sexta-feira, 30 de julho de 2010

Dicotomias

Admiro a diversidade residencial de um bairro nobre
Como o Canela.
 
Porém, valorizo a solidariedade em uma região pobre
Como a favela.

Vencendo a fim de tornar-me um jornalista importante

Tornar-me um futuro profissional da esfera comunicacional evolui continuamente para o meu sucesso pessoal, em especial no lado introspectivo, ou interior. Necessita, ao alcançar minha autonomia individual, autocontrole, autoconsolo e atenção em ocasiões normais, eventuais ou atípicas. O meu objetivo elucidativo é, absolutamente, ser um glorioso e emblemático jornalista, prestigiado pelos grandes meios e mestres do seu segmento laboral. Como retribuição e espécie de prêmio pelo meu possível êxito, meu nome um dia estará incluído na mídia pelo meu reconhecimento nacional e/ou internacional.

Para que eu seja reconhecido como o novo nome da imprensa brasileira, sigo minha trajetória acadêmica linear, atingindo seu auge na solenidade de formação. Durante a nossa formatura, cerimônia com um toque especial de elegância no auditório, eu serei um merecido diplomado em Jornalismo, habilitação pela qual irei exercer estratégias informativas. Minha pretensão é que o meu diploma – alicerce garantidor de um determinado emprego – não esteja impugnado pela Justiça. O diploma assegura os direitos do profissional, servindo de instrumento complementar. Sou convincente, partindo do pressuposto da integridade e da livre circulação de ideias, que nunca serei caluniado, injuriado ou difamado.

Nos três primeiros semestres de universidade, e nos outros cinco subsequentes, a perseverança na obstinação em trabalhar nas indústrias geradoras de comunicação – totalmente informatizadas em tempos de globalização – prossegue com ímpeto em meu ego. Planejo, além de concretizar conteúdos verídicos e verossímeis, disseminar e estabilizar meus círculos amistosos e de fraternidade em qualquer corporação onde ocuparei meu eterno e honorário ofício. Será o império das palavras e da cultura habitando em meu introspectivo. De certa forma, o Jornalismo ultrapassou o que antigamente era a minha carreira passional. Com caráter e ânimo evoluídos, o presente e o futuro são ocasiões adequadas para eu me atualizar.

Jornalistas, independentemente de veículo, de editoria ou de ramo, devem concordar com os conselhos e as orientações do seu superior. O seu trabalho é, portanto, rígido e disciplinado, desprezando-se distrações, inutilidades, sentimentalismos e outros personalismos. Brevemente, minha oportunidade chegará, talvez por meio de processo seletivo por estágio. As confidências, no entanto, são relegadas a segundo plano. Eu venero e permaneço venerando indubitavelmente – e sem oportunismo – o meu predileto e indelével amor pelo jornalismo, lendo e tecendo vocábulos com a intenção de redigir infinitas morfologias e vertentes jornalísticas.

Os textos que estou formulando e que irei formular em temporalidades subjacentes influirão no aparecimento de próximas safras de homens e mulheres de imprensa. Tendo como um dos fatores estigmatizantes a imparcialidade, obedecerei com fidelidade a esse princípio enquanto confeccionarei uma reportagem ou outras hierarquias jornalísticas a serem publicadas em um veículo subordinado a uma certa empresa de informação. Por serem agradáveis e sucintos, privilegiando a comunicabilidade – não existe nada de dúbio –, os textos e suas textualidades não devem haver nenhum vestígio de coloquialismo, pleonasmo ou rebuscamento. Devem abrir os portais para o espaço cognitivo dos contingentes sociais heterogêneos.

Bilhões de informações esperam por minha aptidão intelectual nos estágios básico, intermediário e avançado do meu curriculum vitae acadêmico e extra-acadêmico. Quando surgir prováveis deslizes durante o meu raciocínio no exercício de entrevistador, eles irão embora mais cedo para o meu confessionário. O pecado, por ser classificado como um ato humano, é uma atitude cotidiana que qualquer pessoa, não dependendo de sua qualidade, acaba cometendo. No entanto, aspirantes a um lugar cativo na imprensa escrita, televisiva ou radiofônica carregam a persistência em seu íntimo.

Peço clemência pelos deslizes cometidos durante a consulta de fontes, a coleta dos dados mais importantes e a apuração dos acontecimentos. Liberto meu espírito criativo a fim de difundir a realidade acerca do nosso tempo, o presente, além de valer-me do passado para investigar os fatos que me são interessantes. Apesar de considerar-me um futuro jornalista de sensibilidade simplória e objetiva, exercitarei trabalhos cujo nível de dificuldade não ultrapassa os 100% em qualquer circunstância. Meu papel in loco – externamente à redação – é focalizar um fato pré-selecionado ou selecionado imediatamente e desenvolvê-lo por intermédio de imagens e de textos.

Após eu entrar na fase mais madura, a fase idosa, perpetuarei na ativa, sentado na nobre cátedra do jornalismo. Desempenharei minhas obrigações, profissões e confissões até o meu repentino perecimento. Um exemplo de jornalista que, mesmo falecendo centenariamente, trabalhou incansavelmente foi Barbosa Lima Sobrinho (1897-2000), senhor magistral da imprensa brasileira. Presumindo de independência, seus ideais são primazes para a estruturação dos paradigmas jornalísticos hodiernos em nosso país. São raríssimos os casos de sujeitos com idades iguais ou superiores a cem anos aventurando-se nessa modalidade.

Nós, como seres vivos, germinamos em estágio embrionário no ventre materno, metamorfoseando-o em feto por poucos meses, até alcançarmos o momento exato da natalidade. Em seguida crescemos, reproduzimos e, por fim, morremos de velhice ou precocemente. A morte faz parte do ciclo natural de vida. Grandes jornalistas – editores, cronistas, repórteres, fotógrafos e redatores – nos partiram fisicamente, deixando-nos apenas suas majestosas obras e lições, hoje reservadas para pesquisas. Embora sendo incrédulo da preocupação acerca do meu falecimento na atividade jornalística, meu momento fúnebre estará por vir mais tarde.

Estou convicto quanto à minha pretensão de permanecer no exercício do meu inacreditável ofício predileto; portanto tenho a perspectiva de que nenhuma probabilidade de divórcio para com o mesmo não acarretará. Objetivando corroborar o meu esforço, serei sempre um comunicador produtivo, criando e acumulando mananciais de escritos no meu arquivo e nos centros de documentação dos meus futuros empregadores. Fazendo uso de diálogos concisos, entrevistarei uma pessoa anônima ou uma personalidade que melhor me for idônea, ligada a qualquer campo do conhecimento. Minha inteligência e meu modus operandi cogitam e logo concluem que todo o universo comunicativo continua conspirando a meu favor.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Monumento a Thomé de Souza

Detalhe do busto do fundador da cidade de Salvador
(Foto: Hugo Gonçalves)

O português Thomé de Souza, nomeado pelo rei D. João III para ser o primeiro Governador e Capitão-Geral do Estado do Brasil, chegou à colônia em 29 de março de 1549, desembarcando no Porto da Barra, com a incumbência de fundar uma fortaleza e uma grande povoação nas proximidades da Baia de Todos-os-Santos, que originou a atual cidade de Salvador. Para a execução do seu traçado e construção dos seus primeiros edifícios, a Coroa portuguesa contratou o mestre de obras Luís Dias.

Pai de Garcia d'Ávila, detentor do outrora maior latifúndio das Américas, a Casa da Torre, hoje partilhada em várias regiões, como o Litoral Norte, Thomé de Souza exerceu o cargo de governador-geral até 1553, sendo sucedido por Duarte da Costa.

Durante as comemorações dos 450 anos de Salvador, em 29 de março de 1999, foi inaugurado, na Praça da Sé, o busto do criador de uma fortaleza que se transformaria na terceira maior cidade do país. O monumento, esculpido em bronze e alicerçado em um pedestal trapezoidal de granito cinza, foi relocado na praça que leva o nome do homenageado em 8 de julho de 2005, por iniciativa do prefeito João Henrique.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O moderno se instala no Centro Antigo

Construído e inaugurado há 24 anos, Palácio Thomé de Souza, sede da Prefeitura de Salvador, permanece intacto ao lado de edificações antigas

Palácio Thomé de Souza não incomoda o patrimônio histórico soteropolitano
(Foto: Hugo Gonçalves)

Sede atual da Prefeitura Municipal de Salvador, o Palácio Thomé de Souza, situado na praça homônima, causa significativo espanto a soteropolitanos, baianos de outros municípios que visitam a capital e turistas. O projeto pós-moderno, idealizado pelo renomado arquiteto carioca João Filgueiras Lima, o "Lelé", persevera no mesmo local, em total diálogo com outras construções de épocas e de tendências arquitetônicos diferentes – o Paço Municipal, sede da Câmara, edificado segundo modismos neoclássicos; o Palácio Rio Branco, misto de Renascimento e Neoclassicismo; e o Elevador Lacerda, remodelado em 1930 em estilo art-déco. Entretanto, a convivência de edificações arcaicas e contemporâneas não incomoda o patrimônio histórico de Salvador.

A sede anterior da Prefeitura, de 1983 a 1986, era o Solar Boa Vista, no Engenho Velho de Brotas. Mário Kertész, que fora prefeito biônico entre 1979 e 1981, por indicação de Antônio Carlos Magalhães, reassumiu o cargo em 1º de janeiro de 1986, desta vez rompido com o ex-governador, sendo o primeiro eleito pelo voto popular após a ditadura militar.

Filiado ao PMDB, Kertész, ao regressar ao posto de prefeito, cumpriu a promessa de transferir o centro das decisões municipais para o Centro Histórico de Salvador, na chamada "Praça Mater" erguida por Thomé de Souza. Construído em tempo recorde de catorze dias, utilizando estruturas de aço, vidro e concreto armado, o palácio batizado com o nome do primeiro governador-geral do Brasil foi inaugurado em 16 de maio de 1986, na segunda gestão de Mário Kertész.

