terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Agora é só descanso!

Faltam 11 dias para a chegada celebratória do Ano Novo de 2011, mas em razão do meu embarque para uma prolongada viagem de férias, eu vou, agora, abdicar-me temporariamente das atualizações deste endereço eletrônico, publicando esta singela mensagem, a última postagem deste corrente ano.

Este blog encerrará 2010 com 288 postagens publicadas, entre artigos, reportagens, notícias, notas, crônicas, entrevistas, poemas e galerias fotográficas. Neste ano, foram publicadas 226 postagens, contra 62 no ano passado.

O encerramento transitório das minhas ocupações como redator e editor deste blog, há um ano no ar, representa não somente o meu descanso e o meu lazer fora daqui do meu lar, mas também uma pausa, com o objetivo de celebrar intensamente o Natal e o Ano Novo, perante a minha família, e de fugir das turbulências da grande metrópole.

Quero desejar a vocês, leitores, um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo, repleto de sólidas e indestrutíveis realizações. Com esta mensagem sutil de despedida de 2010, a derradeira deste ano que está se findando, estou convencido e otimista nas expectativas para o próximo ano. Espero que o ano que está para nascer seja um tempo de pacificação.

Desejo a vocês um Feliz Natal e um excelente 2011, temporalidade em que as promessas de Deus deverão ser cumpridas com gratidão, mansidão e prosperidade. Retornarei ao meu ofício jornalístico em janeiro, porém eu o intensificarei em fevereiro, mês que coincide com o meu retorno em grande estilo às atividades educacionais, já que cursarei o 5º Semestre de Jornalismo.

Com minha suspensão da atualização desta página por um mês, minhas circunstâncias lúdicas serão inspiradas no verão, estação que despertará amanhã. Agora é só lazer, liberdade, corpo, alma e coração soltos, mente e corpo sãos e pura alegria. Compartilho-lhes boas festas, e espero que minha vida seja festa neste verão tão colorido e feliz.

Cordialmente, Hugo Gonçalves
Salvador, 21 de dezembro de 2010

Moderação na virtualidade

Entre móveis, papéis, livros e discos,
ao agradável som de música ambiente,
estou paciente, sereno e tranquilíssimo,
operando esta incrível máquina digital
onde ilusões se convertem em realidade.

Não arrisco uma segunda vida
como nos jogos de realidade virtual.
Só pesquiso assuntos de meu interesse,
invento textualidades embasadas
nos meus pensamentos e nos acontecimentos.

O mundo virtual, utópico, imaginário,
deve ser utilizado com parcimônia no verídico,
conciliando tempo e espaço em abundância.
Quero incrementar minha vida de realizações
continuando a sonhar, a imaginar e a batalhar.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Dilma anuncia sete ministros

Para seu futuro ministério, a presidente eleita escolheu uma mulher na Cultura, e confirmou a manutenção de três atuais ocupantes

Com informações da Agência Estado e do Portal Brasil

Mais sete nomes foram anunciados pela presidente eleita Dilma Rousseff (PT) para compor sua futura equipe ministerial. Para o Ministério da Cultura, uma mulher foi indicada pela primeira vez, a produtora cultural Ana Buarque de Hollanda, irmã do cantor e compositor Chico Buarque. Ana Buarque foi diretora de Música da Fundação Nacional de Artes (Funarte). O atual titular da Secretaria das Relações Institucionais, o petista Alexandre Padilha, assumirá a pasta da Saúde.

Com a nomeação de Padilha, o PT retornará ao comando do Ministério da Saúde, que nos últimos anos encontra-se sob a tutela do PMDB, legenda do atual ocupante, José Gomes Temporão. Dilma ratificou, além de Ana Buarque, mais duas mulheres: a economista e coordenadora de Projetos Estratégicos da Casa Civil, Tereza Campelo, para a pasta do Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, e a socióloga Luíza Bairros, atual secretária de Promoção da Igualdade da Bahia, para a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

A presidente eleita ainda nomeou o deputado federal Mário Negromonte (PP-BA), ex-líder do partido na Câmara, para o Ministério das Cidades. Negromonte foi indicado com o aval da bancada do PP na Casa e do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT). O ministro dos Esportes, o baiano Orlando Silva (PC do B), e o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, serão mantidos em seus respectivos cargos. Orlando permanecerá no cargo sob o argumento de que ele adquiriu experiência para comandar os preparativos para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.

A quantidade de nomes confirmados para o ministério do governo Dilma agora chega a 31, com a indicação dos sete. Confira, a seguir, a nova configuração da equipe, passível de alterações ou ampliações.

Futuros ministros do governo Dilma (até agora, lista incompleta)

Advocacia-Geral da União: Luís Inácio Adams*
Agricultura, Pecuária e Abastecimento: Wagner Rossi (PMDB-SP)*
Banco Central: Alexandre Tombini
Casa Civil: deputado Antônio Palocci (PT-SP)
Chefia de Gabinete: Giles Azevedo
Cidades: deputado Mário Negromonte (PP-BA)
Ciência e Tecnologia: senador Aloízio Mercadante (PT-SP)
Comunicações: Paulo Bernardo (PT-PR)
Cultura: Ana Buarque de Hollanda
Defesa: Nelson Jobim (PMDB-RS)*
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior: Fernando Pimentel (PT-MG)
Desenvolvimento Social e Combate à Fome: Tereza Campelo (PT-RS)
Educação: Fernando Haddad (PT-SP)*
Esportes: Orlando Silva (PC do B-SP)*
Fazenda: Guido Mantega*
Justiça: deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP)
Meio Ambiente: Izabella Teixeira*
Minas e Energia: senador Edison Lobão (PMDB-MA)**
Pesca e Aquicultura: senadora Ideli Salvatti (PT-SC)
Planejamento, Orçamento e Gestão: Miriam Belchior
Previdência Social: senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN)
Relações Exteriores: Antônio Patriota
Saúde: Alexandre Padilha (PT-SP)
Secretaria de Assuntos Estratégicos: Moreira Franco (PMDB-RJ)
Secretaria de Comunicação Social: Helena Chagas
Secretaria Especial de Direitos Humanos: deputada Maria do Rosário (PT-RS)
Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial: Luíza Bairros (PT-BA)
Secretaria-Geral da Presidência: Gilberto Carvalho (PT-SP)
Trabalho e Emprego: Carlos Lupi (PDT-RJ)*
Turismo: deputado Pedro Novais (PMDB-MA)
Transportes: senador Alfredo Nascimento (PR-AM)**

*Continuarão no cargo
**Serão reconduzidos ao cargo

domingo, 19 de dezembro de 2010

Pedra fundamental da Une será lançada

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará de solenidade simbólica no terreno onde será erguido o novo edifício-sede da entidade, no Rio

Com informações da Agência Estado

Será lançada simbolicamente, nesta segunda-feira, dia 20, a partir das 17 horas, a pedra fundamental para a construção do novo edifício-sede conjunto da União Nacional dos Estudantes (Une) e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), na Praia do Flamengo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A solenidade terá a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de artistas, de intelectuais e de outras autoridades.

Todos os ex-presidentes da Une deverão comparecer à solenidade, incluindo o ex-governador de São Paulo e candidato derrotado à Presidência da República, José Serra (PSDB). Serra foi o gestor da entidade quando veio à tona o golpe militar de 1964, que destituiu o então presidente João Goulart. Com o advento do novo regime, extinguiu-se a Une, tendo seu prédio metralhado e obrigando seu então dirigente, à época com 22 anos, a se exilar.

Orçamento milionário

A imponente obra, orçada em R$ 44,6 milhões, foi projetada pelo escritório do arquiteto Oscar Niemeyer, que completou 103 anos nesta quarta-feira. O valor será bancado com a indenização que a Une recebeu do governo federal pelo fato de sua antiga sede ter sido destruída por incêndio no fatídico 1º de abril de 1964, um dia após o golpe.

A primeira parcela da indenização, como reparação pelos danos causados à organização estudantil no período ditatorial (1964-1985), foi liberada nesta sexta-feira, dia 17, pelo presidente Lula, no valor de R$ 30 milhões. Todavia, os R$ 14,6 milhões remanescentes estarão inseridos no Orçamento de 2011. Com o início das obras previsto para o primeiro semestre do próximo ano, a nova sede da Une será concluída em 2013.

Memorial

O complexo da Une e da Ubes, concebido gratuitamente por Niemeyer, será integrado por um prédio principal de 13 andares, uma praça aberta e um anfiteatro. Além das dependências administrativas, a nova sede das instituições abrigará um memorial do movimento estudantil brasileiro e centros culturais. Segundo a entidade, com a edificação do novo espaço, o departamento de ouvidoria deverá ser ampliado para possibilitar um amplo atendimento e defesa de estudantes.

Doado à entidade em agosto de 1942 pelo então presidente Getúlio Vargas, seu antigo edifício-sede, no mesmo terreno onde o novo será erguido, na Praia do Flamengo, anteriormente, era o Clube Germânia, reduto de manifestantes nazistas. A sede original da Une concentrava importantes campanhas e projetos do movimento estudantil brasileiro até sua invasão, seu saque e seu incêndio de 1964.

