segunda-feira, 29 de março de 2010

Moradores contam as melhorias em sua comunidade

Quatro antigos moradores da Boca do Rio, através de entrevista, relembram a vinda deles para o bairro, há quase 41 anos, e as principais transformações nele ocorridas, que o tornaram cada vez mais popular, como o desenvolvimento urbano, comercial e dos serviços

Há quase 41 anos, várias famílias se mudaram para a Boca do Rio por intermédio da doação de terrenos para a construção de residências destinadas aos moradores vindos de outras comunidades, como Alto de Ondina, realizada na gestão do então prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães. Essa transferência se iniciou em junho de 1969, quando, segundo o relatório Criação e formação do bairro da Boca do Rio, escrito por uma delas, dona Maria Estelita de Oliveira Rocha, “foram convidados a sair de lá para que a orla de Salvador fosse urbanizada, e então o prefeito ofereceu aos moradores dois lugares, (…) que eram os bairros de Engomadeira e o desconhecido bairro da Boca do Rio”.

Conheça, abaixo, um pouco sobre as quatro personalidades que participaram desta entrevista, realizada nos dias 25 e 27 de março. São alguns dos antigos moradores que contribuíram não somente a construir, a resgatar e a contar a história da comunidade onde elas vivem, mas também a melhorar e a ampliar a fisionomia e a qualidade de vida do local, e os serviços nele oferecidos. Em seguida, veja a entrevista propriamente dita.

Anatório da Rocha

Funcionário público estadual aposentado, trabalhava como garçom do Palácio de Ondina, residência oficial do governador do Estado da Bahia, atendendo vários governadores que ali residiam, de Luiz Viana Filho (1967-1971) a Paulo Souto (2003-2006). Luiz Viana Filho, por sinal, era o governador para quem o Sr. Anatório trabalhava em 1969, ano em que ele e sua família se transferiram para a Boca do Rio.

Aos 71 anos, é divorciado da também funcionária pública estadual Maria Estelita de Oliveira Rocha, de 64 anos, com quem tem seis filhos: Reginaldo (Regi), Ricardo (Guizão), Anatório Filho (Thouro), Helenice (Linda), Edson (Edinho) e o caçula André, nascido um ano após a mudança para a Boca do Rio, e que atualmente vive na Espanha. Apesar de estarem separados, eles moram juntos na mesma casa situada à Rua Professor João Carlos do Sacramento, 38, na Boca do Rio, desde 1969, ao lado de Ricardo, Helenice e Edson.

Eulina Silva Cerqueira

Natural de Campo Formoso, no norte da Bahia, é viúva, dona de casa e costureira domiciliar, e tem 75 anos. Ela se casou duas vezes, sendo a segunda com o funcionário público municipal aposentado Arízio Pires Moreira, falecido em 18 de novembro de 2000, aos 68 anos, que trabalhava como motorista particular de diversos prefeitos de Salvador. Do casamento com Arízio, ela teve três filhos: Arízio Filho (Arizinho), Domingos Sávio e Indaiá. Além disso, possui 25 netos e 10 bisnetos.

Dona Eulina, como é chamada carinhosamente por seus vizinhos e amigos, mora tranquilamente numa casa de número 36 da Rua Professor João Carlos do Sacramento, desde janeiro de 1970, levando uma vida simples e feliz.

Maria Estelita de Oliveira Rocha

Moradora da Boca do Rio desde 1969, vinda do Alto de Ondina, trabalha como agente administrativa do Colégio Estadual Pedro Calmon, no Jardim Armação, um dos bairros que lhe são próximos, desde a sua inauguração, em 1976, pelo então governador Roberto Santos. Quando da mudança dela e de sua família ao bairro, ele ainda não tinha nenhuma infraestrutura, e Dona Estelita, então com 24 anos, era apenas dona-de-casa.

Divorciou-se do funcionário público estadual Anatório da Rocha, que, apesar disso, eles vivem juntos. Aos 64 anos, tem cinco filhos, frutos do casamento com o sr. Anatório: Reginaldo (Regi), Ricardo (Guizão), Anatório Filho (Thouro), Helenice (Linda), Edson (Edinho) e André. Guarda, até hoje, um relatório que ela mesmo escreveu, contando as primeiras melhorias feitas no bairro, das quais foi testemunha. O relatório é intitulado Criação e formação do bairro da Boca do Rio.

Marinalva Silva de Oliveira

Aposentada desde 22 de dezembro de 2009, seu último emprego foi como auxiliar de serviços gerais do Colégio Sartre Coc (ex-Nobel), no Itaigara. Aos 60 anos, ela é casada há 45 com o pintor José Carlos Fernandes, de 67 anos, com quem tem um único filho, Roberto, de 43.

Assim como Dona Estelita e Sr. Anatório, Dona Marinalva e Sr. José, juntamente com Roberto, moravam em Ondina, e se mudaram para a Boca do Rio ocupando um terreno obtido por doação feita em 1969, pelo então prefeito Antônio Carlos Magalhães. Sua casa, localizada na Travessa Professor João Carlos do Sacramento, 37, era, a princípio, modesta, mas com o tempo foi se ampliando.

Como surgiu o bairro da Boca do Rio?

Anatório da Rocha – Nós, quando chegamos aqui, já tinha a Boca do Rio. Quando nós saímos da Ondina, viemos para este bairro pelo prefeito Antônio Carlos Magalhães. Nós chegamos aqui à Boca do Rio, praticamente. Então, a gente chegava aqui, saltava em frente à sede de praia do Esporte Clube Bahia. Hoje, a Boca do Rio é um paraíso. Nós chegamos aqui no ano de 1969. Hoje, o comércio do bairro é fabuloso, onde tudo que você procura você encontra. Só que a violência está uma coisa sem controle. E a única coisa que mete medo é a violência.

Quais foram as primeiras melhorias aqui realizadas?

Marinalva Silva de Oliveira – Quando prefeito, ACM doou terrenos para a construção de casas destinadas a moradores vindos de Ondina. Antes disso, ele já havia mandado montar, a toque de caixa, vários barracos na Rua Hélio Machado, destinados a moradores egressos do “Bico de Ferro”, uma invasão à beira-mar na Pituba, recém-demolida à época para dar espaço ao Jardim dos Namorados. Os novos ocupantes dos barracos eram, em grande parte, pescadores.

Por que moradores de outros bairros se mudaram para a Boca do Rio?

M. S. O. – Porque aqui é um dos melhores bairros, por ser localizado perto da Orla, onde tem shoppings, como o Aeroclube, e praias.

Quais foram os primeiros estabelecimentos comerciais a surgir?

A. R. – Começou com barracas de verduras, depois vieram depósitos de materiais de construção, açougues, padarias, armarinhos, quitandas. Mais tarde, surgiu o primeiro supermercado, o Paes Mendonça (hoje Bompreço) e, em seguida, a Cesta do Povo.

Por que o comércio se desenvolveu bastante no bairro?

Eulina Silva Cerqueira – Porque aqui é muito distante do centro, e então a pessoa precisa de alguma coisa para comprar aqui mesmo. Quando nós viemos aqui, não havia banco, médico, luz – era muito fraquinha, pois a prefeitura a instalou, e não eram todas as pessoas que conseguiram obter energia elétrica. Depois, a Coelba colocou postes, fiação, e ligou a luz, que foi uma “festa” na Boca do Rio. Também não tinha asfalto, pois só era barro batido.

