segunda-feira, 31 de maio de 2010

Distúrbios alimentares e suas influências

Hugo Gonçalves, Ágata Fidelis, Fernanda Magalhães, Jessica Sandes e Laís Amorim
Estudantes de Jornalismo do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge)

Desde o seu nascimento, a mulher é induzida a ser vaidosa. Usar boas roupas e buscar um corpo perfeito fazem parte do seu cotidiano, mas até onde essa prática de cultuar exageradamente a beleza exterior é saudável? A anorexia e a bulimia são consequências drásticas impostas pela busca frenética da magreza, que os meios de comunicação divulgam como belo.

A abordagem deste tema tem como objetivo conscientizar as pessoas do crescente número de doenças e de mortes decorrentes dos distúrbios alimentares. Muitas vezes, quem está doente não tem consciência, e, com frequência, o alerta vem de quem conviva com essas pessoas. O tratamento deve ser acompanhado por especialistas, como psicólogos e nutricionistas; e é demorado, porém reversível.

No final do século XX, a moda mudou radicalmente o conceito de beleza. Até meados da década de 60, o belo era ser voluptuosa: Sophia Loren e Marilyn Monroe, que, entre outras, eram grandes símbolos sexuais. Porém, com o decorrer dos anos, os estilistas procuraram modelos cada vez mais magros, justificando o melhor caimento das suas roupas, transformando-os, assim, em "cabides".

A pressão estética passou também a ser divulgada pelas instituições sociais, que ao invés de resolver problemas de convivência em sociedade – seu papel social – estavam criando um. As mulheres querem tanto se encaixar no que se diz ser bonito, que acabam ficando alienadas e não mais percebem a exploração que lhes é imposta. Consequentemente, sem perceber, passam essa herança cultural de que as pessoas têm que estar bonitas para serem "consumíveis", para as crianças deste século.

O índice de distúrbios alimentares atingiu o seu pico no século XXI. A vontade de emagrecer é tão grande que os jovens não se importam se irão ou não prejudicar a saúde. Em comentário no blog Amar-Ela, uma mulher identificada apenas como Ana foi explícita ao sofrer as consequências dos distúrbios alimentares: "Então seja pelo caminho da anorexia, da bulimia ou do 'hábito saudável de se alimentar'. O importante é perder peso! Para mim a comida é inimiga e eu deixo de comer sim pra me sentir feliz comigo mesma".

Anorexia e bulimia não são meios de emagrecer, pois são doenças que podem levar os pacientes à morte, como no caso da modelo paulista Ana Carolina Reston, falecida aos 21 anos, em 15 de novembro de 2006, vítima de anorexia. Os anoréxicos sofrem de distúrbios emocionais e comportamentais e mudam completamente seus hábitos alimentares acreditando estar com excesso de peso. Já os bulímicos, após ingerirem uma grande quantidade de alimentos, provocam o próprio vômito, tomam diuréticos ou laxantes e praticam exercícios físicos exageradamente.

Felizmente a sociedade está se dando conta do poder da influência da moda na vida das pessoas e começaram a mudar. Três lições vindas da Europa melhor ilustram isso. Na Espanha, as medidas das modelos estão sendo regulamentadas para proteger o público e a saúde das manequins, proibindo que modelos com o peso abaixo do normal – índice de massa corporal (IMC) abaixo dos 18 kg/m – desfilassem nas passarelas de Madri.

Na Suíça, o Museu Basel-Landschaft inaugurou recentemente uma exposição sobre a gordura e o peso. E, em Berlim, um restaurante para pessoas que sofrem de distúrbios alimentares foi inaugurado por uma ex-vítima de anorexia e de bulimia. Esse é um grande incentivo para aqueles que sofrem dessas doenças conseguirem se reerguer.

Em entrevista à revista feminina Malu, de 28 de janeiro deste ano, a atriz Rafaela Fischer, 30 anos, contou como conseguiu vencer os problemas alimentares. A filha de Vera Fischer, que recentemente interpretou a personagem Raquel na novela Viver a vida, da TV Globo, mantém o seu peso sob controle através de uma maratona que inclui uma alimentação saudável e exercícios físicos.

"(...) já tive problemas de distúrbios alimentares, como bulimia e anorexia, e hoje tenho que tomar cuidado. Você não é curado, fica equilibrado. Tenho acompanhamento psicológico. É algo que fica na sua cabeça." Os distúrbios, aliás, não têm cura, pois o paciente exige longos períodos nos quais ele se reabilita por meio de sessões terapêuticas, reeducação alimentar, atividades físicas e cuidados diários com a sua saúde.

Rafaela ainda afirmou que, antes de ela sofrer de anorexia e de bulimia, pesou 93 kg. Em razão do constante medo de engordar decorrente da ausência de uma alimentação correta, ela emagreceu progressivamente. Hoje ela pesa 65 kg graças a hábitos vitais excelentes, fazendo com que se livrasse das enfermidades.

"Fiz terapia, procurei uma nutricionista e comecei a exercitar um pouco mais. Precisei das três coisas ao mesmo tempo. Acho que esse é o caminho mais saudável para perder peso. Eu fazia ioga, depois parei e comecei na aeróbica e na musculação. Hoje é uma hora de esteira, mais as sessões de musculação", disse Rafaela Fischer, que é um exemplo bem-sucedido de celebridade que enfrentou, com coragem, autoestima e disposição, os dois inimigos da alimentação saudável.

Por pouco a atriz se escapou desses prejuízos que beneficiam apenas a mídia e os empresários do setor da moda. Tanto a anorexia quanto a bulimia, claro, são fatores bastante incômodos dentro das sociedades contemporâneas, pois vários indivíduos desejam obter a busca pela perfeição exterior, sem se preocupar com suas extraordinárias virtudes interiores.

sábado, 22 de maio de 2010

Arraes tentou se reeleger, mas não conseguiu

O vídeo abaixo refere-se a um jingle da campanha à reeleição do então governador de Pernambuco, Miguel Arraes (PSB), em 1998, criado pelo publicitário Duda Mendonça, um dos mais renomados marqueteiros políticos. Naquele pleito, um dos maiores líderes da nossa esquerda, que estava em seu terceiro mandato, foi derrotado logo no primeiro turno para o hoje senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), seu ex-aliado. Jarbas era o candidato apoiado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que foi reeleito, cujo vice, Marco Maciel (PFL, hoje Democratas), é pernambucano.

Vale relembrar um pouco da trajetória de Arraes, pois ela foi fundamental para o desenvolvimento das lutas populares no Brasil, principalmente na região Nordeste. Miguel Arraes de Alencar nasceu em Araripe, no Ceará, em 15 de dezembro de 1916. Formado em Direito, foi aprovado em concurso para o Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), órgão através do qual fez amizade com seu presidente, o grande jornalista Barbosa Lima Sobrinho (1897-2000), também ex-presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). No IAA, Arraes exerceu a função de delegado, entre 1943 e 1947, tornando-se um defensor dos trabalhadores da "palha de cana" em Pernambuco.

Com Barbosa Lima Sobrinho no governo do estado, exerceu a Secretaria da Fazenda. A estreia de Arraes como político ocorreu em 1954, quando foi eleito deputado estadual pelo pequeno Partido Social Trabalhista (PST). Na Assembleia Legislativa, ele integrou a bancada de oposição ao então governador de Pernambuco, o general Cordeiro de Farias. Quatro anos depois, apoiou a candidatura a governador do usineiro Cid Sampaio (UDN), que, embora conservador, foi eleito com o apoio de partidos de esquerda através da Frente Popular. Arraes, mais uma vez, foi secretário da Fazenda neste mandato.

Ainda em 1959, Arraes foi eleito prefeito do Recife, cujo eleitorado possui uma forte tradição progressista. Isso abriu caminho para que ele disputasse pela primeira vez o governo de Pernambuco em 1962, pelo PST, com o apoio do Partido Socialista Brasileiro (PSB), do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), além dos comunistas, que encontravam-se na clandestinidade. Seu vice era o conservador Paulo Guerra, do Partido Social Democrático (PSD), um fazendeiro e pecuarista. Liderando um grupo de tradicionais coronéis pernambucanos pró-Arraes, Guerra era um dos artífices da espetacular vitória do ex-prefeito da capital ao Palácio do Campo das Princesas.

Empossado em 1963, Miguel Arraes tinha como meta prioritária em sua gestão o desenvolvimento social. Uma de suas marcas inovadoras foi a implantação, pelo brilhante educador Paulo Freire (1921-1997), de um ambicioso programa de incentivo à educação popular, visando à plena alfabetização e à progressiva ampliação cognitiva. Além disso, firmou um acordo, também inédito, com proprietários de usinas de açúcar e álcool, objetivando a permissão de benefícios aos trabalhadores do setor.

O golpe militar de 31 de março de 1964 que derrubou o então presidente João Goulart devido à proposta das reformas de base que ele anunciou havia poucos dias impediu que políticos de esquerda continuassem no poder em alguns estados, como Pernambuco. Por isso, o vitorioso movimento, conhecido pelos militares como Revolução, obrigou Arraes a abandonar o mandato de governador. Acabou sendo preso no Recife, em Fernando de Noronha e em Niterói (RJ). Em junho de 1965, exilou-se na Argélia, para não ser preso mais uma vez em território brasileiro.