O edifício, a princípio, foi erguido com a intenção de abrigar provisoriamente o Poder Executivo municipal por possuir estrutura desmontável, mas 24 anos depois da sua inauguração ele continua sendo definitivo. Conforme os dizeres gravados na placa de inauguração do palácio, "a volta da Prefeitura Municipal do Salvador a este sítio histórico (a Praça Thomé de Souza) é o marco inaugural de um novo Projeto de Cidade", em alusão ao programa urbanístico implementado pela Prefeitura na época, que previa, entre outras realizações, a recuperação de praças com a instalação de mobiliários urbanos pré-moldados.

A próstata e seus cuidados

Próstata normal (à esquerda) e próstata com alterações provocadas pelo tumor (à direita), como a uretra comprimida

Urina presa na bexiga (acima), próstata dilatada (abaixo) e uretra fechada pelo câncer (abaixo, ao centro)

Logo depois dos quarenta anos de idade, todo homem deve preocupar-se com a manutenção da sua própria saúde, tendo como um dos fatores basilares o constante cuidado com a próstata, glândula exclusiva masculina, bem como o aprimoramento e o equilíbrio dos hábitos vitais. A função principal da próstata é produzir substâncias auxiliares para a fluidez do esperma ou sêmen, possibilitando o livre trânsito dos espermatozoides. Caso contrário, sua ausência de diagnóstico pode comprometer o funcionamento dos órgãos genitais masculinos e da sua salubridade em geral, acarretando o surgimento do câncer.

Os resíduos não aproveitados pelo nosso organismo, após o momento da alimentação, são eliminados na forma de fezes através do sistema digestivo, de respiração e de dois tipos distintos de excreção – urina e suor. No sistema urinário dos homens, os rins filtram do sangue as substâncias a serem expelidas, adicionando-as à água, cujo trajeto se estende de dois canais denominados ureteres até um reservatório musculomembranoso chamado bexiga. Tendo como ponto de partida esse último órgão, a uretra passa no interior da próstata e de todo o pênis, encerrando no meato uretral, orifício encarregado da eliminação da urina.

Além de ser utilizado como veículo de transporte para a urina, a uretra é crucial para o contínuo movimento do sêmen, etapa primordial e emblemática para a realização do procedimento eliminatório dos espermatozoides, conhecido como ejaculação. Sêmen é uma substância líquida de coloração esbranquiçada na qual estão integrados os espermatozoides e as secreções da próstata e das vesículas seminais, formadoras do canal ejaculador. É por meio da ejaculação que os espermatozoides encontram-se com o óvulo durante a fecundação.

Discutir sobre a próstata é um item de suma essencialidade, partindo da premissa de como nós, homens, nos lidamos com o fortalecimento e com o prolongamento do nosso bem-estar. Convém frisar que ela pode estar sujeita a problemas decorrentes da falta de cuidados. Trata-se de uma glândula sexual, reservada apenas no homem, que anatomicamente possui o formato de uma fruta, neste caso uma maçã, pesando aproximadamente 20 g, e envolve o canal urinário, ou uretra. No entanto, a próstata não o comprime nem o obstrui, pois a urina transita normalmente antes de ela ser expelida – operação conhecida por micção.

Tumores ou cânceres – cientificamente denominados adenocarcinomas – disseminam-se na glândula a partir dos quarenta anos, ou em faixas etárias superiores. É nessa fase árdua, de luta recíproca contra esse mal, que o próprio corpo humano começa a criar um impasse, uma cilada, conspirando contra o nosso desejo de viver bem. Contraditoriamente aos tumores benignos, que se manifestam na região central da próstata, iniciando-se os problemas por se avizinhar no canal urinário, os tumores malignos ocorrem sobretudo na região periférica. Os malignos, mais letais ainda, são gerados tardiamente através da uretra ou da sua difusão por todo o corpo do paciente. Há, em consequência do tumor, a compressão – ou estrangulamento – da uretra, desfigurando-a.

Levando em consideração o fator idade, 50% dos homens cuja faixa etária oscila entre 51 e 60 anos são vulneráveis à disseminação do câncer. Em octogenários, o percentual de desenvolvimento de tumores é cada vez mais problemático: 90%. Outros aspectos disseminadores do risco para tumores na próstata são o histórico familiar do homem, a ingestão de alimentos enriquecidos em gorduras e óleos, destacando as carnes vermelhas (bovina, suína e outras), e um importante fator, a etnia. Neste último, os negros e os pardos têm maior propensão a desenvolver a doença. Ainda não está clinicamente comprovado que quantidades elevadas do hormônio masculino, a testosterona, podem provocar o tumor.

O paciente com câncer na próstata manifesta diversos sintomas por duas razões diferentes. Como obstáculos à passagem da urina, ele apresenta dificuldades para eliminá-la, saindo com intensidade fraca ou nula. Em decorrência de a bexiga estar inflamada, o indivíduo necessita de urgência para urinar, levantando às noites enquanto ele estiver dormindo, e sofre de incontinência urinária, aumentando consideravelmente a frequência de excreção. Sinal de que os homens que convivem com a enfermidade não têm controle para urinar.

Quando a uretra perde completamente sua característica original, fechando-a, a próstata pode dilatar e, simultaneamente, a bexiga está suscetível ao seu rompimento, impedindo a eliminação da urina. Resumindo: a urina pode permanecer armazenada na bexiga em pacientes com câncer prostático. A próstata passa a modificar sua anatomia e seu funcionamento devido à deficiência de cuidados médico-hospitalares, negligenciando sua prevenção, que deve ser realizada precocemente, por constrangimento dos próprios pacientes. Por esta razão, prevenir os tumores acumulados necessita de acompanhamento médico precoce e emergente.

Combater problemas prostáticos, em particular o adenocarcinoma, é uma missão que os homens de idades avançadas devem colocar em prática desde cedo, a começar pelos diagnósticos a serem realizados anualmente. Pensando nisso, é recomendável que o paciente com quarenta anos ou mais solicite a seu urologista a tarefa de examinar se há ou não um tumor localizado na próstata, aspecto responsável pela anomalia anatômica e fisiológica masculina. Se não houver nenhum indício, nenhum rastro, de câncer na ocasião do seu diagnóstico, o homem pode gozar e desfrutar de toda a apoteose biológica viril.

César Borges lidera disputa ao Senado

Senador, que concorre à reeleição, aparece com 34%, tendo como segunda colocada a socialista Lídice da Mata, conforme a primeira pesquisa Datafolha

Primeiro levantamento realizado pelo Instituto Datafolha sobre as eleições para o Senado na Bahia, divulgado nesta segunda-feira, mostra o senador César Borges, do Partido da República (PR), na liderança, com 34% das intenções de voto em uma das duas vagas. O segundo e terceiro colocados são, respectivamente, os deputados federais Lídice da Mata (PSB), que aparece com 26%, e Walter Pinheiro (PT), com 20%. Na mesma pesquisa, estão empatados, com 7%, o vice-prefeito de Salvador, Edvaldo Brito (PTB) e o ex-prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo (DEM).

O deputado federal José Carlos Aleluia, também democrata, está atrás do seu companheiro da chapa encabeçada pelo ex-governador Paulo Souto, José Ronaldo, possuindo 6% da preferência dos eleitores. Em seguida, aparecem no levantamento estatístico os candidatos filiados a legendas menores, cujas porcentagens oscilam entre 3% e 1%. Edson Duarte (PV) e Carlos Sampaio (PCB) detêm 3% das intenções de voto, enquanto Zilmar Averita (Psol) foi escolhida por 2% dos entrevistados. Dois outros representantes da esquerda radical, Albione Silva (PSTU) e Luiz Carlos França, outro postulante ao Senado pelo Psol, respondem por apenas 1%.

Votos brancos e nulos somaram-se 30%. 60% do eleitorado baiano não souberam ou não opinaram no momento da escolha dos candidatos às duas cadeiras senatoriais para o pleito de 3 de outubro. Durante a realização da pesquisa, o Datafolha entrevistou 1.080 eleitores entre os dias 20 e 23 de julho em todas as regiões do estado. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Líder desde a pré-candidatura

César Borges parabenizou seu ótimo desempenho na pesquisa como primeiro colocado a partir de sua pré-candidatura através de três requisitos. “Isso é fruto do recall que tenho na Bahia, pela minha atuação nos oito anos como senador e pela campanha que estamos realizando no estado”, ponderou o parlamentar, que concorre à reeleição, ao repórter Jairo Costa Júnior, do jornal Correio*. Por outro lado, a vice-liderança ocupada por Lídice surpreendeu alguns eleitores, mas ela é considerada, de acordo com o cientista político da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Paulo Fábio Dantas, em entrevista ao repórter Evandro Matos, do jornal Tribuna da Bahia, "um nome consolidado".

“Vi o resultado como uma boa notícia. Fiquei feliz porque as primeiras informações davam o meu nome e o de Pinheiro com 9% e 10%. O mais importante é que está acontecendo um crescimento junto (ao lado de Pinheiro), o que prova que a nossa estratégia está certa”, entusiasmou a deputada socialista durante campanha em Catu. A parlamentar continuou, referindo-se a seu crescimento a fim de possibilitar sua eleição: “Se continuarmos nessa batida, nas próximas pesquisas já deveremos ter alcançado o primeiro lugar”.