Cláudia Leitte é a convidada da Timbalada

Grupo liderado pelo cantor e compositor Denny recebe cantora no ensaio, hoje, no Museu du Ritmo

Com informações de A Tarde On Line e do Jornal da Mídia

Segundo Denny, cantar com Cláudia Leitte no evento será uma honra
(Fotos: Walter de Carvalho e Thiago Teixeira/Agência A Tarde)

O segundo ensaio da Timbalada neste verão, que será realizado às 19 horas deste domingo, no Museu du Ritmo, no Comércio, terá a participação da cantora Cláudia Leitte. A abertura dos portões da casa de espetáculos empresariada pelo músico e compositor Carlinhos Brown, mentor da banda, será em uma hora de antecedência.

“Para mim vai ser uma honra cantar pela primeira vez no ensaio da Timba com Claudinha”, emociona o vocalista Denny ao site Jornal da Mídia.

Liderados pelo cantor, os timbaleiros executarão, no repertório, os sucessos mais importantes da carreira, incluindo a nova música de trabalho, a romântica Adão e Eva, composta por Denny e pelo músico Paulinho Caldas, irmão de Luiz Caldas, que está sendo tocada nas rádios.

Campanha feita por fãs

Preparando-se para o Carnaval de 2011, os timbaleiros estrearam a sua temporada de ensaios, de periodicidade quinzenal, no dia 5, com o lançamento da campanha Loukos (sic) por Timbalada. No site da campanha, os fãs da Timbalada estão enviando vídeos com declarações de amor ao grupo até a folia.

A invenção da baianidade e o jingle da Rede Bahia para o verão 2009

Camila Barreto, Hugo Gonçalves, Luís Victa, Taísa Conrado e Thyara Araújo
Estudantes de Jornalismo do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge)
Artigo acadêmico orientado pela professora Silvana Moura, docente da disciplina Cultura Brasileira e Baiana

1. Introdução

O jingle Rede Verão da Bahia, nosso objeto de estudo para este artigo e para o seminário, foi veiculado em todas as emissoras de televisão e rádio da Rede Bahia entre o final de 2008 e o início de 2009, período que corresponde à alta estação no Hemisfério Sul. Composto pelo baiano Alexandre Leão, o tema utilizado pelo maior grupo de comunicações do estado foi interpretado pela cantora Cláudia Leitte.

A divulgação do jingle Rede Verão da Bahia tinha como objetivos enaltecer a beleza e os encantos da Bahia, partindo do pressuposto de que todos os baianos estão vivendo às mil maravilhas, mencionando várias atividades rotineiras que os eles fazem – curtir o mar e o pôr do sol, se divertir em festivais de música, participar das festas populares sagradas, prática comum no nosso calendário.

Além disso, a música fomenta a divulgação de outros produtos promovidos pelo conglomerado, a exemplo do jornal Correio* e do Festival de Verão Salvador, um dos grandes marcos da nossa indústria do entretenimento. O vídeo que tem esse jingle como trilha sonora, com duração de 1 minuto, foi feito pela produtora Goa Pictures.

2. Discurso da baianidade

2.1. Religiosidade e festas

Ao buscar pelas formas de agir mais frequentemente referidas como típicas dos baianos, a escolha da autora, Agnes Mariano, foi iniciar falando das práticas religiosas.

"O motivo não é aleatório: a referência a este tipo de prática cultural é uma presença constante nas canções da primeira metade do século XX. Parece que, se a transmissão dos valores e conhecimentos antigos parece vir sempre acompanhada da repetição das práticas tradicionais, isto se aplica com intensidade especial quando a religiosidade é referida." (MARIANO, 2009, pp. 36)
O jingle Rede Verão da Bahia mostra as práticas religiosas, como a Festa de Iemanjá, que acontece anualmente no dia 2 de fevereiro, e a Lavagem do Senhor do Bonfim, que reúnem milhares de pessoas com um propósito básico: pedir proteção, agradecer e festejar.

No livro A invenção da baianidade, Mariano (2009) faz referência a essas práticas religiosas, onde são bem mais frequentes saudações de manifestações exteriores, visíveis, públicas, do que de forma individual, interior.

A Bahia é marcada pelo forte sincretismo religioso que pode ser percebido nas festas religiosas em que combinam a tradição católica com danças, batuques e degustação, bem ao modo das liturgias africanas.

As festas do Bonfim e de Iemanjá possuem uma grande expressividade até os dias de hoje, envolvendo procissão marítima e muitos pedidos de proteção.

Quanto à festa do Bonfim, segue a frente do enorme cortejo que caminha por oito quilômetros até a igreja, um grupo de baianas carregando jarros de água perfumada que usam para lavar as escadarias da igreja. Água que, para alguns, também seria capaz de lavar as mágoas do coração dos homens.

O Senhor do Bonfim é o protetor dos baianos, segundo o compositor Eduardo Alfredo Guimarães, após dois grandes acontecimentos do século XIX:





"Em 11 de março de 1842 foi realizada uma procissão pela cidade com a imagem do Senhor do Bonfim, em função de uma prolongada seca que assolava Salvador e outras cidades. Segundo relatos da época, em meio à procissão iniciou-se uma chuva que durou horas.

O outro milagre teria acontecido em 1855, quando uma epidemia de cólera-morbus afetava toda a província. No dia 3 de setembro fez-se uma nova procissão pela cidade com a imagem do santo. Garantem alguns que quando a imagem retorna à igreja, a epidemia já estava extinta." (Idem, 2009, pp. 41-42)
Em relação ao sincretismo religioso, Jorge Amado dizia que a celebração da festa do Bonfim incomodava a igreja devido a forma de homenagear o santo, que é sincretizado com o orixá Oxalá. Daí, a multidão de pessoas com roupas brancas, e caminhada com jarros de água para lavar o chão, como acontece na cerimônia do candomblé “Águas de Oxalá”.

O verso do jingle que diz “E quem tem fé vai até a pé” refere-se à importância do ato externo como tradutor de sentimentos que torna-se ainda mais explícito, ao reunir um grande contingente populacional - aludindo à caminhada de oito quilômetros pelas ruas da Cidade Baixa que os fiéis, de todas as idades, enfrentam no dia da festa em louvação ao Senhor do Bonfim.

Na Lavagem do Bonfim convivem, unem-se e digladiam-se fiéis do Candomblé, católicos, baianos e turistas em busca de fé, prazer e diversão.

A Festa de Iemanjá intensificou-se a partir de 1924, quando, no dia 2 de fevereiro, um pequeno grupo de pescadores do Rio Vermelho organizou uma festa em louvor a Iemanjá. Hoje, a homenagem a Iemanjá tornou-se um dos ícones da baianidade.

Em meio a tantas outras festas tradicionais religiosas baianas, podemos citar algumas: Festa da Conceição da Praia, Procissão do Senhor Bom Jesus dos Navegantes, Terno de Reis, Lavagem do Bonfim, Festa do Divino Espírito Santo, Festa de São Lázaro ou de São Roque, Caruru de São Cosme e São Damião.

Já que as festas e a religiosidade mesclam-se com naturalidade, reafirmando a proximidade entre os âmbitos do sagrado e profano, podemos já abordar o Carnaval como a principal festa dos baianos.

Efetivamente, as festas têm uma presença marcante na cidade, sempre conquistando uma participação popular expressiva, mesmo quando partem de uma motivação fundamentalmente religiosa. Elas desempenham um papel-chave também como atrativo turístico, ao lado das belezas naturais e do patrimônio histórico da cidade.

O Carnaval abre espaço para a criatividade, para a irreverência e para o rompimento com as normas sociais de comportamento. Ele motiva a realização de numerosos espetáculos, tais como ensaios e shows diversos que atraem multidões e trazem para a capital baiana milhares de turistas para desfrutá-lo com antecedência.

Por todos esses motivos, o baiano é visto como povo festeiro, alegre e hospitaleiro e que, mesmo em momentos difíceis, procura não se deixar “abater” facilmente.

2.2. Hábitos alimentares

Mariano (2009) cita que, segundo Roberto da Matta (1997), “a comida (com suas possibilidades simbólicas) permite realizar uma importante mediação entre cabeça e barriga, entre corpo e alma, permitindo operar simultaneamente com uma série de códigos culturais que normalmente estão separados”.

