sábado, 30 de abril de 2011

Comandante da PM-BA deixa cargo

Secretário da Segurança Pública, Maurício Barbosa, decide exonerar o coronel Nilton Mascarenhas

Há dois anos como comandante geral da Polícia Militar da Bahia, o coronel Nilton Régis Mascarenhas se afastará do posto. A deliberação foi tomada na última quinta-feira (28) pelo secretário da Segurança Pública, delegado Maurício Barbosa. No entanto, o anúncio da exoneração do coronel Mascarenhas do comando da corporação será publicado no Diário Oficial do Estado nos próximos dias.

Mascarenhas assumiu a chefia da PM em agosto de 2008, sucedendo ao coronel Antônio Jorge Ribeiro de Santana, exonerado em definitivo dos quadros da polícia. O motivo do afastamento de Santana foi indício de suspeita no envolvimento em um esquema ilegal na aquisição de viaturas.

O nome mais cogitado para substituir o demissionário na titularidade da PM é o do coronel Alfredo Castro, atual coordenador da Coordenadoria de Missões Especiais (CME), departamento responsável pela área de inteligência da corporação. Lotado no 12º Batalhão de Polícia Militar (12º BPM) de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, Castro foi comandante do Batalhão de Choque, sediado em Lauro de Freitas, também na Grande Salvador.

Beneficiados por mudanças na SSP

A troca de comando na Polícia Militar se atribui a sucessivas alterações na política de segurança do estado, efetuadas pelo governo desde janeiro, com a exoneração de César Nunes da Secretaria da Segurança Pública (SSP) e a consequente designação de Maurício Barbosa. As frequentes substituições na cúpula da SSP e nas Polícias Civil e Militar visam otimizar o combate à violência na Bahia. Companhias e batalhões da PM foram alguns dos beneficiados pelas mudanças, com a posse de novos comandantes.

Além do coronel Mascarenhas, mais dois oficiais deverão estar excluídos do rol da cúpula da corporação nos próximos meses. O coronel Expedito Barbosa sairá da chefia da Casa Militar do governo, e o coronel Sigfried Frazão deixará a Assistência Militar da Assembleia Legislativa.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Rui Falcão é eleito presidente do PT

Deputado paulista, que vinha comandando o partido interinamente após doença de José Eduardo Dutra, foi escolhido hoje por unanimidade

Com informações das agências Reuters e Folha

O Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) elegeu, nesta sexta-feira (29), por unanimidade e aclamação, o deputado estadual Rui Falcão, de São Paulo, como o novo presidente da legenda. Falcão vinha ocupando o cargo temporariamente desde 22 de março, quando seu antecessor, José Eduardo Dutra, solicitou licença médica. Seu mandato perdurará até 2013.

Advogado formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), em 1966, Falcão foi jornalista profissional em eminentes veículos paulistas, como Folha de S. Paulo, A Gazeta, Jornal da Tarde e Exame, revista de economia e negócios da Editora Abril, onde foi diretor de redação entre 1977 e 1988. Filiado ao PT desde 1982, foi coordenador de comunicação da campanha que elegeu Dilma Rousseff presidente da República.

Dutra, que padece de distúrbios neurológicos agravados pela depressão, renunciou ao comando do PT no fim desta manhã. Em discurso durante a reunião do diretório, em Brasília, ele, cujo mandato se iniciou em 2010, anunciou sua abdicação por motivos de saúde. "Para cumprir seu papel, o PT não pode estar fragilizado nem dividido", promete Dutra. A despeito da doença, ele continua como membro do Diretório Nacional do partido.

Até a sua eleição, Rui Falcão, efetivado com os sufrágios de todas as correntes internas da sigla, foi seu vice-presidente. Argolado à senadora Marta Suplicy (PT-SP), de quem foi secretário de governo da capital paulista (2001-2004), o novo dirigente congrega a tendência Novos Rumos, em contraposição a Dutra, membro da majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB). Esta corrente, bem como a de Falcão, são hegemônicas no seio do PT.

Monsenhor Gaspar Sadoc é hospitalizado

Aos 95 anos, religioso encontra-se internado no Hospital Aliança, desde ontem, com quadro de infecção urinária

Com informações de A Tarde Online

Sadoc alcançou prestígio graças ao poder de oratória
(Foto: Fernando Vivas/Agência A Tarde)

Encontra-se internado, desde a tarde da última quinta-feira (28), na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Aliança, na Chapada do Rio Vermelho, monsenhor Gaspar Sadoc da Natividade. O sacerdote, de 95 anos, sofre de infecção no sistema urinário.

Sua saúde se agravou após fraturar o fêmur e ter sido operado da coluna vertebral no final do ano passado. Após monsenhor Sadoc ser hospitalizado, a administração do Aliança informou que não poderia divulgar alguma informação sobre o seu estado de saúde. Na noite da mesma quinta-feira, ele permaneceu na UTI do hospital, mantido entubado e tratando-se à base de sedativos, revela fontes não-oficiais.

O religioso, nascido em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo baiano, dirigiu durante décadas a Paróquia de Nossa Senhora da Vitória, na Graça, até se aposentar. Sua notoriedade teve alcance pelo extraordinário dom da retórica, explicitada nas missas que ele celebrou.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Jornalista Paulo Oliveira profere palestra

Evento conduzido hoje na Unijorge pelo secretário de redação de A Tarde e do Massa! enfocou os desafios atuais do jornalismo

O cotidiano dos jornalistas e a prática profissional nos dias de hoje foram discutidos por Paulo Oliveira
(Foto: Hugo Gonçalves)

Com vasta experiência em jornais, revistas e televisão, o jornalista carioca Paulo Oliveira da Silva, secretário de redação dos jornais A Tarde e Massa!, periódico popular do Grupo A Tarde, esclareceu em palestra os desafios pelos quais o jornalismo passa na atualidade. O evento aconteceu na manhã desta quarta-feira (27), no Auditório Zélia Gattai, situado no Campus Paralela do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), como forma de homenagear o Dia Nacional do Jornalista, celebrado no dia 7.

Promovida pela coordenação dos cursos de Comunicação Social da instituição (Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Produção Audiovisual), a palestra, intitulada “Os desafios do jornalismo na atualidade”, abordou o cotidiano dos jornalistas e o exercício da profissão nos dias de hoje. Estudantes dos referidos cursos, previamente inscritos, garantiram sua participação. Além dos discentes, a coordenadora Patrícia Barros Moraes e o jornalista Luiz Teles, editor de esportes de A Tarde e colega de trabalho de Paulo Oliveira, se juntaram à seleta plateia.

Quem tiveram a ideia de convidar Oliveira para ministrar o evento foram Patrícia e Teles, também professor da Unijorge. Ao introduzi-lo, a coordenadora dos cursos de Comunicação Social agradeceu a todos que compareceram ao auditório. O palestrante também pronunciou-lhes uma breve mensagem de agradecimento, e abriu a sessão discursando que o jornalismo está se adaptando aos novos tempos.

De acordo com ele, que atuou em periódicos do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul e do Ceará antes de aportar na Bahia, os desafios dos jornalistas são iniciados com suas formações pessoal e profissional, a exemplo de leituras, intercâmbios e cursos universitários, de qualificação e de idiomas. “Alguns desafios que a gente passa começam com a formação, e tem que ir além”, pondera Oliveira.

Baixa remuneração

Os jornalistas checam, veem e emitem opiniões, mas, conforme pontuou o palestrante, o ofício por eles exercido não é o mais bem remunerado do mundo. É nos baixos salários que está, dentre outros fatores, o problema da formação profissional da categoria. Foram fixadas, na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), jornadas diárias para jornalistas em um mínimo de 5 e máximo de 7 horas.

Profissionais do ramo, atualmente, alimentam novas tecnologias, como os sites, os blogs e as redes sociais. Materiais da internet e de periódicos convencionais são constantemente manejados para atender às exigências das redações de jornais populares. Paulo Oliveira frisou que a equipe de redação do Massa!, integrada por 22 pessoas sob a coordenação dele e do editor-executivo Ricardo Mendes, faz um levantamento de sites e blogs de Salvador e do interior baiano, além de buscar recursos de publicidade.

No evento, Oliveira citou que 240 jornalistas foram demitidos das redações dos principais veículos brasileiros, de acordo com dados revelados recentemente pelo portal especializado Comunique-se. As demissões ocorreram entre janeiro e abril nos jornais Meia Hora São Paulo, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Agora São Paulo, Jornal de Brasília, Correio Braziliense e A Tarde, nas TVs Cultura, de São Paulo, e Sergipe, no Grupo Abril e no portal UOL.

As matérias de celebridades veiculadas na imprensa popular, por sua vez, provêm de informações de assessorias, tendo como efeito a velocidade no trabalho do jornalista, de acordo com Oliveira. Entretanto, para ele, utilizar esses materiais fornecidos por terceiros ocasionalmente pode causar a perda de credibilidade e reputação de um veículo.