Parceiro de Lídice na chapa capitaneada pelo governador Jaques Wagner, candidato à reeleição pelo PT, ao Senado, Walter Pinheiro acredita que será capaz de vencer uma das duas vagas baianas disponíveis na coligação Pra Bahia Seguir em Frente (PT, PP, PSB, PDT, PC do B, PRB, PSL e PHS). Segundo Pinheiro, a tendência dos postulantes à Câmara Alta vinculados às candidaturas de Wagner e da presidenciável petista Dilma Rousseff é "ganhar as eleições", afirmou o deputado e ex-secretário do Planejamento à Tribuna.

domingo, 25 de julho de 2010

Léo Macedo é o convidado da segunda Bênção do Olodum

Grupo recebe o vocalista do Estakazero nesta terça, no Pelourinho, misturando ritmos afro-baianos com o forró pé-de-serra

Tendo sua estreia na última terça-feira, dia 20, a Bênção de Inverno do Olodum, com apenas duas apresentações semanais na Praça Tereza Batista, no Pelourinho, é uma alternativa contagiante para baianos e turistas contemplarem a reposição de suas energias – desgastadas após o Carnaval – em tempos de frio e de chuvas. O grupo afro voltou à sua terra natal na semana passada após uma temporada de shows nos Estados Unidos com o propósito de aquecer o inverno soteropolitano.

A segunda e última apresentação será realizada na próxima terça, dia 27, a partir das 20 horas, e terá como convidado especial o vocalista da banda Estakazero, Léo Macedo. Com a promessa de o Olodum ser mais aplaudido pelo público no segundo show da Bênção, a banda comandada pelos vocalistas Lucas di Fiori, Nadjane Souza e Mateus Vidal misturará a ginga e a rítmica dos tambores afro-baianos com o arrasta-pé do forró universitário. Para os espectadores terem a chance de reavivarem o clima carnavalesco, eles pagarão R$ 50 pelos ingressos, comercializados na Casa do Olodum, na Rua Gregório de Matos, 22, no Pelourinho.

Revigorar, rejuvenescer, reanimar

Para eu fugir um pouco da minha claustrofobia e do meu estresse, recorro a opções nutritivas, culturais e de lazer de qualidade. Fortaleço meu cérebro acrescentando ensinamentos, instruções e intuições, organizo as minhas obrigações e os meus trabalhos, mantenho uma vida saudável ingerindo frutas após as refeições do cardápio preparado cautelosamente pelas mãos maternas ou ao decorrer do dia. Minha pretensão de requalificar o meu interior, por motivos óbvios, está se tornando cada vez melhor e mais inteligente. Vejo um futuro próspero cujo horizonte determinará meus rumos e pré-requisitos essenciais para lograr o renascimento das minhas defesas.

Realizei e continuo realizando dezenas de voltas – só que não são competições, pois não sou nenhum atleta profissional – a fim de aprimorar e de aperfeiçoar meu condicionamento físico, fazendo delas um rico suplemento para a obtenção plena da saúde. Assim, meu esqueleto e meus músculos, objetos integrantes do sistema locomotor humano, continuam enrijecidos, enriquecidos e revigorados. De quebra, a brisa marítima, intensa logo após a aurora, a alvorada, é a garantia do meu viço corporal e psicológico, deixando para trás a dependência, a prisão, o enclausuramento doméstico, a arrogância e a covardia. Estou batalhando dia e noite para lutar contra a insanidade.

Não pretendo exagerar no requinte e na elegância; o que deixa alguém revestido de elementos direcionados à luxúria é mera vaidade e concupiscência. Sou e serei desde a minha epigênese um másculo simples, sóbrio, parcimonioso, moderado; nada de artifícios transformadores e "milagrosos" anunciados na mídia. O que as propagandas, aparatos estimuladores do consumo, querem é, momentaneamente, lançar certas frivolidades e iludir os consumidores, assim como eu, vocês e todos nós. Paradoxalmente, a melhor face das propagandas de televisão está nas beldades anunciadoras, mulheres energéticas, como as loiras Michely Santana, também locutora de rádio jovem; e Elaine Fernandes, belíssima cantora, compositora e protagonista de comerciais de uma cadeia de óticas.

Ao admirar essas mulheres maravilhas por seus semblantes sedutores e rejuvenescedores e seus timbres vocais radiantes (caso de Michely) e brandos (caso de Elaine, cuja voz é estupidamente inigualável), espalho raios e relâmpagos de emoção pela sala de estar, acumulando prazeres e sonhos delicados. Seus impactos emocionais estão, afinal, nas suas grandiloquências impetuosas, fazendo delas algumas das simpáticas interlocutoras da mocidade baiana. Da televisão para o meu espírito – por muitas vezes suspeitável e conjecturável –, transmito diversas mensagens benéficas que elas pronunciam sem mistério e sem alterar o dom da voz.

Minha habilidade de entretenimento é versátil, apresenta inúmeros matizes e inúmeras nuances, portanto meu dom de imaginar e de materializar passeios, espetáculos, artistas, programas e centros de promoção à memória é ilimitado. Este espectro cultural favorece meu bem-estar alternativo, em acordo mútuo com a felicidade, a dignidade, o presságio e a sabedoria, sensações depositadas no meu inconsciente particular. Com o objetivo de fomentá-las, sempre serei um homem dócil, sensato e cumpridor de todas as promessas que anunciamos em família, sob a sentinela divina. Preservando uma vida equilibrada, não serei propenso a nenhuma das doenças letais, como a hipertensão – distúrbio que meu pai sofre –, diabetes, colesterol e câncer.

Durante cada estágio vital, eu usufruo das minhas pretensões e das minhas obrigatoriedades com o propósito de ser um homem vencedor, capaz de sabotar, de burlar e de desafiar contendas, rivalidades, animosidades e rancores. Tenho convicção, veemência e coragem de que vivemos mutuamente sob a tutela celestial, e que somos e seremos mais ainda benfeitores, homens de bem, de caráter e honorários. Não quero que o lazer seja passageiro, é necessário um hábito definido para me distrair. Atividades de lazer intra e extradomiciliares são miscíveis entre si, proporcionando um abandono temporário das atividades curriculares que exercito na universidade e abrandando o sufoco urbano.

sábado, 24 de julho de 2010

Baixada Fluminense tornou-se tema de piada

Paródia de comercial do presunto Sadia foi satirizada pela equipe do TV Pirata, tendo Diogo Vilela como protagonista

O programa humorístico TV Pirata, da Rede Globo, era um dos grandes e excelentes trunfos da televisão brasileira entre o final da década de 80 e o início da década de 90. Portanto, cultuava uma geração de telespectadores que chamavam a atenção em virtude de seu caráter revolucionário, tanto nas esquetes exibidas quanto em seu elenco sensacional.

Mesclava antológicas atuações performáticas de astros da emissora, como Cláudia Raia, Regina Casé, Marco Nanini, Luiz Fernando Guimarães, Diogo Vilela, Ney Latorraca, entre outros, temperado com o mais puro e sarcástico humor típico do período. Exibido em duas épocas diferentes, entre abril de 1988 e julho de 1990; e entre abril e dezembro de 1992, TV Pirata alcançou seu apogeu em sua primeira fase, a mais famosa.

Dirigido primorosamente por Guel Arraes, a inovadora atração que satirizava celebridades, comerciais e até mesmo outros programas globais, tinha, em sua equipe de redatores e colaboradores, nomes ilustres como Luís Fernando Veríssimo, Mauro Rasi (dramaturgo, falecido prematuramente aos 54 anos, em abril de 2003), Pedro Cardoso, Patrícia Travassos e o embrião do que é hoje o grupo Casseta & Planeta.

Na época, os atuais cassetas encontravam-se dissociados, trabalhando em duas publicações distintas de humor que obtiveram um estrondoso sucesso no Rio de Janeiro dos anos 80. Tratavam-se do Casseta Popular (Beto Silva, Bussunda, Cláudio Manoel, Hélio de la Peña e Marcelo Madureira) e do Planeta Diário (Hubert, Reinaldo e Cláudio Paiva).

Um exemplo da ironia utilizada na TV Pirata está sintetizado numa paródia de um comercial do presunto Sadia (assista o vídeo abaixo). Protagonizada por Diogo Vilela, a sátira em questão, anunciando os "Presuntos Baixada", em alusão à crescente violência na Baixada Fluminense, foi ao ar num dos programas, em setembro de 1988. Nesta acepção, "presunto" não é designação para um embutido derivado de carne; é sinônimo de defunto, de cadáver, de morto, de assassinado.

A paródia mostra Diogo de olhos vendados, manipulando cada uma das pernas dos quatro respectivos indivíduos, expostos em um certo ambiente, com a finalidade de descobrir quem é o misterioso "presunto". Depois de o ator inspecionar que as três primeiras pessoas não eram realmente defuntos, ele já terminou comprovando quem é ele. "Ah, é esse. É, é esse!", espantou-se Diogo.

Finalmente, o locutor, aparentando possuir uma ótima dicção, assina embaixo: "Presuntos Baixada, o único que vem com azeitona, apresenta..." Que azeitona é essa, que o locutor se referiu na assinatura do falso anúncio? Assim como "presunto", também é uma gíria regional usada em larga escala na Baixada Fluminense e não há nenhuma vinculação com produtos comestíveis. "Azeitona" foi usada, neste sentido, como termo pejorativo, com referência a projétil (a popular bala) de revólver, de pistola ou de quaisquer armas de fogo.

terça-feira, 20 de julho de 2010

No ar, a decisão popular

Simulações de voto através de três enquetes começam hoje e terminarão em 3 de outubro, dia das eleições, aqui neste blog

Por causa da aproximação das eleições para os cargos majoritários (presidente, governador e senador) e proporcionais (deputados federal e estadual), já está disponível nesta página um questionário estatístico constituído por três enquetes categorizadas – cada uma concernente a quem os eleitores irão votar nos candidatos de sua preferência. O momento em que os baianos e pessoas residentes em outros estados e no exterior irão votar democraticamente nas enquetes começa hoje e terminará às 14:30 do dia 3 de outubro, dia do pleito. Todavia, trata-se de uma pesquisa de opinião.

As três perguntas do conjunto estão posicionadas à direita das postagens deste blog. A primeira questão – intitulada "Em quem você irá votar para presidente?" – possui onze respostas para que o internauta escolha apenas um candidato a presidente. São nove concorrentes à autoridade soberana do Brasil – Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB), Marina Silva (PV), Plínio de Arruda Sampaio (Psol), Zé Maria (PSTU), Rui Costa Pimenta (PCO), Ivan Pinheiro (PCB), José Maria Eymael (PSDC) e Levy Fidélix (PRTB), além das opções "brancos/nulos" e "indecisos".

