sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Palestra discute marketing político

Especialista explicou o processo de elaboração de campanhas políticas e a sua influência na vida de cada eleitor em palestra no segundo dia do IV Interculte

"As eleições vêm aí. O eleitor, não." Essa frase sinaliza à população brasileira que a hora de votar nos candidatos de sua preferência, que será o grande momento decisivo para a nossa democracia, está se aproximando. Daqui a um ano, serão realizadas eleições para presidente da República, governadores dos 26 estados e do Distrito Federal, senadores (2 vagas para cada estado), deputados federais e deputados estaduais. Os preparativos para a campanha eleitoral, entretanto, já começaram, com as escolhas dos pré-candidatos a presidente e a governador e as negociações partidárias.

Pensando nisso, a professora Juliana Mousinho, coordenadora dos cursos de Tecnologia em Gestão do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), ministrou, ontem à noite, a palestra "Marketing político e planejamento de campanha eleitoral" dentro do IV Encontro Interdisciplinar de Cultura, Tecnologias e Educação (Interculte), no campus da instituição. O relacionamento de Juliana com o marketing político se iniciou ainda adolescente, em 1992, no comitê da juventude da campanha que elegeu Lídice da Mata, então no PSDB, prefeita de Salvador. Mais tarde, transferiu-se para Alagoas, onde trabalhou nas campanhas que elegeu e reelegeu Ronaldo Lessa (então no PSB) governador, em 1998 e 2002, respectivamente.

O tema central da palestra foi o marketing político, conjunto de técnicas e procedimentos para avaliar aspectos psicológicos e emocionais do eleitorado, conquistando a simpatia popular do candidato. Basicamente, ele é centrado nas imagens dos candidatos e dos seus partidos, nos aspectos psicológicos dos eleitores e no acompanhamento de todo o processo eleitoral.

Um bom marqueteiro deve adquirir conhecimentos confiáveis sobre o eleitor, dividir o eleitorado em grupos (região, comunidade, faixa etária, entre outros), definir as formas de comunicação em função do tamanho do eleitorado, do tempo disponível e do perfil dos segmentos e associar a imagem do candidato à mensagem e à expectativa do eleitor.

Como chegar a uma boa campanha

A elaboração de uma campanha eleitoral é dividida em sete etapas. Na primeira fase, são feitas pesquisas com análise de informações, montagem dos cenários (positivo e negativo) e levantamentos de todos os dados possíveis sobre os candidatos. As pesquisas de opinião são comumente classificadas em quantitativas e qualitativas. Entre os instrumentos de participação popular mais utilizados para construir a plataforma eleitoral de um candidato estão os comitês, os comícios, as passeatas e as tendas.

Os programas do horário eleitoral gratuito, que abrem oficialmente as campanhas, começam geralmente na segunda quinzena de agosto e terminam no final de setembro ou início de outubro, na quinta-feira anterior às votações. Eles apresentam forte impacto ao eleitor, pois neles são exibidos a trajetória biográfica, profissional e política de cada candidato, seus programas de governo e suas propostas. É também nesse período que se realizam os debates no rádio e na televisão, sempre com a presença do público, esperançoso na vitória do seu concorrente preferido.

Além disso, Juliana Mousinho relembrou o polêmico confronto entre Fernando Collor de Mello (PRN) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de 1989, as primeiras realizadas após 29 anos de jejum imposto pela ditadura. Para que o primeiro vencesse aquele pleito, a Rede Globo trabalhou constantemente a imagem do jovem de corpo atlético, praticante de cooper, piloto de ultraleve e de jet-ski, com fama de "caçador de marajás" e "salvador da pátria". A vitória de Collor foi atribuída, portanto, à construção da sua imagem pela imprensa.

Juliana ainda destaca a grande expectativa em relação às eleições de 2010: "Eu acho que vai ser um momento de muita competição e o papel do PMDB vai ser fundamental nisso. Vai ser um momento importante também para que o governo Wagner possa ser avaliado pelo povo baiano".

Para refletir:

"A CAMPANHA NÃO ACABA COM O FIM DO HORÁRIO ELEITORAL.
A CAMPANHA SÓ ACABA COM A CONTAGEM DO ÚLTIMO VOTO."

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Dedicatória de Gilberto Dimenstein

Durante o encerramento da conferência de abertura do IV Interculte, realizada ontem no Auditório Zélia Gattai, na Unijorge, o jornalista Gilberto Dimenstein, que a presidiu, me escreveu uma singela mensagem elogiando este blog.

Este blog é o máximo. Leiam.

Gilberto Dimenstein

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Conhecimento para a comunidade

O IV Interculte, evento realizado pela Unijorge, promoverá intercâmbios entre alunos e pesquisadores e terá atividades oferecidas pelos cursos da instituição

Culturas, Ciências e Tecnologias: novas configurações territoriais. Este é o tema da quarta edição do Encontro Interdisciplinar de Cultura, Tecnologias e Educação – Interculte, que será realizado pelo Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge) entre os dias 28 e 30 de outubro no campus da própria instituição.

O jornalista Gilberto Dimenstein, da Folha de S. Paulo e da rádio CBN, terá a honra de abrir oficialmente o encontro, em conferência no Auditório Zélia Gattai, às 19 horas. Ele também desenvolve projetos sociais na área de educação e foi um dos fundadores da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI).

De acordo com informações do site oficial do IV Interculte, seu tema “pensa a comunidade através dos elementos de territorialidade, permanência e ligação entre existência de formas próprias de comunicação”.

Ainda segundo o site do evento, seu objetivo é “estimular a comunidade acadêmica na produção, socialização e divulgação de conhecimentos científicos e tecnológicos na área educacional, promovendo intercâmbios entre alunos e pesquisadores e entre instituições de ensino e outras parcerias comunitárias. Este objetivo demonstra algumas diferenças sobre o desenvolvimento da produção intelectual e o compromisso na formação de pesquisadores”.

A professora Patrícia Barros Moraes, coordenadora do curso de Jornalismo da Unijorge e uma das organizadoras do IV Interculte, explica como o encontro será realizado: “O Interculte é um grande evento, que na verdade tem um formato híbrido, porque acontecem ao mesmo tempo diferentes atividades oferecidas pelos cursos da instituição, tais como mesa-redonda, palestras, minicursos, entre outros. Além disso, é aberto para participação do público externo que pode apresentar artigos e debater ideias.”

O evento encerrará com uma conferência presidida pelo professor André Lemos, da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/Ufba). “Espero que o evento seja um sucesso, que a gente tenha a casa cheia e que os alunos gostem muito, pois estamos preparando-o com muito cuidado e dedicação”, completa Patrícia.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A discriminação no contexto histórico do país

9 de dezembro de 2008

O Brasil é um grande mosaico cultural, resultante da fusão de três etnias: o branco europeu, o negro africano e o índio. Esta junção de povos distintos teve um papel importante na formação e no desenvolvimento cultural do país, mas gerou um racismo persistente. Maltratar indivíduos de etnias diferentes, infelizmente, é uma atitude extremamente violenta.

Quando os colonizadores portugueses chegaram ao continente americano, há 508 anos, eles cometeram uma série de atrocidades contra os primeiros habitantes da sua única colônia no Novo Mundo. Com a vinda dos negros da África para serem escravos no Brasil, os portugueses e os povos de outros países europeus os desrespeitaram e maltrataram por serem alheios à terra recém-descoberta. Foi a partir daí que se iniciou o preconceito racial no país.

O racismo é um fenômeno responsável por gerar inúmeras vítimas, principalmente negros, dentro da enorme diversidade étnica brasileira. Alguns indivíduos brancos discriminam os negros, pois estes são considerados socioeconomicamente inferiores pelos opressores. O povo negro, portanto, é vítima feita através das agressões praticadas pelos próprios brancos, que se sentem superiores.

Numa sociedade onde ainda imperam diversos tipos de preconceito, os brasileiros devem ter absoluta consciência em relação às sérias consequências que o racismo traz para o país. Todos os indivíduos, independentemente de etnia, devem permanecer unidos, convivendo em perfeita harmonia e promovendo a luta pelos seus direitos.

