sábado, 25 de setembro de 2010

Paulo Henrique Amorim vem a Salvador

Jornalista profere palestra sobre o papel da mídia nas eleições, terça-feira, na Fundação Visconde de Cairu


Paulo Henrique Amorim, jornalista com quase cinquenta anos de experiência e credibilidade, proferirá palestra nesta terça-feira, dia 28, na Fundação Visconde de Cairu, em Salvador, sobre o papel da mídia nas eleições. Recepcionado pelo também jornalista, ex-deputado federal e candidato a deputado federal Emiliano José (PT), o apresentador do programa Domingo Espetacular, da TV Record, e autor do blog Conversa Afiada examinará profundamente a relevância dos veículos de comunicação e dos seus profissionais em períodos eleitorais.

A palestra será realizada no auditório da Fundação Visconde de Cairu, na Rua do Salete, 50, Barris, às 19 horas. A entrada é franca, porém não obrigatória.

Sempre unidos nos corredores

Colegas de trabalho na Unijorge, Robson Borba, Simone Correia e Tássia Vila Verde explicam suas relações recíprocas, seus acertos e seus obstáculos encarados

Unidos, companheiros, amigos e profissionais. Receita de uma junção amistosa que nunca falha. São essas as virtudes de uma tríade não desmantelável de funcionários do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge). Mantendo instigante comunicabilidade com colegas do seu corpo, estudantes, docentes e trabalhadores de demais segmentos, os auxiliares Robson Borba, Simone Correia e Tássia Vila Verde constituem o "trem da alegria" do nível 4 do prédio 2, onde situam-se as salas de aula dos cursos de Comunicação Social e Psicologia.

O auxiliar operacional Robson Borba de Oliveira, 23 anos, além de trabalhar nos corredores do nível 4, cursa, no turno da noite, o terceiro semestre de Segurança do Trabalho na mesma empresa. "Me comporto como um estudante atencioso, curioso, com vontade de vencer, e nunca desistir", salienta Robson, procurando nele a fórmula para seu sucesso. Há um ano, transferiu-se para o pavimento onde está onipresente até hoje.

Vizinho admitiu ingresso

Morador do Engenho Velho da Federação desde a sua gênese, Borba, como ele é chamado por seus colegas e parentes, ingressou na Unijorge em 2008, por intermédio do recepcionista Ricardo Silva de Souza, seu vizinho e companheiro de infância. "Trouxe o currículo dele e, ao ser analisado, a empresa gostou do perfil dele", conta Ricardo, ao estar ciente da contratação de Robson, escalada introdutória para a sua carreira. Seus métodos de comunicação são o rádio e o telefone ramal, instrumentos preponderantes para a conversação interpessoal.

Filho caçula de cinco irmãos, ele reside com sua avó paterna, Delza Maria da Conceição, 70 anos, para que tivesse alguém para cuidar dele. A perda de proporções jamais atingidas em sua vida foi a de sua mãe, Rosemary Borba de Oliveira, aos 46 anos, em 18 de outubro do ano passado. Rosemary foi vitimada por um infarto fulminante a caminho do Hospital Geral do Estado (HGE), onde seria internada, dentro de uma viatura da Polícia Militar. No momento do óbito da "mulher da minha vida", como Robson a adjetiva, ele teve sensações de desespero, tristeza, angústia e choque.

Robson carrega sua arrebatadora paixão pelo futebol desde a infância, na escola primária. A pretensão do auxiliar operacional era ser meio-campo do Corinthians, time que ele torce. Possuindo três efêmeros relacionamentos amorosos, sem nenhum noivado, ele confessa ser solteiro. Ele tem quatro irmãos, nominados Márcia, Paulo Roberto, Danilo e Daniela. Os dois primeiros vivem na Federação, enquanto os dois últimos, em Cajazeiras.

Da culinária à educação

Há nove anos na Unijorge, a auxiliar de serviços gerais Simone Correia dos Santos, 32 anos, é uma das veteranas da universidade em seu quadro empregatício. Suas primeiras aventuras profissionais eram ajudante de cozinha num restaurante a quilo no bairro de Brotas, e garçonete num bar da Praia de Ipitanga, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador. Convidada a ser uma das rejuntadoras de revestimentos cerâmicos na obra do prédio 1 da então Faculdades Jorge Amado (FJA), em 2001, Simone é encarregada, ao lado de Tássia Bispo Vila Verde, 24 anos, da limpeza dos corredores do nível 4 do prédio 2.

Primogênita entre seus cinco irmãos, todas mulheres – Simone, Sirlene, Sirleide e Silvana, a caçula –, e uma exceção masculina, Jorge, todos casados e com filhos, ela é mãe de Simoni (sic), adolescente de 14 anos. O nome da filha é uma homenagem à cantora evangélica Simony, ex-Balão Mágico, mas no lugar do "y", Simone resolveu trocá-lo pelo "i", por opção, porque ela já tinha registrado Simoni no cartório com esse nome. Ex-estudante da Bíblia Sagrada enquanto seguidora da doutrina das Testemunhas de Jeová, ela não frequenta nenhuma igreja, contudo crê em Deus.

Lado a lado no mesmo nível

Tássia, parceira eterna e recíproca de Simone na preservação do pavimento do prédio educacional em que elas estão, era atendente de uma lanchonete em Pernambués. Ela chegou à Unijorge em 2008 através de amigos. Tanto sua mãe quanto seu pai faleceram quando a filha única deles era adolescente, perdas parentais mais dolorosas que as de Robson.

A mãe, Elisete de Oliveira Bispo, morreu espontaneamente em sua residência, no bairro de Saramandaia, localizado entre Pernambués e a Avenida Antônio Carlos Magalhães, de infarto, há dez anos. O pai, Reginaldo Barbosa Vila Verde, em contrapartida, faleceu durante um trágico atropelamento automobilístico em uma das pistas da Avenida ACM, em frente ao supermercado G. Barbosa do Iguatemi, há oito anos. Ao acumular os óbitos dos seus pais, Tássia ficou triste e consternada ao extremo.

No seu segundo ano de vida, 1987, Tássia recebeu de presente de uma colega de Elisete um boneco do Fofão, um dos maiores personagens infantis da televisão brasileira nos anos 80. Ela conta que "foi muito bom até descobrir que era um boneco de maldição", por estar vinculado a rituais de magia negra, daí o significado da mensagem subliminar contida no brinquedo. Pensando nisso, mais tarde, aos 19 anos, Tássia, hoje evangélica convicta da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), o jogou fora.

Fé em Deus

Casada, mãe de Henrique, de 1 ano e 7 meses, e também dona-de-casa, ela assiste a poucos cultos no templo da Iurd em Cajazeiras – reside em Cajazeiras 2, um dos compartimentos do maior bairro de Salvador. "Minha fé em Deus é muito grande, maior do que o Universo", alegra-se Tássia. O auxiliar operacional Genilton Oliveira de Assis Souza, 24 anos, vê em Tássia, Robson e Simone modelos de companheirismo. "Considero como meus amigos e boas pessoas, companheiros", declara Genilton, cordial.

Espere o sinal fechar

Faixa de pedestres na Avenida Paralela
(Foto: Hugo Gonçalves)

Se as sinaleiras para pedestres fossem desativadas,
o que aconteceria comigo?
Eu ia aguardar minutos ou horas a mais para eu atravessar
uma fileira de retângulos brancos
pintados num assoalho betuminoso
chamado ASFALTO.

Próxima passagem:
o mesmo ASFALTO das mesmas pistas.
Sinal verde:
Já estou liberado para atravessar cada pista negra,
barro bruto revestido por camadas graduais de...
ASFALTO, um derivado do petróleo.

Daí em diante, caminho em cima do meio-fio
Protetor miraculoso de atalhos obstaculosos.

Rumos inéditos para a MPB

A valiosa memória das artes brasileiras, em particular a música, deve ser perenizada para que o público em geral tenha o absoluto direito de aprofundá-la, principalmente, por meio de documentários excelentes na qualidade e no conteúdo. Documentários são elaborados e exibidos com a finalidade de os espectadores adquirirem um aprofundamento do tema em evidência. Com mais de um mês em cartaz em poucas salas de projeção de algumas cidades, o exemplar e contagiante documentário Uma noite em 67 desvenda minuciosamente todos os personagens e bastidores do espetáculo classificatório, considerado o divisor de águas da história da Música Popular Brasileira (MPB). Um episódio áureo que revolucionou radicalmente nosso modo de pensar, sentir, fazer e refazer cultura.

Numa noite glorificadora do dia 21 de outubro de 1967, o Teatro Paramount – hoje rebatizado de Teatro Abril após completa restauração –, na Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, no centro da turbulenta megalópole paulistana, abriu as portas para receber os doze finalistas do 3º Festival de Música Popular Brasileira, realizado pela TV Record. Dentre eles, apenas cinco jovens talentos faturaram os primeiros lugares – Edu Lobo, Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso e Roberto Carlos, àquela altura um dos líderes da Jovem Guarda. Protagonizando a obra cinematográfica dirigida por dois estreantes no cinema – o jornalista Renato Terra e o publicitário e crítico da sétima arte Ricardo Calil –, os vencedores defenderam audazmente, em uma plateia divergida entre aplausos e vaias, suas respectivas canções que logo se tornariam êxitos nacionais.

