domingo, 31 de julho de 2011

Cobrança de pedágio é iniciada em nova praça

Concessionária que administra a BR-324 entregou hoje o segundo posto da rodovia, no quilômetro 597,8

Com informações de A Tarde Online e da Via Bahia

Quem trafega pela BR-324 agora paga mais pedágio. Começou a entrar em operação, às 0 h deste domingo (31), no quilômetro 597,8, a praça 1 – P1. Situada perto de Simões Filho e Candeias, na Região Metropolitana de Salvador, esta foi a segunda praça entregue pela concessionária Via Bahia na rodovia federal.

Em dezembro do ano passado, um ano após a Via Bahia, responsável por outra importante estrada, a BR-116, no trecho entre Feira de Santana e o norte de Minas Gerais, assinar o contrato de concessão por 25 anos da BR-324, a concessionária instalou a primeira praça de pedágio na rodovia, no município de Amélia Rodrigues, na região de Feira.

Segundo a empresa, o funcionamento do posto beneficia os habitantes dos municípios adjacentes com a geração de empregos diretos e indiretos e a arrecadação de tributos. Com isso, a receita será ampliada para a sua aplicação em obras de melhoria das condições da rodovia, tornando-as seguras e confiáveis.

As tarifas cobradas na nova praça oscilam entre R$ 0,80 (motocicletas, motonetas e bicicletas motorizadas) e R$ 24,90 (caminhões com reboque ou caminhões-tratores com semirreboque). Motoristas de automóveis, caminhonetes e furgões pagam R$ 1,60.

sábado, 30 de julho de 2011

Feira do Empreendedor tem Carlinhos Brown como colaborador

Músico e empresário, parceiro fiel do Sebrae em projetos comunitários desenvolvidos em sua comunidade, participa de peças publicitárias da edição baiana do evento a serem veiculadas na mídia

Com informações da Agência Sebrae de Notícias

O músico, compositor e empresário Carlinhos Brown gravou, na última quarta-feira (27), o vídeo para a divulgação da Feira do Empreendedor 2011, da qual ele é colaborador convicto. Organizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) da Bahia, a feira será promovida no período de 4 a 8 de outubro, das 14 às 22 h, no Centro de Convenções. Antes de Brown protagonizar o filme, destinado às emissoras de televisão, o artista imprimiu seu gesto no spot de rádio e posou para as fotos das peças publicitárias do evento.

Carlinhos Brown mantém uma frutífera parceria com o Sebrae por muito tempo, desenvolvendo iniciativas de consultoria comunitária no bairro do Candeal, onde o artista nasceu, foi criado e se projetou nacional e internacionalmente. Para Brown, a ação implementada pelo órgão é uma mobilização de fundamental importância para a comunidade. “É preciso aproveitar as novas oportunidades. Com o apoio do Sebrae, as pessoas podem viabilizar essas oportunidades e serem donas dos próprios negócios”, acredita.

O superintendente do Sebrae Bahia, Edival Passos, declara que o ilustríssimo filho do Candeal “é a mais completa tradução do empreendedorismo, da criatividade e da inovação”, por dar concretude às ações conjuntas inerentes ao fortalecimento do empreendedorismo cultural e da economia. Dentre elas, merece destaque a participação de artesãos em eventos anuais realizados no Museu du Ritmo, no Comércio, como o Sarau du Brown e a Enxaguada du Bonfim. “Ninguém melhor do que ele para representar a Feira do Empreendedor da Bahia. Por esta razão, convidamos Brown para mais esta parceria”, conclui Edival.

Juntamente com a concepção e a veiculação da campanha da Feira do Empreendedor 2011, o fundador e mentor da Timbalada assegurou o aval do Sebrae para a organização não-governamental (ONG) Associação Pracatum Ação Social (Apas), uma das parceiras do evento. Nos cinco dias em que a feira, que na Bahia estará na sua quinta edição, será realizada, toda a renda arrecadada na bilheteria, durante a aquisição dos ingressos, será doada à entidade filantrópica.

Mais ação comunitária

Idealizada em 1994 por Carlinhos Brown, a Apas visa, por intermédio do desenvolvimento comunitário e de programas socioculturais, melhorar e aperfeiçoar a qualidade de vida dos habitantes do Candeal, onde a instituição é sediada. As iniciativas concretizadas pela Apas simbolizam o efetivo engajamento social do artista e empresário na responsabilidade social e na inserção dos jovens moradores do bairro em escala mundial e no mercado de trabalho.

Brown ainda recordou a sua precoce experiência de business man antes de sagrar-se artista, atuando como vendedor ambulante de picolés pelas ruas de Salvador. “Tenho certeza que se, naquela época, eu tivesse uma orientação do Sebrae, eu teria condições de abrir uma sorveteria”, afirma, referindo-se que, na sua pioneira experiência empreendedora, não havia subsídios concedidos pelo órgão. Na acepção do músico, a filosofia do Sebrae é focada no incentivo ao empreendedorismo, mantendo uma visão singular no setor.

Uma feira bienal

Considerada o maior evento do mundo no gênero, a Feira do Empreendedor, existente desde 1994, manifesta-se de dois em dois anos em todas as unidades da Federação. A feira representa um instrumento essencial para o fomento e a geração de emprego e renda, além de ajudar no progresso econômico e social da região onde ela é organizada. Na Bahia, sua primeira edição aconteceu em 2002, no Centro de Convenções, com a presença de um público estimado em cerca de 20 mil pessoas visitando 180 estandes.

Suas duas últimas edições baianas do evento, ocorridas em 2007 e em 2009, foram agraciadas pela Fundação Nacional de Qualidade (FNQ) como a Melhor Feira do Empreendedor do País. A constituição do público-alvo da feira inclui empreendedores em potencial, que pretendem abrir seus próprios empreendimentos; empreendedores individuais em busca de formalização, orientação e conhecimento; aspirantes a empresários à procura de recomendações para abertura e ideias de negócios; e empresários com interesse na diversificação, na ampliação ou na modernização de seus empreendimentos.

A feira, aberta ao público, proporcionará capacitação para empreendedores e empresários locais e exibirá, por meio de seus expositores, novidades em franquias, máquinas e equipamentos, negócios verdes e sustentáveis, serviços e soluções e negócios digitais, além de perspectivas e oportunidades de empreendedorismo. Haverá também palestras e oficinas, abrangendo vários temas voltados para pessoas que almejam abrir uma empresa ou que já instalaram seu negócio.

Estabelecida numa área total contabilizada em aproximadamente 15 mil m², a estrutura contará ainda com apresentação de dispositivos e parâmetros para o desenvolvimento tecnológico da Bahia, políticas públicas de incentivo às micro e pequenas empresas nos municípios e uma livraria especializada em gestão empresarial. As inscrições são gratuitas e podem ser efetuadas somente pelo site http://www.feiradoempreendedor.ba.sebrae.com.br/, até o dia 30 de setembro. Depois do prazo, os inscritos deverão adquirir os ingressos na bilheteria do evento, no valor de R$ 5.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

No plenário, uma negra valente

Entrevista: Olívia Santana

Ouvidora-geral da Câmara Municipal de Salvador, a pedagoga e vereadora comunista batalha ardorosamente em prol da educação e dos direitos dos pobres, das mulheres e dos afrodescendentes

Olívia: “Eu era muito religiosa, mas sempre tive interesse pelas questões sociais e acreditei em que nós podemos mudar as coisas aqui e agora.”
(Foto: Divulgação/Câmara Municipal de Salvador)

Em seu terceiro mandato consecutivo como vereadora pelo Partido Comunista do Brasil (PC do B), Maria Olívia Santana, 43 anos, é defensora corajosa dos direitos da população de Salvador. Faz da educação e dos direitos de duas parcelas minoritárias da sociedade – as mulheres e os afrodescendentes – suas principais bandeiras de luta. Olívia, popularmente alcunhada “a negona da cidade”, ingressou na carreira política durante o movimento estudantil pós-redemocratização, na Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (Ufba), onde graduou-se em Pedagogia.

Membro fundador e uma das dirigentes da União dos Negros pela Igualdade (Unegro), a comunista preconiza a intensificação do combate ao preconceito étnico-racial. Olívia Santana exerce atividades legislativas na Câmara Municipal desde 2003, quando, na condição de suplente, assumiu a vaga efetivamente. Reeleita vereadora no ano seguinte, licenciou-se para ocupar a antiga Secretaria Municipal de Educação e Cultura (Smec), entre janeiro de 2005 e fevereiro de 2006, na primeira gestão do prefeito João Henrique Carneiro (PP), então filiado ao PDT.