Quais foram os postos de saúde a surgir no bairro?

E. S. C. – O primeiro posto de saúde foi aquele de lá de baixo, o César de Araújo. Também tem um outro, no (Parque Residencial Guilherme) Marback, o Dr. Alfredo Bureau, onde agora tem emergência 24 horas, que antes não tinha.

Qual foi a primeira escola pública a surgir na Boca do Rio? Na época da sua inauguração, ela teve qual finalidade?

Maria Estelita de Oliveira Rocha – Na minha opinião, quando a gente chegou, foi o Agnelo de Brito (municipal). Foi construída para os filhos dos moradores vindos de Ondina estudarem.

Como as ruas foram pavimentadas?

E. S. C. – Era um asfaltozinho só no fim de linha, para que os ônibus chegassem até lá. Todas as outras ruas não tinham pavimentação. Depois, é que os prefeitos foram ajeitando as ruas com a ajuda de políticos, como José Raimundo (ex-vereador, hoje falecido), Marcelo Guimarães (ex-deputado estadual e ex-presidente do Esporte Clube Bahia), e outros. Isso não deixa de ser obra eleitoreira.

Dona Estelita, a senhora acompanhou o surgimento dos serviços públicos nesta comunidade?

M. E. O. R. – Acompanhei. Asfalto, luz, água, o desenvolvimento de tudo.

O Imbuí pode ser considerado um bairro, independente da Boca do Rio?

A. R. – Pode sim, tanto é que tem o nome. O Imbuí também, praticamente, faz parte da Boca do Rio. Mesmo com essa violência que está existindo na Boca do Rio, o Imbuí ainda é um dos lugares um pouco mais sossegados.

M. E. O. R. – Eu acho que não. Tudo o que eles falam é Boca do Rio/Imbuí. Na minha opinião, não é um bairro independente, pois é só Boca do Rio. Na placa dos ônibus, a gente vê Boca do Rio/Imbuí.

Quais foram as consequências do desenvolvimento do bairro?

M. S. O. – O bairro melhorou muito. Tem tudo. Se a gente não quiser ir à cidade, não tem necessidade, porque tem bancos, mercados, lojas de móveis, armarinhos, mercadinhos, e outros. Temos ônibus, que antigamente não tinha, e que a gente pegava ou na Orla ou na Bolandeira. Hoje em dia, tem 2 postos de saúde, sendo que um possui emergência, e tem laboratórios pagos pelo Sus (Sistema Único de Saúde). Quanto às negativas, só a violência cresceu um pouco, mas com tudo isso, é um bairro muito bom.

O crescimento da Boca do Rio favoreceu a integração com os bairros adjacentes?

M. E. O. R. – Sim, através da infraestrutura (energia, transportes, água e esgoto, telecomunicações), da melhoria da qualidade de vida, do comércio e dos serviços.

Como testemunha da evolução da Boca do Rio, a senhora conheceu algum prefeito que colaborou nesse processo? O que eles fizeram?

M. E. O. R. – Mário Kertész e Fernando José. Eles asfaltaram as ruas, sendo que metade das ruas, nem todas.

O que a senhora acha do convívio e da amizade com outros moradores de sua geração?

M. E. O. R. – O convívio é excelente. São excelentes amigos.

Como antigos moradores do bairro, como é que os senhores se sentem em relação a ele?

A. R. – Como morador antigo do bairro, me sinto maravilhoso, excelente e espetacular e, graças a Deus, não tenho nenhum inimigo.

M. S. O. – Me sinto bem. É um bairro bom, onde tem tudo. Mesmo com toda violência, é um bairro onde a gente vive bem.

M. E. O. R. – Bem. Gosto muito.

Salvador, 461 anos de feliz cidade

Hoje, 29 de março de 2010, faz 461 anos que o fidalgo português Tomé de Souza, primeiro governador-geral do Brasil, nomeado pelo rei D. João III, desembarcou na capitania hereditária da Bahia de Todos-os-Santos para fundar a primeira capital da então colônia de exploração. A cidade de São Salvador da Bahia foi fundada e construída numa localização estratégica e privilegiada, entre a Baía de Todos os Santos e o Oceano Atlântico. Suas primeiras construções, projetadas e supervisionadas pelo arquiteto Luís Dias, eram erguidas em taipa e barro batido, na área que corresponde atualmente à Rua Chile, à Praça Tomé de Souza e à Ladeira da Misericórdia.

A cidade do Salvador, por ser uma das primeiras cidades do país, guarda até hoje muitos resquícios da presença dos colonizadores portugueses, em sua maioria tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Dentre eles estão o Centro Histórico, ou Pelourinho, a Câmara Municipal, o Mosteiro de São Bento, as fortificações, as igrejas, os conventos e a Santa Casa de Misericórdia da Bahia, primeiro hospital brasileiro. A Câmara Municipal de Salvador, fundada três meses após a criação da cidade, hoje sede do Poder Legislativo, surgiu como Casa de Câmara e Cadeia. Por outro lado, a Santa Casa era, até meados do século XVIII, o único hospital do Brasil em funcionamento.

O grande contingente de afrodescendentes na população soteropolitana originou-se ainda no Período Colonial, no século XVI, quando foram trazidas, diretamente do continente africano, as primeiras levas de negros como escravos para serem comercializadas e traficadas simultaneamente em todo o território brasileiro. Hoje, Salvador é a maior cidade fora da África que possui a maior população negra e parda, no entanto o chamado "ouro negro" continua sendo discriminado pelos brancos, fenômeno conhecido como racismo ou preconceito racial. Numa sociedade como a nossa, negros e brancos não devem ser humilhados e, sim, respeitados entre si.

Sua topografia é acidentada, com morros, ladeiras e becos convivendo com as ruas e avenidas de vale. Devido à sua topografia, a capital baiana foi dividida em Cidade Alta e Cidade Baixa. A primeira é banhada pelo Oceano Atlântico e apresenta a maior parte dos bairros; e a segunda é banhada pela Baía de Todos-os-Santos, importante ligação entre a cidade e a Ilha de Itaparica, cuja travessia é feita pelas embarcações do sistema ferry-boat e pelas lanchas. O encontro entre a baía e o oceano está no Farol da Barra, uma das atrações turísticas, onde atualmente é instalado o Museu Náutico da Bahia, que possui informações históricas sobre a navegação.

Atualmente, Salvador é a terceira maior metrópole do Brasil em população, perdendo apenas para São Paulo e Rio de Janeiro. Esse crescimento foi possível devido, entre outros fatores, ao seu desenvolvimento econômico, com a diversificação das atividades; à sua expansão urbana, com as transferências do centro político estadual do Centro antigo para uma nova área às margens da Avenida Paralela, o Centro Administrativo da Bahia (Cab), e do centro econômico do Comércio para a Avenida Tancredo Neves; e a ampliação do seu sistema viário. O metrô de Salvador, implantado há dez anos, continua um problema devido à lentidão das suas obras, que leva ao constante atraso. Portanto, não se passa de uma promessa.