Luta pela preservação do povo sertanejo

Filme Narradores de Javé, uma das mais belas e engraçadas obras-primas do nosso cinema, reproduz a conhecida inundação das cidades nordestinas devido à construção de usina

7 de abril de 2009


Como um simples e pacato povoado em pleno sertão nordestino ficaria ameaçado de extinção? Este episódio inspirado numa história real é divertidamente retratado no filme Narradores de Javé, de 2003, através das longas peripécias do protagonista Antônio Biá, um escritor que mora no fictício vilarejo baiano de Javé. Biá, interpretado pelo consagrado ator José Dumont, viveu incríveis aventuras e andanças em Javé com o principal objetivo de colher inúmeras informações que dariam origem a um belíssimo livro sobre o referido local.

Com 100 minutos de duração, o dramático filme dirigido por Eliane Caffé - que também é roteirista, em parceria com Luiz Alberto de Abreu -, convence os espectadores a mostrar, além do povo simpático, criativo e humilde de Javé, o seu misterioso desaparecimento causado pela polêmica obra de construção de uma usina hidrelétrica.

A história descrita na película nos faz recordar a famosa inundação de quatro cidades pequenas do interior da Bahia devido à construção da usina hidrelétrica de Sobradinho*. Vários moradores, portanto, eram contrários à execução das obras, o que fez Antônio Biá escrever um livro narrando o cotidiano, a cultura, a beleza, as personalidades e os costumes do povoado.

Sua trilha sonora, criativamente produzida pelo DJ sergipano Dolores e pela Orquestra Santa Massa, combina a música eletrônica contemporânea com os tradicionais elementos culturais tipicamente nordestinos. Aliados a uma primorosa direção de arte de Carla Caffé e às coloridas paisagens e histórias de Javé, os temas musicais maravilhosamente elaborados fazem de Narradores de Javé um dos melhores e divertidos longas do cinema brasileiro.

*Remanso, Casa Nova, Sento Sé e Pilão Arcado, inundadas pelo Rio São Francisco.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O preconceito racial é indigno do ser humano

14 de maio de 2008

O racismo é um dos problemas mais graves que preocupam a sociedade atual e trata-se de todo e qualquer tipo de discriminação praticado entre indivíduos de etnias diferentes. Apesar da luta consciente do povo negro pelos seus direitos, esse triste quadro perdura até hoje no mundo todo, principalmente nos países e regiões onde a maioria da população é negra ou parda.

As práticas racistas mais comuns são a opressão e a agressão aos negros, nas quais eles se sentem marginalizados e excluídos, sendo um crime bárbaro que fere os direitos humanos, a cidadania e as liberdades individuais e coletivas. O preconceito racial surgiu por razões históricas, como a escravidão e o extermínio de negros e índios e acabou influenciando movimentos e organizações racistas, sobretudo nos Estados Unidos e na África do Sul.

Durante décadas, a África do Sul adotou um regime segregacionista, o apartheid, em que os negros eram perseguidos e oprimidos pela minoria branca. No sul dos Estados Unidos, a Ku Klux Klan, organização racista atuante até hoje, prega o terrorismo em detrimento dos negros. Além desses países, o ditador nazista Adolf Hitler implantou na Alemanha um regime cruel que mandava maltratar e exterminar negros, judeus e eslavos, exaltando a superioridade da raça ariana.

Todas as pessoas que praticam esse preconceito devem ser punidas, mas as leis que foram criadas para combatê-lo não são cumpridas, inclusive no Brasil, que é um dos países mais racistas. Para combater o racismo, são necessárias práticas bem-sucedidas de igualdade e reparação para que as pessoas possam viver harmoniosamente.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O poder de transformação da leitura

Conto elaborado numa avaliação de Redação do Colégio Montessoriano, em 2007, sob orientação da professora Marinez Mendonça

Numa casa humilde de uma pequena cidade do interior baiano, moram o comerciante Pedro, a professora Maria e os seus três filhos João, André e Fábia. Como a sua cidadezinha não tem ainda uma biblioteca para atender às necessidades da população, muitos lares possuem livros, revistas e jornais guardados nas estantes das salas e dos quartos.

A casa de Pedro é um exemplo disso: possui cerca de 150 livros e 60 revistas, divididos entre o quarto do casal, o dos filhos e a sala. Além disso, Pedro e sua família assinam os jornais Folha de S. Paulo e A Tarde. Todos os dias, Pedro, Maria e os seus filhos gostaram muito de ler sobre os mais variados assuntos. Enquanto o casal lê livros de literatura brasileira e atualidades, João gosta de ler sobre Política e Ciências Humanas, André adora contos de terror e Fábia se apaixona pelas leituras sobre a vida animal.

– Gosto muito de ler várias reportagens sobre os atuais acontecimentos da nossa região e, sobretudo, do nosso país, pois isso nos traz muitas informações importantes, fazendo com que estejamos bem informados – disse Maria, professora de Língua Portuguesa, cujas aulas se baseiam em informações que ela lê frequentemente em revistas, livros e jornais. A família, estimulada pelo hábito diário da leitura, pretende construir uma biblioteca particular, com a compra de outros livros e revistas.

– Incentivar o gosto pela leitura é tão importante, pois além de ser prazerosa e agradável, a leitura constante nos faz enriquecer o nosso vocabulário e descobrir novos horizontes – disse André, um dos três filhos de Maria e Pedro. Essa afirmação reflete melhor a importância da leitura no cotidiano da humilde família do interior.

domingo, 18 de outubro de 2009

Esta crítica é do Casseta!!!

Entre 1998 e 1999, eu pedi a meu pai ou minha mãe para que gravasse para mim os programas Casseta e Planeta Urgente. Quando assisti a essa atração humorística, eu morria de rir tanto por ver cenas, locuções e paródias de músicas bizarras, estranhas e muito engraçadas!!!

No Casseta e Planeta exibido numa terça-feira de abril de 1999, foi exibida uma esquete criticando a poluição das praias cariocas por dejetos fecais. Sabe quem foi o prefeito do Rio naquela época??? Luiz Paulo Conde, que para o Casseta era Luiz Paulo Coconde (mistura de cocô com Conde). Foi nessa esquete que foram tocados trechos parodiados de alguns sucessos de Tom Jobim, "lançados no CD Bosta Nova". Vejam só:

Um penico, um violão
Terminei a digestão
Despejei tudo em Copacabana

Olha que coisa mais linda
Mais cheia de caca
A praia está
Que é uma cloaca
Os cocôs vão boiando
Até alto mar

Vou te contar
O cheiro está de doer
Olha o que só a excreção
Pode fazer
Com tanto coliforme fecal
É impossível dar um mergulhinho!

Semanas depois, a crítica voltou à cena, com uma paródia do refrão de Do Leme ao Pontal, sucesso do saudoso carioca Tim Maia:

Do Leme ao Pontal
Coliforme fecal...
Do Leme ao Pontal
Coliforme fecal...

É muito divertido observar o humor debochado dos cassetas em relação à nossa realidade...

As religiões e a convivência entre as diferentes crenças no Brasil

02 de dezembro de 2008

A presença de inúmeros grupos religiosos no território brasileiro justifica, além da harmonia entre eles, a nossa diversidade cultural. O Brasil possui diferentes seitas cristãs, mas também existem outras religiões cujo número de fiéis é menor. Muitos seguidores, no entanto, desrespeitam as doutrinas nas quais outros e até eles mesmos creem, gerando um enorme preconceito sociocultural.

Durante quase quatro séculos, a Igreja Católica era dominante no país, sendo oficializada pela Constituição imperial de 1824. Após a Proclamação da República, o Catolicismo deixou de ser a religião oficial, permitindo a instalação do Protestantismo, do Islamismo, do Judaísmo, do Espiritismo, do Candomblé e de diversas religiões orientais. Verifica-se ainda o surgimento de pequenos grupos alternativos, ligados principalmente à medicina natural.

Embora o respeito às diferenças religiosas e a convivência entre elas seja razoável, várias pessoas que seguem uma determinada seita discriminam os fiéis que acreditam em outra. A intolerância, portanto, é um dos sérios problemas que prejudicam fortemente o nosso quadro social. Diversas religiões sofrem este preconceito, com destaque para o Candomblé, cujos fiéis são tratados por alguns cristãos como “seguidores do anjo mau”.