Segundo o palestrante, os jornais da Bahia publicam notícias fúteis, sem o mínimo esclarecimento. Um exemplo recente de notícia desprovida de conteúdo informativo que ele mencionou foi a remoção da barba do governador Jaques Wagner (PT) a ser doada pelo Instituto Ayrton Senna.

Secretário de redação dos jornais A Tarde e Massa! foi convidado por Patrícia Moraes e Luiz Teles para conduzir evento
(Foto: Hugo Gonçalves)

Adaptando à nova era

Paulo Oliveira ressaltou a intuição do uso das novas tecnologias em veículos, proporcionando trabalhos fabulosos. No Rio de Janeiro, por exemplo, sua aplicação é maciça no jornalismo comunitário através de periódicos como O Cidadão, da favela da Maré, na Zona Norte da cidade, e por rádios comunitárias. Ricardo Noblat, de O Globo, um dos jornalistas de prestígio nacional, está 24 horas a serviço de seu blog específico tratando dos bastidores da política.

O exercício da profissão jornalística, para o secretário de redação de A Tarde e do Massa!, é surpreendente. “Cada coisa que a gente investe, cada coisa que a gente aprende é útil”, salienta. Ele explicou que, durante a ditadura militar, a resistência foi primordial na difusão de ideias. “A Folha (de S. Paulo) tomou posicionamento rigoroso, sendo o jornal de maior vendagem do país”, disse Oliveira. De acordo com ele, tal fenômeno foi impulsionado pela cobertura da campanha pelas eleições diretas, um dos anseios da população do Brasil no crepúsculo do regime arbitrário, entre 1983 e 1984.

Para o condutor da palestra, nenhum periódico publica de fato notícias totalmente boas. “Já foram feitas tentativas no Rio, no Dia, em publicar nele um caderno dominical”, lembrou Oliveira, referindo-se a um suplemento circulado aos domingos no jornal carioca O Dia, cujo conteúdo era repleto de notícias boas.

Conforme Paulo Oliveira, a melhor forma para se iniciar na profissão de jornalista são os estágios e os treinamentos (trainee) por meio de processo seletivo. Repórteres e editores do Massa!, pontua ele, foram selecionados de vários estados via currículo durante a montagem da sua equipe. Além da seleção de jornalistas, o emprego de uma segunda língua, como o inglês, bem como a consulta de manuais de redação, são imprescindíveis no ambiente redacional.

“Até alguns anos, o A Tarde detinha hegemonia em Salvador, e grande parte de sua equipe trabalhava em assessorias de imprensa”, disse o palestrante acerca da supremacia do outrora maior jornal do estado, hoje ameaçada pelo rival Correio*, da Rede Bahia. Segundo o jornalista, um dos atributos do crescimento na circulação do Correio* é seu baixo custo – R$ 0,50 de segunda-feira a sábado e R$ 1 aos domingos – em analogia com seus concorrentes, com ênfase para o A Tarde, que custa R$ 1,75 (segunda-feira a sábado) e R$ 2,75 (domingos).

Popular ignorado?

Há no jornalismo popular uma ignorância negativa crescente pelo fato de ele estar entrelaçado ao sensacionalismo e à espetacularização. Para Oliveira, o qualificativo de ruim para essa modalidade é indício de preconceito. Logo, grande parte das equipes de jornais populares vinha de bagagens na editoria de cultura, a exemplo do paulistano Notícias Populares, hoje extinto. “O papel do jornalista é traduzir essa linguagem, que é um outro idioma”, certificou a coordenadora dos cursos de Comunicação Social da Unijorge, Patrícia Moraes.

Oliveira explicou que a ideia de se criar um jornal especificamente popular na Bahia surgiu há quatro anos. Uma das razões que viabilizaram seu aparecimento foram de ordem econômica, social e cultural. Salvador era – e ainda é – uma cidade onde os jornais convencionais são caros e não possuem uma linguagem apropriada para os públicos vindos das camadas inferiores da sociedade.

Até o lançamento do Massa!, primeiro jornal popular baiano, em outubro de 2010, o segmento popular da imprensa local era centrado em programas televisivos com enfoque basicamente policialesco, como o Na mira, da TV Aratu, e o Se liga Bocão, da TV Itapoan. As manchetes do periódico de 24 páginas, publicado em formato berliner – quase um tabloide – constituem-se de até quatro palavras curtas, com máximo de 5 caracteres.

Nos primeiros dias em que o Massa! circulou, uma porção apreciável de estudantes e professores dos cursos de Comunicação, notadamente da Universidade Federal da Bahia (Ufba), queixaram-se da sua linha editorial e da sua diagramação, jurando ser confusa demais. Em relação à diagramação do periódico, de acordo com o palestrante, a paleta de cores nela empregada é condizente com o dia a dia das comunidades. Quase um ano e meio depois, o Massa! atinge 194 mil pessoas, correspondendo a 20% dos habitantes soteropolitanos.

Com o advento do regime militar, a partir de 1964, muitos periódicos populares foram empastelados. Como exemplo, Paulo Oliveira citou o caso do Última Hora, de Porto Alegre, que deu lugar ao Zero Hora, um dos maiores do país. Oliveira também comentou que os jornais clássicos transformaram-se em “jornais de gabinete”, por serem fruídos majoritariamente pelo público assinante.

Quando o jornalista proferiu as considerações finais da palestra, ele enfatizou as ambições dos estudantes de Jornalismo em visitar redações de veículos de comunicação e atuar no exterior, alguns dos desafios atuais da profissão. A coordenadora Patrícia Moraes encerrou o evento, fazendo com que ela e o palestrante fossem ovacionados por uma plateia repleta de estudantes interessados pelo assunto nele focalizado.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Como domar obstáculos através de uma perspectiva nova

Artigo elaborado com base no texto A mudança de perspectiva, originado de diálogos entre o Dalai-Lama e o professor Howard C. Cutner

Orientador: Celso Duran, docente da disciplina Assessoria de Comunicação do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge) e jornalista da TV Bandeirantes Bahia

Uma epígrafe contendo uma pequena lição de sabedoria abre o texto, contando a história de um discípulo que recebeu ordens de um filósofo grego para dar dinheiro a todos que o ofendessem. Depois, o mestre disse a seu discípulo a fim de aprender a Sabedoria através da ida a Atenas. Essa história introdutória foi dita por um grupo de oradores, denominado Padres do Deserto, que pregava uma vida de sacrifício e oração, para mostrar o valor do sofrimento.

Lidando com uma situação complicada, o discípulo teve a capacidade de mudar de perspectiva, ou seja, de enfrentar os obstáculos a partir de um outro enfoque. Essa habilidade é aplicada com eficácia para atingir esse objetivo. Conforme os ensinamentos do Dalai-Lama, a capacidade de domar diferentes dificuldades pode nos trazer utilidade, fazendo com que possamos ser tranquilos ao usar exemplos de experiências positivas e negativas.

Dentre os aspectos negativos, o Dalai-Lama mencionou a destruição de sua pátria natal, o Tibete, considerando-a como tragédia. Apesar de o líder espiritual ser um refugiado, a perda do seu país foi, para ele, uma experiência muito profícua, e sua vida no exílio cria várias oportunidades sociáveis. Quando os problemas aparecem, ficamos preocupados com eles, tendo a sensação de que somos os únicos a passar pelos mesmos. Observar os acontecimentos de uma perspectiva mais ampla pode ajudar nos nossos momentos difíceis e até mesmo dolorosos.

O narrador, junto com o administrador de uma instituição na qual ele trabalhava, presenciou uma série de confrontos gerados pela interferência do executivo no atendimento aos pacientes ao priorizar assuntos financeiros. Após as discussões entre o narrador e seu ex-patrão, ele teve a raiva e o ódio sendo acumulados no seu emocional. Por conta disso, ele compareceu a uma sessão com o Dalai-Lama, já sereno e, porém, um pouco nervoso.

Sentir raiva é uma reação natural, espontânea e imediata. Em muitos casos, a raiva não é sentida apenas quando somos feridos, pois ela pode ser pensada logo depois. Ao encarar com ela por um ângulo diferenciado, a pessoa que a despertou em outra terá características subjetivas positivas, propiciando certas oportunidades. Logo, é possível perceber muitos enfoques diferentes num mesmo fenômeno, ajudando-nos com esforço em momentos de tristeza e agonia.

Temos que dedicar algum tempo na busca por um ângulo diferente a fim de nos encararmos com os problemas de modo direto, valendo-se do nosso potencial de raciocínio e da maior objetividade possível. Se um amigo maravilhoso cometer algum mal, ele não é de fato composto exclusivamente por qualidades positivas. Da mesma maneira, um inimigo, ao nos perdoar com sinceridade, não é qualificado como totalmente mau, portanto deve ter algumas qualidades benéficas. A tendência a considerar que um indivíduo é totalmente positivo ou negativo origina-se na nossa própria percepção mental.