O desenvolvimento urbano, assim como ocorreu em outras grandes cidades brasileiras, sempre foi desordenado. As causas que levaram a essa falta de planejamento foram o seu crescimento espontâneo, com a ocupação desordenada, principalmente nas avenidas e na periferia. Isso, portanto, teve como consequência a poluição ambiental, caracterizada pelo lançamento de esgotos em canais, pelo desmatamento da Mata Atlântica e pela contaminação das águas pela ação humana. Preservar o nosso meio ambiente é fundamental para a nossa qualidade de vida.

Muitas desigualdades sociais ainda persistem na capital baiana. O desemprego, a fome, o analfabetismo, a miséria, o trabalho infantil, a criminalidade e a mendicância não são problemas exclusivos dos bairros populares, inclusive a periferia, pois também mancham suas belas e exuberantes paisagens, incomodando os soteropolitanos e os turistas que por aí passeiam. Tratam-se de empecilhos que barram o nosso progresso social. Vale lembrar que Salvador ocupa o segundo lugar em desemprego, perdendo somente para o Recife, permanecendo, assim, com as preocupantes colocações em geração de emprego e renda.

Mesmo com todos os problemas socioeconômicos, Salvador é considerada um dos mais importantes polos artísticos e culturais do país. Construções de diversos estilos arquitetônicos e épocas espalhadas pelo centro, museus, galerias, teatros, bibliotecas, arquivos históricos e o nosso Carnaval, que é a maior festa de rua do mundo, fazem da nossa cidade um lugar maravilhoso para se divertir e resgatar os fatos históricos da civilização baiana e brasileira. Ela está completando, hoje, 461 anos de muita história, com sua riquíssima e fantástica diversidade sociocultural. Temos orgulho de sermos soteropolitanos de corpo, alma e coração, com certeza.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Novos-ricos impunes

Nos grandes centros urbanos, a violência e o tráfico de drogas crescem assustadoramente a cada ano. Muitos jovens entram no mundo da criminalidade e da marginalidade não somente nas áreas suburbanas, mas também em áreas nobres, onde, às vezes, não há policiamento suficiente. Esse fato de grande relevância demonstra claramente o surgimento progressivo de novos marginais, bandidos e ladrões, em geral provenientes de famílias das classes média e média alta.

Os jovens, que em grande parte são filhos de pessoas bem-sucedidas financeiramente, escolhem o caminho errado por conta própria. Muitos deles não respeitam seus próprios parentes, são mal-educados e não seguem as regras, os limites, as lições de vida e os valores espirituais. Além disso, não apresentam nenhuma expectativa para um futuro melhor, como as carreiras universitária e profissional e as relações familiares. São, portanto, transgressores e violadores das leis.

Sentindo-se indefesos, alguns novos-ricos, que se autointitulam "bons moços" ou "espertos", não têm nada de bom. Só nas suas aparências, com destaque para os rostos bem visíveis e o corpo bem bonito. Por dentro das suas personalidades, são opressores, estupradores, maníacos e, acima de tudo, violentadores. A juventude, consequentemente, está praticamente perdida.

A criminalidade praticada pelos jovens de bairros privilegiados das metrópoles é um dos problemas bastante enfrentados pelos governantes e pela sociedade civil. Como consequência disso, uma síndrome denominada impunidade, que faz nosso povo acabar com suas defesas e suas proteções. Se tudo o que está escrito nas leis sair do papel para elas serem rigorosamente cumpridas, ela deve ser combatida com o julgamento, a prisão e a punição dos envolvidos em qualquer crime, inclusive os jovens.

Marear

As águas cristalinas da praia de Barra do Gil (Ilha de Itaparica)

Mar e ar se casam num ambiente aprazível onde reina a paz absoluta.
Mar de ondas mansas nos traz alívio e aconchego.
Ar puro nos traz felicidade e encontro com a natureza.
Marear é desfrutar de uma praia deliciosa e repleta de sossego.

Mar e ar se aliam em qualquer espaço onde não exista conflitos.
Mar de cores vivas nos leva à calma e à tranquilidade.
Ar vivo nos afasta de todos os males e problemas.
Marear é saborear uma nova brisa que inaugura a liberdade.

Mar e ar se encontram graças à maravilhosa e incrível obra divina.
Mar de águas límpidas nos leva a uma viagem fascinante.
Ar fresco nos permite infinitas utilidades, como a respiração.
Marear é incentivar o culto ao prazer a todo instante.

Mar e ar se combinam perfeitamente em companhia do céu e da terra.
Mar de tons vibrantes nos dá plena vitalidade e forte equilíbrio.
Ar limpo purifica a nossa vida, tornando-a uma bela arte.
Marear é embelezar os nossos momentos com paz de espírito.

Brizola: esquerdista polêmico (II)

No horário eleitoral de 1989, quando chegou em terceiro lugar, o então candidato Leonel Brizola (PDT) atacou diretamente o jornal O Globo, um dos veículos pertencentes ao maior grupo de comunicação do Brasil, de propriedade do jornalista Roberto Marinho:

"Cuidado com que este jornal publica. Não é mais um órgão isento de informação. Trata-se de um jornal faccioso, parcial, que está empenhado apenas em defender causas que o povo brasileiro abomina. Foi o sustentáculo da ditadura. Ajudou a implantar a ditadura. Manteve a ditadura. Foi à sombra da ditadura que este jornal tornou-se o centro de um império de comunicação: as Organizações Globo. Claro: eles querem continuar com os seus privilégios, com os seus cartórios. E por isso é que temem a eleição de um político independente, como é Leonel Brizola."

Brizola, no entanto, não chegou ao segundo turno, e acabou apoiando Lula, que perdeu para Fernando Collor. Se Brizola fosse eleito, ele iria melhorar a qualidade de vida do nosso povo, investindo muito na educação, e acabar com o monopólio da Rede Globo.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Unijorge visita Empresa Gráfica da Bahia

Dezenove estudantes do 3º Semestre de Jornalismo da universidade viram de perto os serviços de atendimento e de impressão nas instalações do parque gráfico estatal para aprofundar seus conhecimentos em produção gráfica
(Foto: Divulgação)

Com o objetivo de aprofundar os conhecimentos obtidos nas aulas da disciplina Planejamento de Produção Gráfica, nós, estudantes do 3º Semestre do curso de Jornalismo do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), visitamos, ontem à tarde, a Empresa Gráfica da Bahia (Egba), localizada na Rua Mello Moraes Filho, 189, na Fazenda Grande do Retiro, a convite do professor Beto Cerqueira, que não esteve presente. Dentre os três dias de visita que a gráfica acertou com a Unijorge, fomos no segundo dia. Conhecemos de perto as suas instalações para observar, detalhadamente, os processos de impressão.

Eu e mais 18 colegas, Alex Alves, André Ávila, Bárbara Moreira, Bruna Francesca, Camila Gonzalez, Caroline Garrido, Deivson Mamona, Elaine Batista, Érica Torres, Fernanda Magalhães, Maíra Figueiredo, Maurício Luz, Mayra Lopes, Ramon Benevides, Sara Cohim, Tazzio Puccinelli, Thamires Assad e Vinícius Gorender, fomos ao Auditório João Paulo II, no 1º andar do prédio principal. Lá, recebemos os seguintes brindes: um panfleto sobre a empresa, o livreto "A história da Egba em versos de cordel", de Antônio Carlos de Oliveira Barreto, duas edições da revista Bahia de Todos os Cantos, e um protetor auricular.