Arraes regressou ao Brasil em 15 de setembro de 1979 graças à lei da anistia decretada pelo então presidente João Figueiredo, que deu continuidade ao projeto de abertura política. Filiou-se ao MDB, que poucos meses depois, com a nova Lei Orgânica dos Partidos que restabeleceu o pluripartidarismo, transformou-se no PMDB, do qual Arraes era um dos fundadores. Pela nova legenda, elegeu-se deputado federal em 1982. Teve como candidato a governador, naquele ano, o então senador Marcos Freire, que acabou sendo derrotado por Roberto Magalhães (PDS), apoiado pelo ex-governador Marco Maciel, eleito senador.

Um dos articuladores da campanha Diretas Já, votou, em 1984, a favor da Emenda Dante de Oliveira, que previa eleições diretas para presidente. Entretanto, a emenda foi derrotada no plenário da Câmara dos Deputados. Ainda em 1984, apoiou a candidatura de Tancredo Neves (PMDB) à presidência no Colégio Eleitoral.

Em 1986, foi eleito governador de Pernambuco pela segunda vez, pelo PMDB, vencendo o governista José Múcio Monteiro (PFL). Caracterizada pela aproximação com as camadas mais populares da sociedade pernambucana, essa gestão foi marcada pela implantação de importantes programas sociais. Arraes deixou o governo no início de 1990 para se candidatar a deputado federal por seu novo partido, o PSB, sendo eleito em outubro do mesmo ano. Na Câmara, foi um dos bravos adversários do governo do então presidente Fernando Collor de Mello, tendo votado a favor do seu impeachment.

Miguel Arraes foi reconduzido ao governo do estado nas eleições de 1994 por uma ampla aliança de esquerda, liderada pelo PSB e pelo PT, cujo candidato a presidente, Luís Inácio Lula da Silva, perdeu para FHC. Tentou a reeleição em 1998, mas o vencedor era o ex-deputado federal e ex-prefeito do Recife por duas vezes Jarbas Vasconcelos (PMDB), que rompera com Arraes, tornando-se conservador graças ao apoio de partidos como o PSDB e o PFL. Sua campanha, naquele ano, foi elaborada por Duda Mendonça, publicitário baiano reconhecido nacionalmente por idealizar e desenvolver várias campanhas de impacto.

Voltou à Câmara dos Deputados em 2002, e no segundo turno das eleições presidenciais do mesmo ano apoiou Lula, eleito pela primeira vez após três tentativas frustradas. Internado durante 58 dias no Hospital Esperança, um hospital particular do Recife, Arraes faleceu em 13 de agosto de 2005, vítima de infecção generalizada, aos 88 anos. Na ocasião, exercia o terceiro mandato de deputado federal e a presidência nacional do PSB, cargo ocupado por seu neto Eduardo Campos, atual governador de Pernambuco.

Entre vitórias obtidas e derrotas sofridas, como a de 1998, um dos maiores líderes progressistas do Brasil e do Nordeste também foi um dos símbolos na luta pela nossa redemocratização. Sua herança continua viva na memória dos pernambucanos, dos nordestinos e de todos os cidadãos brasileiros que enfrentam, com muita coragem, perseverança e sucessivas participações populares, a miséria e a opressão. Miguel Arraes de Alencar foi, sobretudo, um dos heróis da liberdade do nosso povo.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Duplas dores

Minha perna direita está muito doente nestes dias.
É verdade.
Percebi isso quando eu acordei ontem.
Sem vontade.

Meu dedo da mão esquerda também dói demais.
É verdade.
Nunca vi dedo doendo tanto.
Sem vontade.

domingo, 16 de maio de 2010

Dilma ultrapassa Serra com três pontos a mais

Pré-candidata do PT está à frente do tucano pela primeira vez em pesquisa Vox Populi, mesmo apresentando empate técnico

A ex-ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do Partido dos Trabalhadores (PT), aparece pela primeira vez à frente do candidato José Serra (PSDB) na pesquisa de intenção de votos para a Presidência da República divulgada ontem pelo Instituto Vox Populi. Segundo a pesquisa, Dilma está com 38% contra 35% do ex-governador de São Paulo, mas eles estão tecnicamente empatados.

Marina Silva, pré-candidata do Partido Verde (PV) ao Planalto, é a terceira colocada. A senadora acreana e ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula, que em abril tinha 7%, subiu mais um ponto, ficando com 8%. O instituto Vox Populi entrevistou 2 mil eleitores em 117 municípios de todas as cinco regiões brasileiras, entre os dias 8 e 13. O levantamento registrou margem de erro de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Também houve empate técnico na simulação de um provável segundo turno entre Dilma e Serra. Nesse cenário, a petista aparece com 40%, enquanto o tucano apresenta 38%. Entretanto, os dois presidenciáveis permanecem na margem de erro. A pesquisa anterior, divulgada no dia 3 de abril, mostrava Serra com 34% e Dilma com 31% das intenções de voto.

Pesquisa espontânea

Houve, ainda, o crescimento do desempenho de Dilma na pesquisa espontânea, procedimento no qual cada eleitor, ao ser ouvido pelos pesquisadores, afirma em quem vai votar. A ex-ministra, apesar de estar empatada tecnicamente com José Serra, tem 19% contra 15% do tucano. Portanto, há uma diferença de quatro pontos percentuais em relação ao ex-governador paulista, que é, agora, o segundo colocado.

A candidata petista à Presidência é a mais lembrada e conhecida pelo eleitorado das regiões Nordeste, com 44% da preferência, e Norte, com 41%. Serra, cujos poder, força e prestígio são maiores nas regiões mais desenvolvidas do país, lidera no Sul, mas encontra-se tecnicamente empatado com Dilma no Sudeste, seu reduto eleitoral.

A pesquisa, exibida ontem no Jornal da Band, foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 11.266/2010, no dia 7 de maio.

sábado, 15 de maio de 2010

Poucas linhas de um ofício

Estou com vontade de aprofundar
meus conhecimentos na elaboração de mídias.

Já que eu sou estudante de Jornalismo,
desejo explorar esse interessante processo.

Comunicação é um mundo com grandes oportunidades
para um jovem calouro como eu.

Meu prazer em escrever é superapaixonante,
contribuindo para meu progresso.

Em busca de identidade

A juventude brasileira atual está acostumada em admirar e assistir a atrações que colaboram para o frequente consumismo, sendo individualista e, às vezes, manipulada pela mídia. Programas de televisão, a exemplo do seriado emoteen Malhação ID, transmitido nos fins de tarde globais de segunda a sexta-feira, nos revelam um paradigma social insólito, no qual os jovens são induzidos a adaptar-se à tribo dos emos. Formada a partir de uma drástica distorção de outra abreviatura, emocore (do inglês emotional hardcore), emo é uma nova corrente, geralmente integrada por adolescentes de classe média-alta das metrópoles, com a missão de serem rebeldes.

Lançada em 9 de novembro do ano passado, a atual temporada de Malhação, denominada Malhação ID – as duas primeiras letras da palavra "identidade" – fomenta e incentiva o desenvolvimento de uma nova sociedade de consumo, influenciada sobretudo pela vasta expansão eletrônica na contemporaneidade, em especial a internet. A atração, essencialmente destinada ao público adolescente, estreou há quinze anos, sempre com o principal objetivo de explorar o seu complexo universo particular. Nos primeiros anos de existência, o seriado tratava de demonstrar um ambiente autenticamente juvenil – a academia de ginástica e musculação –, daí o nome Malhação, o mesmo do espaço.

Revelando importantes talentos como André Marques (atualmente um dos apresentadores do Vídeo Show), Bruno de Luca e Priscila Fantin, hoje adultos e artistas consagrados dentro de suas áreas profissionais, o programa contribuiu, em parte, a modificar radicalmente os padrões sociais, comportamentais, econômicos e culturais da nossa juventude. Os temas centrais de cada momento de Malhação, "ensanduichada" entre a Sessão da tarde e a novela das seis, eram a malhação propriamente dita, o mundo virtual explicitado pela internet, a relação ensino-aprendizagem ambientada no fictício colégio Múltipla Escolha e, agora, a arriscada aventura emo dos personagens.

Malhação ID é protagonizada por um adolescente de 19 anos, Filipe Galvão, estranhamente cognominado Fiuk, fruto do casamento de Fábio Jr. com a artista plástica Cristina Karthalian, com quem o galã teve outros dois filhos. Nessa temporada, Fiuk interpreta Bernardo Oliveira, um rapaz que fora criado por pais ricos. Seu par romântico na ficção é a personagem Cristiana Araújo, vivida pela atriz Cristiana Peres (O nome é o mesmo, porém só mudou o sobrenome para não confundir ficção com realidade. É a arte reproduzindo a vida...). Além de ator, ele é vocalista de uma banda emocore, batizada de Hori, que ele mesmo criou em 2003.

O tema de abertura, intitulado Quem eu sou, é interpretado pela Hori. O rock, que a Globo utilizou como fundo musical para a hipnótica vinheta concebida por Hans Donner, Alexandre Pit Ribeiro e Alexandre Romano, revela e reflete os problemas que o jovem de hoje desafia, procurando a sua identidade. "(...) / São tantos desencontros / São tantas linhas tortas / Formando a identidade que eu sempre sonhei pra mim / Sem saber o que vai ser / Se é pra tentar ser alguém bem melhor / Deixa eu tentar sem quem eu sou / Ganhar ou perder, tanto faz / Não me importa / Eu quero é mais ser quem eu sou." Com essas palavras, Fiuk pronunciou um manifesto favorável à busca da identidade adolescente contemporânea.