Uma de suas iniciativas relevantes como secretária foi a adoção, na rede municipal de ensino, da disciplina História e Cultura da África. Voltou ao Legislativo de Salvador em 2006, e no mesmo ano concorreu à Câmara dos Deputados, conquistando 37.803 votos, entretanto não se elegeu. Após conseguir renovar seu mandato parlamentar em 2008, Olívia, além de ser a atual ouvidora-geral da Câmara Municipal para o biênio 2011/2012, é presidente da Comissão de Educação, Cultura, Esporte e Lazer e membro das comissões de Finanças, Orçamento e Fiscalização e Defesa dos Direitos da Mulher da Casa.

Nesta entrevista exclusiva, concedida por e-mail, Olívia relembra seus primórdios na esfera política, de espírita na sua juventude a vereadora, esclarece os desafios por quais a capital baiana passa, como os problemas no sistema público de ensino e a perda na dimensão artística e cultural do Carnaval e a Copa do Mundo de 2014. Também explica as vantagens das cotas raciais aplicadas nas universidades brasileiras, os problemas enfrentados pelos negros e pelas mulheres e suas ambições para as eleições do próximo ano, sem esquecer de esperanças melhores para o povo soteropolitano.

Como começou sua trajetória na militância política?

Olívia Santana – No movimento de juventude espírita. Eu era muito religiosa, mas sempre tive interesse pelas questões sociais. Sempre acreditei em que nós podemos mudar as coisas aqui e agora. Quando eu era secundarista, estudante do Colégio (Estadual) Manoel Devoto (no Rio Vermelho), participava bastante das atividades culturais da escola e, volta e meia, estava envolvida em movimentos de protestos, para melhorar as condições de funcionamento da escola ou das aulas. Tive a honra de ser aluna do mestre Zilton Rocha (conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, ex-vereador e ex-deputado estadual pelo PT), que botava a gente para pensar, para refletir.

Durante o período em que era estudante de Pedagogia, você fez campanha para quais candidatos?

O. S. – Haroldo Lima (ex-deputado federal e diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, ANP), que é um ser humano espetacular, eu sempre admirei. Aliás, foi o meu primeiro voto, pouco antes de entrar na universidade. Também votei e fiz muita campanha para Javier Alfaya (ex-vereador e ex-deputado estadual) e depois para Alice Portugal (ex-deputada estadual e atualmente deputada federal, única mulher na bancada baiana da Câmara dos Deputados).

Em sua opinião, qual foi a campanha mais memorável que você participou?

O. S. – A primeira campanha de Lula, em 1989. Foi linda, carregada de esperança. Uma militância aguerrida que saía em busca de convencer as pessoas a votar em um trabalhador. O PC do B era dirigido por João Amazonas (1912-2002). Ele pregava a aliança, o PT resistia, e ele dizia que, sem aliança, não chegaríamos à vitória. Aqui na Bahia eu fui designada pelo partido para ficar um mês em Brumado (cidade do sudoeste do estado), reforçando a campanha. Foi incrível! O interior era outro mundo. As pessoas eram muito arredias, não queriam Lula. Mas nós estávamos lá cumprindo ardorosamente o nosso papel de disputar voto a voto, de convencer e abrir mentes.

Qual foi o primeiro cargo eletivo que você disputou? Quando isso aconteceu?

O. S. – Bem. Fui presidente do DA (Diretório Acadêmico) de Pedagogia em 1988 e em 1990. Mas na política institucional, a minha primeira experiência foi a candidatura de vereadora em 2000. Tive 5.157 votos. Fiquei na suplência e assumi em 2003.

O apelido "negona", que notabilizou você em seus slogans eleitorais, surgiu como forma depreciativa ou carinhosa? A quem atribuiu essa alcunha?

O. S. – Eu mesma escolhi “A negona”, depois de ter usado “No peito e na raça”, em 2000. O publicitário João Silva criou o slogan “A negona da cidade”. Nós queríamos ressignificar o que era dito como insulto por gente preconceituosa sobre as mulheres negras, transformar em algo afirmativo. Conseguimos!

Salvador detém um dos piores indicadores nacionais de ensino e de desenvolvimento humano. Quais seriam as soluções para reverter esse quadro que nos preocupa tanto?

O. S. – O prefeito deveria eleger a educação como marca do seu governo, escolher um secretário de Educação com capacidade de assumir o desafio e dar total apoio à realização de um projeto político e pedagógico que envolva toda a rede municipal e também a sociedade num verdadeiro pacto de sucesso educacional. Investir em qualificação das estruturas das escolas, valorização do profissional e resgate do compromisso de todos com a escola pública. Salvador é uma cidade pobre, mas é possível gerir os recursos fazendo boas escolhas, elegendo prioridades que realmente sejam relevantes para elevar a qualidade das escolas.

“Salvador é uma cidade pobre, mas é possível gerir os recursos fazendo boas escolhas.”
(Foto: Valdemiro Lopes)

Embora seja um item contraditório, as cotas raciais ajudam a equacionar os problemas e obstáculos no ensino superior brasileiro?

O. S. – Sim, as cotas são um instrumento de correção de desequilíbrios históricos. É uma necessidade. Todos nós pagamos impostos, a empregada doméstica, o operário da construção civil, o bancário, o engenheiro, o empresário. É justo que todos compartilhem das universidades públicas, que são bancadas pelos nossos impostos. O negro não pode ser apenas a mão do peão que constrói os prédios das universidades. É preciso compartilhar também da educação que é oferecida nessa instituição. Os brancos estão mais representados na classe média e entre os ricos. Os negros, na miséria e na pobreza. Nosso caminho é mais tortuoso, cheio de obstáculos impostos pelo racismo e por uma estrutura de sociedade marcada pela desigualdade de classe, de raça e de gênero. Por isso, o desempenho médio de um estudante negro e pobre num vestibular pode ser mais relevante que um alto desempenho de uma pessoa branca, de classe abastada que teve todas as condições socioeconômicas atendidas para chegar aonde chegou.

Se o dia 13 de Maio, que comemora a Abolição da Escravatura, não traz nenhum valor significativo para os negros oprimidos, em contrapartida o Movimento Negro Unificado (MNU) reverencia o 20 de Novembro, Dia Nacional da Consciência Negra. Dentre as duas datas, qual delas celebra e valoriza?

O. S. – Não é só o MNU que celebra o Dia 20 de Novembro. Todas as entidades do movimento negro reverenciam o Dia da Consciência Negra como uma conquista. O 13 de Maio foi um importante gesto formal de abolição da escravatura, mas não veio acompanhado de políticas públicas de inclusão das mulheres e homens negros. Não promoveu reforma agrária, não teve nenhuma política educacional de massa voltada para os negros, o mercado de trabalho livre se abriu imediatamente para os imigrantes e não se deram oportunidades qualificadas para os negros. Muitas pendências ficaram sem respostas na Lei Áurea (sancionada em 13 de maio de 1888 pela princesa Isabel).

Para você, o 20 de Novembro, dia em que Zumbi dos Palmares, ícone da resistência do nosso povo afrodescendente, foi martirizado, em 1695, traz algum reflexo positivo para a negritude de Salvador?

O. S. – Todos os reflexos que pudermos extrair da experiência do Quilombo dos Palmares (em Alagoas). A memória favorece a autoestima. Resgatar a figura de Zumbi e a história do Quilombo dos Palmares nos dá identidade, revela a nossa resistência e a luta que houve em defesa dos negros como sujeitos autônomos, livres e capazes de conduzir um projeto de sociedade. Palmares durou quase 100 anos. Era um Estado livre dentro de um Estado opressor (o Brasil colonial). Uma experiência extraordinária para as condições da época.

O que você, como membro fundador de uma entidade representativa de defesa dos direitos dos afrodescendentes, organiza?

O. S. – O que eu organizo?! Bom, eu procuro continuar contribuindo com a nossa entidade, a Unegro (União dos Negros pela Igualdade), estudo para ampliar os meus parcos conhecimentos e estimulo muito os meus amigos e militantes a estudarem também. Atualmente estou participando da comissão que está organizando a celebração do Ano Internacional do Afrodescendente. Será um grande evento reunindo chefes de Estado e personalidades da luta contra o racismo.

Em relação aos direitos femininos, o que necessita melhorar?