Quando Renato, um dos diretores do longa-metragem de 105 minutos, estava se formando na faculdade e elaborou sua monografia acerca da Era dos Festivais, em 2003, ele apresentou ao seu orientador a ideia de concretizar o material audiovisual tratando exclusivamente da famosa terceira edição do evento. Já que o projeto não decolou a princípio, por ter pouquíssimas informações coletadas sobre o assunto, Renato convidou Ricardo dois anos depois. A fim de obtê-las com máxima dimensão, eles recorreram a entrevistas. Foi aí que a semente da película, fruto de um trabalho intensivo e exaustivo de cinco anos, começou a brotar. Imagens de arquivo foram gentilmente cedidas pela própria TV Record por meio de visitações à sede da emissora, em São Paulo, pelos jovens cineastas, auxiliados pelo produtor executivo Maurício Andrade Ramos.

Eventos de incomparável magnitude nos anais da primeira arte e da televisão no Brasil, os festivais organizados e transmitidos ao vivo pela Excelsior, Globo, TV Rio e a mola-mestra Record alcançaram uma audiência sem precedentes entre a segunda metade da década de 1960 e os primeiros anos do decênio subsequente. O período compreendido entre 1965 e 1972, a “era de ouro dos festivais”, consagrou intérpretes que instantaneamente se transformariam em unanimidades nacionais, como Elis Regina, Gal Costa, Jair Rodrigues, Nara Leão, Milton Nascimento, Geraldo Vandré, entre outros, além do famigerado quinteto participante da grande final da terceira edição do 3º Festival de MPB. De acordo com os roteiristas Bia Braune e Rixa, autores do Almanaque da TV, “uma finalíssima poderia ser comparada à decisão de uma Copa do Mundo”, ou seja, a decisão de um festival teve um inacreditável sabor de campeonato de futebol.

Uma noite em 67 não se restringe ao enfoque da emblemática e nostálgica noite em que mudou em definitivo os rumos da MPB. Convence-nos compreensivelmente a mergulhar pelo contexto histórico de um ano marcado pela atuação persistente da juventude rebelde difundindo seus ideais de liberdade, paz e amor por um mundo melhor. Baseado nesse conceito, o 3º Festival de MPB alavancou, além da hegemonia televisiva na transmissão de congêneres, uma mudança no comportamento dos jovens, como fica evidenciado na hipnótica indumentária de alguns músicos presentes no palco, caso de Caetano Veloso. Ao interpretar o contestatório hino Alegria, alegria, quarta colocada, o baiano, então com seus joviais 25 anos, usou um terno xadrez marrom e uma camisa de gola rulê laranja-vivo.

Gilberto Gil, antagonicamente, era adepto confesso do regionalismo e, em consequência, das raízes da MPB, explicitadas na música Domingo no parque, a vice-campeã. Seu conterrâneo e amigo Caetano lhe aconselhou a incluir no arranjo os três integrantes do ainda desconhecido grupo Os Mutantes – Rita Lee e os irmãos Arnaldo Baptista, namorado de Rita na oportunidade, e Sérgio Dias – influenciado pelo rock progressivo. Surgiu, com essa mistura de ritmos, signos e poéticas, o embrião de um movimento revolucionário em nosso cenário cultural, o Tropicalismo, embasado no Manifesto Antropofágico de Oswald de Andrade (O arranjador de Domingo no parque no festival era ninguém menos que o maestro Rogério Duprat, um dos próceres da colorida e entusiástica manifestação). “Quando eu vejo as imagens hoje, não fico admirado de que as imagens não tivessem gravado na verdade um fantasma, o que eu era no momento ali no palco”, declara Gil, sorridente, relembrando a sua apresentação.

As hostilidades entre os dois jovens baianos, de imediato, acabaram sendo conciliadas no palco do Teatro Paramount a partir do auxílio luxuoso dos Mutantes, por recomendação de Caetano. Por isso, Gil ponderou no documentário que não queria brigar com seu companheiro meses antes do festival, após uma conservadora passeata contra a guitarra elétrica promovida pela TV Record no centro de São Paulo. A esdrúxula mobilização idealizada pela emissora, que veridicamente era mera estratégia de marketing, intencionava o protesto contra um singelo emblema da preponderância estrangeira sobre a cultura nacional. “Sempre quis compartilhar, somar, e não dividir”, justifica o ex-ministro da Cultura. Foi assim que, após hesitações de Gil em integrar o movimento liderado por Caetano, a amizade entre eles foi selada na instância da arte.

Vaias ensurdecedoras impediram Sérgio Ricardo de concluir a entonação da sua canção bossa-novista Beto bom de bola, o que lhe fez perder a paciência e ficar transtornado. Depois, Sérgio atirou seu violão no banquinho de madeira onde estava sentado, contra a plateia, e abandonou o palco. Consequentemente, a música foi desclassificada justamente pelas provocações do público, através de um comunicado da direção da TV Record, pronunciado aos jurados pelo apresentador Blota Jr., excluindo-a da lista dos cinco vencedores do concurso. Ele reaparece, nos extras de Uma noite em 67, cantando, ao piano, Beto bom de bola, com uma nova harmonia que, no entanto, é duvidosa. Segundo Paulo Machado de Carvalho Filho, o Paulinho, diretor da emissora na época, falecido no último dia 14, era impossível admitir um desrespeito ao público em termos de espetáculo, como destruir um instrumento.

Em companhia com a cantora niteroiense Marília Medalha, Edu Lobo cantou Ponteio, maravilhosa parceria entre ele e o poeta baiano José Carlos Capinan, logo depois um dos artífices tropicalistas. A ideia da composição, grande vencedora do 3º Festival de MPB, surgiu quando Edu ficou fascinado com a melodia de O cantador, do seu amigo Dori Caymmi, antes de a canção ganhar letra de Nelson Motta. Inicialmente, Edu esboçou um refrão, inspirado na letra de O cantador. No lugar dos versos que Nelson havia escrito, "Ah, sou cantador/ Canto a vida e a morte/ Canto o amor", ele escreveu "Ah, quem dera agora/ Eu tivesse a viola/ Pra cantar". O mote, então, fixou na cabeça do compositor, que convidou Capinan para desenvolver a letra. Ponteio, o título da canção campeã do triunfante concurso, nascida horas antes da sua inscrição, foi extraído de um caderno com uma relação de prováveis nomes de músicas anotados por Edu.

Muito além das esplendorosas apresentações dos cantores, Uma noite em 67 traz, de quebra, entrevistas nos bastidores do festival, concedidas pelos repórteres Randal Juliano, Cidinha Campos e Reali Júnior. Numa delas, Randal perguntou a Caetano o que significa o termo “pop”, mas o entrevistador não entendeu a resposta do cantor por tratar-se de um neologismo. Traz, ainda, depoimentos de todos os colaboradores daquela noite de gala, a começar por Chico, Caetano, Gil, Edu, Roberto Carlos e do desclassificado Sérgio Ricardo; passando por membros do júri como o poeta Ferreira Gullar e o jornalista Sérgio Cabral, pai do atual governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral Filho; do técnico de som do evento Zuza Homem de Mello, hoje um dos magníficos críticos de música, e de Solano Ribeiro, inventor e diretor dos festivais da MPB da Record. Artistas coadjuvantes também relembraram o episódio, como Marília Medalha e o quarteto vocal MPB-4, que acompanhou Chico em Roda viva.

Rememorar e dissecar uma final fantástica do espetáculo que arquitetou e delineou o atual arcabouço da MPB está fazendo germinar, 43 anos mais tarde, uma nova leva de cultuadores e saudosistas não somente daquele dia, mas, em nível global, de uma geração radicalmente mutante. Esse é o papel crucial de Uma noite em 67, genial fonte audiovisual de pesquisa e informação sobre os melhores – e conturbados – momentos do majestoso festival responsável por pacificar as dualidades existentes entre a modernização e a obsolescência, ou, conforme Caetano, em sua Tropicália, deslumbrante obra-prima do Tropicalismo, a “bossa” e a “palhoça”. Os pragmatismos conflituosos entre o novo e o velho, o moderno e o arcaico, o progressista e o conservador, desde então, começaram a se dissipar. Juntando compositores, intérpretes e músicos de diferentes estéticas e ambições, o 3º Festival é um vitorioso marco de referência entre épocas distintas da hoje variegada Música Popular Brasileira.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Muito mais carros no Dia Mundial sem Carro

Data comemorativa ao controle no uso de automóveis foi contraditória em Salvador, com congestionamentos e acidentes

Com o objetivo de reduzir a frota de veículos automotores que circula nas cidades, estimulando uma reflexão sobre seu uso excessivo, é comemorado, nesta quarta-feira, o Dia Mundial sem Carro. A ideia da data surgiu na França, quando seus idealizadores optaram por descobrir outros meios de mobilidade urbana. Em Salvador, a concepção da data foi ambígua – embora ela incita a racionar a utilização de carros, o fluxo do trânsito nas principais avenidas foi enorme.

O motivo dos congestionamentos nas avenidas Luiz Viana Filho, a Paralela, nos sentidos Centro e Aeroporto, e Antônio Carlos Magalhães, nos sentidos Lucaia e Rótula do Abacaxi, foram as chuvas que caíram durante as primeiras horas do dia, segundo informações da Superintendência de Trânsito e Transporte de Salvador (Transalvador), órgão da Prefeitura. No entanto, nenhum acidente foi registrado nas duas vias.