A prática da intolerância religiosa, assim como outros preconceitos, ameaça a liberdade de culto no país. O povo brasileiro deve respeitar, amar, ter orgulho e confiar nas diferentes doutrinas e seitas que aqui existem, seguindo-as de forma democrática, independente e harmoniosa. Acreditar nas mais diversas religiões existentes no Brasil é, portanto, uma das atitudes que contribuem fundamentalmente para a construção de uma sociedade repleta de esperanças.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Explorando o universo televisivo

Professor do curso de Jornalismo da Unijorge, que também é funcionário da TV Bahia, recebe parte da sua turma para uma visita à sede da empresa

Marcus Sampaio na área externa da Rede Bahia
(Foto: Hugo Gonçalves)

Nós, estudantes do 2º. semestre de Jornalismo do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), turma A, tivemos um privilégio muito especial de visitar uma grande empresa que atua na área de comunicações (TV e rádio) e que investe pesado em tecnologia de última geração. Fomos, hoje de manhã, à Rede Bahia, maior grupo de comunicação do Norte/Nordeste, sediado num endereço privilegiado: Rua Professor Aristides Novis, 123, bairro da Federação. Foi um momento tão alegre e descontraído que marcou a vida de todos que compareceram ao local.

Recebido e orientado por Marcus Sampaio, professor de Produção em Rádio, TV e Cinema (RTVC) do referido centro universitário e video designer da TV Bahia, uma das empresas da Rede, o Grupo I, formado por 18 alunos (incluindo eu), explorou as moderníssimas instalações da emissora. Dentre elas, estão os estúdios, os setores operacionais e as redações, onde os jornalistas escrevem e apuram os textos antes de entrá-los no ar. Além disso, visitamos outras empresas do conglomerado: as rádios Globo FM e Bahia FM e a redação do jornal Correio* (ex-Correio da Bahia).

Os alunos que presenciaram esse fato importante foram justamente a primeira metade da nossa turma: Ana Paula Maquiné, Camila Barreto, Caroline Mendes, Elvis Meireles, Jessica Sandes, Laís Amorim, Luana Rios, Mariane Vieira, Michele Vasconcelos, Régis Berro, Suiá Santos, Taísa Conrado, Thais Gouveia, Theisse Ávita, Thyara Araújo, Vanessa Borges, Whidianny Mayara e eu. Todos estavam sempre acompanhados por Marcus, que os seguiu em diversos departamentos da Rede Bahia.

Durante esse longo e prazeroso "passeio", que durou até à tarde, tivemos o prazer de conhecer e conversar com os apresentadores Jefferson Beltrão (BA TV), Patrícia Nobre e Fernando Sodake (Bahia Meio Dia), Georgina Maynart (Jornal da Manhã e Rede Bahia Revista), Genildo Lawinscky (Jornal da Manhã), Thiago Mastroianni (Globo Esporte), Patrícia Abreu (Bahia Esporte) e Jony Torres (Rede Bahia Revista); e com os repórteres Ricardo Ishmael, Eduardo Oliveira, Matheus Carvalho e Dalton Soares. Também conhecemos o gerente de jornalismo, Giácomo Mancini; o comentarista esportivo e editor-chefe de Esportes, Jorge Allan; o diretor de jornalismo, Roberto Appel; e o jovem jornalista Renan Pinheiro, repórter free-lancer da TV Bahia e um dos editores do site Ibahia.com.

Os programas da afiliada da Rede Globo em Salvador e região metropolitana são gerados em dois estúdios. No primeiro, situado no nível Operações (1º. subsolo), são transmitidos, ao vivo, o Jornal da Manhã, o Bahia Agora, o Bahia Meio Dia, o BA TV e o Globo Esporte. No segundo estúdio, são gravados o Aprovado! e o Mosaico Baiano. Esse mesmo estúdio onde o Aprovado! é gravado, apesar de ser maior, dando-lhe uma aparência de auditório, é pequeno. Uma coisa inacreditável. Fomos lá e vimos como ele é: pequeno mesmo, dividindo espaço com o Mosaico, o que as câmeras não percebem.

Entrando nas duas rádios, cada uma destinada a um público diferente, vimos como são seus estúdios. Totalmente digitalizados, e, portanto, com músicas, chamadas e comerciais controlados por computador. Os locutores possuem ótima dicção e são muito competentes. Os que estavam presentes na hora em que fomos visitar as duas estações foram Jordan Gomes, da Globo FM; Karol Ramos e Adaílton Santiago, da Bahia FM.

E tem mais: fomos à redação do Correio* e vimos, na saída, o colunista político Emmerson José, também apresentador do Fala Bahia da TV Salvador (emissora que não faz mais parte da Rede Bahia, apesar de ela permanecer na sede do grupo); e a colunista de moda Paula Magalhães, filha do falecido Luís Eduardo Magalhães.

A visita à sede da Rede Bahia foi uma aula de campo técnica com o principal objetivo de adquirir maiores informações sobre a produção dos seus programas, como telejornais e atrações de lazer e entretenimento, e das suas reportagens e o funcionamento detalhado dos equipamentos em suas instalações, processos que já conhecemos de perto pela primeira vez. Esperamos que visitas como essa se realizem nos próximos semestres, sobretudo em outras emissoras.

Gostaria de agradecer esta crônica a todos que prestigiaram esse momento tão maravilhoso: aos alunos do Grupo I, ao professor Marcus Sampaio, aos jornalistas e funcionários da Rede Bahia, a todo o pessoal da Unijorge, especialmente alunos e professores de Jornalismo, e a Raquel Porto Alegre (que não estava presente naquelas horas), excelente repórter da TV Bahia e nova coordenadora-adjunta do curso de Jornalismo da Unijorge.

Confira, abaixo, as fotos dos melhores momentos da visita à TV Bahia.

No estúdio de jornalismo

Ana Paula Maquiné, Camila Barreto e Thyara Araújo

Um dia na bancada do Bahia Meio Dia: Caroline Mendes e Theisse Ávita


Camila Barreto (ao fundo), Michele Vasconcelos e eu (abraçados)

Laís Amorim, Elvis Meireles e Jessica Sandes

Da esquerda para a direita: Caroline Mendes, Mariane Vieira, Theisse Ávita, Whidianny Mayara e eu. Agachada: Vanessa Borges.

Thyara Araújo e Camila Barreto (juntas) e Taísa Conrado

Thais Gouveia (à esquerda) e Marcus Sampaio (em primeiro plano)

Em outros setores

Suiá Santos, Thyara Araújo e Luana Rios na CPJ (setor de operações)

Laís Amorim, Jessica Sandes, Elvis Meireles e Thyara Araújo: ocupando o banquinho do Mosaico

Todas as fotos desta reportagem foram publicadas sob licença prévia de Marcus Sampaio.

Foram momentos inesquecíveis, emocionantes e impressionantes demais... Hoje foi um dia muito produtivo para nós!!! Até as próximas visitas, nas quais vamos explorar melhor mais instalações e profissionais!!!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Atraído por um infomercial

Todas as vezes que estou sentado numa bela peça de mobiliário denominada estofado ou sofá, vou direto à televisão. Para ligá-la, pego o controle remoto e, em pouquíssimos segundos, imagens multicoloridas aparecem em sua tela! Ela é a companheira de momentos da vida cotidiana, inclusive a minha. Mudando de canal, vejo atrações de diferentes estilos, sendo que, em algumas delas, os apresentadores, as notícias e até os comerciais exibidos em seus intervalos me causam certo impacto.

Zapear pela mais sofisticada invenção tecnológica é como se fosse viajar por lugares fascinantes. Deitado no sofá de minha casa, fico pensando numa ilha paradisíaca rodeada de coqueiros bem verdes, com um mar azulzinho e cristalino, areia branquinha e um delicioso ar que tenho um grande prazer de respirar... Navegar pelo controle remoto de um moderno aparelho de TV ficou mais fácil do que girar o seletor, aquele botãozinho que fazia um barulho estridente, responsável pela mudança de canal em tempos jurássicos.

Passeando pelo controle, sintonizo a TV Salvador. Vejo, subitamente, um programa independente (não é produzido pela própria emissora) que eu gosto muito. É um canal de compras, do tipo infomercial, no qual uma série de estabelecimentos espalhados pela capital baiana e por Lauro de Freitas é anunciada constantemente. Que programa é este? Camera Express (A palavra Camera é sem acento mesmo, pois ela é inglesa.). No maior roteiro de compras da televisão nordestina, cada repórter apresenta, aleatoriamente, uma empresa e suas respectivas ofertas.