O baiano aprecia o preparo, a venda e o consumo de alimentos em locais públicos e faz parte do seu cotidiano as confraternizações gastronômicas. Assim é identificado, no vídeo publicitário, o acarajé, iguaria símbolo dessas “comidas de rua”, de origem africana. Esse costume é herança oriunda dos rituais de candomblé, da elaboração e oferecimento de alimentos aos orixás. A tradição da alimentação africanizada perdurou e faz parte da mesa dos baianos. Odorico Tavares (1951:132) traz um comentário sobre a influência negra nesse assunto:

"Quanto à sua origem, não é segredo nem novidade que foi o negro quem nos trouxe os elementos mais fortemente integrantes da cozinha baiana. Artur Ramos ensina que “foi o negro sudanês, principalmente, quem introduziu no Brasil o azeite de coco de dendê (Elais guineensis), o camarão seco, a pimenta malagueta, o inhame, as várias folhas para preparo de molhos, condimentos e pratos. E ainda modificou com seus processos a cozinha indígena ou portuguesa.” E se houve certa resistência do elemento branco para incorporar à sua cultura tais elementos africanos, essas barreiras cederam “até que no século XIX o caruru, o vatapá, o acarajé já se podiam considerar pratos nacionais." (TAVARES, 1951, p. 132 apud idem, 2009)
As comidas baianas de origem africana são em geral bastante trabalhosas no preparo, algumas seguem conselhos da tradição, como a abstinência no uso de ingredientes industrializados.

Os hábitos alimentares fazem também referências às frutas tropicais, únicas da terra, e os pratos tipicamente baianos estão bastante ligados aos frutos do mar, onde a relação além da religiosidade é bastante intensa. Daí temos as moquecas e as peixadas. Entre os condimentos mais famosos estão a pimenta, o dendê, o camarão, o gengibre, o amendoim e a cebola.

A culinária baiana está atrelada a ideia de condimentar em abundância. O sabor marcante, peculiar e acentuado são traços únicos e considerados de extrema importância para se reconhecer um prato típico.

2.3. Corporeidade

Refere-se à particularidade dos baianos na destreza, nos movimentos graciosos, na habilidade corporal e no gingado próprio. Esses aspectos reúnem sedução como ponto forte, que traduz-se na forma de andar, de dançar. O desempenho físico é marcado por uma desenvoltura e desinibição especialmente das mulheres.

A expressão corporal é mostrada através do samba, onde o rebolado da baiana é explorado, na exibição de uma coreografia sedutora, onde há um jogo de sensualidade presente intrínseco do povo baiano.

A dança e as festas são responsáveis por desenvolverem esse atributo. No jingle, há a presença de um balanço, um gingado mais reservado, no trecho “Uma levada, um axé”, sendo explicitado que nem precisa de muito barulho para o baiano começar a mexer o corpo.

A utilização da corporeidade, no entanto, desenvolve muitas simbologias, como a interpretação da dança como um convite ao sexo. A sensualidade está presente também em elementos como olhares e posturas.

Assim como na culinária, o Candomblé é fonte de inspiração para a dança popular. Está ligado ao contato com as divindades. Mariano (2009) diz que “dançar para o orixá é uma honra reservada apenas aos iniciados e a comprovação de um conhecimento”.

2.4. A personalidade baiana

“O modo baiano de ser” pode ser observado sob aspectos físicos e psicológicos. Seriam as formas de vestir, a aparência e os trejeitos baianos: coragem, disposição de espírito e virilidade. De modo geral, os baianos típicos são essencialmente simpáticos, afáveis, sedutores, volúveis, espertos, desinibidos e inteligentes.

Mariano (2009) faz uma breve separação desses aspectos:

Nas relações afetivas: o carinho, certa passionalidade e inconstância.

Nas relações econômicas e profissionais: o despojamento, a esperteza, a inteligência, apesar da condição sempre subalterna.

Nas relações sociais: a desinibição e simpatia.

A respeito do aspecto físico, há várias menções da beleza da mulher negra em relação as suas vestes. As mulheres baianas abusam de adereços, enfeites, roupas que definam sua apreciada forma física e despertam novamente a ideia de sedução.

Nesse contexto contraditório, temos a figura da “baiana”, traje típico que, nas escolas de samba, é representada como cheia de charme e elegância. O traje, antigamente muito visto, hoje é restrito aos terreiros de candomblé, vendedoras de acarajé e jovens fantasiadas para recepção de turistas. O traje é totalmente oposto à sensualidade tão presente.

Na segunda metade do século XX, o espírito e as maneiras de agir foram o foco do discurso da baianidade. Um importante componente aparece com mais força: a alegria.

Os baianos são selados por um bom humor, disposição para celebrar e otimismo na resolução de problemas. A alegria que o baiano possui é contagiante, irradiando-o. Muitas vezes o motivo é desconhecido, mas é evidenciado como marca identitária. O sorriso estampado na face do povo baiano é um registro do seu esplêndido estado de espírito.

2.5. Hereditariedade, obediência e apego à tradição

O vídeo da propaganda do verão 2009 da Rede Bahia, cantado pela baiana (de adoção, embora seja nascida em São Gonçalo, no Rio de Janeiro) Cláudia Leitte, manda a mensagem em sua letra o que há de melhor na Bahia e em ser baiano.

Podem ser identificados alguns quesitos abordados no terceiro capítulo do livro A Invenção da baianidade. De acordo com o Blog do Gutemberg (2009), “o discurso da baianidade constrói uma explicação do mundo e define um código de conduta. O discurso indica valores, princípios, crenças, normas de conduta, habilidades, aponta problemas, arrisca justificativas, soluções, alimenta esperanças”.

Objetivando mais a mensagem da letra do jingle da peça publicitária, a música dá ênfase à melhor época do ano na Bahia, o verão. O trecho “O que é o verão na Bahia?” é como se fosse um questionamento dos brasileiros de outros estados que não sabem o que tem de bom em ser baiano e por consequência não sabem o grau de felicidade que as atrações da Bahia podem proporcionar.

Respectivamente obtém-se a resposta “Um momento em que o mundo é mais lindo/Um amor, um estado de graça”. É neste momento que pode ser visto o quesito hereditariedade no livro de Mariano, onde a autora cita que “Baiano quer dizer quem nasce na Bahia, quem teve este alto privilégio, mas significa também um estado de espírito, certa concepção de vida, quase uma filosofia” (2009).

O jingle, além de abordar o que de bom o estado proporciona, também faz uma breve referência às crenças e às tradições religiosas, nos versos “Na Sereia e também no Bonfim/Uma festa que nunca tem fim”. É quando se trata das festas mais tradicionais do povo baiano, onde, segundo Mariano, “o dever de obedecer aos costumes e repetir tradição, é para o baiano algo natural ritos e crenças religiosas precisam ser cultivadas para sobreviverem, é o apego com as raízes, o lugar onde nasceu”.

2.6. Prazer

A peça publicitária da Rede Bahia passa a ideia de um prazer generalizado por todos os cantos. As manifestações do “império dos sentidos”, conceituadas por Mariano (2009), são observadas através das imagens e frases, que denotam alegria constante, alimentada pelo BEM-ESTAR FÍSICO, proporcionado pelo CLIMA quente e pela NATUREZA tropical.

As cenas de cidades do interior nos remetem a QUINTAIS, com clima ameno e familiar. O ritmo peculiar de vida do povo baiano se traduz como um ensaio para o EQUILÍBRIO MENTAL.

"Mente sadia é corpo saudável, dizem os sábios. No discurso da baianidade, essa ideia também parece ser importante, pois as opções que conduzem à alegria, otimismo e ausência de tensões desfrutam de grande prestígio. Nessa direção, um dos temas mais referidos – mais até nas anedotas sobre os baianos do que nas canções, é a descrição de um ritmo de vida peculiar, que não se rende a pressa e às obrigações do mundo, moderno capitalista, onde time is money." (Idem, 2009, p. 180)
A impressão que se tem ao analisar o trecho “Uma festa que nunca tem fim”, é que algum desavisado acreditaria que na Bahia tudo são festas, felicidade e prazer. Mulheres desnudas e a sensualidade à flor da pele também são expressas por imagens.

O Carnaval e os festivais de música ditam o clima de PERMISSIVIDADE, do qual provocasse possíveis visitantes a estarem presentes no verão da Bahia, para desfrutar de todas essas permissões, aquecendo o mercado turístico. Em seu exagero característico, o verão soteropolitano é exaltado na propaganda, perpetuando o estereótipo do povo festeiro, ocioso e preguiçoso.
"As festas como momentos onde exageros e transgressões aparecem como componentes bem aceitos e até estimulados – são associados à baianidade de forma também exagerada.


Um exagero em que se igualam baianos e não baianos, pois, se estes últimos falam na aptidão e disposição dos baianos para a festa – seja com simpatia ou ironia – os próprios baianos também colaboram para difundir a mesma imagem [...]" (Idem, 2009, pp. 183)
3. Conclusão

Neste trabalho, com ênfase para o vídeo aqui apresentado, foi possível identificar os elementos constituintes da baianidade, todos eles explícitos, conforme a obra A invenção da baianidade, apesar de o jingle não estar citado nela.

Vemos a importância das manifestações turísticas e culturais – destacando a música abordada pelos festivais –, da culinária e do jeito baiano como uma acentuada estratégia de divulgação da Bahia nos meios de comunicação pertinentes à Rede Bahia, de propriedade da família Magalhães, que dominou por muitos anos a política no estado. O chefe político era uma espécie de grande artífice e ideólogo da identidade cultural local, fenômeno que nós chamamos de baianidade.