Uma situação que inicialmente pareça negativa em sua plenitude pode possuir alguns atributos positivos, mas isso não é suficiente. É necessário aperfeiçoarmos essa ideia e, provavelmente, nos recordarmos dela frequentemente, até a modificação paulatina da nossa impressão. Quando vivenciamos uma situação difícil, devemos aprender novos pontos de vista para nos lidarmos com ela. O Dalai-Lama afirmou que, se não descobrirmos nenhuma perspectiva positiva, a melhor atitude possível a ser tomada é a tentativa de esquecer a situação.

Segundo testemunho do narrador, ao aplicar a doutrina do Dalai-Lama, ele descobriu alguns enfoques positivos no administrador da empresa. O narrador soube que o executivo possuía atributos satisfatórios, como o fato de ele ser um pai amoroso. Essas qualidades viabilizam simplesmente a redução dos sentimentos de ódio.

Para transformar nossa atitude acerca dos nossos adversários, o Dalai-Lama concebeu um método que envolve uma análise sistemática e racional da nossa reação a eles. Conflitos entre duas pessoas podem ser hereditários, passando de uma geração para outra, tendo como resultado o sofrimento dos dois lados. Todo o objetivo da vida, portanto, é prejudicado desde a infância. Algumas pessoas admitem que o ódio, ao ser praticado com intensidade, é salutar aos interesses nacionais, entretanto ele é muito negativo e demonstra falta de visão. O oposto do ódio – o amor – ajuda a nos pacificarmos e nos compreendermos.

O Dalai-Lama propôs uma forma alternativa de domar o inimigo, podendo ter um impacto radical na nossa jornada vital. Nossas atitudes diante dos nossos inimigos são evidentes no budismo, pois o ódio pode impedir a compaixão, a felicidade, a paciência e a tolerância. Para os praticantes da espiritualidade, a compaixão para com os nossos rivais é essencial. O exercício da paciência e da tolerância é crucial para o sucesso no amor e na compaixão. Não devemos nutrir o ódio pelo inimigo, mas sim usar os antagonismos a fim de melhorarmos nossa paciência e tolerância.

De fato, o inimigo é necessário para alcançarmos a paciência e a tolerância. Sem ele, não as existiria. A partir dessa perspectiva, o inimigo é considerado um grande mestre, sendo reverenciado para exercer a paciência. Há muitas pessoas no mundo, e dentre elas há um contingente mínimo daquelas com quem interagimos e daquelas que nos causam problemas. Quando praticamos a paciência e a tolerância, devemos tratar essa maravilhosa oportunidade com gratidão e felicidade. Se atingirmos êxito na prática da paciência e da tolerância, combinaríamos nossos esforços com a ocasião fornecida pelo nosso rival.

Em relação aos inimigos, o correto é rejeitá-los, não sendo dignos de respeito. O estado mental direcionado ao ódio está presente no inimigo; se nos ferirmos, nós odiaríamos os médicos, considerando-os inimigos por adotar métodos que podem ser dolorosos, como a cirurgia. No entanto, eles não são prejudiciais ou típicos de um inimigo, porque sua intenção, sob a ótica de um médico, é a cura de um paciente. Com esse propósito, o inimigo se torna inigualável, concedendo-nos a chance de praticar a paciência.

É claramente aceitável a sugestão do Dalai-Lama sobre a reverência dos nossos inimigos por suas oportunidades de crescimento. As alegações do líder espiritual acerca da “raridade” e do “alto valor” do Inimigo, talvez, podem ser ilusórias. Por meio da resolução de conflitos com o Inimigo, processo que envolve aprendizado, estudo e modos alternativos, a luta resulta em verdadeiro crescimento, êxito e percepção em nível psicológico. Do nascimento até a morte, há inumeráveis probabilidades de encontrar um inimigo ou qualquer outro empecilho. Nossos inimigos nos fornecem a resistência necessária para o nosso desenvolvimento.

Segundo o narrador do texto, a metodologia para pensar nossos problemas e aprender a visualizá-los através de perspectivas alternativas é um objetivo interessante, podendo transformar nossa atitude. O narrador reproduz, parcialmente, uma oração de um santo tibetano, escrita no século XI, e recitada diariamente pelo Dalai-Lama. Ela reflete a possibilidade de encarar inimigos com a retribuição de virtudes.

A oração que o Dalai-Lama recita, reproduzida no texto, foi criada por um monge que vivia num mosteiro, um ambiente onde várias coisas inconvenientes podem acontecer. No mundo atual, o mal que recebemos de seres alheios pode incluir o estupro, a tortura, o assassinato, entre outros maus tratos. O Dalai-Lama passou a examinar circunstâncias que podem ser necessárias para a mudança de atitude, a fim de conter agressividades alheias.

Durante a conversa que o narrador obteve com o Dalai-Lama, dois pontos se sobressaíram. Ele ficou impressionado com a facilidade do líder espiritual para reexaminar seus preceitos. O narrador também ficou abatido com a sua arrogância, fator que, para ele, é menos inspirador pelo fato de ter sugerido ao Dalai-Lama que a oração não se adequa à complicada realidade do mundo moderno. Ao ouvir os relatos do religioso tibetano como exemplo, o autor do texto contemplou a sensação de tristeza no rosto do entrevistado.

Esses testemunhos que o Dalai-Lama contou ao autor, além de mostrar a violência física, espelham a tentativa de minar o ideário tibetano, como as proibições cometidas contra esse povo pelos chineses. Utilizando-se de práticas espirituais, o Dalai-Lama deu continuidade ao audaz engajamento pela liberdade e pelos direitos humanos no Tibete. Também manteve uma postura de humildade e compaixão para com os chineses, inspirando milhões de pessoas em todas as partes do mundo.

Quando da aplicação do método do Dalai-Lama de domar “o inimigo”, o autor do texto assistiu a algumas palestras ministradas pelo líder espiritual tibetano na costa leste dos Estados Unidos. Após isso, ele pegou um voo antes de voltar para sua casa. No avião, o autor antipatizou com uma mulher de meia-idade, ficando sentado ao lado dela durante cinco horas inteiras. Segundo ele, a perspectiva de permanecer o tempo todo junto da mulher parecia incômoda e insuportável.

Para praticar a paciência e a tolerância dentro da aeronave em que o narrador estava, ele observou seu inimigo na sua poltrona de corredor. Ao conhecer a bordo aquela mulher, ela não fizera nada para lhe ameaçar, mas depois de vinte minutos ela o perturbava continuamente. O narrador a odiava tanto emocionalmente, porém não sentia repugnância às partes do seu corpo. A focalização minuciosa no corpo da mulher viabilizou uma sutil mudança de perspectiva no narrador, de modo que ele a visse como outro ser humano. A raiva de que ele padecia estava dissipada pouco antes do fim do voo. Como o narrador, aquela mulher era um ser humano, usufruindo de sua vida linear da forma mais conveniente possível.

A flexibilidade mental enseja a capacidade de mudar de perspectiva, e consiste na plenitude da nossa vida. O Dalai-Lama, após proferir uma longa palestra, ficou deslumbrado com a paisagem fantástica ao retornar para o hotel onde estava alojado. Finalmente à contemplação do panorama, ele comentou acerca da beleza da região. Percebeu a extraordinária habilidade de sua mente ao diagnosticar uma pequena planta e, sobretudo, a visão geral da paisagem.

O fenômeno da flexibilidade pode acontecer em cada um de nós, e resulta dos nossos esforços para incrementar nossa perspectiva e experimentar novos enfoques. Sua consequência é a consciência sincrônica entre o coletivo e o individual, na qual podemos separar as coisas importantes das não importantes na nossa vida. Conta no texto que o narrador foi instigado pelo Dalai-Lama para se livrar da sua perspectiva limitada, tratando-se dos problemas psicológicos individuais. De acordo com o narrador, a mudança de perspectiva é um objetivo basicamente solitário e individual.

Se adotarmos uma perspectiva mais ampla, haveremos cooperação interpessoal, como em crises globais. Nesse aspecto, não se trata de uma questão individual, e sim intersubjetiva. Em suas palestras, o Dalai-Lama esclareceu a importância dos processos de transformação pessoal a partir do interior, como a realização da compaixão, da paciência e da tolerância, a fim de superar sensivelmente as negatividades. O líder espiritual ainda disse que um ser flexível exige o dom de lidar com problemas em patamares individual, comunitário e global.

Cultivar a paciência e a tolerância contribui para reduzir a raiva e o ódio, procedimento idêntico a um desarmamento interno, que necessita de um externo. A autêntica paz mundial não equivale à ausência de guerras que, por sua vez, pode resultar de armamentos. Portanto, a paz deve surgir de forma mútua, tendo as armas como obstáculo à sua germinação, e deve ser feita gradativamente. Temos que cooperar para desenvolver as pazes interior e exterior e desmilitarizar o mundo através do desarmamento.