Som pesado e cores berrantes se combinaram para que a identidade emo se popularizasse com maior ênfase através da vinheta elaborada em animação por computação gráfica pela equipe de Hans Donner. Uma multidão sintonizada aparece dançando, quadro a quadro, na abertura, até que Fiuk e Cristiana Peres, vestidos de acordo com a nova moda, entrassem em cena, cantando o tema (com voz somente de Fiuk). Em seguida, os 34 coadjuvantes, incluindo os veteranos Vera Zimmermann, Tarcísio Filho e José de Abreu, sempre trajados a caráter, seguem o rastro dos protagonistas, curtindo a trilha, acompanhando sua letra e fazendo vários movimentos.

Desde a sua estreia, em abril de 1995, o seriado teve um recorde de dezessete temporadas, adaptando-se conforme o contexto em que elas foram ambientadas. A penetração de elementos característicos do emo em Malhação foi espontaneamente introduzida na décima quinta temporada (2007/2008), protagonizada pelo ator Rafael Almeida, que havia atuado na novela das oito Páginas da vida, em 2006. Outro talento que integra o elenco de Malhação ID, Caio Castro, estreou na mesma fase. Sua vinheta de abertura, completamente psicodélica e que demonstra objetivamente os costumes adolescentes de acordo com a tribo, tem como tema Paraíso proibido, de uma outra banda emocore, denominada Strike.

Identidade original de Malhação, a efêmera e meteórica febre das academias que conquistou os jovens urbanos definhou ao longo de muitas temporadas. O seriado vespertino perdeu gradativamente sua identidade, seu contexto, sua concepção e seu sentido primitivos, preservando, com êxito, seu nome, mesmo com a súbita ascensão dos emos verificada recentemente. Restou, apenas, a marca Malhação, responsável pela sedução da juventude há quinze anos, sendo responsável por induzi-la a hábitos psicossociais extravagantes nas grandes cidades, levando-a a um processo de individualismo, de rebeldia e de "revolução" particular. Quanto ao enredo, a atração desconfigurou-se por completo.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Ganhei "O futuro da internet"

Capa de O futuro da internet: em direção a uma ciberdemocracia planetária

Após o encerramento total da palestra “A Democracia Online: Política, Estado e Cidadania através de Plataformas Digitais”, presidida pelo doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), Sivaldo Pereira, no Cibercomunica 5.0, os participantes que estavam na plateia do Auditório Zélia Gattai da Unijorge, inclusive eu, estavam concorrendo ao livro O futuro da internet: em direção a uma ciberdemocracia planetária, dos professores André Lemos e Pierre Lévy. O anúncio havia sido feito desde ontem pelo professor Macello Medeiros, responsável pela organização do evento.

O livro foi lançado anteontem, durante a abertura do Cibercomunica 5.0, ministrada por André Lemos, um de seus autores, e é publicado pela editora Paulus, patrocinadora do ciclo.

Eu, bastante concentrado no momento do encontro que discutiu a interação entre governo e cidadão através de mecanismos online, estava pensando com clareza a resposta referente à seguinte pergunta dita por Macello: "Quais são os três requisitos democráticos para a interface digital, citados por Sivaldo Pereira?" Na hora H, eu, em meio a outros concorrentes, respondi controladamente a essa questão fácil de se entender: "Publicidade, responsividade e porosidade". Imediatamente, nas mãos de Macello, já recebi de presente o livro O futuro da internet, uma maravilhosa obra prima que trata das constantes interações entre a sociedade e o ciberespaço.

Governo e sociedade se conectam

Cibercomunica 5.0, ciclo de palestras que a Unijorge acaba de realizar, começa o último dia explicando as formas que o Estado se aproxima do cidadão via internet

Sivaldo Pereira, jornalista e doutor em Comunicação, escreveu publicações especializadas
(Foto: Hugo Gonçalves) 

O terceiro e último dia do Cibercomunica 5.0 – Ciclo de Palestras sobre Comunicação, Informação e Tecnologias Contemporâneas – foi iniciado com o encontro “A Democracia Online: Política, Estado e Cidadania através de Plataformas Digitais”. Sivaldo Pereira, jornalista graduado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), explicou, em linhas gerais, como o poder público se aproxima do cidadão através da internet. Estudantes e professores do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge) prestigiaram a palestra, que aconteceu hoje no Auditório Zélia Gattai.

Com um vasto currículo, que inclui estágio doutoral na Universidade de Washington, nos Estados Unidos, e mestrado em Comunicação pela Ufba, Sivaldo escreveu diversas publicações nas áreas de democracia digital, internet studies, mídias interativas, digitalização dos medias, comunicação política, jornalismo e políticas públicas de comunicação. Atualmente, ele desenvolve atividades de pós-doutorado no Centro de Estudos Avançados em Democracia Digital e Governo Eletrônico (Ceadd) do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Ufba (Poscom). O professor da Unijorge Macello Medeiros, organizador do Cibercomunica 5.0, foi o mestre de cerimônias.

Antes de a palestra começar, Macello recapitulou, em poucas palavras, outros encontros já realizados na quinta edição do ciclo: “O Futuro da Internet”, do professor André Lemos; “Os Novos Modos de Envolvimento e Interação entre Eleitores, Candidatos e Partidos a partir das Campanhas Online”, do doutorando pela Ufba Camilo Aggio; e “Cultura Digital como Políticas Públicas”, de Messias Bandeira e Alice Lacerda, especialistas na área. O organizador do evento também disse que a entrega dos certificados foi adiada, pois houve um problema na gráfica onde eles seriam impressos.

Requisitos

O encontro realizado na manhã de hoje resultou de uma pesquisa de doutorado que Sivaldo defendeu recentemente na Ufba, baseada nos três requisitos democráticos que ele mesmo apresentou no auditório da Unijorge. A tese foi batizada com um título longo: Estado, democracia e internet: requisitos democráticos e dimensões analíticas para a interface digital do Estado.

Quanto ao relacionamento entre as novas tecnologias de comunicação e o Estado democrático, o modo que este produz, ordena, colhe e difunde informações, segundo o palestrante, sofreu profundas mudanças após a popularização da rede mundial de computadores, principalmente com as novas relações entre governo e sociedade civil através de sites governamentais. As inovações estruturais no tratamento de informações pelo Estado se dão por quatro processos – ordenamento, direcionamento, emolduramento e monitoramento.

Democracia e internet, nas sociedades atuais, sempre caminham de mãos dadas. De acordo com o jornalista e doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Ufba, essa inter-relação baseia-se em cinco premissas fundamentais, relacionadas a seguir.

1) O afastamento entre os setores sociais e políticos não é um problema de comunicação, pois ambos caracterizam as democracias liberais.

2) A internet pode repetir padrões de comunicação de massa típicos de outros veículos, como maiores concentrações de audiência.

3) Os portais governamentais podem assumir formas mais horizontais de comunicação, configurando-se como meios unidirecionais.

4) Apesar de transferir a audiência dos meios eletrônicos tradicionais, como a televisão e o rádio, para a internet, o ambiente digital não os substitui.

5) As formas de utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) não são intrinsecamente democráticas, porém sua forma propicia fluxos horizontais de comunicação.


Publicidade, responsividade e porosidade: palestra foi baseada em tese de doutorado que Sivaldo defendeu
(Foto: Hugo Gonçalves)

Para que o Estado adquira uma interface digital, são necessários, segundo Sivaldo, três requisitos democráticos: a publicidade, a responsividade e a porosidade. A publicidade faz com que o poder torne mais transparente ao cidadão através de informações institucionais, noticiosas e burocráticas, entre outros aspectos. A responsividade cria um estreito diálogo entre política e cidadania a partir de feedbacks informativos, explicativos e deliberações públicas. O último requisito é a porosidade, responsável por tornar o Estado mais aberto e suscetível ao cidadão, através do monitoramento das preferências do público, da sondagem de opiniões, da incorporação de opinião pública discutida e do voto online.

Cinco níveis

A palestra também mostrou os cinco níveis existentes de relações comunicativas: utilitário, informativo, instrutivo, argumentativo e imperativo. Os requisitos democráticos se relacionam com os níveis. Enquanto a publicidade e a responsividade atingem os níveis utilitário, informativo, instrutivo e argumentativo, a porosidade atinge todos os níveis de relações comunicativas.

Três portais governamentais brasileiros serviram de exemplo para que o palestrante demonstre a importância dos requisitos da relação entre Estado e cidadania. Em todos os sites pesquisados – o da Presidência da República, o da Câmara dos Deputados e o do Supremo Tribunal Federal (STF), que representam, respectivamente, os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário –, a publicidade é o requisito democrático predominante, nos níveis instrutivo e informativo. Chats (bate-papos) foram realizados no site da Câmara, entre 2005 e 2008, entretanto apresentaram um progressivo declínio.