Na Paralela, uma imensa quantidade de pessoas dirigia-se à sede do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), no Centro Administrativo da Bahia (Cab), para a regularização do título eleitoral, disseminando o congestionamento em ambos os sentidos. Ao contrário, o tráfego na Avenida ACM fluiu normalmente, sem quaisquer problemas, nos sentidos Bonocô e Rótula.

Acidentes

Foram registrados, ainda, dois acidentes, um na Avenida Suburbana e outro no bairro da Liberdade. Um triplo acidente envolvendo um caminhão, um Ford Fiesta e uma van Topic na Suburbana, nas imediações do Parque São Bartolomeu, lesionou um homem e possibilitou a lentidão no trânsito nos dois sentidos – Centro e Paripe.

Na Rua Lima e Silva, na Liberdade, em frente ao Colégio Estadual Duque de Caxias, um motociclista atropelou e feriu um pedestre. As duas vítimas foram atendidas imediatamente por uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Meios alternativos

O Dia Mundial sem Carro, comemorado anualmente em 22 de setembro, foi criado em 1997 por habitantes de 35 cidades francesas, conscientizados em utilizar métodos alternativos de transporte ao deixarem seus veículos motorizados em casa. Problemas que dificultam a vida das pessoas, como os acidentes, os congestionamentos, as poluições aérea e sonora e o consumo elevado de combustíveis, persuadiram os cidadãos a conceber a data comemorativa. No ano 2000, outros países europeus a adotaram.

Em 2001, a medida foi exportada para o Brasil, e diversas cidades aderiram-lhe de forma ecologicamente correta através de parcerias e convênios com prefeituras municipais. Sob o pretexto de convencer as pessoas a usarem automóveis e motocicletas de maneira racional e controlada e de incentivar a locomoção sustentável, as prefeituras promovem atividades benéficas, como passeios de bicicleta e caminhadas.

Salvador tem atualmente mais de 615 mil veículos em circulação, de acordo com dados levantados pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Aproximadamente 71% da frota abrange carros.

domingo, 12 de setembro de 2010

Carta de afastamento por 9 dias

Prezados leitores internautas,

Em virtude da minha dedicação com meus estudos para as duas primeiras avaliações acadêmicas do 4º Semestre de Jornalismo que serão aplicadas nas duas próximas semanas, suspenderei interinamente, num intervalo de 9 dias, a atualização desta página eletrônica. A acumulação contínua de postagens, por enquanto, causa-me um trabalho exaustivo e sobrecarregado. Só retornarei a redigir e escrever textos para este endereço quando eu concluir a primeira fase avaliativa, talvez no dia 21. Sou fiel e obediente a esse comprometimento, cumprindo-o até a data de sua expiração.

Salvador, 12 de setembro de 2010.

Hugo Gonçalves.

sábado, 11 de setembro de 2010

Mixagem sígnica em avenida do Stiep

Foto: Hugo Gonçalves

Junção de duas peças publicitárias num terreno abandonado na Avenida Professor Manoel Ribeiro, no Stiep, próximo ao Centro de Convenções da Bahia. Como podemos perceber na leitura dos signos na fotografia acima, vemos dois elementos concatenados entre si – parte de um cartaz anunciando um lançamento imobiliário em fase final de vendas, o condomínio Morada das Torres Residencial Clube; e uma sequência de oito cartazes de propaganda do candidato a deputado federal do PT Emiliano José exprimindo o apoio recebido do ex-governador e ex-ministro Waldir Pires. Ao fundo, miscelânea de condomínios de classe média no entorno do local fotografado.

O exemplo desmascarado acima nos ampara a vivenciar com a infinitude suprema dos signos. Temos aí um cartaz enorme, impactante, e dentro dele há inúmeros elementos: a reconstituição ilustrativa do condomínio, uma moça boiando na piscina, uma seta vermelha em sentido direito, correspondente ao terreno onde a obra em evidência está sendo construída e incorporada por uma firma prestigiada do ramo, a André Guimarães. A inclusão da moça no cartaz nos dá a impressão de que condomínios residenciais como o Morada das Torres têm espaço reservado ao lazer de seus habitantes.

No muro balizador de um terreno baldio, observamos outros cartazes publicitários, todos iguais, semelhantes, nos quais Waldir elucida seu respaldo eleitoral a seu amigo e correligionário Emiliano. A inscrição "Waldir vota Emiliano 1331", em letras garrafais, capacita a rápida memorização do indivíduo ao eleger aquele candidato a deputado federal. Sobrepostos no mesmo muro anteriormente pichado com os nomes dos candidatos ao governo da Bahia e à Presidência, Wagner e Dilma, respectivamente, as peças de Emiliano, tendo o vermelho como cor predominante, sentimentalizam-nos o espírito libertador e a semântica democrática e progressista.

Reaberto o canto boêmio

Um dos atrativos da noite de Salvador, o Mercado do Peixe, no Rio Vermelho, teve sua reedificação inaugurada nesta sexta-feira, dia 10
(Foto: Arisson Marinho/Correio*)

Barracas de praia aniquiladas, baianas comercializando iguarias nos calçadões de pedra portuguesa, tendas improvisadas às pressas em lugar dos finados empreendimentos imobiliários erguidos em madeira e telha e um exíguo comboio de banhistas são retratos incendiários de um sumário verão assinalado em peculiaridades. Testemunhamos recentemente a divina (?) tragédia responsabilizada por fontes oficiais, o holocausto neutralizador de uma estação que já havia sido carcomida pela inconclusão das tendas de alvenaria amparadas sobre a areia. Há algum subterfúgio hipotético pairando na superfície arenosa, imbricada entre o oceano deserto e o continente substancialmente urbano?

Em concomitância com a semidesertificação da outrora atraente orla marítima, exuberância de súbito revogada pela demolição amplificada das 349 barracas deferida judicialmente com o voto de Minerva, nosso chefe do Executivo municipal, João Henrique de Barradas Carneiro, entregou com pompa e elegância as obras de reconstrução de um dos tradicionais núcleos de abastecimento da cidade. Mercado do Peixe, no Rio Vermelho, refúgio dos antológicos fins de tarde, paraíso das alvoradas noturnas, aprazível entreposto boêmio agrupando visitantes, dos nostálgicos aos calouros, hospitaleiro polo não apenas pesqueiro, mas de gêneros alimentícios incrementados. A sua requintada reinauguração, na noite de ontem, sob o beneplácito do senhor prefeito e de seu secretário de Serviços Públicos, Fábio Mota, adquiriu-lhe uma roupagem confortabilíssima. Mas, por singeleza, é apenas o recomeço do mercado.

Um dos entrepostos de iguarias e de colóquios (conversas informais) expelidos das mesas dos seus boxes – como se fossem as lojas em um shopping center – de Salvador, o sexagenário Mercado do Peixe metamorfoseou-se em seu terceiro estágio, mais arrojado, eficiente e satisfatório. Reunido mutuamente, após revitalização integral, por 36 bares, restaurantes e lanchonetes, forjados por permissionários, o mercado trouxe de volta a efervescência notívaga do Rio Vermelho. O edifício anterior, armado em módulos de concreto pré-moldado e datado de 1988, justapunha 33 boxes e, antes de ele ser posto abaixo, sofria com a caducidade da estrutura, a carência de higiene e limpeza e o fétido odor exalado reciprocamente.

Odor horrível de tamanha complexidade, óbvio, é gerado por uma mistura confusa de átomos nitrogenados provenientes da decomposição proteica dos peixes e frutos do mar, em companhia da ureia, outra substância nitrogenada geratriz do mau cheiro. Antes da demolição do mercado pré-moldado, vestígios de urina em sanitários escorriam por toda a área, alcançando o cúmulo da ameaça do ócio, da boêmia e do bel-prazer.

Pôr a agora recuperada praça de alimentação impregnada à direita do Largo da Mariquita, onde cada permissionário recepcionava em suas respectivas tendas de lona, para explorá-la em magnetizado alvoroço promovido pelo prefeito, seu séquito e seus comandados no entorno do terreno requalificado, estipulava cinco meses. Além das diferenciadas e geométricas manifestações morfossintáticas do recém-entregue mercado reerguido, seu atrativo é o novo esquema de iluminação, com luminárias, postes e refletores de última geração e uma inigualável clarificação cênica na tonalidade verde. Verde, sugestivamente, é o signo da esperança implicada na reabilitação do equipamento. Outro acessório primacial, adornador da fachada, são as surpreendentes lonas tensionadas brancas, permitindo a ressonância e iluminação ambiental do local.

Lonas de geometria triangular, assemelhando-se a embarcações, e de dimensões exacerbadas revestem com esmero o polo gastronômico, protegendo-o das mirabolantes intempéries.

Na cerimônia oportuna de reinauguração do point, complementado pela Praça Caramuru, a indefectível, suntuosa e transparente cantora Elaine Fernandes elogiou nosso comandante, oriundo de Feira de Santana, entoando a impávida canção Faz um milagre em mim, sucesso do cantor evangélico Régis Danese. Que milagre João Henrique, ressaltando suas promessas vanguardistas dirigidas às gerações vindouras, assegurou quando resolveu reumanizar publicamente o Mercado do Peixe e reordená-lo?