Um dos repórteres que mais chamou minha atenção no programa foi Carlos Neiva, um paulista que veio parar na Bahia há muitos anos. Pouco conhecido do grande público, assim como outros apresentadores de infomerciais, ele tem um jeito simpático e criativo de comunicar com funcionários e clientes das empresas anunciadas na própria atração.

O time de profissionais do Camera Express, incluindo Carlos Neiva, é excelente, pois ajuda a divulgar empresas, produtos e serviços de forma competente. Veja só: o programa não tem cenário fixo. Sua equipe, portanto, “passeia” pelos quatro cantos de Salvador à procura de ofertas que o anunciante quer vender. Pensando nisso, os empresários seguem o famoso princípio “Eu anuncio e vendo”.

O Camera Express é uma ótima opção para que os anunciantes divulguem seus estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços com satisfação. Quando assisto a esse programa, imagino que estou num grande shopping center fazendo compras ou me divertindo. É com essas e outras respostas que admiro bastante um programa de TV diferenciado chamado infomercial, só que à moda baiana.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Ainda dá tempo!

Pessoal, as votações deste blog já estão prorrogadas até o dia 1º de novembro. Continuem votando para que vocês ajudem a fazer desta página um grande tesouro de amigos!

domingo, 11 de outubro de 2009

Violência: inimiga urbana brasileira

29 de julho de 2008

A violência continua sendo um dos mais complexos e críticos problemas socioeconômicos do Brasil. Os governantes não estão conseguindo combatê-la, porque eles agem por seus próprios interesses. Além disso, os investimentos do Governo Federal e dos governos estaduais por melhorar a qualidade de vida da população são limitados ou insuficientes.

Grande parte dos casos de violência, registrados no país, ocorrem em regiões metropolitanas, como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Recife. Nessas cidades, vários bairros não possuem policiamento suficiente, possibilitando a ação de bandidos e de criminosos que praticam diversas atividades cruéis e dominam o tráfico de armas e de drogas. Entre as barbaridades mais frequentes estão os furtos, as chacinas e os homicídios, que continuam crescendo assustadoramente a cada ano.

Não é só as grandes metrópoles que fazem parte do mapa da violência urbana brasileira. Várias cidades do interior, principalmente as maiores, também sofrem com esse sério problema que incomoda os direitos humanos e a sociedade em geral. O sistema de segurança pública no Brasil, dessa maneira, é muito precário e não possui policiais altamente treinados, contribuindo para o aumento da criminalidade.

Além da falta de segurança nos grandes centros urbanos, outra causa importante da violência, em nosso país, é a falta de recursos para a assistência social e a educação básica, pois os governos deveriam investir pesado nessas prioridades. Esperamos que o futuro do país seja mais pacífico e menos violento quando for adotado um eficiente sistema social, educacional e policial.

sábado, 10 de outubro de 2009

Sonhos de uma noite de um verão timbaleiro

Sinto uma enorme vontade de conhecer um músico baiano pessoalmente, que é um dos meus cantores favoritos. Entre bastidores, autógrafos, entrevistas e sessões fotográficas, coisas que acontecem em qualquer espetáculo contagiante, meu sonho é ver essa extraordinária personalidade de perto num ensaio carnavalesco de uma das melhores bandas de axé durante minhas férias de verão. Sempre lembro que só conseguirei conversar com ele quando os seguranças me permitirem... Com a mais absoluta certeza!

Minha admiração pelo trabalho de um rapaz negro, de origem humilde, com cabelos semi-black power e uma inconfundível voz potente, começou há cerca de três anos, quando foi entrevistado para um conhecido telejornal campeão de audiência na Bahia no horário do almoço. Era época de lançamento de um álbum maravilhoso da banda da qual o jovem cantor com um brilhante talento faz parte. Foi a partir daí que ele chamou a minha atenção, não só por sua fisionomia juvenil, mas também por seu incrível e excelente trabalho musical.

Reparem o nome desse sujeito: Adenilson Brito Silva, popularmente conhecido por seu simples e carinhoso apelido, Denny, o querido e amado vocalista da Timbalada! Todos os anos, com sua maneira afro-brasileira de ser e de viver, Denny e sua turma fazem as multidões se animarem em tudo quanto é folia: no Carnaval de Salvador, nas famosas micaretas e nos shows que eles fazem no Brasil e no mundo afora. Nesses encontros timbaleiros, o uso excessivo de máscaras, pierrôs, colombinas, serpentinas e outras fantasias não é obrigatório. Apenas a alegria é recomendável!!!

Quando ouço qualquer música da Timbalada na voz de Denny, sinto um prazer imenso de ir aos ensaios desta banda liderada por um cara corajoso que venceu as barreiras do preconceito, utilizando-se de uma voz espetacular e harmoniosa para agitar as diferentes massas, da mais pobre a mais elegante. O lado compositor de Denny, especialmente num dos maiores sucessos da banda, Regando-te (do emocionante refrão: A Timbalada traz axé pra você...) me faz pular de pura alegria e descontração, por ser a cara da estação mais quente do ano. Admiro essa belíssima obra-prima que ele criou e deu de presente para toda a comunidade timbaleira.

Com tudo isso guardado na cabeça e no coração, já estou preparado para presenciar um grande momento da minha vida... São os ensaios da Timbalada para o Carnaval de 2010, realizados todos os domingos, entre janeiro e fevereiro, num espaço novo que nosso bom e velho Carlinhos Brown, fundador e patrão da banda, montou no antigo Mercado do Ouro. Trata-se do Museu du (sic) Ritmo, que não é de fato um lugar onde são realizadas exposições. É uma fantástica e reluzente casa de shows como outra qualquer, que a Timbalada reserva, é claro, para os ensaios mais acalorados e contagiantes.

Eu, assim como todos os admiradores da banda, terei o felicíssimo privilégio de conhecer pessoalmente um cantor do porte de Denny. Será uma noite tão divertida e animada antes de o show começar para, enfim, levantar poeira! Irei compartilhar, com certeza, os melhores momentos com ele e o universo timbaleiro que o rodeia, inclusive na hora dos autógrafos e das conversas com fãs e com a massa em geral.

Fica claro que só irei curtir, com todo gás, os magníficos ensaios da Timbalada quando o tempo estiver bom, muito bom mesmo! Se um sol escaldante aparecer sobre o litoral da Bahia num domingo, vai garantir uma colorida e agitada oportunidade de ver Denny acompanhado de uma grandiosa orquestra, com músicos completamente qualificados e criteriosamente selecionados por Mister Brown para dar maior tonalidade e equilíbrio aos arranjos.

Se tudo der certo – e dependendo do tempo e das minhas condições financeiras –, conseguirei um lugar cativo para curtir, com amor, harmonia, melodia, sinfonia, sintonia, energia positiva e alegria original, uma noite de ensaio da Timbalada no Museu du Ritmo. Esse maravilhoso espetáculo, repleto de pura animação e que combina com minha maneira de diversão, será uma grande chance para os timbaleiros se prepararem para desfilar no circuito Dodô (Barra-Ondina) a bordo de uma nova aventura radical da folia da Boa Terra... o fascinante e vibrante Bloco Jumper! (Por sinal, o nome do novo bloco significa “saltador”, dando uma ideia de aventura ao Carnaval de Salvador.)

Tudo de bom que acontece num show da Timbalada não é só realidade, mas também ALEGRIA, ALEGRIA, ALEGRIA ORIGINAL!

Este blog está ótimo!!!

Para nossa felicidade, 75% dos visitantes deste blog votaram na primeira alternativa da enquete: Ótimo!