Ter uma mente flexível está relacionado com a aptidão para mudar de perspectiva, ajudando-nos a lidar, a partir de diversos ângulos, com nossos obstáculos. Em contrapartida, o esforço de examiná-los objetivamente é considerado um exercício de flexibilidade mental. Atualmente, essa prática pode ser um fator para nossa sobrevivência. Espécies mais flexíveis sobreviveram e prosperaram por sua adaptação ao meio ambiente. Uma mente maleável pode nos ajudar na harmonização de conflitos externos e internos.

Se o ser humano não cultivasse a flexibilidade da mente, nosso enfoque se tornaria frágil, e o medo passaria a dominar as relações com o mundo. Com a adoção de uma perspectiva flexível e maleável na nossa vida, nossa serenidade se perpetuará por todas as circunstâncias. Recuperar e reabilitar nosso espírito só são possíveis com o alcance de uma mente flexível.

No momento em que o narrador conheceu melhor os ensinamentos do Dalai-Lama, ele se entusiasmou com a extensão da flexibilidade do religioso tibetano. Pessoas diferentes, apesar de possuírem ideias contraditórias, concordam entre si. Por isso, elas eventualmente são criticadas e, no entanto, estão comprometidas com uma conduta previamente estabelecida. O Dalai-Lama, por exemplo, prega uma crença inspirada na compaixão, na benevolência e no altruísmo para com todos os seres humanos.

Ao sermos flexíveis, maleáveis e adaptáveis, não temos que ser oportunistas devido à mudança de crenças, de ideias e de identidade. Nosso crescimento e desenvolvimento, em nível superior, estão subordinados a um sistema valorativo que garante nossa continuidade e coerência. Esse mesmo conjunto de valores ajuda-nos a deliberar os objetivos dignos e indignos dos nossos esforços.

Podemos preservar o conjunto de valores para permanecermos flexíveis. Deduz-se que o Dalai-Lama tivesse aplicado essa metodologia para minimizar suas crenças a partir do fato de ser um ser humano e da procura pela felicidade. Temos que dedicar na reflexão sobre o nosso sistema de valores, reduzindo-o a elementos primordiais. Com esses fatores, possibilitamos maior liberdade e flexibilidade a fim de lidar com a nossa situação cotidiana.

Além de contribuir a lidar com problemas diários, a concretização de uma abordagem flexível é fundamental para o equilíbrio. Conforme o Dalai-Lama, uma perspectiva hábil e equilibrada é um fator essencial em todos os nossos momentos, com a intenção de evitar exageros. Por exemplo, a delicadeza em plantar uma muda e a destruição da mesma por falta ou excesso de umidade ou de sol. É necessário, logo, haver equilíbrio.

Essa perspectiva também é aplicável aos melhoramentos mentais e emocionais. Quando formos arrogantes, o antídoto seria o profundo pensamento nos nossos sentimentos insatisfatórios, contribuindo a diminuir o nível de exaltação do nosso estado de espírito. Ao cultivarmos a decepção, o sofrimento, o tédio, dentre outras sensações pessimistas, poderíamos perder completamente nosso ânimo e nosso poder defensivo. Devemos, portanto, elevar nosso potencial reflexivo acerca das nossas virtudes para termos uma perspectiva equilibrada de vida.

O culto ao equilíbrio se aplica ainda ao nosso desenvolvimento espiritual, como no budismo, cujos seguidores devem ser habilíssimos na exercitação. Nesses aspectos, é importante ter um enfoque coordenado para que não ocorra nenhum desequilíbrio. Evitar os extremos é importante, embora tenhamos ciência da compreensão da suas raízes. Na busca de bens materiais, por exemplo, a pobreza e o excesso de luxo são considerados extremos. O importante é alcançarmos prosperidade. Caso contrário, os excessos indicam insatisfação, que por sua vez provém da nossa condição mental.

Nossa tendência a chegar a extremos é causada, às vezes, por vários fatores, a começar pela própria insatisfação. Dois exemplos melhor ilustram isso. A prática intensiva e irresponsável da pesca pode pôr fim à vida aquática, e a atividade sexual excessiva pode ser prejudicial.

Segundo o relato do Dalai-Lama, a ideia de que todo o universo deveria adotar o budismo, partindo do Tibete, que foi uma nação budista por séculos, é completamente radical. Esse exemplo de atitude extrema nos é problemática, pois a existência de um mundo totalmente budista não seria viável. Ao deixar o Tibete, o Dalai-Lama se aproximou da realidade ao entrar em contato com outras crenças diferentes, possibilitando a percepção de seus pontos positivos. O convívio com as diferenças, na acepção do líder espiritual, propicia uma sensação vantajosa. Ele acredita que todos os radicalismos ou excessos podem ser superados ao ampliarmos as nossas perspectivas.

Referência bibliográfica

DALAI-LAMA, Sua Santidade, o; CUTNER, Howard C. A mudança de perspectiva. In: Idem. A arte da felicidade: um manual para a vida. Tradução de Waldéa Barcellos. São Paulo: Martins Fontes, 2000, pp. 194-224.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Agerba suspende veículos pesados em ferries

Agência reguladora deliberou a suspensão do embarque de ônibus, jamantas e caminhões no sistema ferry-boat em razão da redução da frota para a travessia no feriado

Com informações da assessoria de comunicação da Agerba e da Tribuna da Bahia

Resolução que impediu transporte de veículos pesados nas embarcações admite melhor adaptação do sistema por uma semana
(Foto: Divulgação/TWB)

A Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba) suspendeu, por meio de resolução, o embarque de veículos pesados durante a travessia Salvador-Itaparica efetuada pelo sistema ferry boat, no período de 19 a 26 de abril. A razão da suspensão é a concentração mínima de embarcações que irão operar nos feriados de Tiradentes e da Semana Santa.

Está sendo interditado, segundo a agência que regula e fiscaliza o sistema ferry boat, o transporte de ônibus, micro-ônibus, jamantas, caminhões simples e caminhões trucados. Publicada no Diário Oficial do Estado desta terça-feira, dia 19, a resolução que ratificou a suspensão do embarque de veículos pesados no sistema admite ainda a necessidade de adequá-lo melhor no período em que ela está vigorando, com a intenção de evitar transtornos aos usuários.

Empresa multada

Na última terça-feira, dia 18, o diretor-executivo da Agerba, Eduardo Pessôa, revelou que a TWB, concessionária operadora da frota de ferries que navegam na Baía de Todos-os-Santos, já foi multada no valor de R$ 197,8 mil, de janeiro até agora. Os motivos que fizeram a Agerba aplicar multas à TWB, de acordo com Pessôa, foram o atraso, o não cumprimento da pontualidade nos horários e a falta de conservação das embarcações, entre outros.

“Nosso objetivo não é multar apenas, mas sim fazer com que a TWB preste um bom serviço à população”, adverte Eduardo Pessôa. O diretor da Agerba ainda salienta que será feita uma auditoria no contrato de concessão do ferry boat que, segundo ele, não está sendo cumprido, provocando prejuízos à população.

As penalizações mais recentes foram aplicadas no último sábado, 16, após o encalhe do navio Pinheiro, numa praia adjacente ao Terminal Marítimo de Bom Despacho, na ilha de Itaparica, que o levou a serviços de manutenção por tempo indefinido. O ferry Ivete Sangalo teve seu horário de saída atrasado, e o Anna Nery, embarcação mais recente da frota, não realizou a travessia ao meio-dia.

À deriva

Pela manhã desta terça-feira, o fast ferry Ivete Sangalo ficou à deriva nas águas da Baía de Todos-os-Santos, perto do Terminal Marítimo de São Joaquim, às 7 horas. Após estar parado por cerca de 50 minutos, a embarcação prosseguiu viagem a Bom Despacho normalmente, entretanto com potencial reduzido de velocidade. O ferry Anna Nery é o único que está transitando constantemente sem transtornos.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

De todas as artes e manhas

Após três meses sem ser organizada, a Feira de Artes do Imbuí retornou, em sua 12ª edição, com alguns expositores inéditos

Feira contribui para a revelação de novos artistas e artesãos
(Foto: Hugo Gonçalves)

Produtos confeccionados caprichosamente por artistas e artesãos voltaram a ser expostos na 12ª edição da Feira de Artes do Imbuí, nos dias 6, 7 e 8 de abril, na praça principal do bairro, situado entre a Boca do Rio e a Paralela. O evento, de periodicidade mensal, sendo realizado três dias por mês, foi paralisado entre janeiro e março em razão de períodos festivos, como o Carnaval.

Tendo sua estreia em dezembro de 2009, a feira, cujas primeiras edições foram organizadas em dias próximos às datas comemorativas, como o Natal, o Dia das Mães, o Dia dos Pais, o Dia dos Namorados e o Dia das Crianças, serve de subsídio para a divulgação dos trabalhos idealizados pelos expositores.

