição Cidadã, a atual Carta Magna federal, promulgada em 1988, delineia, entre outros aspectos sociais, o princípio da laicidade do Estado, não sendo atrelado a nenhuma denominação religiosa e permitindo a pluralidade e a autonomia de credo. Entretanto, existem potencialidades eclesiásticas obscurantistas e fundamentalistas que têm por intuito ameaçar a liberdade política. Tais forças emergiram ao cenário do poder brasileiro em função do dinheiro.

Apresentado pela ex-deputada federal Iara Bernardi (PT-SP), o Projeto de Lei Complementar 122 (PLC 122/2006), aprovado na Câmara em dezembro de 2006, cuja polêmica aprovação foi evidenciada na palestra, reivindica a criminalização da homofobia no Brasil. Passou, em seguida, para o Senado, onde foi arquivado numa sessão turbulenta da Comissão de Direitos Humanos por pressão da bancada evangélica, todavia foi desarquivado graças à atuação da senadora Marta Suplicy (PT-SP) como relatora da proposta na comissão.

O deputado Jean Wyllys, defensor convicto dos direitos da população homossexual no país, coordena, ao lado de Marta, a Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT, e integra as comissões temáticas de Direitos Humanos e de Finanças e Tributação da Câmara. “O melhor caminho para enfrentar esses preconceitos é levar a aversão que há em nós. Eu, como homossexual assumido, sou uma pessoa mais vulnerável”, encoraja-se Jean.

Em relação à Lei Áurea, sancionada pela princesa Isabel em 13 de maio de 1888, ele ressaltou que, a despeito de a lei não inibir a discriminação racial e outros estereótipos, ela foi o prelúdio para o crescimento dos avanços sociais. Os negros, mesmo após a sanção da Lei Áurea, foram severamente expulsos do mercado de trabalho, marginalizados e oprimidos, sem nenhuma perspectiva de ascensão na sociedade.

Kit anti-homofóbico

Uma das medidas paradoxais propostas pelo governo da presidente Dilma Rousseff (PT) é o kit anti-homofobia, elaborado pelo Ministério da Educação em parceria com a sociedade civil para diagnosticar o bullying homofóbico nas escolas da rede pública das instâncias estadual e municipal. De acordo com Jean, o kit, cuja adoção foi vetada em maio pela própria presidente, seria implantado devido ao fato de que “a homofobia é uma das causas da evasão escolar infanto-juvenil”, e consistiria na confecção e distribuição de vídeos curtos, boletins informativos e cartilhas educativas para escolas onde houvessem ocorrências intrinsecamente relacionadas à homofobia.

Segundo o parlamentar, a construção da cidadania e dos valores humanísticos se inicia na escola. O orgulho gay parte, na acepção dele, do princípio da equidade. “Um grupo que historicamente tem privilégios não evoca o princípio da igualdade formal”, elucida. Após Patrícia, uma das idealizadoras da palestra, declarar o encerramento definitivo do evento, Jean agradeceu a presença dos estudantes e professores pelo momento oportuno de explanação do tema abordado. E a plateia, conscientizada, foi ovacionada com coragem.