Assim expresso nas cenas do comercial, tendo sua trilha sonora como pano de fundo, exalta o lado bom, o belo, da Bahia, trazendo-nos estética e psicologicamente uma imagem positiva de Salvador e das principais regiões interioranas, a exemplo da Chapada Diamantina e do Extremo Sul, mais precisamente Porto Seguro, a gênese do Brasil.

Valendo-se de recursos visuais impactantes, o vídeo tem como propósito inicial, justamente, retomar a mesma imagem positiva do estado na alta estação do ano. As características que estigmatizam o dia a dia do povo baiano, como a religiosidade, a festividade, a culinária, a corporeidade, o pioneirismo, a hereditariedade e o prazer, estão entrelaçadas entre si, formando o seu complexo universo mistificador.

Rede Verão da Bahia

Composição: Alexandre Leão
Intérprete: Cláudia Leitte

O que é o verão da Bahia?
Um mergulho no Porto da Barra
Um momento em que o mundo é mais lindo
Um amor, um estado de graça

Um fim de tarde no Farol, se despedindo do Sol
Pra noite explodir em som, em cor e luz

O que é o verão da Bahia?
É fazer um pedido pra mim
Na Sereia e também no Bonfim
Uma festa que nunca tem fim

Um gosto de acarajé,
Uma levada, um axé,
E quem tem fé vai até a pé, a pé...

A Rede Verão da Bahia
É a Rede Bahia
É a Rede Bahia



Referências

GUTEMBERG. A invenção da baianidade (2). Salvador, 16 set. 2009. Disponível em: http://blogdogutemberg.blogspot.com/2009/09/invencao-da-baianidade-2.html. Acesso em: 29 nov. 2010.

MARIANO, Agnes. A invenção da baianidade. São Paulo: Annablume, 2009.

REDE Bahia - Verão 2009: jingle. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=77uY0BO3eVU&feature=related.

Social ou complementar: como prever?

Muitos cidadãos brasileiros, de acordo com a nossa Constituição, têm o efetivo direito aos avanços sociais, como a educação, à cultura, à saúde, ao lazer, à alimentação, à habitação e à aposentadoria. Contudo, grande parte deles não contemplam essas conquistas por viverem em zonas onde as adversidades falam mais alto. Fator de extrema superioridade para a nossa população, a previdência, seja social (oficial, pública) ou privada (complementar), deve ser um pleno direito de todos. Sem previdência, como seria a vida das pessoas que não a utilizam?

Previdência é a faculdade de prever, de planejar, de programar o futuro, tornando-o decente. É o que muitos de nós estão fazendo, cuidando dos seus projetos de vida e das realizações dos mesmos, pensando no aperfeiçoamento da saúde do titular e de seus dependentes para garantir a nossa sobrevivência. Todo o processo previdenciário inicia-se arduamente, particularmente o público, domando a assiduidade das filas nos postos de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social, o famigerado INSS. Para seus dependentes, dor-de-cabeça e dor-de cotovelo inibem os atendimentos.

A previdência pública, mais conhecida pela denominação de Previdência Social, é mantida pelo Governo Federal, e válida para todos os trabalhadores brasileiros, automaticamente segurados dessa modalidade. Quanto à previdência privada, ela assegura ao trabalhador uma renda maior que a garantida pela Previdência Social, sendo também conhecida como previdência complementar. Essa categoria é administrada por organizações empresariais particulares por meio de seus respectivos fundos de pensão.

Surgido no Brasil na década de 60, objetivando sanar os problemas laborativos de funcionários das corporações estatais, os fundos de pensão foram instituídos com base nas experiências bem-sucedidas dos países do Primeiro Mundo (Estados Unidos, Europa e Japão), onde havia conseguido solucionar o dilema da incapacidade de garantir melhores qualidades vitais a seus habitantes. O mesmo dilema é visto com inércia aqui no Brasil, entretanto está sendo enfrentado pelos dependentes do INSS. Infelizmente, trabalhadores e familiares que dependem de benefícios do INSS não estão obtendo uma vida vantajosa.

Contrapondo-se aos beneficiários da Previdência Social, aqueles que optam pela complementar logram uma renda mensal no futuro, principalmente no período da aposentadoria, por se tratar de um sistema acumulativo de recursos. Há duas modalidades de previdência complementar: a aberta e a fechada. A previdência complementar aberta é um plano que qualquer segurado pode ingressar, mediante subscrição de risco pelo segurador, e a fechada, como o próprio nome sugere, destina-se somente a funcionários vinculados às corporações, sindicatos ou entidades classistas.

Quem depende dos excelentes sistemas previdenciários merece uma vida longeva e tranquila, uma aposentadoria exitosa e uma saúde permanente. Afinal de contas, a previdência, por ser um pleno direito dos trabalhadores, delineia e determina o horizonte dos segurados. Num país de tamanhos obstáculos socioeconômicos, ser atendido por sistemas de previdência privada é sinônimo de viver melhor, mas as vantagens oferecidas pela Previdência Social, como se sabe, é uma celeuma para o nosso trabalhador, cidadão comum.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Versos natalinos

Coisas mundanas
são aquelas que não provêm de Deus,
não possuindo o seu perpétuo beneplácito.

São aquelas coisas
cuja eternidade é superficialmente
passageira, curta, fugaz.

Mesmo vivendo eternamente,
não nos preocupamos
com o passar do tempo
tampouco com as solicitudes da vida.

Eu, assim como cada um de nós
que habita este bendito planeta,
peço glórias infinitas ao Senhor
para que nós vivêssemos para todo o sempre.

Sem glória, não haveria conciliação
entre reinos e nações,
hoje disputando, por seus interesses,
através de contendas.

Jesus Cristo é a nossa salvação,
o nosso infatigável refúgio e a nossa fortaleza,
sendo o guardião de todos nós.

É Ele quem nos dá abrigo, sustentação,
amparo e proteção quando há causas
que são impossíveis de serem concretizadas.

Sinto-me protegido,
pela graça de Deus
e pelos milagres concebidos por
nosso Senhor e Salvador.

Desejamos a Ti
um Feliz e sagrado Natal,
o mais sagrado e cristão possível,
rejeitando sua face comercial.

Tempo de comemorar
o Teu nascimento, a Tua gênese,
a Tua vinda para nos salvar.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Nova música de Netinho chega às rádios

De autoria de Manno Góes e Jorge Zarath, Cidade elétrica retrata uma Salvador festeira, e será uma das apostas do próximo Carnaval

Com informações de Eder Luís Santana, de A Tarde, e da assessoria de imprensa de Netinho

Cidade elétrica, nova música de trabalho do cantor Netinho, chegou às rádios de todo o Brasil nesta sexta-feira. Composta por Manno Góes, baixista do grupo Jammil e Uma Noites, e pelo cantor Jorge Zarath, a música integra o CD e DVD Netinho e a Caixa Mágica, gravado ao vivo em Aracaju, em setembro do ano passado, e lançado em agosto, e fora anteriormente interpretada por Cláudia Leitte e Daniela Mercury.

A canção é a terceira faixa de trabalho do último álbum de Netinho, depois de Extrapolou, hit do Carnaval passado, e Apertadinho, e será sucesso no Carnaval de 2011. Segundo a assessoria de imprensa do artista, Cidade elétrica "retrata a Salvador festeira, solar, de todas as crenças e (todos os) cantos". É a cidade inteira com sua eletricidade em plena disposição...

Cidade elétrica
(Manno Góes e Jorge Zarath)

Fibra lúdica, energia solar
Festa histórica
Ótica da crença
Tudo aqui ligado
Aqui tudo é dança
Fevereiro apaixonado
Tudo aqui balança

Chuveiro de água benta
Pra lavagem de escada
Alma lavada de fé
Um choque de alegria
Na força da fantasia
Axé, axé, axé

Cidade elétrica, cidade elétrica
Nova, antiga, ginga, toca
Liga, liga, liga, liga

Cidade elétrica, cidade elétrica
Usina de emoção
Plug, poesia e canção
Na estética, na prática, na mágica
Na corrente do coração

Dilma será diplomada em cerimônia breve

Cerimônia de diplomação da presidente eleita ocorrerá hoje no TSE com discurso baseado nas ideias do ex-presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln

Com informações da Agência Estado e do portal R7

Depois de ler um livro biográfico do ex-presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln, que governou o país de 1861 a 1865, a presidente eleita Dilma Rousseff (PT), decidiu que o discurso da sua diplomação deverá ser inspirado nos ideais de um dos eminentes líderes estadunidenses. A cerimônia de diplomação acontecerá nesta sexta-feira, às 17 h, no plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, com duração de uma hora. O presidente do TSE, ministro Ricardo Lewandowski, abrirá a solenidade.