A artesã Nelvani Rodrigues, secretária administrativa e coordenadora de feiras da Associação dos Artesãos da Bahia (Adaba), explica que os expositores, para serem selecionados, devem ser somente artesãos, dispensando o comércio de industrializados. Outro critério seletivo é a solicitação, pelos próprios artesãos, da locação do espaço.

Vendendo aromas

Sabonetes artesanais, aromatizadores, sais de banho, escalda-pés e pulverizadores foram expostos por Rosana Manta. Professora da rede particular de ensino em Itapuã, onde mora, ela se enveredou no artesanato durante sua juventude, quando tinha cerca de 20 anos de idade, vendendo pequenas peças de crochê.

No portifólio artesanal de Rosana, há sabonetes em formato de jujubas, bombons, quindins, pudins, tortas e frutas, que ela mesma elabora, porém não são comestíveis. “Eu fui num restaurante e ganhei um pudim numa fôrma. Aí, eu tive a ideia de fazer o pudim em sabonete, e aí foi, surgindo outras ideias, como a do docinho que está na moda, o cupcake, que eu reproduzi em sabonete”, conta a artesã e professora, hoje com 50 anos.

Sabonetes em formato de comestíveis (acima, à direita) são elaborados e vendidos por Rosana Manta (acima, à esquerda)
(Fotos: Hugo Gonçalves)

O cupcake, de acordo com ela, é uma espécie de torta, coberta com glacê e caldas, e finalizada com frutas. Para produzir as mercadorias expostas em seu estande, Rosana utiliza matérias-primas, como base glicerinada – no caso dos sabonetes –, essências, óleos essenciais, álcool de cereais, fixadores para perfume e corantes alimentícios, que são atóxicos e, portanto, inofensivos à saúde. Todos os produtos que Rosana comercializa levam a etiqueta Mimos da Rô.

Rosana Manta elucida que o mercado direcionado à arte de confeccionar produtos aromatizados é incipiente em Salvador. “Na nossa cidade, os materiais para esse tipo de artesanato são limitados, e o pouco que encontramos é caro. Eu procuro sempre baratear o produto para o cliente”, reivindica Rosana.

Segundo a artesã, as principais lojas do ramo são a Maíz Essências, no Centro e na Pituba, a Palácio das Artes & Essências, no Centro e nos shoppings Iguatemi e Salvador Norte, e a Tok Essências, vizinha à Feira de Itapuã.

Na base da criatividade

Artefatos ornamentais e utilitários à base de papel são feitos pelo autônomo José Dantas, 53 anos. Ele apelou para sua criatividade ao bolar porta-retratos, caixas, mealheiros e vasos. “Várias pessoas dão jornal. O resto a gente adquire. Nós temos também assinaturas”, diz José.

O procedimento para a feitura dos artigos, para ele, é fácil. Basta recortar os papéis, enrolá-los, colá-los, envernizá-los e impermeabilizá-los. Sua esposa, Maria da Paixão, a Nalva, confecciona colares, brincos, pulseiras, chaveiros, passadeiras para cabelos, bolsas e outros utensílios. Os produtos que José e Nalva fazem, cujos preços oscilam entre R$ 1 e R$ 40, são comercializados pelo autônomo.

A estilista, artesã e DJ paulistana Lúcia Boness, 51 anos, radicada em Salvador há mais de 30, vende vestuários e acessórios à base de couro, que, segundo ela, é um material sofisticado. Lúcia divulga seu trabalho para outros estados e países. Sua empresa, a Luciart Arte em Couro, não tem loja fixa, pois participa de eventos anuais, como a Festa do Peão de Boiadeiro, em Barretos, interior de São Paulo, a Festa Internacional da Agropecuária (Fenagro) e a Exporural, estas últimas no Parque de Exposições.

Acessórios em couro, como bolsas sofisticadas, levam a assinatura de Lúcia Boness
(Foto: Divulgação)

Lúcia explica porque, ao elaborar seus produtos, a exemplo de pulseiras, bolsas e cintos, ela escolheu o famoso desenho animado Os Flintstones como influência. “Porque eu achei legal, despojado, fashion, aproveitando as partes bem lascadas do couro e dando um efeito rústico”, conta ela.

O público-alvo das tendências que a artesã e estilista desenvolve são os consumidores dos Estados Unidos e da Europa. Para Lúcia Boness, eles a escolheram pelo primoroso trabalho que ela concebe, pelo fato de ser “não convencional, único e exclusivo”. Além de executar peças em couro, Lúcia, atualmente, pretende desenvolver uma loja virtual.

Os artefatos produzidos por Lúcia não são necessariamente country. “O couro é igual a rock’n’roll, pois nunca morre. Pode ser usado em quaisquer situações e ambientes. Toda mulher que se preze pode usar uma peça de couro no seu guarda-roupa.” Por serem manufaturados em um material não efêmero e valioso, os produtos são vendidos em uma faixa de valores compreendida entre R$ 8 e R$ 600.


Marilena Autran (no alto) recicla plásticos, alumínio e toalhas para executar suas peças (acima)
(Fotos: Hugo Gonçalves)

Debutantes no evento

Mineira de Itabira, a artesã Marilena Autran, 64 anos, também se fixou na Bahia há cerca de 30 anos. Pela primeira vez na Feira de Artes do Imbuí, a conterrânea do poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) e sobrinha de segundo grau do ator Paulo Autran (1922-2007) trabalha com artes há seis anos.

Ela produz e comercializa peças à base de materiais recicláveis, como corpos e tampinhas de garrafas Pet, latinhas de alumínio e CDs. Dentre os produtos estão bonequinhos, palhacinhos, porta-alfinetes, embalagens presenteáveis, carrinhos, vaivens, chocalhos, maracas e dançarinos do ventre.

Marilena destaca a importância da reutilização de plásticos e metais para a humanidade: “Não deixar que os materiais sejam biodegradáveis.” A partir deles, ela faz também tique-taques (presilhas), brincos de viés, pulseiras de correntes com crochê, chaveiros e anjinhos de pontas metalizadas, e personaliza, com motivos decorativos, toalhinhas de mão.

Duas profissionais da área de saúde, também debutantes na Feira de Artes do Imbuí, aglutinaram-se em torno de uma só paixão: o artesanato. Foi aí que a técnica em enfermagem Sebastiana Oliveira Santana, a Sesé, 40 anos, e sua filha, a técnica em radiologia Danae Oliveira, 25, fundaram a Koarte’s Artesanato. A microempresa, com quase um ano de existência, é especializada em customização de materiais em placa de fibra de madeira de média densidade (MDF).

Danae considera que a prática do artesanato une o útil ao agradável. “É uma segunda opção de ganhos, fora que é uma satisfação fazê-lo, e é prazeroso”, declara ela. Por quê Koarte’s? Segundo Danae, o nome da empresa, da qual ela é sócia, resulta da junção da onomatopeia do sapo – coaxar – com a palavra arte.

Raízes baianas

Focando no movimento afro-brasileiro, a artista plástica e professora Bárbara Maria Villas Boas, conhecida intimamente como Vidaarth, pinta quadros das mais variadas dimensões. A maioria das obras espelha a ancestralidade da Bahia, através da precisão artística e da riqueza de detalhes dos elementos típicos, tais como orixás e negros, além de abstratos clássicos.

Com 45 anos de “pincel na mão”, Vidaarth, proprietária do ateliê homônimo em Itapuã, onde ela reside há 11 anos, emprega técnicas de óleo sobre tela, caricaturas com cabaças e encáustica. Esta última, de acordo com a artista, refere-se à textura que eternizava as tumbas do Egito, trazendo-a para as telas a fim de adquirir-lhes durabilidade.

Obras de Vidaarth (acima, sendo expostas em 2009, no saguão da Assembleia Legislativa) retratam com precisão a ancestralidade baiana
(Foto: Divulgação)

Por conta própria

Nelvani Rodrigues, da Adaba, afirma que a divulgação da Feira de Artes do Imbuí, embora apresente metodologias diferentes, é bancada por ela própria. “Eu mesma faz distribuição de panfletos, panfletagem, o carro de som vem aqui para divulgar a feira. Sou polivalente”, entusiasma-se Nelvani, uma das organizadoras do núcleo do Imbuí da associação.

Nelvani Rodrigues explica que associação contesta critério do Mauá
(Foto: Hugo Gonçalves)

A entidade, ressalta a dirigente, contesta o critério adotado pelo Instituto Mauá, autarquia do governo estadual, para classificar os artesãos, que é o fato de eles confeccionarem seus artefatos a partir de matérias-primas extraídas da natureza. O Mauá, de forma simultânea, adota e contradiz os critérios de filiação dos profissionais.

Realizada pela Adaba em parceria com a Associação dos Moradores do Parque Residencial Guilherme Marback e a Secretaria Municipal do Trabalho, Assistência Social e Direitos do Cidadão de Salvador (Setad), a Feira de Artes do Imbuí será deslocada para o Canal do Imbuí no período de 5 a 7 de maio, em decorrência da ampliação da demanda de expositores. “Nós vamos dar um passo à frente, transferindo o espaço para o Canal do Imbuí devido ao aumento do número de artesãos”, anuncia Nelvani.