“Há, hoje, melhores ferramentas para traçar essa relação. Então, hoje, por exemplo, o cidadão tem mais dispositivos para monitorar e vigiar os espaços do governo. Também tem mais informações para entender o Estado, senão não o funciona. Por isso, tem muitas ferramentas de participação, ou de interação, diretamente com o Estado, ou seja, você incorporar a opinião do cidadão nas práticas e nas decisões do Estado. Mas isso precisa ser moldado na verdade, precisa ser projetado, porque você pode ter grandes ferramentas disponíveis, mas o Estado precisa disponibilizá-las de fato e fazer com que elas se realizem, se materializem”, explica Sivaldo, sobre os efeitos da interação Estado-cidadão pela internet.

Quando a palestra foi finalizada, Sivaldo respondeu às perguntas formuladas por estudantes da Unijorge a respeito do conteúdo explicado por ele. Sivaldo também complementou a opinião da professora do curso de Jornalismo da instituição e doutoranda pelo Poscom/Ufba, Fernanda Mauricio, referente à democracia brasileira. Para o palestrante, nosso sistema democrático funciona da seguinte maneira: as eleições são marcadas num determinado dia para que o povo eleja os candidatos que irão governar e legislar o país, seus estados e seus municípios. Por este motivo, o sistema eleitoral do Brasil é diferente do de outros países da América Latina.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Escravo, onde está sua liberdade?

Cento e vinte e dois anos se passaram após a aparente abolição da escravatura, mas o Brasil continua submisso ao complexo, humilhante e anacrônico trabalho escravo, resultante de séculos de exploração e de dominação portuguesa. O país já havia proclamado sua independência política de Portugal em 7 de setembro de 1822, com o célebre grito declamado pelo príncipe regente D. Pedro I, um português que pouco depois se tornou imperador na ex-colônia lusa: "Independência ou morte!". Afinal de contas, o que significou essa "independência" para os escravos?

Os escravos, em sua maioria negros e pobres, não possuíam nenhum direito à liberdade, pois eles estavam excluídos da nossa heterogênea sociedade. Não eram independentes porque viviam em condições abaixo da linha de pobreza; não eram independentes porque não tinham direito à educação, que na época era um privilégio exclusivo das elites; não eram independentes porque não tinham direitos trabalhistas, como se tem atualmente, e uma série de fatores negativos que faziam do escravo um organismo sem nenhuma representação social. Concluindo: o Império brasileiro era, afinal, autoritário, centralizador e excludente.

A assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel, filha do imperador D. Pedro II, que se encontrava num débil estado de saúde, no memorável 13 de maio de 1888, era só fachada, criada pelos porta-vozes oficiais do Império, que estava em seu crepúsculo. Portanto, a lei de fato nunca funcionou. Os beneficiados por essa carta eram principalmente os senhores de escravos, que sem dúvida possuíam um padrão de vida superior que os seus servos. Foi por isso que a Lei Áurea não aboliu por completo a anacrônica servidão brasileira, persistindo até hoje na forma de trabalho sem nenhuma garantia de descansos.

O modelo socioeconômico do Brasil naquele período era caracterizado como agroexportador e escravocrata graças à manutenção e à consolidação do Estado imperial. Agroexportador porque o país exportava matérias-primas provenientes do meio rural, geralmente dos latifúndios, já que a agricultura era a principal atividade econômica. E escravocrata porque as grandes propriedades utilizavam a mão de obra que os escravos traziam da África. Quanto a sua concentração de renda, ela era distribuída de forma desigual, assim como nos dias de hoje.

Em períodos anteriores à aparente abolição, grandes escritores e intelectuais da segunda metade do século XIX defenderam ampla liberdade ao povo negro, que se encontrava praticamente marginalizado. Podemos destacar, entre outros, os baianos Castro Alves (1847-1871), com seu antológico poema Navio negreiro, e André Rebouças (1838-1898); o pernambucano Joaquim Nabuco (1849-1910), ilustre defensor dos direitos dos escravos; e o fluminense Raul Pompeia (1863-1895). Grandes figuras que se destacavam na luta pela liberdade.

Contrapondo-se ao 13 de maio, o movimento negro, preocupado com suas causas sociais, comemora, corajosamente, o 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, verdadeira data que simboliza a resistência e a luta pelos direitos de liberdade do povo negro e pardo. Os líderes do movimento optaram por esse dia por homenagear Zumbi dos Palmares, seu grande mártir, falecido em 20 de novembro de 1695. Zumbi foi, sobretudo, o herói da resistência negra, legítimo defensor das causas populares. Será que comemorar o 13 de maio traz alguma mensagem de conscientização?

Incluir esse dia no nosso calendário foi uma armação do governo imperial que, por ser extremamente elitista, estava preocupado em preservar seu status quo na economia, na política e na sociedade. Na realidade, a abolição da escravatura consistia num simples acordo entre a aristocracia rural, liderada pelos cafeicultores paulistas, e o movimento abolicionista. O dia 13 de maio, por ser uma data histórica, não traz nenhuma consciência, se comparado ao 20 de novembro. Deixaremos a escravidão de lado para sermos plenamente livres só quando o sol da liberdade reluzir, de fato, no nosso horizonte.

A nossa legítima independência encontra-se no grito do nosso povo, em sua maioria negro, pobre, excluído, marginal e oprimido. Temos que alcançar efetivamente nossas liberdades por sermos seres humanos. O grito popular é a marca impactante da nossa massa trabalhadora que, por sua vez, é desempregada e escrava. Herança da colonização, é claro.

Campanhas online marcam encontro

Palestrante discute a interação candidatos-eleitores através da internet no Cibercomunica 5.0, com direito a dúvidas dos participantes

Camilo Aggio foi convidado para ministrar palestra
(Foto: Hugo Gonçalves)

No Auditório Zélia Gattai do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), na Avenida Paralela, o doutorando em Comunicação e Culturas Contemporâneas da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Camilo Aggio, ministrou, hoje pela manhã, a palestra “Os Novos Modos de Envolvimento e Interação entre Eleitores, Candidatos e Partidos a partir das Campanhas Online”. A palestra marcou a abertura do segundo dia do Cibercomunica 5.0 – Ciclo de Palestras sobre Comunicação, Informação e Tecnologias Contemporâneas, realizado pela Unijorge, com o apoio da Editora Paulus.

A editora paulista lançou o livro O futuro da internet, escrito pelo professor brasileiro André Lemos, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Faculdade de Comunicação da Ufba (Facom), e pelo professor francês Pierre Lévy, da Universidade de Paris VIII. Seu lançamento ocorreu ontem, às 19 horas, durante a cerimônia de abertura do evento, ministrada por Lemos através da palestra homônima à publicação.

O ciclo, que está na sua quinta edição, discute os fenômenos da ciberdemocracia, que é a “utilização do ciberespaço (espaço formado pelas redes telemáticas) para permitir o acesso dentro do âmbito político, seja para o consumo, seja para a produção da informação”, segundo Macello Medeiros, coordenador do Núcleo Transdisciplinar de Comunicação e Tecnologia da Unijorge (Transit) e organizador do evento. Além disso, ajuda a compreender as relações entre comunicação e tecnologia na sociedade atual.

Tema central do encontro, a utilização de ferramentas eletrônicas de comunicação pelos candidatos, disponíveis na internet, tem como objetivo interagir com os eleitores. Macello, que também é professor da instituição e mestre de cerimônias, teve o privilégio de receber no palco do auditório um convidado superespecial do porte de Camilo Aggio, agradecendo-o pelo seu convite. Para Macello, a palestra de hoje foi um "prato cheio" para a plateia que reuniu estudantes e professores de diferentes cursos e interesses. “Esta palestra é muito importante, pois trata-se de uma temática muito específica dentro da proposta do evento, que é a ciberdemocracia”, diz o professor.

Cada vez mais próximos

Antes de iniciar o encontro, Camilo descreveu a sua importância, que é o uso constante da internet pelos candidatos e partidos políticos. As campanhas online, segundo ele, promovem uma relação de envolvimento maior entre os cidadãos e os políticos durante os períodos de eleição. Os cidadãos, politicamente engajados e mobilizados, contribuem fortemente para a formação de um projeto a ser construído pelos próprios candidatos. Camilo ainda explicou o uso dos mecanismos online, que permitem uma aproximação dialógica entre o eleitorado e os concorrentes a cargos a serem escolhidos pelo voto popular.

Como exemplo da utilização das redes sociais para que os candidatos se aproximem dos eleitores, o doutorando citou o caso do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Durante a campanha, em 2008, o então candidato do Partido Democrata convenceu a população estadunidense a acreditar nas ideias de mudança social e econômica, já que as eleições presidenciais no país ocorreram numa época de turbulências devido à crise. Os principais meios que Obama utilizou para comunicar com os eleitores foram o Youtube e a sua página pessoal.

O uso de mecanismos online para que o eleitorado se aproxime do candidato foi um dos tópicos abordados por Camilo na manhã de hoje
(Foto: Hugo Gonçalves)

A proposta inovadora de Obama, de acordo com o professor e ex-coordenador do curso de Jornalismo da Unijorge, Bernardo Carvalho, que esteve presente, “abriu caminho para que os candidatos do mundo inteiro explorem o potencial da internet em suas campanhas”. Segundo Camilo Aggio, as campanhas online no Brasil são incipientes, com uma carência enorme de instrumentos disponíveis para esse fim. Elas foram usadas com maior intensidade nas eleições municipais de 2008. Em Salvador, por exemplo, o deputado federal ACM Neto (DEM) foi o primeiro candidato a difundir suas propostas através de redes sociais.