Antes de seguirmos ao parque gráfico, que é o coração da Egba, onde é impresso o Diário Oficial e outras publicações destinadas ao serviço público estadual, fomos ao setor de atendimento. O parque gráfico é um dos mais modernos da Bahia, graças a seus constantes investimentos em equipamentos de útlima geração, tornando-se a primeira imprensa oficial do Brasil a receber o certificado ISO 9001 pela qualidade de seus produtos e serviços oferecidos. Além disso, ele está organizado para imprimir tiragens menores e maiores, atendendo a todos os 417 municípios baianos.

Como imprensa oficial, a Egba editora e imprime o Diário Oficial, impresso numa área de acesso restrito. Além das notícias publicadas em suas primeiras páginas, feitas pela Assessoria Geral de Comunicação Social do Governo do Estado (Agecom), é composto por seis cadernos: Executivo, Legislativo, Judiciário, Diversos, Licitações e Municípios. O jornal também é complementado pelos Diários Oficiais municipais, como o de Salvador. O Diário Oficial teve sua primeira edição publicada no dia 30 de outubro de 1915, um mês depois da fundação da empresa pelo então governador José Joaquim Seabra, com o nome de Imprensa Oficial do Estado. Esse exemplar está exposto no setor de atendimento do parque gráfico.

Ficamos impressionados pelas modernas instalações da unidade gráfica, nos setores de fotolito, editoração eletrônica e nas oficinas de impressão. Elas são equipadas com computadores, impressoras digitais em preto-e-branco e em cores de alta qualidade, offsets planas e rotativas e outras máquinas que permitem a saída de fotolitos e o acabamento de jornais, livros e revistas. Panfletos, cartazes e folders também são outros produtos impressos pela Egba. Os impressos nela produzidos são feitos com dedicação, qualidade e profissionalismo, resultados de uma experiente equipe de funcionários altamente qualificados.

Os principais serviços executados pela empresa são o clipping, seleção diária de notícias publicadas nos maiores jornais e revistas semanais do país, organizadas e classificadas em seções temáticas de acordo com o seu interesse; a microfilmagem, conversão de documentos em papel para microfilme preto-e-branco; a digitalização de documentos e imagens; a gestão e o armazenamento de documentos; o arquivo de segurança, para guardar microfilmes e mídias; e a certificação digital, para que pessoas e empresas comprovem sua identidade nos serviços on line.

Logo após a visita à gráfica, poucos estudantes que compareceram à ela, através de sorteio, receberam de brinde o Dicionário de Baianês, de Nivaldo Lariú, lançado em 1992 pela própria Egba, no qual encontram-se disponíveis várias palavras e expressões populares usadas no estado.

Em 7 de setembro deste ano, a Egba completará 95 anos de existência, aliando qualidade, tradição, modernidade, profissionalismo e excelência na prestação de serviços gráficos a clientes de diversos segmentos. Como forma de homenagear o aniversário, a empresa irá instalar o sistema Computer to Plate (CTP), adquirido recentemente, processo no qual os textos registrados no computador irão diretamente para a chapa metálica, permitindo a economia de tempo na impressão. É assim que a Egba oferece impressos rigorosamente qualificados.

O combate às discriminações

Muitos são os comentários e os debates em relação ao fenômeno da exclusão e da desigualdade social no Brasil. Vários aspectos, como a inserção das cotas no ensino superior; as paradas gays; a Lei nº 11.340/2006, ou Maria da Penha, que ajuda na prevenção da violência contra a mulher, entre outros, nos levam a pensar que há um avanço significativo no combate às discriminações. No entanto, elas continuam existindo em inúmeros segmentos da sociedade devido à falta de consciência humana e aos fatores econômicos.

Os preconceitos que tanto afetam a nossa sociedade estão sendo combatidos de forma gradual, com o apoio tanto do poder público quanto das organizações não-governamentais específicas. Vários projetos foram criados recentemente para evitá-los, possibilitando o acesso de indivíduos de todas as etnias às universidades públicas, e o respeito e a convivência sinérgica entre homens, mulheres, homossexuais, brancos, negros e índios. Além disso, o déficit habitacional, a fome e a miséria, assim como outros fatores que geram a exclusão, estão sendo minimizados para ajudar no combate às profundas desigualdades socioeconômicas.

Apesar de existirem significativos progressos na área social, os principais obstáculos que os impedem ainda perseveram no Brasil, como as discriminações referentes às etnias, às classes, aos gêneros e às crenças. Esses desequilíbrios ocorrem em razão das condições de vida da população, da ausência de políticas governamentais, do constante desrespeito entre pessoas de características diferentes e da falta de conscientização por parte da sociedade. Trata-se, portanto, de uma série de violações à cidadania e aos direitos humanos.

Respeitar as diferenças individuais é um papel de extrema importância para a construção de um país mais humano, mais feliz e mais próspero. O desenvolvimento social brasileiro, portanto, depende também da preservação dos direitos humanos por meio das constantes lutas participativas contra os diversos preconceitos, empecilhos da nossa sociedade. Como disse Marisa Monte, Carlinhos Brown e Nando Reis, "o Brasil não é só verde, anil e amarelo, o Brasil também é cor-de-rosa e carvão".

Democratizar a internet para o progresso

Quando a expressão .com.br, hoje bastante popularizada, surgiu, há quinze anos, Romário já era craque do futebol verde-amarelo e o real, a moeda brasileira. A grande revolução científica e tecnológica internacional, um dos fatores trazidos pela imediata popularização da rede mundial de computadores, mais conhecida como internet, progrediu tanto para que a vida sempre tivesse rapidez e facilidades. Ao contrário, as classes mais baixas da sociedade estão enfrentando um problema, a exclusão digital, relacionado diretamente à distribuição de renda da população.

A internet é a porta virtual de entrada para o mundo: ela contém mais de 70 milhões de endereços eletrônicos, web sites ou simplesmente sites, provenientes de todos os cantos do planeta, nos quais podemos encontrar conteúdos diversificados. É como se fosse uma enorme biblioteca digital, onde são armazenadas infinitas páginas para que milhões de internautas espalhados no mundo, alfabetizados ou não, se informem, estudem e pesquisem. Antes da difusão da rede, as pesquisas eram realizadas com a ajuda de enciclopédias, dicionários, revistas e livros.

Além disso, muitas pessoas utilizam a internet como forma de comunicação, lazer e entretenimento, geralmente nas horas vagas. Entre as opções de diversão mais preferidas dos internautas, estão o e-mail (correio eletrônico); o bate-papo (chat); os mensageiros instantâneos, sendo o Live Messenger, ou MSN, o mais popular; as páginas de relacionamento, como o Orkut, o Facebook e o Myspace; o compartilhamento de arquivos de áudio e vídeo e os jogos on line, que funcionam apenas na própria rede. Os jovens representam a maioria de indivíduos que a usam para se divertir.

Uma inovação acrescentada à rede é o sistema de ensino a distância (EAD), pelo qual os estudantes universitários aprendem sem sair de casa, sem o auxílio de materiais didáticos tradicionais. Com o sucesso desse método que revolucionou a educação superior, várias universidades e faculdades, em especial as particulares, o utilizam em todo o Brasil.