Milagre foi suportar bastante os reflexos tranquilizadores da luminescência esmeraldina do mercado novinho em folha. Nessas circunvizinhanças do verão, mais uma vez improvisado quanto à sobrevivência dos comerciantes emergentes (ex-barraqueiros), usufruir das exigências do moderníssimo agrupamento de comes, bebes e de uma massa autenticamente gentil intencionará a sua hospitaleira probabilidade. Bonificações como a reabertura simultânea do prédio, logo de cara, acrescentarão exitosos prognósticos de empregabilidade e rentabilidade a seus comerciantes.

Implantado no bojo de um plano ambicioso que pretende resgatar parte da história do Rio Vermelho, através de uma parceria público-privada (PPP) entre a prefeitura e a Cervejaria Schincariol, o conjunto de obras prevê, além do reerguimento do entreposto, um mirante, um restaurante panorâmico, um memorial ao português Diogo Álvares Correia, apelidado de Caramuru pelos nativos, e uma colônia de pescadores.

Tarefas acessórias embargadas pelo juiz Carlos d'Ávila Teixeira, mesmo responsável pela suspensão do prosseguimento das barracas na orla. Acredito no ritmo lento, "de formiguinha", da execução dos departamentos coadjuvantes de um complexo de lazer encravado em proporção jamais vista aqui em Salvador. Contrariando-se com a abstinência abrupta dos anexos do condomínio de 36 boxes, servidores reiniciam o atendimento e a recepção para sua obsessiva clientela reposta em órbita.

Estou convicto de que a perspectiva estética e funcional de vanguarda do Mercado do Peixe reatraia saudosistas das noites serenas, suaves, pacientes e ociosas da região onde ele se situa e adjacências e das demais localidades, bem como novatos, em grande parte simpatizantes da gastronomia. Já com as barracas lamentavelmente suprimidas em sua integralidade na orla, os soteropolitanos e turistas procuram escapar-se da traição e da inépcia recaídas em prejuízo incalculável dos proprietários dos imóveis. Retomar um dos velhos pontos diversionais e de encontro à nossa miscigenada gente baiana intervirá, quiçá, no seu rendimento próspero. Frutuoso consideravelmente do que nas praias agora incomuns e frequentadas em abundante timidez e refluxo.

Wagner permanece no topo

Ibope e Datafolha confirmam favoritismo isolado do governador. Na corrida senatorial, o Ibope admite empate técnico entre César, Pinheiro e Lídice

Pesquisa inerente à sucessão para o governo da Bahia coletada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), e divulgada nesta sexta-feira, dia 10, no telejornal BA TV, da TV Bahia, reafirma a liderança do governador Jaques Wagner (PT). O candidato à reeleição pela coligação Pra Bahia Seguir em Frente (PT-PP-PSB-PDT-PC do B-PRB-PHS-PSL), é dono dos 49%, mesmo percentual da sondagem anterior, feita entre os dias 24 e 26 de agosto. Seu adversário absoluto, Paulo Souto (DEM), da coligação A Bahia Merece Mais (DEM-PSDB), declinou três pontos, de 18% para 15%.

Terceiro colocado, Geddel Vieira Lima (PMDB), pleiteante ao Palácio de Ondina pela coligação A Bahia Tem Pressa, integrada por um leque de doze agremiações partidárias (PMDB-PR-PTB-PPS-PSC-PTC-PTN-PRP-PT do B-PSDC-PMN-PRTB), subiu um ponto, estando com 12% das intenções de voto. Luiz Bassuma (PV) e Marcos Mendes (Psol) pontuaram 1% cada. Os dois últimos postulantes ao governo estadual, Professor Carlos Nascimento (PSTU) e Sandro Santa Bárbara (PCB) não passaram de zero por cento. Votos em branco ou nulo chegaram a 7%, e 16% do eleitorado baiano está indeciso.

O Ibope questionou no levantamento quem não irão votar em nenhum candidato. Souto apresenta o maior índice de rejeição, detendo 25% das estatísticas. 23% dos eleitores recusam em votar em Bassuma e 17% no Professor Carlos. Geddel e Sandro Santa Bárbara foram pontuados igualmente, com 16%. Em seguida, Marcos Mendes possui 15% de rejeição. O candidato minoritariamente rejeitado pelos entrevistados é Wagner, obtendo 13%. As possibilidades de não votar em qualquer candidato atingem 15%, e os que não souberam ou não opinaram vão a 19% das preferências.

38% dos eleitores entrevistados pelo instituto avaliaram o governo Wagner como bom, 30% confessaram que a administração está regular, 14% opinaram como ótima e 5% péssima. 5% estavam indecisos.

Senado: imbróglio na disputa

Na disputa para o Senado, César Borges (PR), Walter Pinheiro (PT) e Lídice da Mata (PSB) aparecem tecnicamente empatados no páreo, obtendo 29%, 27% e 26% dos palpites, respectivamente. José Ronaldo (DEM) vem em quarta posição, pontuando 14%. Outro democrata, o deputado federal José Carlos Aleluia, compartilha com o vice-prefeito de Salvador Edvaldo Brito (PTB) o quinto lugar, com 7% cada um. Edson Duarte, do Partido Verde, e Carlos Sampaio, o Carlão, do PCB, pontuaram 2%. Correspondendo a 1% cada, Professor Albione Souza Silva (PSTU), Luiz Carlos França (Psol) e sua correligionária Zilmar Alverita dividem cada quinhão na última colocação.

Encomendado pela TV Bahia, o levantamento foi resultado de audiências com 1.512 eleitores realizadas pelo Ibope no período de 7 a 9 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos. A sondagem foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) com o número 39.975/2010.

Wagner seria reeleito hoje

O instituto Datafolha revelou hoje outra pesquisa referente às intenções de voto ao Palácio de Ondina. Jaques Wagner continua assumindo a ponta, oscilando dos 47% anteriores para 48%. Nas posições subjacentes, o ex-governador Souto sofreu decadência de 5 pontos percentuais, aparecendo com 18%, e Geddel detém seus 14% na disputa. Se as eleições fossem hoje, o petista se reelegeria.

O atual governador avança na pesquisa espontânea, onde os candidatos não são mencionados nominalmente, abrindo 23 pontos de vantagem sobre o democrata, que está com 8%. Possuindo 7% das predileções, o peemedebista é o terceiro colocado na pesquisa espontânea.

Em conformidade com o instituto estatístico do Grupo Folha, o ex-governador é o postulante com maior percentual de rejeição – 32% do eleitorado baiano decidiu que não irá elegê-lo. Geddel é o segundo mais recusado, pontuando 21%. Wagner é o menos rejeitado na sondagem Datafolha, com 15%.

Para realizar o levantamento, o Datafolha entrevistou 1.104 pessoas em 43 municípios baianos nos dias 8 e 9 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi protocolada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número 28.826/2010.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Tempos, sonos e sonhos

Sair do concreto para o abstrato delineia minhas horas de sono, esnobando a dimensão do cansaço ou o grau preventivo do descanso. Ao mergulhar no meu quarto pigmentado de uma vivacidade jamais obtida, entre fantasias e factualidades implicadas em toneladas de apetrechos, o passaporte executor de espectros imaginários é a própria cama. Claro que ela demarca um cenário ilusório em mim, fragmentável em imagens não estáticas. Tijolos e ladrilhos de fixações do dia a dia, entre noites e madrugadas, são cimentados no celeiro cerebral. Prenúncio despertador.

O uso não muito intermitente do computador portátil, com parcos intervalos periódicos e o jantar tardio causaram-me grandiosas ameaças quanto ao gerenciamento controlado do tempo exato. Foi assim, ao examinar a ausência nas suas valiosas solicitudes, que encerrei minha dormência por oito horas seguidas – e ultrapassadas – proporcionadas pela prorrogação do meu sono. Pressionando meu telefone celular multifuncional para cima, descobri, enfim, que me atrapalhei no horário das aulas. Reparei a repulsa parcial na rotina convencional, anomalia criadora de reviravoltas e de transeuntes. Eram 6:39 de hoje quando o inesperado aconteceu.

Em paralelo ao débito diário da jornada estudantil, progredi-a linearmente com a lembrança de que acordava silenciosamente depressivo e cabisbaixo. Cabisbaixo porque perdi uma parte transitória entre a madrugada e o amanhecer, na qual eu desperto, espanto minha preguiça corporal e mental e saio da cama, onde preencho o sonhador ciclo de dormir. Afirmo e confesso que não fui vítima de distúrbios cessadores do sono, como insônia, apneia ou sonambulismo. Sofri, só hoje, perda de horário ao levantar-me de um móvel doméstico aconchegante onde de leve me liberto da exaustão corriqueira.

Não sou programado para comparecer às aulas nos quatro dias semanais nem tampouco frequento-as de maneira pontual, admitindo semelhanças entre membros carnais-espirituais e membros biônicos. Diz o antigo ditado que a pressa é a inimiga da perfeição – até em situações espinhosas ou excepcionais, como meu atraso desleixado na mobilidade em ir à faculdade. Preocupado com a redução nos primeiros minutos de aula, falha na qual fui paciente e consegui, por ser sereno, desvencilhar-me dela, sem mágoa e revolta. Exorcizo ressentimentos no caldeirão vibrante, embasando-me na premissa do dispêndio de negatividades. Banho-me em águas cristalizadas enquanto recebo promessas vãs.