“Espero que haja uma discussão mais participativa possível, uma riqueza de debates, para não ficar restrita à manipulação de imagens, que frequentemente acontece”, prevê Bernardo, muito confiante nas eleições que irão acontecer este ano. Camilo, que desde 2006 dedica-se ao estudo de aspectos, experiências e potencialidades do uso da internet por partidos e candidatos, elogiou a palestra, sendo muito produtiva, “no sentido de apresentar as perspectivas para as campanhas deste ano”

Os dois principais pré-candidatos ao Palácio do Planalto, de olho no pleito, já utilizam essas novas ferramentas que auxiliam o eleitorado a discutir democraticamente seus programas de governo, os problemas por que passa o país e as soluções para eles. Tanto José Serra (PSDB) quanto Dilma Rousseff (PT) escrevem em seus blogs, usam o microblog Twitter e o site de relacionamentos Facebook. A estratégia tem por objetivo aproximar os presidenciáveis da população através da consolidação de uma imagem que os torna sujeitos carismáticos e simpáticos. Para isso, Serra e Dilma respondem às perguntas feitas pelos eleitores.

Encerrada a palestra, toda a plateia a aplaudiu. A seguir, foi realizado um debate sobre a mesma, no qual Camilo solucionou as dúvidas formuladas pelos estudantes universitários participantes. O palestrante, ao final do encontro, agradeceu a todas as pessoas que assistiram a ele, com direito a muitos aplausos. “Há uma expectativa de que as campanhas online sejam estabelecidas em parâmetros mais participativos. Isso significa uma aproximação maior entre os eleitores e as campanhas”, afirma Camilo.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Secretaria da Saúde amplia vacinação contra a meningite C

Campanha de imunização, que coneçará no final do mês, atingirá pessoas entre 20 e 24 anos

Com informações de A Tarde On Line

O secretário estadual da Saúde, Jorge Solla, anunciou ontem a ampliação do programa de vacinação contra a meningite meningocócica, também conhecida como meningite C, que hoje está sendo aplicada para pessoas com idades entre 10 e 19 anos. A imunização também será aceita para pacientes com faixa etária de 20 e 24 anos, mas, segundo o secretário, ela ocorrerá apenas em Salvador, que é o município com maior incidência da doença (23 casos).

Salvador é a quarta cidade com maior número de infectados pela epidemia, segundo o Ministério da Saúde, sendo que a primeira é São Paulo. Ainda não foi confirmada a data para o início da vacinação, mas, segundo Solla, ela vai começar no final deste mês.

Três etapas irão compor a nova campanha: para idades entre 10 e 14 anos - que é a faixa etária mais afetada pela meningite C neste ano -, 15 a 19 e 20 a 24. Quase a metade (48) dos 89 casos da forma mais grave da doença registrados na Bahia envolvia pacientes entre 10 e 14 anos. O motivo da transferência de faixa etária, de acordo com Solla, foi a vacinação, no início deste ano, de pessoas com até cinco anos incompletos.

domingo, 9 de maio de 2010

Para uma mãe especial

Os carinhos de uma mãe me deixam mais feliz
Por meio de lembranças, beijos, abraços e amores
São estes os seus legítimos e perpétuos tesouros
Cada vez mais preciosos do que joias e flores

Ao ver uma mãe, eu sinto seu magnífico olhar
Fazendo desta mulher minha fiel companheira
Sua forma de vida me impressiona completamente
Protegendo nosso doce lar durante a vida inteira

Por mais extraordinária e especial que seja
Uma mãe é superimportante para o meu conforto
A delicadeza faz com que ela seja sempre guardiã
Do amor declarado em alma, coração e corpo

Todos os dias, observo-a louvando ao Senhor
E suplicando-lhe mais de mil boas novas e maravilhas
A onipresença de Deus a mantém bem amparada
O poder divino serve de sentinela para muitas famílias

Valorizo seus imensuráveis aspectos de beleza
Independentemente de ela ser exterior ou interior
O importante são as suas qualidades e a sua natureza
Que Deus lhe deu com toda a glória e todo o louvor

Mãe, desejo-lhe muitas felicidades pelo seu momento
Amado, maravilhoso, feminino, educador e confiante
Ela continua ensinando-me a amar e a viver corretamente
Sem nenhum resquício de discórdias e de lamento

sábado, 8 de maio de 2010

Ambulante é atropelado no Centro

Edilson José dos Santos e sua filha, Nathália, são atingidos por estudante e internados em estado grave

O estudante de Direito Pedro Eduardo de Andrade Santos, de 23 anos, atropelou, na manhã deste sábado, o vendedor ambulante Edilson José dos Santos, de 36, na Rua Carlos Gomes, no Centro, quando estava dirigindo, em alta velocidade, um automóvel Fox. No momento do acidente, ele estava acompanhado da mulher, Elis Regina Santos, e dos três filhos.

Quando foi atingido pelo Fox em que o jovem dirigia, Edilson estava passando por um ponto de ônibus em frente ao edifício Stella Maris, no sentido Campo Grande. Ao descobrir que estava sendo atropelado, ele conseguiu empurrar seus filhos, mas acabou sendo imprensado contra a parede. O veículo também causou o acidente de uma de suas filhas, Nathália dos Santos, de 13 anos, que teve um corte na perna.

Segundo a Superintendência de Trânsito e Transporte de Salvador (Transalvador), Edilson e Nathália, ambos em estado grave, foram encaminhados por uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o Hospital Geral do Estado (HGE), onde foram internados.

Alcoolizado

Pedro Eduardo esperou a ambulância chegar no local do acidente e, em seguida, foi levado à 1ª Delegacia de Polícia, nos Barris. Em depoimento à polícia, disse que estava indo à faculdade no momento da perda do controle da direção do Fox, invadindo o passeio do ponto de ônibus por onde Edilson, a mulher e os filhos passavam. O estudante foi submetido ao teste do bafômetro, mas foi reprovado, dando resultado negativo.

A mulher de Edilson, Elis Regina, e seus dois filhos, não foram atingidos. Segundo ela, Pedro Eduardo estava alcoolizado quando a tragédia aconteceu. O veículo em que o estudante de Direito conduziu foi levado ao pátio da Transalvador, nos Barris, próximo ao Estacionamento São Raimundo.

Pequenos sem-teto

Crianças e adolescentes, apesar de estarem morando nas vias públicas por muito tempo, abandonam cedo os estudos e o lazer, que eram suas atividades originais, para se integrarem à População Economicamente Ativa (Pea), com a vergonhosa finalidade de ajudar nos sustentos familiares.

Os meninos de rua, como esses menores que vivem à toa por todos os cantos das maiores cidades são chamados, moram em condições completamente problemáticas, transformando as ruas, avenidas e praças em um "lar" exclusivo para eles. Esse humilhante quadro social continua crescendo sem parar, persistindo até os dias atuais, tanto no Brasil quanto no mundo.

A infância que os menores outrora aproveitaram foi tristemente substituída pela miserabilidade, pela indigência e pelo extremo descaso social por parte das autoridades políticas e da sociedade civil. Além disso, eles convivem com diversos perigos do nosso cotidiano, como a violência, as drogas e a fome, responsáveis pelo fim precoce da vida humana.

Frequentemente, vemos crianças trabalhando informalmente em ruas e avenidas movimentadas, dormindo, se prostituindo e se drogando em praças e morando embaixo de viadutos. É por isso que os nossos governantes não estão conseguindo enfrentar esse problema crônico que afeta não só o ambiente urbano, mas também a população das grandes cidades.

Humilhantemente, certas pessoas que caminham pelas ruas e curtem as praças e os largos por prazer dividem espaço com crianças pobres e desprotegidas que decidiram improvisá-las como suas habitações coletivas. As metrópoles, em consequência, são um verdadeiro campo de batalha entre bandidos e mocinhos, ou seja, excluídos da sociedade e indivíduos que possuem certo grau de educação, perspicácia, conhecimento e conscientização. Nós, pessoas sábias, racionais e conscientes, devemos compreender melhor essa dicotomia social. Temos que separar com atenção o bem do mal, o trigo do joio e a paz da guerra.

Conscientizar, que para nós deve ser palavra-chave para a educação e a instrução do povo, é um verbo que não existe, de modo algum, no vocabulário de uma grande e incontável massa de pequenos carentes sofridos. Sua conscientização, por sinal, já está totalmente desaparecida nos seus âmbitos racional e psicológico.

Quanto a suas péssimas formas de viver, os meninos de rua não possuem sequer assistência e segurança, tornando-se de fato excluídos, marginais e bandidos das comunidades. O real objetivo da constante presença deles por tudo quanto é logradouro é aumentar os indicadores de desigualdade que, por sua vez, contribui para o desequilíbrio da concentração de renda.

Para que isso não aconteça, os menores que hoje estão abandonados por toda a cidade deveriam seguir o caminho certo: estudar, se divertir, ter uma boa moradia e se alimentar corretamente para ter uma qualidade de vida. A educação, que para eles não é prioritária, deve ser posta em primeiro plano para que eles tenham um futuro melhor, mais justo e mais digno.