PSDB baiano consagra unidade

Sigla realizou convenção estadual, na qual novo diretório foi eleito e presenças interpartidárias pregaram aliança das oposições para as próximas eleições

Com informações da Tribuna da Bahia e da assessoria de imprensa do PSDB-BA

Lideranças das principais legendas oposicionistas da Bahia congregaram-se na convenção estadual do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). O congresso, realizado na manhã do último domingo, 17, no Fiesta Bahia Hotel, no Itaigara, foi um estímulo à unidade pluripartidária em torno de um único programa de governo para os pleitos de 2012 e 2014. Segundo a oposição, tal estratégia alavancará a guinada nos resultados políticos e a retomada do poder em nível baiano.

Aglutinaram-se, no evento, deputados, dirigentes e representantes tucanos e dos demais partidos desafetos do governador petista Jaques Wagner – PMDB, DEM, PPS, PR e PTC. Marcaram eminentes presenças os presidentes regionais do PMDB, deputado federal Lúcio Vieira Lima; do DEM, José Carlos Aleluia; do PPS, Ederval Araújo; e do PTC, Rivaílton Pinto Veloso. Também participaram do ato os deputados estaduais tucanos Adolfo Viana e Augusto Castro, Leur Lomanto Júnior e Pedro Tavares, do PMDB, e Sandro Régis, do Partido da República (PR).

Durante a convenção, o ex-prefeito de Caldeirão Grande, no Nordeste do estado, e ex-deputado estadual Sérgio Passos foi eleito presidente estadual do PSDB, em substituição ao deputado federal Antônio Imbassahy, vice-líder dos tucanos na Câmara. A perspectiva dele no controle da sigla é pregar a manutenção da coerência, da coesão e do diálogo entre os correligionários. O nome de Passos, que os presidirá no biênio 2011-2012, foi selecionado de forma consensual, de acordo com ele próprio. Além disso, demais membros do diretório estadual do partido foram escolhidos.

Imbassahy proferiu o discurso de abertura do encontro, ressaltando a ideia unitária, aplicada ao consentimento e à concórdia entre as siglas que fazem adversidade ao governo Wagner. “Sabemos que existem soluções para os graves problemas porque passa a Bahia (...). O que precisamos é de eficiência na administração pública e vontade política”, ponderou o deputado federal, sob a justificativa de avançar nas providências básicas para o estado e para o Brasil.

Em busca de coalizão

Sérgio Passos defende a oportuna unificação das legendas adversárias à corrente administração estadual. “Reconhecemos a força daqueles que estão no poder não só na Bahia e se nós não nos unirmos vamos nos fragilizar”, esclareceu o novo dirigente tucano à repórter Lílian Machado, do jornal Tribuna da Bahia. Ele ainda frisa que a expectativa da sigla na Bahia será o progressivo apelo pelo crescimento, bloqueando a sua fragilização em todo o território estadual.

Ex-deputado federal por cinco mandatos consecutivos, entre 1991 e 2011, João Almeida é, ao lado de Imbassahy e do deputado federal Jutahy Magalhães Júnior, uma das três grandezas do tucanato baiano. Contudo, ele, que em meses anteriores era aspirante à presidência do PSDB em patamar estadual, não compareceu à convenção. Ao questionar sobre a ausência de Almeida, Sérgio Passos descartou quaisquer divergências na reciprocidade com ele.

O motivo preliminar da abstenção de Almeida, congressista notório atuante por vinte anos, são os rumores existentes nos bastidores de que ele estaria insatisfeito com o viés adotado pelas bases do PSDB na Bahia. Imbassahy, agora ex-presidente estadual do partido, rejeitou suspeitas inimizades entre ele e João Almeida. “Ele não manifestou nada em relação a isso. Inclusive, como eu e Jutahy, ele terá atribuições em nível nacional”, deduziu o parlamentar.

Jutahy, após destacar, com mérito, seu currículo no PSDB, elogiou o dirigente recém-empossado. “Sérgio Passos assume o partido merecidamente. Ele tem um grande conhecimento da realidade da Bahia e um olhar para o futuro. Está capacitado para atuar no sentido de fortalecer a unidade entre as diversas forças políticas que formam a oposição na Bahia”, gratificou.

Antônio Imbassahy, após abdicar do comando do diretório baiano, enfatizou que a convenção tucana em âmbito estadual transcendeu as metas inerentes à união das siglas opositoras ao governo Wagner. Tônica dominante no encontro, a formalização da coalizão oposicionista interpartidária, conforme o vice-líder do PSDB na Câmara e seu ex-comandante regional, será cada vez mais coesa, convincente e consistente.

Doloroso tráfego

Me acostumar com os assíduos congestionamentos turbulentos em grandes avenidas implica na expansão de sintomas na minha cabeça, sem comprometer minha lucidez compreensiva, sapiencial, cognitiva, emotiva e afetiva. Percebo que, ao testemunhar os empecilhos fugazes na locomoção dos meios de transporte, estou evidentemente com cefaleia ou dor de cabeça, sequer acompanhada de transtorno mental.

Esse doloroso temor neurológico me deixou delicadamente exausto, numa temporalidade subsequente a uma ocupação automobilística monstruosa no sentido Aeroporto de uma das avenidas mais movimentadas da minha urbe natal: a Avenida Governador Luiz Viana Filho. Ou, entre nós, a Paralela, atualmente interferida pela megaespeculação imobiliária. Na pista, além de quilômetros inteligíveis de pavimentação asfáltica, só carros, carros e carros.

Não há nada de apoteótico, de esplêndido, na Avenida Paralela, onde um expansivo aglomerado motorizado se consolidou no assoalho negro betuminoso, conhecido pela nomenclatura asfalto. O que vi hoje, no retorno ao meu benigno lar, foi aquela branda enxaqueca, essa inesperada celeuma, tendo o final de uma manhã acentuadamente quente e ensolarada como plano de fundo para uma deprimente rotina evidenciada 24 horas, 1.440 minutos e 86.400 segundos diários.

Incômodo para motoristas e passageiros, porém habitual, o congestionamento é partícipe de um ciclo urbano em idêntica progressão ininterrupta. Variadas e usuais são as suspeitas que o provocam: devido às interdições de uma pista, tornando-a provisoriamente intrafegável, em razão de um infortúnio, como qualquer acidente, ou de qualquer acontecimento insólito ou imprevisível. Congestionamento, vulgo engarrafamento, é uma senil e inesgotável excrescência.

Valendo-me da minha nutrida e inocente sabedoria, estou cônscio da factível coabitação dissonante e desconcertante que perpassa as cidades. Esse desconcerto, horrível e atormentador protagonista, presume e gera mesmo inabilidade sem precedentes em meio a uma constância na frota veicular soteropolitana. São, dia após dia, complicações semelhantes no trajeto de volta para minha casa, mas a ida para outros lugares continua aprazível, com evidências aparentes de comodidade.

Transtornos de uma ordem volumosa em uma metrópole como Salvador, equiparados a cefaleias humanas, nunca são solucionados e equacionados simplesmente. São sinônimos – e indícios – de turbulência casual disseminada por dores de cabeça para quem está transitando pelas ruas, avenidas, vias expressas, vias arteriais, estradas vicinais, rodovias e prováveis vias por onde a morosidade ou nulidade da concentração de movimento é perspicazmente veloz, voraz e veraz.

domingo, 17 de abril de 2011

Previna-se do mau hálito

Também conhecido como halitose, o mau hálito crônico atinge mais de 90 milhões de pessoas no mundo

Mais de 90 milhões de pessoas no mundo inteiro são afetadas por um incômodo que atinge a boca, a halitose ou mau hálito crônico. Conceitua-se halitose como a exalação de odores desagradáveis provenientes da cavidade bucal ou do estômago pela respiração. A saburra lingual, massa esbranquiçada ou amarelada na qual resíduos alimentares e bactérias são retidos na língua, é a causa majoritária do problema.

O mau cheiro, sintoma característico do problema provocado pela falta de cuidados rigorosos com a higiene bucal, origina-se geralmente da decomposição dos resíduos de alimentos presentes na superfície dental e da proliferação de bactérias na boca. Alimentos ligeiramente condimentados, como aqueles à base de alho, cebola ou pimenta, também podem causar o mau hálito.

Para prevenir esse inconveniente, recomenda-se usar corretamente o fio dental e escovar os dentes e a língua com movimentos suaves. Além disso, os consumos frequentes de água e de gomas de mascar ou chicletes sem açúcar auxiliam a reduzir a incidência de halitose.

Limpe bem a língua

Microscopicamente, a língua é constituída por milhões de filamentos que agem como uma armadilha para a deposição de partículas alimentares e bactérias. Escovas dentais e até pontas de colher podem ser utilizadas para limpar a língua, mas é altamente recomendável usar o limpador, específico para essa função.