Obedeci e fui fiel ao tempo corrido, embora esteja subtraído devido a um contratempo. Em conexão, sinergia e sintonia com o noturno dos últimos instantes, administrarei minha temporalidade e o desprezo costumeiro, prevalecendo a clarividência e os cuidados. Hoje, amanhã e em todas as ocasiões úteis, serei o cativo genial da consecução diária, submissão essa uma das controladoras da alma. Dia que, por pouco, não foi desconcertante nas entrelinhas cronológicas.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Blecaute atinge 190 cidades baianas

Provocado por incêndio em linha de transmissão no Tocantins, desligamento da rede elétrica interferiu, além da Bahia, em mais dez estados do Norte e do Nordeste

Com informações de A Tarde On Line, Correio* e Tribuna da Bahia

Às 16 horas e 45 minutos desta terça-feira, um incêndio se alastrou, atingindo a linha de transmissão Gurupi-Miracema, no Tocantins, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Temporariamente, o fornecimento de energia elétrica em todos os nove estados do Nordeste e em dois do Norte foi interrompido por 28 minutos.

O incidente atingiu Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Pará e Tocantins, encerrando às 17 horas e 13 minutos. Na Bahia, 190 municípios, incluindo Salvador, sofreram o blecaute simultâneo provocado pelo fogo que desligou as linhas interligando as regiões Norte/Nordeste e Sul/Sudeste/Centro-Oeste.

Dezenas de residências de Salvador foram criticamente afetadas em alguns bairros pelo blecaute. Para evitar o prolongamento da falta de energia, a Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba) acionou um plano emergencial denominado Esquema Regional de Alívio de Carga. A situação voltou a se normalizar quando os serviços de manutenção da linha foram concluídos.

Subjetividades de fila

No departamento nominado central de atendimento,
Me sinto cortês durante a chamada e a espera,
Deixando para trás pesadelos, aflições, tormentos,
Angústias, ciúmes e milhares de sofrimentos.
Casualmente, a subordinação parental em mim já era.

Sou cumpridor das pré-programadas responsabilidades,
Dos compromissos passíveis de renovação.
Enquanto resolvo-os, penso nas minhas vontades
Invioláveis – enfatizando o bel-prazer e a animada diversão –,
Mas cogito absolutamente no meu novo amanhã.

Perambulo atenciosamente até os inacessíveis portais estreitos:
Os mais dificultosos e embaraçosos, nos quais os efeitos
Que nos deixam gloriosos tenham alguma probabilidade de vitória.
Jamais serei culpado das incomodidades de nossa história
E nem tampouco das adversidades barbarizantes do proveito.

Leva-me, gerações frutíferas, aos horizontes profícuos da fertilidade,
Visando dissecar com brandura minha virilidade pródiga.
Fideliza-me laboriosas sementes de salvação na profundidade
No controle pacífico dos meus transtornos psicológicos...
A recompensa disso é que conseguirei um bônus pela virtuosidade.

Assumo e estou ciente da flexível solicitação burocrática
Utilizando-me do meu silêncio proposital, enfrento a ânsia
Sigo, em linha reta, a autêntica moral, implicando na tolerância,
Ternura e ousadia – preciosidades básicas para a bonança
Pacificadora e compreensível, sem artimanhas autocráticas.

Chances de uma vida adocicada com o doce mel do céu
Insuperavelmente germinarão quantidades sentimentalizadoras.
Enquanto isso, não sou nenhum campeão em levantar troféu.
Infortúnios um dia não me abalarão a reputação e o otimismo
Originais quando brilhar no seleto time – e de me sair do papel.

Edifico, a cada período, meus dotes racionais e emotivos:
Subjetividades embelezadoras de saber, ser e estar,
Individualidades dialogadoras de saborear, ter e falar.
Minha capacidade comandante, ao qualificá-la como passiva,
Veicula o entusiasmo e o carisma na hora de entrá-la no ar.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Dádiva aquática

Tartarugas se acasalando em seu habitat instalado no Aquário Municipal de Santos, o maior do Brasil

Multiplicar os aquários
Por toda a costa brasileira
Expandir oceanários
Incentivar a produção pesqueira

Muita prosperidade
Em apreciar os infinitos quilômetros litorâneos
Sustentabilidade
Boníssimos conselho e ordem em zelá-los por anos

Aquários complementam o litoral
Contornando-o com azuis bem vivos
O que há além dos recifes de coral
Está depositado em celeiros incríveis

Mais dinamicidade
Sem contaminar as cidades de modo exorbitante
Com possibilidades
De observar o colorido fantástico a cada instante

Queremos que nas costas da Bahia
Tenham sempre à nossa disposição
Inúmeros oceanários gigantescos
E núcleos de tecnologia em preservação

Para a aprendizagem
Zoológicos aquáticos interativos e educativos
Fugindo da crueldade
Animais marinhos estabelecidos em habitats construtivos

Onde há luta, há Emiliano!

Constelações e galáxias de jornalistas intransigentes na luta em favor da democracia e da liberdade de imprensa são de natureza incomensuravelmente excepcional na construção de uma sociedade justa, sólida e complacente. Em meio a incontáveis estrelas da nossa imprensa, existem centenas delas que desafiaram com bravura, intrepidez e retidão o arbitrário establishment – ou sistema de governo – duradouro por vinte longos anos de obscuridade e impertinência em detrimento das mobilizações populares. Mesmo com os generais no elevado escalão do Palácio do Planalto, indicados pelo Alto Comando do Exército, a imprensa oposicionista, apesar de amordaçada pela censura, tentaram fazer de suas convincentes e bem-humoradas astúcias estratagemas para miná-la.

Regime anticonstitucional e antiético, no qual toda e qualquer crítica que lhe for inconveniente, ora radical, ora delicada, era desconsiderada por motivos subversivos, em particular nas suas segunda e terceira etapas, cujos chefes agiam com temperamento agressivo, daí a sua brutalidade. Sem nenhuma hesitação, os argumentadores mais combativos, majoritariamente cooptados ou pertinentes a agrupamentos de esquerda, foram cúmplices de anos inesquecíveis, sendo condenados a prisões, torturas, desterros e até mortes, atos vândalos cometidos contra eles. Foram, entretanto, suplícios armados pela própria ditadura, aparentemente humanista e veridicamente estúpida, excludente e maligna. No recôndito da miríade democrática, lá estava ele: um insigne jornalista, professor, político e escritor, com nove livros publicados.

Por isso, estou me referindo a um homem austero, tenaz, incorruptível e virtuoso. Nascido em Jacareí, interior de São Paulo, Emiliano José, vivendo na clandestinidade como militante da Ação Popular (AP), adotou a Bahia como domicílio no auge das turbulências da ditadura, driblando-a desde seus primórdios. Emiliano, assim como outros companheiros de batalhas que contribuíram na restauração libertária brasileira, foi torturado e condenado a quatro anos de prisão pelos donos do poder, justamente, em um infecto porão totalitário da Penitenciária Lemos Brito, em Salvador, conhecido por ele como "mar cinzento".

O currículo desse replicante guerreiro de 64 anos é extenso. Jornalista legendário, dinâmico e esclarecido, narrando e rememorando os largos meandros da história recente brasileira e baiana, professor aposentado da Faculdade de Comunicação (Facom) da Universidade Federal da Bahia (Ufba), onde lecionou por 25 anos, entre 1983 e 2008, além de ser doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela mesma faculdade, enfrentou as hostilidades e os rumores planejados pelas Forças Armadas, tornando-se voz ativa em defesa dos direitos humanos e da classe operária. Vantagens e valores adquiridos com o aval de lúcidos mediadores como Emiliano. Um batalhador conciliador, indefectível, sem repúdio, sem vacilo e sem receio, tanto na vida política quanto nos veículos em que ele atua – até hoje, ele assina textos e textualidades impecáveis.

Na trajetória voltada para uma política honesta, Emiliano postulou uma vaga na Assembleia Legislativa em 1986 pelo PMDB, sigla exortadora da libertação e da predestinação por mudanças aprofundadas nas estruturas políticas, sociais e econômicas do Brasil. Permaneceu, no entanto, na condição de suplente, assumindo a lacuna em três períodos: agosto de 1988 a junho de 1989, junho de 1989 a janeiro de 1990 e maio a outubro de 1990. Destacou-se como um dos parlamentares mais sensatos na Assembleia Estadual Constituinte, sendo um dos signatários da atual Carta, em 5 de outubro de 1989. Para lograr tal performance, defendeu as aspirações comunitárias, os direitos à moradia e à educação pública e gratuita, a reforma agrária, a ampla liberdade de culto e o controle externo do Poder Judiciário. Seus projetos apresentados foram inteligíveis para nosso povo.

Durante o período em que estava no ostracismo eletivo, foi condecorado cidadão soteropolitano no plenário da Câmara Municipal de Salvador, em 1996, pela memorável vereadora Yolanda Pires, esposa do amigo Waldir. Em 2000, já no PT, na época o maior partido de oposição do país, retornou ao cenário eleitoral, elegendo-se vereador de Salvador. Assim como em ocasiões anteriores, foi uma liderança tolerante no combate às desigualdades e na manutenção da nossa genuína democracia, só que em nível municipal. O seu profícuo desempenho na Câmara Municipal lhe rendeu mais um mandato como deputado estadual em 2002, desta vez como titular. Na legislatura 2003-2007, perenizou sua resistência, colocando-se propício aos interesses da juventude baiana e contrário às perversidades discriminatórias das mulheres, dos afrodescendentes e dos homossexuais.