Como consequência do tamanho do abandono infanto-juventil, há o analfabetismo, as carências de habitação, nutrição, infraestrutura e a ascensão do trabalho infantil. Uma nova vida só será possível através do retorno das crianças e dos adolescentes às escolas, consideradas suas segundas casas.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Ciclo debate sobre formas de comunicação atuais

Democracia virtual é discutida no Cibercomunica 5.0, conjunto de palestras que a Unijorge acontece na próxima semana, contando com um público variado

Será realizado, entre os dias 11 (terça-feira) e 13 (quinta-feira), no Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), o Cibercomunica 5.0 – Ciclo de Palestras sobre Comunicação, Informação e Tecnologias Contemporâneas. Para este ano, o tema é a ciberdemocracia, ou democracia virtual. Os objetivos fundamentais do evento são a discussão de políticas públicas digitais e das relações entre a comunicação e as tecnologias contemporâneas e o incentivo à criação e ao desenvolvimento de novos produtos digitais de comunicação.

Segundo o blog do evento, ele é direcionado aos estudantes, professores e profissionais de comunicação, basicamente nas áreas de rádio, televisão, jornais, internet e publicidade e propaganda. Estudantes e profissionais de marketing e sistemas de informação também marcam presença no seu diversificado repertório de participantes. Portanto, o evento é aberto ao público, independentemente da área de atuação do indivíduo.

A quinta edição do ciclo, criado em 2006, será aberta no dia 11, a partir das 19 horas, com a presença do renomado professor André Lemos. O coordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/Ufba) presidirá a palestra “O Futuro da Internet”. Ele também lança, às 21 horas, o livro homônimo, escrito em parceria com o professor francês Pierre Lévy, do Departamento de Hipermídia da Universidade de Paris VIII.

Nos dias seguintes, quatro palestras abordarão cada tema. Camilo Aggio, doutorando em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Ufba, abordará a importância do uso da internet em campanhas políticas, no dia 12, às 9 horas, por meio da discussão “Os Novos Modos de Envolvimento e Interação entre Eleitores, Candidatos e Partidos a partir das Campanhas Online”. No mesmo dia, às 19 horas, “Cultura Digital como Políticas Públicas” será ministrada por Messias Bandeira, mestre e doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Ufba, e Alice Lacerda, graduada em Produção Cultural pela universidade.

Em “A Democracia Online: Política, Estado e Cidadania através de Plataformas Digitais”, o jornalista e doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Ufba Sivaldo Pereira abrirá o terceiro e último dia do evento, às 9 horas. A palestra “A Nova Política nos Espaços ‘Virtuais’ das Sociedades Contemporâneas”, de Sílvio Benevides, sociólogo graduado pela Ufba e professor da Unijorge, fechará o Cibercomunica 5.0, às 21 horas do dia 13.

O Cibercomunica é realizado pelo Núcleo Transdisciplinar de Comunicação e Tecnologia da Unijorge (Transit), sob a coordenação do professor Macello Medeiros. Além disso, tem a promoção dos cursos de Comunicação Social (Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Produção Audiovisual) e do Atelier de Comunicação e Cultura do centro universitário. Para confirmar a presença no ciclo, basta levar 1 kg de alimento não perecível, cujo total recebido será doado pelas entidades filantrópicas apoiadas pelos projetos sociais da Unijorge.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Amor pelo artesanato

Feira de Artes do Imbuí, cuja quarta edição termina na véspera do Dia das Mães, valoriza artesãos de outros bairros, divulgando publicamente seus trabalhos

Está acontecendo desde ontem, na Praça do Imbuí, a 4ª Feira de Artes do bairro, localizado nas adjacências da Boca do Rio. Realizada mensalmente pela Associação dos Artesãos da Bahia (Adaba), a feira é uma excelente oportunidade para que o artesão divulgue seu próprio trabalho para o público. A atual edição do evento, que homenageia com muito amor o Dia das Mães, encerrará neste sábado, dia 8, véspera da data dedicada a elas.

O objetivo da feira, conforme o secretário administrativo da Adaba, João Durães, 47 anos, é valorizar o artesão local em primeiro plano, oferecendo grandes oportunidades de comercialização dos produtos elaborados por esse profissional.

Segundo Nelvani Rodrigues, 44 anos, coordenadora de feiras da Adaba e uma das organizadoras do núcleo do Imbuí da entidade, a ideia de se organizar a feira no local surgiu há quatro anos, mas só foi concretizada em dezembro do ano passado. Sua primeira edição ocorreu justamente na mesma ocasião, em comemoração ao Natal. Além da festa cristã, a exposição é geralmente realizada em momentos que se aproximam de outras datas específicas, como o Dia das Mães e o Dia dos Namorados.

A consultora de moda Vânia Assis, 50 anos, explica que as feiras de artesanato são realizadas em outros bairros de Salvador através de convites de associações de moradores. Os produtos expostos na Feira de Artes do Imbuí são confeccionados pelos artesãos de todos os bairros da cidade e vendidos a preços que variam de R$ 5 até R$ 800, fazendo com que o artesanato se torne uma atividade que gera ótimos negócios. “À medida que eu ofereço meu trabalho e é bem aceito, ele se torna uma fonte lucrativa”, elogia Nelvani.

Exemplo de superação

O artesanato, além de ser uma importante fonte de renda para muitas pessoas, também é uma forma de superação de preconceitos. Um bom exemplo disso é encontrado nas obras da artesã Carla Maria Meirelles, 41 anos, mais conhecida por sua alcunha artística, Mariart. Ela se tornou deficiente física desde bebê, aos sete meses, quando sofria de derrame cerebral. Hoje, ela tem um ateliê de artes na Pousada Piatã, de propriedade da sua família.

Mariart conta como surgiu seu apelido. “Já que fazia parte do Mercado das Artes, em Piatã, tinha uma loja chamada Artemarias (que não existe mais), porque tinha uma sócia chamada Maria. E minha mãe é Maria Luíza. Aí, o povo me chamou de Maria, e minha mãe me apelidou de Mariart como nome artístico”, recorda a artista, que se profissionalizou depois de pintar por hobby.

“Eu faço baianas em porcelana fria, papietagem (sobreposição de papel) e papel machê e bandejas em papietagem”, diz Mariart, referindo-se a seus mais belos e bem-acabados produtos expostos. A artesã também pinta quadros e tecidos, e confecciona bijuterias, mosaicos e arte em papel, que é uma técnica bem diferente. Mariart planeja filiar-se ao Instituto Mauá, vinculado ao Governo da Bahia, pelo qual era convidada para um salão de artesanato.

Participando pela primeira vez

As imagens decorativas e sacras têm espaço reservado na feira. Todas elas foram elaboradas em gesso compacto pela artesã Inêz Cal Veloso Santana, 56 anos, participante do evento pela primeira vez. Seu marido, Lázaro Santana, 60, que não está presente, também é artesão, produzindo abajures, luminárias e oratórios com a cunca (cacho) do coqueiro e do licuri. Além de trabalhar com artesanato, Inêz faz restauração em diversos materiais.

Inêz, nascida na região espanhola da Galiza, veio para a Bahia com apenas um ano e três meses, em fevereiro de 1955, pois seus pais fugiram da fome provocada pela ditadura do generalíssimo Francisco Franco, que governou a Espanha naquela época. Bacharel em Ciências Contábeis pela Fundação Visconde de Cairu, Inêz trabalhava como administradora dos postos do Serviço de Atendimento ao Cidadão (Sac) nos shoppings Barra, Iguatemi e Litoral Norte.

De acordo com ela, cuja paixão pelo artesanato começou há quatro anos, sua importância de esculpir as imagens coube à sua necessidade de terapia e ao dinheiro, e cita os santos que deu forma às suas esculturas. “São Francisco, Santo Antônio, São Jorge, Nossa Senhora Aparecida. São os principais. Por ser católica, eu gosto muito das imagens. Foi o que me levou a escolher isso.”

Outra artesã que está participando pela primeira vez da Feira de Artes do Imbuí é a assistente administrativa aposentada Eunice Silva, 63 anos. Numa tenda montada na praça, ela vende inúmeros produtos que ela mesma confecciona, como colchas de crochê, organizadores para bolsas, lixeiras para carro, pesos e batedores para portas e toalhas para pratos.

O artesanato ecologicamente correto marca presença no evento, contribuindo para o desenvolvimento sustentável do planeta, através de objetos confeccionados em garrafas de plástico Pet pelo catarinense João Telmo Aguiar, 54 anos, radicado na Bahia há 20. “Eu faço arte em garrafa Pet há dez anos, pois me preocupo com o meio ambiente. A feira é para a conscientização do ser humano, para que ele não jogue lixo na rua e separe-o em casa”, diz o artesão.

Além de Telmo, a arte elaborada através da utilização de materiais recicláveis não deve faltar na mesa do seu autor, José Santos Dantas, 52 anos. “Colaborar com a natureza também é um meio de adquirir economia”, conscientiza-se José, que fez flores e colares para expô-los na Feira de Artes do Imbuí.

Satisfeitos e realizados

Veterana na feira, participando de três edições, Elma Silva do Carmo, 53 anos, artesã há 17, trabalha principalmente com bonecas, cujo preço é diretamente proporcional ao tamanho, ao tipo do material e ao modelo. “Eu me sinto bem, satisfeita e realizada. A cada trabalho que eu faço, eu olho como se fosse o primeiro. Com entusiasmo e satisfação, me sinto realizada”, elogia Elma por sua permanente dedicação com o artesanato.