Muitas pessoas que vivem em comunidades carentes não têm acesso à rede, pois não possuem condições financeiras para obter computador e dispositivos para conexão, seja discada ou banda larga. É o que se chama de exclusão digital, um problema comum nas regiões onde a renda é distribuída de maneira desigual. Nesses tempos atuais, nos quais predominam a tecnologia digital, sobretudo a informática, o melhor é que todos os cidadãos independentes tenham computadores para se conectar a internet, sem nenhuma restrição. Democratizá-la é a palavra de ordem.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Todo aborto no Brasil deve ser ilegal

Um dos assuntos mais polêmicos da atualidade brasileira é a descriminalização ou a legalização do aborto, cujo projeto de lei a ser votado no Congresso está, por enquanto, engavetado. Se o aborto for oficialmente permitido, trará grandes consequências para a população por ser um problema que afeta gravemente o planejamento familiar. Existe, no entanto uma corrente favorável, que pensa que interromper a gravidez contribui para a redução da violência e da superpopulação.

O aborto é considerado um crime contra os direitos humanos, pois trata-se da eliminação imediata e espontânea do feto, o que faz impedir o nascimento de crianças. Além disso, pode causar sérios prejuízos à saúde das gestantes, levando-as à morte em alguns casos. No Brasil, muitos casos de aborto ainda são realizados, sendo, em sua maioria, clandestinos e feitos em ambientes onde não há condições higiênicas adequadas, e que chamam uma significativa atenção de grande parte da sociedade.

As organizações não-governamentais (Ongs) de defesa dos direitos humanos criticam veementemente as legislações atuais e o polêmico projeto do Governo Federal que libera o aborto em situações especiais. Essas afirmações demonstram um mal terrível que acaba com milhares de vidas em todo o país e as mulheres que o realizam são inconscientes, pois sequer conhecem, com clareza, as causas e as consequências que ele traz. E elas saem como vítimas de uma tragédia que, segundo os defensores da legalização, acredita ser um direito das gestantes.

Em todos os casos, o aborto deve ser proibido no Brasil, sendo, de qualquer maneira, uma prática clandestina que prejudica e extermina os direitos da família e, sobretudo, das nossas mulheres. Se ele for feito, as mulheres devem ser severamente punidas por tempo indeterminado quando as leis que regulamentam a ilegalidade desse crime entrarem em vigor no país. Para que o aborto seja de fato criminalizado, as famílias brasileiras devem valorizar, preservar e manter um bem que lhes são essencial: a própria vida.

Uma mulher de fé

Meire Jane, secretária do Colégio Montessoriano, acredita fielmente em Deus, buscando sempre o amor, a amizade e a felicidade

Matéria elaborada em 28 de maio de 2009

Meire Jane Sousa Santos, 38 anos, secretária do setor de atendimento ao aluno do Colégio Montessoriano, na Boca do Rio, é muito amiga dos funcionários, professores e alunos da instituição e também dos alunos que passaram por lá. O bom da sua vida é que ela sempre os respeita com amor, confiança, carinho e dedicação.

Nascida em Salvador, em 12 de junho de 1971, essa geminiana confia plenamente nas coisas boas, sendo o amor a mais importante. Aos 18 anos, concluiu o Ensino Médio com secretariado na rede pública, e portanto estava preparada para a sua carreira profissional.

A presença de Deus é importante na vida dela

Sua rotina de trabalho é como se fosse uma luta pelas suas conquistas que ela obteve durante todo o seu currículo. Ex-evangélica, Meire Jane ainda sente bastante a presença de Deus em sua vida, fazendo com que ele faça milagres perfeitos nela. É assim que ela se sente melhor, sendo uma mulher guerreira, incansável e batalhadora.

Atualmente, ela está divorciada e tem uma filha, Milena Júlia, de 11 anos, "uma princesa, um tesouro que Jesus me deu, a luz que ilumina meus caminhos e a minha vida", alegra-se a mamãe coruja, sempre confiante nas belíssimas obras que o Nosso Senhor Jesus Cristo nos deu.

Profundo conhecedor das artes

Marlon Marcos, antropólogo, professor e jornalista

Meu professor que eu mais gostava no primeiro semestre de Jornalismo foi uma das pessoas que contribuíram muito para o meu aprendizado no ano passado. Gostava tanto das aulas que ele ministrava, pois o conteúdo é muito interessante, digno de uma Ciência Social: a Antropologia. Essa disciplina tem como objetivo estudar a formação moral, intelectual e cultural do ser humano. Conheça, abaixo, a biografia do professor.

Marlon Marcos Vieira Passos é antropólogo, professor, pesquisador, jornalista e admirador de todas as manifestações artísticas e culturais. Nasceu em Salvador, em 21 de maio de 1971, durante o período mais repressivo da ditadura militar no país. Como professor, ensina História no Ensino Médio na rede particular, e Antropologia no Ensino Superior. Também ministrou Sociologia no Ensino Médio.

É mestre em Estudos Étnicos e Africanos pelo Centro de Estudos Afro-Orientais (Ceao) da Universidade Federal da Bahia (Ufba), sendo um conhecedor profundo das artes e da cultura afro-brasileiras. Mantém enorme simpatia pelas obras de grandes antropólogos nacionais, como Darcy Ribeiro, Florestan Fernandes, Hermano Vianna, Roque de Barros Laraia, Roberto da Matta, Luiz Mott e o baiano Roberto Albergaria; e estrangeiros, como Claude Lévi-Strauss.

Jornalista formado pela Faculdade de Comunicação (Facom) da Ufba, Marlon Marcos atua como assessor de comunicação do Palacete das Artes Rodin Bahia, na Graça, e articulista quinzenal do jornal A Tarde, onde também assinou diversas matérias especiais. Os artigos escritos por Marlon refletem, detalhadamente, a cultura brasileira, especialmente a baiana.

Na Facom, foi aluno de João Carlos Teixeira Gomes, o Joca, um dos maiores e melhores profissionais da área no estado, e colega dos hoje jornalistas Georgina Maynart e Matheus Carvalho, da TV Bahia, e Uziel Bueno, apresentador do Na mira, da TV Aratu; e do ator Wagner Moura. É, ainda, amigo de Rita Batista, ex-apresentadora do Aratu Notícias e hoje radialista da Metrópole FM, de Mário Kertész.

Em 1988, aos 17 anos, Marlon iniciou sua militância política, fazendo campanha para Gilberto Gil, que foi eleito vereador pelo PMDB no pleito daquele ano. Admira a esquerda, principalmente o PT, sendo amigo e admirador do deputado federal (hoje licenciado) e secretário do Planejamento Walter Pinheiro. Para A Tarde, ele escreveu uma reportagem sobre Pinheiro, em 2001. Mantém um blog para expressar suas ideias e sentimentos, bem como divulgar as manifestações culturais: o Memórias do Mar.

As aulas ministradas por Marlon Marcos foram espetaculares, pois o conteúdo, além de ser de fácil compreensão, é de fundamental importância para a formação humanística dos futuros jornalistas. Também gostei das atividades extraclasses que ele me recomendou, que foram as visitas às exposições Walter Firmo em preto e branco, no Palacete Rodin, e Carybé, no Solar do Unhão; e a nossa visita a um terreiro de candomblé, realizada na véspera do aniversário do professor.