Senhores visitantes, continuem acessando este meu blog, lendo e comentando todos os textos aqui disponíveis. É com a confiança de todos que este portal sempre está ficando beleza!

sábado, 3 de outubro de 2009

Brasil: hoje e amanhã

Abril de 2006

Quem não abriu mão da nossa paz
E não lutou por sua construção?
Isso é uma coisa cruel demais
Para quem não tem boa educação

Pense bem que nós somos fortes e amigos
Para fazer do Brasil um país bonito
Vamos ajudar a construir
Uma nova cara deste país tão lindo

Vamos assinar um acordo de paz
Para exterminar a violência
Vamos discutir para ter uma nação
Justa, forte e com consciência

Quem traiu e assassinou seus pais
Para começar a vender drogas?
Isso é um exemplo de atrocidade
E desamor pela nossa pátria

Vamos lutar por um país mais digno,
Mais justo, solidário e mais humano
Vamos fazer do Brasil um paraíso
Da luta pela honestidade e humanidade

Vamos assinar um acordo de paz
Para exterminar a violência
Vamos discutir para ter uma nação
Justa, forte e com consciência

O Carnaval de Carlinhos Brown agita o coração de Madri

Segue abaixo um texto sobre o sucesso de Carlinhos Brown e de outros artistas de axé na Espanha, que eu traduzi de uma reportagem de 2005 publicada na minha apostila de Espanhol do cursinho Ucba, onde estudei há um ano. Um texto interessantíssimo!

Impressionante: 400.000 pessoas, segundo dados da Prefeitura de Madri. DJ Dero e Daniela Mercury, apesar de não estarem na programação, também participaram. Toda a Espanha, cheia de gente, dançou sob as mangueiras dos bombeiros. Tem que repetir!

Carlinhos Brown levará seu Carnaval para Madri ao lado da Timbalada (banda de percussão vinda das ruas do Candeal) e dos trios elétricos (grandes caminhões com maior potência sonora), seguidos por dezenas de milhares de pessoas por toda a Espanha. O Carnaval Movistar também será realizado em outras cidades do país: Bilbao, Valência, Sevilha e Barcelona, onde Carlinhos convidará outros artistas brasileiros: Daniela Mercury, Margareth Menezes e Olodum.

O Carnaval da Bahia que nos traz Carlinhos é semelhante ao que o levou ao Fórum Barcelona 2004, em 15 de maio do mesmo ano. Nessa ocasião, o músico e compositor desfilou pelo Paseo de Gracia e arrebentou todas as previsões de público de modo que no final o trio elétrico não pôde alcançar a sua meta e teve que voltar a subir pelo mesmo caminho.

O Trânsito em Debate

Este videocast foi realizado pelos alunos do 2º. Semestre de Jornalismo do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), no qual eles debatem sobre o sistema de transporte público de Salvador, seus problemas e suas possíveis soluções. Orientado pelo professor Marcus Sampaio, de Produção em Rádio, TV e Cinema (RTVC), teve a apresentação dos próprios alunos, a saber: eu, Elvis Meireles, Michele Vasconcelos, Paulo George, Sirleia Araújo e Suiá Souza.

Foram três semanas de produção, que se estendeu da gravação no estúdio de vídeo da faculdade até a finalização no laboratório de vídeo, utilizando uma ferramenta profissional: o Final Cut Pro, encontrada exclusivamente nos computadores iMac da Apple, específica para esse fim.

O tema de abertura e de encerramento do vídeo é Deus é brasileiro (Renan Ribeiro), sucesso do grupo Terra Samba lançado em 1996, cuja letra reflete uma série de dificuldades que nossa população enfrenta.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Período entrefestas

13 de março de 2008

Vivemos agora nesses dias tranquilos que são considerados uma pausa de quatro meses entre o agitado e colorido Carnaval de Salvador e o delicioso e descontraído São João do interior nordestino. Já que o Carnaval terminou, estamos com muita saudade dessa maior festa popular do Brasil e do mundo, na qual o nosso coração bate o ano todo para fazer a gente se divertir. Este ano de 2008 marcou a despedida oficial de Cláudia Leite e de Tomate das suas respectivas bandas para seguir carreira solo; e as consagrações da banda Voa Dois, liderada pelos cantores Katê e Fred, e de Alexandre Peixe, cantor e compositor extraordinário.

Neste intervalo entre os meses de fevereiro e junho, ocorre a Semana Santa, que neste ano será de 20 a 23 de março, um período de reflexão para celebrar a morte e a ressurreição de Jesus. Esse negócio de ovo, coelhinho e outros paliativos, por outro lado, é tudo comercial e não tem nada a ver com o significado original da Páscoa, que é a Ressurreição do Nosso Senhor. Devemos pensar apenas neste lado espiritual religioso.

Enfim, em junho, as festas juninas: Santo Antônio (13 de junho), São João (24) e São Pedro (29). Entre essas festas, a mais importante é o São João, na qual o agito e a diversão voltam à cena do Nordeste brasileiro. Ao som da sanfona, da zabumba e do triângulo e ao sabor das comidas típicas, muitos nordestinos se divertem e se contagiam em harmonia com a mais pura emoção.

Quando ouço as músicas dos Aviões do Forró e grupos similares, percebo que elas são ideais para uma folia à moda cearense, pernambucana, potiguar... Em harmonia com a tradicional folia baiana que agita o verão. Muita alegria!

Poder e modernidade: qualidades do Cab

O Centro Administrativo da Bahia, símbolo da política do estado, reúne edifícios públicos construídos de acordo com as tendências contemporâneas da arquitetura

27 de junho de 2009

Num exuberante espaço cercado de Mata Atlântica, às margens da Avenida Luiz Viana Filho, mais conhecida como Avenida Paralela por estar localizada paralelamente à orla marítima de Salvador, está situado o Centro Administrativo da Bahia (Cab), complexo onde estão instaladas a maioria das repartições públicas estaduais e uma pequena quantidade de órgãos federais. Essas instituições possibilitam um perfeito equilíbrio político-administrativo, representando os três poderes ali presentes.

Como surgiu

O Cab foi implantado em 1972, no primeiro governo de Antônio Carlos Magalhães, em pleno “milagre econômico”, modelo de desenvolvimento que o Brasil adotou no governo do então general-presidente Emílio Garrastazu Médici (1969-1974). Foi através do “milagre” – que na verdade era só pura propaganda – que o Cab começou a ser construído numa área de vazio demográfico, muito além do Centro de Salvador. As principais causas que levaram à criação do complexo administrativo na nova área de expansão urbana – a Paralela – foram a decadência do Centro antigo, na época sede de repartições públicas, e o próprio crescimento de Salvador, com a construção de novas avenidas, realizada nas gestões municipais de ACM (1967-1970) e Clériston Andrade (1970-1975). Este último, por sinal, foi o prefeito na época da criação do Cab.

Os responsáveis pela implantação do Cab foram Mário Kertész – que mais tarde foi prefeito da capital baiana por duas vezes –, primeiro secretário do Planejamento, Ciência e Tecnologia, pasta criada em 3 de maio de 1971, no primeiro governo ACM, com o objetivo de promover o planejamento e o desenvolvimento urbano, científico e tecnológico do estado; o coronel Manoel Cerqueira Cabral, então chefe da Casa Militar do Governo do Estado e primeiro superintendente do centro, falecido recentemente; além do próprio ACM. Sua primeira construção a ser edificada foi a sede da Secretaria do Planejamento, em 1972.

Diversos órgãos estaduais funcionavam no Centro antigo antes de se transferir para o moderno complexo. Alguns exemplos: a Assembleia Legislativa, que antes de ganhar sede própria no Cab foi instalada provisoriamente em alguns andares do edifício Ranulfo Oliveira, sede da Associação Baiana de Imprensa, na Praça da Sé, entre 1960 e 1974; a sede da Governadoria, que até 1979 era o Palácio Rio Branco, na Praça Thomé de Souza; o Tribunal de Justiça, que funcionava no Fórum Ruy Barbosa; a Secretaria da Segurança Pública, na Praça da Piedade, no prédio que hoje abriga a chefia da Polícia Civil; e as secretarias da Agricultura e da Indústria, no atual Palácio dos Esportes, na Praça Castro Alves.

As artes modernas também marcam presença

Dezenas de edifícios, cuja quase totalidade foi projetada pelo arquiteto carioca João Filgueiras Lima, o “Lelé”, foram erguidos de forma contemporânea, arrojada e funcional. Em suas construções, foi utilizado concreto armado, por sua vez pré-fabricado, dando-lhes simplicidade, comodidade e harmonia com o belíssimo verde das paisagens idealizadas por Burle Marx (1909-1994) e com as avenidas desenhadas pelo urbanista Lúcio Costa (1902-1998), que lembram o traçado de Brasília, cujo projeto urbanístico – Plano Piloto – é de sua autoria.