A segunda – "Em quem você irá votar para governador?" – apresenta nove alternativas referentes à corrida ao governo da Bahia. Dentre elas, o internauta selecionará somente um candidato que lhe for conveniente – Jaques Wagner (PT), Geddel Vieira Lima (PMDB), Paulo Souto (DEM), Luiz Bassuma (PV), Marcos Mendes (Psol), Carlos Nascimento (PSTU) ou Sandro Santa Bárbara (PCB). Cabe ao internauta cidadão, se não quiser escolher nenhum dos sete postulantes mencionados anteriormente, assinalar "brancos/nulos" ou "indecisos".

Encerrando as enquetes, a terceira e última, intitulada "Em quem você irá votar para senador", é composta por onze respostas. Persuadindo o eleitor a escolher nos dois candidatos ao Senado, com nove candidatos às duas vagas, o eleitor poderá marcar as opções "brancos/nulos" ou "indecisos". Neste ano, disputam as duas vagas senatoriais para representar a Bahia Walter Pinheiro (PT), Lídice da Mata (PSB), Edvaldo Brito (PTB), César Borges (PR), José Carlos Aleluia (DEM), José Ronaldo de Carvalho (DEM), Edson Duarte (PV), Luiz Carlos França (Psol) e Albione Souza Silva (PSTU).

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Um eterno amor pelo poder

É absolutamente inegável compreender a história política contemporânea da Bahia analisando a ilustre, benemérita, honesta, memorável e indelével figura de um médico – formado academicamente, porém isento de exercer o ofício –, professor, jornalista, empresário, deputado estadual, deputado federal (por três mandatos consecutivos), prefeito, governador (por três mandatos) e senador (por dois mandatos). Louvado por uns e repudiado por outros, ele foi, apesar de todas as suas contradições, o maior, egrégio, íntegro, excelso e o mais imponente político que o nosso estado já teve nos últimos sessenta anos. O seu espírito fantástico e cativante influencia, há mais de cinquenta anos, novas gerações de parlamentares e de administradores. Receita bem-sucedida de um político que assegurou seu campo de influência das grandes cidades até os mais pequenos povoados.

Sinônimo de ação, de competência e de moralidade, esta honrosa figura que prevaleceu nos mais elevados escalões do poder certamente contribuiu para a sua revolução nos âmbitos baiano e brasileiro. Fez magníficas amizades com seus contemporâneos e correligionários, lançando nomes de todas as expressões como aliados. Construiu uma corrente ideológica cuja amplitude é extraordinariamente imensa, ajudou maciçamente na difusão nacional de seus coligados, modernizou radicalmente por três anos uma cidade que se tornou a terceira maior metrópole do Brasil, tentou silenciar seus adversários e conseguiu fazer do maior estado do Nordeste um dos mais desenvolvidos do país. Faleceu há três anos a serem completados amanhã, deixando um grandioso, justo e bem cuidadoso espólio, do qual fazem parte deputados estaduais e federais, prefeitos, dois senadores e um dos maiores sistemas corporativos e comunicacionais da região.

Compreender o papel que Antônio Carlos Peixoto de Magalhães, falecido num comovente 20 de junho de 2007 – dois meses antes de completar 80 anos –, exerceu durante toda a sua trajetória pública, marcada por avanços e reveses, é reavivar a sua memória eterna e equânime. Um dos cinco filhos do médico e professor Francisco Peixoto de Magalhães Neto e de Helena Celestino Peixoto de Magalhães, ACM, sigla pela qual ele se consolidaria popularmente em sua esfera de atuação, se encantava por Arlette Maron, sua futura esposa. Desejava, na mesma época, ser um influente líder, defensor do nosso indesprezível povo baiano. Sua paixão pela vocação político-administrativa se iniciara precocemente como líder estudantil no antigo Ginásio da Bahia – atual Colégio Central – e, mais tarde, na Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, onde se formou em 1952. Também presidiu o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da universidade.

O fiel vínculo de ACM para com a politica culminou como jornalista do extinto jornal vespertino O Estado da Bahia, dos Diários Associados, grupo dirigido em escala estadual pelo amigo e jornalista Odorico Tavares (1912-1980), e como redator de debates na Assembleia Legislativa. Por esta casa, ele teve sua estreia no radiante currículo político, elegendo-se deputado estadual em 1954 pela União Democrática Nacional (UDN), através do ex-governador Juracy Magalhães, que não era seu parente. Na ocasião, apoiou Antônio Balbino (PTB) para governador, que foi eleito, fazendo parte da sua bancada. Balbino venceu o professor e historiador Pedro Calmon (Partido Social Democrático - PSD), irmão de Jorge Calmon – um dos magnos e eloquentes personagens que o nosso jornalismo já teve – por uma aliança entre a UDN e o PTB, duas legendas de posicionamentos ideológicos contraditórios.

Possuindo integridade e ética ao defender e representar sua amada terra, o jovem parlamentar garantiu, ainda pela UDN, seu primeiro mandato de deputado federal em 1958. Assumindo a cadeira no ano subsequente, foi nesse período em que ele iniciou seu convívio e sua amizade com outra liderança nordestina da modernidade, então em ascensão – o maranhense e correligionário José Sarney, advogado por formação. Apoiou o governo de Juscelino Kubitschek e testemunhou a inauguração de Brasília, a nova capital. Reeleito em 1962, ACM, enquadrado na Ação Democrática Parlamentar – coalizão de deputados e senadores conservadores, liderados pela UDN e grande parte do PSD – foi um dos críticos impactantes das propostas do então presidente João Goulart, o Jango, a exemplo das reformas de base. Com o intuito de inibi-las, Antônio Carlos transformou-se num dos perseverantes articuladores civis do vitorioso movimento militar de 31 de março de 1964.

Conjuntura que determinou os rumos sociais, políticos e econômicos do Brasil, o golpe – ou "Revolução" para seus confiantes – ensejou o vertiginoso êxito carlista, com direito a uma retórica incomparável e oscilante, vigente até a expiração súbita da vida física do seu líder, aos 79 anos. O então deputado federal Antônio Carlos Magalhães era apoiador de primeira hora do regime recém-instaurado, sob o ostensivo comando do marechal cearense Humberto de Alencar Castelo Branco, eleito o novo chefe supremo da nação pelo Congresso Nacional. Representantes da UDN, uma das apoiadoras do golpe, incluindo ACM, agregaram-se, após a instauração do bipartidarismo outorgado pelo Ato Institucional nº 2 (AI-2), em 1965, na Aliança Renovadora Nacional (Arena), sustentáculo do regime "revolucionário". Por essa nova legenda, foi reeleito deputado federal em 1966, o mais votado na Bahia em segunda colocação.

Sob o beneplácito de Castelo, ex-chefe do Estado-Maior do Exército, ACM licenciou-se da Câmara dos Deputados com a primordial missão de se aventurar, de maneira inédita, no Poder Executivo. Recebeu das mãos benignas de Luiz Viana Filho, primeiro governador eleito indiretamente pela Assembleia Legislativa – fora indicado por Castelo – a Prefeitura Municipal de Salvador, assumindo o cargo em 13 de fevereiro de 1967. Tendo por objetivo singular e primaz a metamorfose urbanística e social, a profícua gestão de ACM à frente da administração municipal revolucionou grandiosamente a paisagem da capital. Imprimiu, portanto, mudanças bruscas e incólumes no cotidiano popular da cidade, executando centenas de obras e ações, atributos que lhe assegurou o glorioso título de Prefeito do Século pela Câmara Municipal três anos depois.

A primeira experiência do parlamentar licenciado no Executivo, por implementar gigantes e eficientes avenidas de vale, visando contornar a acidentada topografia soteropolitana, e viadutos, além de reurbanizar ruas e outras avenidas já existentes, foi uma façanha que lhe rendeu prestígio, júbilo, abnegação e abundante consonância com todos os segmentos societários. Paralelamente, ACM lamentou a perda do seu pai, Francisco de Magalhães Neto, em março de 1969, manifestando pêsames e condolências ao povo de Salvador. No mesmo mês e mesmo ano, um dos mais célebres logradouros da cidade, a avenida que leva o nome do então prefeito, foi inaugurado solenemente. Homenagem que lhe foi prestada por intermédio da aprovação popular majoritária, sendo o eixo propulsor da transformação civilizatória. Sua convincente e esplêndida atuação lhe garantiu, com o aval dos militares, o ingresso para o Governo do Estado da Bahia.

Depois de consagrar-se em solenidade pública na casa de vereança como o Prefeito do Século, em abril de 1970, ACM regressou a Brasília para concluir o mandato de deputado federal em sua terceira e última legislatura, a pretexto de tornar-se governador da Bahia. O lugar mais alto da prefeitura foi ocupado pelo advogado e sacerdote batista Clériston Andrade, corregedor-geral do município, dando continuidade aos projetos de ACM até 1975. Clériston concorreria ao governo em 1982, mas no mesmo ano um desastre de helicóptero durante a campanha o matou. Nomeado pelo então presidente Emílio Garrastazu Médici, ACM foi eleito para o governo estadual por voto indireto pela Assembleia Legislativa em outubro do mesmo ano. A primeira gestão, iniciada em 15 de março de 1971, trouxe progressos significativos à Bahia, tornando-se um dos estados do Nordeste com níveis elevados de crescimento econômico. Teve início, por conseguinte, a doutrina pela qual denominamos de carlismo.