O objetivo da diplomação é certificar a vitória dos candidatos nas urnas e tornar a presidente e o vice-presidente eleitos aptos a serem empossados no dia 1º de janeiro de 2011, no Congresso Nacional. Além de Dilma, o deputado federal Michel Temer (PMDB-SP), presidente da Câmara dos Deputados, também será diplomado vice-presidente da República.

Estarão presentes, na festa, apenas convidados, entre familiares e amigos dos futuros diplomados, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros do STF, do TSE e dos demais tribunais superiores. Embora o total de convidados fosse 250, somente 100 deles assistirão à sessão solene no plenário, por ser o limite máximo de pessoas comportado no local, e os demais serão transferidos para o auditório, localizado no segundo andar do edifício-sede da corte. Das 250 pessoas, Dilma e Temer convidaram somente 34.

Curto pronunciamento

Lincoln, em 19 de novembro de 1863, lançou a ideia de transformar os Estados Unidos numa grande nação, durante a cerimônia de inauguração do Cemitério Militar da cidade de Gettysburg, no estado da Pensilvânia, onde ocorrera uma batalha com 7 mil mortos que definiria os rumos da Guerra de Secessão. Ao contrário de Lincoln, que discursou pronunciando 272 palavras, Dilma falará brevemente no TSE.

No célebre Discurso de Gettysburg, Lincoln afirmou que os pais de todos os participantes da Guerra de Secessão, vivos e mortos, tinham concebido uma nação consagrada, valendo-se do princípio da igualdade entre todos. Seguindo esse ideal, eles tinham dado a vida para que os Estados Unidos sobrevivessem. Dilma pretende discursar que foi eleita presidente de todos os brasileiros, e não exclusivamente daqueles que votaram nela. Também lutará sem tréguas para combater a pobreza e transformar o Brasil num país em que todos possam se orgulhar do seu futuro.

Introduzida pela pomposa execução do Hino Nacional, a cerimônia de diplomação de Dilma será encerrada com um rápido pronunciamento do presidente do TSE, Ricardo Lewandowski.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Secretária fiel a Cristo

Entrevista: Deise Luce Sousa

Secretária financeira da Faculdade Montessoriano conta como ela chegou a trabalhar na empresa e um pouco da sua trajetória pessoal e profissional

Deise Luce: "Cada dia, aprendo mais e estou muito satisfeita"
(Foto: Hugo Gonçalves)

Filha de uma dona-de-casa e de um aposentado, falecido há 14 anos, a secretária financeira da Faculdade Montessoriano de Salvador (Fama), na Boca do Rio, Deise Luce Sousa, de 39 anos, jamais foi casada, mas teve um rápido relacionamento com um técnico de segurança. Esse caso amigável gerou seu filho único, João Victor, de 14 anos.

A secretária, que chegará aos 40 anos no dia 5 de abril do próximo ano, sempre trabalhava na área de atendimento. Seu primeiro emprego aconteceu quando ela tinha 20 anos, como assistente de crédito num consórcio de eletrodomésticos no Comércio. Depois, ela "passeou" por diversos empregadores, até "estacionar" na Fama, em 2005.

Deise Luce, evangélica da Assembleia de Deus em Santa Mônica, bairro onde ela mora, converteu à denominação durante uma visita onde ela se identificou com a doutrina. Antes, era católica. Ela busca sua fé e sua gratidão em Jesus seguindo os mandamentos. Tem sete irmãos, todos casados.

Como você escolheu a Fama para trabalhar?

Deise Luce Sousa - Eu estava à procura de um novo emprego, onde eu coloquei um currículo no setor pessoal da empresa, e fui chamada dentro de 5 meses. E sem saber qual função iria exercer, fui passando por alguns setores, onde "estacionei" no financeiro. Com pouca experiência na área, o meu patrão (Juracy Matos, diretor do Colégio Montessoriano e da Fama) me aceitou e me apoiou, me ajudando no desempenho das funções. O meu patrão, muito dedicado, atencioso e paciente, me ajudou a ser uma assistente financeira, exercendo essa função há 5 anos nessa empresa. Cada dia, aprendo mais e estou muito satisfeita. Agradeço também a Meire Costa, atualmente minha gerente financeira, que também me ajudou a andar quando ainda estava "engatinhando".

Qual foi a empresa onde você iniciou sua trajetória profissional? Quantos anos você tinha e qual cargo você exerceu?

D. L. S. - Embel Prosdócimo, consórcio de eletrodomésticos, no Comércio, aos 20 anos, como assistente de crédito.

Você sempre atuou na área de atendimento?

D. L. S. - Sempre. Atendimento pessoal aos clientes, que não era ao telefone. Era atendimento particular, corpo a corpo.

Para quais clientes famosos você atendeu? Em qual corporação?

D. L. S. - Denny, da Timbalada, Beto Jamaica e Compadre Washington, do É o Tchan, Sidney Magal, Pepeu Gomes e a mãe de Ivete Sangalo (Dona Maria Ivete, falecida em agosto de 2001), que agora já morreu. Na empresa Depósito de Sofá, no Capemi (edifício comercial ao lado do Shopping Iguatemi, na Avenida ACM), para compra de móveis e decorações.

Como seu nome foi criado e por que seus pais te batizaram com esse nome?

D. L. S. - Meu nome foi tirado de uma atriz americana, Daisy Lucy. Em homenagem a ela, porque ela foi estrela de um programa de televisão, um seriado de comédia.

Como você busca sua gratidão em Jesus Cristo?

D. L. S. - Tentando seguir os mandamentos, sendo obediente.

Quantas vezes por dia você frequenta a igreja?

D. L. S. Não frequento todo dia não.

Quais cantores você mais gosta de ouvir?

D. L. S. - Lázaro (ex-Olodum), Pastor Cirilo, André e Ana Paula Valadão, do Diante do Trono (ministério de louvor de Belo Horizonte).

Você lê livros de quais escritores?

D. L. S. - Augusto Cury (psiquiatra, escreve vários títulos de autoajuda).

Quais as suas perspectivas para 2011?

D. L. S. - Estudar para um concurso federal, na área financeira.

Livro aprofunda conhecimento em telecomunicações

Foi lançado nesta segunda-feira, na Reitoria da Ufba, o livro Radiodifusão e telecomunicações, de Chialini Barros, no qual a mestra analisa a implantação da TV digital no Brasil

Obra resulta de dissertação de mestrado da professora na Ufba

Os fatores que permearam as circunstâncias definidoras do padrão brasileiro do sinal digital da televisão são pormenorizados no livro Radiodifusão e telecomunicações: o paradoxo da desvinculação normativa no Brasil, da professora Chialini Torquato Gonçalves de Barros. Publicada pela Editora da Universidade Federal da Bahia (Edufba), a obra foi lançada nesta segunda-feira, dia 13, no Palácio da Reitoria da Ufba, no Canela, durante o Lançamento Coletivo da editora.

Resultado da dissertação de mestrado da autora na Faculdade de Comunicação da Ufba (Facom), Radiodifusão e telecomunicações contribui para o aprofundamento do conhecimento acadêmico, retomando discussões fundamentais para a comunicação no país. O livro, de 249 páginas, analisa particularmente um aspecto vital para a caracterização da radiodifusão brasileira contemporânea.

Quando a TV digital foi implementada no Brasil, em 2007, adotando o modelo japonês de alta definição (HDTV), a magnitude da influência política que os empresários do setor de radiodifusão exerciam para reivindicar uma decisão favorável às suas expectativas era evidente. Chialini Barros teceu, na dissertação, informações relevantes, concernentes ao estágio atual do processo de reformulação regulamentar para o segmento, mencionando diferentes interesses e posicionamentos defendidos pelos atores.

Onde encontrar

Tendo como preço de lançamento R$ 30 – o preço oficial é R$ 35 –, o livro encontra-se disponível nas três lojas da Edufba Livraria, no estacionamento da Reitoria, no Canela; na Biblioteca Central Reitor Macedo Costa, em Ondina; e no Centro de Estudos Afro-Orientais (Ceao), no Largo Dois de Julho. Além disso, os exemplares podem ser adquiridos na Livraria Multicampi (LDM), na Faculdade de Educação, no Vale do Canela; e nas duas unidades da Galeria do Livro, no Unibanco Glauber Rocha (Praça Castro Alves) e no Rio Vermelho.

Quem reside fora de Salvador, a livraria da Universidade Estadual Paulista (Unesp), na Praça da Sé; a Imprensa Oficial de São Paulo e a Livraria Palmas Cultural, em Palmas, no Tocantins, comercializa produtos da Edufba, como o recém-lançado Radiodifusão e telecomunicações.

A dengue tem que ser combatida

Como vivemos num país de clima essencialmente tropical, estamos suscetíveis à rotineira proliferação do Aedes aegypti, a espécie do mosquito transmissor do vírus causador de uma doença infecciosa febril aguda, denominada dengue. O mosquito, comum em zonas urbanas tropicais e subtropicais, começou a ser erradicado no Brasil na década de 50, mas pouco tempo depois ele retornou, vindo dos países onde não foi combatido plenamente.