O. S. – É preciso garantir salários iguais para as mulheres que desempenham as mesmas funções que os homens, a ampliação da formação educacional das mulheres, o acesso mais amplo ao mercado de trabalho em funções dominadas por homens, mas que geralmente oferecem melhores salários; fazer valer a Lei Maria da Penha (a Lei nº 11.340, sancionada em 7 de agosto de 2006 pelo então presidente Lula, que propõe reduzir a violência contra a mulher), para assegurar a integridade física e psicológica das mulheres para elas não sofrerem violência doméstica, ter políticas de enfrentamento do racismo e do machismo, por um Brasil e um mundo de igualdade.

“É preciso (...) fazer valer a Lei Maria da Penha, para assegurar a integridade física e psicológica das mulheres”
(Foto: Valdemiro Lopes)

Os negros e as mulheres são considerados minorias sociais. O que é preciso fazer para que os grupos minoritários estejam inseridos definitivamente no âmbito socioeconômico?

O. S. – Exigir que as empresas adotem programas de valorização da diversidade e abram oportunidades para negros e mulheres, que adotem políticas efetivas de inclusão. Dar uma virada na educação brasileira e garantir uma escola pública mais qualificada, elevar o nível da educação básica e garantir mais políticas de inclusão de negros e mulheres na graduação, nos mestrados, nos doutorados e em áreas técnicas que sejam de ponta e que tenham baixa presença feminina e negra. É preciso ter intenção de promover a igualdade escolhendo os melhores mecanismos.

Vemos o Carnaval de Salvador como um evento meramente turístico e comercial. Você acha que ele perdeu a essência cultural?

O. S. – Sim, estamos perdendo a dimensão cultural do Carnaval, pois só se pensa no mercado e no turismo. É uma mercantilização muito voraz da cultura e uma precarização da festa.

O que é necessário para que o nosso Carnaval seja democratizado?

O. S. – Temos que fazer uma conferência ou um congresso do Carnaval. Discutir democraticamente o conceito do Carnaval, o que deve ser a festa, as alternativas de modificação dos aspectos que consideramos problemáticos, a exemplo dos monopólios das filas dos blocos nos circuitos Dodô e Osmar, o direito de arena que os camarotes precisam pagar, a estética da festa, o lugar da criatividade nos processos de transformação do Carnaval, a padronização e o empobrecimento do Carnaval enquanto manifestação de cultura e arte. Está tudo muito igual, os blocos, os trios, aqueles balões enormes de patrocínio que impedem a visão dos blocos, a situação dos ambulantes, das famílias que se espalham nas calçadas para ganhar uns trocados no Carnaval, a situação dos cordeiros. Engraçado: o Ministério Público proíbe que os jegues puxem carroças na lavagem do Bonfim, mas não proíbe que os seres humanos puxem cordas para outros seres humanos no Carnaval!

A Copa de 2014 será benéfica para a população soteropolitana? Em quais aspectos?

O. S. – Temos que lutar para que a Copa não seja só um evento esportivo, mas uma oportunidade de melhorar o nosso sistema de transporte, de qualificação de mão de obra local para incorporar aos empregos que serão criados como decorrência, de conquistarmos uma política permanente de incentivo ao esporte, principalmente atendendo à juventude. Temos pautado esta agenda de discussão com o governo do estado e a prefeitura. A cidade e o povo precisam se beneficiar da Copa do Mundo e de todos os outros eventos de grande porte que Salvador sediará, como a Copa das Confederações e as Olimpíadas.

Quais são suas pretensões para o pleito municipal de 2012?

O. S. – Serei candidata a vereadora e vou batalhar para ver se conseguimos renovar este mandato, que é uma conquista da militância do movimento negro, das pessoas que acreditam na educação, na cultura e que defendem a democratização da cidade. Quando vejo as coisas que conseguimos fazer, os quadros que formamos no nosso gabinete e que hoje estão ocupando cargos nos governos federal e estadual, eu fico pensando que somos apenas um mandato de vereadora, mas que é carregado de ousadia!

Olívia, deixe uma mensagem otimista para o futuro da nossa cidade.

O. S. – Bem, eu quero muito que a população soteropolitana cresça a sua consciência política, abra mais espaço para o negro nas estruturas de poder e faça escolhas mais qualificadas para gerir Salvador. A nossa cidade é naturalmente linda, mas muito mal administrada. É preciso fazer da riqueza cultural de Salvador, da criatividade e força do nosso povo e da história de berço civilizatório da nação algo que nos impulsione a transformar o presente e o futuro da cidade. Dizer aos meus irmãos e irmãs negros que lutem, tenham projeto de vida, denunciem o racismo e se lancem a construir uma sociedade sem racismo, capaz de socializar a riqueza e promover justiça social.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Joia imperial do Recôncavo

A ponte metálica D. Pedro II, que liga Cachoeira a São Félix, possibilita a conexão entre o sertão e o litoral

Ferro empregado na construção desta maravilha do Paraguaçu foi importado da Inglaterra
(Foto: Hugo Gonçalves - 23/01/2011)

Para sair de São Félix rumo a Cachoeira e vice-versa, é preciso cruzar uma imponente e suntuosa ponte sobre o poluído Rio Paraguaçu, que separa as duas cidades históricas do Recôncavo. Construída em fins do século XIX com o propósito de conectar o sertão baiano com a zona litorânea, escoando a produção das regiões, a Ponte D. Pedro II era uma das maiores obras de engenharia da América do Sul naquela época.

A edificação do célebre corredor ferroviário (hoje os trens não circulam mais), pré-armado em treliças de ferro importadas da Inglaterra, foi um esforço inestimável do Segundo Império, autorizado pela Lei Provincial nº 1242, de 19 de junho de 1865. Os trabalhos de construção da ponte, dirigidos pelo engenheiro francês Frederico Merci, foram executados sob a supervisão do colega baiano Afonso Glicério da Cunha Maciel.

Em 1876, a estação de Cachoeira foi inaugurada; porém, como não existia a ponte, a travessia era operada por uma frota de balsas. Numa solenidade festiva, sob intensos e ressoantes fogos de artifício, presidida pelo presidente da província da Bahia, conselheiro José Luiz de Almeida Couto, representando D. Pedro II, deu-se a inauguração, em 7 de julho de 1885, da Imperial Ponte em homenagem ao imperador.

Ponte viabilizou o incremento econômico da Bahia até meados do século XX
(Foto: Hugo Gonçalves - 23/01/2011)

Economia a todo vapor

Gerida àquela época pela Estrada de Ferro Central da Bahia, como extensão da estação ferroviária, a Ponte D. Pedro II, entre Cachoeira e São Félix, contribuiu para ensejar o dinamismo da economia baiana até meados do século passado. Toda a produtividade agromineral do sertão e manufatureira do Recôncavo passou pelo magnífico corredor ferroviário sobre as águas do Paraguaçu, sendo conduzida pelo Vapor de Cachoeira.

O deslocamento entre as duas pérolas do Recôncavo hoje é viabilizado por veículos movidos a combustíveis fósseis, a álcool e a gás natural (automóveis, caminhonetes, caminhões, ônibus e vans), priorizando o transporte rodoviário.

Novo bispo auxiliar é nomeado

Monsenhor Gilson Andrade da Silva, da Diocese de Petrópolis, foi indicado para a Arquidiocese de Salvador pelo papa Bento XVI

Com informações de A Tarde Online e da agência Efe

Posse do monsenhor Gilson será em 8 de outubro, na Catedral Basílica, após ser ordenado bispo
(Foto: Divulgação)

Membro do clero da Diocese de Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, o monsenhor Gilson Andrade da Silva, 45 anos, foi nomeado bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador pelo papa Bento XVI. A indicação foi anunciada na manhã desta quarta-feira (27) pelo arcebispo primaz do Brasil, dom Murilo Krieger, em entrevista na Rádio Excelsior AM.

“Estou grato ao santo padre (papa) pela nomeação. Eu não dava conta de atender tantos e tantos pedidos”, declarou dom Murilo. O monsenhor Gilson será ordenado bispo em 24 de setembro, na Catedral de Petrópolis, e tomará posse como o novo bispo auxiliar em 8 de outubro, na Catedral Basílica, no Terreiro de Jesus, Centro Histórico.

Carioca, o monsenhor Gilson Andrade da Silva foi ordenado sacerdote em 1991, na Diocese de Petrópolis. Atualmente, o sacerdote exerce a função de reitor do Seminário Nossa Senhora do Amor Divino, na cidade serrana fluminense, no qual, anteriormente, era vice-reitor.