Emiliano, ainda como deputado estadual, foi um dos articuladores da eleição de Jaques Wagner ao governo da Bahia em 2006. Wagner, ao eleger-se governador, anunciou o rompimento de sucessivas gestões do grupo político dominante até então. No mesmo pleito, concorreu a uma cadeira na Câmara dos Deputados, mas conseguiu ser suplente. A assunção de Emiliano em Brasília entre maio do ano passado a março deste ano, enquanto Nelson Pelegrino era o titular da Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, apesar de provisória, era dignamente factível para que o Brasil e a Bahia continuem mudando. Teve um papel primaz no fortalecimento das nossas instituições públicas de educação superior, na relutância pelas igualdades socioeconômicas, na intransigência nas oportunidades para a juventude e na defesa da atividade cultural.

A sua candidatura a deputado federal, mais uma vez, simboliza o inesgotável comprometimento dos movimentos de base em ter alguém no Parlamento um representante voluntário das causas sintonizadas com a atual conjuntura. Por causa disso, aderiram à ela universidades públicas da capital e do interior do estado, grêmios estudantis, cantores, compositores, escritores, artistas plásticos e outros.

Precisamos reconduzir à Câmara um mestre exemplar e corajoso na resistência pelos direitos e deveres das multidões, premiado cidadão baiano há quatro meses em sessão especial. Concretas e exequíveis, as atividades e passividades de Emiliano José destinadas à comunidade, aos trabalhadores, aos homossexuais, aos negros, à educação, à cultura e à juventude são alicerces para a sua recondução ao cargo, bem como a reeleição de Wagner ao comando do nosso estado. Esperamos que essas duas eventuais conquistas consigam nos magnetizar incessantemente, possibilitando a amplitude e a completude de suas realizações e de suas propostas. Onde há a capacitada persona de Emiliano, há transparência, jurisprudência, moralidade e admissibilidade ao povo baiano.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Manno Góes em dose tripla

Baixista e compositor do Jammil subirá aos palcos do Teatro Jorge Amado uma vez por semana para o lançamento do primeiro álbum solo

Nesta quinta-feira, dia 9, e nas duas próximas consecutivas, 16 e 23, o Teatro Jorge Amado terá o privilégio de receber um carismático e atraente artista pop baiano do calibre de Manno Góes. O baixista e principal compositor do grupo axé-pop Jammil e Uma Noites, um dos grandes compositores brasileiros, se apresentará na casa de espetáculos da Pituba para lançar a turnê nacional do seu primeiro trabalho solo, E assim os dias vão.

Aos 38 anos, Emmanuel Góes Boavista, ex-estudante de Jornalismo da Universidade Federal da Bahia (Ufba), integra o Jammil ao lado do guitarrista e vocalista Tuca Fernandes e do guitarrista Beto Espíndola. Suas maiores influências musicais se estendem dos Beatles até Michael Jackson, o Barão Vermelho e a Legião Urbana (Manno, inclusive, apresenta o logotipo da banda brasiliense, um violão estilizado, tatuado no antebraço esquerdo). Desde 2008, suas composições estão nas primeiras posições do ranking organizado pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad).

Lançado no final de abril pela gravadora Som Livre, o projeto, gravado em Los Angeles, nos Estados Unidos, no ano passado, inclui 12 faixas, todas compostas pelo próprio músico. Dentre elas, quatro são parcerias – O tempo passou para mim também e Se um dia eu for o sol, ambas elaboradas em conjunto com Carlos Coelho, guitarrista do grupo de rock carioca Biquíni Cavadão, e Torcuato Mariano, guitarrista e arranjador de todas as faixas do álbum; Mil cidades, com Torcuato; e Se quer saber, com Deco.

Homenagem

Outros trunfos do CD são a canção Malu, graciosa e emocionante homenagem à sua filha homônima de 10 anos, fruto do breve matrimônio de Manno com a relações-públicas Verena Leite, além da faixa-título, um rock com participação especialíssima do saxofonista do Kid Abelha, George Israel, cuja letra poética evoca a fugacidade e a efemeridade da vida. E assim os dias vão foi às rádios em dezembro do ano passado, tornando-se um dos sucessos mais executados nos últimos meses.

Com direção artística de Fernando Guerreiro, direção musical de Torcuato Mariano e figurinos da estilista Valéria Kaveski, os shows semanais de lançamento de E assim os dias vão serão encenados nos dias 9, 16 e 23, quintas-feiras, às 21 horas, no Teatro Jorge Amado. Os ingressos custam R$ 20 (meia-entrada) e R$ 40 (inteira), e estão à venda na bilheteria do teatro.

Concurso

Uma promoção no site oficial do praieiro está sendo realizada para quem deseja comparecer aos espetáculos. O concurso cultural Assim os dias vão... até o show de Manno Góes tem por finalidade concorrer a pares de ingressos para as apresentações e CDs autografados pelo músico. Para participar, basta ler atentamente o regulamento no próprio endereço eletrônico e, a seguir, preencher os dados pessoais com o nome completo do remetente, seu e-mail, a cidade e o estado onde reside e o link de um arquivo que você criou e deseja enviar – fotografia, vídeo ou música.

As fotografias e os vídeos devem ser bem criativos, justificando o que você está fazendo para esperar os seus dias para o show solo do baixista do Jammil. Os arquivos enviados pelos próprios internautas serão expostos no Flickr de Manno (www.flickr.com/mannogoes) (fotografias) e no canal do músico no Youtube (www.youtube.com/mannogoes).

Quanto às músicas criadas pelos próprios apreciadores de Manno, é preciso baixar o trecho do sucesso E assim os dias vão no próprio site e utilizá-lo para declamar uma poesia, fazer uma montagem ou inventar outras edições. Manno analisará todos os links e dentre eles, ele irá selecionar alguns, e os vencedores ganharão pares de ingressos e CDs autografados. O concurso é organizado pela TPM Produções em convênio com a Guapa Assessoria de Comunicação, e é restrito a maiores de 18 anos.

Retorna-te, diploma!

Defendo clara e abertamente a imediata fundação e organização de um conselho federal que objetiva regulamentar todos os profissionais do campo jornalístico, feito inédito para a categoria, além dos conselhos regionais e do retorno da legitimação do exercício. Abraçar essa iniciativa de suma utilidade é obrigação de nós, presentes e futuros exercitadores da imprensa. Há um ano, no dia 17 de junho de 2009, o então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, coordenou uma polêmica sessão concretizadora da não-obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão de jornalista. No meu pensar, o diploma universitário é a garantia imprescindível que admite a prática do ofício de qualquer esfera, inclusive a arte de redigir, reportar, entrevistar e opinar.

Aquela peripécia histórica – e contraditória – comoveu o Brasil inteiro, divergindo opiniões sobre a questão do futuro do exercício do jornalismo com a abstenção de reconhecimento legal e acadêmico. Refiro-me, portanto, à peremptória abolição da Lei de Imprensa, sancionada em 9 de fevereiro de 1967, no auge da fase mais terrível da nossa História, a ditadura militar imposta pelo golpe de três anos antes. Conforme mencionado na Lei de Imprensa, o diploma de curso superior de Jornalismo é obrigatório para a ocupação. O que fez a Justiça derrubar esse instrumento indispensável, a grosso modo, para a legitimação da atividade profissional? Para Gilmar Mendes, relator do recurso, trabalhadores têm a possibilidade de tornarem-se jornalistas, desvinculados de outras ocupações. Fixando: para ser jornalista, é necessário formar-se em Jornalismo, e daí por diante.

Como estudante de Jornalismo, uma das hierarquias do sistema de cursos de Comunicação Social, a regulamentação do ofício através de diplomas oferecidos pelas instituições confiáveis e equânimes de ensino superior, sejam públicas ou privadas, e da Lei de Imprensa, cuja vigência, infelizmente, perseverou por 42 anos, jamais deve ser derrubada. Porventura, a proscrição do dispositivo garantidor para a admissão e a continuidade da práxis jornalística transgride a legislação vigente até então. O Jornalismo como prática acadêmica surgiu no Brasil de modo retardatário. Antes da vigência da lei, fora instituída a primeira escola superior brasileira do segmento: a Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, particular, na cidade de São Paulo, em 1947. Outras instituições, nas décadas seguintes, multiplicaram-se espetacularmente, fomentando o aparecimento de figuras célebres da área.

Essa vultosa intensificação do curso por todo o país abriu portas para o seu prestígio, a sua credibilidade e, sobretudo, a multiplicação – sempre em progressão geométrica infinita – de novos redatores, repórteres, revisores, apresentadores, colunistas, articulistas, cronistas, repórteres fotográficos e cinematográficos e locutores. Funcionários exímios cuja estratégia é a comunicação social, propiciando o intercâmbio de ideias e de argumentos às grandes massas. Operando 24 horas, sem nenhum intervalo, como se fossem engrenagens ou outras máquinas, os jornalistas assumem um papel colaborativo no progresso civilizatório e democrático das sociedades pós-industriais. Sem a presença ímpar e eloquente do jornalismo, não há liberdade de palpite e de informação.

Renomada professora-doutora da Escola de Comunicações e Artes (Eca) da Universidade de São Paulo (USP), Cremilda Medina declara que a notícia, no momento subsequente da sua elaboração por pessoais especializados, aperfeiçoados e antenados com o presente, transforma-se em um produto vendável, pronto para ser consumido. De qualquer maneira, portanto, a finalidade da notícia é meramente mercantil ou comercial. Quando um cidadão lê, vê ou ouve uma notícia, estando bem informado cotidianamente, ele está consumindo esse produto pré-fabricado pela indústria da mídia, matéria-prima do Jornalismo na pós-modernidade. Um ser informado pelos veículos de comunicação, em consequência, é um sábio consumidor de certa mercadoria por eles gerada, delineada pelos avanços tecnológicos, econômicos e culturais.