Existem dois tipos distintos de dengue, um dos expansivos problemas mundiais de saúde pública, de acordo com seu nível de gravidade. A patologia que se manifesta suavemente, repentinamente, é a clássica, entretanto a hemorrágica é a forma mais severa da doença, cujas consequências são drásticas. Todas elas estão estreitamente subordinadas ao clima e à temperatura da região onde o Aedes aegypti é germinado.

Febre com elevadas temperaturas, ultrapassando o limite de 38 graus, cefaleia - a popular dor de cabeça -, dores moderadas nos olhos e no corpo, desânimo, resfriado e manchas avermelhadas na pele podem ser sinais examinados no tipo clássico. Ele persevera por aproximadamente cinco dias, melhorando progressivamente seus sintomas em dez dias, porém não provoca morte por ser súbito, espontâneo e de breve duração.

Segunda e mais letal classificação da enfermidade, a hemorrágica, a princípio, é idêntica à clássica quanto aos seus sintomas. No entanto, com sua dinâmica evolução, sangramentos e choques no nosso organismo começam a ser apresentados em alguns pacientes. Os impactos corporais são causados devido às alterações da permeabilidade capilar e ao extravasamento intensivo do plasma, que atinge o coração, o pulmão, o fígado, os rins e outros órgãos.

A dengue hemorrágica difere da clássica ao surgir inúmeros sintomas, sendo os mais comuns dores abdominais, vômitos, sede excessiva, distúrbios respiratórios, pele pálida, fria e úmida, sonolência, perda de consciência e até insuficiência circulatória. Distúrbios neurológicos também podem ser frequentes. Convém frisar que o paciente com dengue hemorrágica, por ter vulnerabilidade ao óbito, necessita sempre de acompanhamento médico adequado nas unidades de saúde.

Para amenizar os efeitos das duas formas patológicas, o paciente deve conter a desidratação, ingerindo líquido em grande quantidade. Os medicamentos recomendados para o tratamento de uma das pestes tropicais são o paracetamol e a dipirona sódica. Se o paciente usar alguma medicação não condizente com os seus sintomas, como anti-inflamatórios à base de ácido acetilsalicílico (aspirina e AAS), prováveis riscos de hemorragias podem aumentar.

A prevenção da dengue deve ser feita combatendo, nas residências, os focos de acúmulo de água. Embalagens, reservatórios, latas, latões, pneus antigos, sacos e copos plásticos, lixeiras, vasos de plantas, tambores, garrafas, tampas de refrigerante e cisternas são locais onde as larvas e os ovos do mosquito transmissor são depositados. Ao invés da água parada acumulada, aplicar areia nos recipientes e outros objetos é uma maneira exemplar de nos proteger da dengue.

Sabemos que é possível e indispensável controlar a dengue, apesar de ser uma enfermidade difundida mundialmente e de complicada prevenção. Enquanto agentes comunitários itinerantes de saúde estão colaborando domiciliarmente nesta luta, moradores estão fazendo sua parte nas suas casas descobrindo alternativas capazes de impedir a proliferação do Aedes aegypti. Repor os líquidos perdidos e repousar em casa são tarefas imprescindíveis visando conter os sintomas.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Tereza Campelo deverá assumir Desenvolvimento Social

Economista foi convidada por Dilma Rousseff, de quem é amiga desde os anos 80, para a pasta, mas seu nome será confirmado na próxima semana

A presidente eleita da República, Dilma Rousseff (PT), convidou neste sábado a atual coordenadora de Projetos Estratégicos da Casa Civil, a economista paulista Tereza Campelo, para o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), responsável por gerir o programa Bolsa Família. Se for confirmada para a pasta, Tereza deverá substituir a atual titular Márcia Lopes, irmã do futuro secretário-geral da Presidência Gilberto Carvalho.

Formada em Economia pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em Minas Gerais, Tereza conhece Dilma desde a década de 80, e ambas integraram a equipe de transição do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, representando o Rio Grande do Sul. A futura ministra do Desenvolvimento Social trabalha em gestões petistas desde 1989, tendo como órgão introdutório a Secretaria da Fazenda de Porto Alegre, na administração do então prefeito Olívio Dutra.

Maior concentração feminina

Dilma deverá aceitá-la, mas elas decidirão definitivamente o nome da nova ministra para o cargo na próxima semana. No final da formação da nova equipe presidencial, Dilma planeja incluir representantes femininas para comandar as pastas da Cultura e do Esporte, além da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

As mulheres confirmadas para a equipe da futura presidente, até o presente momento, são a coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (Pac), Miriam Belchior, para o Ministério do Planejamento; a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), para o Ministério da Pesca e Aquicultura; a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) para a Secretaria Especial de Direitos Humanos e a jornalista Helena Chagas, chefe de comunicação do governo de transição, para a Secretaria de Comunicação Social.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Turista por um dia

Das envidraçadas janelas de um meio de mobilidade urbana coletiva popular, admiro a acalmante sensação de usufruir a brisa oriunda das águas das praias de Ondina e da Barra. Uma aprazível, frutuosa e delicada tarde de sexta-feira, embora a Avenida Oceânica, que as margeia, esteja moderadamente congestionada, com assídua concentração de carros, ônibus, motocicletas e turistas. Hotéis, pousadas, restaurantes, centros comerciais e similares contornam, com esplendor e fineza, a célebre avenida à beira-mar, onde possibilitamos a visão pacífica do mar azul e os morros fronteiriços entre o Rio Vermelho e Ondina (Paciência e Pedra da Sereia) e entre Ondina e Barra (Morro do Cristo).

Meus passeios casuais, não tão semanais, a alguns dos mais frequentados fragmentos da orla marítima da minha cidade natal e que eu tenho gosto de revivê-los remetem-me à minha saudosa infância, quando eu tinha 6 anos. Revisitar a exuberância de Ondina e da Barra é um alívio libertário, pois suas vistas, complementadas por edifícios horizontais e verticais (parece muito a orla carioca) e casas, de caráter residencial, comercial e receptivo, têm um quê de sutileza em meu ego. Até posto de combustíveis está instalado junto às balaustradas protetoras, incomodando a passagem de pedestres.

O Farol da Barra é o ponto de interseção entre as duas águas de igual sabor – a do Oceano Atlântico e a da pacata Baía de Todos-os-Santos – que banham o litoral de Salvador em direções simétricas. Após eu deslumbrar o famigerado farol, onde o Museu Náutico da Bahia é alojado no térreo e no pavimento superior do Forte de Santo Antônio da Barra, começa um dos maiores logradouros da cidade, a Avenida Sete de Setembro, singelamente batizada Avenida Sete. São nos seus trechos iniciais onde encontram-se o Porto da Barra, a Ladeira da Barra e o ostentador Corredor da Vitória. Esses dois últimos são redutos da alta burguesia baiana.

Um dos encantados lugares litorâneos de uma Soterópolis ao mesmo tempo turística e desigual, a Praia do Porto, matutina, vespertina e até noturnamente, converte-se num conglomerado de banhistas, baianos e não-baianos. Ainda passeando no ônibus, no Porto da Barra, vi dois marcos históricos no finalzinho da praia. Tratam-se da cruz-de-malta, emblema português, fixada num suporte vertical, simbolizando a chegada do colonizador àquele trecho da maior baía brasileira; e um primor de azulejaria: painel retratando a vinda do governador-geral Tomé de Souza para cá, datado de 1949, ano do 4º Centenário da cidade. Sentindo cada monumento da minha amada cidade, eu sou perspicaz.

Conservo a minha paciência e o meu silêncio sendo acomodado numa cadeira de ônibus e apreciando a sequencial mudança em cada paisagem embutida no fragmento simultâneo entre a Baía de Todos-os-Santos e o movimentado e confuso Centro. Depois do Largo do Porto da Barra, onde uma unidade de artesanato do Instituto Mauá está situada, desfruto o encantamento da Ladeira da Barra, onde residências luxuriosas, somadas ao tradicional Yacht Clube da Bahia, dão-lhe aparência de tranquilidade. O mesmo verifico no trecho seguinte, o arborizado Corredor da Vitória. Ao iniciar o itinerário pelo imponente corredor, decidi sair do coletivo a fim de exercitar meu corpo em concordância com as extravagâncias do local.

Ponto de desembarque: Corredor da Vitória, mas comecei meu trajeto como pedestre no largo homônimo, endereço da igreja homônima, sede da paróquia homônima presidida pelo venerável monsenhor Gaspar Sadoc. Deliberei, nesta sexta-feira, locomover-me integralmente pelo corredor, com vivacidade e sem auxílio de motorista particular (chofer) ou máquina condutora automotora. O auxílio que eu tive e tenho para caminhar é, somente, o de Deus. Quando passeio por lá, fico impressionado pela dimensão do luxo dos palacetes, palácios, mansões, museus, colégios e prédios habitacionais de alturas e fachadas variáveis.