Petrolina

Além do novo bispo auxiliar da capital baiana, o Vaticano também informou a nomeação do atual bispo de Patos, no sertão da Paraíba, o prelado Manoel dos Reis de Farias, 65 anos, como o novo bispo de Petrolina, em Pernambuco. Ele substituirá o bispo Paulo Cardoso da Silva, que renunciou ao cargo pela idade.

O futuro chefe supremo da Diocese de Petrolina, Manoel de Farias, é natural de Orobó, município do sertão pernambucano. Estudou Filosofia em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e Teologia no Rio de Janeiro e em Olinda. Foi ordenado sacerdote em 1983 e bispo de Patos em 2001.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Um salto na ciência

Programa de intercâmbio para desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro, o Ciência sem Fronteiras foi anunciado hoje pela presidente Dilma Rousseff durante reunião no Planalto

Com informações da Agência Estado e do G1

Da esquerda para a direita: Moreira Franco, secretário de Assuntos Estratégicos; Dilma Rousseff; Miriam Belchior, ministra do Planejamento; Aloízio Mercadante, ministro da Ciência e Tecnologia
Expectativa não é formar cientistas “automaticamente”, observa Dilma
(Foto: Roberto Stuckert Filho/Presidência da República)

Durante a 38ª reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), nesta terça-feira (26), no Palácio do Planalto, em Brasília, a presidente da República, Dilma Rousseff (PT), anunciou o programa Ciência sem Fronteiras. A meta, de acordo com ela, não é reduzir a formação de profissionais da área de Humanas, mas dar um salto na formação e no aprimoramento de engenheiros, pois o avanço nas Ciências Exatas é deficitário no Brasil.

Conforme Dilma, a expectativa do projeto, fruto da cooperação interministerial entre as duas pastas – Educação e Ciência e Tecnologia – não é formar “automaticamente” 75 mil pesquisadores, e sim integrá-los às instituições de ensino superior e às empresas, com o intuito de transformar o conhecimento e a inovação. “Vamos formar a base de pensamento educacional do país”, justificou.

O programa, lançado com a presença de ministros da área econômica, dentre eles o da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, vai custear 100 mil bolsas de intercâmbio do nível médio ao doutorado, em mais de 200 universidades estrangeiras, nas áreas de Engenharia e Tecnologia, Ciências da Saúde e Ciências Biológicas, dirigidas a estudantes e pesquisadores brasileiros. Enquanto o governo federal vai oferecer 75 mil bolsas, as 25 mil restantes resultam de convênios com a iniciativa privada.

Investir para progredir

A prioridade é investir forçosamente em Engenharias, Computação, Tecnologia Aeroespacial, Ciências Exatas (Matemática, Física e Química), Produção Agrícola e demais modalidades tecnológicas, visando alavancar o progresso científico, tecnológico e competitivo no país. "O Brasil precisa dar um salto em inovação, ciência e tecnologia", afirmou Dilma. Para ela, o Ciência sem Fronteiras terá como critério substancial o mérito e atenderá às demandas das camadas mais carentes da sociedade.

“Nós não estamos fazendo um programa baseado no ‘quem indica’. Estamos criando no Brasil ações orientadas pelo mérito dentro de um quadro de um grande esforço de garantir que as populações mais pobres tivessem acesso ao mérito”, ponderou Dilma Rousseff.

Ela ainda pontuou que estudantes oriundos de comunidades pobres, a serem beneficiados pelo projeto, serão pré-selecionados pelo Programa Universidade para Todos (ProUni) e pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) para obter bolsas de intercâmbio acadêmico no exterior utilizando-se do critério do mérito. Segundo a presidente, o programa, válido para todas as regiões brasileiras e com público-alvo de 124 mil alunos, contemplará, além do mérito, questões de gênero e de etnia.

Nos últimos oito anos, conforme ressaltou Dilma, o crescimento econômico no país gerou dilemas exorbitantes na área de infraestrutura e, além disso, há, no mercado de trabalho, uma carência enorme de profissionais de Engenharias e de Ciências Biológicas. "Hoje, nós não precisamos apenas de engenheiros nas tesourarias dos bancos, mas para fazer projetos, trabalhar na infraestrutura e na área de pesquisa”, explicou.

Setor privado em baixa

O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, apontou o baixo investimento da iniciativa privada em projetos de pesquisa e de desenvolvimento como um dos problemas na produção de patentes no Brasil. De acordo com Mercadante, enquanto 2/3 (dois terços) das patentes registradas no exterior originam-se da iniciativa privada, a procedência do mesmo fenômeno, ao ser verificado no país, se atribui às universidades públicas.

Das 75 mil bolsas ofertadas pela União através do Ciência sem Fronteiras, 27,1 mil vão subsidiar alunos de graduação; 24,5 mil, a alunos que cursam doutorado no período de um ano; 9,7 mil para doutorado integral e 2,6 mil serão destinadas a pós-doutorado. Quanto ao restante das bolsas, que serão oferecidas nas instituições estrangeiras, 700 servirão de benefício ao treinamento de especialistas; 860 serão direcionadas a jovens cientistas e grandes talentos e 390, a pesquisadores visitantes no país.

A seleção e a oferta das bolsas, cujo valor médio, segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia, é US$ 800 mensais, serão administradas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Estudantes devem se inscrever para as bolsas neste ano, porém a data ainda não foi definida pelo governo.

Seminário lança observatório de mídia

A fim de debater sobre a violação dos direitos humanos na mídia baiana, evento será realizado em 11 de agosto, no auditório da Facom

Os veículos de comunicação brasileiros, atualmente, vêm abrindo espaço para a divulgação constante de cenas e episódios sensacionalistas, propiciando a consequente violação da cidadania e dos direitos humanos, inclusive na Bahia. Embasando-se nesse pressuposto, acontecerá no dia 11 de agosto (quinta-feira), às 9 h, no auditório da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/Ufba), em Ondina, o Seminário Observatórios de Mídia e Direitos Humanos.

Promovida pelo Centro de Comunicação, Democracia e Cidadania (CCDC), organismo vinculado à Facom, a iniciativa objetiva o lançamento do Observatório de Mídia da Bahia, feito inédito no estado, baseado em compilação de dados levantados em pesquisa concernente à transgressão dos direitos humanos explorada na mídia baiana realizada desde 2010. O evento tem como proposta difundir um ambiente favorável de mediação e reflexão a respeito do papel da mídia e do direito humano à comunicação através da participação de ativistas de direitos humanos e representantes da sociedade civil e de universidades.

Articulado a outras experiências brasileiras na implementação de observatórios de imprensa, o Seminário Observatórios de Mídia e Direitos Humanos também pretende promover, pelas ações desenvolvidas em grupos de trabalho, um intercâmbio de metodologias, mobilização social e encaminhamento legais a partir de monitoramentos de mídia. Na oportunidade, será lançada a publicação A construção da violência na televisão da Bahia, em versões multimídia e livro.

Serviço

Evento: Seminário Observatórios de Mídia e Direitos Humanos

Data e horário: 11 de agosto (quinta-feira), a partir das 9 h

Local: Auditório da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/Ufba) - Rua Barão de Geremoabo, s/n, Ondina

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Inscrições para concurso do CRMV-BA estão abertas

Exame do Conselho Regional de Medicina Veterinária preencherá 8 vagas efetivas e formará cadastro de reserva para 11 cargos de níveis fundamental, médio e superior

Foram abertas, na última segunda-feira (18), as inscrições para o concurso público do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado da Bahia (CRMV-BA). O concurso terá como objetivos o preenchimento, pelo concorrente, de 8 vagas efetivas e a formação de cadastro de reserva em onze cargos laborais. Distribuídos em todos os níveis de escolaridade – fundamental, médio e superior –, os cargos contêm remunerações que oscilam na faixa salarial situada entre R$ 787,24 e R$ 2.273,05, com benefícios adicionais concedidos pelo CRMV-BA.

Os interessados podem se inscrever pelo endereço eletrônico http://www.quadrix.org.br/. As inscrições, a serem expiradas no dia 16 de setembro, devem ser pagas em qualquer agência bancária, no horário de expediente bancário, com o boleto preliminarmente impresso. As provas serão aplicadas no dia 2 de outubro, domingo, exclusivamente em Salvador.