As artes plásticas também são um fator de suma importância para a complementação do magnífico trabalho arquitetônico do Cab. Nas obras que ilustram a maior parte de seus edifícios, estão retratadas cenas do cotidiano e da cultura da Bahia, com destaque para o painel de Carybé, executado em concreto armado entre 1973 e 1974, na fachada do Palácio Deputado Luís Eduardo Magalhães, sede da Assembleia Legislativa.

Logo após o Viaduto Engenheiro Leonel Brizola, principal acesso ao Cab, muitas pessoas que vão por lá se deparam por aquele moderno, excêntrico e misterioso monumento de concreto armado em forma de balança, que simboliza o equilíbrio entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Trata-se do Centro de Exposições, concluído em 15 de março de 1975 e completamente restaurado e reequipado no segundo governo ACM, em 1º. de janeiro de 1981.

Somente três prédios foram total ou parcialmente incendiados: a Assembleia Legislativa, em 20 de novembro de 1978; o Tribunal de Contas do Estado e dos Municípios, em 2 de janeiro de 1999; e a Secretaria da Educação, em 2 de outubro de 2003. Após o incêndio da sede desta última pasta, ela passou a ser instalada no prédio onde anteriormente abrigava o extinto Instituto de Assistência e Previdência Social do Estado da Bahia (Iapseb).

Muito além das instituições

Não é só de órgãos estaduais que o Centro Administrativo da Bahia é composto. Há, dentro dele, um espaço reservado para as repartições federais. É a Avenida Ulysses Guimarães, no bairro de Sussuarana, batizada em homenagem a um dos políticos mais influentes e honestos do Brasil e um dos reconstrutores da democracia no país. Lá estão instalados o Fórum Teixeira de Freitas, sede da Justiça Federal na Bahia; a sede do Instituto Pedro Ribeiro de Administração Judiciária (Ipraj); a Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), entre outras autarquias da União.

Dentro do Cab, existem dois estabelecimentos não administrativos: o Colégio Estadual Bolívar Santana e uma igreja, além de vários estabelecimentos comerciais na Avenida Ulysses Guimarães.

Difícil não é subir, é subir sem se sujar

5 de agosto de 2008

O cenário político, econômico e social brasileiro foi e continua sendo atrapalhado por um enorme vilão denominado corrupção, um dos crimes mais comuns em nossa sociedade. Trata-se de uma roubalheira generalizada que foi trazida pelos portugueses durante o Período Colonial. De 1500 até hoje, a corrupção continua crescendo com o surgimento de novos casos.

Durante o regime militar, não se falava abertamente sobre os escândalos de corrupção, pois estes podiam incomodar direta ou indiretamente o governo da época. Este crime absurdo que interfere na vida dos cidadãos voltou a ser frequentemente discutido com a redemocratização. A maioria dos casos não está sendo combatida no Brasil em função da lentidão do sistema judiciário, cuja finalidade era punir os corruptos.

Os principais envolvidos nesses casos são políticos de diversas tendências ideológicas, empresários, juízes, advogados, líderes religiosos e até cidadãos comuns, como funcionários públicos. Essas pessoas incompetentes praticam vários atos ilícitos a favor de seus próprios interesses e também de interesses públicos, como as fraudes em programas sociais do Governo Federal em alguns municípios.

A corrupção é extremamente prejudicial ao povo brasileiro, pois ela contribui para o crescimento da impunidade, a instabilidade política e o aumento das desigualdades socioeconômicas. Além disso, ela transforma o Brasil num bando de ladrões e de muitos criminosos que agem em benefício próprio. Para que novos escândalos não ocorram mais, é necessária uma profunda reforma do nosso sistema judiciário.

"Se for dirigir, não beba"

16 de setembro de 2008

Criada para ajudar a diminuir o número de acidentes de trânsito no Brasil, a chamada Lei Seca entrou em vigor em junho deste ano. Até a vigência da lei, milhares de acidentes e mortes nas estradas estavam ocorrendo no país em decorrência do elevado consumo de bebidas alcoólicas. Os motoristas que não estão cumprindo a lei devem ser punidos.

O consumo de álcool provoca diversas alterações físicas e psicológicas no corpo humano. Os indivíduos, portanto, perdem o controle da direção ao conduzirem seus veículos em rodovias, avenidas e ruas movimentadas. Vários acidentes e mortes estão sendo registrados em todo o Brasil em consequência disso. Com esse preocupante resultado, o país é campeão em acidentes de trânsito no mundo.

A Lei Seca ajudou a reduzir pela metade o número de acidentes nas principais estradas brasileiras. Muitos motoristas, no entanto, não estão cumprindo-a, pois eles continuam bebendo acima do limite. O condutor, se não obedecer a lei, sofrerá gravíssimas consequências, como a perda temporária da Carteira Nacional de Habilitação e a sua prisão em alguns casos.

Alguns bares e empresas de transportes estão conscientizando contra o consumo de álcool, alertando os motoristas sobre os acidentes causados pelas bebidas. Mesmo com a Lei Seca em vigor, todos os condutores devem cumpri-la para colaborar na redução dos acidentes e das mortes no trânsito brasileiro.

Análise antropológica das músicas de rock nacional

A seguir estão duas letras de música que eu analisei e discuti antropologicamente. A primeira letra trata-se de um sucesso na voz de uma das principais musas do samba-funk-rock, Fernanda Abreu, tendo como coautor o antropólogo Hermano Vianna, irmão de Herbert; e a segunda é uma música do grupo O Rappa. Ambas possuem um forte conteúdo socioantropológico-cultural, refletem e valorizam a identidade e a diversidade culturais brasileiras.

Brasil é o país do suingue
Fernanda Abreu (Fernanda Abreu, Fausto Fawcett, Laufer e Hermano Vianna, 1995)

Vamo lá, rapaziada
Todo mundo dançando

Vamo lá, rapaziada
Todo mundo pulando

Vamo lá, rapaziada
Todo mundo dançando
Dançando sem parar

O brasileiro é do suingue
O brasileiro é do baile
O brasileiro é de festa
O brasileiro tem carnaval no sangue
Tem carnaval no sangue

E deixa solta essa bundinha
Deixa solto esse quadril
Deixa solta essa bundinha
Deixa solto esse quadril e grita

Brasil, Brasil
Brasil é o país do suingue

Vem comigo dançar
Em Belém do Pará
Na festa-aparelhagem tupinambá

Vem comigo, vem dançar
O reggae do Maranhão
Nos tambores da crioula
À toa rebolar
Vem comigo dançar
O forró bem cearense
E o reggae do surfista catarinense
Vem comigo
pra São Paulo
Vem dançar na Liberdade
Se acabar na festa funk-japonesa
Que beleza!

Vamo pra Bahia
E se acabar na rua
No esculacho da delícia
De vontade de festa
É Timbalada, Ilê Aiyê
Candomblé de umbandance
É Timbalada, Ilê Aiyê
Candomblé de umbandance
Vem dançar em Pernambuco
O mangue-beat recifense
Vem dançar em Porto Alegre
O rock-funk do Ocidente
Vem comigo, vem
pro Rio de Janeiro
Vem comigo, vem
pro Rio de Janeiro
(O Rio de Janeiro...
Cidade sangue quente...)
Cidade do suingue sensual demais
Toda a esquina é samba-funk
Vem pro Rio de Janeiro
Terra de Marlboro,
Rei dos bailes big mix
Big mix total, big mix total!

Honolulu
(Eu quero ver, eu quero ver!)
Honolulu
Honolulu
Honolulu...
(Remix é superimportante!)

Deixa solta essa bundinha
Deixa solto esse quadril
Solta esse quadril e grita...

Brasil, Brasil
Brasil é o país do suingue

E
vamo lá, rapaziada
Todo mundo dançando

Vamo lá, rapaziada
Todo mundo pulando

Vamo lá, rapaziada
Todo mundo dançando
Dançando sem parar

Funk Nordeste
Funk Noroeste
Funk Centro-Oeste
No Sudeste, Norte, Sul

Mato Grosso, Pernambuco, Maranhão e Goiás
Rondônia, Paraíba, Paraná, Minas Gerais
Brasília, Roraima, Piauí, Espírito Santo
São Paulo, Ceará, Acre, Tocantins
Amazonas, Sergipe, Alagoas, Amapá
Santa Catarina, Bahia e Pará
Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul
É Grande Rio de Janeiro
Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul
É Grande Rio de Janeiro!