Foi nesse contexto que houve a criação da Empresa Baiana de Águas e Saneamento S.A. (Embasa), encarregada de gerir o abastecimento de água e o esgotamento sanitário e de inspecionar a construção do emissário submarino. Como consequência da hipertrofia de repartições públicas no Centro antigo de Salvador, nosso estado ganhou seu Centro Administrativo nas proximidades da Avenida Luiz Viana Filho – curiosamente, o governador que fez de ACM prefeito –, logo cognominada Paralela. Mesmo à frente do governo baiano, auxiliou o então gestor soteropolitano Clériston no prosseguimento metamórfico da urbe. Deixou a administração estadual em 1975, sendo sucedido pelo professor e ex-reitor da Ufba Roberto Figueira Santos, também indicado à sombra dos militares, filho de Edgard Santos, reitor da instituição. Nesse mesmo ano, foi escolhido pelo então presidente Ernesto Geisel para a presidência da Eletrobrás, tendo a incumbência de construir a Hidrelétrica de Itaipu, outrora a maior do mundo.

Toninho Ternura, como ACM era carinhosamente apelidado por seus simpatizantes e amigos, voltou ao comando dos baianos ao ser nomeado pela segunda vez pelo próprio Geisel, em setembro de 1978, com o propósito de retomar o desenvolvimento, dando-lhe consistência e mérito magnânimos. Sua segunda assunção ao cargo máximo do maior estado nordestino ocorreu em 15 de março de 1979, sob o esclarecimento de superar os êxitos alcançados desde seus primórdios no Executivo, quando ascendeu à Prefeitura da capital. Criou a Cesta do Povo, rede de supermercados públicos que logo se tornou sua importante marca desta gestão; atendeu prioritariamente o oeste, implantando cultivos de grãos, com profundo destaque para a soja; fundou a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) e aprimorou o fluxo do sistema ferry-boat, adquirindo mais embarcações e ampliando a ligação pelos terminais marítimos de São Joaquim e Bom Despacho, na ilha de Itaparica.

No meio do caminho, o ilustríssimo político, cujos amor, fascínio e fidelidade pela Bahia são extraordinariamente compatíveis com suas ideias e seus ideais longânimes, demitiu o então prefeito da capital, Mário Kertész, em novembro de 1981. Kertész, que fora chefe de gabinete da Secretaria das Finanças na gestão municipal de ACM, e primeiro titular da Secretaria do Planejamento, Ciência e Tecnologia – hoje desmembrada em duas pastas – em seu primeiro experimento em âmbito estadual, desentendeu-se com o então governador. Voltaria ao comando da cidade pelo voto direto, em 1985, filiado ao PMDB, com expressiva contribuição de setores de esquerda. O ex-político, breve desafeto do carlismo, reconciliando com o mesmo em seguida, atua no setor de telecomunicações, como proprietário e radialista da Rádio Metrópole FM (frequência FM 101,3 MHz).

Para a campanha pelo restabelecimento das eleições diretas para governador, em 1982, Antônio Carlos escolheu pessoalmente o ex-prefeito de Salvador, Clériston Andrade, como candidato do Partido Democrático Social (PDS) – sucedâneo da Arena, fundado com a volta do pluripartidarismo, em fins de 1979 –, a legenda oficial, à sua sucessão. No desenrolar da disputa, Clériston morreu em acidente de helicóptero durante comício pelo interior, no primeiro dia de outubro de 1982. ACM, então, escolheu o ex-prefeito de Feira de Santana João Durval Carneiro, na época deputado federal, para substituí-lo. Apesar de possuir extrema penetração em municípios interioranos, João Durval – que mais tarde iria romper com seu chefe – ainda era timidamente conhecido pelo eleitorado de Salvador. Mais uma proeza carlista foi confirmada, desta vez por via democrática: o feirense foi eleito governador em 15 de novembro, e empossado no ano seguinte.

Acabou sendo, em 1984, um dos articuladores da eleição indireta do peemedebista moderado Tancredo Neves à sucessão presidencial após a rejeição, pela Câmara, da emenda restabelecendo eleições diretas. Eleito Tancredo, cujo vice era o então senador pelo Maranhão e seu contemporâneo José Sarney, outro egresso da ditadura, indicado ACM para o Ministério das Comunicações. Com a luxuosa colaboração de Roberto Marinho, ACM foi nomeado para a pasta momentos antes de inaugurar sua própria emissora de televisão, a TV Bahia, pontapé inicial para o maior império de comunicações do Norte/Nordeste. Com transmissões pelo estado iniciadas em 10 de março de 1985, a TV Bahia foi a segunda corporação midiática carlista – a primeira fora o jornal Correio da Bahia, lançado em 1979 (hoje, simplesmente, Correio, seguido de um simbólico e atraente asterisco em sua logomarca: Correio*). Tancredo, para infelicidade geral da nação, faleceu, e Sarney definitivamente apoderou-se do Planalto para restaurar as nossas aspirações e as nossas diretrizes democráticas.

ACM permaneceu no Ministério das Comunicações durante todo o período Sarney, cuja gestão era impactada pela ampliação da política de concessões de serviços de rádio e TV a seus amigos e familiares em troca de favores e privilégios do governo. Portanto, essa estratégia pragmática governamental é conhecida como clientelismo ou apadrinhamento político, fenômeno frequentemente materializado em todo o território brasileiro. Com o propósito de ampliar seu grupo empresarial – integrado, além da TV Bahia e do Correio da Bahia, por um estabelecimento gráfico e por uma firma de construção civil, ambas batizadas de Santa Helena, o então ministro conseguiu do Governo Federal cinco concessões de TV e dezenas de concessões de rádio. Quanto às últimas, o Ministério das Comunicações, representado pelo ex-governador, oferecia-as em nomes de correligionários e de terceiros. Montava-se, então, seu variegado espectro comunicativo, objetivando de norte a sul a difusão do seu personalismo político-ideológico.

Restabelecidas as eleições democráticas para presidente em 1989, as eventuais oportunidades de liberdade contagiaram generosamente a população. Em ambos os turnos, ACM hipotecou seu apoio a Fernando Collor de Mello, eleito com a colaboração majoritária das forças que haviam participado do regime militar. Preparava-se, assim, seu retorno em grande estilo ao governo da Bahia, desta vez pelo sufrágio direto e secreto, logo no primeiro turno, em outubro de 1990, pelo Partido da Frente Liberal (PFL), legenda pela qual esteve filiado desde janeiro de 1986. Embalada por uma deslumbrante, fascinante e emocionante campanha publicitária, assinada pela agência Propeg, e impulsionada pelo maravilhoso jingle ACM, meu amor, de Gerônimo e Vevé Calazans, o líder de uma complexa constelação celebremente dita por carlismo ressurgiu das cinzas como Fênix. Desde o princípio, sua campanha que o ressuscitou no poder estava sob a égide das três cores integrantes da bandeira da Bahia – azul, vermelha e branca –, uma espécie de "patriotismo" exacerbado.

Seus perseverantes e duradouros sentimentos de Ação, Competência e Moralidade – slogan magistral e antológico formado a partir das três letras constitutivas da sigla do novo governante – no Palácio de Ondina foram reconduzidos no estado a partir de 15 de março de 1991, perpetuando por dezesseis anos ininterruptos. O vice de ACM em sua terceira gestão era o geólogo Paulo Souto, também secretário da Indústria, Comércio e Turismo, eleito governador três anos mais tarde com seu aval plenipotenciário. Iniciava-se, assim, a escalada progressiva para a recuperação política, social, econômica e cultural baiana, que até então encontrava-se em gradual decadência. Reabriu a Cesta do Povo após longo período de estagnação financeira, reformou escolas e construíram-se novas, fomentou o turismo – cuja política direcionada ao setor era chefiada por Paulo Gaudenzi, então presidente da Bahiatursa – incentivou a cultura, com a restauração do Pelourinho, a reabertura do Teatro Castro Alves em 1993, após quatro anos de desativação, e o estímulo à produção artística.

Também propiciou o desenvolvimento industrial, importante arcabouço para a sobrevivência da nossa economia, e reformou o Centro de Convenções da Bahia, incluindo neste projeto a inauguração do Pavilhão de Feiras. Entregou aos rodoviários novas estradas para escoar a nossa produção agropecuária e industrial e reformaram-se aquelas já existentes. Seguindo essa filosofia, todos os governos carlistas que sucederam a Antônio Carlos Magalhães implantaram, por ações objetivas e subjetivas, propostas audaciosas modernizadoras rumo ao século XXI. Em virtude de não haverem reeleições para os cargos executivos no Brasil, ACM não deixou o governo em 1994 nas mãos de seu vice Paulo Souto, eleito legalmente. Deixou, num primeiro momento, para o honrado desembargador Ruy Trindade, então presidente do Tribunal de Justiça e, um mês depois, ao deputado Antônio Imbassahy, que à época presidia o Poder Legislativo estadual.

Eleito senador ainda no mesmo ano, compartilhando a vaga com o então deputado federal Waldeck Ornelas – seu ex-secretário do Planejamento de 1982 a 1986 (ainda nesta fase, permaneceu à frente da pasta na gestão de João Durval) e de 1991 a 1994 –, ACM apoiou Paulo Souto como candidato a governador, eleito no segundo turno. Como senador em sua primeira legislatura, no governo de Fernando Henrique Cardoso, foi eleito por duas vezes seguidas presidente do Senado e, automaticamente, do Congresso Nacional (1997-2001). Nos quatro anos consecutivos, conseguiu fazer seus sucessores – César Borges (1998), atualmente senador da República, e Paulo Souto novamente (2002). Reconduziu à Câmara Alta em 2002, em parceria com César Borges, tendo Souto – então senador – também reconduzido ao poder, nesta acepção ao governo do estado, após denúncias que pareciam dar um retrocesso ao seu eminente currículo, com quase cinquenta anos de vida pública.