Assemelhando-se a bulevares europeus, o Corredor da Vitória é a zona mais peculiar da popular Avenida Sete. Sua peculiaridade se deve porque é um dos pouquíssimos segmentos arborizados e bem cuidados do logradouro, logrando-lhe especificações observáveis nos principais centros urbanos do mundo desenvolvido. Esse caráter, que atua como chamariz para a minha atenção, permite a anuência com outro ponto constantemente conservado, o Campo Grande. A gigantesca praça, na confluência entre o Corredor da Vitória, o Centro e o Canela, depois da sua revitalização e restituição da feição original de seus monumentos neoclássicos, é uma das mais requintadas de Salvador.

O privilégio de reconhecer e de revisitar partes prodigiosas da minha cidade é, para mim, uma bênção vinda de lá do sétimo céu para assegurar meu salutar itinerário como um mochileiro amador, já que não exercito viagens de grande porte. No caso do percurso em duas etapas – entre Ondina e a Vitória, de ônibus, e entre a Vitória e o Canela, que eu mesmo pratiquei como pedestre –, meus ânimos não estavam exaltados. Faço, sobretudo, o melhor possível para caminhar, sem cansaço e com vitalidade, pelas elegâncias e peculiaridades de uma complexa, heterogênea e hospitaleira cidade.

Está acontecendo a Evanave

Terceira edição baiana do evento, que está sendo realizada hoje em Praia do Forte, conta, além do Eva, Falcão e os Loucomotivos e Chica Fé

Da esquerda para a direita: Sérgio Fernandes (Chica Fé), Marcelo Falcão (O Rappa), que abriu o evento com seu projeto Os Loucomotivos, e Saulo Fernandes (Eva)
(Fotos: Divulgação)

A partir das 15 horas deste sábado, em Praia do Forte, no Litoral Norte, a nave do Eva já decolou por lá. Está acontecendo, neste momento, a terceira edição baiana da Evanave, espécie de carnaval indoor que desde 2008 vem recebendo um público apaixonado por música na Bahia e em outros estados.

Novo projeto paralelo de Marcelo Falcão, líder do grupo de rock carioca O Rappa, Os Loucomotivos são motivados pela loucura musical, e foi a atração que abriu o evento. O cantor Saulo Fernandes e sua comitiva, a banda Eva, tocam a seguir. A Chica Fé, capitaneada por Sérgio Fernandes, irmão de Saulo, encerrará a Evanave.

A Evanave pousa anualmente em Praia do Forte desde 2008, sempre com shows do grupo anfitrião, o Eva, da Chica Fé e de uma atração terciária. Na primeira edição foi a Timbalada, na segunda, o cantor Jau (ex-Jauperi), e na terceira, Falcão e os Loucomotivos.

Comunicativa na ativa

Com sua voz firme, a locutora Michely Santana comanda a programação da Transamérica FM de Salvador nas manhãs de segunda a sexta e nas manhãs e tardes de domingo

Michely circulou por rádios de diferentes cidades do interior e pela Nova Salvador antes de migrar para a Transamérica
(Foto: Hugo Gonçalves)

No time de locutores da filial baiana de uma das maiores e mais ouvidas redes radiofônicas do segmento jovem do Brasil, a Rádio Transamérica FM, que opera na frequência 100,1 MHz, há todo o carisma, a competência e a grandiloquência de Michely Santana, 25 anos. Ela está, desde 2008, na "rádio do tesão", como a emissora é apelidada conforme o seu slogan. Sua firme e indefectível dicção é a garantia de que ela é uma das melhores locutoras da Bahia.

Michely pilota a programação musical da Transamérica na Bahia de segunda a sexta-feira, das 9 às 11 h, e aos domingos, apresentando três programas sucessivos: o Transfolia, das 11 às 13 h, o Adrenalina, das 13 às 14 h, e o Naftalina, das 14 às 15 h. Cada atração que ela comanda é segmentada. O Transfolia traz, além dos sucessos do axé, notícias, promoções, entrevistas com artistas e participações de ouvintes por telefone. O Adrenalina divulga o melhor da música eletrônica nacional e internacional, e o Naftalina incita o ouvinte a mergulhar na nostalgia dos anos 80 e 90.

Do carro de mensagens ao rádio

Nascida em Carinhanha, próximo a Bom Jesus da Lapa, no oeste do estado, em 27 de fevereiro de 1985, essa pisciana, cujo currículo inclui inúmeras atividades profissionais, tais como auxiliar administrativa e vendedora, começou sua saga na área de comunicações como locutora de carro de mensagens em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano. Para aperfeiçoar sua voz e estrear na trajetória radiofônica, Michely fez curso de radialista na mesma cidade, sem precisar cursar faculdade.

Antes de aportar na Transamérica, Michely Santana atuou na Andaiá FM, de Santo Antônio de Jesus, na Castro Alves FM, da cidade homônima, e na Nova Salvador FM, cujo proprietário é o ex-vice-prefeito da capital baiana e deputado federal Marcos Medrado (PDT-BA), importante liderança política do Subúrbio Ferroviário. A locutora conta que, quando conquistou seu emprego na "rádio do tesão", teve que ir e voltar para Feira de Santana, onde residia, para chegar até Salvador. Já na Transamérica, ela trabalhava em paralelo na Baiana FM, de Candeias, na Região Metropolitana.

Apresentando comerciais de TV

O profissionalismo exitoso de Michely não se restringe às ondas do rádio. Ela também é uma das apresentadoras do programa Camera Express, da TV Salvador, transmitida nos canais 28 UHF e 36 via Net, sistema de TV por assinatura a cabo. Na atração televisiva, são divulgados diariamente produtos e serviços através de comerciais de empresas anunciantes. Michely afirma que a oportunidade surgiu há 3 anos, por indicação de um cliente, através de testes.

Casada com o técnico de segurança eletrônica Wagner Bacelar, a locutora e apresentadora do Camera Express está no oitavo mês de gestação, esperando o seu primogênito Arthur, prestes a nascer no final de janeiro de 2011. Tendo como paixão a música, ela declarou para o site da Transamérica que, se não exercesse o ofício de locutora, seria cantora.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Ansioso pelo verão

No alvorecer das minhas prolongadas férias de verão, que terminarão em fevereiro, estou ansioso em usufruir do meu doce e plácido ócio, ouvindo os novos sucessos para o próximo Carnaval, tanto cá quanto lá no meu bucólico recanto de veraneio. Ficarei demasiadamente excitado ao curtir as deliciosas vozes das cantoras de axé – Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Margareth Menezes, Elaine Fernandes, Alinne Rosa, Larissa Luz, Cláudia Leitte – e as sonoridades interpretadas pelos representantes masculinos do rentável movimento musical – Saulo Fernandes, Bell Marques, Denny, Tomate, Durval Lelys e Tuca Fernandes. Ouvindo os timbres dos cantores exemplificados acima, nas ondas eletromagnéticas de radiofrequência e em compact discs, sonharei em um dia estarem ao lado deles.

A audição das últimas notícias cotidianas da Bahia, convertidas em canções por compositores e produtores com o objetivo de serem publicizadas e mercantilizadas, fomenta as dinâmicas física e emocional. O núcleo dos meus sentimentos, o infatigável coração, está 24 horas pulsando em mim à procura de novas expectativas para o meu verão, como o duradouro veraneio em família na ilha de Itaparica, uma noite de ensaio da Timbalada, além da minha corporeidade durante a curtição das músicas de axé que penetrarão no gosto popular no momento sucessivo à Quarta-Feira de Cinzas. Por enquanto, interagir com astros do axé, só no meu psicológico...

Superproduções anuais que precedem o nosso áureo Carnaval, tais como o Festival de Verão Salvador, os ensaios da Timbalada, do Araketu, os Saraus du Brown, entre outras, custam um preço exorbitante, ultrapassando até o limite mínimo de R$ 100. Dentre essas opções mencionadas, a que eu tenho mais afinidade, mais sinergia, é o espetáculo timbaleiro. Uma das minhas corajosas e exaltadas ambições na estação mais quente do ano é comparecer a essa atração percussiva no Museu du Ritmo, no Comércio em franco processo de revitalização. Cumprirei em definitivo, em qualquer domingo de janeiro, essa tão desejada aspiração, obstinação que surgiu desde o ano passado quando prometi, prometi, prometi, mas não cumpri a minha antiquada promessa.

Para sanar o gradual e inexorável decréscimo na minha mesada, ocasionado pelo pagamento desnecessário de mercadorias e serviços em volume significativo, controlarei os meus gastos poupando cédulas vermelhas de R$ 10 (a arara) e marrons de R$ 20 (o mico-leão-dourado). Quero fazer valer meu direito de dançar ao som dos valentes timbaus e dos demais instrumentos percussivos, revestidos pela performance vocal de um cantor e compositor oriundo de projeto socioeducativo, que atende pela simples alcunha de Denny, forma americanizada de um nome de batismo semi-impronunciável. Espero que esse prometido seja solidificado no meu racional e no meu emocional. Vou esperar janeiro chegar para me juntar a uma multidão de "loukos por Timbalada", mote de divulgação do evento.