Há seis anos, em 2004, debatia-se polemicamente a criação de um conselho profissional representativo, em âmbito federal, destinado à fiscalização dos trabalhadores e ao conferimento do registro da categoria. O estopim para esse fato foi o encaminhamento do Projeto de Lei nº 3.894, que solicitava ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a momentânea instituição do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ), em 9 de agosto daquele ano. Para alguns representantes de entidades classistas, como a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o CFJ, se for instituído, exerceria um rígido controle sobre todos os organismos brasileiros de imprensa escrita e eletrônica, como fora a censura vigente nos horripilantes tempos do regime militar. Censura mesma que visava mutilar opiniões e laudas de matérias em favor do regresso à normalidade democrática.

Os governos militares consecutivos haviam sido enterrados graças às incansáveis lutas populares, reinstaurando a livre faculdade de pensamentos, de ideias e de argumentos. O Projeto de Lei do CFJ não foi aprovado nem aplaudido nas duas casas do Congresso, mas a 1ª Conferência Nacional de Comunicação, realizada em Brasília em dezembro do ano passado, fez ressuscitar novas oportunidades de fundação do conselho, agora rebatizado de Conselho Nacional de Jornalismo (CNJ). Trata-se de um órgão de natureza corporativa, e não política, cujo propósito, segundo o vice-presidente da Fenaj, Celso Schröder, é fiscalizar o trabalho do jornalista, como no caso de conselhos representativos de outras categorias. Exemplo, segundo o dirigente, do Conselho Federal de Medicina (CFM) e de seus subsidiários regionais.

Jornalistas que exercem esse ofício, atualmente, são registrados na Delegacia Regional do Trabalho (DRT), autarquia vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego, órgão emissor de um documento oficialmente denominado Registro Profissional. É uma documentação obrigatória e gratificante para que os recém-graduados em Jornalismo atuem no mercado de trabalho em corporações midiáticas de confiabilidade, além de experienciar nas assessorias de imprensa (relações públicas) com empresas de outros setores, autarquias governamentais, políticos, partidos, artistas, organizações não-governamentais (Ongs) e sindicatos trabalhistas e patronais. Ou seja, após cursar o bacharelado em Jornalismo e formar-se neste curso academicamente, recebendo diploma comprobatório, já pode se tornar venturoso profissionalmente dentro e fora das redações, seu recinto laboral.

Cumprindo com honra seus direitos trabalhistas – jornada de trabalho de 5 horas, férias remuneradas, salários mensais, décimo-terceiro salário, vínculo empregatício e a inédita dispensabilidade do diploma instaurada por ação jurídica – os fabricantes do presente podem ser filiados a sindicatos. Aqui na Bahia, eles são interligados ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (Sinjorba), cuja diretoria foi empossada no dia 1º. Sua nova presidente é Marjorie da Silva Moura, uma jornalista audaz e íntegra, vice-presidente na gestão anterior. O papel precípuo dos edificadores de informações a serem comercializadas instantaneamente, numa velocidade impressionante, é extrair, selecionar e apurar dados precisos e factíveis a fim de transformá-los em produtos mercantilizáveis, de comércio.

Um dos aspectos supremos da difusão da força verbal, o comércio é incumbido do fornecimento, da distribuição e do compartilhamento de materiais informativos para manter-nos informados. Veiculações de anúncios publicitários e progressivos aumentos na circulação e nas vendas provocam um negócio lucrativo e hipnotizador para empresários do setor, irradiando nele perspectivas frutuosas. Grandes conglomerados nacionais e internacionais se valem do jornalismo, fazendo dele um expressível, grandiloquente, merecido e disputado ramo comunicacional. Em contraste com o patronato, dentro do próprio jornalismo, outra casta, a dos consumidores, leem, ouvem e veem os subprodutos dos meios de comunicação, disponíveis de maneira discrepante e desigual, a depender das regiões onde vivem.

Extinguir a Lei de Imprensa foi uma manobra incômoda para a maioria dos comunicadores, estudantes, dirigentes de empresas, associações e sindicatos do segmento, pois os jornalistas brasileiros, assim como seus equivalentes por todo o mundo, devem laborar à mercê do diploma universitário. Quando a legislação regulamentadora foi proscrita, também foi proscrito um nobre, vital e luxuoso dever, ganho coletivamente em solenidades de formatura proferidas pelos corpos diretores das academias, tendo os Magníficos Reitores como seus superiores, e pelos docentes e coordenadores de cursos. Sou favorável ao célere retorno desse memorável certificado, porque trata-se de um documento indesprezível, irrepreensível e reconhecedor da nossa futura profissão. Jornalistas profissionais, além de filiarem-se ao futuro conselho, voltarão a ser, obrigatoriamente, jornalistas diplomados.

domingo, 5 de setembro de 2010

Últimas pesquisas apontam Dilma na frente

Conforme levantamentos do Ibope e do Datafolha divulgados neste fim de semana, presidenciável petista venceria no primeiro turno, tendo Serra como segundo colocado

Dilma (à esquerda) abriu 24 pontos de vantagem sobre seu concorrente direto (à direita) em pesquisa Ibope

O Jornal Nacional, da Rede Globo de Televisão, divulgou na última sexta-feira, dia 3, um novo levantamento acerca das intenções de voto para a Presidência da República realizado pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope). Na pesquisa, a candidata Dilma Rousseff (PT), da coligação Para o Brasil Seguir Mudando (PT-PMDB-PC do B-PRB-PDT-PR-PSB-PSC-PTC-PTN), aparece com 24 pontos de vantagem sobre seu principal rival, José Serra (PSDB), que concorre ao Planalto pela coligação O Brasil Pode Mais (PSDB-DEM-PPS-PTB-PMN-PT do B).

De acordo com a coleta de dados estatísticos organizada pelo instituto, Dilma venceria no primeiro turno, detendo 51%, enquanto Serra, o segundo colocado, está com 27%. A senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (PV-AC) oscilou de 7% na pesquisa anterior, feita entre os dias 24 e 26 de agosto, para 8%. Outros sete concorrentes, filiados a legendas nanicas, cujo tempo de propaganda no rádio e na TV equivale a irrisórios 55 segundos, não pontuaram. Brancos ou nulos somam-se 6%, e 7% dos eleitores não souberam ou não opinaram em quem vão votar.

Segundo turno

No caso de um provável segundo turno entre Dilma e Serra, em 31 de outubro, as projeções indicam que a petista venceria com 55% contra 33% do adversário tucano. 6% votariam em branco ou em nulo, e 5% estão indecisos. O Ibope também fez uma avaliação da administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A maioria dos entrevistados – 77% – avalia o atual governo como sendo bom ou ótimo, ao passo que 18% consideram-no regular e 4% ruim ou péssimo. Sua aprovação pessoal chega a 85%, e 11% reprovam a atuação do presidente.

A presidenciável do Partido dos Trabalhadores à Presidência também segue na dianteira na pesquisa espontânea, na qual o nome do candidato não é citado, abrindo 10 pontos percentuais de vantagem sobre José Serra. Segundo essa espécie de levantamento, Dilma Rousseff detém 43% das predileções do eleitorado, contra 33% do ex-governador paulista e 2% alcançados por outros candidatos. Serra possui o maior índice de rejeição eleitoral, com 26%, seguido dos 19% de Dilma e 15% de Marina.

O Ibope entrevistou 3.010 pessoas em 204 municípios brasileiros no período de 31 de agosto a 2 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Encomendada pela TV Globo e pelo jornal O Estado de S. Paulo, a pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 27.597/2010.

Datafolha: Dilma também é favorita

Pesquisa do Instituto Datafolha divulgada neste sábado, dia 4, demonstra a ampla liderança e confirma o favoritismo de Dilma, detentora de 50% das intenções de voto – na anterior, com dados coletados entre 23 e 24 de agosto, ela possuía 49%, um ponto a menos. Em segundo e terceiro lugares, respectivamente, Serra decaiu um ponto percentual, de 29% para 28%, e Marina teve um pequeno acréscimo de 9% para 10%. Os outros presidenciáveis conseguiram pontuar apenas 1%, enquanto brancos ou nulos correspondem a 4% e 7% dos entrevistados estão indecisos.

Se as eleições fossem hoje, a ex-ministra-chefe da Casa Civil alcançaria sua vitória no primeiro turno, com 50% dos votos válidos. O instituto ainda prevaleceu a receptividade dos três principais candidatos como um dos itens fundamentais para este pleito. De acordo com a pesquisa, Dilma é a mais receptiva entre o eleitorado masculino, com 56% das preferências, ao passo que o feminino chega aos 46%. Contrariamente, a maioria dos votos dados a Serra e a Marina é atribuída às mulheres. 29% das eleitoras assumiram sua predileção no tucano, contra 28% dos homens. A verde é a favorita de 10% das mulheres, contra 9% dos homens, diferença de 1 ponto percentual.