A energia de Michely Santana

Sintonizando diariamente a rádio Transamérica FM na frequência 100,1 de Salvador, ou assistindo, também diariamente, ao programa Camera Express, exibido na TV Salvador, vejo o charme, o carisma, a alegria e a simpatia de uma jovem comunicadora que se aproxima da galera. É uma profissional competente e de primeiríssimo time do rádio baiano. Trata-se de Michely Santana.

A relação de Michely com grandes nomes do cenário musical baiano é estreita, pois ela põe no ar uma pilha de números musicais de axé e de rock. Além disso, ela realiza, de forma divertida e irreverente, entrevistas com vários artistas nos estúdios da Transamérica, a rádio pop do Brasil. Todo esse encanto e toda essa energia vão ao ar na estação de segunda a sexta, das 15 às 20 horas; e aos domingos, apresentando o Transfolia, das 12 às 14 horas.

No Camera Express, sua aparência juvenil também faz com que ela apareça todos os dias no vídeo, apresentando um pouco sobre as empresas anunciantes e entrevistando vendedores e donos das mesmas. Michely Santana é um bom exemplo de competentes comunicadores que se aproximam do público jovem e adulto, e o trabalho dela é um sucesso.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Casarios e praias dão cor a Morro de São Paulo

Vilarejo situado na Ilha de Tinharé, na Costa do Dendê, Morro tem como portal de acesso o arco de uma fortaleza colonial. Para conhecê-lo, é preciso enfrentar o cansaço por causa das escadarias

Eu na Quarta Praia, uma das praias de Morro
(Foto: Celino Filho)

Aproveitando a nossa estadia à Costa do Dendê, seguimos a um lugar muito especial desse trecho do litoral baiano: a Ilha de Tinharé, pertencente ao município de Cairu, próximo a Valença. A ilha integra o arquipélago homônimo, do qual também fazem parte as ilhas de Boipeba e de Cairu. O nome da ilha e do arquipélago vem do tupi tynharéa, que significa "terra que avança para o mar", e foi com esse nome que o colonizador português Martim Afonso de Souza a avistou e a batizou, em 1531. É, realmente, um paraíso, onde a natureza convive em total harmonia com a cultura, especialmente a história.

O arco de acesso à vila, na Fortaleza de São Paulo, a maior da Bahia. A escadaria indica que Morro está perto para que os turistas possam desfrutar desse patrimônio
(Foto: Hugo Gonçalves)

Nosso passeio à Ilha de Tinharé teve como finalidade crucial conhecer e admirar a vila de Morro de São Paulo, um dos principais pontos turísticos da Bahia, Após minutos de uma travessia ecológica de lancha, iniciada no Terminal Hidroviário de Ponta do Curral, em Valença, chegamos ao arruinado arco de entrada da vila, na Fortaleza de São Paulo. Construída em 1630 e remodelada em 1863, no reinado de D. Pedro II, a fortaleza é a maior do estado. Ela, atualmente, serve apenas como portal de acesso.


Vários estabelecimentos instalados nos casarios restaurados fazem com que os turistas visitem a vila regularmente
(Fotos: Hugo Gonçalves)

Uma longa sequência de degraus na escadaria da fortaleza indica que Morro de São Paulo está bem perto para que os turistas possam desfrutar desse colorido e surpreendente patrimônio histórico. Mas é preciso ter calma para enfrentar o cansaço na hora de subir a escadaria. O vilarejo possui casarios coloniais restaurados, onde funcionam residências, hotéis, pousadas, agências de turismo, bancos, casas de câmbio, restaurantes, lanchonetes, pizzarias, boates, lojas e outros estabelecimentos comerciais.

Além de tudo isso, há a Capela de Nossa Senhora da Luz, erguida na primeira metade do século XVII e que hoje está fechada para trabalhos de restauração; e a Praça Aureliano Lima, bem no centro da vila, arrodeada de casarios. Seu ambiente mescla essas construções, que lembram o Centro Histórico de Salvador (Pelourinho), com a paisagem da Barra. Por sinal, Morro de São Paulo pode ser carinhosamente apelidada de "Pelobarra", por juntarem os dois cartões-postais da capital num só espaço, que também é considerado um balneário por conter quatro opções de praias para os nativos e os turistas curtirem.

Construída no século XVII, a Capela de Nossa Senhora da Luz hoje está sendo restaurada
(Foto: Hugo Gonçalves)

Praça Aureliano Lima: coração de Morro de São Paulo
(Foto: Hugo Gonçalves)

Existem quatro praias no complexo de Morro, cada uma batizada com seus respectivos numerais ordinais. São elas: Primeira Praia, Segunda Praia, Terceira Praia e Quarta Praia. Para ir até elas, é necessário que as pessoas subam outra escadaria, maravilhosamente complementada por um muro pintado com desenhos e frases de autoria da artista plástica local Ângela Toledo, feitos entre 2007 e 2009. Depois de mais uma agradável subida nessa mesma escadaria, entramos, finalmente, na Quarta Praia.

Como as demais praias que completam o vilarejo, a Quarta Praia é um ponto de encontro, de lazer e de diversão de moradores e turistas que visitam o lugar. Em frente ao mar, existe, por incrível que possa parecer, um supermercado denominado Super Praia, coabitando harmonicamente com o tradicional e corriqueiro comércio de ambulantes e de barraqueiros.

Valença traz maravilhas para os turistas

Cidade do baixo sul da Bahia, além de ser um importante centro turístico, com suas belíssimas paisagens, é uma das maiores produtoras de camarão e dendê do Brasil

Vista noturna do centro
(Foto: Hugo Gonçalves)

A cidade de Valença, localizada na Costa do Dendê, litoral sul da Bahia, é uma das mais belas atrações turísticas do estado. Também é uma das maiores regiões produtoras de camarão e de azeite de dendê do Brasil, dois ingredientes básicos para a fabricação das comidas típicas baianas, tais como o acarajé, o abará, o vatapá, o caruru, as moquecas, as mariscadas, dentre outras. O acesso ao município é feito via ferry-boat de Salvador até à ilha de Itaparica, indo por estradas cercadas de Mata Atlântica que passam por vários municípios do Recôncavo, como Nazaré das Farinhas e Jaguaripe.

Cartão-postal de Valença, o Rio Una corta a cidade e lembra muito um trecho do Recife
(Foto: Hugo Gonçalves)

Os bonitos calçadões impressionam turistas que chegam à cidade
(Foto: Hugo Gonçalves)

Suas encantadoras e fascinantes paisagens são extraordinárias, inclusive quando vistas à tarde e à noite. Uma delas é um lindo trecho do centro, sendo banhado pelo maravilhoso Rio Una, que corta a cidade, pelo qual passam três pontes azuis, cor-símbolo de Valença, que lembra muito um trecho do Recife cortado pelo Rio Capibaribe. O Rio Una é navegável, pois há o Terminal Hidroviário de Valença, onde os turistas embarcam até à vila de Morro de São Paulo, na ilha de Tinharé, através de lanchas e de catamarãs. Quando viajamos à cidade, em 16 de janeiro, fiquei realmente impressionado e emocionado por esse cenário deslumbrante.