E deixa solta essa bundinha
Deixa solto esse quadril
Solta esse quadril e grita...

Brasil, Brasil
Brasil é o país do suingue


Instinto coletivo
O Rappa (Marcelo Yuka, Falcão, Xandão, Lauro Farias e Marcelo Lobato, 2001)

Quadras e quadras e quadras e quadras
Cirandas, cirandas, cirandas, B. boys e capoeiristas
Velhos sonhos, novos nomes, velhos sonhos, novos nomes na avenida
O folclore é hardcore e ataca o nosso momento
Abre a roda, quem
fora e quemdentro participa
O folclore é hardcore e instiga alegria
Em respeito do homem ao tambor
O ritmo que ilumina com louvor
No fato de estarmos juntos sem pavor
Pois o instinto, o instinto é coletivo, meu senhor

Eu represento o instinto coletivo

É domingo e só temos uma opção
As caixas são grandes e o som tem que ser alto

Pra tocar na multidão
Essa dança não faz seleção

Pro homem do samba, o homem do funk, o homem do bangra
Baile da Furacão, Folia de Reis, Quarup e o Boi-Mamão
Nossa identidade é nosso lar
E dentro de uma área de exclusão
Marcos, Afrika Bambataa, Padre Cícero e Lampião
Contra a mente de exclusão, sempre souberam
Que o instinto é coletivo, meu irmão

Eu represento o instinto coletivo

O Rappa from Brazil
Third world posse on the hill
O Rappa from Brazil

Essa dança não faz seleção
Para o homem do samba, para o homem do funk, para o homem do bangra
Baile da Furacão, Folia de Reis, Quarup e o Boi-Mamão
Nossa identidade é nosso lar
E dentro dessa área, dessa área de exclusão
Comandante Marcos, Afrika Bambataa, Padre Cícero e Lampião
Contra a mente de exclusão, sempre souberam
Que o instinto é coletivo, meu irmão
Que o instinto é coletivo, meu irmão

When you see my passport number

You don't see my culture

You don't see me

Observando as letras das canções acima, é possível demonstrar que o Brasil possui uma enorme, incrível, fantástica, exótica, extraordinária e rica diversidade social, cultural e étnica, fazendo do nosso país um verdadeiro mosaico de inúmeras manifestações artísticas (música, cinema, teatro, dança, culinária, artes plásticas e arquitetura). O povo brasileiro é heterogêneo, pois foi formado a partir de um aspecto socioantropológico denominado miscigenação. Portanto, o seu instinto deve ser originalmente coletivo.

Cada região - de Norte a Sul - representa um ambiente propício ao surgimento de certos fenômenos artísticos, culturais e sociais, dando origem à radiante e colorida variedade de ritmos, etnias, comidas, vestuários, crenças, estilos, hábitos, costumes e patrimônios. Respeitar as diferenças é se orgulhar da pluralidade de hábitos e costumes que, integrada à identidade cultural, forma o vasto universo da cultura brasileira.

Contato com a cultura dos nossos ancestrais

A convite do professor Marlon Marcos, estudantes de Jornalismo da Unijorge visitaram o terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, um dos mais antigos de Salvador

21 de maio de 2009

Alunos de Jornalismo da Unijorge visitando o terreiro Ilê Axé Opô Afonjá em 20 de maio de 2009
(Foto: Marlon Marcos)

Ontem foi um dia muito especial para nós, alunos do primeiro semestre de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), pois o nosso professor de Antropologia, Marlon Marcos, nos conduziu a um ambiente estranho, onde convivemos com outra civilização, outra cultura e outra sociedade, que é exatamente a africana. É da África onde vieram os nossos ancestrais que, aliados ao índio nativo e ao colonizador português, formaram o mestiço, heterogêneo, poderoso, corajoso e hospitaleiro povo brasileiro, um alegre e extraordinário mosaico étnico.

Marlon e nós, futuros jornalistas, fomos ao terreiro de candomblé Ilê Axé Opô Afonjá, localizado em São Gonçalo do Retiro, no Cabula, para uma observação participante com o objetivo de investigar antropologicamente o local, sendo recepcionados pela professora aposentada Célia Maria Silva.

A primeira etapa da nossa aula de campo foi a visita ao Museu Ilê Ohum Lailai (“casa das coisas antigas”), onde estão expostos permanentemente diversos objetos e costumes típicos da cultura afro-brasileira. No museu, encontramos instrumentos musicais de percussão, pertences das antigas ialorixás (mães-de-santo), armas, adereços, ebun etutu (surpresas de festa), representações dos orixás, folhas sagradas, comidas, enfim, toda a identidade cultural da Mãe África.

No memorial, há também o Espaço Azul ou Iyá Kayodé, em homenagem a Maria Stella de Azevedo Santos, a Mãe Stella de Oxóssi, atual ialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá, uma reunião de peças históricas do seu acervo particular. Entre vários objetos expostos no Espaço Azul estão a cadeira e a máscara que Mãe Stella recebeu por ocasião de sua viagem ao Benin, em 1988; fotos; medalhas e o quadro “Caçador de uma flecha só”, pintado por Reinaldo, então aluno da Escola Municipal Eugênia Anna dos Santos, situada no terreiro, em 1999. O Ilê Ohum Lailai foi criado em 1981 por Mãe Stella e pela filha-de-santo Vera Felicidade, e reinaugurado, após restauração, em maio de 2000, com a presença do então ministro da Cultura, Francisco Weffort.

O Ilê Axé Opô Afonjá, que significa “casa da força sustentada por Afonjá”, surgiu em 1910, no Pelourinho. Sua fundadora foi Eugênia Anna dos Santos, a Mãe Aninha, responsável pela liberação do culto afro-brasileiro, perseguido pelas tropas policiais no início do século passado. Com a fundação de um dos tradicionais terreiros de candomblé de Salvador, Mãe Aninha se tornou a primeira ialorixá até a sua morte, em 1938. Outras ialorixás se seguiram no comando: Mãe Bada (1939 a 1941), Mãe Senhora (1942 a 1968), Mãe Ondina ou Mãezinha (1969 a 1975) e Mãe Stella, empossada em 10 de julho de 1976, permanecendo até os dias atuais.

Cada casa do terreiro homenageia um orixá: Oxalá, Xangô, Oxum, Oxóssi, Omulu, Yemanjá, Iansã... Entramos em uma das casas mais bonitas e espetaculares do Ilê Axé Opô Afonjá: a Casa de Xangô, que é a construção principal, e nos reunimos, agachados, com mãe Stella de Oxóssi, matriarca há quase 33 anos, que aos 84 anos conserva sua energia, sua juventude e seu vigor. Na fachada da Casa de Xangô, uma bela e enorme escultura de fibra de vidro, de autoria do artista plástico Tati Moreno, retrata com coragem o orixá da justiça.

Nossa observação participante ao terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, além de ser bastante proveitosa e de fundamental importância para a formação profissional jornalística, terminou com um forte abraço do professor Marlon a dona Célia, sua fiel auxiliar durante toda essa longa jornada de valorização etnográfica.

Para finalizar, agradeço a todos os alunos do primeiro semestre de Jornalismo da Unijorge, principalmente àqueles que estiveram presentes na referida aula de campo: Ágata Fidelis, Amanda Carvalho, Ana Paula Maquiné, Bruna Correia, Bruna Esteves, Bruna Francesca, Camila Marinho, Caroline Garrido, Caroline Patriarca, Daiane Oliveira, Danilo Silva, Fernanda Magalhães, Luíza Mazzei, Maíra Figueiredo, Mariane Vieira, Mayra Lopes, Paulo Campos, Rafaela Hasselmann, Suiá dos Santos, Thamires Assad, Theisse Ávita e Whidianny Mayara, além de mim mesmo, que sou presença constante em outras atividades extraclasses.