4.314 eleitores foram ouvidos pelo Datafolha em 203 municípios visitados entre os dias 2 e 3 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento estatístico foi registrado no TSE sob o número 27.903/2010.

sábado, 4 de setembro de 2010

Instituto ACM é lançado

Cerimônia de lançamento do órgão que preservará a memória do ex-senador e oferecerá cursos de formação de administradores foi realizada na véspera de seu aniversário

Peças do acervo particular de ACM serão expostas ao público no instituto
(Foto: Reprodução BA TV)

Com informações do Correio*, de Mauro Anchieta (TV Bahia) e da Agência Estado

Às vésperas do aniversário póstumo de 83 anos do ex-senador Antônio Carlos Magalhães, um dos mais influentes políticos baianos da contemporaneidade, morto em 2007, foi lançado, na manhã desta sexta-feira, o Instituto Antônio Carlos Magalhães de Ação, Cidadania e Memória (IACM), em sua própria sede, no Terreiro de Jesus, uma das áreas de maior movimentação no Centro Histórico de Salvador. O órgão, além de resgatar a história política do homenageado, será um centro de formação de futuros gestores.

O estatuto do IACM foi lançado durante missa solene em memória dos três anos de falecimento do político, celebrada em 20 de julho pelo monsenhor Gaspar Sadoc, um dos seus grandes amigos, na Igreja da Vitória, onde ele é pároco. Durante a celebração religiosa, foi definida a diretoria do instituto, com o senador Antônio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA), também presidente da Rede Bahia, como presidente, e seu sobrinho Luís Eduardo Magalhães Filho, membro do Conselho de Administração da Rede Bahia, como vice-presidente.

Participaram da cerimônia várias autoridades, como a viúva de ACM, dona Arlette Maron de Magalhães, presidente de honra do instituto, seu filho ACM Júnior, o prefeito João Henrique (PMDB) e o candidato do DEM ao governo da Bahia, ex-governador Paulo Souto, além de netos do senador falecido, incluindo o deputado federal e candidato à reeleição ACM Neto (DEM-BA).

Dona Arlette Magalhães, viúva de ACM, é a presidente de honra do IACM
(Foto: Correio*)

Cursos gratuitos

O IACM formará jovens para atuar nas administrações pública e privada através de diversos cursos oferecidos gratuitamente em parceria com universidades, como Liderança, Oratória, Organização Política e Marketing Pessoal. Além disso, explorará a trajetória de mais de 50 anos de vida pública de ACM, descrita por meio de fotografias históricas, cartas, manuscritos, condecorações, objetos pessoais e livros de sua biblioteca particular. Grandes realizações dele como prefeito de Salvador, governador do estado por três vezes e ministro das Comunicações também serão enfatizadas.

Segundo ACM Júnior, presidente do órgão, em entrevista ao repórter Mauro Anchieta, da TV Bahia, "os grandes momentos da história da Bahia contemporânea passam na vida do senador". A previsão é de que o IACM seja aberto ao público a partir de dezembro.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Dentro do mais puro conforto

Trânsito apavorantemente congestionado nas principais vias de uma selva de pedra gigantesca a caminho de cumprir meus compromissos invioláveis e intransferíveis. Foi assim – e sempre – o raio X do tráfego urbano diagnosticado por agentes especializados, não exclusivamente numa aquecida tarde de hoje, mas também em qualquer época. Para flexibilizar esse dilema rotineiro, estava acomodado num micro-ônibus executivo da empresa Bahia Transportes Urbanos, a BTU, equipado com ar-condicionado para que passageiros como eu possam se refrescar, daí a sua famigerada alcunha "frescão". É um veículo cuja carroceria encontra-se tingida externamente com as cores do nosso orgulhoso estado: vermelho (na parte superior) e azul (na porção inferior). De quebra, acabamento azul-marinho bem caprichado.

Sem nenhum sentimento de culpa, senti-me absolutamente aliviado na comodidade de um meio de transporte popular mais sofisticado, mais de primeira categoria, estando sentado no banco revestido de tecido especial azul índigo, enfeitado com listras diagonais verdes, azuis, amarelas e vermelhas enfileiradas verticalmente e alternadas. Da janela, vi passarelas guiando comboios de gente à esquerda e à direita, automóveis de todos os matizes adquirindo dínamos ininterruptos por todos os lados da urbe soteropolitana, coletivos enfileirados desordenadamente em estações de transbordo e abrigos de design pós-moderno instalados há quase dez anos, porém mal-cuidados... Independentemente do colapso infraestrutural e assistencialista marcante aqui na terceira maior cidade brasileira, sou apaixonado por ela.

Na totalidade dos logradouros, edifícios de magnitude impecável quanto sua feição arquitetônica combinam com locomotivas urbanas denominadas carros, ônibus, motocicletas, caminhões, homens e mulheres. Estamos em período eleitoral, sendo chegado o momento de escolher os representantes em nível federal (presidente, deputados federais e senadores) e estadual (governador e deputados estaduais). Um bom cidadão, assim como eu, expressa sua observância quanto ao processo seletivo através dos nomes dos candidatos e seus respectivos números do registro gravados em cartazes, balões, fachadas e muros inerentes à propaganda política. Vivemos acompanhados de signos simultaneamente, porque o habitat onde fixamos é uma "floresta de símbolos", parafraseando o poeta francês Charles de Baudelaire (1821-1867).

Quando estava no Rio Vermelho, lembro das noites boêmias, da ebulição cultural, da fantástica introjeção esquerdista e, sobretudo, do seu povo simplório. No Largo de Santana e nos seus arredores, mosaicos de sobrados coloridos, construídos no século XIX, são comparáveis aos do Pelourinho. Neles estão instalados, essencialmente, bares e restaurantes, a exemplo do Santa Maria, Pinta e Nina e da Casa da Dinha do Acarajé, fazendo do Rio Vermelho o suprassumo da boêmia baiana, ou melhor, o reduto do nosso encantamento noturno. Além disso, partidos e movimentos de esquerda marcam uma presença surreal na comunidade, sobretudo na Praça Vermelha, como é apelidado o largo por concentrar militantes progressistas, principalmente universitários, reformado por iniciativa da nossa primeira prefeita, Lídice da Mata.

Duas ladeiras íngremes, entrecruzando-se, entram e saem do Rio Vermelho. Avenida Cardeal da Silva, via de acesso vital para a Federação, para quem sobe para entrar por lá; Travessa Prudente de Moraes, para quem desce, saindo da Cardeal e chegando ao Rio Vermelho a partir do Largo de Santana. Rumo à Cardeal da Silva – eu dentro do microcoletivo executivo vermelho e azul da BTU, da janela fechada por causa do ar-condicionado, edificações de diferentes épocas me aprazem, viajando pela história de Salvador de um modo diferente. Visão inferior de uma avenida de vale, a Garibaldi, possibilitada por um viaduto. Os corrimãos de concreto armado desse primeiro viaduto que passa pela Federação, pintados de amarelo, apresentam fissuras e ferragens expostas pela ação do tempo. Ver esse descaso é mostrar-nos o descuido com os equipamentos primordiais para o escoamento das massas.

Uma vistosa torre de transmissão da quase cinquentenária TV Itapoan, canal 5, nos espanta em virtude da sua excêntrica e peculiar morfologia, se comparada a torres de outras emissoras: estruturas metálicas apoiadas sobre um colosso vertical de concreto armado. A sede da pioneira em televisão na Bahia baliza o final – ou o início, para aqueles que trafegam pelo sentido inverso – da Cardeal. Dando continuidade ao tour instantâneo na Federação, vem o segundo viaduto, permitindo ao passageiro ainda a visão da Garibaldi, porém rumo a outra principal via do bairro, a Rua Caetano Moura, onde se concentra a continuação do campus da Universidade Federal da Bahia (Ufba), constituído pela Faculdade de Arquitetura, pela Escola Politécnica. À direita da pista, há o Diretório Central dos Estudantes, o famoso DCE, espaço democrático entre a comunidade acadêmica.

Logo após o Cemitério do Campo Santo, um dos cemitérios bem cuidados com capricho, um terceiro viaduto, erguido acima da Centenário, outra avenida de vale de Salvador, passa sobre essa maravilha da engenharia, idealizada pelo urbanista Mário Leal Ferreira em seu plano urbanístico, com suas pistas planas e levíssimas. É impressionante averiguar que a Federação, por ser um bairro de topografia alta, possui três viadutos, todos eles construídos sobre avenidas superficiais, as conhecidas avenidas de vale. Sou conhecedor profundo da minha própria cidade, já sei alguns destinos, as topografias, por onde os viadutos passam, como as pessoas se locomovem e as paisagens arquitetônicas das construções que rodeiam o asfalto. Bom programa para escapar da minha monotonia e da minha melancolia, mas sem objetividades turísticas. Complemento das minhas obrigatoriedades semanais.

Viajar dentro de um veículo de primeira classe, para mim, é um privilégio, pois sinto-me hospedado num apartamento de um hotel cinco estrelas. O sofisticado interior azul-marinho, fascinante, me evoca o culto ao conforto, à mordomia, às regalias. O povo em geral gozar de uma mordomia digna de burguês é surreal, sobrenatural. Basta pagar apenas R$ 3 – corresponde à tarifa de um ônibus convencional, R$ 2,20, somada aos R$ 0,70. Como garantia, passeios estendendo-se do Imbuí até a Praça da Sé, com qualidade BTU, mesmo enfrentando as excrescências irresolvíveis de uma cidade repleta de um povo guerreiro e trabalhador, os temíveis congestionamentos. Entretanto, não cheguei até esse último itinerário. Meu compromisso era outro, confidencial, intransferível...