Depois de utilizar o limpador, é preciso limpá-lo na íntegra para evitar o mau hálito. Os bochechos com água, chás (como os de malva) e antissépticos bucais ajudam temporariamente a minimizar o odor, pois somente o mascaram.

Os principais métodos eficientes para amenizar o mau hálito crônico são o emprego de chicletes sem adição de açúcar, de preferência com sabor de canela, e o hábito de beber bastante água.

A saliva combate a halitose, pois ela lubrifica a boca junto com as enzimas inibidoras de resíduos de alimentos e bactérias. Portanto, o fenômeno da xerostomia, popularmente conhecida como "boca seca", induz a pessoa a apresentar problemas no hálito. Quando as pessoas acordam de manhã após o sono, elas apresentam mau hálito em consequência da produção de saliva em patamar baixo.

Chicletes sem açúcar melhoram hálito

A produção de saliva é intensificada pelo consumo de chicletes sem açúcar. Balas e pastilhas com saborizante de hortelã ou de menta, por exemplo, atuam com exclusividade como um escudo instantâneo e temporário do mau odor bucal. Uma ótima alternativa para melhorar o hálito é a mastigação de chicletes adoçados com xilitol, um edulcorante natural substituto da sacarose, o açúcar comum. O xilitol estimula o aumento da salivação e o cancelamento da reprodução bacteriana na boca.

Diferentemente dos outros sabores, como hortelã e menta, que apenas mascaram a halitose, os chicletes sabor canela possuem eficácia comprovada contra ela, informa uma pesquisa recente divulgada nos Estados Unidos. Um ingrediente incluído no saborizante reduz aparentemente o teor de bactérias encarregadas da putrefação dos restos alimentares. O uso de chicletes sabor canela sem açúcar é preferencial.

Quando uma pessoa envelhece mais, cresce a tendência de ela tornar-se desidratada. O consumo abundante e excessivo de água é benéfico, colaborando na redução dos níveis de bactérias decompositoras.

Carboidratos previnem halitose

A realização de dietas alimentares com baixo teor de carboidratos pode aparecer probabilidades de halitose. A maneira mais eficaz de preveni-la, nesse aspecto, é a ingestão de alimentos enriquecidos em carboidratos, como os pães, as massas, os bolos, os biscoitos e os tubérculos ou raízes (aipim, mandioca ou macaxeira, batata, inhame, mandioquinha ou batata-baroa, etc.).

Se a escova dental não atingir toda a superfície da boca, inclusive a língua, a utilização de um aparelho, o irrigador oral, pode ajudar as pessoas que sofrem de mau hálito. O irrigador limpa a gengiva e as regiões interdentais, banindo a formação do mau cheiro através de resíduos alimentares e da interferência bacteriana.

Eventualmente, especula-se que o mau hálito crônico pode ser um sintoma elencado a uma patologia, como insuficiências renal e hepática, diabetes, constipação intestinal ou prisão de ventre e infecções. Uma consulta médica ou odontológica poderá equacionar a halitose, se o problema persistir.

Jornalista palestra sobre os desafios do jornalismo

Na próxima quarta-feira (27), às 10 horas, o Auditório do Nível 3 do Prédio 1 do Campus Paralela do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge) recepcionará o jornalista Paulo Oliveira, secretário de redação do jornal popular Massa! A palestra é dirigida aos estudantes e professores dos cursos de Comunicação Social e demais interessados.

O evento evidenciará, de forma concisa, os desafios do jornalismo na contemporaneidade. Por abordar uma temática tão pertinente, a palestra será uma grande oportunidade para o público-alvo. As inscrições estão sendo realizadas na coordenação do curso de Jornalismo da Unijorge, promotora do evento, no Nível 4 do Prédio 2 do Campus Paralela da instituição, e são gratuitas.

Jornalista desde 1980, Paulo Oliveira é secretário de redação dos jornais Massa!, publicado desde outubro de 2010 pelo Grupo A Tarde de segunda-feira a sábado e destinado às classes C e D, e A Tarde. Circulou por prestigiados veículos de comunicação do Brasil, como o Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, cuja versão impressa foi proscrita em agosto do ano passado, a revista Veja, publicação semanal de interesse geral da Editora Abril, e a Rede Globo de Televisão.

O palestrante acumula em seu currículo reportagens premiadas pelo Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, do qual era vencedor em 1993, e pelo Prêmio Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

Hugo Gonçalves - Jornalista em formação acadêmica
17/04/2011

Serviço

Evento: Palestra "Os desafios do jornalismo na atualidade"

Palestrante: Paulo Oliveira, jornalista profissional, secretário de redação dos jornais A Tarde e Massa!

Data e horário: 27 de abril (quarta-feira), a partir das 10 horas

Local: Auditório do Nível 3 do Prédio 1 do Campus Paralela da Unijorge - Avenida Luiz Viana Filho, 6775, Paralela - Salvador - BA

Inscrições: Coordenação do curso de Jornalismo da Unijorge, no Nível 4 do Prédio 2 do Campus Paralela. As inscrições são gratuitas.

Contatos:

Hugo Gonçalves - (71) 8702-3814 / hugo_goncalves2005@hotmail.com

sábado, 16 de abril de 2011

Química onipresente

O senso comum explana que Química é uma designação inerente a certas tipologias de substâncias prejudiciais à saúde humana. Quem já ouviu alguém falar expressões embasadas nesse preceito errado, como "iogurte sem Química", "medicamentos sem Química" e tantas outras? Será que, nessa acepção, várias pessoas, leigas em conhecimentos químicos, confundem o vocábulo Química, sendo utilizada viciosamente como sinônimo de produtos que nos são maléficos?

Sim, mas a confusão está completamente equivocada. Conforme os professores Francisco Peruzzo (Tito) e Eduardo Canto, químicos graduados em conceituadas universidades do interior paulista, a Química é a Ciência Natural que objetiva estudar e investigar as substâncias, sua composição, sua estrutura e suas propriedades. Nem todas as substâncias e os produtos delas derivados, portanto, são artificiais, ou seja, solidificados pela ação do homem.

Os objetos encontrados na natureza, como o ar reinante na atmosfera telúrica, a água, as árvores ornamentais e frutíferas, as flores, os frutos, as verduras, os cereais, os metais e o látex, extraído da seringueira para a fabricação da borracha, também possuem substâncias químicas em sua constituição. Estas, por sua vez, originam-se de uma heterogeneidade de elementos, sendo que o carbono (C), o hidrogênio (H), o oxigênio (O), o nitrogênio (N), o fósforo (P) e o enxofre (S) encontram-se em larga profundidade.

Notável a clarividência de um conjunto complexo de matérias, inventadas graças aos avanços científicos e tecnológicos através da aliança da Química com outras áreas da sabedoria humana, em particular as Engenharias. Tal imbricação entre elas ensejou a concepção e a moldagem de produtos existentes em abundância em nível planetário terrestre.

É imprescindível frisar que a Química interfere em amplitude dimensional no nosso cotidiano. Refere-se a um magnificente horizonte de substâncias e de processos inimagináveis, naturais e artificiais, membros da constituição das matérias. Matéria, sob a ótica científica, é tudo aquilo que tem massa e ocupa lugar no espaço. São matérias, exemplificando, o papel, a caneta, o lápis, a borracha, o garfo, a faca, a colher, o prato, o classificador, o estojo, a toalha, a escova, o sabonete, o pão, o sal, o açúcar, o arroz, o feijão, o macarrão, a banana e a maçã.

As matérias que fazem menção acima são provenientes das indústrias químicas, ou entraram em contato com os produtos oriundos das mesmas durante a sua elaboração. No bojo da Química é planejado um grandioso panorama elucidativo, cuja compreensão é de suma importância no dia a dia. Observamos diversificadas modalidades e designações de substâncias químicas aplicadas na manufatura de uma gama de produtos industrializados.

Presentes nas embalagens de materiais farmacêuticos, alimentícios, cosméticos, coloríficos, higiênicos, aromáticos, de limpeza, de construção, em artefatos indumentários ou de vestuário, plásticos, só para exemplificar, as extensas denominações de substâncias derivadas da indústria química na lista de ingredientes dão tamanha e sensível imponência na vida de cada um de nós. Sintetizando: todas as coisas que há na natureza provêm exatamente da Química.

Nem sempre ela nos traz desvantagens. A nossa longevidade, subsistência e fixação no meio ambiente deve-se a fatores extremamente superficiais de uma Ciência Natural de viés teórico-prático. O ar atmosférico que respiramos é uma mistura de diversos gases, mas o nitrogênio (N2) e o oxigênio (O2) predominam nela. As atividades que nosso corpo desempenha a fim de nos sobrevivermos tem os procedimentos químicos como atributos.