O técnico de manutenção do Edifício Ibiporã, no Imbuí, Cristiano Tourinho Silva, 26 anos, ficou maravilhado ao observar as esculturas de Inêz Veloso, em particular a mandala asteca, símbolo do México, feita em gesso compacto. “Isso é muito interessante”, admira Cristiano. E Inêz confia na belíssima obra que atraiu o jovem. “Dou garantia.”

A Feira de Artes do Imbuí não expõe somente artesanato. Portanto, há espaço garantido para a moda. Blusas customizadas, confeccionadas em malha com tecidos variados por Tereza Cristina Estrela, 57 anos, são vendidas, em sua maioria, por R$ 35, sob a etiqueta Estrela Veste, da própria artesã. As cores das blusas traduzem sensações que, segundo Tereza, são definidas por cada pessoa que vai comprá-la.

João Durães, da Adaba, diz que, para artesãos associados e não associados, é necessário pagar uma taxa de manutenção de custo (transporte, montagem, desmontagem e iluminação). O valor a ser pago pelos não associados durante os quatro dias da feira é R$ 50. Ele ainda prevê, orgulhoso, o sucesso do evento. “A expectativa é a melhor possível. Por ser a quarta feira aqui no Imbuí, que já terminamos de realizar, ela acaba no sábado. Já temos programado, aqui no Imbuí, a feira em comemoração ao Dia dos Namorados”, afirma Durães.

Serviço de Utilidade Pública

Evento: Feira de Artes do Imbuí

Período: 5 a 8 de maio (quarta-feira a sábado)

Local: Praça do Imbuí, entre o Conjunto Residencial Guilherme Marback e os shoppings Silver, Imbuí Center e Gaivota

Horário: 10 às 20 horas

Entrada franca

Realização: Associação dos Artesãos da Bahia (Adaba)

Contatos: (71) 4102-4786 / 9127-1517 / 8116-1477 / adaba.br@gmail.com

Eleições para reitor da Ufba estão sendo apuradas

Uma das três chapas será escolhida pelo Ministério da Educação para comandar a universidade no próximo quadriênio

Até o final desta quinta-feira, estão sendo apuradas as urnas para as eleições dos novos reitor e vice-reitor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), que foram realizadas na terça e na quarta. O processo começou na manhã de hoje, sendo que o resultado final determinará a ordem dos nomes dos candidatos que comporão a lista tríplice a ser encaminhada ao ministro da Educação, Fernando Haddad, em Brasíia. A chapa escolhida pelo ministro irá dirigir a maior universidade pública do estado no quadriênio 2010-2014

O pleito ocorreu nas unidades de Salvador, Vitória da Conquista, Barreiras e Oliveira dos Campinhos, distrito de Santo Amaro, no Recôncavo, onde se localiza o Centro de Desenvolvimento da Pecuária. Três chapas concorreram à autoridade máxima da Ufba. A Chapa 1 é formada pelos professores João Augusto de Lima Rocha, da Escola Politécnica, e Ademário Spínola, do Instituto de Saúde Coletiva; a 2, pelos professores Roberto Paulo Correia de Araújo, do Instituto de Ciências da Saúde, e Modesto Jacobino, da Faculdade de Medicina; e a 3, pelos professores Dora Leal Rosa, da Faculdade de Educação, e Luís Rogério Bastos, do Instituto de Geociências.

Pouco antes de os nomes dos novos reitor e vice-reitor da Ufba serem divulgados, haverá a oficialização do resultado das eleições na próxima segunda-feira, pelo Colégio Eleitoral. A lista tríplice com a porcentagem dos votos será encaminhada, em seguida, pelo ministro Haddad, que escolherá uma das três chapas inscritas. Fica garantida, ao Ministério da Educação (Mec), a possibilidade de escolher o candidato menos votado.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Me sinto livre na ilha

Véspera de feriado em homenagem aos trabalhadores. Nesse dia, nossa família unida sempre repete a mesma história, muito comum em outros feriados, recessos juninos e férias estivais. Apesar de fazer parte do outono (ou pré-inverno), o feriado do trabalho foi propício a um momento que se assemelha a um "novo verão". Deixei para trás meus estudos, só que temporariamente, para eu descansar na minha vivenda particular, cada vez mais longe das agitações e das confusões urbanas.

Dirigimo-nos ao terminal marítimo com a importante missão de realizarmos, em meia hora, a travessia com qualquer uma das embarcações do sistema ferry-boat. Para que isso acontecesse, foi necessária mais de meia hora... E, enquanto esperávamos o próximo ferry, saciei minha fome comendo, por incrível que pareça, uma empada de carne seca. Um delicioso salgado cujo recheio achei muito impressionante. Nunca o experimentei em minha vida.

Surpreendentemente, entramos numa embarcação mais rápida e moderna, cuja cabine é climatizada, digna de um ônibus executivo. Eu estava dentro desse mesmo ferry, acompanhado de minha mãe, assistindo a um filme da Sessão da tarde, mas não prestei atenção ao seu enredo. Meu pai e meu irmão, por outro lado, estavam na área externa lendo o jornal, cujo exemplar daquele dia trouxe, como suplemento extra, uma revista especializada em imóveis, arquitetura e decoração.

Ao lado de minha mãe, senti fortes dores de cabeça em decorrência do meu cansaço diário. Fiquei relaxando de olhos fechados e semiabertos durante poucos minutos, até nos desembarcarmos em outro terminal. De repente, já em Itaparica, minha mãe comprou um comprimido para eu tomar e fiquei bem melhor durante o percurso na estrada até o nosso recanto de veraneio. Chegamos lá e arrumamos tudo para nos proporcionar mais diversão no feriado que durou dois dias.

Estávamos curtindo alegremente nossa estadia num dos lugares mais bonitos, tranquilos e bucólicos da ilha. Adoro esse lugar, pois é um verdadeiro paraíso, onde a Mata Atlântica nos dá um grandioso prazer de desfrutá-lo. O que mais chamam minha atenção lá são as alternativas de lazer, de entretenimento e de saúde para que as pessoas se sintam cheias de vitalidade e de bom humor. Por isso, saúde é fundamental para que todos nós nos interajamos com a natureza, mesmo enfrentando os obstáculos nela presentes.

Quando estou na varanda da nossa vivenda, me sinto livre, feliz e saudável por eu estar em perfeita sintonia com o meio ambiente que, por sua vez, é comprometido pela ação humana. Sinto um profundo e maravilhoso cheiro de mato verde contido no mais puro e esplêndido ar, que é uma complexa combinação de nitrogênio, oxigênio e outros gases. Estes, somados à suave brisa marítima e ao duradouro e indestrutível aroma da Mata Atlântica, fazem com que eu respiro o ar à vontade.

Liberdade é a palavra-chave que melhor combina com a minha convivência não só na ilha, mas também em outros lugares que eu saio. Ser livre é desfrutar de todas as maravilhas que a vida nos oferece por meio dos grandes projetos divinos. Nossa liberdade de estar num ambiente agradável nos foi obtida como um privilégio milagroso, uma obra de Deus. Daqui para a frente, novas oportunidades de sentir o ar puro e o aroma vindo do verde no campo chegarão até nós.

Nossas sucessivas oportunidades de estadias numa área semirrural, distante do caos de uma grande cidade como Salvador, surgirão nos próximos feriados e nas longas e quentes férias de verão. Os dias, portanto, serão totalmente espetaculares e reservados para a mais divertida jornada no nosso campo privativo.

Corra que a moto vem aí!

Um episódio extremamente perigoso e assustador chamou demais a minha atenção. Ele não se passa de uma grande aventura dentro do trânsito, pois põe em risco seriamente um enxame de pedestres que transitam pelas passarelas, que são pontes específicas para eles. Alguém viu um homem pilotando um veículo motorizado numa passarela? Já vi sim. Foi na manhã de ontem, quando estava indo para a faculdade, na Avenida Paralela, uma das mais movimentadas de Salvador.

Pilotar uma motocicleta dentro de uma passarela, apesar de ser um acontecimento que estava imaginando por muito tempo durante minhas idas e vindas, é real mesmo, conforme testemunhei ontem. Isso pode causar prejuízos incalculáveis aos pedestres que por aí se movimentam, como acidentes e mortes. Para os motociclistas, conduzir uma moto em qualquer lugar que eles podem imaginar lhes traz certa liberdade de viver. Não concordo com eles, pois estão sendo submissos pela força da propaganda.

É através de uma moderna ponte construída in loco à base de concreto pré-moldado e de aço que milhares de pessoas de diferentes classes, profissões e bairros vão para suas residências, para as escolas, para as faculdades e para seus locais de trabalho ou passeiam pela cidade de modo geral. Os lugares corretos para que os veículos motorizados transitassem são as pistas de asfalto, e não as vias exclusivas para pedestres. Se as motos invadissem o espaço do pedestre, ele seria o grande responsabilizado por um possível acidente.