O tão desejado regresso de ACM ao Senado representava a sua superação ética pós-crise, restituindo seu mérito, sua magnitude, sua coerência e sua integridade política. Paralelamente à sua moral consciente, integrava a bancada oposicionista à gestão do atual presidente Lula no Congresso, como presidente da Comissão de Constituição e Justiça. Neste ínterim, o carlismo, simbolizado por uma das mais respeitadas, admiradas e simpáticas autoridades brasileiras, sofreu suas últimas amargas derrotas, prenunciando seu gradativo ocaso. Seu candidato à prefeitura de Salvador, o companheiro de Senado César Borges, perdeu no segundo turno em 2004 para o atual prefeito João Henrique Carneiro, então no PDT, beneficiado por um amplo leque de alianças partidárias de oposição. Dois anos depois, Paulo Souto, que tentava reeleger-se governador, foi vencido surpreendentemente no primeiro turno pelo atual gestor Jaques Wagner, pondo um veemente ponto final nos dezesseis anos de dominação carlista.

Perdendo dezenas aliados com o passar do tempo, como Mário Kertész, Benito Gama, João Durval, Otto Alencar e outros, Antônio Carlos Magalhães era um dos poucos políticos vitalícios que o Brasil já teve, apesar da constante renovação nos quadros governamental e parlamentar. O dia 20 de julho de 2007 foi, para ele, seu último suspiro, seu último exercício, seu derradeiro momento de vitalidade. Aos 79 anos, sua imunidade física e psicológica e sua circulação sanguínea paralisaram, partindo-se naquele dia, no Instituto do Coração (Incor), em São Paulo. Notícias e mensagens provenientes de todo o país anunciaram a despedida de ACM, cujos falecimento e funeral abalaram o sentimento da nação. Estava, enfim, encerrada a longeva e prestigiada jornada de ACM, consentânea com seus populares dominados. Contudo, seu legado apresenta a intensa luminescência que fulgura acerca do povo baiano.

sábado, 17 de julho de 2010

Jovem elogia Dilma em vídeo

Versão de estudante goiano para sucesso de Lady Gaga ajuda a popularizar candidatura da petista na internet, sendo conhecido como o Dilmaboy

Dilma Rousseff, presidenciável do PT, ganhou há quase quatro semanas uma divertida homenagem com um dançante vídeo caseiro, intitulado Dilmaboy. Idealizado pelo estudante de Publicidade Paulo Henrique Reis, de 25 anos, de Rio Verde, interior de Goiás, o filme, com duração de 3 minutos e 45 segundos, foi publicado no site Youtube no dia 28 de junho. Na última quinta-feira, Dilma o divulgou no microblog Twitter, com direito a singelas congratulações a seu autor, ganhando repercussão em todo o país. "Um grande abraço ao Paulo Reis, o nosso querido Dilmaboy", elogiou a petista.

Tendo como fundo musical uma paródia em português do sucesso Telephone, da cantora pop estadunidense Lady Gaga, inventada e interpretada pelo próprio Paulo Reis, o vídeo tornou-se um êxito espontâneo de audiência na internet, recebendo, até este sábado, mais de 103 mil exibições.

O estudante, além de entoar a letra, na qual Dilma é explicitamente comparada à ex-primeira-dama da Argentina, Eva Perón, a Evita, dança a música, balançando a cabeça e o esqueleto de acordo com a batida eletrônica. "Stop, burn! Stop, burn! Ela é a nova Evita Perón / Olhe para ela, ela agora é sucesso!", repete o refrão alusivo a Dilma. A produção do vídeo contou com o apoio de Tonny Manson e Jesus Galvão, companheiros de faculdade de Paulo, convidados por ele especialmente para esse fim.

Saudações portenhas

O grande sucesso da hilária versão de Telephone, na qual o jovem declara que Dilma é a "favorita pra vencer", sabendo "que o povo tem fome e quer comer", ganhou 49 comentários até a última sexta-feira no Youtube. A analogia da ex-ministra a Evita Perón na canção garantiu até um reforço internacional. Postado pelo argentino Gonzalo Moreno no mesmo dia, seu comentário felicita as qualidades de Dilma para que ela chegasse ao Planalto.

Paulo Reis, um anônimo agora conhecido nacionalmente por seu heterônimo Dilmaboy, declarou ao repórter Felipe Maia, do portal R7, da Rede Record, que pretende conhecer a candidata e provável futura presidente do Brasil, se ela o convidar. "Dilma, estou louco para te conhecer", disse o aspirante a publicitário. Sob o pretexto de o vídeo descontraído a favor da presidenciável tornar-se mais popular ainda, a ideia inicial do estudante goiano era produzir um "viral" – conteúdo repassado na rede por centenas de pessoas – mesclando política com doses de descontração.

Anos 90 começaram com incertezas

Marcado pelo confisco monetário proposto por Collor e pela eliminação da seleção na Copa logo nas oitavas, primeiro ano da década era medíocre para os brasileiros

O ano de 1990, além de inaugurar o decênio caracterizado pelo neoliberalismo e pela globalização, presenciou dois grandes aspectos negativos e abomináveis para o Brasil: a ascensão de um jovem e representante da oligarquia alagoana – Fernando Collor de Mello – à Presidência, e a derrota precoce da nossa seleção de futebol na Copa do Mundo da Itália. Foram acontecimentos lastimáveis para o povo brasileiro, que no ano anterior havia retornado às urnas para eleger seu novo líder após 25 anos de imposição por meio do mecanismo do voto indireto.

Associada aos acontecimentos incertos do governo de um desconhecido sujeito, com aparência de novo-rico, a campanha canarinha na Copa disputada no ano em que ele assumiu o Planalto, com apenas quatro gols, marcados por no mínimo dois atacantes, era praticamente péssima. Portanto, o primeiro ano da década que revolucionou nossos costumes era, para nós, o ano da mediocridade. Lágrimas de completas frustrações atingiram aqueles que Collor, por ironia do destino, apelidavam de "descamisados".

Desconhecido pela maioria do eleitorado durante as primeiras estatísticas para o pleito de 1989, o ex-prefeito biônico de Maceió, ex-deputado federal malufista e ex-governador de Alagoas, candidatando-se por um partido nanico de aluguel, o Partido da Reconstrução Nacional (PRN), logo assumia a dianteira, deixando para trás antigas figuras conhecidas dos eleitores.

Segundo o historiador Mário Schmidt, em seu livro Nova História Crítica do Brasil, Fernando, neto do gaúcho Lindolfo Collor (1890-1942), indicado por Getúlio Vargas em 1930 para ser o primeiro titular do Ministério do Trabalho, e filho de Arnon de Mello (1911-1983), empresário e tradicional político alagoano, "arrebatou o país com a imagem de que era novo na vida política nacional". Seu maior adversário era o então deputado federal Luiz Inácio Lula da Silva, ex-dirigente sindical e prócer do Partido dos Trabalhadores. Amparado e beneficiado com plenitude pelos maiores conglomerados de comunicação brasileiros, principalmente a Rede Globo de Televisão, o "caçador de marajás" combatia com audácia a estrela maior da classe operária.

Protetor dos "descamisados"

Por trás da ilusória promessa de que o Brasil seria um país "novo", "moderno", e que exterminaria a crescente inflação, fruto do insucesso dos planos econômicos implantados no impopular governo de José Sarney, havia o amplo apoio de forças conservadoras – a burguesia e os latifundiários – a Collor. Os principais postulantes progressistas ao cargo supremo da nação – Lula e o ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, Leonel Brizola (PDT), defenderam, obstinadamente, profundas reformas econômicas e sociais.

Mas no primeiro turno, em 15 de novembro de 1989, data comemorativa do Centenário da Proclamação da República, os paradoxos ideológicos entre a direita e a esquerda, a burguesia e o proletariado, o capital e o trabalho, o lucro e o salário, o senhor e o servidor, o dominante e o dominado, foram mais explícitos: Collor e Lula se confrontariam na etapa seguinte, obedecendo à Constituição de 1988. Pela primeira vez, segundo a nova Carta, as eleições passaram a ser divididas em dois turnos se o primeiro colocado não alcançar a maioria absoluta. Collor acabou vencendo Lula, em disputa acirrada, no segundo turno, em 17 de dezembro.

O precursor das doutrinas neoliberais em terras brasileiras, autoproclamando-se protetor dos "descamisados" e dos "pés-descalços" – numa clara alusão ao ex-presidente argentino Juan Domingo Perón –, conseguiu passaporte ao Planalto graças, além do suporte que as Organizações Globo lhe concedeu, à rearticulação dos setores políticos, econômicos e sociais conservadores.

Direita que, numa frente ampla articulada no segundo turno em torno de Collor, pertencente a uma legenda pequena, até então encontrava-se fragmentada desde a vitória de Tancredo Neves (PMDB), último eleito pelo Colégio Eleitoral, em 15 de janeiro de 1985. Aderiram ao carisma do playboy com feições atléticas e juvenis, entre outras agremiações, o PFL de Antônio Carlos Magalhães, Aureliano Chaves (derrotado no primeiro turno), Marco Maciel e Jorge Bornhausen e o PDS de Paulo Maluf (que também não chegou ao segundo turno) e Delfim Netto, além da ala conservadora do PMDB.

Toda a população ficou bastante perplexa (para quem votou em Collor) e indignada (para quem sufragou Lula) em razão do confisco esquizofrênico e fulminante das cadernetas de poupança, posto em prática pelo Plano Collor. Coordenado pela então ministra da Economia, Fazenda e Planejamento – nova roupagem ao antigo Ministério da Fazenda –, Zélia Cardoso de Mello, o novo paradigma econômico começou a vigorar em 16 de março de 1990, um dia após a assunção do presidente que o homenageou.

Mudava a moeda nacional que circulava até então, o cruzado novo (NCz$), instituído em janeiro de 1989, penúltimo ano do governo Sarney, pelo velho e desgastado cruzeiro (Cr$), estabelecendo a equivalência entre elas (Cr$ 1 = NCz$ 1). Duas vezes antes, o cruzeiro já havia sido a nossa unidade monetária: de 1942, substituindo o mil-réis, em circulação desde o Período Colonial, até 1967, quando a inflação o substituiu pelo cruzeiro novo (NCr$); e de 1970, substituindo o cruzeiro novo sem nenhum corte de zero, a 1986, ao ser ocupado pelo cruzado (Cz$) em virtude da espiral inflacionária.