De quebra, os bonitos calçadões que beiram o rio, ao lado da avenida principal, enfeitados com espécies vegetais típicas da região, também impressionam totalmente os turistas. O comércio de peixes e de frutos do mar, com destaque para o camarão, uma das principais atividades econômicas do local, é realizado no Centro Comercial de Pescados, no Mercado Municipal e em outros estabelecimentos de pequeno, médio e grande porte, sendo importantíssima fonte de renda e de sobrevivência da população valenciana.

Duas construções típicas do século XIX: a Câmara Municipal (no alto) e o palácio azul (acima)
(Fotos: Hugo Gonçalves)

Os palácios construídos no século XIX, em estilo neoclássico, encantam valencianos e turistas. No centro, o edifício da Câmara Municipal, inaugurado em 1849, lembra o Paço Municipal de Salvador devido a sua forma arquitetônica, com seus arcos na fachada. Outra belíssima construção oitocentista é um misterioso, porém maravilhoso, palácio azul, localizado na Praça Dr. Admar Braga Guimarães, a principal de Valença. Esse monumento serviu de hospedaria para o imperador D. Pedro II durante as viagens que ele fez à Bahia. Acima do centro, no Morro do Amparo, há o imponente Convento do Amparo, o maior templo religioso da cidade, com fachada em branco e azul.

Maior templo de Valença, o Convento do Amparo está localizado no morro de mesmo nome
(Fotos: Hugo Gonçalves)

Vista lateral da Praça Admar Braga Guimarães
(Fotos: Hugo Gonçalves)

Um dos atrativos de Valença, a Praça Admar Braga Guimarães foi totalmente reurbanizada com recursos próprios da prefeitura, em 1987. Sua entrada se dá por uma rosa-dos-ventos e, em seguida, por uma escadaria de sete degraus, pavimentada com pedra portuguesa, formando um desenho de um tabuleiro de xadrez. Ela é arborizada e perfeitamente decorada com pinturas em tons azuis, placas de concreto hexagonais e bancos de madeira. A praça, situada no centro, é preservada e bem cuidada, sendo um lugar ideal para passeios, lazer e descanso.

Na mesma praça, a criançada não pode deixar de fora, divertindo-se no Parque Mãe Zinha Magalhães, com um parquinho infantil com dois tipos de brinquedos. Além disso, o parque oferece várias atrações voltadas para as crianças. Para se hospedar durante a estadia em Valença, uma ótima opção é o Centro de Lazer do Serviço Social da Indústria (Sesi), com chalés, camping, piscina, campo de futebol, quadras poliesportivas, quadras de tênis, bar, lanchonete e restaurante, tudo cercado de puro verde.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Ensaios em poses de Jessica Sandes

Nesta postagem, gostaria de enviar a todos vocês (especialmente meninas e mulheres) um belíssimo e brilhante videoclipe fotográfico que eu fiz em homenagem a Jessica Sandes, minha querida amiga e colega do curso de Jornalismo do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), em Salvador. O título é bem sugestivo: Ensaios em poses de Jessica Sandes. Nele, mostra alguns momentos da vida dela registrados em várias fotos*. Além disso, traz vários textos que eu criei sobre a referida pessoa, que também é percussionista da banda Samba Maria, formada integralmente por mulheres, e uma excelente admiradora do cenário musical baiano.

Como trilha sonora que acompanha este primoroso trabalho audiovisual, temos três maravilhosas músicas que, afinal, têm tudo a ver com a alegre, bonita, radiante e charmosa personalidade da homenageada: Esnoba (Márcio Mello), interpretada pela Banda Moinho, liderada pela bela cantora Emanuelle Araújo (ex-vocalista do Eva); Essa boneca tem manual (Vanessa da Mata); e Papo de Maria (Carolina Magalhães), gravada pela Samba Maria. O clipe encerra, com chave de ouro, com o trecho final de Esnoba, uma das músicas favoritas de Jessica.

Este divertido vídeo é uma preciosa homenagem (atrasada) ao Dia Internacional das Mulheres, comemorado nesta segunda-feira, um dia especial a todas as incansáveis guerreiras e batalhadoras do nosso cotidiano. Pensando nisso, compartilho-o com todas as meninas, garotas e idosas ao redor do planeta, cuja população é predominantemente feminina, mas que apresenta vários preconceitos que a discriminam. Devemos valorizá-la, cuidá-la e orgulhá-la, principalmente quando falamos dos seus independentes e inalienáveis direitos, pois com eles há amor, carinho e cuidado com as "herdeiras de Eva".

*Apenas três fotos são minhas, realizadas nos estúdios da TV Bahia, durante uma visita à empresa a convite da Unijorge, em 16 de outubro de 2009. Esse dia é, coincidentemente, véspera do aniversário de Jessica, que, aos 19 anos, já é adulta por ser uma percussionista profissional.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Esperanças de um outono-inverno ainda melhor

Gradativamente, o verão está se despedindo da gente devido, principalmente, às mudanças no tempo e na temperatura, e ao encerramento dos períodos de festas - o Carnaval e numerosos espetáculos que os artistas utilizam como ensaios para a folia momesca. Quando uma nova estação chega, percebemos que os ambientes se adaptam naturalmente de acordo com a mesma. A felicidade e a diversão nas praias e nas avenidas têm um determinado momento para se esgotar, abrindo espaço para o retorno das atividades cotidianas.

Com a chegada do outono - momento de transição entre o verão e o inverno - o lindo e brilhante céu azul acompanhado de um sol forte, uma das características mais marcantes da alta estação, dá lugar a um tom acinzentado, sujeito a chuvas, ventos e trovoadas. Este último fenômeno da natureza torna-se mais intenso a partir do inverno, no qual as chuvas de frente fria são, também, muito frequentes. O outono é mais mostrado por um lado positivo, que é a estação da colheita dos frutos e, portanto, da esperança.

terça-feira, 2 de março de 2010

Comercial das Óticas Opção para o verão 2010

Agora, vou postar mais um vídeo, que refere-se a um belíssimo e colorido comercial das Óticas Opção, maior rede de óticas da Bahia, com lojas em Salvador, Lauro de Freitas e Feira de Santana, estrelando a linda cantora de axé Elaine Fernandes, sua garota-propaganda, e o gerente técnico da empresa, Rômulo Alencar. O comercial foi exibido na Band Bahia, canal 7, em 29 de janeiro de 2010.

No vídeo, Elaine, que é uma das cantoras que eu tenho mais admiração, mostra sua beleza e elegância usando óculos e anunciando com sua voz suave e alegre sobre a promoção das Óticas Opção. A referida promoção diz que, na compra de um óculos, o cliente leva um segundo óculos, independentemente do tipo de visão (simples, bifocal, progressiva e solar). Elaine explicita sua felicidade no final do anúncio, dizendo o slogan da empresa: "Óticas Opção. Aqui você não paga nada mais por isso."

P.S.: Falando em Elaine, tenho até um CD promocional da cantora que eu ganhei de brinde numa das lojas da rede, no Shopping Piedade, durante o Carnaval. Gostei muito das músicas e da belíssima voz dela! Ela canta muito bem!!!

Brizola: esquerdista polêmico

Um dos principais líderes da esquerda brasileira, Leonel de Moura Brizola (1922-2004) caracterizou-se por seu lado polêmico, sendo constantemente criticado pela grande imprensa, em particular as Organizações Globo. Quando ele faleceu, seu partido, o PDT, fazia oposição sistemática ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, durante o velório, os militantes da legenda trabalhista o chamaram de “traidor”.