Mesmo não tendo motor, as bicicletas também podem provocar acidentes com pedestres. Já vi vários casos de trânsito com esse meio de transporte portátil e saudável dentro das passarelas. Lá, andar de bicicleta é outra atitude perigosa, pois toma o lugar onde o povo vai para resolver seus problemas e realizar suas necessidades pessoais. Que situação comprometedora! Uma verdadeira dor de cabeça para nosso povo que a cada dia batalha por sua difícil, porém maravilhosa, sobrevivência. Nunca me arrisquei em usar moto ou bicicleta em espaços exclusivos para quem quer andar a pé.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Beba com Moderação

Dois filmes publicitários abaixo foram exibidos em momentos anteriores ao Carnaval de 2007. Ambos referem-se ao lançamento do Camarote do Nana, uma proposta milionária e audaciosa para a folia daquele ano, e são humoristicamente estrelados por um personagem criativo, denominado "Moderação". O nome do personagem dos comerciais são, justamente, uma personificação do consumo moderado de bebidas alcoólicas durante o Carnaval.

Curti bastante o primeiro dos divertidos, coloridos e emocionantes comerciais divulgando o Camarote do Nana para a mídia. O atrativo desse vídeo é a sua locução, feita com sotaque nordestino-juvenil, contando um pouco da vida do "Moderação", cujo nome, segundo a própria propaganda, é resultante da mistura do nome do pai, "Seu" Modesto, com o da mãe, dona Consolação.

O segundo filme, ao contrário, é mais espetacular que o anterior, e mostra "Moderação" fazendo várias poses superlegais, tendo como plano de fundo um cenário feito em computação gráfica (CG) que simula letreiros em neon. A música que encerra alegremente os anúncios é Nana ê, um dos grandes sucessos da banda Chiclete com Banana. Curtam bastante os filmes abaixo, pois vocês vão gostar muito!!!



Engenheiro das ondas

Entrevista: Tiago Mota

O estudante Tiago Mota de Jesus, 21 anos, bateu um papo descontraído, via internet, sobre a sua paixão incondicional pelo surfe, esporte que ele pratica amadoramente.

Por que você passou a ter uma grande admiração pelo surfe?

Tiago Mota – Por puder estar sempre em contato com a natureza se divertindo nas ondas, é isso. Praia, alto astral, coisas muito boas.

Quando você começou a se apaixonar profundamente pelo esporte? Onde você pegava onda na época?

T. M. – Quando comecei a praticar, tinha 14 anos. Pegava mais no Corsário, Jaguaribe e Jardim de Alah.

Algum familiar seu te incentivou na prática do surfe?

T. M. – Apoio. Bem que faltou um pouco de minha família. Foi por iniciativa própria.

Em quais praias você pega uma onda maneira?

T. M. – Corsário, Jaguaribe, Stella Maris, Pescador e Busca Vida, onde mais frequento atualmente.

Você já foi campeão alguma vez?

T. M. – Nunca competi. Pratico free surf, que significa praticar o surfe por prazer, sem compromissos de campeonatos.

Quais são seus principais ídolos que você tem mais admiração?

T. M. – Kelly Slater, Andy Irons, Mick Fanning, Heitor Alves (brasileiro com bastante destaque), entre outros, que quebraram na vala também.

Quem um dia você queria ser?

T. M. – Bem, no surfe cada um tem seu estilo. Eu não queria ser, mas queria poder estar no nível e competindo com os melhores do mundo.

Você um dia sonhou com algum ídolo seu?

T. M.(Risos) Nunca sonhei. (Risos)

Seu apartamento é decorado com pôsteres de surfistas? Quais?

T. M. – Sim. Tenho dois de Andy Irons.

Você assistiu a algum filme sobre o surfe? Qual?

T. M. – Já sim. Young guns 1, 2 e 3, filmes da Mormaii. Tem um que esqueci o nome: (Risos) o brasileiro Surf adventure.

Os filmes da Mormaii, por exemplo, são comerciais?

T. M. – Não. São filmes mesmo com atletas da Mormaii.

Se você fosse um grande campeão, como seria sua vida?

T. M. – Bem, eu iria surfar mais ainda e curtir muitas baladas com garotas bonitas.

Quais são os artistas que você ouve frequentemente?

T. M. – Bob Marley, O Rappa, Groundation. Gosto do Forró do Muído também. (Risos)

Durante suas práticas de surfe, como você enfrenta ondas grandes?

T. M. – Com respeito à natureza e bastante concentração, na hora do drop (momento em que se sobe na prancha)

Como é que você se sente em cima das águas azuis?

T. M. – Em estado de purificação, bem-estar total. Melhor, só uma loira na cama.

Você acha que as praias voltadas para o surfe são consideradas um paraíso?

T. M. – Bem, ainda existem muitas praias consideradas paraísos, como (Fernando de) Noronha, Itacaré e Taipus de Fora. Pena que tem outras praias que estão deixando de ser paraísos devido à alta poluição dos mares, que degrada e destrói toda a área ambiental.

Se você fosse um dirigente de uma organização ambientalista, o que faria em relação à poluição das águas?

T. M. – Iria elaborar um projeto visando reduzir a quantidade de poluentes que vão para o mar, principalmente a quantidade de esgoto.

Antes de surfar, como você se alimenta?

T. M. – Tem que ter uma boa alimentação, pois o surfe gasta muita energia. Uma vitamina de frutas é muito boa.

Você se alimenta por conta própria ou conforme alguma orientação de nutricionista?

T. M. – Por conta própria.

Por quantas horas você permanece surfando?

T. M. – De três a quatro horas, quando o mar está bom.

Sua prática depende de quais fatores?

T. M. – Bem, depende mais da vontade.

Qual a sua expectativa para o seu futuro profissional?

T. M. – Quero ser um engenheiro bem-sucedido e ter tempo também para surfar.

Três casos de meningite C a fazem avançar na Bahia

Pouco depois da morte da menina Carla Pereira Andrade, de 13 anos, em Santa Cruz, número de vítimas da epidemia chegou a 25 no estado

A meningite meningocócica, ou meningite C, que é a forma mais letal da doença, fez a décima primeira vítima em Salvador e a vigésima segunda na Bahia. Carla Pereira Andrade, de 13 anos, morreu na noite da última quinta-feira, dia 29 de abril, no Centro de Saúde Dr. Alfredo Bureau, situado no Conjunto Guilherme Marback, na Boca do Rio. A menina, que morava no bairro de Santa Cruz, fora levada pela mãe, a empregada doméstica Cátia Nascimento Pereira, para dois centros de saúde.

Primeiro, a criança, que estava com febre e dores de cabeça, foi atendida no 5º Centro de Saúde Dr. Clementino Fraga, na Avenida Centenário, onde foi submetida a exames à base de medicamentos analgésicos e antitérmicos e foi liberada. Carla foi levada para casa por dona Cátia, mas seu quadro de saúde se agravou com fortes dores e manchas pelo corpo. Em seguida, a mãe a levou ao posto do Marback, onde chegou por volta das 18 horas, mas não resistiu e morreu.

Carla estudava na Escola Estadual Teodoro Sampaio, em Santa Cruz. Seu corpo foi enterrado no Cemitério Municipal de Brotas. Ela foi a segunda vítima de meningite C no bairro, localizado nas adjacências do Nordeste de Amaralina, sendo que a primeira foi Luana Santos Rocha, de 11 anos, falecida em 2 de abril. Luana, apesar de ser vizinha de Carla, não estudava na mesma escola.

Negligência e indignação

A médica que atendeu a menina no 5º Centro foi acusada de negligência pela própria mãe, que também culpou o poder público pelo falecimento de sua filha. "Já teve vários casos no bairro e no colégio onde minha filha estudava, mas o governo não tomou providência para vacinar os moradores acima de 5 anos", afirmou, revoltada, dona Cátia aos repórteres Marcelo Brandão e Juracy dos Anjos, para o jornal A Tarde da última sexta-feira, dia 30.

Moradores do bairro onde Carla residia estão indignados e assustados com o surto de meningite meningocócica. A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) diz-se negar a respeito da existência de uma epidemia na localidade. Outro aluno da Escola Teodoro Sampaio que morreu do tipo mais grave da doença era Denilson Santos Melo, 14 anos, em abril do ano passado.

Agentes de vigilância sanitária da SMS, chefiados pela sanitarista Erna Velame, foram até à escola para entregar antibióticos aos estudantes que entraram em contato com a vítima, com o objetivo de impedir o surgimento de um outro possível caso de meningite C. O procedimento para a aplicação de antibióticos para essa finalidade é denominado quimioprofilaxia.

Segundo a diretora da escola, Maria de Lurdes de Souza Torres, as mães dos alunos estão muito preocupadas com as duas ocorrências de morte em consequência da epidemia em Santa Cruz. Com dois filhos estudando no Teodoro Sampaio, a empregada doméstica Maria José Ferreira disse que eles vão abandonar o colégio em razão do medo da contaminação. "Essa doença é horrível, mata as pessoas em 24 horas, vou tirar meus filhos de lá", disse Maria José a A Tarde.

Dois jovens morreram

Até a manhã de hoje, a Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) registrou 25 mortes por meningite C neste ano no estado. Só em Salvador, foram 19 casos, e no interior, 6. O número de óbitos aumentou devido às mortes de Robson da Silva Ferreira, de 20 anos, no último sábado, dia 1º; e de Luiz Cláudio Rebouças, de 24 anos, ontem.

Robson, cujo corpo foi enterrado no Cemitério Quinta dos Lázaros, às 13 horas, morava em Marechal Rondon, e Luiz Cláudio, em Itapuã. Ambos faleceram no Hospital Couto Maia, no Bonfim, onde foram internados em estado grave.