Executado pelo Instituto Quadrix de Tecnologia e Responsabilidade Social, uma organização não-governamental (ONG) com sede em Brasília, o processo seletivo do CRMV-BA oferece vagas efetivas nos cargos de auxiliar administrativo (3 vagas), fiscal (2 vagas), recepcionista ou telefonista (2 vagas) e contador (1 vaga). Os cargos que exigem formação de cadastro de reserva são os mesmos, acrescentados de mais sete: advogado, analista de comunicação, assistente administrativo, auxiliar de serviços gerais, motorista, técnico em contabilidade e técnico em informática.

Requisitos necessários

A oferta para auxiliar de serviços gerais é a única para candidatos que concluíram o Ensino Fundamental. Já os aspirantes a assistente administrativo, auxiliar administrativo, fiscal, motorista, recepcionista ou telefonista, técnico em contabilidade e técnico em informática têm como requisito básico o certificado de conclusão do Ensino Médio, além de requisitos específicos em algumas profissões. Candidatos a advogado, analista de comunicação e contador devem ostentar diploma de conclusão de graduação de nível superior e registro em seus respectivos conselhos de classe.

Todos os cargos do concurso público apresentam jornada de trabalho de 8 horas diárias, exceto contador, recepcionista e telefonista (6 horas) e advogado (4 horas). Na remuneração salarial, os benefícios concedidos pelo empregador são tíquete-refeição no valor de R$ 15, vale-transporte e plano de assistência médica, com a participação do empregado.

Provas em 2 de outubro

O concurso constará de três fases de provas: objetiva, discursiva e de títulos, aplicadas em 2 de outubro - data suscetível a alteração -, em Salvador, em local e horário a serem designados brevemente no site do Instituto Quadrix, de preferência no período vespertino, com duração de 4 horas. De caráter classificatório e eliminatório, as provas objetivas do processo seletivo serão aplicadas para egressos dos níveis fundamental, médio e superior, qualificando-lhes as habilidades e os conhecimentos gerais e específicos.

Diferenciadas, as provas objetivas, distribuídas igualmente em 50 questões de múltipla escolha com cinco alternativas em cada uma, contemplarão conteúdos programáticos em conformidade com cada nível de instrução. Com semelhante caráter avaliativo que as provas objetivas, as discursivas são destinadas para cargos de níveis médio e superior.

Restritas a concorrentes com ensino superior completo, as provas de títulos, de natureza classificatória, avaliarão os títulos de pós-graduação nas categorias Doutor, Mestre e Pós-Graduação Lato Sensu e/ou Especialista. Para a sua obtenção, é necessário comprovar o diploma devidamente registrado (título de Doutor ou Mestre). Aspirantes a pós-graduados lato sensu ou especialistas necessitam de certificado de curso na área específica, devidamente registrado. Tanto o diploma quanto o certificado devem ser expedidos por qualquer instituição oficial devidamente reconhecida pelo Ministério da Educação.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Quatro bancos podem voltar ao mercado

Bancos Econômico, Bamerindus, Nacional e Mercantil de Pernambuco, liquidados extrajudicialmente após intervenção do Banco Central, poderão retornar suas operações financeiras regularmente

Com informações da Tribuna da Bahia Online

O empresário Ângelo Calmon de Sá, ex-presidente do extinto Banco Econômico, confirmou, em depoimento ao repórter Adriano Villela, do jornal Tribuna da Bahia, que solicitou, em dezembro de 2010, a solução da dívida da instituição financeira, podendo retornar a operá-la. No entanto, Calmon de Sá declarou a hipótese de não reabertura do banco, falido em 1996, um ano após o Banco Central do Brasil sofrer intervenção.

Processos contra devedores do Econômico, cujos créditos seriam salvos pelos acionistas, ainda perpetuam em sua massa falida, que está em processo de liquidação extrajudicial. Além do banco baiano, outras instituições em situação idêntica, também extintas na segunda metade dos anos 1990, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, como o Bamerindus, o Nacional e o Mercantil de Pernambuco, poderão voltar a funcionar.

Com base no Artigo 65 da Lei nº 12.249, sancionada em 11 de junho do ano passado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que propõe deduções em juros e multas para refinanciamentos no prazo de até 15 anos, o Econômico e o Mercantil de Pernambuco já estão com as dívidas renegociadas, condicionando a desistência de ações judiciais.

“Nós já pagamos R$ 16 bilhões ao Banco Central e pagaríamos mais R$ 16 bilhões. Os acionistas não receberiam nada, mas precisamos de dinheiro para pagar os outros credores”, explica Ângelo Calmon de Sá, também ex-ministro da Indústria e do Comércio no governo do general Ernesto Geisel, entre 1977 e 1979, e secretário do Desenvolvimento Regional nos meses finais da gestão do atual senador Fernando Collor (PTB-AL), de abril a outubro de 1992.

Divergência

Apesar de o encerramento das reclamações na Justiça fosse cumprido em dezembro do ano passado, Calmon de Sá admite uma divergência quanto aos valores computados pelo Banco Central. “O Banco Nacional, que também tem dívidas com o BC, ofereceu em torno de R$ 16 bilhões ao Banco Central. Junto com o Econômico, seriam mais de R$ 30 bilhões”, conclui o ex-dono do banco, extinto aos 161 anos, à Tribuna da Bahia.

Uma nota da assessoria do Banco Central promete informar o valor consolidado de cada instituição financeira em liquidação extrajudicial, indicando critérios jurídicos utilizados para sua determinação. O documento ainda antecipou a expedição das respostas aos bancos que aderiram à Lei nº 12.249. Além disso, a nota “concede prazo para os devedores indicarem a forma de pagamento e efetuarem o pagamento total ou da primeira prestação mensal”.

De acordo com Calmon de Sá, os bancos Mercantil de Pernambuco e Bamerindus, liquidados em 1995 e 1997, respectivamente, haviam fechado acordo com o Banco Central. O Mercantil foi de propriedade do empresário e ex-ministro da Agricultura (1961-1962) Armando Monteiro Filho, pai do presidente da Confederação Nacional da Indústria, senador Armando Monteiro Neto (PTB-PE), ao passo que o Bamerindus era vinculado ao banqueiro José Eduardo de Andrade Vieira, ex-senador pelo Paraná e ex-ministro da Indústria, do Comércio e do Turismo (1992-1993) e da Agricultura, Abastecimento e Reforma Agrária (1993 e 1995-1996).

Acúmulo de dívida

Os quatro bancos em liquidação, Econômico, Mercantil de Pernambuco, Bamerindus e Nacional – pertencente à família de Magalhães Pinto, ex-governador de Minas Gerais de 1961 a 1966 –, juntos, possuem uma dívida correspondente a R$ 57 bilhões. O valor acumulado provém de socorros financeiros às empresas citadas, como o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer), adotado nos governos do ex-presidente FHC, e saldos de saques a descoberto na conta Reservas Bancárias.

Quando o Banco Econômico sofreu intervenção pelo Banco Central, em agosto de 1995, ele era a oitava maior instituição financeira do país, possuindo 279 agências em 15 estados e no Distrito Federal, 800 mil correntistas e 9,5 mil funcionários. Um ano depois, foi oficialmente extinto, sendo incorporado pelo grupo Excel, do banqueiro Ezequiel Nasser, e rebatizado de Banco Excel-Econômico até 1998.

Mercado à soteropolitana

É superfantástico observar a impressionante lucidez na guinada radical que está se manifestando no maior Carnaval do universo nos tempos hodiernos. De fato, refere-se a uma sofisticada explosão na esplêndida, apoteótica e magnífica festividade popular da cidade da Bahia. Comércio de abadás, invasão gritante de camarotes luxuosos no circuito alternativo, números musicais sendo executados em alta rotação nas estações radiofônicas e similares, esses itens, como se sabe, são frutos bem-sucedidos do show business baiano, plantados por ambiciosos e visionários empresários do setor, sejam proprietários de estúdios ou donos de blocos e bandas.

Gradativamente, a folia soteropolitana está corroendo suas raízes, ou melhor, sua originalidade e autenticidade artística e cultural, quando ela era voltada para as multidões numa época de neutralidade e vácuo comercial, com inesquecíveis marchinhas, o autêntico samba - tendo nosso estado como berço - e ritmos percussivos importados da África, aprimorados por percussionistas daqui. Era um estágio em que a pluralidade sonora dirigia-se, no sentido denotativo, ao povo de Salvador, embora excludente dos benefícios assistenciais. A elite, na contramão da monumental massa real, frequentava clubes carnavalescos tradicionais, com ênfase para o Cruz Vermelha, o Fantoches da Euterpe e o Inocentes em Progresso.