É de acordo com os pressupostos supracitados que a Química, uma das Ciências Naturais de valor excepcional, está cotidianamente na nossa órbita, girando em torno de nós. O aprendizado e o aprofundamento em conceitos estreitamente coligados a ela, bem como a aplicação das substâncias provindas das indústrias do ramo, nos é essencial. Para aprender a Química, compreendê-la, problematizá-la e desenvolvê-la no cotidiano, não precisa ser sábio de forma exagerada na disciplina, mas saber apenas o seu básico.

Ferry boat é encalhado em Bom Despacho

Incidente no navio Pinheiro ocorreu ontem, após deixar o terminal de São Joaquim em direção à ilha de Itaparica. Apenas duas embarcações estão fazendo a travessia neste sábado devido a manutenção e vistoria nos demais ferries

Com informações do Correio* 24 Horas, do A Tarde Online e da assessoria de comunicação da TWB

O ferry boat Pinheiro foi encalhado na manhã desta sexta-feira, dia 15, na areia de uma praia do município de Itaparica, próxima ao Terminal Marítimo de Bom Despacho, durante cerca de duas horas. A embarcação deixou o Terminal Marítimo de São Joaquim, em Salvador, às 8 horas do mesmo dia. Segundo moradores de Itaparica, os passageiros que estavam a bordo se transferiram para pequenos barcos de pescadores, solicitados por rádio por populares do local.

Foram transportados 370 passageiros, 34 automóveis e 5 caminhões no navio no momento do incidente. De acordo com a TWB, concessionária que administra o sistema ferry boat, o encalhe da embarcação foi causado quando o comandante a desviou intencionalmente, após verificar um problema no compressor de ar. O incidente ocorrido no Pinheiro poderia aumentar a sua velocidade e colidir em Bom Despacho. Infelizmente, o comandante manobrou o barco na praia dos Búzios, ao lado do terminal, evitando a colisão e a alteração na velocidade.

Para dar suporte na saída do Pinheiro, outro ferry foi deslocado para o terminal, mas não foi necessário, fazendo com que o comandante conseguisse direcionar a embarcação que havia sido encalhada para a gaveta de atracação duas horas após o encalhe. Já com o ferry atracado em Bom Despacho, aproximadamente às 10:40, desembarcaram somente as pessoas que fizeram, de carro, a travessia Salvador-Ilha de Itaparica. Depois disso, o navio está em manutenção por tempo indeterminado.

Em operação desde 1976, com o nome Vera Cruz, ao ser incorporado à frota da extinta Companhia de Navegação Bahiana (CNB), empresa estatal, o ferry boat Pinheiro tem capacidade para 800 passageiros e 50 veículos. Juntamente com o Agenor Gordilho e o Juracy Magalhães Júnior, as duas primeiras embarcações do sistema ferry boat, hoje sob a tutela da TWB, o Pinheiro é um dos mais antigos da frota. Em nota oficial distribuída à imprensa, a empresa afirmou que “este e outros navios com equipamentos de aproximadamente 30 anos demandam reparos constantes e oferecem pouca confiabilidade para a travessia”.

Travessia hoje só com dois navios

Neste sábado, apenas duas embarcações, ambas as mais recentes da frota do sistema, estão efetuando a travessia, o Ivete Sangalo e o Anna Nery. Veículos de grande porte, como caminhões e ônibus, não estão podendo realizá-la em razão do tamanho compacto dos navios. Além disso, a carência transitória das demais embarcações devido à manutenção, inclusive o Pinheiro, e à vistoria, está impedindo o transporte de veículos pesados, suspenso desde as 9 horas.

A situação atual dos outros cinco ferries é a seguinte: o Juracy Magalhães Júnior e o Maria Bethânia, que foram requalificados com a instalação de novos motores, estão sendo disponíveis para inspeção na Capitania dos Portos; o Agenor Gordilho também está passando por manutenção; e o Ipuaçu e o Rio Paraguaçu aguardam reforma, cuja proposta foi apresentada pela TWB ao governo do estado. Contendo dois pavimentos de garagem (dose-dupla), o Juracy Magalhães Júnior, após modernização, teve sua capacidade duplicada, de 600 para 1.200 passageiros.

Devido a atrasos na travessia deste sábado na Baía de Todos-os-Santos, a concessionária recebeu duas multas aplicadas pela Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba), órgão governamental que regula o sistema. A primeira multa aplicada pela Agerba foi em decorrência do atraso no horário de saída do ferry Ivete Sangalo, e a segunda foi a ausência da travessia do meio-dia do ferry Anna Nery.

Doe sangue, socorrendo muitas vidas

Fiquei muito contente, orgulhoso e solidário quando vivenciei um nobilíssimo - e inédito, já que nunca tinha feito anteriormente - gesto de amor ao próximo. Até então, jamais efetuei doação de sangue em minha preciosa plenitude vital, embora eu seja um indivíduo maior de idade e com uma saúde decente constante. Doar um líquido de coloração vermelho-escura, composto por glóbulos brancos, ou leucócitos, glóbulos vermelhos, ou hemácias, e plaquetas, é, para mim, para vocês e para nós, um excelentíssimo exercício humanitário, em se tratando de valorização sanitária por uma vida saudável e feliz.

Para que uma pessoa efetue o processo donativo, substancial para aqueles que estão precisando de transfusão sanguínea, é recomendável seguir os pré-requisitos arbitrariamente estipulados. Um indivíduo doador deve ser totalmente sadio, tendo um estado de saúde satisfatório, ter idade entre 18 e 65 anos e peso igual ou superior a 50 kg. Além dessas características, a pessoa, ao doar sangue, não deve estar em jejum e, convém salientar, tem que ser estar bem nutrida, não ter ingerido nenhum alimento rico em gorduras ou nenhuma bebida alcoólica nas quatro horas que precedem a doação.

Comprovando que o doador é um legítimo cidadão de corpo, de alma e de coração, é indispensável a apresentação de qualquer documento oficial com fotografia. Deve ser original, e em hipótese alguma não deve ser reprodução. O documento a ser apresentado na hora da doação de sangue - carteira de identidade, carteira de trabalho, certificado de reservista do Serviço Militar ou carteira de identidade do profissional, emitida por um conselho de classe na qual a profissão que ele exerce faz parte -, ressaltando, sempre deve ser original.

Há uma série de atribuições restritivas, excluindo a pessoa de um procedimento crucial para a perseverança da sua capacidade vital por motivos especiais. O ato de doar é proibido se o indivíduo estiver gripado, resfriado ou sentindo febre, ter histórico de hepatite após os 10 anos, ter ingerido alguma bebida alcoólica nas 12 horas que o antecedem, ter feito tatuagem ou piercing há menos de um ano ou for usuário de drogas lícitas ou ilícitas, a exemplo do fumo, dentre outras substâncias drasticamente nocivas.

Também não se pode doar sangue se a pessoa for portadora de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), como o vírus da imunodeficiência humana (HIV), causador da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids), o vírus T-linfotrópico humano (HTLV), as hepatites B e C e a sífilis, além da doença de Chagas, enfermidade infecciosa transmitida por um mosquito, vulgarmente denominado barbeiro, cujo nome científico é Trypanosoma cruzi. Pessoas que possuírem comportamento de risco para as DSTs devem estar abolidas da doação sanguínea. Uma advertência às mulheres com eventualidades: gestantes ou lactentes, aquelas que estão amamentando suas crianças nos anos iniciais de sua vida, não podem participar.

Doar sangue, um nobre processo salvador de uma infinidade de vidas, não traz ao doador nenhum efeito colateral. Não engorda nem emagrece, não dói nem vicia e, sobretudo, não é maléfico à saúde dos doadores, assim como a minha e a nossa contínua sanidade fisiológica, psicológica e cardiológica. O material empregado no processo de doação é integralmente descartável, não transmitindo nenhuma modalidade de enfermidades. Após efetuá-lo, nosso organismo repõe todo o teor de sangue doado. Durante o procedimento, exames para detectar doenças transmitidas pelo sangue, inclusive algumas DSTs, são realizados, visando garantir ao doador uma saúde lúcida, eficaz e otimista.

Ao ser uma atitude contributiva espontânea, auxiliando um quantitativo incontável de pacientes necessitados, por sua vez na fila aguardando as providências urgentes de reabastecimento de sangue, a doação desse líquido rubro escurecido, contudo não homogêneo, assegura-lhes o seu resgate vital e sanitário. Tanto homens quanto mulheres, cientes de suas ações, podem doar sangue novamente 3 e 4 vezes, respectivamente. Independentemente da frequência que for necessária, doar sangue é muito mais do que uma eterna e perpétua lição cidadã e salutar.

Já faço parte de um contingente de cidadãos obstinados pela reposição, do salvamento e do socorro das vidas por meio desse fabuloso gesto donativo. Ainda é deficitária, entretanto, a quantidade de sangue depositado nos bancos e nos hemocentros para, em seguida, ser transfundido no corpo do receptor. Entrei nessa monumental ação de compartilhamento para uma saúde melhor. E você já está incluído na partilha? Seja mais um voluntário responsável pela doação, que pode salvar um gigantesco número de vidas.