Veja, a seguir, um corajoso e impactante discurso que Brizola pronunciou, dirigido ao nosso povo, durante o horário político da sua campanha eleitoral de 1994, quando ele concorreu à Presidência pela segunda vez. O resultado final daquele pleito, cujo vencedor, graças à euforia do Plano Real, era Fernando Henrique Cardoso (PSDB), indicava que ele, infelizmente, estava num constrangedor quinto lugar. No discurso abaixo, Brizola atacou, com veemência, o plano econômico que garantiu a vitória do seu mentor, dizendo que nossa economia estava sendo manipulada.

"Povo brasileiro, venho de uma família humilde do nosso interior. Abri meus caminhos lutando sempre ao lado do povo. Sofri 15 anos de exílio (1) sem renegar minhas convicções. Enfrentei e venci de armas na mão em 61 o golpe (2) contra a democracia. Só ocupei cargos pelo voto. Governei três vezes grandes estados (3). Jamais persegui ninguém. Sou o único político que tem a coragem de denunciar o monopólio da Globo. Vencer ou perder para mim não é novidade. Sempre travei-o com combate. E não cheguei aos 72 anos para ser um covarde ou oportunista. Não cabe, pois, nesta hora meias palavras.
Estas eleições se tornaram uma grande farsa. Impediram até o debate entre os candidatos. O que querem mesmo é garrotear o nosso país e entregá-lo indefeso ao poder econômico internacional. O Plano Real (4) é um golpe eleitoreiro, tudo para te enganar, meu irmão e minha irmã. O Real é tão inviável quanto foi o Cruzado (5), pois não defende a nossa economia da espoliação internacional, verdadeira causa, que é, da inflação. Depois das eleições, pouco eles importam que a inflação volte. Forças econômicas daqui e de fora tutelam o governo, a imprensa, o rádio, a televisão e as pesquisas. Formaram uma espécie de partido único para encobrir a manipulação da economia e fabricar um candidato como Fernando Henrique (6). Posse da casta dominante e aos interesses internacionais. Por outro lado, é triste o papel de Lula, que está aí para perder e dar uma aparência limpa à vitória da sujeira do dinheiro e do poder. Denuncio, pois, com veemência. Estas eleições estão viciadas pela intervenção do governo e do poder econômico. O candidato oficial está sendo imposto à nação através de manipulações entreguistas e antidemocráticas.
Minha candidatura e a de Darcy Ribeiro (7) desafiam a todos os vendilhões do Brasil. Marcar o nome de Leonel Brizola na cédula eleitoral significa um não a tudo isto, e um verdadeiro confronto no segundo turno (8). Só o voto direto e secreto terá condições de deter essa avalanche que desaba sobre o povo brasileiro. Que Deus proteja o nosso país."

Notas

(1) Leonel Brizola permaneceu exilado entre maio de 1964 e setembro de 1979, estando no Uruguai (1964-1977) e nos Estados Unidos (1977-1979). Durante esse período em que esteve fora do Brasil, Brizola também simpatizou-se com a social-democracia europeia, na qual ele tinha vários amigos.

(2) Após a renúncia do então presidente Jânio Quadros, em agosto de 1961, os militares conspiravam contra a posse do então vice-presidente João Goulart (Jango), que encontrava-se em missão oficial à China comunista. Brizola, cunhado de Jango e à época governador do Rio Grande do Sul, seu estado natal, liderou a Cadeia da Legalidade, formada por todas as estações de rádio do estado (exceto a Rádio Guaíba), para defender a posse constitucional do vice-presidente. O governo federal, naquele momento, estava entregue a Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados. Jango foi empossado em 7 de setembro sob o sistema parlamentarista, alternativa encontrada para amenizar os conflitos entre Jango e os militares. Após três gabinetes parlamentaristas, Jango passou a ter plenos poderes através de um plebiscito realizado em 3 de janeiro de 1963, no qual o presidencialismo voltou a ser o sistema de governo do Brasil.

(3) Brizola governou o Rio Grande do Sul por uma vez, pelo antigo PTB (1959-1962) e o Rio de Janeiro por duas vezes, pelo PDT (1983-1987 e 1991-1994).

(4) O Plano Real é um plano econômico implantado entre 1993 e 1994, no governo do então presidente Itamar Franco, tendo como ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Visava controlar a inflação, criando uma nova moeda, o real, que entrou em circulação a partir de 1º de julho de 1994; e promovendo uma maior abertura ao capital privado, principalmente estrangeiro, com a liberação de importações e a intensificação das privatizações. Para seus adversários, o plano tinha caráter eleitoreiro, pois favorecia a vitória de FHC à Presidência naquele ano, logo no primeiro turno.

(5) O Plano Cruzado foi um plano de estabilização econômica, anunciado em 28 de fevereiro de 1986 pelo então presidente José Sarney, tendo como ministro da Fazenda Dílson Funaro. Foi a primeira tentativa de combater a inflação, só que de maneira artificial, após a redemocratização. Mudava a moeda de cruzeiro para cruzado (Cz$ 1 = Cr$ 1000), congelava preços e salários por tempo indeterminado e incentivava o consumo de produtos em todo o país. Logo após as eleições de 15 de novembro daquele ano, nas quais o PMDB, favorecido pelo sucesso do Plano Cruzado, elegeu os governadores de todos os estados brasileiros (exceto Sergipe) e a maioria dos parlamentares para a Assembleia Nacional Constituinte, a inflação voltou a subir.

(6) Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, então senador (PSDB-SP) e ex-ministro da Fazenda, sendo um dos mentores do Plano Real, foi eleito presidente no primeiro turno, em 3 de outubro de 1994, pela coligação União, Trabalho e Progresso (PSDB-PFL-PTB), tendo como vice o pernambucano Marco Maciel (PFL, hoje senador pelo DEM). Ele derrotou o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 55% dos votos, graças ao sucesso popular do plano econômico que conseguiu acabar com a inflação.

(7) Darcy Ribeiro (1922-1997) era antropólogo, professor, ex-ministro da Educação e da Casa Civil do governo João Goulart, vice-governador do Rio de Janeiro (1983-1987), secretário da Educação do Rio de Janeiro (1983-1986) e senador (1991-1997). Foi ele quem idealizou a Universidade de Brasília (UnB), em 1961; e os Centros Integrados de Educação Pública (Cieps), escolas de tempo integral voltadas às crianças carentes, durante o primeiro governo de Brizola no Rio. Ambos os projetos revolucionaram o ensino público no país. Em 1994, Darcy candidatou-se à vice-presidência na chapa de Brizola.

(8) Brizola perdeu logo no primeiro turno nos dois pleitos em que disputou, tanto em 1989, ficando em terceiro lugar, atrás de Fernando Collor de Mello (PRN) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que conseguiram chegar ao segundo turno; quanto em 1994, ficando em quinto lugar, atrás de FHC, de Lula, do cardiologista Enéas Carneiro (“Meu nome é Enéééas!”) (Prona) e do ex-governador paulista Orestes Quércia (PMDB). E em 1998, se lançou candidato a vice-presidente numa aliança de esquerda encabeçada por Lula, e ficou em segundo lugar, atrás da chapa FHC-Maciel, que acabou sendo reeleita para mais quatro anos de mandato.