Naqueles espaços momentâneos remotos, o grosso da folia era nucleado no que hoje denomina-se Circuito Osmar, conexão entre o Campo Grande e a Praça da Sé, além da tradição histórica do Pelourinho, cujos estigmas são a nostalgia de antigos carnavais e o toque retumbante da percussão. Contudo, na folia contemporânea sobra um pouco dos seus primórdios, alheios ao orbe intuitivamente turístico-comercial, concentrado no Circuito Barra-Ondina, importante reduto de circulação de hóspedes. É nessa elitizada zona festeira, bem como suas circunvizinhanças, a orla marítima e seu entorno, onde o crescente supermercado do Carnaval, regular ou paralelo, está se transformando num ritual lucrativo, priorizando os blocos que estão em evidência.

A conversão do Carnaval de Salvador em grandioso elemento lúdico se deu, entre outros fatores afirmativos, ao florescimento de blocos e bandas de matriz africana (Filhos de Gandhy, Ilê Aiyê, Olodum, Malê de Balê, Muzenza, etc.), somado à ascensão de novos magnatas da nossa indústria do entretenimento, tendo como precursor o administrador de empresas e produtor musical Wesley Rangel. Fazendo jus às iniciais de seu nome - WR -, que batizam seu lendário estúdio, o maior e mais equipado do Norte/Nordeste, Rangel e equipe obtiveram papel crucial no impulsionamento fonográfico em território baiano, produzindo volumes estratosféricos de álbuns registrados por cantores e grupos locais.

O senso comum e a mídia atribuem a fundação, a paternidade e o pioneirismo do movimento conhecido contemporaneamente por axé music ou, abreviado, axé, ao cantor, compositor e multi-instrumentista Luiz Caldas, entretanto a gestação do esquema efetuou-se na década de 1970, quando lançaram seus pilares: as principais agremiações influenciadas pela sonoridade procedente das terras africanas. Tomamos como exemplos o Ilê Aiyê, inventado no Curuzu, Liberdade, em 1974; o Olodum, no Maciel-Pelourinho, em 1979; e o Malê de Balê, estabelecido por pescadores de Itapuã, em 1979. Um conjunto surgiu, na porção introdutória da temporalidade subsequente, misturando rock, forró e galope: o Chiclete com Banana, genuíno pontapé inicial para a escalada multiplicativa que conhecemos atual e habitualmente por axé.

Jovem, talentoso, eclético e versátil, o feirense Luiz Caldas, à frente do grupo Acordes Verdes, formado pelos próprios músicos do WR no primeiro quartel dos anos 1980, aperfeiçoou o estilo, com o jovial acréscimo do afoxé e de ritmos caribenhos à textura estética preestabelecida pelo Chiclete. O LP de estreia do músico, Magia, de fins de 1985, abriu as portas do inédito fenômeno tropical da Bahia ao mercado brasileiro via Fricote, ou Nega do cabelo duro, composição dele e de Paulinho Camafeu, canção que, apesar de polêmica, tornou-se um verdadeiro emblema. Seguindo o rastro do mestre Luiz, veio, a reboque, um comboio astral: Sarajane, Gerônimo, Banda Reflexu's, Cheiro de Amor, Ricardo Chaves, Margareth Menezes, Asa de Águia, Banda Beijo...

Dentro desse explícito modus operandi efervescente, o axé music - termo pejorativo cunhado em 1987 pelo jornalista roqueiro baiano Hagamenon Brito em alusão à irresistível manifestação rítmica nativa - ultrapassou divisas e fronteiras a partir da disseminação de micaretas de norte a sul do Brasil e megaespetáculos no país e no exterior. Acabou, portanto, sendo um movimento tipo exportação, contornando seu matiz e seu apelo estritamente comerciais. Obedecendo a esses signos, Salvador passou de fato por uma invasão inter-regional e alienígena nos circuitos do nosso Carnaval, intercâmbio de culturas, sons, tons, tonalidades, batuques, vertentes, timbres e tribos.

Sabemos, a priori, que os audaciosos magos do nosso show business colaboraram na expansão mercadológica carnavalesco-axezeira, mas eles tiveram o respaldo e o estímulo de conglomerados midiáticos locais e nacionais para divulgar o gênero híbrido de samba, rock, pop, reggae, afoxé e percussivo. Impulsionados por tal respaldo, uma safra genial de astros eclodiu nos decênios seguintes, em progressão geométrica, porém alguns deles não alcançaram êxito e mérito semelhantes. Os expoentes que se consagraram nessas fases foram Daniela Mercury, Carlinhos Brown, Ivete Sangalo, Saulo Fernandes, Cláudia Leitte, Alinne Rosa, Adelmo Casé, Tomate e companhia ilimitada.

Invenção do designer gráfico Pedrinho da Rocha, famoso por conceber capas de discos gravados por cantores e bandas da Bahia, datada de 1993, com o axé já ecoando em profusão onipresente em todos os âmbitos, o abadá entrou em cena, substituindo a obsoleta mortalha, como vestuário exclusivo dos foliões. A multicolorida indumentária, de uso obrigatório para quem sai em blocos, geralmente a coletividade juvenil, é espécie de passaporte do entusiasmo nos seis dias da folia soteropolitana. O boom do abadá ganhou potencial absoluto quando surgiram lojas especializadas - as renomadíssimas são a Central do Carnaval, chefiada pelo inteligente ex-professor Joaquim Nery Filho, fundador do Camaleão; a Axé Mix, controlada pelo grupo Caco de Telha; e o Reino da Folia, comandado pelo Asa de Águia, em referência a seu líder, Durval Lelys, o "Durvalino Meu Rei".

Unidas, as três gigantes detêm o oligopólio mercantil de artefatos carnavalescos de Salvador, cujo propósito é vender dias festivos em formato de abadá, simbolizando um rico sortimento de agremiações, guiadas por um único ou vários artistas, no mínimo dois ou três. Vemos, aliás, que o divertimento sublime do nosso calendário de festas populares apresenta natureza meramente comercial, turística e ainda publicitária, com a estratégia corporativa de fazer com que os Midas axezeiros lucrem bastante, em contínuo detrimento das massas, e de atrair viajantes oriundos de cidades, estados e nações diversificados, deslumbrados pela beleza e pelo clima da Boa Terra. A finalidade do Carnaval soteropolitano é a incrementação e o sacramento de seu aparato mercadológico elitizado.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Bahia recebe congresso de carreiras

Estudantes de nível médio e superior e profissionais dos mais diversos segmentos marcarão presença no Congresso Brasileiro de Carreiras e Oportunidades, entre 24 a 26 de agosto, no Centro de Convenções da Bahia. O objetivo do evento é apresentar ao público-alvo mencionado todas as probabilidades de negócios e reunir, num único espaço, palestras, mesas-redondas, desafios e entretenimento.

Além de oferecer palestras e mesas-redondas concernentes às áreas de humanas, exatas, saúde, empreendedorismo e eventos, a estrutura do congresso contará, dentre outros atrativos, com testes vocacionais, central de currículos, exposições artísticas, shows e apresentações de dança.

O participante ainda terá a honrosa oportunidade de esclarecer dúvidas e sugestões sobre processos seletivos – vestibulares e concursos –, inscrição no Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies), descontos especiais com empresas especializadas em carreira profissional, formação e formatura universitárias.

Patrocinado pelo Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), o Congresso Brasileiro de Carreiras e Oportunidades receberá três nomes do seu quadro institucional, já confirmados, para ministrar as respectivas palestras. Todas elas ocorrerão no dia 25 de agosto.

A diretora de Desenvolvimento Humano da Unijorge, Patrícia Junquilho, comentará a mudança no perfil profissional esperado pelas organizações, às 10:40. Em seguida, às 14 h, a carreira nas redes sociais é o tema da palestra ministrada pela coordenadora do Centro de Desenvolvimento e Articulação Profissional da instituição, o Carreiras, Maria Alessandra Calheira. Por fim, a professora do curso de Publicidade e Propaganda, Fernanda Carrera, explicará como alguém pode ser convidado para a “festa” das mídias sociais, a partir das 16:30.