Também quero dedicar esta maravilhosa crônica ao nosso grande professor de Antropologia, Marlon Marcos, e principalmente ao Ilê Axé Opô Afonjá pela valiosa contribuição, pelo estímulo, pelo carinho e pelo AXÉ durante a sua elaboração. Além dos alunos relacionados acima, quero agradecer àqueles que se ausentaram desse importante trabalho, como Lindiwe Aguiar, símbolo da resistência, da esperança e da força negra da Bahia.

Cúmplices da imoralidade e da má educação

2 de junho de 2009

Menores abandonados, espalhados pelas maiores cidades, apesar de serem sinônimos de exclusão social, de crueldade e de vergonha, transformam-se em agentes do medo perpétuo da comunidade. Praticam, portanto, o terror, a violência e a impunidade. Além disso, degradam e invadem a paisagem urbana, maravilhosa somente na aparência. Se as cidades são aparentemente belas, o mundo cão domina completamente a nossa realidade social, afetando a vida de bilhões de habitantes no planeta.

Convivendo com muitos problemas de ordem social e econômica, crianças e jovens, apesar de estarem abaixo da maioridade oficial – 18 anos –, trancam cedo suas obrigações (estudos) e suas diversões para ingressar no mercado de trabalho, ou para fazer alguns “bicos” diários em plena via pública. Esses “capitães da areia”, como o imortal e amado Jorge os descreveu, os menores, sem nenhum auxílio social, persistem até a atualidade.

Diversas leis foram criadas e sancionadas ao longo da história contemporânea do Brasil, com a finalidade de instituir alguma “liberdade” e algum “apoio” ao menor, como o Estatuto da Criança e do Adolescente (Eca), vigente desde julho de 1990. Entretanto, essas legislações que deveriam ser cumpridas nunca incentivaram a sua independência frente às suas crescentes dificuldades. Trata-se de uma manobra de natureza jurídica que serve para barrar o acesso das crianças carentes ao exercício pleno dos direitos humanos e da cidadania.

Tendo o trabalho e a exploração sexual infantis como “carros-chefes”, muitas crianças e adolescentes cujas residências fixas são as ruas, as avenidas, as praças e os largos, popularmente conhecidos como meninos de rua, não possuem a mínima ideia do que realmente deveria ser o seu futuro. Para eles, seu futuro é incerto e se resume a uma incógnita, portanto são nascidos e criados por uma série de complicações biológicas, sociais, psicológicas e emocionais.

Devido à imensurável burocracia governamental e à tão feroz corrupção, nenhum programa seguro e eficaz de desenvolvimento e bem-estar dos menores que hoje vivem perigosamente em centenas de logradouros urbanos nunca foi colocado em prática. A permanência dos tristes e humildes “capitães da areia” nas grandes metrópoles brasileiras, como Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e Recife, é uma consequência da falta de recursos público-privados destinados à melhoria de sua qualidade de vida.

Todas as pessoas, com idades entre 0 e 18 anos, devem estar intensamente conscientizadas e mobilizadas e ter uma noção da educação, que é o maior e mais supremo de todos os direitos humanos, sendo responsável por abrir os horizontes para a liberdade, a amizade, o amor, a saúde, a harmonia e a felicidade.

É a partir da educação – que ainda é um sonho possível – que o Brasil seguirá em frente, contribuindo decisivamente para o progresso infantojuvenil do país. Como disse Anísio Teixeira, grande educador baiano que revolucionou o ensino brasileiro, a educação não é um privilégio de poucos, e sim um direito a ser definitivamente exercido por todo o povo.

É importante ressaltar que os meninos de rua são, de fato, cúmplices da incompetência e da imoralidade entre os diversos obstáculos com que a sociedade convive. Os frequentes terrores diurnos e noturnos, aliados à miserabilidade, à fome, à insegurança e à constante carência de educação básica, fazem desses menores desabrigados o principal inimigo público da infância e da juventude. Para aqueles que procuram abrigos ao ar livre nas cidades, o trabalho precoce e a criminalidade são considerados suas prioridades.

Até quando os pequenos “terroristas”, que diariamente assustam muitos indivíduos normais praticando o medo e o perigo duradouros, irão continuar morando nas ruas? É um problema extremamente difícil de ser resolvido, tendo como produtos finais o “culto” e a “adoração” ao submundo.

A infância em declínio

15 de abril de 2009

Observar constantemente esses bandidos urbanos sempre foi uma rotina cotidiana nas grandes metrópoles do Brasil e do mundo. É um problema seriíssimo que incomoda as autoridades e as organizações não-governamentais que defendem os interesses dos direitos humanos e da melhoria das condições de vida da população. Pequenos cidadãos comuns, com idades abaixo de 18 anos, continuam vivendo livremente em locais públicos, por isso perdem oportunidades para conseguir esperanças de um futuro melhor. Quem são esses cidadãos comuns?

São os famigerados meninos de rua, retratos cruéis da indignação, da ignorância, da marginalidade e do triste descaso socioeconômico dos maiores centros urbanos. Desde o Período Colonial, o número de crianças e de adolescentes moradores de rua continua crescendo rapidamente no Brasil, tornando-se um dos países do mundo com elevadas taxas deste deplorável obstáculo que agrava ainda mais o dia a dia da sociedade.

Assim como qualquer indivíduo carente, cuja renda familiar não passa de um salário mínimo, os meninos de rua vivem em condições extremamente precárias, lamentáveis e apavorantes, fazendo das vias e praças públicas um “lar doce lar” para eles mesmos. Para garantir a sua sobrevivência, essas criaturas solitárias e às vezes violentas improvisam abrigos em passeios, viadutos, túneis, praças e até mesmo em bueiros e galerias de metrô; ajudam no sustento das suas famílias trabalhando como vendedores ambulantes, lavadores de para-brisa e guardadores de automóveis; consomem e oferecem drogas e entram no mundo do crime.

Aqui em Salvador, existem inúmeros casos de mendicância e trabalho infantis, o que torna a terceira maior cidade do país numa das metrópoles com maiores índices desses vergonhosos problemas. Em pontos estratégicos da capital baiana, é possível ver pequenos indigentes por todos os lados. Como exemplos que eu considero chocantes, temos meninos dormindo noite e dia na Praça da Piedade, limpando vidros de para-brisa em carros que circulam sem parar em avenidas movimentadas, morando embaixo dos viadutos da Fonte Nova e Raul Seixas (Iguatemi) e se drogando no imponente Passeio Público, um dos mais belos monumentos da cidade. Isto revela a infância perdida de milhares de menores abandonados soteropolitanos.

Se o sistema dominante – capitalismo selvagem – ainda é bruto demais, o grau de dificuldade para solucionar a médio ou longo prazo certos empecilhos que restringem o acesso às necessidades fundamentais dos seres humanos – educação, saúde, higiene, alimentação, habitação, segurança, vestuário, trabalho, lazer, cultura, esporte e cidadania – é bastante alto.

Será que essas criaturinhas, que a princípio eram consideradas como “presentes de Deus”, se esqueceram de confiar nas preciosas obras do Senhor para se dedicar somente ao submundo? Repare para aqueles menores mal-educados pedindo esmola a pessoas conscientes numa determinada avenida. Esta triste cena, apesar de não pertencer a nenhum filme, se repete com frequência em qualquer cidade grande.

Enquanto políticos gastam milhões de reais em viagens, moradia e outras mordomias que uma minoria privilegiada tem acesso e ainda se preocupam em futilidades, o povo pobre – paupérrimo –, incluindo os meninos de rua, permanece totalmente alheio aos benefícios de assistência social, chorando nos lugares onde vivem. Quando os políticos estão se interessando em outras coisas que não têm nada a ver com a nossa realidade nua e crua, eles não têm coragem para enfrentar as péssimas situações por que passa o país.

Cadê os programas de apoio ao menor? Estão praticamente engavetados nos arquivos dos governos. Cabe aos próprios governantes e também à iniciativa privada a complexa e importante tarefa de resgatar crianças e adolescentes das ruas, avenidas e praças, com o principal objetivo de ressocializá-los, sendo necessárias a valorização, a qualificação e a humanização da infância e da juventude brasileira. Devemos, em primeiro lugar, investir pesado nisso para que os nossos queridinhos voltem a sorrir, estudar, brincar, pular, dançar e se alegrar.