Minha tarefa primordial nesta divertida sazonalidade, como um tranquilo, responsável, paciente e seguro andarilho urbano, será uma visita agendada nos estúdios da Rádio Transamérica FM 100,1, nesta quinta-feira 9! Já terei um anseio amplificadamente especial em conhecê-los, no fim de linha do bairro da Federação, próximo à TV Aratu! Ambiciono e quero conhecer minha locutora radiofônica favorita, uma loira positiva que eu tenho uma sincera simpatia e apreciação, cujo timbre vocal energético me anima, me excita e me enche de prazer. O nome dela é Michely Santana! Todos os domingos, como de praxe, ouço o enérgico desempenho de Michely no melhor dial do rádio jovem baiano, conduzindo competentemente o programa Transfolia.

Exprimo essas prováveis ambições, ânsias e previsões para, em breve, gozar delas e aquinhoá-las. Tenho plena obviedade de que meu verão seja o melhor entre todos que eu vivi, um verão completamente diferente, absurdamente descolado e orgulhosamente decente. Onde eu irei passar o Carnaval? Há controvérsias, por parte dos nossos concidadãos, a respeito das suas condições de abrigo na semana da maior festa de rua do planeta. Para mim, mais uma vez, repousarei no meu bendito refúgio insular, em Itaparica, ouvindo os sucessos quentes tanto nas estações radiofônicas quanto nos canais de televisão.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Pedágio será ativado na BR-116

No trecho entre Feira de Santana e a divisa Bahia-Minas, rodovia aceitará cobrança a partir de terça-feira

Com informações de Larissa Oliveira, de A Tarde, e da assessoria de comunicação da Via Bahia

A partir da meia-noite desta terça-feira, dia 7, será iniciada a ativação das cinco praças de pedágio na rodovia BR-116, a Rio-Bahia, no trecho compreendido entre a divisa da Bahia com Minas Gerais e o município de Feira de Santana. Instaladas nos municípios de Brejões, Jequié, Nova Itarana, Planalto, Rafael Jambeiro e Vitória da Conquista, as praças serão separadas 100 km uma da outra.

A cobrança foi autorizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), de acordo com a Deliberação nº 3606, de 7 de dezembro de 2010, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 26 de novembro de 2010. Conforme a deliberação, somente os veículos oficiais devidamente identificados estarão isentos de cobrar o pedágio.

O presidente da Via Bahia Concessionária de Rodovias S.A., administradora de trechos da BR-116 e da BR-324, Sergio Santillán, anunciou, em entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira, que a ativação das praças de pedágio integra a primeira etapa das obras de requalificação das rodovias a serem concluídas em 2011. Santillán ainda disse que as duplicações dos trechos da BR-116 e da BR-324 começarão em janeiro do próximo ano.

Tarifas variam com veículos

Os valores do pedágio são variáveis de acordo com a modalidade dos veículos automotores. Para as motocicletas, a tarifa é equivalente a R$ 1,40; para automóveis pequenos e utilitários (caminhonetes e furgões), R$ 2,80. Condutores de automóveis com semirreboque e reboque pagarão R$ 4,20 e R$ 5,50, respectivamente. Esse último valor também é destinado para ônibus, caminhões leves, tratores e furgões com dois eixos, ou rodagem dupla.

De 2 eixos (R$ 5,50) a 9 eixos (R$ 24,90), a tarifa aumenta numa progressão aritmética de razão equivalente a R$ 2,80, dependendo das especificações quantitativas dos caminhões – eixos, do tamanho e do peso.

Crônicas televisivas foram ditas em sarau

Recital literário Crônicas Nossas de Todo Dia: A TV Brasileira apresentou leituras de textos cotidianos produzidos por estudantes de Jornalismo e Publicidade da Unijorge

Estudantes dos 1º e 2º Semestres dos cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge) organizaram, na manhã de hoje, o sarau Crônicas Nossas de Todo Dia: A TV Brasileira, em comemoração aos 60 anos do advento da televisão no país. O recital aconteceu na sala 5019 do prédio 2 do Campus Paralela da instituição de ensino superior.

Orientado e coordenado pela professora Maria Laura Petitinga, que leciona a disciplina Leitura e Produção de Textos, o sarau literário tinha por finalidade apresentar oralmente as crônicas redigidas pelos alunos, envolvendo o veículo de comunicação mais popular na nossa contemporaneidade. Contudo, os textos não foram ditos pelos autores, passando essa incumbência para outros alunos e para a docente.

Já que o tema do recital tem por núcleo a interação entre ser humano e televisão, as circunstâncias expressas nas crônicas possuem estreita afinidade com o aparelho eletroeletrônico apelidado pelo famoso escritor, cronista, jornalista, radialista e compositor carioca Sérgio Porto (1923-1968), o Stanislaw Ponte Preta, de "máquina de fazer doido".

Sorteio de livro

A professora Maria Laura Petitinga encerrou o evento com o sorteio do livro Comédias para se ler na escola, do escritor e humorista Luís Fernando Veríssimo, publicado em 2001 pela editora Objetiva, do Rio de Janeiro. Quem acabou sendo o contemplado foi o estudante do 2º Semestre de Publicidade e Propaganda, Bruno Sousa Ribeiro.

domingo, 5 de dezembro de 2010

De uma pessoa infectada para outra

Uma das doenças mais antigas, causada por bacilo, a hanseníase é hereditária e chega pelas vias respiratórias

Conhecida, outrora, por lepra, a hanseníase é uma doença infectocontagiosa hereditária, causada por um bacilo denominado Mycobacterium leprae, que passa de uma pessoa doente sem tratamento medicamentoso para outra, através das vias respiratórias. A proliferação do bacilo chega por meio das gotas eliminadas no ar pela tosse, pela fala, pelos espirros e pelas secreções nasais, atingindo a pele e os nervos dos braços, mãos, pernas, pés, face, orelhas e olhos.

Dados do Ministério da Saúde calculados em 2007 comprovaram que foram detectados 21,8% dos casos de hanseníase no Brasil, e o coeficiente de prevalência foi de 21,94%. Grande parte (53,4%) dos pacientes não concluíram o Ensino Fundamental, e vive nas regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste.

Para os gregos, elefantíase

Quanto ao seu tempo de existência, a hanseníase é uma das enfermidades mais antigas do mundo, e suas ocorrências pioneiras são oriundas da África e da Índia, em 600 a.C. Os gregos, ainda na Antiguidade, a chamavam de elefantíase. Na Europa e no Oriente Médio medievais, o uso de roupas diferenciadas era aconselhável para pessoas que padeciam dessa enfermidade. A hanseníase na América Latina teve seu advento com a colonização europeia, quando os casos cessaram nos países de origem.

O bacilo responsável pela doença foi identificado pelo médico norueguês Amaneur Hansen em 1873, daí o nome pelo qual é mais conhecido: bacilo de Hansen. A denominação hanseníase só foi criada pelo médico brasileiro Abraão Rotberg (1912-2006), preocupado com o preconceito contra os indivíduos infectados pela doença. Entretanto, ela só foi empregada em 1976, por recomendação do Ministério da Saúde, abolindo a palavra lepra em razão do estereótipo sofrido pelos pacientes.

Sintomas e tratamento

Manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em todo o corpo com diminuição ou perda de sensibilidade ao calor, ao tato e à dor podem ser sinais de hanseníase. Além disso, outros sintomas da doenças podem ocorrer, como caroços e dormências em qualquer porção corpórea, engrossamento do nervo que passa no cotovelo, levando à perda da sensibilidade e da redução da força do quinto dedo (o mínimo), dor e sensação de choque, queda de pelos, inclusive sobrancelhas, e desidratação da pele com a perda de suor.

O tempo entre o contágio e o surgimento dos sintomas é longo, podendo variar de dois a até mais de dez anos. Com relação à quantidade de lesões apresentadas na pele, diretamente proporcional ao número de bacilos que a pessoa, quando se encontra debilitada, pode desenvolver, a hanseníase é classificada em paucibacilar e multibacilar. A doença pode ser paucibacilar se as lesões chegarem a cinco, ou multibacilar se elas passarem de cinco.

A hanseníase é tratada nos serviços de saúde, podendo durar, se o diagnóstico for seguido corretamente, de 6 a 12 meses. O paciente deve tomar comprimidos em casa diariamente e uma vez por mês nos serviços de saúde. Para prevenir a doença, que é curável, são necessários exercícios inibidores de incapacidades e deformidades físicas e orientações das equipes médicas.

Em Salvador, cinco unidades de saúde, mantidas pela prefeitura, oferecem tratamento especializado no controle da hanseníase: Maria da Conceição Santiago Imbassahy, no Pau Miúdo; Mário Andrea, nas Sete Portas; Professor Clementino Fraga, na Avenida Centenário; Deputado José Mariani, em Itapuã; e o Centro de Saúde de Pernambués. O atendimento é gratuito.