Na condição de alunos da Unijorge, os participantes terão vantagens exclusivas para comparecer ao congresso, a começar pelo desconto para a aquisição do passaporte em uma das lojas da Central do Carnaval, localizadas nos shoppings Iguatemi e Barra, no Aeroporto e em Praia do Forte. Um stand de vendas para o evento será disponibilizado no Nível 4 do Prédio 1 do Campus Paralela do centro universitário, no período de 1º a 5 de agosto.

Contatos:

Hugo Gonçalves - (71) 8702-3814 / hugo_goncalves2005@hotmail.com

Luto tricolor: morre Lourinho, torcedor-símbolo do Bahia

Lourival Lima dos Santos, ex-chefe de torcida e figura constante nos jogos do clube, morreu hoje aos 71 anos

Com informações do Correio* 24 Horas e do site oficial do Esporte Clube Bahia

Torcedor-símbolo do Bahia faleceu em Teresina, cidade onde morava desde 2002
(Foto: Divulgação/Esporte Clube Bahia)

Mais uma vez a legião tricolor está enlutada. O torcedor-símbolo do Esporte Clube Bahia, Lourival Lima dos Santos, popularmente conhecido como Lourinho, morreu nesta terça-feira (19), aos 71 anos, em Teresina, capital do Piauí, onde residia desde 2002. Em seus derradeiros instantes de sua vida, Lourinho estava debilitado e enfrentando problemas de saúde, locomovendo-se com o auxílio de cadeira de rodas.

Nas décadas de 1970, 1980 e 1990, Lourinho, ex-chefe de torcida, era personalidade cativa na maioria dos jogos que o Bahia disputou no hoje demolido Estádio Octávio Mangabeira, a Fonte Nova, integrando o imaginário da coletividade do Esquadrão de Aço. Sua última aparição no estado foi em 2009, no Estádio de Pituaçu, quando da partida comemorativa dos 20 anos do bicampeonato brasileiro de 1988.

Antes do torcedor-símbolo, outras personalidades tricolores haviam se partido neste ano. O ex-lateral-direito Leone, capitão da equipe que faturou o título pioneiro em patamar nacional, a Taça Brasil de 1959, e o médico Rubem Bahia Ribeiro, ponta-esquerda da primeira formação do time de futebol, em 1931, faleceram em Minas Gerais, em circunstâncias distintas. Leone morreu em 14 de junho, em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, de câncer no fígado; e Rubem Bahia, treze dias depois, na capital mineira, aos 100 anos.

Lourinho, recentemente, foi um dos entrevistados do documentário longa-metragem Bahêa minha vida, dirigido por Márcio Cavalcante, cuja estreia nos cinemas será em agosto.

Lamento

Em comunicado veiculado em seu site oficial, o Bahia, por meio da diretoria, notificou lamentavelmente a morte de Lourinho. A íntegra:

"É com grande pesar que o Esporte Clube Bahia comunica o falecimento de Lourival Lima dos Santos, conhecido como Lourinho, ex-chefe de torcida e personalidade atuante no antigo estádio da Fonte Nova, nos jogos do Esquadrão de Aço, nas décadas de 70, 80 e 90, aos 71 anos.

Desde 2002, Lourinho morava em Teresina, no Piauí, e vinha enfrentando problemas de saúde.

A diretoria do Esporte Clube Bahia lamenta profundamente o passamento deste grande tricolor e presta os mais sinceros votos de pêsames aos seus familiares e amigos."

Cursos de cinema são oferecidos em ciclo

Destacados profissionais da sétima arte conduzirão três cursos gratuitos no 3º Ciclo Salvador de Cinema, que acontecerá entre agosto e setembro, na Caixa Cultural

Com informações do site do evento e da Laboratório da Notícia

O Ciclo Salvador de Cinema, que está em sua terceira edição, oferecerá, entre os dias 31 de agosto a 4 de setembro, na Caixa Cultural Salvador, na Rua Carlos Gomes, Centro, três cursos gratuitos com fundamentos e conceitos relativos à sétima arte. Ministrados por profissionais conceituados do audiovisual brasileiro, todos eles ocorrerão em período integral (manhã e tarde), em ambos os dias, exceto o curso de Assistência de Direção, que dura somente um dia.

Assistente de direção há mais de 15 anos, com cerca de 20 longas-metragens acumulados no currículo, dentre eles Carandiru (direção de Hector Babenco, 2002), Diários de motocicleta (direção de Walter Salles Júnior, 2004) e Cidade Baixa (direção de Sérgio Machado, 2005), Márcia Faria ministrará o curso inaugural do ciclo, intitulado Assistência de Direção. Destinado a profissionais e estudantes que desejam se aprimorar no setor, conhecendo a metodologia de trabalho de uma renomada assistente, o curso acontecerá no dia 31 de agosto, das 9 às 13 h e das 15 às 18 h.

Nos dias 1º e 2 de setembro, no mesmo horário, estudantes de cinema e profissionais de cinema e televisão terão espaço garantido para assistir ao curso de Montagem, conduzido pela montadora e cineasta pernambucana Karen Harley. A instrutora, que em seus 21 anos de carreira editou longas do calibre de O quatrilho (direção de Fábio Barreto, 1994) e Cinema, aspirinas e urubus (direção de Marcelo Gomes, 2005) e o documentário Janela da alma (direção de João Jardim e Walter Carvalho, 2001), e codirigiu o premiado documentário Lixo extraordinário (2009), em associação com João Jardim e Lucy Walker.

Encerramento com produtores

As perspectivas da produção executiva de longas-metragens no Brasil, as estratégias, os planejamentos, os orçamentos e as demais atribuições da função serão explanados no terceiro e último curso do 3º Ciclo Salvador de Cinema, batizado exatamente de Produção Executiva. Seus instrutores são o produtor, diretor e roteirista baiano Lula Oliveira e a produtora executiva carioca Tereza Gonzalez, professora da pós-graduação Film and Television Business da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro.

Iniciadas em 10 de julho, as inscrições para o 3º Ciclo Salvador de Cinema, organizado pelas produtoras cinematográficas Domínio Público e Vatapá Produções e patrocinado pela Caixa Econômica Federal, estão abertas até 10 de agosto, através do site do evento. A participação do espectador no ciclo está condicionada a uma seleção mediante inscrição, currículo e carta de motivação.

Serviço

Evento: 3º Ciclo Salvador de Cinema

Data e horário: 31 de agosto (quarta-feira) a 4 de setembro (domingo), das 9 às 13 h e das 15 às 18 h

Local: Caixa Cultural - Rua Carlos Gomes, 57, Centro

Programação

31 de agosto (quarta-feira)

Assistência de Direção
Instrutora: Márcia Faria - Assistente de direção e cineasta

1º e 2 de setembro (quinta-feira e sexta-feira)

Montagem
Instrutora: Karen Harley - Montadora e cineasta

3 e 4 de setembro (sábado e domingo)

Produção Executiva
Instrutores: Lula Oliveira - Produtor, diretor e roteirista
Tereza Gonzalez - Produtora executiva

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Margareth se apresenta em show beneficente

Cantora e compositora é a anfitriã do espetáculo Canto pela Paz, que acontecerá neste domingo, no TCA, para promover a paz através da arte e refletir sobre a destruição do planeta

Com informações de A Tarde Online e da assessoria de comunicação de Margareth Menezes

Margareth Menezes coassina a direção do show com seu cunhado, o ator Jackson Costa
(Foto: Estúdio Gato Louco/Divulgação)

Tendo o intuito de estimular a paz através da manifestação artística e de induzir a sociedade na reflexão sobre a devastação ecológica do planeta Terra, o espetáculo beneficente Canto pela Paz - Uma Noite de Música e Poesia, comandado pela cantora e compositora Margareth Menezes, será realizado neste domingo (17), às 20 h, na sala principal do Teatro Castro Alves (TCA).

Além da anfitriã, que interpretará algumas canções selecionadas para a ocasião, o show reúne a cantora Alcione, os cantores e compositores Roberto Mendes, Xangai, Juraildes da Cruz e Fábio Santos e o ator e apresentador do programa Aprovado, da Rede Bahia, Jackson Costa. Este último, por sinal, é irmão do marido de Margareth, o artista plástico Robson Costa.

Margareth, defensora aguerrida das causas socioambientais, compartilha com Jackson a concepção e a direção do show Canto pela Paz. Enquanto o ator, que recitará poesias na noite do espetáculo, é o encarregado da direção artística, a cantora é a diretora musical.