As consequências do Plano Brasil Novo, como o Plano Collor era oficialmente conhecido, revelavam um desastre fantasmagórico em todas as instâncias. Dentre elas, a economia e a sociedade foram seriamente prejudicadas, com o confisco, o aprofundamento dos indicadores inflacionários e o empobrecimento de grande parcela das classes populares. Para Brizola, um dos liquidados em 1989, a culpada pelo crescimento da crise foi "a mesma gente, que vem desde 64, passou pelo governo Sarney e agora está toda ela no novo governo (o de Collor)", certificando a permanência de pessoas vinculadas ao regime militar na nova administração.

"Mas o que é grave, que nós vamos evitar, é que ele (o plano) contém dispositivos, regras, uma legalidade perversa que propõe contra os destinos e contra a soberania do nosso país, que é a entrega do patrimônio nacional, que é a abertura do nosso país a um processo escandaloso de collorização", denunciou a golpes de argumento o líder trabalhista, que voltaria a ser releito para o governo do Rio ainda no mesmo ano do Plano Collor.

A era Lazaroni: adeus

No comando da seleção com vistas à Copa de 1990, estava o técnico fluminense Sebastião Lazaroni, indicado por Ricardo Teixeira, novo presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que fora campeão da Copa América no ano anterior, disputada no Brasil. Ele escalava, para o time titular ao disputar o torneio na Itália, em junho – três meses após a posse de Fernando Collor –, atletas cuja maioria possuíam desempenho débil, tanto que aquele time era considerado o mais medíocre em todas as Copas.

O objetivo de Lazaroni e seus discípulos, como Dunga – que vinte anos mais tarde treinaria o esquadrão canarinho na África do Sul, sendo eliminado pela Holanda nas quartas de final –, era tentar, pela quinta e penúltima vez, o tetracampeonato mundial após 1970, quando sagrou-se tricampeão no México. Todos os quatro jogos da seleção brasileira foram realizados no Estádio Delle Alpi, em Turim, nos Alpes italianos.

Estreando com vitória de 2 a 1 sobre a Suécia, em 10 de junho, com gols do atacante Careca, egresso do São Paulo e à época atuando no Napoli, o esquadrão de ouro, jogando mal, venceu de forma tímida mais dois lances ainda na primeira fase. Müller, outro atacante ex-são-paulino e que atuava no Torino, marcou apenas um gol contra as fracas seleções da Costa Rica – cuja escalação tinha destaque para o brasileiro naturalizado costarriquenho Alexandre Guimarães –, em 16 do mesmo mês, e da Escócia, no dia 20.

Os débeis resultados e atuações, especialmente a predominância de jogadores mal-sucedidos, como Careca, Alemão, Silas, Mozer e Bismarck, demonstravam que a performance, a disposição e a credibilidade da nossa equipe estavam se declinando gradualmente. A etapa inicial da competição terminou com Careca e Müller sendo artilheiros do Brasil, com dois gols cada – uma média inexpressiva. Faltava criatividade, obstinação, pique, ânimo, energia, bom senso e vontade para enfrentar os próximos adversários e conquistar o inédito quarto título de futebol. Mas, ironicamente, só viria quatro anos depois...

O primeiro e único desafio nas etapas eliminatórias resumiu-se à maior rivalidade sul-americana. Num duelo complicadíssimo, em 24 de junho, os brasileiros foram desclassificados logo nas oitavas de final pelos vizinhos argentinos, campeões mundiais à época, com seu segundo título obtido em 1986, no México. Diego Maradona, capitão da Argentina na emocionante campanha do bi, passou livremente para seu compatriota Claudio Caniggia marcar o gol da vitória dos hermanos por apenas 1 a 0, aos 35 minutos do segundo tempo, boicotando a defesa brasileira, com Taffarel à frente.

Quatro minutos depois, Sebastião Lazaroni substituiu Mauro Galvão e Alemão por Silas e Renato Gaúcho, atualmente treinando o Bahia, respectivamente. O zagueiro e capitão Ricardo Gomes, hoje técnico do São Paulo, foi expulso da partida em seguida pelo árbitro francês Joël Quiniou. Com esse placar decepcionante, os canarinhos foram para casa mais cedo, adiando para 1994 o antigo sonho da busca pelo tetra, que seria concretizado nos Estados Unidos com a colaboração, entre outros da insossa trupe de 90, de Taffarel, Dunga, Jorginho, Branco, Bebeto, Romário, Müller e Ricardo Rocha.

Lazaroni, demitido imediatamente depois de seu último certame, escalou o time-base que se responsabilizava pela derrota. Improvisando várias chances de vitória, a equipe que estava em campo era integrada pelos seguintes atletas: o goleiro Taffarel, o lateral-direito Jorginho, os zagueiros Mauro Galvão (cartão amarelo), Ricardo Rocha (cartão amarelo) e Ricardo Gomes (cartão vermelho) e o lateral-esquerdo Branco; os meias Dunga, Alemão e Valdo; e os atacantes Müller e Careca. Os reservas foram os goleiros Acácio e Zé Carlos; o lateral-esquerdo Mazinho; os zagueiros Mozer e Aldair; os meias Bismarck, Silas (que substituiu Mauro Galvão na partida fatídica) e Tita; e os atacantes Romário, Bebeto e Renato Gaúcho (substituindo Alemão).

Não conseguimos papar tudo

Quase todas as emissoras de TV transmitiam, em rede nacional, a décima quarta edição da maior competição esportiva internacional, inclusive a Rede Globo, que contribuiu decisivamente na eleição do então presidente Collor, intervindo no primeiro pleito democrático em nível nacional após 29 anos. A narração das quatro partidas do Brasil coube a Galvão Bueno, cuja competente eloquência e simpatia fascinam milhões de telespectadores por todo o território nacional.

Apesar de a seleção brasileira de 1990 ser medíocre e a Copa daquele ano também ser a pior entre todos os torneios, detendo a menor média de gols e jogos, a Globo pôs no ar um tema musical especialmente elaborado para a ocasião. De autoria da prestigiada dupla Michael Sullivan e Paulo Massadas, que haviam composto Mexe coração para a transmissão global da Copa de 1986, a despretensiosa e pouco célebre marchinha Papa essa, Brasil foi o tema da frustração geral do nosso povo, corroído com os sintomas gerados pelo Plano Collor. (Veja a letra e o vídeo abaixo)

Estamos juntos outra vez
O mesmo sonho, outra vez
A mesma raça, outra vez
Dessa vez tem que ser pra valer

Vai ser agora, quero ver
Chegou a hora de torcer
Tocar a bola e correr
Tudo é festa e esperança outra vez

Camisa doze é o teu, é o meu coração
Dessa vez vamos lá, seleção
Meu Brasil campeão
Tudo de novo, novo

Cruzar na área
Nesse jogo eu também quero entrar
E no gol de alegria chorar
Vamos todos gritar
BRASIL, BRASIL, BRASIL!

Papa essa, Brasil
Papa essa, Brasil
Pode vir quente
Se der sopa, a gente toma

Papa essa, Brasil
Papa essa, Brasil
Vai nessa bola
Quem tem bola, vai a Roma



Contrastando-se com a previsão de vitórias mencionada não somente na letra da canção, mas também no videoclipe específico que a Globo lançou em dezembro de 1989 (acima), cujas imagens misturam os principais cartões-postais italianos com os jogos do Brasil na Copa América daquele ano, a nossa seleção teve um desempenho tão medíocre e tão pífio em todas as partidas.

Pena que ela não teve coragem de papar logo os hermanos, que acabaram sendo vice-campeões (a campeã era a então Alemanha Ocidental, com seu terceiro título) nem ir à final em Roma, pois Careca, Müller e companhia desperdiçaram diversas probabilidades do início ao fim do fatídico jogo nas oitavas de final. Infelizmente, Caniggia, o carrasco da eliminação precoce do Brasil, decidiu papá-lo com voracidade nos últimos minutos, e a nação, politicamente comandada por Collor, que renunciaria dois anos depois por escândalos de corrupção, foi às lágrimas. Veio mais uma derrota, desta vez nos gramados, bem pior do que a derrota de Lula nas urnas.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Edifício secular abriga memórias

O imponente Palácio Rio Branco, reinaugurado recentemente após uma grande restauração, preserva, além da sua arquitetura e decoração ostentadoras, a história da Bahia no Período Republicano

Fachada é marcada pelo requinte ao ser influenciada pelo neoclassicismo
(Foto: Hugo Gonçalves)

Recentemente reaberto ao público após total restauração arquitetônica e estrutural e modernização de suas instalações, o Palácio Rio Branco, antiga sede de despachos e reuniões dos governadores da Bahia, preserva sua beleza, sua opulência, seu luxo e seu requinte, tanto na fachada quanto no interior, decorados com elementos deslumbrantes da miscelânea de tendências europeias. Uma das primeiras construções de Salvador, que sofreu diversas modificações em meados do século XVII, no final do século XIX e no início do século XX, foi reinaugurada em 10 de junho pelo governador Jaques Wagner, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula visitou Salvador com a missão de lançar o Plano de Reabilitação Participativo do Centro Antigo da capital.

Ao entrar no edifício, o visitante se depara com a mais fina, nobre e irresistível ornamentação em estilos renascentista e neoclássico que compõe o seu conjunto artístico e histórico. Dois pilares cilíndricos em mármore servem de sustentáculo para o esplêndido portal alusivo ao trigésimo aniversário da Proclamação da República, ocorrido em 15 de novembro de 1919, data em que o palácio foi reinaugurado pomposamente pelo então governador Antônio Ferrão Moniz de Aragão, após sete anos de trabalhos de reconstrução. No teto, o brasão da República contendo o escudo circular azul com as cinco estrelas douradas da constelação do Cruzeiro do Sul e com as 20 estrelas em torno dele, também douradas, que representam as 20 unidades da Federação então existentes, complementa com esplendor o monumento.