Os ingressos para o evento beneficente custam R$ 20 (meia) e R$ 40 (inteira), e podem ser adquiridos na bilheteria do TCA. A renda será revertida para a organização não-governamental (Ong) Associação Novo Encanto de Desenvolvimento Ecológico, que atua na conscientização humana para a sustentabilidade.

Dona Canô recebe alta

Internada desde a quinta-feira passada, matriarca dos Veloso deixa Hospital São Rafael e seguirá direto para Santo Amaro

Com informações do Correio* 24 Horas e da Tribuna da Bahia Online

Últimos exames efetuados em Dona Canô não diagnosticaram nenhum problema
(Foto: Marco Aurélio Martins/Agência A Tarde)

Após uma semana internada, Claudionor Viana Teles Veloso, 103 anos, mais conhecida como Dona Canô, recebeu alta na manhã desta quinta-feira (14) do Hospital São Rafael, no bairro de São Marcos, em Salvador. Mãe de oito filhos, sete biológicos - incluindo os cantores Caetano Veloso e Maria Bethânia - e uma adotiva, a centenária encontrava-se internada desde o dia 7, com dores abdominais e falta de ar.

Ela foi transferida da Unidade Cardiovascular Intensiva (UCI) para um quarto na manhã desta terça-feira. O último boletim médico, divulgado na última terça-feira (13) pela assessoria de imprensa do Hospital São Rafael, informa que os novos exames realizados na matriarca da família Veloso não diagnosticaram nenhum problema.

De acordo com uma de suas filhas, a escritora Mabel Veloso, Dona Canô passou uma noite tranquila, dormindo bastante. Mabel ainda aponta que elas irão seguir diretamente para Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo baiano, onde ela nasceu e reside.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Paulo Sérgio Passos é efetivado

Ministro interino dos Transportes desde a exoneração de Alfredo Nascimento, ex-secretário-executivo, que fora titular por duas vezes, foi mantido no cargo pela presidente Dilma Rousseff

Com informações da Folha Online e do G1

Passos foi confirmado depois da rejeição do senador Blairo Maggi em assumir ministério
(Foto: Renato Araújo/Agência Brasil)

O ex-secretário-executivo do Ministério dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, que vinha ocupando interinamente a titularidade da pasta, foi efetivado no cargo na noite desta segunda-feira (11) pela presidente da República, Dilma Rousseff (PT). Filiado ao Partido da República (PR) desde o ano passado, Passos é economista e havia sido ministro em duas ocasiões, de 2006 a 2007 e de março a dezembro de 2010.

Ele assumira o ministério em caráter provisório na última quarta-feira (6) no lugar de Alfredo Nascimento (PR-AM). A efetivação de Passos foi anunciada por Dilma logo após o senador Blairo Maggi (MT), correligionário de Nascimento, rejeitar a solicitação da presidente para comandar a pasta.

Segundo nota da Presidência, direcionada à imprensa, o convite da indicação em caráter definitivo do ex-secretário-executivo, uma das eminentes autoridades públicas no setor de transportes, foi aceito. Em consequência, Nascimento reassume o mandato de senador, eleito em 2006, atualmente preenchido por seu suplente, o petista João Pedro.

Um nobre funcionário

Natural de Muritiba, no Recôncavo baiano, Paulo Sérgio Oliveira Passos, 60 anos, graduou-se em Economia pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), com pós-graduação em Planejamento pela Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo. Ingressou no serviço público federal em 1973, como assessor e coordenador da Coordenadoria de Acompanhamento e Avaliação da Programação do Ministério dos Transportes, exercendo vários cargos até 1990.

Nos anos subsequentes, foi secretário-adjunto de Orçamento Federal do Ministério do Planejamento e secretário de Administração Geral do extinto Ministério do Bem-Estar Social, até que, em 1994, foi assessor parlamentar na Câmara dos Deputados. Regressou à pasta dos Transportes entre 2001 e 2002, no segundo governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), para o cargo de secretário-executivo.

Titular por dois momentos

Passos foi reconduzido à mesma função em 2004, pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando ele designou o ex-prefeito de Manaus, Alfredo Nascimento, para o Ministério dos Transportes. Com a exoneração do amazonense para concorrer ao Senado nas eleições de 2006, assumiu pela primeira vez a titularidade da pasta, perpetuando até março de 2007, quando Nascimento a reassumiu, já na segunda gestão de Lula.

Em abril do ano passado, quando Nascimento renunciou ao cargo a fim de disputar o governo do Amazonas – pleito vencido por Omar Aziz (PMN) –, Paulo Sérgio Passos tornou-se ministro pela segunda vez. "É um ministério de grandes desafios. Temos grandes obras a realizar, mas vamos dar continuidade ao excelente trabalho realizado pelo ministro Alfredo", afirmou ele na época. Nessa ocasião, ele foi titular por oito meses.

Com a posse da presidente Dilma e o consequente retorno do já candidato derrotado ao governo do Amazonas, Alfredo Nascimento, ao Ministério dos Transportes, Passos retornou à secretaria-executiva. O agora ministro definitivo é casado há 35 anos com a cantora, compositora e instrumentista baiana Rosa Passos, com quem tem três filhos: o jornalista Alexandre, o advogado Leonardo e a médica veterinária Juliana.

Senhora Miscelânea

A comerciante Wania Sandes faz da arte de vender bijuterias e outras quinquilharias um excelente negócio

Wania usa a maior parcela de seu tempo para se dedicar mais a sua empresa
(Foto: Hugo Gonçalves)

Vendas de acessórios. O árduo cotidiano da comerciante Wania Sandes dos Santos é basicamente traduzido nesse rentável e fecundo negócio, que otimiza o seu trabalho. Para ela, que trabalha desde a adolescência, a ideia de montar um ponto de venda surgiu devido à sua paixão pela confecção de bijuterias, uma das categorias de quinquilharias comercializadas na sua loja.

Wania, carioca radicada na Bahia há 22 anos, fica mais tempo dedicando a seu estabelecimento do que a sua residência. "Cada dia eu faço uma coisa diferente. Eu fico na loja às vezes, vou na rua comprar, eu viajo", esclarece, sintetizando seu hábito rotineiro.

Capitaneada por ela, a Malagueta Acessórios, localizada na Boca do Rio, comercializa, além de bijuterias, uma miscelânea de mercadorias, tais como bolsas, perfumes com fragrâncias importadas, cosméticos para maquiagem, relógios, chapéus, bonés, mochilas e malas para viagem. A maioria dos clientes da empresa são mulheres, atraídas por seus produtos.

De telefonista a vendedora

Wania nasceu na cidade do Rio de Janeiro há 57 anos. Seu próspero currículo profissional teve início prematuro, como telefonista. Antes de tornar-se vendedora, era promotora de vendas na extinta rede de lojas de departamento Mesbla, no Méier e na Tijuca, ambos na Zona Norte da capital fluminense.

Durante sua fase juvenil, a comerciante era vidrada em fotonovelas e horóscopo, porém nunca gostou de ler fofocas de celebridades, coisa que a mãe dela, dona Regina, assina em forma de revista Contigo!. Quando concluiu o segundo grau (hoje Ensino Médio), foi prestar vestibular para Química uma vez, entretanto ela não foi aprovada.

Transferiu-se para Salvador em abril de 1989, a convite de um cunhado seu, na época diretor de uma empresa de vendas. Casou-se duas vezes, porém hoje está divorciada. Em cada núpcia, gerou dois filhos, o relações-públicas de uma empresa de entretenimento e biólogo Jansen, e a estudante de Jornalismo e cantora Jessica. "Nós somos muito amigos", declara Wania, referindo-se à sua cumplicidade com os filhos.

Longa amizade

A vendedora e caixa da Malagueta, Elisangela Almeida Matos, mantém uma amizade persistente com Wania há mais de 10 anos, quando a proprietária da loja de acessórios era promotora. "Na verdade, nós vendemos, atendemos e fazemos reposição de mercadorias", afirma Elisangela, que, embora exercesse múltiplas funções no estabelecimento, uma única consta em sua carteira de trabalho: a de balconista.

Wania não tem paciência para se conectar à internet, porém utiliza-a como ferramenta de trabalho e de pesquisa. O único site que ela acessa com frequência é o Orkut, um dos endereços eletrônicos de relacionamento mais populares.

Na visão dela, a beleza é uma virtude, independentemente da vaidade. "Às vezes, a pessoa não é vaidosa e é bonita. Agora, a vaidade intensifica a beleza", conta a comerciante. Avó coruja, tem uma neta, Yasmin, de 4 anos, filha de Jansen.