Decorado segundo tendências neoclássicas, teto do andar superior é um dos atrativos
(Foto: Hugo Gonçalves)

Portal comemorativo ao 30º aniversário da República: esplendor no interior, com destaque para o brasão
(Foto: Hugo Gonçalves)

O Memorial dos Governadores Republicanos, situado no térreo, é a oportunidade de os baianos e turistas mergulharem na história republicana do estado. Inaugurado em setembro de 1986, o memorial é segmentado em dois salões – o primeiro, com assoalho em madeiras clara e escura intercaladas, reúne 26 quadros com retratos dos governadores mais antigos, de Virgílio Climaco Damásio (1889 e 1890) a Landulfo Alves de Almeida (1938-1942); e o segundo, com assoalho em concreto, congrega 21 quadros com retratos dos gestores mais recentes, de Renato Onofre Pinto Aleixo (1942-1945) até o atual, Jaques Wagner (desde 2007). Seu acervo, de aquisição contínua, é integrado por 3 mil documentos pertencentes a coleções da maioria dos ex-governadores, entre indumentárias, acessórios, peças de mobiliário, talheres, insígnias, medalhas, condecorações, premiações, livros e jornais.

Pioneirismo

Construído em 1549, por iniciativa do primeiro governador-geral do Brasil, Thomé de Souza (1549-1553) na praça que hoje leva seu nome, o atual palácio, então denominado Casa do Governo, se confunde com a fundação, em 29 de março do mesmo ano, da cidade de Salvador, primeira sede administrativa da única colônia portuguesa das Américas. A primeira Casa do Governo, erguida em taipa e barro, foi uma das edificações pioneiras da nova cidade idealizadas pelo mestre de obras Luís Dias, com o propósito de Thomé de Souza residir, assim como todos os governadores-gerais que o sucederam durante o período em que Salvador era a capital do Brasil colônia. Para defender a Baía de Todos-os-Santos de invasões, o terceiro governador-geral, Mem de Sá (1558-1572), mandou erguer uma fortaleza de pedra e cal, em formato de torre.

Os invasores holandeses que se estabeleceram na Bahia passaram a ocupar a construção rudimentar em 10 de maio de 1624, depondo o governador-geral Diogo Mendonça Furtado (1621-1624), até a sua rendição, um ano depois. Em 1663, houve a primeira remodelação e ampliação, no governo de Francisco Barreto de Menezes (1657-1669), com o acréscimo do pavimento superior. Barreto de Menezes, por sinal, fora o mesmo governador-geral que mandou edificar a atual sede da Câmara Municipal de Salvador. De acordo com historiadores, a família real portuguesa, sob o comando da rainha D. Maria I, a Louca, incluindo seu filho, o príncipe regente D. João (mais tarde rei D. João VI), ao ser transferida para o Brasil em janeiro de 1808, desembarcando na Bahia, passou a morar na segunda Casa do Governo.

O contraste entre o antigo e o moderno caracterizam o Memorial dos Governadores, que, em dois salões, congrega retratos e pertences dos gestores
(Foto: Hugo Gonçalves)

D. Pedro I, primeiro imperador, ao visitar a então província em 1826, se hospedou na Casa com todo o seu séquito, inclusive sua esposa, a imperatriz D. Leopoldina, e sua filha, a princesa D. Maria da Glória. No Segundo Reinado, o edifício foi utilizado, provisoriamente, como residência do imperador D. Pedro II e de sua mulher, a imperatriz Teresa Cristina, em 1859. As obras de reconstrução da Casa do Governo foram anunciadas em 16 de janeiro de 1890, dois meses após a Proclamação da República, pelo então governador Manuel Vitorino Pereira, o segundo do Período Republicano. Com orçamento de 150 contos de réis, os trabalhos tiveram início oito dias depois, sendo necessários melhoramentos estéticos e estruturais, sob a supervisão do engenheiro Alexandre Maia Bittencourt e do arquiteto Antônio Lopes Rodrigues.

Rebatizado de Palácio do Governo, o novo prédio foi reinaugurado durante as comemorações do 4º Centenário do Descobrimento do Brasil, em 21 de abril de 1900. Ganhou várias salas e vários salões, todos em estilo renascentista, cujos nomes, na maioria, referem-se a acontecimentos da História do Brasil e do mundo – Sala do Descobrimento, Sala dos Governadores, Sala Luís XIII, Salão Luís XIV, Salão Luís XV, Sala Assiriana, Sala Bizantina e Salão de Honra –, pinturas de Lopes Rodrigues e melhorias no sistema de iluminação, constituído por 800 bicos de gás. A segunda alteração no palácio, entretanto, teve breve duração.

Bombardeado por canhões

Em 10 de janeiro de 1912, Salvador foi vítima do maior bombardeio de sua história, ordenado pelos militares com o acionamento dos canhões nos fortes do Barbalho e de São Marcelo. Por problemas de saúde, o governador Araújo Pinho renunciara em 22 de novembro do ano anterior, fato este que culminou na intervenção federal na Bahia responsável pelo bombardeio da capital, atingindo vários prédios, como a Biblioteca Pública, hoje ocupada pelo Palácio Thomé de Souza, sede da Prefeitura, e o próprio Palácio do Governo. O monumento foi o mais atingido pelo incêndio, e teve grande parte de suas instalações consumidas pela tragédia, principalmente a ala esquerda, que foi completamente mutilada. Foi providenciada, no dia seguinte à tragédia, a transferência temporária da sede do governo para o Palácio das Mercês, residência oficial dos governadores.

Logo após o bombardeio da cidade de Salvador, em 1912, J. J. Seabra mandou reconstruir o edifício, reinaugurado em 15 de novembro de 1919
(Foto: Hugo Gonçalves)

Palácio foi sede do governo por mais de quatro séculos
(Foto: Hugo Gonçalves)

José Joaquim Seabra, novo gestor, assumiu em 29 de março de 1912, prometendo reurbanizar a cidade já bombardeada. O projeto previa as obras de reconstrução e remodelação do Palácio do Governo, elaboradas pelo arquiteto italiano Júlio Conti. Promessa cumprida, trabalhos iniciados, sob o pretexto de reconstruir as partes bombardeadas no dramático 10 de janeiro e a demolição da antiga fachada. Com finalização atribuída ao engenheiro e arquiteto italiano Filinto Santoro, foi reinaugurado, em 15 de novembro de 1919, por Antônio Ferrão Moniz de Aragão, sucessor de J. J. Seabra, o magnífico e ostentador palácio em estilo neoclássico, rebatizado de Palácio Rio Branco. Seu nome é uma justa e imponente homenagem a José Maria de Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, patrono da diplomacia brasileira.

Foi com essa reabertura solene, realizada por ocasião dos festejos do trigésimo aniversário da Proclamação da República, que a edificação chegou a seu quarto – e atual – estágio, recebendo, na porção superior da fachada, uma ostensiva torre acrescida de uma abóbada semicircular. Devido ao crescimento da máquina administrativa, o Palácio Rio Branco foi ampliado estruturalmente em 1949. O edifício foi o centro das deliberações político-administrativas da Bahia por mais de quatro séculos, até 1979, quando a sede do governo estadual foi transferida para a Governadoria, no Centro Administrativo da Bahia (Cab), nas cercanias da Avenida Paralela. Por quatro anos – entre 1979 e 1983 –, abrigou temporariamente a Prefeitura Municipal de Salvador.


Antiga Sala dos Banquetes, hoje vazia, abrigou o Memorial dos Governadores antes da última restauração
(Foto: Hugo Gonçalves)

Celeiro memorial

No governo de João Durval Carneiro, foram executados os serviços de restauração completa do Palácio Rio Branco, sendo iniciados em 1984. Entregue à população em 26 de agosto de 1986 por João Durval, um dos mais belos patrimônios históricos e cartões-postais da capital baiana, além de transformar-se em celeiro da memória, passou a abrigar as sedes de duas autarquias estaduais – a Empresa de Turismo da Bahia S.A. (Bahiatursa) e a recém-criada Fundação Pedro Calmon - Centro de Memória da Bahia (hoje Fundação Pedro Calmon - Centro de Memória e Arquivo Público da Bahia). Na antiga Sala de Banquetes, à direita das escadarias anglo-francesas, foi implantado, um mês após a reabertura, o Memorial dos Governadores Republicanos, objetivando resgatar a memória política na Bahia no Período Republicano, bem como a de seus gestores.

A última reforma, inaugurada há apenas um mês, foi o marco inaugural do Plano de Reabilitação Participativo do Centro Antigo de Salvador, anunciado em cerimônia pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo governador Jaques Wagner. O programa estimula a requalificação urbanística, arquitetônica, ambiental, econômica, cultural e social da região, e está sendo divulgado em exposição temporária na Sala de Audiovisual do palácio desde o dia 10 de junho. Mostrando para o público a cronologia evolutiva do Centro, do século XVI ao século XXI, os objetivos e as proposições do plano e um vídeo explicativo, a exposição terminará no dia 14 de novembro. Houve, após a restauração, a relocação do Memorial dos Governadores da Sala de Banquetes para um conjunto de dois salões, à esquerda das escadarias.

Composto por várias salas luxuosas, como o Salão dos Espelhos, a Sala dos Esquecidos e a Sala dos Despachos, segundo a museóloga Janaína Ilara, o pavimento superior do Palácio Rio Branco é pouco frequentado, pois recebe os visitantes em três dias alternados – terças, quintas e sábados – através de agendamentos. O palácio permanece aberto para a visitação pública em dois horários: das terças às sextas-feiras, entre as 10 e as 18 horas, e aos sábados, domingos e feriados, entre as 13 e as 17 horas. A entrada é gratuita, assegurando ao visitante a oportunidade de conhecer a memória cultural e política baiana e de aprofundá-la. Todas as segundas-feiras, são realizados trabalhos semanais de manutenção, higienização e limpeza, justificando o seu fechamento ao público, porém nos dias seguintes o passeio pela história não tem fronteiras.